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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Procissão de São Jorge/Ògún - 44 anos de tradição no Recife

São Jorge, arte de 1378 do Livro de Horas. Primeira imagem registrada em livro.

Procissão de São Jorge/Ògún – 44 anos de tradição e resistência em Recife.

No dia 23 de abril de 2011, fui pela primeira vez à Procissão de São Jorge (Ògún), do terreiro de Umbanda, Jurema e Nagô Pai Francisco, do afamado e sério Pai Messias de Ògún, o conhecido Pai Messias da Rua das Moças do bairro do Arruda, no Recife, um sacerdote dos mais dignos e cheios de força que já conheci.

Pai Mecias de Ògún (Pai Mecias da Rua das Moças). Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Após ter me integrado a consciência que este ato de fé me trousse, pude refletir sobre a importância real de fortalecermos as nossas grandes e tradicionais manifestações religiosas. Ao invés de recriarmos atividades que em nada tem haver com o espírito da tradição pernambucana de terreiro, devemos contribuir para a salva-guarda e permanência desta tradição que é mais velha que centenas de terreiros de Recife e Olinda, e que tem muito mais idade que muita gente iniciada no candomblé ou Jurema em Pernambuco. 

Andor, momentos antes de sair às ruas, dentro do terreiro.

Sua procissão é uma verdadeira demonstração de força de agregação. Centenas de pessoas, entre povo de terreiro e católicos, não religiosos etc. compunham a grande caminhada. Com andor muito bem decorado com flores naturais, banda de música (metais, caixa e bombo), cavalaria, ala de “baianas” (todas filhas do terreiro), ala das bandeiras que simbolizavam cada uma um Orixá específico, faixas com frases de reflexão, show pirotécnico e muita concentração na fé, deram o tom  da tradicional procissão que seguiu seu percurso levando o cântico católico:

“São Jorge é Santo, protetor meu,
Ele é quem nos livra dos inimigos meus
Seu capacete, em sua cabeça vive
Ele é guerreiro, rei dos invisíveis”.

Ao ouvido de todos que das casas e fachadas saiam para reverenciar o “santo” e ver esta manifestação original que a cada ano leva mais gente às ruas. 

Banda de música, com metais e percussão.

 
Ala das Baianas. Todas filhas do Terreiro.

Bandeira de São Jorge a frente da procissão.

O que pude verificar foi que esta procissão é um ponto forte nos eventos de agregação das religiões, onde o povo de terreiro independentemente de nação se encontram pra celebrar juntos, à Ògún e a São Jorge. O longo percurso que rodeia quase todo bairro do Arruda e Água Fria, se fez imperceptível, pois a boa vibração das pessoas que com suas demonstrações de fé cantavam e louvavam, não permitiram que caísse o entusiasmo que marcou todo o percurso.

Protagonizando o entoar dos cânticos, estava lá o Pai Messias. Com sua presença forte de corpo e espírito, dirigia tudo com determinação e voz altiva. Muito respeitado por toda comunidade, ele com tranqüilidade deslumbrava nas ruas sua fé, com a certeza de que a comuna jamais cometeria ou permitiria qualquer manifestação de intolerância religiosa a ele, à procissão e a todas e todos que dela participavam. Esta certeza que percebi me fez refletir o quanto é importante a relação do terreiro com seu entorno, pois a Tenda de Umbanda Pai Francisco, é um referencial altamente positivo em todo bairro e cidade. Tendo em vista a prática financiada pelas igrejas neopetencostais de proporcionar o embate contra as religiões de terreiro, esta desrespeitosa e não religiosa forma de discutir alteridade foi completamente neutralizada há olhos nus pela força sagrada do Mestre Mané da Pinga (dirigente absoluto da Jurema de seu terreiro) e do próprio Ògún, Orixá de cabeça de Pai Messias, padroeiro da festa que como sempre deram proteção e tranqüilidade absoluta a todo evento.

À volta ao terreiro do andor e da procissão foi muito bonita e emocionante, o auge de toda liturgia. Com um longo show pirotécnico, que deu ao céu o tom verde e vermelho do Orixá (na nação nagô de Pernambuco), todas e todos os presentes celebraram o fim da procissão, que com palmas receberam de volta ao terreiro a imagem do “santo”.  O que mais me marcou foi a belíssima afirmação pública de que Ògún é São Jorge! Isso se fez possível através da gira de umbanda feita em plena rua em frente ao terreiro para finalizar a procissão. Ilús (instrumentos litúrgicos do terreiro), gan e agbê deram o ritmo perfeito ao som do samba de angola e do ritmo congo às toadas para Ògún na umbanda:

Ògún não devia beber,
Ògún não devia fumar,
Na fumaça ele é seu Ventania,
E na cerveja é espuma do mar”...

“Ògún, vencedor de demandas,
Ele vem de Aruanda,
Pra saudar filhos de Umbanda,
Ògún, Ògún Yara, (2X),
Salve os campos de batalha,
Salve a Sereia do Mar,
Ògún, Ògún Yara,
Ògún, Ògún Mejê”...

Com muita animação e cenas interessantes como a de um militar vestido com a farda do exército brasileiro tocando o ilú e baianas dançando as coreografias de Ògún, tudo se finalizou com uma oração tradicional da Jurema de seu terreiro.

Militar fardado tocando Ilú.

Momento da oração tradicional da Tenda de Umbanda Pai Francisco.

Lanches foram distribuídos a todos os presentes, vinho tinto, cachorro quente, arroz com galinha de molho e refrigerantes. Ainda teve a apresentação do Maracatu Nação Cambinda Estrela, do bairro de Chão de Estrelas, que fez a festa ao som das alfaias, caixas e taróis, gonguês e mineiros, regidos pelo mestre Ivaldo Marciano, que em seu discurso disse que todos os anos o Maracatu iria fazer parte da procissão, levando os tambores para saudar Ògún e São Jorge.

Pai Messias com seu carisma e sua espiritualidade leva a frente uma tradição que na fala dele deixa claro: “Só quando eu for para o Orun (mundo espiritual dos yorùbá, céu), deixarei de fazer. Mesmo assim meus filhos com minha ausência darão continuidade a tudo que iniciei nessa vida”.

Mojubá babá mi! Que me ensina e me dá coragem para prosseguir como filho de Osún e Ògún. Kimbanda dos bons!!


Ògún e São Jorge, firmes e fortes no cotidiano popular do Brasil

A popularidade deste Santo/Orixá, a cada dia cresce em nosso meio. Vejo todos os dias pelo menos umas dez pessoas no mínimo com colares que ostentam medalhões com a figura de São Jorge. Todos expostos. Há quase que uma moda atualmente em Recife, onde as lojas de “jóias” expõem em suas vitrines estes medalhões de todos os tamanhos e espessuras, de diversos materiais como o aço escovado, inox, latão, prata, ouro etc. de fato o Santo/Orixá está em alta. Mas observando um pouco mais profundamente, podemos ver que o símbolo da proteção particular é que está sendo o ponto principal desta disseminação da imagem do Santo “guerreiro e protetor”, já que estamos a cada dia que se passa inseridos numa sociedade violenta em todos os níveis, incitando a carência de elementos de proteção para o corpo e espírito. Ainda percebo a questão da afirmação da masculinidade que o símbolo de São Jorge traz aos homens. Este, exposto nos peitorais dos pagodeiros em geral, serve ao que parece, para proferir sensualidade, masculinidade e fé em um santo guerreiro e protetor. Sendo também símbolo de estética mesmo, já que tanto a imagem em camisas e em bonés são visualmente bonitas e representativas de uma ética e moral cristã (aceita pela sociedade) dando respaldo ao usuário de forma simbólica. 

 Ògún. Bela pintura em tela fotografada da parede interna do Terreiro dos Palmares, templo Jeje do sacerdote Pai Srael de Avereketi. Palmares/PE. 2009.

Em Recife, a única Igreja Católica que faz uma celebração a São Jorge é a Igreja do Santíssimo Sacramento, do bairro de Santo Antonio, no centro da capital, onde no dia 23 de abril, às 08h da manhã, celebra este santo, com a presença quase que absoluta de iniciados e iniciadas nos cultos afro indígenas. “É uma missa cheia de axé e do povo do axé e da Jurema”, como relata o historiador João Monteiro, em conversa sobre o tema.

A professora e escritora Georgina Silva dos Santos, autora da tese Ofício e sangue – o papel da irmandade de São Jorge nas culturas de ofício da Lisboa moderna, em 2002, pela Universidade de São Paulo, afirma que “São Jorge nunca foi banido do rol dos santos católicos. Ao contrário, a história de sua devoção é marcada por um incessante esforço eclesiástico para reconhecer-lhe a santidade”. (SANTOS, 2002). Portanto, a lenda de que São Jorge não é santo da Igreja católica, não é verdade. Essa crença no “Santo Guerreiro” é uma herança legítima dos portugueses no Brasil. Honrado com uma igreja em Lisboa, por Afonso Henriques, primeiro monarca português, São Jorge recebeu como herança o cavalo de seu sucessor, Sancho I, e passou a ser evocado como grito de guerra por Afonso IV. Devoção pessoal desses reis da dinastia de Borgonha (século XII ao século XIV). Este Santo foi tido como intercessor celeste na batalha que opôs Portugal e Castela, pela disputa da Coroa lusitana. Dando vitória a estes reis e derrotando “o drago castelhano” o santo foi instituído como padroeiro do reino e defensor de suas terras e gentes, ganhou notoriedade e deu ao paço régio o nome de santo – o famoso Castelo de São Jorge de Lisboa. Estes atos de D. João I inauguraram uma devoção dinástica. O santo ganhou mais ainda força com tudo isso, se estabelecendo como símbolo de compromisso da fé católica. São Jorge, com a expansão portuguesa em novas terras, inclusive no Novo Mundo e África, entrou em contato com novos territórios, levado pelos viajantes e navegadores, fiéis ao santo. O infante d. Henrique atribuiu a uma das ilhas dos Açores o nome do mártir. Já D. João II, ao construir uma fortaleza na Costa da Guiné, deu o nome de São Jorge da Mina, local de grande movimentação no período do trafico negreiro para as Américas (século XVII ao XIX). 

D. Afonso Henriques. Primeiro monarca português a honrar São Jorge com uma igreja em Lisboa.

A tradição das procissões de fato foi a responsável pela popularização de São Jorge. A introdução do santo na procissão do Corpo de Deus, ainda em 1387, manifestação católica realizada em todo o Portugal, procissão em honra à Eucaristia, era a festa mais importante da Igreja neste período histórico,  colocando centenas de devotos nas ruas, conseqüentemente ando visibilidade popular ao “guerreiro”, que muito rapidamente constituiu crença entorno de seus milagres nas causas relativas a lutas e proteção. Nessa procissão, a imagem de São Jorge era escoltada pelos artesões que trabalhavam com ferro e fogo. Era um evento bastante interessante, com danças de trabalhadoras das hortas e pomares que abriam a procissão ao som das gaitas e das flautas. Por determinação municipal, as vias eram cobertas por flores e ervas aromáticas, as pessoas colocavam nas fachadas de suas residências veludos e damascos... Na procissão, vários santos vinham acarreados. Cada um representando uma categoria de trabalhadores. Por fim, vinha o bispo ostentando o Santíssimo, ladeado pelo rei e pelos oficiais palacianos. São Jorge, atravessou o atlântico junto com a festa que o popularizou entre os portugueses... Esta procissão dividia opiniões entre cronistas e escritores da época. Uns elogiavam e diziam que esta manifestação era um bom exemplo de união do profano com o religioso, outros diziam que era ridícula. Várias foram as manifestações no Brasil que trataram o “santo guerreiro” com especial atenção, sendo até criadas novas modalidades de procissão para ele, diferenciando com o passar dos tempos com a tradicional modalidade da procissão do Santíssimo. Georgina, ainda nos informa:

“Mas, se São Jorge supria a demanda dos reis e dos exércitos, ajudando-lhes a forjar uma estampa de glórias e conquistas, no meio do povo logo se tornou advogado de causas cotidianas, com a ajuda dos orixás. Como enfrentara, num passado longínquo, desafios semelhantes aos de Prometeu, Perseu e São Marcelo, São Jorge também assumiria os de Ogum e os de Oxossi nos cultos afro-brasileiros”. (SANTOS, 2002). 

Imagem única de São Jorge com vestes romanas.

“São Jorge é Ògún”! Essa afirmação é freqüente dentro dos templos de umbanda e candomblé em toda parte do país. Um exemplo bastante interessante é a pintura da parede do salão de festas da Tenda de Umbanda Pai Francisco, o terreiro de Pai Messias. Lá na parede tem um São Jorge desenhado, que para todos os filhos e filhas, e também para o sacerdote, “é Ògún que está ali, não o santo católico”. Georgina também afirma que:

“O processo cultural de identificação, associação e inversão que caracterizam o sincretismo religioso entre São Jorge e os orixás da guerra e da caça construiu-se sobre o caráter múltiplo das divindades africanas e as variantes hagiográficas de São Jorge, um santo de “canonização literária””. (SANTOS, 2002).

Em Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro, São Jorge foi sincretisado com Ògún, na Bahia com Santo Antônio. Os cultos de matrizes africanas e indígenas, reprimidos e perseguidos pela Igreja e a polícia, encontraram no sincretismo religioso entre os santos católicos e os Orixás uma inteligente e criativa solução para a sobrevivência de suas divindades e religião. D. Obá II d’África, ex-combatente da guerra do Paraguai, negro freqüentador da Quinta da Boa Vista, era um desses que se dizia católico, mas não via e nem se comportava como se uma religião fosse desligada da outra, mostrando que o sincretismo de fato imbricou-se profundamente na forma de fé dos brasileiros, em especial dos negros e negras, que são herdeiros da tradição desse sincretismo na maioria absoluta. Hoje, o sincretismo não é mais tão forte e preciso. Mas, mesmo assim, São Jorge se coloca entre um dos santos católicos de maior e mais profunda relação com religiosa com o Orixá yorùbá Ògún. D. Obá II, ainda costumava afirmar publicamente que: “no Brasil, São Jorge é Ogum!”.

No Rio de Janeiro, desde 2001, o dia 23 de abril é feriado municipal. Nem mesmo a reformulação do calendário litúrgico, promovida pela Igreja católica sob a regência do papa Paulo VI em 1969, modificou a reputação e a força de São Jorge entre os brasileiros. Presente no imaginário popular, o Santo encontrou advogados devotos e poetas que fizeram e fazem de seu nome, honra e história assunto e arte cotidiana. Mário Quintana, poeta e escritor perguntava-se: “que culpa tem ele de ser tão belo e ecumênico?”.

Dedico este artigo à Pai Messias da Rua das Moças, um sacerdote que me fez entender que a fé é algo primordial para sermos integrantes plenos das religiões de matrizes africanas e indígenas. Ele é Ògún/São Jorge também, por sua luta em manter viva uma tradição tão popular no Recife. 

Pai Mecias em meio a multidão da procissão de Ògún. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

No dia 23 de Abril de 2012, a Procissão completará 44 anos de história. Mais um momento a ser celebrado e revitalizado por, e em todos nós.

Mojubá aganganran ní mòun (meus respeitos e me curvo ao veloz enviado do céu) - Ògún yé (Ogum é vida)! Sarava Ogum de Umbanda!

Salve a fumaça!

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Referências

SANTOS, Georgina Silva dos. Ofício e sangue: a Irmandade de São Jorge e a Inquisição na Lisboa moderna. Lisboa: Colibri; Portimão: Instituto de Cultura Ibero-Atlântica, 2005.

Fontes

SANTOS, Georgina Silva dos. Venerado guerreiro. Revista Nossa História, Ano 1 / n° 7, maio de 2004. Páginas: 14 a 20. Biblioteca Nacional. 2004.

Entrevista com Pai Messias, Eriméia de Paulina e João Monteiro.

*Todas as fotografias aqui postadas da Procissão de São Jorge são de autoria Alexandre L'Omi L'Odò em 23 de Abril de 2011.


Alexandre L’Omi L’Odò
Iyawò de Oxum e Juremeiro.

sexta-feira, 30 de março de 2012

O Povo da Jurema e da Nação Xambá discutem intolerância religiosa sofrida

Momentos de discussão do povo da Jurema e do Xambá. Foto: Acervo do Quilombo Cultural Malunguinho.

O Povo da Jurema e da Nação Xambá discutem intolerância religiosa sofrida

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Disponibilizamos aqui parte dos vídeos do I Seminário Interno de Construção de propostas Judiciais contra a Intolerância Religiosa produzidos pelo Programa Povo de Santo Ciência e Fé - http://www.youtube.com/user/PovodeSantoCF?feature=watch, do professor, babalorixá e juremeiro Érico Lustosa e sua equipe. Nos vídeos aqui apresentados, poderemos acompanhar parte fundamental das discussões e pensamentos sobre os atos oficiais criminosos de intolerância religiosa propagados pela Editora Pensamento e seu escritor Rivas Neto, que no livro Umbanda - A Proto-Síntese Cósmica, chama o povo da Jurema e da Nação Xambá de degenerados entre outros adjetivos de baixo escalão que não valem a pena serem replicados.

Este foi um primeiro momento onde sacerdotes da Jurema e da Nação Xambá se reuniram organizadamente para agirem judicialmente contra estes absurdos. O evento organizado convocado e organizado pelo Quilombo Cultural Malunguinho no Terreiro de Jurema e Nagô Mensageiros da Fé, da sacerdotisa Dona Dora, teve mais de 80 participantes de diversos terreiros de Recife e RM e Estados do Nordeste. Ainda tivemos a participação em vídeo conferência do Professor Teólogo-Afro Jayro Pereira de Jesus, que falou do Rio Grande do Sul e do juremeiro Eric Assumpção do Rio de Janeiro. A transmissão foi nacional e várias pessoas também puderam acompanhar.

Tivemos ainda as falas dos participantes. Entre eles e elas, a juremeira Joana da Paraíba e o Babalorixá e pesquisador Luiz de Ogodô, que vieram reforçar nossa luta. 

Foi marcada a data de 1° de Abril para um novo encontro no Terreiro da Nação Xambá - www.xamba.com.br - para a confecção final dos docuemntos que serão entregues ao MPF- Ministério Público Federal, junto aos nossos advogados e advogadas.

Para acompanhar esta discussão visitem: 


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
Coordenação
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 25 de março de 2012

VI Kipupa Malunguinho - Uma Explosão de Emoção, História e Fé

 
 Estatueta de Malunguinho. Foto de Laila Santana.

VI Kipupa Malunguinho
Uma Explosão de Emoção, História e Fé

"Salve a Jurema, Salve a Jurema, Salve a Jurema Sagrada, Malunguinho Hoje é o Tema" (refrão criado em improviso pelo Mestre Galo Preto).

O VI Kipupa Malunguinho foi uma prova de que o Povo da Jurema está se articulando e se fortalecendo em sua identidade, fé e pensamento. Os mais de 15 ônibus lotados, os mais de 30 carros lotados, as mais de 15 kombis e vans lotadas e a comunidade presente, levaram o sumo do que de melhor e mais diverso e colorido existem nos terreiros de Pernambuco para dentro das matas sagradas de Malunguinho no Engenho Pitanga II, no município de Abreu e Lima, terras históricas da resistência do Quilombo do Catucá.
Clip do VI Kipupa Malunuginho:



No ano de 2011, o Kipupa realizou-se de forma independente. Sem Estado, sem Prefeitura, sem recursos de projetos e sem a participação de nenhuma empresa privada ou pessoa do Estado. Foi uma verdadeira prova de que com união e articulação pode-se fazer coisas grandiosas sem depender de cabrechos políticos. Além de provar que a união entre o povo de terreiro é possível.

O Quilombo Cultural Malunguinho está muito orgulhoso de ter podido provar para si mesmo seu potencial de abrangência nos terreiros de Pernambuco e Brasil, já que também estiveram presentes pessoas de diversos estados como SP, PB, AL, RJ, MG etc.

Agradecemos a toda comunidade de terreiro pernambucana, que se organizou para ir ao evento com recursos próprios e com a fé na essêcia de nosso trabalho, que é fortalecer nossa tradição, fé e memória, afastando a desmoralização tão popular em nosso meio atualmente.

Visitem as fotos do VI Kipupa no Flickr de Laila Santana: 


O Prêmio Mourão que Não Bambeia, foi mais uma contribuição sólida nossa à preservação da memória das nossas referências religiosas e históricas. Tendo como homenageados o Mestre Juremeiro João Folha (em memória) e o famoso juremeiro Antônio do Monte (em memória), além da Mãe Vanda que tem 50 anos dedicados a Jurema e Dona Sílvia de Iyemojá que tem mais de 60 anos dedicados a preservação da seriedade de nossa religião. este foi um dos momentos mais emocionantes de todo o evento.

Cantamos todos juntos com o Pai Gil de Ogun:

"É mourão que não bambeia / É mourão que não bambeia / o Povo da Jurema / É mourão que não bambeia"...

Destacamos ainda a grande presença de oferendas de praticamente todos os terreiros presentes. Malunguinho foi muito reverenciado com todos os cestos de frutas, farofas, bebidas, velas e folhas. 

Cesto de oferendas para Malunguinho. Foto de Laila Santana.

A entrada na mata ficou estreita para tanta gente... Mas coube todos e todas que pretendiam ali firmar seus pontos de fé e respeito as ancestralidades indígenas e negras que se faziam presentes para receber todas as homenagens.

Poderia escrever laudas e laudas contando como foi este Encontro Nacional de Juremeiros e Juremeiras, mas prefiro indicar o documentário produzido pelo Ronaldo de Almeida, cujo segue o Clip, para que se possa entender o que foi o evento como um todo.  

Já temos uma data para a realização do VII Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá: 23 de Setembro de 2012. Já se agendem e visitem nosso site: www.qcmalunguinho.blogspot.com

Filha e filho de juremeiros. Continuidade da Jurema garantida. Foto de Joannah Mendonça.

Agradecemos a Juarez e família pela acolhida de sempre, a Juliana Bison do Palácio de Yemanjá, que com carinho contribuiu em nossa empeleitada. Agradecemos ao Ronaldo de Almeida de SP pela contribuição e produção do documentário do evento. Agradecemos ainda a OTM - organização Trajetória Mundial pelo apoio e a Adriana Aragão, Beatriz Aranha e Mãe Dida do Abassá de Xangô Agodo e Odé Erinlé. Também agradecemos a título de grande respeito ao professor Dr. Eduardo Fonseca Jr. e a Josy Garcia da Sociedade Yorubana do RJ pelo apoio neste processo. Agradecemos ainda a Laila Santana pela cobertura fotográfica de coração, a Joannah Mendonça pelas fotos carinhosas, a Janine Ribeiro pelas fotografias quase que de repórter, a João Rogério Filho pela presença e fotografias afinadas e a Beto Figueiroa pelos belos olhares fotográficos em nosso evento.

Mestre Galo Preto cantando o coco à Malunguinho:


Não podemos esquecer dos grupos de coco como o Mestre Galo Preto que levou a mais pura ciência desta tradição aos nossos ouvidos, ao Bojo da Macaíba pela disposição, ao Grupo Bongar pela bela apresentação, ao Pandeiro do Mestre na pessoa de Niltinho pela forte presença e a todas e todos dos terreiros de Jurema e Candomblé que de alguma forma contribuíram na construção desta HISTÓRIA nossa!

À equipe de produção do Kipupa: Anne Cleide, Ary Bantu, João Monteiro, Sandro de Jucá, Alexandre L'Omi L'Odò, Juarez, Neto, Nani, Alexandre Dias e Carlos Alberto da Afro Educação de São Lourenço da Mata, Dona Dora, Michelle Rodrigues, Greyce Pires etc. Salve nossa corrente!

Se alguém foi esquecido nos agradecimentos avisem para podermos incluir. Queremos que ninguém fique de fora neste registro. 

Alexandre L'Omi L'Odò e Sandro de Jucá comemorando a ciência! Foto de Laila Santana.

Salve a Fumaça!
Salve a Jurema Sagrada!
Salve Malunguinho!
Sobô Nirê!!!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 15 de março de 2012

I Seminário Interno de Construção de propostas e ações judiciais contra a intolerância religiosa

A fumaça da ciência. VI Kipupa Malunguinho. Foto de Joannah Mendonça Luna.


I Seminário Interno de Construção de propostas e ações judiciais contra a intolerância religiosa

O QCM – Quilombo Cultural Malunguinho e o Terreiro de Jurema e Candomblé Mensageiros da Fé (Casa de Dona Dora) convidam todas e todos para participar do I Seminário Interno de Construção de propostas e ações judiciais contra a intolerância religiosa.

Neste evento, poderemos em grupo discutir formas legais (com advogados presentes) de combater a violência simbólica, racismo e xenofobia que a Jurema Sagrada, a Nação Xambá e o Toré, sofreram nos escritos do livro Umbanda – A Proto-Síntese Cósmica, do autor Yamunisiddha Arhapiagha - F. Rivas Neto, “psicografia do Caboclo Sete Espadas”. Em suas linhas, o autor agride profundamente estas religiões.

Este será o primeiro momento em que estas religiões estarão reunidas para combater de forma sistematizada este absurdo. Para ler parte dos texto revoltantes acesse: http://www.pdu.com.br/faca.html

Serviço:

Data: Domingo – 18 de março de 2012

Hora: 13 às 18h

Local: Terreiro Mensageiros da Fé (Casa de Dona Dora) – Rua Fernandes Belo 611, Jordão Baixo. Recife/PE.

Ponto de referência: Residencial Primavera.

Contatos para saber como chegar: 81. 8515-4605 (Oi) e 9804-1480 (Tim) – Falar com Cristina de Oyá. Ou ainda o: 81. 8619-8779 – Falar com Arthur de Iyemojá.

Haverá material disponível no local com cópias dos textos. Será construído um documento para assinatura dos concordantes.



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

GALO PRETO_ ONDE OS MESTRES AINDA CANTAM - MATÉRIA PARA A REVISTA FF>> MAG!

Imagem digitalizada da página 71 da revista ffw>> mag! n° 29, Jan. de 2012. Foto: Renata Mein.

GALO PRETO_ ONDE OS MESTRES AINDA CANTAM

Por Zeca Gutierres

 Um galo preto, que ficou sem cantar durante décadas, decidiu levantar a crista no alto de seus 76 anos e volta a ciscar no terreiro da música popular pernambucana. Tomaz Aquino Leão, o Mestre Galo Preto, ficou conhecido nos anos de 1970 – freqüentou os programas de Chacrinha e de Flávio Cavalcanti e fez parceria com um monte de gente famosa, até com Dercy Gonçalves. Sumiu por décadas até voltar ao batente com o retorno do coco-de-roda na cultura do Estado em que nasceu. “O Jackson do Pandeiro já cantava o coco, assim como Luiz Gonzaga. Mas agora o gênero voltou a se tornar popular e aproveito esta boa fase para mostrar minha arte”, diz o senhor muito bem-vestido, na estica, simpático e cheio de memórias para contar. 

Mas como o povo do Sudeste reconhece o tal coco? “Para começo de conversa, o coquista não é um homem culto. Ele aprende a cantar em rodas espalhadas pelo interior do Estado e trabalha em cima da improvisação. E o coco, propriamente dito, é uma dança, uma das tantas brincadeiras do nordestino, como a ciranda, o maracatu e o caboclinho”, ensina.

Galo Preto, que não gosta do título de “mestre” (“prefiro ser aluno, porque estou sempre aprendendo”), vem de uma família de repentistas e recebeu o apelido do irmão mais velho, quando tinha 6 anos. “Eu quis brigar com ele, que retrucou: “Este galo preto tá bravo demais...’.” Começou a inventar música aos 12 anos, já com o batismo consumado, e hoje, aos 76 anos, o coquista e embolador tem shows programados no Brasil e no exterior.

Um de seus últimos trabalhos foi uma letra para uma campanha do governo do Estado contra a AIDS. “Explicaram para mim como se pega, combate-se e também a maneira de não contrair a doença, e criei uma música para a campanha, que virou um documentário, que diz: ‘procure se proteger / Quem usa o preservativo não pega o HIV / A AIDS não pega no beijo, nem no aperto de mão / Não pega no assento do banheiro, nem no da condução...’ ”, canta o bamba.

Natural de Bom Conselho, usa um pandeiro com um galo preto desenhado. “Quando voltei a trabalhar, nestes últimos anos, foram fazer uma pesquisa e descobriram por fotos muito antigas que o meu pandeiro tinha um galo preto desenhado”, conta o coquista, que não perdeu tempo em apresentar o filho, Telmo Anum, como sucessor de seus versos, mas com um estilo, digamos assim, mais universal.
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Texto em Inglês:

GALO PRETO: WHERE MASTER STILL CROW_
A black rooster, silent for decades, hás decided to Begin crowing again. From the height of his 76-years of age, Mestre Galo Preto (roughly translated, Master Black Rooster) has returned to perch over the popular music scene in Pernambuco. Born Tomaz Aquilo Leão, He earned fame in the four corners of Brazil during the 1970 – He was on television shows like Chacrinha and Flávio Cavalcanti, and collaborated with loads of famous people, even with Dercy Gonçalves.

Then he disappeared for decades before returning to the scene, involved in the coco-de-roda culture of his home state. “Jackson do Pandeiro, Who is from my generation, already sang the coco, as did Luiz Gonzaga. Right now the genre has seen a comeback and I’m using the opportunity to show people my talent in singing and playing. In truth, I sing everything, coco, ciranda, forró..” explains the well-dressed, friendly man with a thousand stories to tell.

But how can people from other parts of Brazil recognize this ‘coco’? “In the first place, the coco Singer is not generally a well-educated man. He learns to sing in the music circles of the heartlands, and works with improvisation. The coco is in fact a dance, a playful game played by northeasterners, like the ciranda, maracatu and caboclinho”, He clarifies.

Galo Preto, Who doesn’t much like the title ‘master’ (I prefer to be called a student, because I AM constantly learning), hails from a family of repentistas, or rhyming poets.his older brother gave him the nickname when He was 6 years old. “I wanted to fight him, and He teased me, saying ‘The black rooster is angry, is He?” He began writing his own songs when He was twelve years old and today, at 76, this embolador has live shows scheduled all over Brazil and abroad. One of his latest taks was writing the words to a government anti-AIDS campaing. “They explained to me how its transmitted, how its fought and how to prevent it, and I made up a song about it, which has become a documentary. The words go: ‘Procure se proteger / Quem usa o preservativo não pega o HIV / A AIDS não pega no beijo, nem no aperto de mão / Não pega no assento do banheiro nem no da condução...’”, (Protect yourself / wear a condom and you won’t get HIV / You don’t catch AIDS from kissing or shaking hands / Not from a toilet seat or on the bus...”) Galo Preto switches his pandeiro from hand to hand effortlessly, mid flow, and is moved by the confidence and skill present in his verses. 

He was Born in the Pernambuco city of Bom Conselho, and his pandeiro has a drawing of a black rooster. “When I came back to work, these past few years, people were researching and discovered old photographs from my childhood where I had a black rooster drawn on my pandeiro. So I adopted the symbol once again,” says this charmer. He introduced us to his son, Telmo Anum, as the seccessor of his work, albeit it with a more modern catch that befits the new generation of musicians from Pernambuco.

Link para o site da Revista ffw>> mag!:  

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Publico aqui matéria da revista internacional ffw>> mag! n° 29 de janeiro de 2012. Com o tema "Pernambuco - Beleza em Estado Bruto. A revista trouce diversas matérias e fotografias de artistas da terra, entre eles o estimado Mestre Galo Preto, onde na página 71, mostra um pouco de sua história e sabedoria. Com fotos de Renata Main e reportagem de Zeca Gutierres, as matérias com os artistas pernambucanos nos envolvem completamente. Entre eles o Siba Veloso, o Naná Vasconcelos e a maravilhosa Selma do Coco. Boa leitura. Visite: www.myspace.com/mestregalopreto

 
Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 22 de janeiro de 2012

A outra fase do Case-Funase - Professor Carlos Tomaz escreve sobre experiência afro pedagógica de sucesso

Professor Carlos Tomaz. Foto de Anderson Santiago.

Educação: A outra fase do Case-Funase
Carlos Tomaz - Professor da REDE AFRO LGBT 
carlinhostomaz@hotmail.com
  
Jornal Diário de Pernambuco de 21/01/2012.  
COLUNAS
 
As últimas notícias sobre a situação do Case do Cabo não agradam ao povo pernambucano, o caos instalado com as últimas ocorrências é de fazer cabelos arrepiar. Fumaça, fogo, destruição, sangue, gritos, cabeça cortada e lançada muro afora. Desespero de mães a fim de saber notícias de seus filhos ali confinados para a tal ressocialização. Os espaços de reeducação no Brasil, sejam eles para menores infratores, como é o caso da Funase, sejam os presídios pernambucanos como o Aníbal Bruno, ainda estão longe do verdadeiro ideal de Projeto Ressocializatório, isso porque para ressocializar é preciso educar com investimento em projetos civilizatórios e humanos.

Aí está o nó do problema, afinal de contas, o que é ser humano num contexto de sociedade excludente, desigual como a nossa? O case do Cabo vive hoje esse drama. A mídia tem se interessado em mostrar a desgraça, afinal isso dá ibope, mas aqui não tenho a pretensão de reforçar o que a mídia vem fazendo, mas o de tentar nesse breve artigo revelar a outra face do case, o lado positivo. Então vejamos: Tive a oportunidade de conhecer de perto a escola que funciona dentro do Case Cabo, fui convidado para no mês da Consciência Negra ministrar uma palestra para adolescentes e jovens que ali estudam. Na oportunidade conversei com alguns jovens, dentre as falas que ouvi dos mesmos, uma me chamou a atenção, disseram que quando chegaram na escola os professores perguntavam o que eram, e os meninos respondiam: “A gente é tudo bandido”. A intervenção pedagógica dos professores afirmando que ali todos eram pessoas humanas e estudantes começou fazendo a diferença e, em outro momento a mesma pergunta já não tinha a mesma resposta. Agora, com a frase elaborada numa variedade linguística que não condiz com a norma culta: respondiam: “A gente é tudo istudante”. Essa sentença revela a importância da educação e do tratamento ao menor infrator como pessoa humana e não mais como bandido. Essa diferença e essa consciência humana levada aquele universo de tanta violência garantiu que, em meio à destruição, a escola fosse poupada.


Os jovens tocaram fogo, quebraram muita coisa, até mataram, mas a escola não foi tocada, lá ainda está o banner do mês da Consciência Negra, ninguém queimou. Esse detalhe talvez não percebido por muitos que tem a função de agente socioeducativo, traz à luz que a educação é a saída para o fim da destruição da nossa juventude, e esse trabalho tem sido feito ali com uma equipe formada por professores como Danilo, Marcos, Rita sob a orientação das professoras Sandra e Mizia da GRE METRO SUL e a contribuição dos movimentos sociais de Direitos Humanos negro e LGBT. Assim pensemos num Case focado na educação, mas com uma diferença: Uma educação que valorize e respeite cada adolescente e jovem como pessoa humana. Isso não é impossível.

Confira a matéria no site do jornal:

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O professor Carlos Tomaz, coordenador da Rede Afro LGBT, professor da rede pública de ensino do Estado de Pernambuco e integrante do Quilombo Cultural Malunguinho mais uma vez publica no jornal de maior circulação e respeito de Pernambuco, o Diário.  Em seu texto, podemos ver o quanto é inprescindível a efetivação da Lei Federal 10.639/03. Temos que nos propor a interagir e invadir os espaços de ensino com esta Lei. Ela nos garante a possibilidade de entendermos quem somos e interagirmos de forma menos racista no nosso mundo ocidental. Portanto, dou minhas congratulações pessoais ao meu querido amigo por mais este trabalho de afirmação da cultura e memória do povo negro brasileiro. Vamos em frente, não podemos parar! Axé e salve a fumaça! 


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!