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quarta-feira, 1 de abril de 2020

Juremeiros no combate ao COVID-19



Juremeiros no combate ao COVID-19

O juremeiro Alexandre L’Omi L’Odò manda mensagem de apoio à todas e todos orientando sobre questões ligadas ao combate ao COVID-19 e à quarentena, que está sendo bem difícil e solitária para muitas pessoas. 

Com os terreiros fechados, seguindo as indicações de segurança da OAS e outras instituições dos governos, muitas pessoas estão com dificuldades em obter caminhos espirituais e fazerem seus rituais de fé, sendo essa uma grande dificuldade para auxiliar na superação deste momento de tantas incertezas e lutos.

L’Omi orienta para que haja maior cuidado com nossos idosos das religiões de matrizes matrizes africanas e indígenas, que são nossas bibliotecas vivas, nossos maiores patrimônios, e também com nossas crianças, os/as herdeirinhxs de nossa beleza ancestral, que continuarão nossas tradições e lutas. 

Alerta para que ninguém ouça o “presidente”, salientando a necessidade de criarmos a consciência política de que o método neoliberal, sanguinário e racista almejado pelo governo mata aqueles que mais precisam de auxílio, os que se encontram nas camadas mais baixas da pirâmide social. Como para eles o lucro dos empresários vale mais que a vida, não podemos cair nesse discurso de sacrificar trabalhadores em prol da economia, fiquemos todas e todos em casa para o bem da humanidade. 

O sacerdote roga que possamos emanar nossas melhores energias positivas para os cientistas, profissionais da área de saúde e demais trabalhadorxs que estão fora de casa pelo bem maior, neste momento assumem papel de grandes heróis e heroínas perante tamanha pandemia mortal.

Esse vídeo é uma oração, um pedido de paciência e uma forma de dar apoio à quem precisar. Sabemos que os dias tem sido confusos e frustrantes, contudo temos certeza que logo passará toda essa fase e celebraremos juntxs a vitória frente à este mal da saúde pública. 

Compartilhem, levem essa mensagem ao máximo de pessoas possíveis. O povo de terreiro que sempre foi conhecido como o mais acolhedor, hoje usa as redes sociais para reverberar todo amor contido dentro de suas casas. 

Essa é a mensagem da Casa das Matas do Reis Malunguinho, esta é nossa fala. Que ecoe em todo planeta, para que façamos a cada momento um mundo sem males para nossa cura e paz coletiva. 

Sobô Nirê Mafá!
Saúde e vamos superar juntxs o Corona Vírus!!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Alexandre L'Omi 65613, agradece pleos seus 1513 votos de axé e esperança


Alexandre L'Omi 65613, agradece pleos seus 1513 votos de axé e esperança

Venho aqui, agradecer pelos 1513 (mil quinhentos e treze votos), que recebi como candidato a deputado estadual em Pernambuco neste pleito de 2018. Foram votos honestos, verdadeiros, limpos e harmonizados com o sonho de termos um(a) representante legítimo do povo de terreiro, eleito pelo voto democrático e livre para defender nossa classe. Infelizmente não foi dessa vez, mas será nas próximas com certeza, pois o aprendizado e acúmulo de saberes foi grande!

Minha candidatura, deu continuidade à sólida construção das bases políticas que organizamos desde 2016 junto ao povo de terreiro e aos diversos movimentos da cultura popular. Naquele ano, tive injustificadamente minha candidatura retirada, interferindo em uma construção mais sólida para os povos tradicionais de Olinda (naquela ocasião). Contudo, a experiência que os fatos me trouxeram, enriqueceram de forma grandiosa minha consciência política partidária e me deram elementos mais sólidos para adentrar no campo político com maior sabedoria e perspicácia.

O Povo de Terreiro tem que acreditar em si, e construir esse sentimento de auto-estima para a política, é um dos elementos que motiva minha luta! Quando criei o lema #QuemédeTerreiroVotaemquemédeTerreiro, foi para dar mais força a esse necessário entendimento de classe. Assim como o povo de terreiro, a partir da RENAFRO fez em eleições passadas dizendo #QuemédeAxéVotaemquemédeAxé, e Lula e seu partido criaram o slogan “trabalhador vota em trabalhador”, ambos numa perspectiva de fazer o povo de terreiro e os trabalhadores entenderem sua classe, eu desenvolvi de forma semelhante, esta hashtag para mapear o quanto conseguimos avançar em direção a este entendimento. Pudemos constatar que até candidatas e candidatos de outros estados usaram a hashtag e fizeram campanhas semelhantes a nossa. Isso foi um avanço animador. Também, ao produzirmos camisas com a citada frase, tivemos vendagem recorde. Pudemos ainda, ampliar essa campanha para pessoas de lugares distantes, autorizando o uso de nossa frase para que produzissem por conta própria a camisa, pois essas e esses, se sentiram representados por nossa campanha e não cabia impedir que eles(as) replicassem algo que queríamos que se propagasse por todo Pernambuco.

Ouvi muitos comentários de pessoas de terreiro, que revoltados com a suposta baixa votação que tive, replicavam uma série de máximas antigas: “o povo de terreiro é traíra”, “o povo de terreiro não tem respeito nem por eles”, “o povo de terreiro é burro em não lhe eleger”, “o povo de terreiro se vende por qualquer coisa”, dentre outras sanções que discordo veementemente. Claro que constatamos que nosso povo ainda não tem entendimento de classe nem consciência política, mesmo tendo avançado muito, e, que continua sendo massa de manobra nas mãos de quem não nos representa. Isso é fato. Porém, temos que avaliar que todas as candidaturas existentes até hoje, com a plataforma dos povos tradicionais desde a década de 1970, dão continuidade a um sonho coletivo antigo, o de superarmos o racismo estrutural que nos impede de assumir o lugar de poder nessa sociedade branca, racista, coronelista, classista, machista (dentre todos os outros “istas” e “fóbicos”), e, politicamente dominada pelos ricos e ricas (afinal temos também um tipo de esquerda classe média alta que não vai em Peixinhos, mas que quer representar pobre)... Temos inúmeros exemplos que podem nos servir como elemento de reflexão para que possamos avançar neste ponto fundamental e fazermos melhor e diferente nas próximas eleições.

Vale apena lembrar um fato histórico: O deputado estadual em Pernambuco Edimir Regis, falecido em 2013, aprovou a lei 7669/78, que garantiu a liberdade de culto e livre atividade para o uso dos espaços públicos para serem realizados os ebós e rituais externos da religião, isentando de retirada de licença ou qualquer tipo de permissão ou registro em federações na prática dos atos ritualísticos e religiosos afro indígenas em Pernambuco. O texto da lei é curto, porém histórico na luta pelo respeito à constituição e à liberdade de culto: “Art. 1º As sociedades que praticam o culto afro-brasileiro poderão exercitar as formas exteriores de sua confissão religiosa, independentemente de registro ou obtenção de licença junto às autoridades policiais.”. O deputado, para a construção da lei, realizou diversas reuniões com sacerdotes como Pai Edu, Nilze Beltron, Manoel Mariano, etc., realizou encontros lotados no Geraldão (antigo centro de eventos de Recife) com os terreiros, celebrou junto às casas de jurema, umbanda e nagô a aprovação da lei... Após esse importante ato legislativo, em sua eleição seguinte, onde se esperava uma votação expressiva dos “candomblés”, ele perdeu com uma votação inexpressiva, referente à sua vitória anterior nas urnas. O próprio, chegou a afirmar que se cada “pai de santo” votasse nele (somente os sacerdotes e sacerdotisas, sem os filhos e filhas), teria sua vitória garantida, devido ao grande números de terreiros existentes em Pernambuco. Este acontecimento, nos mostra que os membros das religiões de matrizes africanas e indígenas, não compreenderam ainda a importância de eleger pessoas que realmente lutam pelo nosso segmento. Mesmo Edmir Regis, sendo um homem branco e de condição social elevada, legislou pela democracia e defendeu a laicidade do Estado, contudo, perdeu, quando acreditou que os terreiros iriam lhe apoiar.

Outro fato que devemos considerar sobre o que está exposto acima, é que mesmo essa lei tendo sido amplamente divulgada, cópias dela foram espalhadas nos terreiros (onde ainda podemos encontrá-las nas paredes), o povo continuou sem entender sua importância, continuando pagando as federações “de cultos afro brasileiros e umbanda” que nunca fizeram absolutamente nada pelos nossos templos religiosos. Portanto, é muito grave o que acontece com nosso Povo. Além de uma ausência completa de entendimento de classe, não há compreensão mínima sobre as leis e suas formas de execução à nosso favor. É assustador perceber o quanto temos que fazer para mudar a realidade de exclusão social, intelectual dos terreiros, mesmo reconhecendo os evidentes avanços que tivemos com a gestão de Lula e a luta dos movimentos de povos tradicionais, movimentos negros e de direitos humanos. Levando em consideração o contexto do triste fato ocorrido com Edmir Regis, e os avanços e retrocessos que tivemos em Pernambuco nestes últimos 40 anos (1978-2018) em torno desse tema, eu ter tido 1513 votos, foi uma vitória animadora, levando em consideração a ausência de dinheiro e estrutura de minha campanha. Campanha de liso, mas que teve votação proporcional maior do que as de muitos já antigos na política, e que mesmo com grana, não conseguiram vencer ou ter ao menos uma votação maior que as suas anteriores.
Isso nos aponta para a necessidade de construir estratégias mais eficazes para garantir vitória nas próximas eleições, já que o Povo disse sim à minha candidatura de forma crítica e consciente. Temos muito o que fazer, o que construir juntos e juntas, o que repensar e trabalhar nas bases, sempre numa perspectiva sankofa, de olhos bem abertos para o passado e construindo nosso futuro com qualificada análise e estratégia.

Nossa candidatura, mesmo sem grana, foi grandiosa e teve apoios de peso. Pessoas de diversos segmentos da sociedade apresentaram solidariedade e seguraram nas mãos de nossa luta, mostrando que a campanha esteve muito para além dos povos de terreiro, mas sim em consonância com a sociedade como um todo. Essa mensagem foi entendida por quem me acompanha por esses mais de 20 anos de luta pelo bem viver coletivo, fazendo de nossa construção na política, um espaço de re-encantamento da política, que está tão desacreditada neste país.

Estou feliz com o resultado de tudo. Foi como esperado. Lutamos e fomos até onde pudemos. Esses últimos meses, foram os melhores meses de minha vida, com toda certeza. Tivemos vitória sim! A vitória da boa luta, da boa construção de rumos futuros e do fortalecimento da fé em nossos ancestrais, pois eles e elas estiveram o tempo todo orientando nossa trajetória.

Fomos vitoriosos também, em ter conseguido eleger todas e todos que queríamos na nossa chapa do PCdoB, como a primeira mulher vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, nosso deputado federal Renildo Calheiros e nosso deputado estadual João Paulo. Isso foi uma construção também nossa, e que nos alegra por sabermos que vamos trilhar juntos e juntas por um Pernambuco melhor nos próximos 4 anos!

Agradeço:

Ao Reis Malunguinho, minha Mãe Oxum, meu pai Ògún, meu Pai Exú, à Paulina, à Boiadeiro, à Major do Dia, à todos exus e pombojiras, ao egun de meu pai Paulo Braz Ifétòògùn, à Jurema Sagrada e a todos espíritos que lutaram juntos comigo nessa campanha! Salve a fumaça e muito axé!

À nossa Vice governadora eleita e presidenta nacional do partido Luciana Santos, por ter me abraçado dentro do PCdoB com tanto entusiasmo, me dando apoio e espaço para desenvolver minha candidatura com total liberdade. 

À Isadora Garcia, a coordenadora de campanha mais linda de todo Pernambuco. Sua dedicação e luta por nossa construção foi admirável. Foi bom demais poder contar com você, que é uma liderança forte em Olinda, chegando a ter mais de 2.500 votos nessa cidade. 2020 vem aí pra gente conseguir concretizar essa vitória nas urnas, como futuro vereador!

À Leo, companheiro da UNEGRO, que acompanhou de perto essa luta com total empenho. Foram dias lindos junto com você. Pudemos trocar muitas informações e lutar com tanto prazer, até o corpo não mais agüentar. Foi bonita demais nossa campanha.

À Jaqueline, minha querida secretária, companheira de todas as horas. Mulher guerreira que aprendi a admirar. Você é incrível e merece todo nosso respeito. Sem você aqui, essa campanha seria inviável pra mim. Obrigado por tudo que fizemos juntos e pelo que ainda vamos fazer, pois luta é o que não falta na nossa agenda de vida. Você foi enviada de Malunguinho, pra somar!

À Alice, que compôs nossa equipe principal de campanha. Com toda sua boa energia, pudemos correr, brigar, virar Olinda e Recife de cabeça pra baixo, pra garantir votos nesse lindo pleito. Você foi a motogirl mais top que eu poderia ter. Valeu Gil, por ter emprestado ela por mais de um mês, vocês duas me ajudaram muito.

À Fequinho, meu afilhado de Jurema e também membro de nossa equipe de luta. Você foi essencial pra fazer essa campanha ter força. Rodamos muito em seu carro, com grana do próprio bolso, pra garantir que nossa plataforma chegasse ao máximo de lugares possíveis. Você foi um braço forte nessa campanha. Sigamos juntos para ampliarmos mais ainda essa luta. Salve Pilão!

À Ceça Silva, mulher negra de Oxum que chegou para somar com muita força na nossa equipe de campanha. Foi de muita luz todos os momentos que vivemos juntos debatendo e guerreando.

À Todxs meus afilhadxs, filhos de santo e amigxs que de uma forma ou de outra contribuíram nessa campanha. Foi de muito axé! Cada panfletagem, cada caminhada, carreata, porta a porta, abordagem nos sinais de trânsito, reuniões, palestras, seminários etc. me fortaleceram muito em todos os momentos.

À todos babalorixás e iyalorixás, juremeiros e juremeiras que votaram em mim e ainda fizeram campanha sem receber grana nenhuma. Muitos sacerdotes e sacerdotisas fizeram uma linda divulgação nas redes sociais e nos terreiros onde eu não pude chegar. Dentre eles e elas, destaco o pai Dedo de Goiana, que foi um Cabo político muito forte em sua cidade. Pai França de Ogun, que abriu sua casa com seus filhxs para me receber e dar apoio total à nossa luta. Pai Freitas, que mesmo do RN, conseguiu muitos votos pra mim em Pernambuco. Pai Cícero de Abreu e Lima, que colocou sua casa a disposição para nossa luta. Mãe Graça de Xangô, Mãe Nenzinha do Acorda Povo, Mãe Terezinha Bulhões, Mãe Denise Botelho, mulher feminista que assumiu voto em mim, mesmo sendo homem. À João Monteiro, Hildo leal da Rosa, ao Afoxé Oxum Pandá, que assumiu nas redes sociais apoio à minha candidatura e ainda me emprestou seu sagrado abebé para abrir e abençoar meus trabalhos no nosso primeiro seminário de política e povo de terreiro dessa eleição. Enfim, foi muita gente... Agradeço a todas e todos!

À Augusto da Gráfica Express, que me salvou todas as vezes que precisei que uma arte fosse feita em tempo recorde. Como sempre um bom parceiro!

À toda minha família.

À Rosilene Rodrigues, ao Mestre Galo Preto, à Dona Zuleide de Paula, à Mestra Ana Lucia do Coco e toda sua família, à Zeca do Rolete e toda sua família, à José Mário Austregésilo, à Sujaan, à Siba, ao Bojo da Macaíba, à Lucas dos Prazeres, à Guitinho, à Joanildo Burity, ao Monge Beneditino e grande liderança religiosa Marcelo Barros, à Zuleica Dantas da UNICAP, à Marcus Carvalho da UFPE, à Andrea Mota, à Rinaldo Aquino, à Josélio do CEBI, à Paulinha Negrali, à Ciani, ao Ilê Oxalá Talabi, à Lucas de Oxalá, ao Povo de Peixinhos, aos maracatus, à Mãe Beth de Oxum, à Paulinho Filizola, à Paulo Rubem Santiago, à Jaci Lima, à Olavo Souza e Noshua, à Professor Rodrigo Corrêa, à Gonzaga Leal, à Edir Carlos, ao Maestro Ademir Araújo, à Wellington Negão, à Juarez Pé no Chão e família, à Sílvio Botelho, Ricardo Herculano, à Ricardo do Menino Rosado, à Tata Emanuel e todo povo de terreiro do bairro da Mustardinha, ao QCM – Quilombo Cultural Malunguinho, à Walter Eudes, ao povo de terreiro de Limoeiro e Carpina, à Pai Ivanildo de Oxóssi, ``a Vado de Pau Ferro e todo povo da Vila das Lavadeiras em Areias, à Ricardo Herculano, à dona Ana e Mary Tozer, à Dona Luzinete de Amparo Bar, à Dona Linda minha querida vizinha, à todos os terreiros que se uniram e votaram em mim, em especial aos terreiros de Olinda, aos meus amigos e amigas que apostaram na minha luta, à todos os meus vizinhos e vizinhas de Peixinhos, que juntaram forças para fazer de minha campanha a mais forte do bairro, enfim, são muitos os agradecimentos... por tudo que me ajudaram e multiplicaram. Temos um qualificadíssimo grupo de pessoas para lutar pelo bem coletivo de nossa sociedade e combater o racismo com todo axé!

Essa luta continua em 2020 pra gente fazer de Olinda um grande campo de batalha dos povos tradicionais e de toda sociedade que acredita que a opolítica pode muder!!

#AlexandreLomi2020!!!!!!!

Modupé! Salve os Povos Tradicionais! Salve os encantos de luz!

Nossa luta é pela igualdade!

Sobô Nirê Mafá!

#QuemédeTerreiroVotaemquemédeTerreiro!
#Haddad #Manu #LulaLivre

Alexandre L’Omi L’Odò

alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Queremos Respeito à Tradição do Carnaval do Recife!

Membros de agremiações do Carnaval do Recife e Interiores participando da reunião na Prefeitura do Recife para debater as mudanças propostas pela Secretaria de Cultura para 2018, Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

QUEREMOS RESPEITO À TRADIÇÃO DO CARNAVAL DO RECIFE!

Ontem, 30/10, eu, como Conselheiro de Políticas Culturais do Recife da área de Patrimônio, estive presente na reunião das agremiações do Carnaval, para debater detalhes do Concurso das Agremiações 2018.

Fui defender, baseado no Decreto Federal 6040, de 2007, que institui a política nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, a posição contrária à proposta da Prefeitura, de mudar as datas do tradicional Concurso para a semana pré do Carnaval, sob a justificativa de "ser melhor para a cultura popular", no tocante à estrutura, segurança, cobertura da mídia, etc. Inclusive, propondo mudança de local - da Dantas Barreto, para o Forte do Brum...

Há muitos anos denunciamos a péssima estrutura disposta para a cultura popular, que é o centro das atenções do nosso Carnaval, mas que ainda não recebe o devido tratamento da instituição. Contudo, a proposta da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura não me parece respeitosa, no tocante à preservação da traição de nosso Carnaval e do respeito aos Povos Tradicionais.

Ao invés da Prefeitura propor acréscimos em recursos financeiros, estrutura, segurança e cobertura da mídia... Apresentaram uma proposição desestruturadora do cosmo tradicional desses povos. Toda cultura popular estes anos todos se organizam entorno desta atividade típica e tradicional do Carnaval. Romper essa cultura é perigoso e fere as leis federais e internacionais que defendem os Povos e Comunidades Tradicionais.

Vamos ficar atentos e atentas. Queremos melhora de estrutura e respeito por parte da Prefeitura, não mudanças que servem apenas para atender os interesses da instituição que não consegue garantir mais orçamento para dar o devido respeito aos grupos que compõe o belo mosaico da diversidade cultura de Pernambuco.

Aconselho, como Conselheiro de Cultura da Cidade, que a Prefeitura rompa internamente com seu racismo institucional e histórico, e olhe para a cultura popular com o merecido respeito que lhe é devido. Criar coragem de fortalecer esse orçamento, é uma decisão política que o povo quer ver. A cultura popular quer protagonismo, e não ser subestimada. Não proponham o incabível.

As leis estão aí para nos orientar e nos defender. Vide, artigo 2° do Decreto 6040.

Estamos de olho!¨


Alexandre L'Omi L'Odò. 

Conselheiro de Políticas Culturais do Recife
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Afoxé Omo Nilê Ogunjá – Um exemplo Afrocentrado no Carnaval do Recife

 Afoxé Omo Nilê Ogunjá. Eu no cantinho acompanhando essa linda luta! Foto: Acervo do grupo.

Afoxé Omo Nilê Ogunjá – Um exemplo Afrocentrado no Carnaval do Recife

Ontem, dia 03 de fevereiro de 2016, presenciei uma das atitudes mais interessantes na perspectiva do posicionamento da cultura popular na luta contra a falta de respeito para com as tradições de matrizes africanas e indígenas no Carnaval de Pernambuco.

O Afoxé Omo Nilê Ogunjá tomou uma atitude afirmativa muito importante: Realizou seu cortejo de forma independente abrindo seu carnaval apenas construindo parcerias e apoios. Levou seu grito de luta de forma exemplar. Saiu grande, bonito, vigoroso e empoderado, vale ressaltar.

Em minha avaliação, vejo nesta posição política do grupo, uma esperança no caminho de re-organizar o conceito de liberdade da cultura popular em nosso Estado. Se o Afoxé conseguiu sair tão forte sem apoio da prefeitura do Recife e do Governo do Estado, isso é sinônimo de que a comunidade pode se organizar com qualidade e força para colocar nas ruas seus ideais e sua identidade ancestral.

Contudo, isso não é tudo! Ainda o Omo Nilê, abrilhantou o Carnaval do Recife dando à Cidade a oportunidade de ver algo muito bonito sem pagar nada! Isso mesmo, sem pagar nada (a gestão da cidade do Recife não pagou nada por isso)! A cultura popular traz quantias enormes de dinheiro, que somam bilhões para o Estado em turismo etc. E o Omo Nilê fez os turistas que se encontravam na Praça do Arsenal e em todo percurso até a Rua da Moeda no Recife Antigo vibrarem com a força negra do Ibura (comunidade periférica do Recife).

A coragem do grupo me encantou. Me deixou encorajado e fortalecido. A força de Ogun que emanou dessa luta fez brilhar minhas idéias e me empreteceu mais ainda. Fortaleceu mais ainda meu entendimento sobre a afrocentricidade!¨

Afoxé Omo Nilê Ogunjá na avenida. Foto: Acervo do grupo. 

Sou crente na força da cultura popular e no imensurável poder dos povos e comunidades tradicionais. Contudo, creio ser urgente nós todos ACORDARMOS e tomarmos atitudes como esta de forma coletiva! Não devemos nos submeter ao Estado sem que este nos respeite como devido. Somos ainda tratados como negros e indígenas sem valor e quase sem alma – relembrando o conceito de homem e mulher negra e indígena nos tempos da escravidão-. A estrutura racista do Carnaval do Recife é só um pequeno exemplo do que aqui também esta sendo discutido (ler texto de anos anteriores sobre este tema em meu blog www.alexandrelomilodo.blogspot.com).

Ogunjá AFROCENTRADO! Isso mesmo, a força de um Orixá levando todo um grupo de negros e negras e afro descendentes à consciência, ao seu papel e função social. Temos que tomar nosso lugar neste processo! Sermos negros e negras e entendermos qual nossa função no mundo capitalista e ocidental: temos que ser AFROCENTRADOS!

Com estas breves palavras parabenizo o Afoxé Omo Nilê Ogunjá pelo belo exemplo para os demais afoxés e grupos de cultura popular! Vamos somar nesta proposta e vamos crescer esta energia!

Parabenizo ainda pela importante homenagem ao nosso grande Tata Raminho de Oxóssi, que ao completar 80 anos de idade em janeiro de 2016, teve uma justa homenagem por toda sua contribuição na história do povo de terreiro do Brasil. Bariká oooooo!

 Família negra de afirmação e força!O Afoxé Omo Nilê Ogunjá é afirmação! Foto: Acervo do grupo.

Ògún yé! Ogum é vida!

Alexandre L’Omi L’Odò
Historiador e Mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho

 alexandrelomilodo@gmail.com 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

POVO DE TERREIRO, É POSSÍVEL ELEGER UM?

Alexandre L'Omi L'Odò em palestra no Sítio de Pai Adão. Alaiandê Xirê. Não lembro data. Autor desconhecido. 

POVO DE TERREIRO, É POSSÍVEL ELEGER UM? 

Há anos o povo de terreiro de todo Brasil reflete sobre seus quadros políticos... É hora de construirmos uma candidatura centrada no coletivo e que venha para fortalecer nosso povo. 

Não podemos ser a carne mais barata do mercado. O Povo de Olinda tem que eleger vereadores que possam contribuir no avanço das políticas públicas na cidade. 

Terreiros de Olinda, é hora de mostrar sua força. Quem é de terreiro vota em quem é de terreiro! Não podemos fugir ao nosso compromisso nas urnas em 2016. 

PRECISAMOS FAZER UM! 

JUNTOS PODEMOS! 

Vamos construir juntos essa Vitória!!

Essa foto é Antiga... Foi tirada no Sítio de Pai Adão em uma palestra no Alaiandê Xirê.  Não lembro quem foi o autor ou autora e a data.

Alexandre L'Omi L'Odò
Historiador e Mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

sábado, 9 de maio de 2015

Pernambuco e a cultura popular estão de luto - Falece Dona Selma do Coco

Dona Selma do Coco e Alexandre L'Omi L'Odò em seu aniversário de 82 anos em Olinda. Foto: Acervo pessoal.

Pernambuco e a Cultura Popular de Luto 
Falece Dona Selma do Coco

Hoje, dia 09 de Maio de 2015, Pernambuco e a cultura popular estão de luto. Falece a Rainha do Coco, a mestra mais querida de toda cultura popular, a mulher de maior carisma que os palcos do mundo já viram - Dona Selma do Coco.

Artista de carreira internacional, popularizou o coco praieiro de Olinda, inspirando artistas de todos os segmentos à olhar a musica da cultura popular de forma respeitosa, reconhecendo a grandiosidade deste gênero musical.

Dona Selma, dona do sorriso mais irreverente que já vi. Uma artista reconhecida pelo seu sorriso, o popular "Hahay" que conquistou o coração de todos, partiu deixando netos e bisnetos e um grande número de fãs e amigos que hoje publicamente já começaram a postar nas redes sociais seus pesares e homenagens.

Dona Selma do Coco. Foto de Costa Neto.

Eu sou um discípulo de Dona Selma do Coco. Quando adolescente, ouvi pela primeira vez sua fita K7 tocando na feira de Peixinhos/Olinda... Cantando "A Rolinha - o corre corre pega a minha rola" pelos idos do início da década de 1990. Aquele som revolucionou minha vida. Foi como se eu estivesse me encontrado com tudo que precisava para dar destino à meu caminho. De estudar violão clássico no CEMO, passei a aprender percussão com Toca Ogan, Marcos Matias e André Malê... Percussão essa que me tornou coquista... Devo isso a Dona Selma também, a contribuição que ela deu indiretamente para a minha vida foi revolucionária. Cheia de força da Jurema, do tambor e voz que me fizeram acreditar que era possível fazer cultura popular.

Calou-se a risada e a voz afinada mais querida das Olindas... Cheguei a estremecer quando sua neta Andreza Karla publicou na net poucos minutos depois de sua morte esta triste notícia. Passou um filme em minha cabeça. Tudo que fizemos juntos... Tive o prazer de gravar com ela. De fazer parte de projetos com ela e de dividir palcos... Sempre estive junto em seus shows. nunca perdia um. Sempre reconheci que naquele palco estava uma das maiores estrelas que já vi. E por isso não perdia suas apresentações... Só para aprender, para sentir a emoção que ela causava em meu coração. 

Vá em paz minha mestra. Que Tupã, mãe Tamain e o Reis Malunguinho abram as portas dos encantos para a senhora passar. Que sejas bem recebida por todos os pajés, caciques, ancestrais africanos e encantos de luz. Seja guiada pela força maior da alegria. Hoje a roda de coco do céu da Jurema vai ser animada, os mestres e mestras vão sambar guiados pelo eterno "hahá, hahá, thá, thá, thá, thá... Êh... Hahay".

Estarei junto neste último momento. Foste um marco em minha vida. E vou lhe ver e dar um até breve. Te amo minha avó de coração. Mulher que mesmo calada estava me ensinando e me moldando dentro e para o cosmo da felicidade. 

Seguem algumas memórias desta grande artista:




Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Cultura Popular sob a égide do racismo - (parte I)

Coco de roda. Imagem do google images.


Cultura Popular sob a égide do racismo - (parte I)


A Cultura Popular precisa ser melhor discutida entre nós de dentro dela. Temos muita coisa a construir em Pernambuco ainda e não podemos nos excluir deste processo de discussão. Nosso caso é grave. Ainda estamos sob a égide do racismo histórico, que como sistema de poder, nos designou por ordem suprema do Estado o lugar de não merecedores de respeito, de dinheiro, de melhores palcos, de melhores condições, de melhor divulgação no Carnaval etc. Estarmos historicamente onde estamos hoje é sim racismo, até mesmo institucional... Enquanto os órgãos não repensarem a partir de nossas demandas e discussões, sua forma de interagir com a Cultura Popular, Pernambuco não será verdadeiramente a terra onde os turista vem visitar pra ver cavalo marinho, boi, coco, ciranda, entre outros... O Estado ganha bilhões com o carnaval feito na garra pelo povo preto/índio da terra, e estes bens pecuniários não são dignamente distribuídos conosco. É como digo, o Estado ganha milhões com nossa cara, e nós ganhamos o mínimo possível com isso tudo.


Li a matéria do jornal Folha de Pernambuco de 2 de fevereiro, no caderno Programa. O texto tratava do grupo Bongar Grupo. Título: "Espaço do popular na lógica global". Tratava do Porto Musical e suas apresentações... Tem uma fala de Guitinho Xamba muito interessante que quero colocar aqui na íntegra, para refletirmos juntos: "A musica popular nunca vai ser descartável. Ela está impressa na memória afetiva das pessoas e nosso trabalho é manter viva essa tradição" (...). Depois ele ainda pontua: "A música popular não pode ser um elemento a parte da indústria fonográfica." (faz outras reflexões sobre o mercado etc...). Com isso, podemos ver o quanto a cultura Popular a cada dia está tendo mais força no mercado (tocando até no Porto Musical, por exemplo). O coco hoje é um forte elemento no meio mundial da circulação de artistas locais. Mas mesmo assim, tendo todo valor estético, musical e histórico, o Coco e seus artistas contemporâneos mais uma vez não ocupam o espaço dos palcos do Carnaval do Estado como deveriam. Gente, não podemos diminuir tanto nosso potencial artístico nos palcos do Carnaval. O povo quer coco, o povo adora coco, e não importa o período, ou ciclo festivo... 

Por essa e tantas outras ausências é que nosso carnaval não está mais rico como deveria. Somos um vulcão de diversidade, de valores virtuosos da tradição, porém, ainda pesa sobre todos nós, o racismo que quer que estejamos lá no fundo da cozinha, escondidos para comermos os restos daquilo que melhor fazemos.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Desabafo

Gota d'água. Foto extraída do google. 

DESABAFO

É muito ruim você dedicar seu tempo, trabalho, inteligência, articulação, boa vontade, paixão, fé, dinheiro, e mais trabalho... Em uma pessoa que se mostra tão pequena e manipulável para compreender o quanto de bom foi feito pra lhe levantar e tirar-lhe do esquecimento total, do ostracismo, da invisibilidade... tenho sido acusado indevidamente, e tenho como provar o contrário, coisa simples... Mas fica aqui a dica: Sabedoria e gratidão não ficou pra todo mundo. Porém, meu trabalho sempre foi, e sempre será para garantir a todas e todos que a CULTURA POPULAR, consiga manter sua memória viva, consiga resgatar o que está quase morrendo para assim no futuro, e no presente, podermos aprender e entender como foi o passado desta terra que só nos trata de forma racista.

Soube de uns comentários hoje... Acho o seguinte: A cultura popular em PE está de fato na UTI. Temos apenas 800 mil reais para fazer um carnaval do Estado e as pessoas ficam discutindo que eu roubei algo etc... Creio que a falta de capacidade de discussão e qualificação dos que fazem, ou pensam que fazem cultura popular, é que nos rouba a oportunidade de sair desta situação histórica de subalternização ao Estado que tanto lucra com nossa cara!

Que a Jurema com sua fumaça e ciência nos dê mais compreensão e sabedoria no caminho. Pois pelo que vejo, os mais velhos estão dando mal exemplo. Axé.

Alexandre L'Omi L'Odò
Produtor Cultural
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A Cultura Popular de Pernambuco no limbo do respeito e do reconhecimento - Revolta com a morte do mestre Zé Neguinho do Coco

Zé Neguinho do Coco. Foto de Josuel Santana.

A Cultura Popular de Pernambuco no limbo do respeito e do reconhecimento
Revolta com a morte do mestre Zé Neguinho do Coco

Revolta é meu nome desde ontem quando recebi uma ligação em meu celular do companheiro Zé Brown informando de forma triste o falecimento e enterro já consumado do grande e histórico cantador Zé Neguinho do Coco. Até quando vamos calar perante o racismo, omissão, desumanidade do Estado que finge fazer políticas culturais para cultura popular? Até quando?

Observo que a fatalidade ocorrida com Zé Ne
guinho, vai acontecer ainda com muitos grandes mestres e mestras pernambucanos que se encontram hoje desprezados completamente no limbo dos editais de shows e dos cachês subalternizadores... A forma como se procedeu o fato do mestre Zé, aponta claramente para onde está nosso problema: A ausência concreta de políticas públicas específicas de valorização da cultura popular e seus mestres e mestras...

Cadê a materialização do acúmulo de duas conferências nacionais de cultura? Cadê as ações efetivas fomentadas pelas discussões de artistas e produtores como eu que ao longo destes anos todos vem contribuindo de forma direta com a luta por respeito na cultura?

Estou muito triste com tudo isso. Não ter podido ir ao enterro de Zé Neguinho, de ter podido olhar para ele uma última vez me magoou profundamente. Estou revoltado com toda razão!

Não permitirei que isso aconteça um dia com o Mestre Galo Preto e tantos outros e outras que tenho relação direta. Pelo menos um enterro entre os amigos de luta e de vida é merecido, é digno...

Espero ver alguma atitude do Estado como um todo para concertar erros irreparáveis como este. Ele merecia maior dignidade e apoio da terra que sempre encantou com sua voz linda e melodia hipnotisadora.

Adeus Zé Neguinho, que seu espírito se junte aos guerreiros da Jurema para combater a política do embranquecimento de nossas tradição que só nos levam à doença e ao fim sem dignidade.

Vejam mais informações sobre a morte de Zé Neguinho do Coco:

Axexê Mojubá. Salve a fumaça!! 
Alexandre L'Omi L'Odò
Produtor e músico
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 15 de abril de 2012

Mestre Galo Preto e Dona Selma do Coco homenageados no Carnaval 2012 de Pernambuco

 Mestre Galo Preto e Dona Selma do Coco recebendo os certificados da homenagem no carnaval 2012 de PE. Foto: Arquivo da FUNDARPE.

Mestre Galo Preto e Dona Selma do Coco homenageados no Carnaval 2012 de Pernambuco

No Carnaval 2012, a FUNDARPE decidiu inovar criando um Encontro de Cocos no município de Olinda. Neste 1° Encontro, foram homenageados os dois Patrimônios Vivos de Pernambuco, dois únicos atualemnte neste posto de reconhecimento a representarem o coco estadualmente. O Mestre Galo Preto (www.myspace.com/mestregalopreto) e a Dona Selma do Coco, receberam certificados e homenagem pública em dois palcos criados exclusivamente para o evento, um no Largo do Guadalupe, em frente a Igreja do Guadalupe e outro na Praça do Amaro Branco. Outros artistas do coco cantaram para festejar este momento. Ferrugem, Aurinha do Coco, Coco de Umbigada, Mestre Pombo Roxo, Zeca do Rolete entre outros músicos tocaram nos palcos para reverenciar estes dois grandes idosos.

Dona Selma do Coco cantando sua prosa no palco do Guadalupe. Mestre Galo Preto ao fundo. Foto: Arquivo da FUNDARPE.

O evento, por ter ocorrido pela primeira vez no Carnaval do Estado, teve baixa estrutura que dificultou a apresentação dos artistas e dos homenageados. Acredito que também a histórica falta de atenção e respeito com a cultura popular em Pernambuco tenha sido mais um agravante nessa falta de estrutura geral na realização do evento.

Contudo, acredito ainda que este processo há de melhorar para garantir uma estrutura decente de cachê e de palco para que estes mestres e mestras da cultura brasileira possam na altura avançada de suas idades verem seus belos trabalhos tendo a visibilidade que merece e é devida.

Galo e Selma cantando juntos no palco do Amaro Branco. Foto: Acervo da FUNDARPE.

Mestres recebendo homenagens. Foto: Acervo da FUNDARPE.

O texto dos certificados discorriam assim:

"O Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura presta homenagem ao Mestre Galo Preto e a Dona Selma do Coco, Patrimônios Vivos de Pernambuco, durante o Encotnro de Cocos do Carnaval de Pernambuco 2012. Por sua relevante contribuição para o fortalecimento da cultura popular".

Ainda credito fé na inversão deste quadro cruel de desqualificação com a cultura do coco. Creio que devemos continuar discutindo e cobrando do Estado este respeito que é direito nosso! Vi o empenho dos funcionários e funcionárias da FUNDARPE em querer dar o melhor aos mestres, mas ficou difícil com tamanha falta de condições dos palcos e da logistica de produção.

Ao Mestre Galo Preto e a Dona Selma do Coco, devo meu respeito e consideração, e dou meus parabéns pois são grandiosas jóias raras de uma cultura que está sumindo e se descaracterizando a cada dia neste Pernambuco Multicultural...

Mestre Pombo Roxo (no canto a direita) cantando para celebrar o Encontro de Cocos. Foto: Acervo da FUNDARPE.

 Dona Selma do Coco. Foto: Acervo da FUNDARPE.

 Salve a fumaça!


Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"Brasil pandeiro" - Uma experiência interessante de música inter-regional


4 Cantos "Brasil Pandeiro" from Zapipele Filmes on Vimeo.


"Brasil pandeiro" - Uma experiência interessante de música inter-regional

Esse vídeo da Quatro Cantos - "Brasil pandeiro" é muito interessante. Super bem efito e cheio de brilho. Com artistas de diversas vertentes da música brasileira, inclusive elementos das culturas populares. Com esse trabalho audiovisual podemos ver o quanto é possível trazer para perto da mídia essas pessoas e suas tradições. O resultado é de muita qualidade e, envolvente demais. Adorei. Parabéns à Zapipele Filmes e Quatro Cantos Produções.

Ficha técnica

Direção: Betão Aguiar
Produção Musical: Betão Aguiar e Chico Salem
Direção de Fotografia e Câmera: Arthur Roessle e Carina Zaratin
Direção de Produção: Mara Zeyn
Roteiro e Montagem: Haná Vaisman
Assistente de Montagem: Cristian Bueno
3a Câmera e Still: Samuel Macedo
Técnico de som Direto: Felipe Magalhães
Musicas Mixadas por: Gustavo Lenza no Estúdio Navegantes / SP
Masterizado por: Carlinhos Freitas no Classic Master / SP
Gravado por: Felipe Magalhães e Chico Salem - Unidade Móvel Nagoma
Assistente de gravação: Silvio Carreira
Correção de Cor: Marco Del Fiol
Coordenação de Finalização: Milena Machado 


Alexandre L'Omi L'Odò
Produtor de cultura popular
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!