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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Eles são a cultura viva

 
Mestre Galo Preto dedicou 65 anos ao coco. Foto de Helder Tavares.

Eles são a cultura viva

Maria Amélia da Silva, mestre Galo Preto e Maracatu Estrela de Ouro, de Aliança, são novos Patrimônios Vivos de Pernambuco

Diário de Pernambuco
Recife, quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Maria Amélia da Silva, 88 anos, ceramista de Tracunhaém; Tomás Aquino Leão, o mestre Galo Preto, 76 anos, 65 deles dedicado ao coco; Maracatu Estrela de Ouro, do sítio Chã de Cambará, de Aliança, em atividade desde 1882. Eis os três nomes escolhidos na manhã de ontem pelo Conselho Estadual de Cultura para o grupo de Patrimônios Vivos de Pernambuco. O anúncio foi realizado na sede do Conselho, por Severino Pessoa, presidente da Fundarpe, e Marcus Accioly, presidente da casa. Os novos patrimônios foram eleitos, por unanimidade, em reunião realizada no auditório Renato Carneiro Campos. Os conselheiros partiram de uma lista de inscrições que somava 130 processos de candidatos habilitados.

“É um trabalho feito em parceria com a Fundarpe, que faz as inscrições, realiza uma pontuação que leva em consideração a idade, a competência, a capacidade de ensino, a competência e a tradição desses nomes. A dificuldade é muito grande e dessa vez o Conselho conseguiu escolher uma ceramista que começou a trabalhar com sua arte aos oito anos. Maria Amélia simboliza hoje aquela cidade que tem a maior tradição na cerâmica no estado. Depois dela, temos o Galo Preto, que é um cantador que possui uma história com a qual Pernambuco possui grande débito. Galo Preto cantava na Praça do Diario, e assisto isso desde que me entendo por gente. Finalmente temos o Maracatu Estrela de Ouro que remonta às raízes do Mestre Salustiano e é comandado por Zé Lourenço, José Lourenço da Silva (conhecido também como Zé Batista)”, apresentou Marcus Accioly.

 Também segundo Accioly a lei que define as regras de escolha dos Patrimônios Vivos deve ser alterada. “O Conselho tem se articulado e devemos passar da escolha de três para dez ou mais patrimônios”, afirmou o poeta. De acordo com a Lei do Patrimônio Vivo (nº 12.192, de 2 de maio de 2002), os candidatos devem ser brasileiros, residentes em Pernambuco há mais de 20 anos, comprovar a participação em atividades culturais há mais de 20 anos e estar capacitados para transmitir seus conhecimentos ou técnicas a aprendizes.

Estrela de Ouro é comandado por mestre Zé Lourenço. Foto de Helder Tavares.

Ainda segundo a lei, a cada ano a lista de patrimônios vivos deve nomear três novos nomes, que receberão, quando pessoas físicas, bolsas vitalícias de R$ 856,47 e R$ 1.712 mensais, quando se tratarem de grupos e associações. Até agora o Conselho Estadul de Cultura já nomeou 30 nomes e deve atingir o número de 60 representantes em até o ano de 2021.

Matéria do Jornal Diário de Pernambuco de 28 de dezembro de 2011. Caderno VIVER E6.

Link para a matéria: 

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Publico aqui texto integral da matéria de jornal que anunciou os mais novos patrimônios vivos de Pernambuco. O Mestre Galo Preto está muito feliz com essa vitória histórica em sua carreira. Este é um reconhecimento que ha muito tempo ele aguardava. Boa leitura.


Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto.
alexandrelomilodo@gmail.com

Anunciação oficial dos três novos Patrimônios Vivos de Pernambuco - Bom dia Pernambuco de 28 de Dezembro de 2011



Anunciação oficial dos três novos Patrimônios Vivos de Pernambuco

Vídeo da anunciação dos três novos patrimônios vivos de Pernambuco. O Conselho Estadual de Cultura fez este anúncio as 7h da manhã do dia 28 de dezembro de 2011 na cede do Conselho para o Jornal Bom dia Pernambuco da Rede Globo Nordeste. Esta premiação deixou o Estado pernambucano mais forte e vibrante com a presença fortemente indispensável dos três premiados. Foi mais que merecido e tardio o reconhecimento. O Mestre Galo Preto está que é alegria só, já que ele com mais de 65 anos de carreira nunca tinha tido um reconhecimento tão amplo de seu trabalho e história. Esta vitória se deve a mais de três anos de pesquisa e luta por legitimação oficial coordenada por seu produtor Alexandre L'Omi L'Odò e claro, por causa de seu mérito autêntico e evidente.

Link para o vídeo no site do G1: 


Alexandre L'Omi L'Odò
Produtor do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Pernambuco tem três novos Patrimônios Vivos da Cultura Popular

 
Coquista Mestre Galo Preto. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Pernambuco tem três novos Patrimônios Vivos da Cultura Popular

Os mais novos contemplados foram anunciados nessa terça-feira pelo Conselho Estadual de Cultura e a Fundarpe

28.12.2011 - 15h12

A ceramista de Tracunhaém, Maria Amélia, o coquista Mestre Galo Preto, de Olinda, e o Maracatu Estrela de Ouro, de Aliança, são os mais novos componentes do seleto grupo de pessoas ou instituições de destaque na cultura popular, a ostentar o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco. A escolha se deu após a leitura e avaliação de ampla documentação dos mais de 59 processos de candidatos habilitados a participar da edição 2011 do concurso público, da capital e do interior. Todos eles foram indicados por entidades culturais, prefeituras e secretarias municipais de cultura, depois de comprovados pelo menos 20 anos de atuação no fomento à cultura popular e tradicional.

A Lei 12.196, de 02 de maio de 2002, que instituiu o Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco, tem como objetivo reconhecer, em vida, o trabalho dos mestres e grupos culturais da terra, na construção de um patrimônio cultural. Ela permite também a preservação e valorização das manifestações populares e tradicionais, garantindo as condições para que sejam repassadas às novas gerações de aprendizes. Para isso, o Governo do Estado paga uma bolsa vitalícia no valor mensal de R$ 907,77 (pessoa física) e R$ 1.815,53 (grupos culturais) como forma de incentivo à realização e perpetuação de suas atividades.

 Matéria no site da FUNDARPE - www.fundarpe.pe.gov.br

Com os 3  eleitos de 2011 para receber o título, sobe para 27 o número de Patrimônios Vivos de Pernambuco em atuação no Estado. Conheça os novos membros:

MARIA AMÉLIA DA SILVA – Ceramista de Tracunhaém

Com 88 anos de idade, MARIA AMÉLIA DA SILVA é pioneira na arte ceramista do município pernambucano de Tracunhaém e detém, de maneira sólida, conhecimentos e técnicas necessárias para a produção e preservação de aspectos da cultura tradicional do barro, no referido município.

Sob a influência de seu pai (João Bezerra da Silva, conhecido popularmente como Mestre Dunde), Maria Amélia começou a transformar barro em bichos e bonecos com oito anos de idade.  Mestre Dunde era louçeiro e produzia panelas, jarros, bacias, etc. para vender nas feiras livres da Zona da Mata Norte de Pernambuco. Foi no ambiente das feiras que Maria Amélia buscou inspiração para o que veio a ser a sua marca enquanto artesã. Através de quadros de santos espalhados nas feiras, Maria Amélia escolheu dedicar-se à construção de imagens de santos católicos, destacando-se as imagens de São João do Carneirinho, Nossa Senhora do Rosário, Rainha do Céu, São Francisco, Santa Luzia, São José e São Pedro. Suas obras medem de 50 a 70 cm e possuem uma expressão facial simples, mas comovedora. Os mantos são pregueados e largos, uma marca registrada sua que empresta certa imponência à imagem, facilmente identificada, diferenciada e primitiva do surgimento do artesanato em barro na cidade de Tracunhaém.

Sua história de vida no seio de sua comunidade e sua contribuição sócio-cultural para a cidade de Tracunhaém é refletida em várias exposições em cidades brasileiras como Brasília e Rio de Janeiro e em países como Inglaterra e França. Somados a isso, inúmeros livros, matérias de jornais e revistas como: livro O Reinado da Lua – esculturas populares do Nordeste (1980); o livro Artesão Brasileiro – folk art of Northeastem Brazil (1995); Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro Sec.XX (1976); livro Mestres que se renovam: a cerâmica popular de Tracunhaém (2010); livro Em nome do Autor – artistas artesãos do Brasil; livro O Povo do Barro, de Rildo Moura (2011). Destacamos, ainda, sua participações e homenagens:

- Homenageada na Festa dos Artesãos de Tracunhaém (1993) – Realizada pela Prefeitura Municipal de Tracunhaém e Secretaria de Turismo e Artesanato;
- Participação no Salão dos Mestres na FENNEART (2000 a 2009) – Centro de Convenções em Olinda-PE;

- Título de Cidadã Benemérita de Tracunhaém (2002) – Câmara Municipal de Tracunhaém;
- Participação na Exposição “100 anos do Brasil” (2003) – França;
- Homenageada “Artesã mais antiga” na Festa dos Artesãos em Tracunhaém (2005) – Prefeitura Municipal de Tracunhaém;
- Homenageada no I encontro Nacional de Artesãos (2006) – Prêmio Memória do Artesanato Pernambucano.

Por fim, compreendemos que a arte de Maria Amélia resulta de saberes acumulados por gerações de artesãos, exigindo domínio dos saberes e técnicas, bem como um apurado sentido estético e perícia manual. Sem dúvida, a artesã, referência para uma centena de pessoas, representa a continuidade de uma herança, cara à cultura pernambucana, de técnicas e conhecimentos dos recursos naturais existentes em sua região. Seus conhecimentos, transformado em objetos, criam e reinventam uma das formas mais singulares de representação de nossa identidade cultural. Portanto reconhecê-la significa, também, valorizar os produtos artesanais de referência cultural que reportam aos seus territórios, a um conjunto de elementos simbólicos e aos seus antepassados, traduzidos por costumes, ritos, mitos e cores.

TOMAZ AQUINO LEÃO (GALO PRETO) - Coquista

Tomaz Aquino Leão, conhecido artisticamente como Mestre Galo Preto, tem 76 anos de idade e mais de 65 anos de luta pelo coco e pela cultura pernambucana. Com larga atividade no meio cultural como coquista, cantador, embolador, compositor e percussionista, Mestre Galo é oriundo de Bom Conselho de Papa Caças, hoje reconhecido quilombo de Rainha Izabel, no agreste meridional, e, considerado o último remanescente da tradição do coco (dança, ritmo e cânticos) nessa região. Foi parceiro de nomes expressivos da música popular brasileira como, Jackson do Pandeiro, Cauby Peixoto, Arlindo dos Oito Baixos, Luiz Gonzaga, Jacinto Silva, entre outras personalidades musicais de sua época. Além de CDs gravados, sua vida e trajetória já foi objeto de dois DVDs, além de livro de fotografias e participação em vários DVDs e documentários sobre coco.

MARACATU ESTRELA DE OURO- Baque Solto - Aliança

O Maracatu Estrela de Ouro, numa herança de família passando por gerações e nomeações diferentes, desde 1882, tem sua constituição em 1966, no Sítio Chã de Camará, município de Aliança, e se torna a partir daí um ícone entre a manifestação popular do Maracatu de Baque Solto ou Rural. Mestre Batista, seu fundador, levou sua tradição e a faz difundir-se por todos os lados do canavial da Zona da Mata Norte de Pernambuco. A idéia era acrescentá-lo às brincadeiras do Cavalo Marinho, rodas de ciranda e forró de rabeca já praticadas no local. 

Durante anos, o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança saiu apenas para visitar os povoados das cidades vizinhas. Mas o grupo foi crescendo e ganhando popularidade  até figurar entre maiores maracatus do Estado de  Pernambuco. Por diversas vezes foi  campeão nos Concursos de Agremiações Carnavalescas  promovidos pela Prefeitura do Recife durante o carnaval. 

O Maracatu Estrela de Ouro foi, desde o início, um verdadeiro ponto de encontro de todas as culturas da região e de onde saíram vários mestres. Com a morte de Mestre Batista, em 1991, o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança passou a ser presidido por seu  filho, o mestre José Lourenço. Na nova fase, iniciada em 1992, o Estrela de Ouro foi reconhecido pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura, um local de preservação, recriação e transferência cultural do povo brasileiro.  Atualmente conta com uma biblioteca reconhecida como Ponto de Leitura e um estúdio de gravação.

Atualmente o Maracatu Estrela de Ouro tem mais de quarenta Caboclos de Lança, chefiados pelo Mestre Luiz; uma orquestra dirigida pelo Mestre Zé Duda e já ganhou o mundo sendo o único maracatu rural a chegar à Europa. Recentemente toda historia do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança foi lançada em livro pelo Historiador Severino Vicente.  Em 2009 o Maracatu Estrela de Ouro recebeu a comenda mais importante da cultura brasileira. A Ordem do Mérito Cultural.

Chamada no site da FUNDARPE.



Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!