sexta-feira, 7 de junho de 2019

Acorda Povo de Olinda alegra Sítio Histórico com centenária procissão dedicada à São João e Xangô


Acorda Povo de Olinda alegra Sítio Histórico com centenária procissão dedicada à São João e Xangô

A Casa das Matas do Reis Malunguinho, tem a honra de dar continuidade ao centenário Acorda Povo preservado com muito zelo pela Mestra Ana Lucia do Coco.

No dia 23 de Junho de 2019 (domingo), a partir das 19h, haverá coco, forró pé de serra e Bacamarteiros Mandacaru em Frente à Casa das Matas, esquentando e preparando a procissão da Bandeira de São João/Xangô, que sairá às 00h em direção à casa do querido Barão das Olindas na Rua da Boa Hora, nas ladeiras da Cidade Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.

Consideramos uma missão da qual jamais abriremos mão, a preservação e continuidade de nossas tradições de fé deixadas pelos nossos antepassados negros e indígenas! A Mestra Ana Lucia do Coco, com honradez e sabedoria, segura com mão de ouro os saberes desse brinquedo tradicional. Ela, que merece ganhar o Prêmio do Patrimônio Vivo de Pernambuco, é a fonte viva desta cultura herdada de seus pais e avós.

Todas e todos podem participar e estão convidadxs. Ao final da procissão, haverá muito Coco com mestres e mestras da cultura popular. Vem sambar o Coco com a gente!!! Vai ser de axé!!

SERVIÇO:

Preparação para saída da Bandeira com apresentação de coco e forró pé de serra: dia 23 de Junho 2019 (domingo) das 19 às 00h na Casa das Matas do Reis Malunguinho – Rua de São João, nº 340, Olinda/PE.

Chegada da Procissão - 00h40min na Casa de Barão das Olindas – Rua da Boa Hora. Lá haverá coco e comidas típicas para os brincantes.

Informações e organização: 81 995257119 (WhatsApp) - Alexandre L'Omi L'Odò.

COMPARTILHEM!!

Se quiser saber mais sobre essa tradição, assista o documentário do Acorda Povo de Olinda 2018 e visite os links abaixo e leia preciosas informações:



1 - http://alexandrelomilodo.blogspot.com/…/acorda-povo-uma-tra…

2 - http://alexandrelomilodo.blogspot.com/…/acorada-povo-de-mae…


Alexandre L’Omi L’Odò
Casa das Matas do Reis Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 29 de maio de 2019

1º Procissão dos Pretos e Pretas Velhas de Olinda foi registrada pela TV Globo Nordeste



1º Procissão dos Pretos e Pretas Velhas de Olinda foi registrada pela TV Globo Nordeste

A Casa das Matas do Reis Malunguinho, terreiro de Jurema Sagrada liderado pelo sacerdote Alexandre L’Omi L’Odò, teve a honra de realizar no dia 12 de Maio, das 17 às 21h, seu ato coletivo de reflexão sobre a incompleta abolição da escravatura e a luta contra o racismo em nossa sociedade.

Escolhemos o momento da festa dos Pretos e Pretas Velhas, para juntxs, celebrarmos a memória heroica desses e dessas que morreram lutando por liberdade, e que devido a elxs, hoje podemos ter nosso culto “livre”, para realizarmos essa gira de Jurema, dedicada à toda espiritualidade negra, que até os dias atuais, vêm nos ajudar, curar todos os males da vida e nos consolar nessa difícil caminhada contra as mazelas sociais deixadas pelo processo da escravidão no Brasil.

Dentre as atividades, foi realizada uma celebração da palavra, em memória à ancestralidade negra, que foi violentamente torturada no período da escravidão. Houveram cânticos específicos de luta contra o racismo e em louvor à ancestralidade afro indígena. Realizaremos a 1ª Procissão dos Pretos e Pretas Velhas de Olinda, que saiu de frente da Igreja do Rosário, em direção ao terreiro de Jurema Casa das Matas do Reis Malunguinho, levando para as ruas do sítio histórico de Olinda, cânticos e toques aos pretos e pretas velhas. A atividade, encerrou-se com a ceia da senzala (canjerê) e a gira de jurema, onde já dentro do terreiro, cantamos, dançamos e louvamos à todos pais e mães pretas, que espiritualmente vieram a terra para nos trazer paz, proteção e bons caminhos na vida.

A matéria da Globo encontra-se no link: https://globoplay.globo.com/v/7610123/

e na página de youtube de L'Omi: https://www.youtube.com/watch?v=k9AL0yZrojU 

A atividade foi realizada no terreiro de Jurema Casa das Matas do Reis Malunguinho na Rua de São João, nº 340, Guadalupe, Olinda/PE.

Para saber mais, seguem os contatos de nosso terreiro:

81 99525-7119

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Visite e siga nosso Instagram: https://www.instagram.com/cmdoreismalunguinho

#CasadasMatasdoReisMalunguinho #FestadosPretosePretasVelhas #Canjerê #JuremaSagrada #Catimbó #13deMaioNãoéDiadeNegro #LutaContraoRacismo #Olinda #AlexandreLOmi2020 #QuilomboCulturalMalunguinho #IgrejadoRosáriodosHomensPretosdeOlinda #SantosNegros #AboliçãodaEscravatura #Racismo

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 5 de maio de 2019

Casa das Matas do Reis Malunguinho realiza 1ª Procissão dos Pretos e Pretas Velhas de Olinda


Convite
Festa dos Pretos e Pretas Velhas
Celebração à ancestralidade negra

A Casa das Matas do Reis Malunguinho, terreiro de Jurema Sagrada liderado pelo sacerdote Alexandre L’Omi L’Odò, tem a honra de convidar todas e todos para, no dia 12 de Maio, das 17 às 21h, participar de um ato coletivo de reflexão sobre a incompleta abolição da escravatura e a luta contra o racismo em nossa sociedade.

Escolhemos o momento da festa dos Pretos e Pretas Velhas, para juntxs, celebrarmos a memória heroica desses e dessas que morreram lutando por liberdade, e que devido a elxs, hoje podemos ter nosso culto “livre”, para realizarmos essa gira de Jurema, dedicada à toda espiritualidade negra, que até os dias atuais, vêm nos ajudar, curar todos os males da vida e nos consolar nessa difícil caminhada contra as mazelas sociais deixadas pelo processo da escravidão no Brasil.

Dentre as atividades, será realizada uma missa, em celebração à ancestralidade negra, que foi violentamente torturada no período da escravidão. Haverão cânticos específicos de luta contra o racismo e em louvor â ancestralidade afro indígena. Realizaremos a 1ª Procissão dos Pretos e Pretas Velhas de Olinda, que sairá de frente da Igreja do Rosário, em direção ao terreiro de Jurema Casa das Matas do Reis Malunguinho, levando para as ruas do sítio histórico de Olinda, cânticos e toques aos pretos e pretas velhas. A atividade, se encerrará com a ceia da senzala (canjerê) e a gira de jurema, onde já dentro do terreiro, cantaremos, dançaremos e louvaremos à todos pais e mães pretas, que espiritualmente vêm a terra para nos trazer paz, proteção e bons caminhos na vida.

Para participação neste ato, indicamos usar roupas completamente brancas. Salve os Pretos e Pretas velhas, símbolos de resiliência e compaixão antirracista.

Roteiro:

17h - Missa em celebração à ancestralidade negra
Local: Igreja do Rosário dos Homens Pretos de Olinda
Rua Alto do Rosário, Monte, Olinda/PE

18h – 1ª Procissão dos Pretos e Pretas Velhas de Olinda
Saída de Frente à Igreja do Rosário dos Homens Pretos de Olinda em sentido à Casa das Matas do Reis Malunguinho

19h – Festa dos Pretos e Pretas Velhas – Gira de Jurema em celebração à ancestralidade negra
Local: Casa das Matas do Reis Malunguinho
Rua de São João, nº 340, Guadalupe, Olinda/PE.

Informações:

81 99525-7119

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#CasadasMatasdoReisMalunguinho #FestadosPretosePretasVelhas #Canjerê #JuremaSagrada #Catimbó #13deMaioNãoéDiadeNegro #LutaContraoRacismo #Olinda #AlexandreLOmi2020 #QuilomboCulturalMalunguinho #IgrejadoRosáriodosHomensPretosdeOlinda #SantosNegros #AboliçãodaEscravatura #Racismo

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 28 de abril de 2019

Bloco dos Catimbozeiros - Ano I



Bloco dos Catimbozeiros - Ano I

Registro audiovisual do primeiro desfile oficial nas ladeiras de Olinda do Bloco dos Catimbozeiros. Arrastamos inúmeras pessoas de terreiro, que unidxs, levantamos juntos a bandeira da paz, da luta contra o racismo e a intolerância religiosa. Foi um feito inédito e histórico no carnaval, afinal, esse é o primeiro bloco dedicado exclusivamente ao Povo de Terreiro de Pernambuco. Malunguinho triunfou com seu Calunga Gigante e o Maracatu Nação do Reis Malunguinho, levou seu baque forte para animar nosso cortejo. Este pequeno registro, mostra parte do nosso desfile. Curta e compartilhe coisas boas sobre nossa religião.

Ano que vem tem mais. Vamos fazer um grande desfile e festa em 2020. Sustenta o tombo!

Informações sobre gerais:

Bloco fundado por Alexandre L’Omi L’Odò, sacerdote juremeiro da Casa das Matas do Reis Malunguinho em 2019. Esse bloco tem a pretensão de ser uma das vozes do povo de terreiro no Carnaval de Pernambuco. A tradição da Jurema e do candomblé tem como uma de suas importantes práticas os rituais preparatórios para o carnaval, sendo assim, todas as manifestações de cultura popular que estejam ligadas ao sagrado afroindígena, cumprem um severo ritual comprometido com as entidades e divindades dos panteões religiosos dessas duas tradições. Esses ritos pedem proteção, paz, segurança, livramento de tudo que é de ruim nos dias de Momo. Então, temos nas ruas, abertamente, contatos com símbolos e objetos sagrados, preparados para cumprir a missão de defesa e prosperidade para os blocos, agremiações, maracatus, afoxés, bois, la ursas, etc.

O catimbó, em termos gerais, é a mesma coisa que a Jurema Sagrada, uma religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil, que está presente em todo estado de Pernambuco, sendo em Recife e Região Metropolitana, a religião mais presente nos terreiros, sendo mais de 70% das casas, como aponta o senso realizado em 2010 pelo MDS e UNESCO. Esse termo, é profundamente estigmatizado na nossa sociedade, sempre ligado à coisas ruins, ao mal e à bruxaria. Não há consenso teórico que determine o significado desse termo indígena, contudo, o povo de terreiro sabe que catimbó é o ato de fumar cachimbo, ou o próprio cachimbo, elemento fundamental no culto da Jurema.

Para mudar a lógica de que nós somos o mal e educar nossa sociedade racista, o Bloco dos Catimbozeiros vai às ruas para levar alegria, fumaça, fé e proteção para o carnaval. Com muito catimbó, coco, maracatu e a presença ilustre do Calunga Gigante do Reis Malunguinho, as ladeiras de Olinda vão ser sacralizadas com todo axé e ciência do povo de terreiro, que tem em sua tradição, praticar o bem coletivo e curar os males de quem precisar.

A ideia é simples. Nos reunirmos em frente a Casa das Matas do Reis Malunguinho, todas e todos que são de terreiro, levando algum elemento religioso ligado à Jurema, como cachimbos, maracás, etc. Usar as roupas tradicionais e sair às ruas levando a bandeira da paz e da luta contra toda forma de racismo religioso. No meio deste contexto, depois de cumprimos nossas obrigações nas ladeiras de Olinda, claro que celebraremos sambando muito coco de roda, maracatu, mazurca e tudo mais que faz parte da tradição de terreiro, em frente à Casa das Matas do Reis Malunguinho.

Informações sobre a saída do bloco em 2019:

Saída dia 4 de Março ao meio dia em ponto. O bloco será acompanhado pelo Maracatu Nação do Reis Malunguinho e o Calunga Gigante do Reis Malunguinho, ambos estreando nas ladeiras de Olinda.

Local: Casa das Matas do Reis Malunguinho - Rua de São João, n° 340, Largo do Amparo, Guadalupe/Olinda.

Ao final, será servido o tradicional mungunzá e sambado o coco de roda com mestres e mestras da cultura popular em frente ao terreiro.

Contatos: 81 99525-7119 (Tim e Sapp) – Alexandre L’Omi L’Odò, sacerdote responsável.

Alexandre L’Omi L’Odò
Sacerdote da Casa das Matas do Reis Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Juremologia é libertação e fortalecimento do Povo da Jurema!

Juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò ao lado do importante texto sobre a Jurema. Pesquisa e excelência na prática da Juremologia.

Juremologia é libertação e fortalecimento do Povo da Jurema!

1782... A Jurema Sagrada sempre retratada na documentação histórica como algo criminoso, de pessoas loucas e que deveria ser combatida pela coroa portuguesa, a todo custo. Esse é um dos textos que trabalhei na minha dissertação de mestrado JUREMOLOGIA. Se quiser aprender mais sobre a história de nossa religião, participe de nosso ciclo de debates na Casa das Matas do Reis Malunguinho.

O projeto Giras Decoloniais, é parte desse sonho coletivo do movimento do povo de terreiro, em formar pessoas fortalecidas nos contextos anti-racistas e intelectuais. "Quem não sabe de sua história, é facilmente dominado". 

O citado texto, foi trazido à luz da historiografia pelo importante pesquisador Leonardo Dantas. Essa pesquisa é fundamental para entendermos um pouco mais da Jurema, pode ser encontrado no Paço do Frevo, no livro que retrata a linha do tempo do carnaval. Veja bibliografia abaixo: 

SILVA, Leonardo Dantas. Carnaval do Recife. Recife: Prefeitura da Cidade do Recife, Fundação de Cultura da Cidade do Recife, 2000.

#Juremologia #Yorùbá #JuremaSagrada #GirasDecoloniais #Catimbó #Cura #AlexandreLomi2020 #CasadasMatasdoReisMalunguinho #Catucá #QuilomboCulturaMalunguinho 

 Alexandre L’Omi L’Odò 
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 16 de abril de 2019

Alexandre L'Omi L'Odò oferece importantes reflexões para o povo de terreiro no TVPEnoAR.



Alexandre L'Omi L'Odò oferece importantes reflexões para o povo de terreiro no TVPEnoAR.

L'Omi, historiador, cientista das religiões e sacerdote juremeiro, desenvolve um trabalho fundamental na luta contra o racismo e a intolerância religiosa em Pernambuco. Nessa entrevista, o abalizado professor, diz: "Tem uma lacuna interna profunda da nossa própria identidade indígena e negra". Sendo assim, essa entrevista realizada por Guitinho do Xambá, serve como conteúdo de reflexão para toda sociedade, repassando importantes dados a serem conhecidos e provocando-nos à criticidade.

Vale a pena ver a entrevista completa compartilhar.

Compartilhe coisas boas da nossa religião. Vamos ocupar a internet com informação de qualidade. Axé e salve a Jurema!

#AlexandreLomiLodò #QuilomboCulturalMalunguinho #TVPEnoAr #JuremaSagrada #PovodeTerreiro #IntolerânciaReligiosa #Xangô #Catimbó #LutaPolítica  #AlexandreLomi2020

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 21 de março de 2019

Malunguinho agora é Lei em Recife!


Malunguinho agora é Lei em Recife!!

Que felicidade saber que Malunguinho está oficialmente homenageado em uma lei municipal no Recife - a Lei Municipal da Vivência e Prática da Cultura Afro-indígena.

Obrigado ao vereador do Psol Ivan Moraes Filho e toda sua equipe, por ter proposto essa lei que foi fruto de largo processo de luta do Quilombo Cultural Malunguinho em anos passados, na perspectiva de aprová-la na ALEPE. Orgulho em ter podido ir algumas vezes em seu gabinete debater e falar como pensava essa lei reelaborada, a partir da 13.298/07. Axé e Sobô Nirê Mafá!! Trunfa Riá!!

Agora podemos desfrutar no Recife, da possibilidade real de realizarmos ações anti-racistas e em prol do respeito e valorização das culturais afro indígenas na capital de Pernambuco. As matas se abrem e os ancestrais celebram essa vitória nossa!

quinta-feira, 14 de março de 2019

Defesa de mestrado sobre o terreiro de Jurema Casa das Matas do Reis Malunguinho


Defesa de dissertação de mestrado sobre o terreiro de Jurema Casa das Matas do Reis Malunguinho 

Território Encantado: o devir quilombola e a cosmopolítica afro-indígena brasileira.

Com muito orgulho e honra, a nossa Casa das Matas do Reis Malunguinho foi pela primeira vez, registrada em uma pesquisa acadêmica de mestrado, cujo defesa será dia 20/03, em Porto Alegre/RS. Esse axé, essa força que vem das Matas sagradas é enorme, e, nos enche de alegria ao podermos compartilhar um pouco de nossa luta com este universo tão excludente. Nossa casa é "nova", mas nossa luta vem de longe... somos a continuidade do Catucá.

Quem defenderá esse trabalho epistemologicamente decolonial, será um querido guerreiro negro, Cledisson Junior, um intelectual da causa anti-racista. Isso nos enche de alegria e esperança, pois teremos, após aprovação, mais um homem negro e de consciência negra, ocupando um lugar no racista percentual de 5% da sociedade brasileira que tem mestrado e doutorado.

Que a Jurema Sagrada e o Reis Malunguinho lhe defenda e lhe dê mais e mais vitórias na vida. Você nos representa, pois somos do mesmo bando, o bando do Reis da Mata!
Sobô Nirê Mafá!

Resumo da dissertação:

Esta dissertação é o resultado de uma pesquisa etnográfica realizada na Casa das Matas do Reis Malunguinho, um terreiro de Jurema Sagrada, localizado no município de Olinda, estado de Pernambuco. Este trabalho reivindica para si um exercício conceitual acerca dos limites que a noção de território anuncia como também propõe um debate sobre o conceito de território tendo como referência experiências de vida e perspectivas de povos e comunidades tradicionais. O objetivo desta dissertação é promover um debate conceitual com o propósito de mediar três importantes concepções diretamente associadas à vida em comunidades de terreiros que são território, temporalidade e poder. A Jurema Sagrada é um projeto societário, um projeto que articula em seu interior e para fora dele à luta por território e garantia de direitos. A potência da Jurema Sagrada se encontra no desvio, na dobra, sua ciência é resultado de séculos de conhecimentos produzidos nas frestas do mundo, sua manutenção e sobrevivência se dão na reinvenção do viver, em sua capacidade de adaptação, de remontagem, sua batalha não se dá em campo aberto, sua tática é a guerrilha.


Alexandre L'Omi L'Odò
Sacerdote da Casa das Matas do Reis Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Bloco dos Catimbozeiros, evocando o respeito à diversidade religiosa nas ladeiras de Olinda

Estandarte oficial do Bloco dos Catimbozeiros. Saída dia 04/03 (segunda de carnaval, ao meio dia do Largo do Amparo.

Bloco dos Catimbozeiros
Release

Bloco fundado por Alexandre L’Omi L’Odò, sacerdote juremeiro da Casa das Matas do Reis Malunguinho em 2019. Esse bloco tem a pretensão de ser uma das vozes do povo de terreiro no Carnaval de Pernambuco. A tradição da Jurema e do candomblé tem como uma de suas importantes práticas os rituais preparatórios para o carnaval, sendo assim, todas as manifestações de cultura popular que estejam ligadas ao sagrado afroindígena, cumprem um severo ritual comprometido com as entidades e divindades dos panteões religiosos dessas duas tradições. Esses ritos pedem proteção, paz, segurança, livramento de tudo que é de ruim nos dias de Momo. Então, temos nas ruas, abertamente, contatos com símbolos e objetos sagrados, preparados para cumprir a missão de defesa e prosperidade para os blocos, agremiações, maracatus, afoxés, bois, la ursas, etc.

O catimbó, em termos gerais, é a mesma coisa que a Jurema Sagrada, uma religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil, que está presente em todo estado de Pernambuco, sendo em Recife e Região Metropolitana, a religião mais presente nos terreiros, sendo mais de 70% das casas, como aponta o senso realizado em 2010 pelo MDS e UNESCO. Esse termo, é profundamente estigmatizado na nossa sociedade, sempre ligado à coisas ruins, ao mal e à bruxaria. Não há consenso teórico que determine o significado desse termo indígena, contudo, o povo de terreiro sabe que catimbó é o ato de fumar cachimbo, ou o próprio cachimbo, elemento fundamental no culto da Jurema.

Para mudar a lógica de que nós somos o mal e educar nossa sociedade racista, o Bloco dos Catimbozeiros vai às ruas para levar alegria, fumaça, fé e proteção para o carnaval. Com muito catimbó, coco, maracatu e a presença ilustre do Calunga Gigante do Reis Malunguinho, as ladeiras de Olinda vão ser sacralizadas com todo axé e ciência do povo de terreiro, que tem em sua tradição, praticar o bem coletivo e curar os males de quem precisar.

A idéia é simples. Nos reunirmos em frente a Casa das Matas do Reis Malunguinho, todas e todos que são de terreiro, levando algum elemento religioso ligado à Jurema, como cachimbos, maracás, etc. Usar as roupas tradicionais e sair às ruas levando a bandeira da paz e da luta contra toda forma de racismo religioso. No meio deste contexto, depois de cumprimos nossas obrigações nas ladeiras de Olinda, claro que celebraremos sambando muito coco de roda, maracatu, mazurca e tudo mais que faz parte da tradição de terreiro, em frente à Casa das Matas do Reis Malunguinho.

Serviço:

Saída dia 4 de Março ao meio dia em ponto. O bloco será acompanhado pelo Maracatu Nação do Reis Malunguinho e o Calunga Gigante do Reis Malunguinho, ambos estreando nas ladeiras de Olinda.

Local: Casa das Matas do Reis Malunguinho - Rua de São João, n° 340, Largo do Amparo, Guadalupe/Olinda.

Ao final, será servido o tradicional mungunzá e sambado o coco de roda com mestres e mestras da cultura popular em frente ao terreiro.

Contatos: 81 99525-7119 (Tim e Sapp) – Alexandre L’Omi L’Odò, sacerdote responsável.

Alexandre L’Omi L’Odò
Sacerdote da Casa das Matas do Reis Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Maracatu Nação do Reis Malunguinho - Histórico


Maracatu Nação do Reis Malunguinho
Histórico

Fundado em 2016, no bairro de Peixinhos, em Olinda/PE, o Maracatu Nação do Reis Malunguinho nasceu de uma missão dada pela divindade Malunguinho, ao discípulo/juremeiro Alexandre L’Omi L’Odò, mestre de baque e sacerdote da agremiação. Após L’Omi, ter tido uma forte “irradiação” espiritual, ao acompanhar o Maracatu Leão Coroado, sob a regência de Mestre Afonso Aguiar, em cortejo pelas ruas do Sítio Histórico de Olinda, recorreu à Jurema Sagrada para obter respostas sobre o que havia sido àquela reação espiritual tão forte, que quase o derrubou no chão. Para ele, “tal fenômeno era sem explicação cabível na espiritualidade”. Após consulta ao sagrado, pedindo respostas aos senhores mestres, o Reis Malunguinho manifestou seu desejo, mostrando-o como queria tudo, e o motivo pelo qual desejaria que ele e os filhxs do terreiro agissem dentro deste “brinquedo”. Neste ano, ele realizou os rituais de fundação do Maracatu dentro da Jurema, com rituais de consagração do bombo mestre, primeiro instrumento doado para a instituição, por Rodrigo Fernandes, mestre do Maracatômico.

Após aguardar respostas da espiritualidade, foram reveladas dentro das matas sagradas do Catucá o nome das quatro Calungas determinadas para serem as guardiãs do maracatu. Malunguinho convocou:

1 – Dona Maria do Acaes II – Maria Eugênia Gonçalves Guimarães (falecida em 1937) deixou um legado imenso reconhecido até hoje dentro dos terreiros de Jurema. Seu nome está ligado ao local onde nasceu e se criou, o Sítio do Acaes, terras no município de Alhandra/PB herdadas do seu tio avô, o último cacique da tribo Arataguí. Hoje ela é uma mestra que “baixa” nos terreiros, sendo muito reverenciada como alicerce moral e de grande força espiritual, considerada pelos juremeirxs como a maior mestra na história da religião. 

2 – Mãe Biliu de Manoel do Ororubá (Antônia Montes da Silva - filha de Iyemojá. Nascida em 30/08/1905, falecida em 08 de Agosto de 2012) Juremeira e sacerdotisa do candomblé, falecida com 107 anos no bairro da Mustardinha/Recife. Foi uma das mais importantes lideranças religiosas daquela região, sendo respeitada por todo povo de terreiro. Chegou a ser a mais velha juremeira viva de nosso tempo, levando com força e grande sabedoria seu terreiro, que está aberto e em funcionamento até hoje.

3 – Mãe Biu de Alhandra (Severina Chaves dos Santos) (nascida em 1935, falecida em 16/09/2015) Juremeira nascida no Acaes, viveu sua vida sacerdotal entre Pitimbú e Alhandra na Paraíba, sendo uma das mais sábias e célebres da Jurema. Foi uma das ultimas grandes rezadeiras e catimbozeiras das antigas raízes de Alhandra, sendo reconhecida em vida como mestra dos saberes ancestrais. 

4 – Reis Malunguinho - Patrono do Maracatu e da Casa das Matas do Reis Malunguinho. Divindade que na primeira metade do século XIX fora o mais importante líder quilombola na luta pela liberdade dos povos escravizados de Pernambuco. Foi o único herói negro deificado nas religiões de matrizes afroindígenas, considerado o patrono da Jurema Sagrada, pois só ele, se manifesta em quatro formas diferentes: reis, caboclo, mestre e trunqueiro/exu. Nas Cidades da Jurema e nos terreiros, Malunguinho cumpre sua mesma missão ancestral - defender seu povo, dando continuidade à luta do Quilombo do Catucá.

Em 2018, foi realizada a Consagração pública do baque do maracatu no XIII Kipupa Malunguinho, ocorrido no dia 23 de setembro. Essa foi sua primeira apresentação como instituição oficial. O baque foi recebido pelo Maracatu Nação Malunguinho de Abreu e Lima, fundado em 2017 no XII Kipupa, cujo mestre é Aldene Nascimento, amigo e parceiro de longas datas nas lutas pela cultura popular. Neste momento, foram apresentadas pela primeira vez as quatro Calungas ao público.

No dia 4 de Março de 2019, segunda feira de carnaval, ao meio dia em ponto, será seu primeiro desfile oficial nas ladeiras de Olinda. Seguirá junto com o Bloco dos Catimbozeiros, que também desfila pela primeira vez no carnaval acompanhados pelo calunga gigante do Reis Malunguinho.

As orientações espirituais e éticas que alicerçam este maracatu, serão obedecidas irrestritamente, sendo elas: que o Maracatu deve ser Nação (religioso); que não crie disputas com grupos da cultura afroindígena e popular; que seu baque evoque e louve os ancestrais; que a instituição sirva pra ajudar os povos tradicionais, empobrecidos e demais minorias; que mantenha as tradições antigas de terreiro do maracatu, respeitando e seguindo os rituais deixados pelos nossos mais velhos; lutar com uma perspectiva decolonial, combatendo o racismo, a intolerância religiosa, a LGBTTI+fobia e demais formas de opressão, se posicionando sempre ao lado dos herdeiros da senzala, e nunca da Casa Grande.

Com fé, ciência, fumaça, baque forte, decoloneidade, retorno às origens e respeito aos mais velhos, o Maracatu Nação do Reis Malunguinho é a continuidade da luta do Quilombo do Catucá!

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho!!
Trunfa Riá!
Nosso baque é forte e tem ciência!

Alexandre L’Omi L’Odò
Mestre de Baque e coordenador
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Projeto Giras Decoloniais levará conteúdo qualificado de formação intelectual para povo de terreiro

Cartaz do primeiro ciclo de debates das Giras Decoloniais.

Projeto Giras Decoloniais levará conteúdo qualificado de formação intelectual para povo de terreiro

As Giras Decoloniais é um projeto criado por Alexandre L’Omi L’Odò, sacerdote da Casa das Matas do Reis Malunguinho, para dar continuidade ao seu trabalho como educador decolonial desde final da década de 1990 quando ensinava língua, historia e cultura yorùbá, percussão e teologia da Jurema. Em 2004 participou da fundação do Grupo de Estudos Malunguinho, criado para dar visibilidade histórica, sociológica e “teológica” à Jurema Sagrada, iniciativa que se desdobrou na criação do QCM – Quilombo Cultural Malunguinho.

Após larga experiência dando aulas, oficinas, cursos, workshops em terreiros, escolas, universidades, congressos nacionais e internacionais e eventos promovidos por movimentos sociais, negros e de cultura popular, o historiador e mestre em ciências da religião retoma suas atividades com objetivo de formar especialmente pessoas de terreiro e interessadxs na construção de um entendimento epistemológico livre das algemas brancas do pensamento ocidental, contribuindo para a eliminação do racismo e da intolerância religiosa na nossa sociedade.

Serão realizadas trocas de saberes através da tradição oral e de uma bibliografia ampla, trazendo para o centro dos debates/aulas o que existe de mais sofisticado nas discussões afroindígenas no mundo. Sacerdotes/sacerdotisas que atuam também como professores tanto em escolas quanto em universidades serão convidados para compartilhar seus conhecimentos conosco. Ademais, serão oferecidas oficinas de percussão e língua yorùbá. Todas as atividades serão efetuadas no espaço sagrado do terreiro como forma de re-conectar nossas cabeças e corpos a uma metodologia pedagógica essencialmente decolonial, contudo, também haverá atividades em outros espaços.

Todos os encontros acontecerão das 14:00h as 18:00h, com lotação de até 30 (trinta) pessoas. Será cobrada uma contribuição financeira. O conteúdo programático de cada mês será disponibilizado em nossas redes sociais (página do terreiro no facebook) ao fim de cada encontro. Para participar é necessário fazer a inscrição enviando o nome completo, instituição que representa e contato de whatsapp através do e-mail casadasmatasdoreismalunguinho@gmail.com. Programe-se e venha indo-empretecer seu pensamento. Calendário geral de 2019:

FEV: 23 - Giras Decoloniais: Leitura e debate do texto “A tradição viva” de Amadou Hampaté Bá.

MAR: 30 - Giras Decoloniais.
ABR: 27 - Giras Decoloniais.
MAI: 25 - Giras Decoloniais.
JUN: 29 - Giras Decoloniais.
JUL: 21 - Giras Decoloniais.
AGO: 31 - Giras Decoloniais.
SET: As Giras Decoloniais serão substituídas pela Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana. Lei Malunguinho-13.298/2007.
OUT: 26 - Giras Decoloniais.
NOV: 30 - Giras Decoloniais.

Rua de São João, n° 340, Guadalupe -Olinda/PE. No Largo do Amparo, Sítio Histórico de Olinda.

Contatos: 81 995257119 e 81 988871496


Alexandre L’Omi L’Odò
Sacerdote da Casa das Matas do Reis Malunguinho

alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!