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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana da EREM Mariano Teixeira 2017


CONVITE
EREM MARIANO TEIXEIRA
SEMANA ESTADUAL DA VIVÊNCIA E PRÁTICA DA CULTURA AFRO-PERNAMBUCANA – LEI 13.298/07 – 12 a 18 de setembro de 2017

- DIA  12/09/17 (terça-feira)
Debates sobre a Lei Estadual  13.298/07
Semana estadual da vivência e prática da cultura afro-pernambucana
O quilombo do Catucá e Malunguinho
As ervas usadas nos quilombos
Trabalho em grupo com alunos do 1º, 2º e 3º anos
Apresentação  na sala de aula (manhã e tarde)

- DIA 13/09/17 (quarta-feira)
Apresentação audiovisual sobre Mestres e Mestras do Maracatu
Homenagem a Naná Vasconcelos, mestre dos mestres dos maracatus
Professora Célia Cabral e alunas do 3º ano A
Quilombos urbanos e quilombos rurais, antigos e atuais
Professora Andrea Medeiros e alunos dos 1º anos
Local: Auditório da Escola
Horário: 8h20 às 12h

- DIA 14/09/17 (quinta-feira)
Conhecendo e valorizando o Patrimônio Vivo de Pernambuco
Trabalho em grupo com alunos do 1º, 2º e 3º anos e a Professora Célia Cabral
Apresentação em sala de aula (manhã e tarde)
Debates sobre:
Movimentos negros nos EUA e lutas pelos direitos civis;
Lutas contra o racismo e outras formas de discriminação;
As políticas afirmativas de inclusão social no Brasil;
Rebeliões e resistência dos escravos no Brasil do século XIX;
Comunidades quilombolas de hoje.
Professora Andrea Medeiros e alunos do 1º anos em sala de aula com construção de textos.

- DIA15/09/17 (sexta-feira)
Momentos de conhecimento e reflexão
Os mestres cirandeiros de Pernambuco (com alunos do 2º ano A)
Malunguinho, herói pernambucano
Cordel ilustrado pelo aluno Álvaro Luiz e alunas do 3º ano C
Local: Auditório da Escola
Horário: 8h20 às 12h

- DIA 18/09/17 (segunda-feira)
Aprendendo e valorizando a cultura afro-pernambucana
Mestres e mestras do Coco de Pernambuco (com alunas do 3º ano A)
Mestres das Emboladas de Pernambuco (com alunos do 3º ano B)
Arte afro-pernambucana (banner) Professora Joviosete e alunos do 3º ano C

CONVIDADOS:
- Alexandre L’Omi L’Odò: Mestre em Ciências da Religião, historiador e coordenador da Instituição Quilombo Cultural Malunguinho (IQCM)
- Ricardo Nunes: jornalista e membro da IQCM
- Rui Silva: pesquisador
- Fernando Batista: UFPE
- Samuel da Luz: PCR
- Rivaldo Silva: amigo da escola

ENCERRAMENTO:
Gestor Romulo Peixoto, professores, alunos e convidados
Local: Áuditorio da Escola
Horário: 8h20 às 12h

Local do Evento: EREM Mariano Teixeira
Avenida Capitão Felipe Ferreira, s/n, Vila Cardeal Silva, Areias
Fone: 3181-2745

 Contamos com a sua presença!!!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 4 de dezembro de 2011

"Uma ideia para Pernambuco" - Lei 13.298/07, a Lei Malunguinho


"Uma ideia para Pernambuco"


Diário de Pernambuco - Editorial Assis Chateaubriand, B14. 
Recife, domingo, 4 de dezembro de 2011 
 
“Embora sancionada, a Lei 13.298, de 2007, que institui a Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana, não saiu do papel. A nossa proposta é que o estado crie uma comissão, envolvendo as secretarias de Cultura e Educação e representantes dos movimentos sociais, para implantar o evento, que daria visibilidade aos nossos valores e problemas. Pelo que diz o texto da Lei, também conhecida como Lei Malunguinho, a semana deve acontecer anualmente entre 12 e 18 de setembro. A não implementação, a nosso ver, é parecida com o que está acontecendo com a Lei Federal 10.639, de 2003. Essa lei obriga o ensino da história da historia e cultura africana e afro-brasileira na educação básica, mas pouco de fez até agora para ser posta em prática. Por trás dessas atitudes estão o racismo e a clássica intolerância religiosa contra os negros e seus cultos”.

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Publico aqui breve sugestão minha para a implementação da Lei Malunguinho. O Quilombo Cultural Malunguinho, ao longo dos 4 anos da aprovação da Lei 13.298/07, que foi sancionada no mês de setembro do citado ano, vem implementando-a de forma autônoma e ainda inexpressiva para o Estado como um todo. Como não temos recursos financeiros nem podemos ainda contar com articulações do Estado nem mesmo do povo de terreiro em sua amplitude, seguimos em frente levantando essa bandeira que é para um bem coletivo, e também, para o fortalecimento da própria Lei Federal 10.639/03. Temos que doarmos mais energia nossa para a efetivação dessas vitórias históricas do nosso povo. A Lei Malunguinho é sem dúvidas uma das grandes vitórias do trabalho do Quilombo C. Malunguinho, que visando um Pernambuco menos racista, investe todos os dias energia nessa luta. 

A mesma Assembléia Legislativa que mandou caçar e matar Malunguinho em 1835, em 2007 aprovou para o Estado essa lei que nos dá condições de trabalhar uma semana inteira nas escolas e em todos os espaços que se interessem e desejem tratar do tema da vivência e prática da cultura afro pernambucana. Isso é um pouco da reparação que o estado tem que dar a história dos Malunguinhos do Catucá, os negros/índios que lutaram pela liberdade dos oprimidos desse país.

Já colocamos em prática concretamente há três anos a lei. Vocês podem ver nesse blog, nas postagens amais antigas as fotos dos eventos realizados.

Desculpem-me a cara feia na foto, mas esse momento foi registrado pelo fotógrafo do DP no dia de minha audiência no Forum de Olinda, sobre a troca de meu nome. Estava irritado e estressado com o que ouvi da juíza. Daí me pegaram de mal jeito (kkkkkkkkkkkkkk). Dêm agô!! ...

Salve Malunguinho, Salve a Jurema, Salve a Fumaça!


Alexandre L'Omi L'Odò
Coordenação Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 15 de agosto de 2009

Candomblé de SP é tombado como Patrimônio Imaterial do Estado.

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Republico aqui a matéria postada em 21 de Julho de 2009, no site Meu Lote, do grande companheiro Nei Lopes, que trata da sanção da lei estadual que tombou o Candomblé do estado de São Paulo como patrimônio imaterial do Estado, ação protagonizada pelo Deputado estadual
Gilberto Palmares, que foi sancionada por Luiz Fernando Pezão, Governador em exercício.
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CANDOMBLÉS EM FESTA!
PALMARES PROPÕE E PEZÃO SANCIONA LEI DE TOMBAMENTO

A denominação “candomblé” é o termo genérico com que, no Brasil, a partir da Bahia e desde o início do século 19, se designa o culto aos orixás jeje-nagôs (iorubanos e daomeanos, oriundos da região corresponde ao sudoeste da Nigéria e sudeste do Benin) bem como algumas formas dele derivadas, manifestas em diversas “nações”. Por extensão, o nome designa também a celebração, a festa dessa tradição; e a comunidade onde se realizam essas festas. Ex: “Hoje tem ‘candomblé’ no Candomblé de F.”

A modalidade original do candomblé consiste em um sistema religioso autônomo e específico que ganhou forma e se desenvolveu no Brasil, a partir da Bahia, com base em diversas tradições religiosas de origem africana, notadamente da região do Golfo da Guiné. Já os candomblés bantos, de rito “congo” ou “angola” e como tal referidos (“o congo”; “o angola”), são modalidades de culto nos quais prevalece a utilização de linguagem crioulizada originária respectivamente do quicongo e do quimbundo, línguas do grupo banto, faladas no Congo e em Angola. Estruturalmente, os símbolos e práticas desses candomblés pouco diferem daqueles usados nos candomblés de matriz nagô ou iorubana; e, recentemente, alguns estudos vêm desvendando aproximações suas com o universo dos antigos terreiros jejes. Entretanto, as similaridades desses candomblés com outras expressões da religiosidade banta, no Brasil e nas Américas, apenas são perceptíveis, pelo menos aparentemente, no âmbito da linguagem.

Outras modalidades de culto, como o batuque gaúcho, o xangô pernambucano, a mina maranhense, a umbanda etc., são caudatárias da matriz jeje-nagô, porém muitas vezes entrecruzada, essa matriz, com substratos bantos. Nesse particular, veja-se que a própria denominação “candomblé” (da mesma extração de "candombe") parece ter como étimo o termo multilingüístico banto kiandombe ou ndombe, significando “negro”.

Vejamos agora que o protótipo da espécie de comunidade religiosa hoje conhecida como “candomblé” foi o chamado “Candomblé da Barroquinha”, casa de culto implantada em Salvador, Bahia, no bairro central que lhe empresta o nome, por volta de 1789. Antepassado do atual Ilê Axé Iyá Nassô Oká, conhecido como “Casa Branca do Engenho Velho da Federação” ou simplesmente “Casa Branca”, esse terreiro foi fundado no momento histórico em que se verificavam os primeiros ataques daomeanos ao Reino de Queto (Ketu) – quando foram feitos cerca de 2000 cativos – e com o desembarque maciço na Bahia dos primeiros escravos dessa região.

Segundo a tradição oral, antes de seu efetivo estabelecimento, os futuros fundadores tinham-se aproximado dos cultos mantidos por africanos de nação Grunce ou Grunci, no bairro da Boa Viagem, na localidade de Dendezeiros, atual Vila Militar. Suas origens físicas remontam a uma casa, na Ladeira do Berquó ou na Rua da Lama, ambas hoje denominadas “Visconde de Itaparica”, erguida em terreno arrendado a um casal de proprietários brancos filiado à Confraria de Nossa Senhora da Piedade da Igreja da Barroquinha, fundada por crioulos e africanos da Costa da Mina em 1764.

Em seu magnífico trabalho sobre as origens do terreiro, o historiador baiano Renato da Silveira (O candomblé da Barroquinha: processo de constituição do primeiro terreiro baiano de queto. Salvador, Edições Maianga, 2006) conclui, com relativa certeza o seguinte: que, por volta de 1789 membros da família Arô, da linhagem real de Queto, e aliados, instituíram, nas cercanias da Igreja da Barroquinha, um culto doméstico a Odé Oni Popô (uma das manifestações de Oxossi) e, logo depois, também a Airá Intilê (um avatar de Xangô). Firmou-se, então, um acordo político ou aliança, que fez surgir o modelo de candomblé até hoje vigente, o qual, em vez de ser local de culto a uma só divindade, como o “calundu” colonial, concentra vários cultos a divindades de procedências diversas. Entretanto, por volta de 1807, após o arrendamento de um terreno situado atrás da igrejinha, por divergência de idéias, esse grupo transferiu-se para a localidade suburbana de Matatu de Brotas, onde, além dos orixás já cultuados, assentou também os fundamentos de Oxumarê, permanecendo os fiéis da Barroquinha devotados, ao que parece, principalmente ao culto de Airá Intilê. O terreiro suburbano deu origem ao conhecido Candomblé do Alaqueto e o do centro, à atual Casa Branca, mais tarde transferida para a localidade do Engenho Velho.

Vejamos finalmente que, desde pelo menos a década de 1870, por diversas razões históricas, o intercâmbio entre as comunidades negras na Bahia e no Rio de Janeiro foi intenso, dele nascendo, quase ao mesmo tempo, algumas importantes casas de culto em Salvador e na “Pequena África” carioca (eixo Praça Onze-Praça Mauá atuais), como foi o caso do venerando Ilê Axé Opô Afonjá e de outros axés históricos, como o de João Alabá.

Diante de toda essa monumental história, nada mais gratificante, então, que ler nos jornais cariocas deste fim de semana, que a lei de tombamento da religião do candomblé como patrimônio imaterial do Estado, proposta por nosso deputado e amigo Gilberto Palmares acaba de ser sancionada por Luiz Fernando Pezão, governador em exercício. E isto, no momento em que, por baixo do imenso caldeirão onde borbulha o mungunzá (denguê, pro povo nagô), vem crescendo uma revolução silenciosa, comandada por Ifá, o orixá do saber e da inteligência, retornado ao Brasil em 1991, depois de um longo exílio.

Mas isso é uma outra história.


*Fonte: blog meu Lote (www.neilopes.blogger.com.br).
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sentindo-me insitado à contribuir no campo da legitimação oficial das tradições que vivencio e pratico (Jurema Sagrada e Xangô) em meu Estado, àpartir da leitura desta notícia brilhante, que iluminou mais ainda meu pensamento, proponho a Pernambuco e a seus movimentos religiosos, instigar a realização do mesmo ato protagonizado pelo Deputado estadual Gilberto Palmares em sua assembléia, aqui. Vamos Tornar a Jurema Sagrada patrimônio de Pernambuco, assim como nossa Nação Nagô pernambucana/recifense.

*{Observação sobre o texto: Todo discurso sobre o retorno do ifá em 1991, sitado por Nei, casou-me desconforto. Sabendo que Ifá sempre teve seu lugar extremamente preservado dentro do Culto Nagô pernambucano, como poderia orunmilá ter saído do Brasil assim tão ilogicamente? Ifá está em Pernambuco, podem vir ver!}*.

Alexandre L'Omi L'odò
Quilombo cultural Malunguinho
174 Anos Resitindo!
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!