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terça-feira, 6 de junho de 2017

Primeiro Pé de Jurema Sagrada plantado em uma escola pública no Brasil

Alexandre L'Omi L'Odò sacerdote responsável pela palestra e pelo plantio do Pé de Jurema. Foto de Alyne Pinheiro.

Primeiro Pé de Jurema Sagrada plantado em uma escola pública no Brasil
Um ato histórico para a educação pública em prol do respeito à diversidade

Já era para eu ter feito este registro aqui. Demorei um ano para fazê-lo. Contudo, disponibilizo abaixo um pouco do nosso momento mais lindo de 2016.

Não escreverei muito sobre este dia tão especial. Apenas deixarei aqui as fotografias que marcaram este momento histórico na vida de todos nós, que acreditamos em um mundo sem racismo, sem intolerância e que respeita a diversidade religiosa e cultural. Em cada foto tentarei fazer um breve comentário, para ilustrar o que cada uma representa. Vigem nas imagens, elas são o relato de tudo que vivemos. 

A emoção é forte em rever cada detalhes deste dia. Dia difícil... Onde pudemos ver a face real do racismo institucional. Mas somos fortes, resilientes e enfrentamos tudo com dignidade e plantamos juntos e juntas o primeiro pé de Jurema em uma escola pública no Brasil.

Vale lembrar que esta árvore sagrada, foi plantada em homenagem ao líder quilombola negro/indígena Malunguinho, herói do povo Pernambucano e divindade na religião Jurema Sagrada.

Diretora fazendo fala de abertura do ato do plantio da primeira Jurema prantada em uma escola pública no país. Foto de Alyne Pinheiro.

Abertura das atividades com uma palestra sobre a Jurema Sagrada e a diversidade afro religiosa. Foto de Alyne Pinheiro.

Aluno fazendo perguntas sobre a Jurema Sagrada. Foto de Alyne Pinheiro.

Alexandre L'Omi L'Odò explicando a importância do cachimbo da Jurema. foto de Joannah Mendonça.

Aluno fazendo afirmações sobre sua identidade negra. Foto de Alyne Pinheiro.

Alexandre L'Omi L'Odò e professor Rodrigo Correia em momento de emoção e fechamento da palestra. Nesta ocasião, a ancestralidade indígena do professor se fez presente para afirmar o agradecimento pela luta vencida. Foto de Alyne Pinheiro.

Ritual de plantio do primeiro pé de Jurema em uma escola pública do país. Foto de Alyne Pinheiro.

Ritual de plantio do primeiro pé de Jurema em uma escola pública do país. Foto de Alyne Pinheiro.


Professor Rodrigo Correia e Alexandre L'Omi L'Odò umedecem as raízes da árvore sagrada para seu plantio. Foto de Alyne Pinheiro.

Sacerdote Alexandre L'Omi L'Odò profere fala ritual acompanhado do professor Rodrigo Correira. Foto de Alyne Pinheiro.

Sacerdote Alexandre L'Omi L'Odò faz ritual de plantio da Jurema Sagrada. Foto de Alyne Pinheiro.

Momento sagrado. Plantando a esperança e enterrando o racismo e a intolerância religiosa. Foto de Alyne Pinheiro.

Alunos e alunas participam colocando areia com as mãos no momento do plantio da Jurema. Foto de Alyne Pinheiro.

Momento de celebração com alunos e alunas, onde a água foi jogada na mão de todos e todas para que eles também fossem parte deste ato sagrado. Foto de Alyne Pinheiro.

Alexandre L'Omi L'Odò e professor Rodrigo Correia, idealizadores do plantio. Foto de Alyne Pinehiro.

Momento final do ato. Foto para posteridade. Registro de Joannah Mendonça.

Consagração final com a fumaça sagrada da Jurema. Momento de elevação de nossas felicidades para as Cidades da Jurema. Foto de Joannah Mendonça.

Assim foi nosso ato. Muitas outras fotografias foram postadas em nossas redes sociais. Fiz esta breve seleção para deixar registrado aqui no blog a memória imagética deste ato considerado por todos nós como histórico e fundamental.

Que fique claro que a nossa proposta foi a partir deste ato, contribuir para que os alunos e alunas pudessem vivenciar um momento pedagógico que viesse a educá-los para a luta contra o racismo, a intolerância e para o respeito à diversidade religiosa. Respeitamos a laicidade do Estado e queremos vê-la efetivada de fato. Plantar a Jurema, foi uma mensagem de que a luta dos ancestrais indígenas ainda se mantém viva e dialogando com o aqui agora. Não estamos excluídos da sociedade, pelo contrário, estamos dentro dela e contribuindo inclusive na formação de todas e todos.

Salve a Jurema Sagrada. Salve os ancestrais indígenas. Salve a luta do Catucá. Salve Malunguinho. Salve os alunos e alunas. Salve o professor Rodrigo Correia, que foi muito corajoso e honrado em ir até o fim nesta luta. Salve meus afilhados e afilhadas que se fizeram presentes neste momento. Obrigado à todas e a todos. Foi lindo, emocionante e com certeza este momento ficar'a guardado para sempre em nossas almas.

Sobô Nirê Mafá!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Baobá será plantado no EREM Cândido Duarte em Recife

Alexandre L'Omi L'Odò no momento de recebimento da muda do Baobá em frente a Faculdade de Direito de Recife. Foto de Fernando Baobá.


Baobá será plantado no EREM Cândido Duarte em Recife

Ja está em mãos o gracioso Pé de Baobá Africano que será plantado dia 18 de Novembro na EREM Cândido Duarte em Apipucos/Recife. 



Foi nessa escola que plantei junto com meus irmãos e irmãs o primeiro Pé de Jurema Sagrada em uma escola pública no Brasil. 

Agradeço a parceria de sempre do Amigo Fernando Batista, ou Fernando Baobá, como prefiro chamá-lo, que doou esta árvore rara para servir como símbolo da luta contra o racismo e a intolerância religiosa na escola pública. 

Olha ai Rodrigo Correia de Lima, já consegui. Agora espero que consigamos plantar com a devida dignidade e respeito. Axé e salve a fumaça! 

Foto de Fernando Baobá.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Plantio de Jurema em escola pública - Matéria impressa do Diario de Pernambuco

Digitalização da matéria impressa. Acervo de Alexandre L'Omi L'Odò.

Plantio de Jurema em escola pública

Marcionila Teixeira.
Diário de Pernambuco de Quinta feira 09/06/2016. Caderno Local, página B2.

Transcrição integral da matéria:

RELIGIÃO

Uma muda de jurema, planta comum no Nordeste brasileiro e de grande significado para os seguidores da religião de matriz indígena de mesmo nome, será plantada nesta quinta-feira, pela primeira vez, em uma unidade de ensino pública do Brasil. O ato marca a Semana do Meio Ambiente na Escola de Referência em Ensino Médio Professor Cândido Duarte, em Apipucos, no Recife. O ato religioso e cultural também acontece em homenagem ao rei Malunguinho, líder da luta por liberdade de negros, negras e indígenas no Quilombo do Catucá, no século XIX.

Além de promover um debate sobre a relação das religiões de matrizes indígenas e africanas com o meio ambiente, o professor de geografia e direitos humanos, Rodrigo de Lima, também pretende marcar a data combatendo a intolerância religiosa e racial dentro da unidade de ensino, formada por 300 alunos do 1° ao 3° ano do ensino médio.

Rodrigo, que é catequista da Igreja Católica, costuma chamar o Quilombo Cultural Malunguinho, instituição voltada à informação, pesquisa e formação na cultura e prática afro indígena brasileira, para palestras na escola. “Sempre discutimos a consciência negra. Sigo a linha da teologia da libertação e considero importante quebrar a discriminação religiosa e racial. Temos muitos alunos evangélicos e católicos e há dois anos já estamos discutindo o tema”, explica.

Alexandre L’Omi L’Odò, sacerdote da Jurema e fundador do Quilombo Cultural Malunguinho, fará palestra sobre a contribuição das religiões afro-indígenas para a preservação ambiental. Em seguida, estará à frente do ritual de plantio da jurema no terreno da escola, que será acompanhado pelos alunos. "Este pé de Jurema será plantado como símbolo de esperança na luta contra o racismo e a intolerância religiosa, assim como para fortalecer o respeito à diversidade e garantir no espaço da escola um patrimônio de memória viva dos povos indígenas que nesta terra já habitavam antes da chegada dos colonizadores brancos e dos negros e negras escravizados", reflete Alexandre. 

A muda tem um metro e pode atingir cinco metros de altura com sete metros de copa. “A jurema sagrada é deusa- mãe, é o centro de tudo na religião. É de onde tiramos toda a força e enregia da natureza para trabalhar na religião. Os indígenas do Nordeste conheciam a planta muito antes dos colonizadores”, explica.

Em 2005, a professora de história Célia Arruda plantou um baobá, árvore de origem africana, na Escola de Referência de Ensino Médio (EREM) Mariano Teixeira, em Areias, Zona Oeste do Recife, para trabalhar também temas relacionados ao meio ambiente e à cultura negra. (Marcionila Teixeira).


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!