Mostrando postagens com marcador Racismo.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Racismo.. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Cultura Popular sob a égide do racismo - (parte I)

Coco de roda. Imagem do google images.


Cultura Popular sob a égide do racismo - (parte I)


A Cultura Popular precisa ser melhor discutida entre nós de dentro dela. Temos muita coisa a construir em Pernambuco ainda e não podemos nos excluir deste processo de discussão. Nosso caso é grave. Ainda estamos sob a égide do racismo histórico, que como sistema de poder, nos designou por ordem suprema do Estado o lugar de não merecedores de respeito, de dinheiro, de melhores palcos, de melhores condições, de melhor divulgação no Carnaval etc. Estarmos historicamente onde estamos hoje é sim racismo, até mesmo institucional... Enquanto os órgãos não repensarem a partir de nossas demandas e discussões, sua forma de interagir com a Cultura Popular, Pernambuco não será verdadeiramente a terra onde os turista vem visitar pra ver cavalo marinho, boi, coco, ciranda, entre outros... O Estado ganha bilhões com o carnaval feito na garra pelo povo preto/índio da terra, e estes bens pecuniários não são dignamente distribuídos conosco. É como digo, o Estado ganha milhões com nossa cara, e nós ganhamos o mínimo possível com isso tudo.


Li a matéria do jornal Folha de Pernambuco de 2 de fevereiro, no caderno Programa. O texto tratava do grupo Bongar Grupo. Título: "Espaço do popular na lógica global". Tratava do Porto Musical e suas apresentações... Tem uma fala de Guitinho Xamba muito interessante que quero colocar aqui na íntegra, para refletirmos juntos: "A musica popular nunca vai ser descartável. Ela está impressa na memória afetiva das pessoas e nosso trabalho é manter viva essa tradição" (...). Depois ele ainda pontua: "A música popular não pode ser um elemento a parte da indústria fonográfica." (faz outras reflexões sobre o mercado etc...). Com isso, podemos ver o quanto a cultura Popular a cada dia está tendo mais força no mercado (tocando até no Porto Musical, por exemplo). O coco hoje é um forte elemento no meio mundial da circulação de artistas locais. Mas mesmo assim, tendo todo valor estético, musical e histórico, o Coco e seus artistas contemporâneos mais uma vez não ocupam o espaço dos palcos do Carnaval do Estado como deveriam. Gente, não podemos diminuir tanto nosso potencial artístico nos palcos do Carnaval. O povo quer coco, o povo adora coco, e não importa o período, ou ciclo festivo... 

Por essa e tantas outras ausências é que nosso carnaval não está mais rico como deveria. Somos um vulcão de diversidade, de valores virtuosos da tradição, porém, ainda pesa sobre todos nós, o racismo que quer que estejamos lá no fundo da cozinha, escondidos para comermos os restos daquilo que melhor fazemos.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A consciência Branca da Globo

****
A Consciência Branca da Globo

Não havia data melhor. Em plena semana da Consciência Negra, a teledramaturgia global reafirma, mais uma vez, a pura reprodução de imagens, palavras e ideais racistas em horário nobre.

Ao elencar a atriz negra Thaís Araújo para protagonista de sua novela das nove, a TV Globo, através de seu funcionário Manoel Carlos, parecia querer responder ao Estatuto da Igualdade Racial idealizado pelo movimento negro que não seria necessário estabelecer cotas para atrizes e atores negros; bem, parece não ter sido à toa que justamente no momento de uma decisão histórica quanto ao conteúdo do referido Estatuto, a Globo tenha lançado ao ar duas novelas com protagonistas negras, atrizes que inclusive têm uma postura racial condizente às suas trajetórias, como são Thaís Araújo e Camila Pitanga. Nas entrelinhas, previa-se uma forjada justificativa à sociedade das "desnecessárias" cotas raciais para os meios de comunicação, já que este espaço vem sendo ocupado pelo núcleo negro da Globo. Convenhamos, uma jogada de mestre; assim, evita-se o "mal maior" para a Consciência Branca do comando global, que é obedecer a lei e fazer cumprir os direitos da pessoa, da população e dos povos negros.

Pois então que nesta semana, no capítulo que foi ao ar na noite do 17 de novembro, com precisão cirúrgica o autor desenhou a cena mais representativa possível da ópera racista contra o verdadeiro protagonismo negro. A suposta protagonista da novela, a personagem de Helena, após ser retirada de seu núcleo familiar negro para transitar exclusivamente num núcleo branco e assim ser sujeita a traições e humilhações, é posta de joelhos diante de uma de suas antagonistas brancas - já que, para uma negra, não basta uma só antagonista, devendo vir elas em número de três: a amante do marido, a filha mimada e infantilizada do marido e a ex-mulher do marido. Não apenas de joelhos, deve pedir perdão de cabeça baixa; não apenas de cabeça baixa, sob o olhar duro e inflexível de sua então dominadora; não apenas isso, como se já não fosse o bastante, deve pedir perdão e ter por resposta uma bofetada no rosto. Para finalizar a cena, a personagem desabafa com uma das melhores amigas que "devia ser assim".

A idéia de protagonista negra, na Globo, enfim foi definida claramente. Uma heroína que, se inicialmente surgia diante de um drama familiar, afirmando um núcleo negro protagonista, como âncora, marco e raiz, veio sendo reduzida dramaturgicamente a pobre vítima de suas três antagonistas brancas, tendo estas enfim recebido mais espaço de visibilidade que a suposta protagonista. O papel, de central, tornou-se periférico, apoio para a virada de jogo das outras atrizes, que passam a receber os aplausos da população e das "críticas" noveleiras de plantão, prontas para limar a atriz negra por seu papel "sem graça".

Ou talvez, pensa o autor que pode salvar o papel de Helena pondo-a no lugar em que acha pertencer à mulher negra. Agora sim, a Globo assinou embaixo de suas verdadeiras posturas ideológicas - mais diretamente, de seu racismo.

Rebeca Oliveira Duarte
Advogada e Cientista Política do Observatório Negro

"Não me digas que não podes; querendo Deus e dando-te coragem, poderás."
(Sócrates, em Platão, "Teeteto")

Rebeca Oliveira Duarte
Observatório Negro
Rua do Sossego, 253 - sala 02 - Boa Vista
Recife-PE - CEP 50.050-080
F: 00 55 81 34231627/94211435
observatorionegro@gmail.com
_________________________

Publico aqui o texto da companheira Rebeca Oliveira do Observatório Negro de PE. De fato se faz necessário uma avaliação crítica dos conteúdos que as emissoras de televisão fazem em suas programações. Um fato detes deve ser levado ao conhecimento público, pois o racismo sempre aparece nestas novelas acredito eu por patrocínio de racistas que utilizam o meio para efetivarem seus crimes.

Vamos discutiondo e ficar antenado é o melhor a se fazer nestes dias de "Consciência Negra"!!!

Alexandre L'Omi L'Odò.
Quilombo Cultural Malunguinho.

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!