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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Professor PhD em História Marcus Carvalho é abordado em questões do Concurso público para Soldado da Polícia Militar do Estado de Pernambuco

Professor Marcus Carvalho. Foto de Joelson Souza. 2015.

Professor PhD em História Marcus Carvalho é abordado em questões do Concurso público para Soldado da Polícia Militar do Estado de Pernambuco

Conteúdos da história dos africanos e afrodescendentes de Pernambuco caíram na prova de seleção de 1.500 (mil e quinhentos) soldados da Polícia Militar do Estado. No edital regulamentado pela Portaria Conjunta SAD/SDS N° 25 de 09 de Março de 2016, cujo prova foi no último domingo dia 29 de Maio, contou também com duas questões sobre os indígenas e outras duas questões sobre a cultura de PE.

Ao ler as duas questões sobre a história dos africanos e afrodescendentes em uma prova de seleção de policiais militares, pude como professor de história ter um pouco de esperança com os futuros soldados que estarão nas ruas da Cidade para “nos defender”. Ter exigido o estudo destes conteúdos em um edital tão procurado, é também uma forma de reparação (muito pequena mas válida) contribuindo para o ampliar do entendimento dos “concurseiros” sobre uma parte da história da África e dos afrodescendentes no Brasil. Isso fortalece a luta pela implementação das leis federais 10.639/2003 e 11.645/08 que instituem como obrigatório o ensino da história dos africanos, afrodescendentes e indígenas nas instituições escolares e de formação de todo país.

Pude averiguar o conteúdo da “prova Azul”, após ser surpreendido por Mariana, uma amiga, que carinhosamente fez questão de me mostrar sua prova e ler para mim as questões que tratavam do conteúdo da extensa e valiosa pesquisa do Professor PhD em História Marcus Carvalho. Com muito entusiasmo, sabendo que eu iria adorar saber sobre isso, ela fez a leitura das questões 41 e 42, cujos conteúdos abordavam os fatos da escravidão - a primeira tratava da fuga e resistência de escravizados(as), e a segunda travava da lei de 1831 (Lei Feijó) que extinguia o tráfico escravista no Brasil [...].

Conteúdos bastante interessantes, levando em consideração que eles aludiam ao entendimento de que a população negra nunca foi passiva e sempre construiu estratégias de sobrevivência lutando contra os opressores (afastando o antigo pensamento que os negros e negras sempre foram passivos ao processo escravocrata), e também, mostrando que os crimes e violações de direitos contra esta mesma população sempre foi algo considerado como normal (até hoje é em certo modo). Ambas as questões complexas para quem nunca estudou tais conteúdos negados pelos currículos oficiais das escolas, mas válidas para despertar a criticidade das mentes dominadas pela história dos brancos colonizadores europeus que sempre foram incutidas na nossa cabeça desde o início da vida escolar.

A contribuição dada para todos nós pelo professor Marcus Carvalho é imensa. Sem ele não teríamos hoje um entendimento amplo sobre a luta por liberdade da população negra em Pernambuco. Gostei de ver sua obra sendo abordada com tanto respeito dentro de um concurso público de importante relevância para nosso Estado.

É entusiasmante ver um amigo/professor sendo reconhecido assim. Mais que merecido! Orgulho em viver no mesmo tempo histórico que este grande mestre da academia.O professor Marcus Carvalho é um companheiro de luta das antigas. Com ele aprendi e continuo aprendendo como ser historiador de verdade. Aprendo como olhar a história por baixo e mostrar os fatos que a historiografia ainda insiste em esconder de todos nós. Ele é um guerreiro da história local. Um grande pesquisador de documentos antigos que ninguém quer colocar a mão por causa dos fungos... Espelharei-me sempre neste exemplo de pesquisador.

Gostaria muito que também tivessem caído questões sobre Malunguinho. Imagina...! Mas outros concursos virão e poderemos nos surpreender com questões que possam muito mais ensinar do que avaliar.

Para compartilhar e aprendermos todos juntos, decidi digitar na íntegra as duas questões (41 e 42) que caíram na prova. A página é a 16 do “caderno azul”, APROVEITEM, nunca é demais o saber.

COMPARTILHEM!
Salve a fumaça!

*As respostas estão no final da postagem. Mas antes de vê-las tenta pensar e responder, vai valer a pena.

--> Questões sobre a história dos africanos e afrodescendentes em Pernambuco – prova da polícia militar 2016/PE:

41. Durante os três séculos, nos quais vigorou a escravidão no Brasil, a resistência de escravos tanto de origem africana quanto de origem indígena foi constante e tomou as mais diversas formas. No século XIX, quando a escravidão brasileira viveu seu apogeu com o maior afluxo de escravos africanos, o crescimento das cidades fez multiplicar nelas não apenas o número de escravos mas também as formas de resistência, que se diversificavam cada vez mais. E, se as fugas sempre foram as mais famosas e emblemáticas dessas formas de resistência, nunca foram as únicas. Sobre elas, diz o historiador Marcus Carvalho:

“Nunca faltaram fugas de escravos no Recife. Alguns se aproveitavam dos cortes de o Capibaribe fazia entre os bairros para se evadirem dentro própria cidade em busca de dias melhores. Existem ainda casos mostrando o outro lado da história: fugas do Recife para o interior, ou até para fora da província, buscando a distância do senhor ou a proximidade de parentes, amores, amigos e pessoas da mesma etnia ou nação” (CARVALHO, M. J. M. Liberdade: Rotinas e Rupturas do Escravismo no Recife, 1822-1850. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2010, p. 176).

Tendo em vista esse cenário, assinale a alternativa INCORRETA.

A) O quilombo do Catucá, situado nas margens do Recife, na primeira metade do século XIX, caracterizou-se por ser um espaço de resistência contra a escravidão, que cresceu beneficiando-se dos muitos conflitos interno das próprias elites escravistas, principalmente nas chamadas insurreições liberais.

B) Construções culturais, como a capoeira, o maracatu, e mesmo o culto a determinados santos católicos, como São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, foram importantes formas de resistência cotidiana, elaboradas por escravos e ex-escravos nas margens da sociedade escravista e mesmo em suas instituições mais importantes, como a Igreja Católica.

C) Com o crescimento da escravidão urbana no Recife do século XIX, começaram a se desenvolver novas formas de fugas, como as chamadas ‘fugas de portas a dentro’, quando um escravo urbano fugia de seu dono, mas permanecia na mesma cidade, agora servindo a um novo senhor com o qual havia estabelecido um processo de negociação.

D) O quilombo do Catucá, situado nas margens do Recife, na primeira metade do século XIX, cresceu associado a esse centro urbano, beneficiado das fugas de escravos do Recife e canaviais da região, chegando também a se expandir sobre toda região antes dominada por seu predecessor, o quilombo de Palmares.

E) O trabalho escravo nos canaviais também gerava resistência, fosse na forma de revoltas e assassinatos de feitores, fosse na forma de sabotagem da produção.


42. O “desembarque de Sirinhaém” em 1855, em Pernambuco, teria sido apenas mais um dos vários episódios de contrabando de escravos, caso não tivesse dado errado. Tudo começou quando o comandante do palhabote (espécie de embarcação também utilizada para o tráfico atlântico de escravos), invés de ancorar no engenho de João Manuel de Barros Wanderley, acabou parando nas terras do seu vizinho. Este, por sua vez, prontamente denunciou o caso às autoridades. A notícia acabou ganhando grande destaque na imprensa, por ter sido o último negreiro apreendido na costa brasileira com cativos africanos a bordo.

(CARVALHO, M. J. M de. O desembarque nas praias: o funcionamento do tráfico de escravos depois de 1831. Revista de História, São Paulo, n° 167, julho/dezembro 2012, pp. 223-260).

Em relação ao tráfico de escravos em Pernambuco, assinale a alternativa CORRETA.

A) Embora a lei antitráfico tenha entrado em vigor desde 1831, as autoridades imperiais nada fizeram para deter o comércio ilegal nos portos das capitais provinciais. Exemplo disso foi o porto do Recife, que não teve seu cotidiano alterado, no que tange ao comércio atlântico de escravos.

B) Embora conhecida como “Lei para inglês ver”, a Lei de 1831 contribuiu bastante para frear o ímpeto dos traficantes. Exemplo disso é que, em finais da década de 1830 e durante a década de 1840, o número de escravos que ingressaram na Província de Pernambuco diminuiu de forma vertiginosa.

C) O desembarque de cativos africanos nos portos naturais das diversas praias que ficavam na Província de Pernambuco, mas distante o suficiente para dificultar a vistoria das autoridades imperiais, foi uma estratégia desenvolvida pelos atores que participavam do contrabando de africanos, para continuar fornecendo cativos para a capitania.

D) Embora muito alarmado pela imprensa provincial e nacional, o “Desembarque de Sirinhaém” pode ser considerado uma exceção, pois a forte fiscalização da coroa impedia que fatos como este fossem corriqueiros.

E) Por ser, à época do “Desembarque de Sirinhaém”, uma província com forte tendência abolicionista, Pernambuco quase não recebia mais escravos. Além disso, os políticos e as elites latifundiárias estavam mais interessados em fomentar a vinda de mão de obra livre do exterior, principalmente a dos chineses.     

Respostas: 41 – D, 42 – C.

Alexandre L’Omi L’Odò
Historiador e mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Inscrições Encerradas para o Seminário Malunguinho - 180 anos vivo na alma de um povo


ESTÃO ENCERRADAS AS INSCRIçÕES 
PARA O SEMINÁRIO MALUNGUINHO - 180 ANOS VIVO NA ALMA DE UM POVO

Comunicamos oficialmente que estão encerradas as inscrições para o seminário Malunguinho 180 anos vivo na alam de um povo.

Ficamos muito felizes com a enorme procura por vagas de membros de terreiros de Jurema e candomblé, de pesquisadores e professores, alunos e alunas de universidades e interessados. 

Todas as universidades e faculdades de Recife enviaram participantes papa compor o público do seminário. Este fato nos fez  comemorar um avanço importante: A academia esta a cada dia mais interessada em assuntos ligados ao povo negro  e indígenas, também por questões ligadas as tradições de terreiro e pautas que tratem do racismo. 

O povo de terreiro também está ocupando boa parte das vagas. Isso nos fortalece a cada dia mais. Afinal estamos querendo avançar nas nossas discussões intelectuais e políticas, portanto, vamos ter um seminário rico em troca de saberes. As possibilidades estão todas abertas. Vamos aproveitá-las.

Obrigado aos mais de 180 inscritos. O auditório só caberá no máximo 160... Mas podemos nos apertar e cedermos espaço para que todos sejam contemplados com as palestras de alto nível que vão transcorrer este dia 04 de setembro de 2015 na FUNDAJ.

Estamos muito felizes. Vamos fazer um grande evento. Um grande seminário cheio de fumaça da Jurema sagrada. Cheio de axé e cheio de força do povo que deseja mudar o paradigma social do negro e do índio através da educação e da produção intelectual.

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho!

Alexandre L’OmiL’Odò
Coordenação Geral

Segue programação completa:
  
Seminário
Malunguinho – 180 anos vivo na alma de um povo

Dia 04 de Setembro de 2015

Horário: 08 às 17h

Local: FUNDAJ – Fundação Joaquim Nabuco
Av. 17 de Agosto, 2187 – Casa Forte - Auditório Calouste Gulbenkian

150 vagas

Será dado certificado

Cerimonial Ricardo de Tertuliano

Inscrições pelo e-mail: quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com
Secretária: Maria Betânia de Sibamba – 81 99901-3736 (TIM) / 98810-5925 (Oi)

Informações gerais em: www.qcmalunguinho.blogspot.com

Programação

- Programação sujeita a alterações

Dia 04/09

De 08 às 09h – Credenciamento no local do evento

09h – Abertura: Ritual com sacerdotes da Jurema celebrando Malunguinho

09:20h – Mesa Institucional de Abertura com representantes religiosos, instituições e academia

09h e 40min – Conferência Magna – Malunguinho - 180 anos vivo da alma de um povo.

Conferencista: Professor PhD Marcus Carvalho – UFPE

Coordenador da Mesa: Hildo Leal da Rosa – Arquivo Público Estadual/PE

Expositores: Quilombo Cultural Malunguinho - Professor Mestrando Alexandre L’Omi L’Odò – UNICAP e Professor João Monteiro

10h e 30min – Debate

11h – Coffe Breack

11:20h – Mesa redonda: A Jurema como elemento de preservação da história

Palestrante: Professor Dr. Sandro Guimarães de Salles – UFPE

Coordenador da Mesa: Professor Dr. Sergio Sezino Douets Vasconcelos - UNICAP

12h – Debate

12:30h – Almoço - Rest. Solar do Carrapicho (dentro da FUNDAJ)

14h – Mesa Redonda – Povos indígenas em Pernambuco: afirmando suas expressões socioculturais para garantia de direitos

Palestrante: Professor Dr. Edson Silva - UFPE

Coordenador da Mesa: Rogério Onofre - Estudante de História - UFPE e representante do Povo indígena Fulni-ô.

14:40h – Debate

15h – Mesa Redonda – O Povo de Terreiro e a luta por direitos humanos no Brasil – 180 de violações

Palestrante: Professora Dra. Marga Janete Ströher – Núcleo de Pesquisa de Gênero EST/RS e RENADIR

Coordenador da Mesa: Paulo Roberto Xavier de Moraes - Secretário Executivo de Diretos Humanos da PCR (a confirmar)

15:40h – Debate

16h – Coffe Break

16:15h – Conferência de Encerramento: Racismo e luta do povo negro no Brasil

Conferencista: Professor Dr. José Jorge de Carvalho – INCTI/UnB

Debatedora: Professora Dra. Cibele Barbosa da Silva Andrade - FUNDAJ

Coordenador da Mesa: Alexandre L'Omi L'Odò - QCM e Coordenador geral do Seminário.
16:50 – Debate


17h – Encerramento – Fumaçada dos Senhores Mestres

Instituição que apoiam o evento: Prefeitura de Abreu e Lima, Terreiro de Jurema Casa das Matas do Reis Malunguinho e Ilé Iyemojá Ògúnté.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 
Coordenação Geral

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Seminário Malunguinho - 180 anos vivo na alma de um povo

Malunguinho
180 vivo na alma de um povo

 Um herói negro há 180 anos atrás foi morto violentamente nas terras da antiga Maricota, hoje Abreu e Lima/PE. Foi comunicada e registrada sua morte em 18 de Setembro de 1835. Seu nome era João Batista, último líder do Quilombo do Catucá, conhecido como Malunguinho, herói do povo negro e indígena de Pernambuco.

Sua força, luta e valor foram tão grandes que seu povo o reconheceu, e o imortalizou na Jurema Sagrada como divindade, o Reis da Jurema, o Reis da Mata, o Reis Malunguinho, chefe mitológico dos portões sagrados desta religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil. Ele é o único líder quilombola da história do país a ter sido deificado, certificando assim sua importância histórica na luta por liberdade dos negros(as) e indígenas na Mata Norte de Pernambuco, na primeira metade do século XIX.

Exú/trunqueiro, Caboclo, Mestre e Reis. Malunguinho não foi apenas um, mas sim vários líderes que por mais de 40 anos lutaram no Catucá por liberdade, direitos iguais e reforma agrária.

No passar de 180 anos, se assistiu a falsa “abolição da escravatura”, a luta por cidadania dos negros(as) e indígenas neste país. Vimos os movimentos negros crescerem e as lutas indígenas ocuparem gradativamente o cenário político. Assistimos o STF aprovar por unanimidade a legalidade das cotas raciais, e, antes deste fato, vivenciamos a efetivação dascotas para negros(as) e indígenas nas universidades... Também vimos o povo de terreiro de todo Brasil se levantar e partir para a luta por espaço político, se organizando em conferências nacionais de promoção de igualdade racial, cultura e direitos humanos entre outras. Muitos fatos de reversão histórica da posição desprivilegiada da população negra e indígena ainda estão em lento processo de consolidação, e Malunguinho, em seu cosmos, vivo na alma do Povo da Jurema, ajudou, e ainda ajuda estas populações a sobreviverem a todas violações de direitos humanos, racismo e intolerância religiosa que nossa sociedade ainda proporciona abertamente. Nestes 180 anos, desde a morte de João Batista, o acolhimento, a defesa e a força de sua história ainda nos inspira a celebrá-lo pelos seus feitos que permeiam nossos cotidianos.

Nos últimos 11 anos o QCM – Quilombo Cultural Malunguinho, inspirado pela pesquisa do professor PhD Marcus Carvalho e, pelo sonho do extermínio do racismo, resolveu trazer a tona a figura de Malunguinho como forma de revelar heróis negros e indígenas do Brasil. Estratégia de luta e resistência para o fortalecimento da auto-estima das populações negras e indígenas e povos tradicionais de terreiro, que sofrem sem grandes referenciais heróicas. O QCM, que realiza diversas atividades entorno destes temas, mais uma vez celebra a memória de Malunguinho como nosso herói negro/indígena pernambucano, e também nosso patrono espiritual.

Em parceria com o Professor Dr. Marcus Carvalho - UFPE e a FUNDAJ – Fundação Joaquim Nabuco, realizam o Seminário “Malunguinho – 180 anos vivo na alma de um povo”, com o objetivo de congregar os saberes acadêmicos sobre a história dos quilombos e resistência negra/indígena em Pernambuco, a discussão sobre direitos humanos e intolerância religiosa, meio ambiente, história e os saberes tradicionais do povo de terreiro.

Esta atividade acontecerá fortalecida pela lei estadual da Semana da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana, a Lei Malunguinho de n°. 12.635/07, fruto de toda esta luta.

Sobô Nirê Mafá!

Que todas as nações e povos sejam bem vindos!

Alexandre L’OmiL’Odò
Coordenação Geral


Seminário
Malunguinho – 180 anos vivo na alma de um povo

Dia 04 de Setembro de 2015

Horário: 08 às 17h

Local: FUNDAJ – Fundação Joaquim Nabuco
Av. 17 de Agosto, 2187 – Casa Forte - Auditório Calouste Gulbenkian

150 vagas

Será dado certificado

Cerimonial Ricardo de Tertuliano

Inscrições pelo e-mail: quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com
Secretária: Maria Betânia de Sibamba – 81 99901-3736 (TIM) / 98810-5925 (Oi)

Informações gerais em: www.qcmalunguinho.blogspot.com


Programação

Dia 04/09

- Programação sujeita a alterações

De 08 às 09h – Credenciamento no local do evento

09h – Abertura: Ritual com sacerdotes da Jurema celebrando Malunguinho

09:20h – Mesa Institucional de Abertura com representantes religiosos, instituições e academia

09h e 40min – Conferência Magna – Malunguinho - 180 anos vivo da alma de um povo.

Conferencista: Professor PhD Marcus Carvalho – UFPE

Coordenador da Mesa: Hildo Leal da Rosa – Arquivo Público Estadual/PE

Expositores: Quilombo Cultural Malunguinho - Professor Mestrando Alexandre L’Omi L’Odò – UNICAP e Professor João Monteiro

10h e 30min – Debate

11h – Coffe Breack

11:20h – Mesa redonda: A Jurema como elemento de preservação da história

Palestrante: Professor Dr. Sandro Guimarães de Salles – UFPE

Coordenador da Mesa: Professor Dr. Sergio Sezino Douets Vasconcelos - UNICAP

12h – Debate

12:30h – Almoço - Restaurante Solar do Carrapicho (no local do evento)

14h – Mesa Redonda – Povos indígenas em Pernambuco: afirmando suas expressões socioculturais para garantia de direitos

Palestrante: Professor Dr. Edson Silva - UFPE

Coordenador da Mesa: Rogério Onofre - Estudante de História UFPE e indígena do Povo Fulni-ô de Águas Belas/PE.

14:40h – Debate

15h – Mesa Redonda – O Povo de Terreiro e a luta por direitos humanos no Brasil – 180 de violações

Palestrante: Professora Dra. Marga Janete Ströher – Núcleo de Pesquisa de Gênero EST/RS e RENADIR

Coordenador da Mesa: Paulo Roberto Xavier de Moraes - Secretário Executivo de Diretos Humanos da PCR (a confirmar)

15:40h – Debate

16h – Coffe Breack

16:15h – Conferência de Encerramento: Racismo e luta do povo negro no Brasil

Conferencista: Professor Dr. José Jorge de Carvalho – INCTI/UnB

Debatedora: Professora Dra. Cibele Barbosa da Silva Andrade - FUNDAJ

Coordenador da Mesa: Alexandre L'Omi L'Odò - QCM e Coordenador geral do Seminário.

16:50 – Debate

17h – Encerramento – Celebração Fumaçada dos Senhores Mestres

Instituições de apoio: Terreiro de Jurema Casa das Matas do Reis Malunguinho e Ilé Iyemojá Ògúnté.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomildoo@gmail.com 
Coordenação Geral

sábado, 9 de maio de 2015

Malunguinho - O Guerreiro do Catucá, O Rei da Jurema



Malunguinho
O Guerreiro do Catucá, o Rei da Jurema

O vídeo, que foi fruto da conclusão do curso de jornalismo (TCC) dos Diretores João Batista, Diogo Mendes e Luíz Otáviodo na Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) 2008, recebeu nota máxima da banca examinadora, que fizeram comentários de grande valia sobre o filme e reafirmaram a importância de tal documentário na contribuição da afirmação do papel do negro em Pernambuco no século XIX, além da importância histórica do tema, já que poucas pessoas conhecem Malunguinho como personagem forte da construção da personalidade e forma de vida socio-político-cultural do Estado.

O documentário mostra a relação do Malunguinho Histórico, e o embate afirmativo do povo da Jurema Sagrada de Pernambuco, através do Quilombo Cultural Malunguinho, na preservação da memória deste grande líder quilombola no imaginário da Jurema do Nordeste, deificando-o e fazendo dele o Malunguinho Divino, o Rei da Jurema, título este pertencente unicamente a ele, pois é o único a se apresentar espiritualmente em três formas: Mestre, Caboclo e Exú dentro do culto. A relação fortemente indígena da divindade remonta claro a vivência cotidiana dos negros do Quilombo do Catucá com os índios dos entornos da localidade que se iniciava as margens do Rio Beberibe entre Recife e Olinda (próximo ao Nascedouro de Peixinhos) e se estendia até a Cidade de Goiana na Zona da Mata Norte pernambucana.

Em 18' minutos o publico poderá presenciar a mais requintada qualidade jornalística e cinematográfica já feita nos vídeos pernambucanos, contando com falas de muita importância e depoimentos de de professores como o Marcus Carvalho PhD em História e um dos primeiros a escrever sobre os Malungos do Recife em seu antológico e importantíssimo livro Liberdade - Rotinas e Rupturas do Recife 1822 a 1850. Também a fala do historiador e agitador cultural João Monteiro, que pontua detalhes fundamentais do contexto histórico de Malunguinho. Babalorixás e Iyalorixás, Mestre e Mestras Juremeiras também tiveram suas falas garantidas no documentário, sacerdotes como Sandro de Jucá, Mãe Lúcia de Oyá deram um toque muito especial ao tema religiosidade, tema transversal e crucial do documentário.

O trilha sonora foi feito e produzido pelo juremeiro, historiador e produtor cultural, percussionista, Alexandre L'Omi L'Odò, que realizou grandes temas de percussão para compor o clima ideal para o vídeo. Participações como a do professor Sandro Guimarães de Sales (com seu violão de ouro) e do Mestre Galo Preto, além do Coral da Jurema Sagrada de Malunguinho, organizado pelo produtor do trilha, dão sem dúvidas uma cara de novidade e dinamismo à película. Diz o produtor do trilha que "lançaremos depois de terminar a produção o CD com o trilha completo, que está lindo, em especial porque registramos cantigas ainda não conhecidas e muito antigas de Malunguinho na Jurema".

Contando com o apoio integral, e até mesmo o "dedo no bolo" do Quilombo Cultural Malunguinho, e em especial, de Alexandre L'Omi L'Odò, a parceria na construção da obra foi super relevante, sabendo que os pesquisadores do Quilombo são os melhores especialistas no momento sobre Malunguinho, tanto histórico quanto Divino, pois todos da entidade são iniciados nos cultos afro indígenas e vivenciadores da construção da memória do líder Quilombola Malunguinho em PE. "O vídeo tem um perfil pedagógico, podendo se enquadrar perfeitamente ao uso da Lei 11.465/2008, e da lei estadual 13.298/2007 a lei da Semana da Vivência e da Prática da Cultura Afro Pernambucana, a lei de Malunguinho aprovada com total iniciativa na assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco pelo Dep. Isaltino Nascimento e o Quilombo Cultural Malunguinho, com apoio de diversos movimentos culturais e sociais, e não poderemos perder esta oportunidade de passar ele nas escolas", diz Alexandre L'Omi L'Odò.

www.qcmalunguinho.blogspot.com 

Texto de João Batista Jr. - Diretor do documentário.

Compartilhem. Este foi o primeiro documentário feito revelando a história de Malunguinho.

Sobô Nirê!!!
Salve a fumaça!!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!