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domingo, 22 de outubro de 2017

XII Kipupa Malunguinho na Grande Mídia



XII Kipupa Malunguinho na Grande Mídia

Mais um ano a Rede Globo Nordeste realiza a cobertura do Kipupa Malunguinho, contribuindo na luta contra o racismo e a intolerância religiosa. Ocupar o espaço da grande mídia é fundamental para a luta do povo de terreiro, que a cada dia avança passo a passo na luta contra todo tipo de discriminação. 

Foi lindo o Kipupa. Quem vivenciou, jamais vai esquecer tão belo momento espiritual e cultural. 

Sobô Nirê Mafá!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

III Encontro de Juremeiros e Juremeiras em Alhandra


III Encontro de Juremeiros e Juremeiras em Alhandra

Dia 06 de Março de 2016 às 09h
No Clube Gilberto Valério, Alhandra/PB

O terceiro encontro de juremeiros e juremeiras em Alhandra tem como objetivo, levar religiosos de diversos lugares para celebrar a ciência mestra, trocar saberes e semear a união entre os terreiros em um dos lugares mais importantes da história da Jurema Sagrada: Alhandra/PB. Também, objetivamos abrir o calendário anual das atividades do Povo da Jurema no Brasil, fortalecer nossa Rede Nacional do Povo da Jurema e discutir coletivamente o papel político do povo de terreiro que precisará se posicionar fortemente nas eleições 2016 em todo nosso país.

Dando continuidade aos encontros realizados em 2008 (primeiro encontro de juremeiros e juremeiras realizado ainda nas terras do Sítio do Acaes) e o segundo realizado em 2015, continuamos unindo o povo da Jurema na missão da preservação de nossas tradições religiosas e culturais, além de manter acesa a luta pela preservação do Sítio do Acaes que foi destruído em 2008. Temos uma missão moral de cobrar do Estado ações de reconstrução e preservação da Casa de Maria do Acaes e outros patrimônios materiais e imateriais da Jurema.

Nosso Encontro, favorece a articulação e o respeito à diversidade religiosa interna de nossa religião, propiciando o encontro de povos e comunidades tradicionais de terreiro do Nordeste que nunca antes haviam se conhecido. Cada um com seus ritmos específicos, toadas particulares, formas de ser próprias trocando saberes sem preconceitos. Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Ceará... Estados fortes do culto da Jurema unidos por que A JUREMA MERECE RESPEITO!

Temos um foco forte em 2016: Somos um povo pungente e uniremos forças para eleger nossos representantes políticos. Esta é uma necessidade coletiva nossa. QUEM É DE TERREIRO, VOTA EM QUEM É DE TERREIRO!

Salve a Jurema Sagrada!

Informações Gerais

Saída dos ônibus
06h
Em frente ao Memorial Zumbi dos Palmares, no Pátio do Carmo, centro do Recife.

Valor da passagem: R$: 45

Para comprar os bilhetes:
Ligue para: 81 99901-3736 (TIM/Zap) – Falar com a Secretária Bethânia.

Programação:

09h - Chegaremos em Alhandra e realizaremos uma grande gira de culto à Jurema Sagrada, abrindo o evento – Podem levar ilús, maracás e irem vestidos com roupas tradicionais.

10h – Gira de Diálogos – A Jurema Sagrada, patrimônio e a luta contra a Intolerância Religiosa (momento da diversidade religiosa com representantes de diversas religiões).

10h40min – Debate.

11h Gira de Diálogos – A posição política e religiosa do Povo da Jurema nas Eleições 2016.

11h45min – Debate.

12h30min - Almoço – Faremos uma parada no Restaurante Teto Verde em Alhandra. Valor da comida: entorno de R$: 13.  Self Service. Cada pessoa paga o seu.

14h e 30min - Após o almoço, visita à casa da Mestra Jardecilha para celebração de Jurema e troca de saberes debaixo dos Sagrados pés de Jurema.

17h – Retorno das Caravanas - Parada na Igrejinha do Acaes e no Memorial Zezinho do Acaes

Realização: Quilombo Cultural Malunguinho (idealização e coordenação geral), Rede Nacional do Povo da Jurema e Casa da Mestra Jardecilha.

Parcerias e Apoios: Prefeitura de Alhandra, Casa das Matas do Reis Malunguinho, Terreiro de Jurema do Mestre Benedito Fumaça – Pai Freitas/RN, Tenda de Umbanda Pai Francisco – Pai Messias/PE, Templo Afro Brasileiro José de Aruanda – Pai Vamberto/PB, Templo de Jurema Zé Rosas/PB, Casa de Caridade de Candomblé Ilê Axé Dará Xangô Oyá – Pai Alex de Arapiraca/AL, Terreiro de Jurema do Mestre Zé Vieira – Juremeiro Arthur/PE, Associação Espírita dos Juremeiros de Alhandra/PB.

Capa para facebook. Coloque em sua página e nos ajude a divulgar o evento.

Alexandre L’Omi L’Odò
Coordenador Geral
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

X Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá


X Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá
1835 - 2015 Malunguinho Histórico e Divino, 180 anos resistindo!

Dez anos do maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil. O Kipupa Malunguinho em sua décima edição, levará mais um ano para as matas sagradas do "Catucá" a alegria da fé do povo de terreiro, para celebrar o Reis Malunguinho, único líder quilombola a virar divindade na história de nosso país. Celebraremos os 180 anos de resistência da luta por liberdade do povo negro/indígena de Pernambuco. Com muito coco, ritual nas matas e muita troca de saberes, vivenciaremos coletivamente mais uma vez o hermanamento entre a religiosidade tradicional de terreiro e a cultura popular.

Informações básicas: 

Dia 27 de Setembro de 2015 (Domingo)

Das 09 às 18h

Local: Matas de Pitanga II, Abreu e Lima/PE (Sítio de Juarez) "Catucá"

Como chegar? 

O local do evento é um pouco complicado de chegar. Mas providenciaremos ônibus saindo da Igreja do Carmo do Recife às 7h da manhã. Valor da ida e volta para o mesmo local R$: 30. Bilhetes vendendo no box de Eliane dentro do Mercado de São José.

Terreiros e grupos podem organizar suas caravanas independentemente. 

Qualquer pessoa pode participar.

Terreiros podem levar ilús e demais instrumentos, além de suas oferendas próprias e irem vestidos com roupas tradicionais da Jurema.

Apresentações Culturais:

Grupo Bongar
Pandeiro do Mestre
Coco de Pareia 
Grupo Raízes
Lucas e Orquestra dos Prazeres (a confirmar) 

Contatos: 81. 99901-3736 / 98887-1496
quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com 

Para informações mais aprofundadas sobre o evento visitem:


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A Jurema Sagrada como patrimônio imaterial do Brasil - Perspectivas para um processo de patrimonialização

Assista toda palestra neste vídeo

A Jurema Sagrada como patrimônio imaterial do Brasil
Perspectivas para um processo de patrimonialização

No último dia 18 de Agosto de 2015, estive a convite do IPHAN, em sua sede em Brasília para participar como conferencista na Capacitação Interna para Gestão do Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro, apresentando uma conferência intitulada “Subsídios para preservação do Patrimônio Cultural de Terreiros: aspectos da tradição Jurema”.

 Palestra no IPHAN. Equipe do GTIT. Foto de Guitinho da Xambá.

O GTIT – Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Preservação do Patrimônio Cultural de Terreiros, foi o organizador desta atividade que foi exibida ao vivo via canal do youtube, com um grande grau de audiência, segundo os organizadores.

Pude apresentar a teologia da jurema com vasto material levado em Power Point e em artigos científicos que eu mesmo já publiquei em congressos. Fotografias, textos, vídeos, e muita discussão fizeram deste momento um dos mais ricos que já pude protagonizar. Não poderia ser diferente. Afinal, eu fui convidado para defender a Jurema Sagrada como patrimônio imaterial do Brasil, e para isso naturalmente teria que ter um conteúdo à altura.

A equipe do GTIT foi de uma sensibilidade imensa, me tratando super bem e dando todas as condições para que eu pudesse expor tudo aquilo que venho pesquisando e vivenciando durante toda minha vida. Foi uma experiência privilegiada.

A invisibilidade e ostracismo que o culto da Jurema Sagrada foi acometido durante tantas décadas, sobre tudo por causa da falta de interesse dos acadêmicos em pesquisá-la e a falta de auto-estima do próprio povo de terreiro do Nordeste, que vê ainda no Orixá a legitimação única de sua condição de sacerdote etc. está sendo extinguida devido a momentos como este. Não podemos ser mais invisíveis. Temos que ocupar todos os espaços que são para o povo de terreiro, sem vergonha de nossas pertenças religiosas.

Ter discutido a questão Afro-Indígena foi um dos pontos fortes desta palestra. Afinal, compreendo que temos que transcender este ponto. Não se pode discutir religiões de terreiro no Brasil apenas citando as de matriz africana. As religiões de matrizes indígenas, como é o caso da Jurema e outras, existem e também são fortes como as demais. Também, se buscarmos profundamente argumentos científicos veremos que somos um povo afro-indígena, e que nossas práticas estão completamente imbricadas. Isso naturalmente foi fruto do processo histórico que vivenciamos, e que temos que respeitar.

A Jurema tem uma cultura densa. Uma tradição ampla e cheia de elementos belíssimos. Sua cosmologia e mitologia são grandiosas. Seus ritos complexos. Sua forma de ser típica e tradicional. A Jurema tem fundamento e elementos próprios que a dão sem dúvidas a condição de religião independente das demais. Ela não é um apêndice da umbanda ou do “xangô de Pernambuco”, a Jurema é uma RELIGIÃO, sem sombra de dúvidas! Afirmar isso infelizmente ainda é um processo necessário de legitimação, afinal, alguns pesquisadores do passado a colocaram como religião impura, misturada, degenerada e que seria na visão deles um apêndice das demais, sem ter uma independência religiosa própria. Teremos que desconstruir este processo que nos acarretou o ostracismo e a quase total ausência de reconhecimento por parte das demais religiões de terreiro e da sociedade. Este trabalho não é fácil, mas estamos conseguindo passo a passo reverter esta injusta condição que os processos de opressão da história nos forçaram a vivenciar.

O processo de patrimonialização da Jurema é algo que deve ser celebrado por todos nós juremeiros e juremeiras. Este é um reconhecimento importante que o Estado brasileiro tem que nos dá. É apenas mais um dos tantos processos de reparação que nosso povo tem que ser beneficiado. Sermos patrimônio imaterial do Brasil é sinônimo de avanço para nosso povo que precisa a cada dia mais de elementos que nos legitimem perante a sociedade para conseguirmos vencer o racismo e a intolerância religiosa. Esta é uma construção legítima que merece nossos aplausos.

Eu e Guitinho da Xambá. 

Também esteve presente o Guitinho da Xambá (do Grupo Bongar), representando a tradição Xambá. Somos jovens que damos continuidade a luta de nossos ancestrais com muito pertencimento e respeito, além de legitimidade. Sua palestra foi muito rica e aprendi muito sobre a Nação Xambá, que eu tanto amo. Parabéns pela bela apresentação.

Agradeço muito à Jurema e ao Reis Malunguinho por me darem esta condição de defender nossa religião. Isso me deixa muito feliz, afinal, ter a confiança das entidades e divindades da Jurema é um privilégio. Compartilhar desta fumaça sagrada é algo dignificante, ser juremeiro é uma honra.

Obrigado a George Bessoni do IPHAN/PE que me indicou, seguimos juntos nestas lutas... Obrigado a todos e todas do GTIT. Passamos um dia ótimo juntos. Produzimos bastante, afinal três horas e meia de troca de saberes foi o mínimo que pudemos fazer para dar conta de conteúdos tão esquecidos como são (ou eram) os pertinentes a Jurema Sagrada. Rogo a todos os índios e caboclos, mestres e mestras, pajés, caciques, trunqueiros, reis, divindades e entidades que faça com que a roda continue girando e que consigamos fazer um grande trabalho real de catalogação e registro dos bens imateriais e matérias da Jurema Sagrada.

Eu e Equipe do GTIT. Foto de Guitinho da Xambá.

Assistam toda conferência no vídeo do youtube no início desta postagem.

Salve a fumaça!
Sobô Nirê Mafá!

“Quanto mais meu lírio cheira, é pau, é pau, é pau”!
“Eu mesmo vou, eu não mando recado”!

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Jurema Sagrada - Patrimônio Imaterial do Brasil


Jurema Sagrada 
Patrimônio Imaterial do Brasil! 

É com imenso prazer que divulgo e convido meus irmãos de luta para neste dia 18/08 no IPHAN Nacional em Brasília participar da defesa da Jurema Sagrada como Patrimônio Imaterial do Brasil. 

Esta capacitação servirá para que o IPHAN possa ter os argumentos necessários para dar o título a Jurema Sagrada de Patrimônio Imaterial do Brasil. Ista é uma coisa muito importante.

Quando penso que a força de meu Reis Malunguinho já me fez ir muito longe, ele me prova que posso ir bem mais... Sobre tudo para defender o interesse de todo nosso povo. De todo nosso coletivo. 

Esta é uma responsabilidade que enfrento com muito orgulho e prazer. Estou preparado para ensinar ao IPHAN Nacional tudo que se faz necessário para que consigamos este título. 

Torçam por mim. Vibrem. Esta luta é nossa. Fui selecionado para tal feito devido ao trabalho que realizo a mais de 15 anos. Isso é gratificante. 

Sobô Nirê Mafá! 

Obrigado senhores mestres e índios de minha Jurema. 

Salve a fumaça!! 

Quem vai estar comigo nesta luta defendendo a tradição Xambá é Guitinho do Bongar Grupo​. Vai ser lindo!  Salve!! 

CONVITE OFICIAL DO IPHAN

Convidamos todos a participarem do 4º encontro da Capacitação Interna para Gestão do Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, ação coordenada pelo GTIT – Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Preservação do Patrimônio Cultural de Terreiros.

As comunicações coordenadas serão ministradas por Guitinho da Xambá da tradição Xambá e por Alexandre L’Omi L’Odò da tradição Jurema. Os palestrantes abordarão aspectos de suas respectivas tradições e sua relação com as políticas de preservação do patrimônio cultural.

A capacitação ocorrerá no dia 18 de agosto de 2015,  com atividades pela manhã às 09h30 e de tarde às 14h30. A participação remota ocorrerá através do envio de questões pelo e-mail do GTIT.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Seminário Malunguinho - 180 anos vivo na alma de um povo

Malunguinho
180 vivo na alma de um povo

 Um herói negro há 180 anos atrás foi morto violentamente nas terras da antiga Maricota, hoje Abreu e Lima/PE. Foi comunicada e registrada sua morte em 18 de Setembro de 1835. Seu nome era João Batista, último líder do Quilombo do Catucá, conhecido como Malunguinho, herói do povo negro e indígena de Pernambuco.

Sua força, luta e valor foram tão grandes que seu povo o reconheceu, e o imortalizou na Jurema Sagrada como divindade, o Reis da Jurema, o Reis da Mata, o Reis Malunguinho, chefe mitológico dos portões sagrados desta religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil. Ele é o único líder quilombola da história do país a ter sido deificado, certificando assim sua importância histórica na luta por liberdade dos negros(as) e indígenas na Mata Norte de Pernambuco, na primeira metade do século XIX.

Exú/trunqueiro, Caboclo, Mestre e Reis. Malunguinho não foi apenas um, mas sim vários líderes que por mais de 40 anos lutaram no Catucá por liberdade, direitos iguais e reforma agrária.

No passar de 180 anos, se assistiu a falsa “abolição da escravatura”, a luta por cidadania dos negros(as) e indígenas neste país. Vimos os movimentos negros crescerem e as lutas indígenas ocuparem gradativamente o cenário político. Assistimos o STF aprovar por unanimidade a legalidade das cotas raciais, e, antes deste fato, vivenciamos a efetivação dascotas para negros(as) e indígenas nas universidades... Também vimos o povo de terreiro de todo Brasil se levantar e partir para a luta por espaço político, se organizando em conferências nacionais de promoção de igualdade racial, cultura e direitos humanos entre outras. Muitos fatos de reversão histórica da posição desprivilegiada da população negra e indígena ainda estão em lento processo de consolidação, e Malunguinho, em seu cosmos, vivo na alma do Povo da Jurema, ajudou, e ainda ajuda estas populações a sobreviverem a todas violações de direitos humanos, racismo e intolerância religiosa que nossa sociedade ainda proporciona abertamente. Nestes 180 anos, desde a morte de João Batista, o acolhimento, a defesa e a força de sua história ainda nos inspira a celebrá-lo pelos seus feitos que permeiam nossos cotidianos.

Nos últimos 11 anos o QCM – Quilombo Cultural Malunguinho, inspirado pela pesquisa do professor PhD Marcus Carvalho e, pelo sonho do extermínio do racismo, resolveu trazer a tona a figura de Malunguinho como forma de revelar heróis negros e indígenas do Brasil. Estratégia de luta e resistência para o fortalecimento da auto-estima das populações negras e indígenas e povos tradicionais de terreiro, que sofrem sem grandes referenciais heróicas. O QCM, que realiza diversas atividades entorno destes temas, mais uma vez celebra a memória de Malunguinho como nosso herói negro/indígena pernambucano, e também nosso patrono espiritual.

Em parceria com o Professor Dr. Marcus Carvalho - UFPE e a FUNDAJ – Fundação Joaquim Nabuco, realizam o Seminário “Malunguinho – 180 anos vivo na alma de um povo”, com o objetivo de congregar os saberes acadêmicos sobre a história dos quilombos e resistência negra/indígena em Pernambuco, a discussão sobre direitos humanos e intolerância religiosa, meio ambiente, história e os saberes tradicionais do povo de terreiro.

Esta atividade acontecerá fortalecida pela lei estadual da Semana da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana, a Lei Malunguinho de n°. 12.635/07, fruto de toda esta luta.

Sobô Nirê Mafá!

Que todas as nações e povos sejam bem vindos!

Alexandre L’OmiL’Odò
Coordenação Geral


Seminário
Malunguinho – 180 anos vivo na alma de um povo

Dia 04 de Setembro de 2015

Horário: 08 às 17h

Local: FUNDAJ – Fundação Joaquim Nabuco
Av. 17 de Agosto, 2187 – Casa Forte - Auditório Calouste Gulbenkian

150 vagas

Será dado certificado

Cerimonial Ricardo de Tertuliano

Inscrições pelo e-mail: quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com
Secretária: Maria Betânia de Sibamba – 81 99901-3736 (TIM) / 98810-5925 (Oi)

Informações gerais em: www.qcmalunguinho.blogspot.com


Programação

Dia 04/09

- Programação sujeita a alterações

De 08 às 09h – Credenciamento no local do evento

09h – Abertura: Ritual com sacerdotes da Jurema celebrando Malunguinho

09:20h – Mesa Institucional de Abertura com representantes religiosos, instituições e academia

09h e 40min – Conferência Magna – Malunguinho - 180 anos vivo da alma de um povo.

Conferencista: Professor PhD Marcus Carvalho – UFPE

Coordenador da Mesa: Hildo Leal da Rosa – Arquivo Público Estadual/PE

Expositores: Quilombo Cultural Malunguinho - Professor Mestrando Alexandre L’Omi L’Odò – UNICAP e Professor João Monteiro

10h e 30min – Debate

11h – Coffe Breack

11:20h – Mesa redonda: A Jurema como elemento de preservação da história

Palestrante: Professor Dr. Sandro Guimarães de Salles – UFPE

Coordenador da Mesa: Professor Dr. Sergio Sezino Douets Vasconcelos - UNICAP

12h – Debate

12:30h – Almoço - Restaurante Solar do Carrapicho (no local do evento)

14h – Mesa Redonda – Povos indígenas em Pernambuco: afirmando suas expressões socioculturais para garantia de direitos

Palestrante: Professor Dr. Edson Silva - UFPE

Coordenador da Mesa: Rogério Onofre - Estudante de História UFPE e indígena do Povo Fulni-ô de Águas Belas/PE.

14:40h – Debate

15h – Mesa Redonda – O Povo de Terreiro e a luta por direitos humanos no Brasil – 180 de violações

Palestrante: Professora Dra. Marga Janete Ströher – Núcleo de Pesquisa de Gênero EST/RS e RENADIR

Coordenador da Mesa: Paulo Roberto Xavier de Moraes - Secretário Executivo de Diretos Humanos da PCR (a confirmar)

15:40h – Debate

16h – Coffe Breack

16:15h – Conferência de Encerramento: Racismo e luta do povo negro no Brasil

Conferencista: Professor Dr. José Jorge de Carvalho – INCTI/UnB

Debatedora: Professora Dra. Cibele Barbosa da Silva Andrade - FUNDAJ

Coordenador da Mesa: Alexandre L'Omi L'Odò - QCM e Coordenador geral do Seminário.

16:50 – Debate

17h – Encerramento – Celebração Fumaçada dos Senhores Mestres

Instituições de apoio: Terreiro de Jurema Casa das Matas do Reis Malunguinho e Ilé Iyemojá Ògúnté.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomildoo@gmail.com 
Coordenação Geral

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Índios e Caboclos na Jurema Sagrada - Não em nome do “nosso Senhor Jesus Cristo”!

Primeira Missa no Brasil - Pintura de Victor Meirelles (1861). Fonte: Internet.

Índios e Caboclos na Jurema Sagrada 
Não em nome do “nosso Senhor Jesus Cristo”!

Hoje acordei com um pensamento que há alguns anos vêm me perturbando... Decidi problematizar um aspecto religioso interno da Jurema Sagrada que muito me incomoda e faz refletir. Irei tratar aqui exclusivamente da realidade da Jurema por conceber não ser pertinente a mim falar de umbanda e demais religiões de terreiro neste momento. Contudo, é constatável que em outras práticas como no Nagô, no Jeje, no Ketu etc. ainda as questões aqui discutidas, estão fortemente presentes e vigentes.

O aspecto ao qual me refiro é um dos mais comuns da nossa prática religiosa. É o da “chegada” dos índios(as) e caboclos(as) nas reuniões de mesa ou em festas de salão, cujo ao qual falam antes de qualquer ato: “salve nosso Senhor Jesus Cristo” e todos presentes respondem: “para SEMPRE seja louvado”. Não só os índios e caboclos se expressam dessa forma, também os mestres e mestras e outras entidades e divindades... Mas foco aqui neste texto as entidades e divindades indígenas, porque eles e elas foram os primeiros a sofrerem o massacre do catequismo cristão, que resultou nesta permanência e louvor aos valores do opressor em nossa fé religiosa.

Não só as entidades e divindades repetem estes predicados cristãos. Os juremeiros e juremeiras também repetem, fazem o sinal da cruz, rezam o Pai Nosso e reproduzem outros elementos simbólicos dos colonizadores. Muitos, mesmo tendo acesso há um pouco mais de informação, se mantém fechados a repensar estas questões teológicas nossas...

Este não é um texto que tem como missão determinar nada para ninguém. Não é um texto que se encerra em si, e muito menos que quer violentar e desrespeitar ou expor ninguém. Sou um sacerdote que respeita todas as fés e todas as formas de interpretar o sagrado e divino, porém, isso não me impede de refletir criticamente sobre os diversos elementos que envolvem questões culturais, sociais e teológicas nossas.

Altar dos índios e caboclos na Jurema. Foto de Marcelo Curia. MDS - UNESCO. Mapeamento dos Terreiros 2010 - Recife/PE.

Os índios foram catequizados. Sabe o que significa isso? Significa que tiveram sua cosmovisão de mundo delida por outra de valores completamente diferentes e violentos... Tiveram suas famílias violentadas, estupradas, corrompidas, suas crenças destruídas, suas línguas desaparecidas, sua cultura morta e sua fé e práticas litúrgicas próprias para sempre apagadas. Tantas cosias que jamais saberemos que existiram um dia, pois não houve tempo sequer de haver um registro escrito sobre divindades e entidades que povoavam estes povos indígenas em séculos passados... Isso tudo é profundamente terrível e infelizmente faz parte de nossa história. O holocausto indígena, financiado e proporcionado pela Igreja Católica e outros parceiros políticos, deixaram marcas, feridas históricas e sociais que jamais poderão ser esquecidas ou relevadas por todos nós. Não podemos ser cúmplices, omitindo os fatos.

Isso tudo é muito doloroso. E mais doloroso ainda é ver o quanto o massacre dos povos indígenas foi cruel e mesmo assim a passividade que foi introduzida na alma dos ancestrais, fazendo-os repetir os símbolos cristãos por medo e risco de morte, se mantiveram e até hoje são repetidas com apego profundo por todos nós. Por isso, creio que este é um ponto que devemos rever, mesmo que doa e fira àquilo que toda vida aprendemos de nossos padrinhos e madrinhas mais antigos na religião.

Vamos compreender mais: Mantemos vivos cotidianamente os valores do opressor. O colonizador que nos violentou, usou das mais diversas metodologias para nos convencer de que somos todos submissos a eles, e isso é muito sério e verdadeiro. Tão sério que nem percebemos o quanto somos manipulados cotidianamente por este plano de dominação que deu parcialmente certo em co-parceria com todos nós. Também somos culpados de nossa submissão! Somos tão culpados que insistimos em manter “valores alienígenas” em nossas práticas religiosas.

Não é de purismo religioso ou tradicional/cultural que falo. Afinal, não existe religião pura, ou cultura pura. Todos nós bebemos das fontes de diversas fontes que a trajetória histórica do homem/mulher deixou para a posteridade. Falo aqui que devemos enxergar que determinados elementos devem ser mudados, ou melhor, entendidos. Que devemos buscar os elementos mais próximos de nossas raízes ancestrais e tentar reconstruir (se possível ainda) uma identidade da Jurema mais ligada a valores de sua história indígena (mesmo grande parte dos terreiros hoje serem e estarem no mundo urbano).

Catolicismo popular, fés imbricadas, re-elaborações ritualísticas, sincretismos, hibridismo etc. tudo isso é pouco para acharmos que é assim mesmo que se devem manter as coisas como estão. Nada disso explica, justifica ou dá conta de nossa demanda histórica de resgate do que foi perdido. Nenhum desses argumentos científicos citados servem de fato para esta discussão, mesmo estes elementos sendo considerados como parâmetros que devemos também considerar. Por outro lado, o que foi perdido talvez não possa ser mais recuperado... Mas o que der pra recuperar, podemos fazer um esforço redobrado para resgatar, ou mesmo re-interpretar. E ainda repito, o que proponho aqui não é que todos nós saiamos agora de nossas casas e partamos em busca desesperada de valores indígenas originais etc. Ou que abandonemos nossas práticas tradicionais... Tudo que neste breve artigo escrevo é focado na proposta de uma provocação que espero que sirva para refletirmos amplamente e sem preconceito sobre este tema.

Quando vejo em uma mesa de Jurema um índio(a) ou caboclo(a) “baixar” e repetir o tradicional “salve nosso senhor Jesus Cristo”, inevitavelmente em meu coração se dissemina uma tristeza profunda. Também inevitavelmente meu tino racional me coloca a pensar no nosso passado e ver que é triste ainda hoje entidades tão sábias e antigas manterem traços da repressão violenta católica jesuíta. Sei que este “dizer” é muito pequeno perante a força das espiritualidades ali presentes. E que esta minha crítica pode não fazer sentido nenhum para as entidades tão antigas e juremeiros e juremeiras velhos de idade e de Jurema... Mas vejo que temos amor, e valorizamos os símbolos que nos violentaram e mataram (creio que ainda continuam matando e violentando simbolicamente e socialmente). E isso me revolta. Me dá uma inquietação profunda... E ao mesmo tempo me acalmo quando vejo que para além dos planos de dominação da Igreja, tudo que ela quis fazer não conseguiu por completo, pois se ainda existimos como juremeiros, é porque não venceram completamente e nem concluíram seu pano de dominação/colonização de almas e território geográfico. 

Na visão geral interna da Jurema, um índio ou caboclo quando “baixa” e repete o “salve nosso Senhor Jesus Cristo”, significa que ele foi doutrinado. Pois, nos processos de “evolução” dentro das mesas brancas de jurema (e lembro que esta palavra branca tem vários significados onde um deles é embranquecer as práticas ancestrais indígenas e africanas), os índios que “chegam” falando Tupi, ou outras línguas indígenas, devem saudar o “Senhor Jesus Cristo”, pra mostrar que ele é bom e está regenerado de sua condição selvagem. Portanto, as mesas de evolução ou desenvolvimento, como são chamadas, também são uma reprodução do catequismo católico jesuíta. Por vezes as mesas de desenvolvimento, mais parecem mesas de catecismo, do que, de Jurema. Daí percebemos mais uma vez que nossas práticas ainda reproduzem e perpetuam os valores do opressor colonizador cristão... Isso considero uma violência simbólica muito estruturante dentro de nossas liturgias. Por tanto, pergunto, será que “evolução” só pode ser considerada como algo dentro dos padrões cristãos? Pra mim evolução (não gosto desta palavra, pois pra mim não existe evolução) é o índio ou o caboclo “baixar” falando Tupi ou qualquer outra língua indígena existente nas Américas, livre dos signos ocidentais que os violentaram e mataram. Seria uma retomada do território simbólico/linguístico que perdemos em séculos passados.

Altar de Jurema demonstrando a presença do catolicismo popular convivendo com a tradição indígena. Foto de Marcelo Curia. MDS - UNESCO. Mapeamento dos Terreiros 2010. Recife/PE.

Por mais que a saudação seja re-significada, ou que seja apenas uma frase repetida sem muito aprofundamento teológico por parte dos juremeiros (aparentemente), ou que seja algo mecânico e sem uma reflexão profunda do que se fala, contudo, mesmo assim ainda compreendo que não devemos repetir inconscientemente estes elementos. Temos Tupã, Mãe Tamain, e tantos outros deuses e deusas da tradição indígena que podemos conhecer, por que nos mantermos louvando para SEMPRE Jesus Cristo, perpetuando a memória da fé cristã?

Será mesmo que estamos agindo de forma benéfica para com nossa memória ancestral? Será que nos mantermos passivos e conformados a este processo de (ao meu ver) de vilipêndio é algo saudável para nosso futuro religioso? Penso que devemos reagir. Sei que a prática do desapego é algo muito difícil. E sei que romper com valores historicamente estabelecidos é mais difícil ainda. Mas temos o tempo a nosso favor... Ele pode dar conta de nos ajudar a perceber e resolver nossas questões mal discutidas internamente. Temos um futuro, e este, deve ser muito melhor do que é hoje para nossos ascendentes, com mais liberdade humana e crítica com acesso a história.

Toda reza é bem vinda. Toda fé merece ser respeitada. A força da Jurema “também” está nas rezas cristãs, nos santos católicos, na hóstia etc. Mas o “TAMBÉM” aqui exposto nos dá a possibilidade de entender que isso é apenas uma parte do todo, e que o todo em seu pilar fundamental tem outros elementos mais fortes do imaginário indígena. Estes elementos nos ajudam a perceber o conflito por espaço de ambos os cosmos dentro da Jurema, portanto, é bom TAMBÉM enxergarmos de fora um pouco para percebermos o quanto ainda lutam por espaço os elementos simbólicos religiosos de ambas as tradições. Este conflito por espaço é importante, pois revela a ininterrupta transformação dos símbolos e sincretismos. “As religiões e as tradições não são estáticas”.

Gostaria muito de ver um dia em uma mesa de jurema “baixar” caboclos e caboclas, índios e índias, pajés, caciques, caboclinhos e outros encantos de luz falando em língua original e saudando seus deuses próprios, seria revolucionário... Também aprenderíamos muito mais com isso. Pois, estaríamos forçados a re-aprender a falar estas línguas para nos comunicarmos melhor com os ancestrais.

Só penso na filosofia Adinkra, cujo o símbolo Sankofa serve para interpretar ou dar caminho a este dilema. Sankofa é aprender com o passado para construir o futuro, em uma tradução livre minha. E acredito nisso profundamente.

Que estas provocações sejam entendidas pela comunidade do Povo da Jurema. E que possamos construir novos horizontes de discussão, com respeito e sabedoria. Ainda digo que este é um tema que pode dar margem a uma pesquisa de mestrado ou doutorado no campo das ciências da religião, antropologia, história ou sociologia. Busquem pesquisar mais sobre nossa religião, precisamos olhar pra nós mesmos!

Talvez eu fale todas estas coisas por ser um jovem juremeiro (em meu tempo e em meu lugar) e ter tido acesso, e ter buscado outras informações que me deram condições de refletir desta forma sobre nossas questões internas. E que a frieza racional que algumas vezes sobressai em minha escrita seja fruto de um processo de “academificação” que eu mesmo decidi aderir... Mas falo aqui como religioso, como sacerdote que deseja que sua comunidade se fortaleça e estabeleça uma prática permanente crítica sobre todas as cosias. Sei que tradição é tradição, e que conceitos não se mudam facilmente. Respeito tudo isso. E gostaria que este texto fosse lido por todos os juremeiros, para que as demais críticas ao mesmo e ao tema fossem registradas para completar a missão deste escrito.

Lembro que este “artiguete” provocativo não diz respeito a nenhuma outra religião e que deve interessar diretamente aos juremeiros. Isso aqui é uma discussão teológica interna, que publico na internet por este ser o único veículo de comunicação hoje capaz de fazer estas linhas chegarem a uma parte dos sacerdotes e adeptos que usam redes sociais e outros meios on line.

Salve a fumaça!!!
Sobô Nirê!

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 9 de maio de 2015

A ciência dos Encantados - Documentário 22'min



A Ciência dos Encantados

Uma viagem ao universo encantado da Jurema Sagrada. A árvore, o culto, as cidades, a bebida, os caboclos. Uma tradição religiosa que teve início com os índios que habitavam a região do Nordeste brasileiro e recebeu influência dos cultos afro-brasileiros e do cristianismo europeu. Quem bebe a Jurema, vê o mundo inteiro. É o encanto dos vivos e a ciência dos encantados. 

Ficha técnica:

Documentário Etnográfico TCC curso de Jornalismos da Universidade Católica de Pernambuco - 2007.

Direção/Produção/Roteiro: Joanna Mendonça, Roberta Pena, Talita Corrêa.

Imagem: Nildo Ferreira
Edição: Leo Alfinete.
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Este lindo documentário foi muito elogiado pela bancada examinadora da universidade Católica de Pernambuco e teve ampla divulgação por parte do QCM - Quilombo Cultural Malunguinho, através de um de seus coordenadores, o Alexandre L'Omi L'Odò. Como entrevistado, o pesquisador contribuiu para a formação do contexto de roteiro deste trabalho, pontuando nas suas falas elementos que possibilitaram um melhor aproveitamento e entendimento do tema, que em 2007 era muito pouco discutido e conhecido. Este documentário é revolucionário por trazer parte fundamental da teologia da Jurema, mostrando inclusive sacerdotisas deste culto com mais de 100 anos de idade, como é o caso da saudosa Mãe Biliu, juremeira falecida aos 107 anos de idade.

Após mais de 7 anos guardado no acervo do QCM, decidi publicar para contribuir na formação intelectual e teológica do Povo da Jurema. Que precisa a cada dia mais de trabalhos que ajudem a termos auto-estima com esta religião tão discriminada historicamente.

Salve a Jurema Sagrada e Salve Malunguinho. Este trabalho é motivo de orgulho para todos nós.

Divulguem!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

IX Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá - Nós somos o Povo da Jurema e Merecemos Respeito!


IX Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá
Nós somos o Povo da Jurema e Merecemos Respeito!

10 anos do Quilombo Cultural Malunguinho

INFORMAçÕES GERAIS DO IX KIPUPA MALUNGUINHO

Mais um ano vamos celebrar juntos a força da memória do Reis Malunguinho na Jurema Sagrada. O Nosso herói negro/índio pernambucano tem nos abençoado muito com tantas lutas vencidas a nosso favor, afinal a luta em prol do Povo da Jurema é nossa e precisamos somar e agregar mais e mais. Nosso nono ano de atividade coletiva é motivo de orgulho para as comunidades tradicionais de terreiro, pois com muita luta, estamos conseguindo (mesmo que com todas as dificuldades óbvias) desmarginalizar a Jurema de seu processo histórico de exclusão no campo da pesquisa acadêmica e por conseqüência no campo da mentalidade das demais religiões, pessoas etc. Tudo isso com a ciência sagrada da Jurema, que nos dá forças para prosseguirmos nesta estrada de muita luta e alegrias, de trabalho e empoderamento de nosso povo.

Este ano o Kipupa homenageia Mãe Biu do Portão do Gelo (Severina Paraíso da Silva) pelo seu centenário. Somar com o Povo Xambá nos orgulha, pois a figura da liderança feminina de Mãe Biu nos representa a todas e todos na luta por nossa religião. Sua história e resistência são exemplos de perseverança e orgulho religioso. Ela merece todas as homenagens, foi uma grande e importante iyalorixá que com sua fé ajudou sua comunidade a resistir de forma plena e fortemente preservada dentro dos fundamentos de sua nação.

Atrações artísticas:

Lançamento do CD – Sobô Nirê – “Meu Labor da Mata” com toadas de Malunguinho cantadas por diversos artistas:

Shows:
Bojo da Macaíba
Grupo Bongar
Karynna Spinnely
Chinelo de Iaiá
Lucas dos Prazeres
Coco dos Pretos
Grupo Raízes do Xambá

As homenagens do Prêmio “Mourão Que Não Bambeia” pelos seus grandes feitos pela Jurema Sagrada vão para:

Mãe Biu do Xambá – Comemorando seu centenário
Mãe Eugênia Chang
Mãe Beatriz de Malunguinho
Mestra Mãe Biu de Alhandra
Professor Dr. Sandro Guimarães de Salles
Mãe Rosita de Tupinanji
Mãe Leonildes de Sibamba

Contamos com a participação de todas e todos para juntos fazermos o maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil, nas matas sagradas do antigo quilombo do Catucá.

Para entender tudo sobre o Kipupa, leiam o texto do pesquisador Alexandre L’Omi L’Odò em seu blog: 


Informações sobre o evento (leiam tudo para não terem dúvidas):

R$: 25 reais o valor para comprar os bilhetes dos ônibus + DVD do Filme Malunguinho – Comprar no Mercado de São José, Box de Eliane. Ou, comprar nas mãos dos coordenadores.
Ou, R$: 15 reais apenas a passagem no transporte, sem o DVD do filme.

Cada terreiro pode organizar seus próprios ônibus individualmente. Façam isso, pois não pretendemos organizar todos os ônibus mais.

Quem vai de CARRO, KOMBI, VAN, ETC. terá que se encontroar com todos às 8h da manhã em frente à Prefeitura de Abreu e Lima para juntos entrarem na mata. Não entrem sós, pois podem se perder, o caminho é longo e confuso. Haverá sinalização no caminho da mata, mas mesmo assim, não arrisquem!

 Também, mesmo quem vai de carro ou de transporte individual pode contribuir com os R$: 15 reais, ou mais, já que o evento é feito com a contribuição de todas e todos.

O local principal de saída dos ônibus é no Memorial Zumbí dos Palmares, Pátio do Carmo no Recife às 7h da manhã. Sem atrasos. O retorno é às 18h.

Alguns terreiros estão se organizando para saírem ônibus de suas casas, quem quiser se agregar em alguns destes terreiros, se articulem individualmente e falem com os juremeiros e juremeiras responsáveis. Neste caso não precisam falar conosco.

Os juremeiros e juremeiras devem ir com roupa tradicional da Jurema, homens de calça, camisa e chapéu. As mulheres de saias coloridas, torso ou chapéu. Levem seus cachimbos, maracás, ilús, pandeiros e todos os objetos que acharem necessário. Vamos fazer uma festa bonita com o colorido tradicional da Jurema. Vamos manter vivas nossa raízes, a começar pelas roupas que são nossa identidade.

Quem desejar levar oferendas para Malunguinho fiquem a vontade, desde que sejam oferendas perecíveis, pois cuidamos muito da Mata Sagrada e não admitimos poluição no local. Portanto, confeitos, balas e doces: tirar das embalagens de plástico. Bebidas só o líquido é permitido oferecer (as garrafas recolher), Alguidares serão recolhidos após os atos de oferenda, Cigarro, é proibido deixar as piolas no chão. Animais não serão imolados no local. Favor respeitar todas estas normas.

É PROIBIDO ACENDER VELAS DENTRO DA MATA. No altar de Malunguinho haverá local para firmarem seus pontos de luz.

O Kipupa é um evento cultural e religioso, e por estes motivos, quem não for da religião, favor não tirar camisa no local, não usar drogas, não entrar na mata para outros fins que não sejam louvar Malunguinho e a Jurema Sagrada. Estaremos atentos com vigilantes no local para manter o respeito à tradição da Jurema.

O Kipupa não é um “piquenique na mata”, portanto, não fiquem bêbados e não vão na intenção de arrumar qualquer tipo de problema, briga etc. Malunguinho estará recebendo suas oferendas juntos com as demais entidades e divindades. Cuidado...

Os fotógrafos profissionais que forem ao evento, assim como os que irão filmar, avisamos que todo material feito/captado no local deve ser repassado posteriormente (semana seguinte) em alta qualidade ao Quilombo Cultural Malunguinho, nas mãos de seus coordenadores. Não permitiremos fotografar sem esta condição.

No local haverá comida e bebida a vontade para vender. A comunidade da Mata do Engenho Pitanga II é nossa parceira e colocam bastante comida variada à venda. Portanto, não se preocupar com comida. Quem quiser levar sua comida fique a vontade.

Não será permitido adentrar o rio dentro da mata, pois o local é de difícil acesso e não garantiremos socorro lá.

HAVERÁ AMBULÂNCIA (UTI MÓVEL) NO LOCAL E SEGURANçA.

HAVERÃO BANHEIROS QUÍMICOS PARA TODOS E TODAS

As pessoas podem levar suas faixas e homenagens à Jurema e ao encontro sem nenhuma restrição.

O local do Som será aberto para intervenções de terreiros, portanto fiquem a vontade para se expressarem.

É PROIBIDO USAR DROGAS NO EVENTO COMO UM TODO!

Vamos fazer uma linda festa como todo ano tem sido. Com paz, harmonia, fá e amor. Malunguinho tem dado muitas graças para os que o procuram. Portanto, vamos de coração aberto para celebrar a vida e nossos ancestrais negros e indígenas com a força da união da Jurema Sagrada. Todo este ato é uma luta contra o racismo!

O Kipupa é um ato para unir e organizar o Povo da Jurema, portanto, não vamos ter nenhuma vergonha de “baixar” nossos caboclos e caboclas, mestres e mestras, trunqueiros etc. este é um dia de liberdade religiosa para a Jurema, vamos colocar toda nossa ciência pra fora, vamos fumaçar e celebrar juntos!

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho!!
Trunfa Riá!!!

Contatos:

81. 8887-1496 / 9525-7119 / 9428-7898 / 9955-9951

Produção e Coordenação

Alexandre L’Omi L’Odò – alexandrelomilodo@gmail.com
Ricardo Nunes -
João Monteiro – dundunmonteiro@yahoo.com.br


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!