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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Viva ao Patrimônio Vivo do Mestre Galo Preto

Mestre Galo Preto e Alexandre L'Omi L'Odò. Foto de João Rogério Filho.

Viva ao Patrimônio Vivo do Mestre Galo Preto

Por Alexandre L’Omi L’Odò. 30 de dezembro de 2011.

Hoje foi um dia muito feliz para mim, enquanto produtor e amigo do querido Mestre Galo Preto e sobre tudo muito mais especial ainda para o próprio mestre que foi reconhecido oficialmente pelo Estado de Pernambuco como um Patrimônio Vivo da cultura.

Isso tem uma relevância muito grande para a história das culturas populares no Brasil, já que pouco se escreveu sobre a memória destes e destas que sempre foram os pilares mestres na construção da identidade nacional. Sobretudo, ainda podemos destacar que a cultura popular com seus protagonistas, idosos ou não, dão o tom totalmente particular a este país que ainda se utiliza de forma não equânime da imagem colorida e única da diversidade desses brinquedos populares e brincantes para fortalecer o seu turismo cultural que na absoluta maioria dos casos desqualificam estes marcos turísticos com pagamentos de cachês desrespeitosos ou simplesmente dão o esquecimento total a todos e todas.

Contudo, Pernambuco é um dos poucos estados da federação brasileira que tem uma política de reconhecimento oficial nos termos do patrimônio imaterial para seu povo. Isso é um avanço para um Estado que por natureza tem uma diversidade esplendida em manifestações culturais de diversas matrizes – indígenas, africanas e portuguesas. 

O Concurso do Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco – RPV, instituído pela Lei 12.503, de 27 de dezembro de 2004, vem desde 2005, reconhecendo e valorizando, através da concessão do título de “Patrimônio Vivo de Pernambuco”, mestres e mestras, manifestações da cultura popular e tradicional representativas da cultura pernambucana e, também concede bolsas vitalícias de apoio financeiro aos premiados. Os artistas e grupos também ganham a possibilidade mais amplamente de expandir seus trabalhos, tendo melhor acesso aos editais (privilégio por ser Patrimônio) e também devem repassar seus conhecimentos aos mais novos, visando à perpetuação e sustentabilidade da cultura e memória pernambucana. Só quem tem mais de 20 anos de trabalhos comprovados em documentações dentro da cultura e tradição de Pernambuco e que sejam residentes no Estado pelo menos a vinte anos que podem concorrer ao Prêmio. Além do mais, os premiados sempre são pessoas de grande relevância e contribuição para a cultura do povo. De fato Mestres e mestras e grupos que tem em sua trajetória uma forte ligação com a imaterialidade do imaginário pernambucano.

Já há três anos venho colocando o Mestre Galo Preto para concorrer a este sonhado prêmio. Durante mais de 4 anos, venho realizando pesquisa e inventariando a memória do Mestre e seus documentos comprobatórios. Este trabalho rendeu um catálogo histórico, com grande parte de sua cronologia documental e memória oral, que retratam o perfil genial e fortemente universal do Sr. Tomaz Aquino Leão, o guerreiro de 76 anos - o Galo Preto.

Este trabalho foi fundamental para convencer o Conselho Estadual de Cultura da importância histórica para a cultura popular deste coquista e embolador. Também, com a produção em audiovisual do seu filme “Galo Preto, o Menestrel do Coco”, 46’min. de Wilson Freire e produção minha, que pudemos fazer relembrar e refrescar a memória dos veteranos mestres e estudiosos artistas do Conselho Estadual de Cultura. Além disso, também fiz uma coleção de pequenos shows em DVD e de algumas participações em CDs e Documentários onde o Mestre aparece.

Tudo isso junto, com meus esforços em estar sempre lembrando nos sites e nos meios de comunicação como jornais etc. da importância de Galo Preto, que rendeu este merecido e tardio reconhecimento.

Minha colaboração neste processo foi profundamente motivada pelo imenso afeto que tenho ao Mestre e pelo respeito à ancestralidade negra e indígena dos meus ancestrais e dos ancestrais de Galo. Também, fui motivado pela perspectiva de contribuir de forma ativa e visível para uma história menos positivista de Pernambuco, já que também sou graduando em História pela UNICAP. Acredito que com a premiação e reconhecimento do Mestre tive meus objetivos neste processo alcançados de forma vitoriosa. 

Alexandre L'Omi L'Odò e Mestre Galo Preto no dia do anúncio do prêmio. Seguram nas mãos a matéria de jornal do Diário de Pernambuco que trazia as boas novas.
 
O Mestre Galo Preto construiu em mim uma nova possibilidade de enxergar a vida. Ele me deu o direito de ajudá-lo e o direito de ser ajudado por ele, já que ele é meu mestre em cultura e ética. Prezo demais a amizade dele e o respeito que ele teve por mim em acreditar que eu, um “menino” de Peixinhos, pobre, sem escritório, sem carro, sem formação acadêmica concluída e, desprovido de conhecimentos maiores de mercado cultural pudesse ser seu produtor executivo, cultural, artístico e em alguns momentos até empresário... (Rsrs).

Enxergo que nossa caminhada a partir de agora será mais forte e ampla. Conseguimos juntos a realização concreta de um grande objetivo: Colocar o Estado de Pernambuco para reconhecer de forma pública e oficial a contribuição importante do trabalho e talento do Mestre Galo. E como afirmou ao Jornal Diário de Pernambuco de 28 de dezembro de 2011 o presidente do Conselho Estadual de Cultura Marcus Accioly: “temos o Galo Preto, que é um cantador que possui uma história com a qual Pernambuco possui grande débito”, posso afirmar que este débito começou a ser pago de forma ainda tímida com esta premiação..., mas mesmo assim, deixando o Galo muito feliz e realizado.

Toda esta situação também foi possível com o apoio de meus amigos João Monteiro e demais do Quilombo Cultural Malunguinho, que ao longo destes anos de trabalho vem contribuindo de forma direta e indireta na construção desta história. Também agradeço à importante contribuição da OTM - Organização Trajetória Mundial, na pessoa de Ademir de Brito, seu presidente, por ter disponibilizado seu CNPJ para que eu pudesse propor através de sua empresa o nome do Mestre Galo Preto ao VII edital do Concurso de Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco. Finalmente conseguimos! Obrigado ainda por nos dar suporte jurídico para nossos negócios, projetos e shows.

À toda comunidade do coco nordestino também devoto minhas considerações. Estamos em rede! O povo do coco, ou os coquistas são uma rede de memória oral independente, viva e dinâmica. São a cultura viva e o patrimônio vivo dessa tradição diversa e rica em dança, poesia, ritmo e melodia. Este reconhecimento do Mestre também se estende para todos estes e estas que conhecemos e ainda vamos conhecer... Agora temos mais um representante oficializado em termo estadual desta nossa cultua.

Mesmo com uma oposição fraca ao nosso trabalho, vencemos (calro!). A força do amor e da honestidade, do trabalho sério e da competência venceram os inimigos do Mestre. Tem pessoas que não contribuem e ainda influenciam de forma negativa no trabalho. Já houve casos de pessoas até me chamarem de ladrão e que eu estaria usando o Galo para crescer... Querendo fazer a cabeça do Mestre contra mim etc. Ainda quiseram convencer o mestre Galo em acreditar que a relação dele com a Jurema e o movimento negro seriam nocivos ao seu trabalho, demonstrando assim uma racista contribuição à mentalidade do Mestre, que idoso poderia se influenciar por isso. Mas ele é sábio e não ouviu estes absurdos... Estes invejosos do crescimento do trabalho do velho não se deram conta que tudo que foi realizado até hoje foi com muita seriedade e isso se refletiu nesta premiação. Portanto, me sinto melhor qualificado em meu trabalho enquanto produtor com tudo isso.

Galo Preto é um homem sábio. Ele me ensinou uma coisa muito boa: “vamos caminhar juntos para sermos mais fortes. Com honestidade e cumplicidade”... Assim é!

Parabéns também aos outros dois vencedores do prêmio: A ceramista Maria Amélia da Silva, de Tracunhaém e o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança. Grandes representantes de nossas tradições.

Este final de ano foi cheio de emoções. Agradeço à todos os amigos e amigas que de alguma forma ajudaram nosso trabalho, agradeço ao axé dos ancestrais e sobre tudo à fumaça sagrada da Jurema e à Malunguinho, por ter nos guiado todo esse tempo com força e proteção. Salve a ciência! Adupé Oxum, minha mãe soberana. Dona do brilho de minha caminhada!

Me sinto feliz por ser um catimbozeiro produtor estudante de história!

O Galo Preto – Patrimônio Vivíssimo de Pernambuco!

   OLHA O IDOSO CANTANDO by Alexandre L'Omi L'Odò

Com o pandeiro na mão, ele traz todos os ouvidos e olhares para si. Com forte memória e particular forma de improvisar e criar poesias na hora, o Mestre Galo Preto correu o mundo com sua originalidade natural e genialidade. Recentemente foi eleito pela Revista Aurora “o homem mais elegante do mundo”, por sua grande elegância, sendo comparado até como irmão gêmeo, em postura, da eleita a mais elegante do país, a empresária italiana Costanza Pascolato.

Com carisma, sorriso largo, ritmo forte e grande potencial criativo, o Mestre Galo Preto vem conquistando muitos públicos diferentes por onde passa. Traz em si a força e a presença da ancestralidade negra, evidente em sua música e trabalho. 

2012 será um ano muito importante em sua carreira retomada há quatro anos. Na altura dos seus 76 anos de idade, o Mestre acabou de ser selecionado no edital Conexão VIVO 2012, que irá levá-lo para shows em diversas partes do país. Aprovado como Patrimônio Vivo de Pernambuco nos últimos dias de 2011, terá a possibilidade concreta de gravar seu primeiro CD solo nos mais de 66 anos de carreira.

Felicidade é o nome de Galo Preto estes dias... Tendo visto o anúncio de sua nomeação como Patrimônio Vivo no Jornal da Globo as 7h da manhã do dia 28 de dezembro de 2011, acordou para a possibilidade de ter sua história reconhecida definitivamente. Ele tá que é sorriso só... Feliz e cheio de energia, já planeja uma festança de aniversário no dia 12 de março para comemorar este prêmio.

Com uma trajetória iluminada, Galo Preto dá a possibilidade ao Brasil de conhecer um pouco mais do coco, pois ele é didaticamente preocupado com o repasse de seus conhecimentos de mestre. Todo show dele é uma aula de cultura profunda. Seu repertório é sempre inédito! Tudo novo em cada show. Shows de repente... Só o refrão é o mesmo, às vezes, quando ele não inventa de pegar toda banda desprevenida com novas melodias e refrões improvisados na hora. É pura diversão ver um show de Galo... Perceber sua criatividade e velocidade em dar soluções de rima para as músicas é fantástico. 

Renovado com mais essa vitória em sua vida, o Mestre pretende fazer de 2012 um ano inesquecível em sua carreira. Quer gravar CD, viajar, compor, fazer parcerias e brincar ensinando muito em todo lugar que passar.
Antes de ser nomeado Patrimônio Vivo, ele já era Mestre Griô pelo Ministério da Cultura, projeto aprovado em 2010. Visitou muitas escolas públicas onde foi homenageado com trabalhos de crianças e adolescentes. Sempre levando sua alma moderna e inovadora para o contato com os meninos e meninas curiosos por estarem ali conhecendo um grande mestre da cultura pernambucana.

Seu trabalho não pára. O mestre está vivíssimo e cheio de força para contribuir mais ainda com a memória e a cultura pernambucana, conseqüentemente brasileira. Sua força tá na rima, no pandeiro, na pisada forte de sua sambada. Galo Preto sempre foi Patrimônio! Este prêmio não o legitima como mestre que ele sempre foi, mas o dá a possibilidade de ter reconhecido de forma ampla e com uma ajuda financeira merecida a sua trajetória difícil e bonita de vida.

Espero que essa nossa caminhada ainda dure mais uns 76 anos... Temos que desfrutar do verdadeiro sabor do coco nordestino ao som do Mestre Galo Preto, um artista único no que faz e da forma que faz... Uma pérola rara, um diamante da música nacional.


Alexandre L'Omi L'Odò
Produtor e sacerdote
alexandrelomilodo@gmail.com

Anunciação oficial dos três novos Patrimônios Vivos de Pernambuco - Bom dia Pernambuco de 28 de Dezembro de 2011



Anunciação oficial dos três novos Patrimônios Vivos de Pernambuco

Vídeo da anunciação dos três novos patrimônios vivos de Pernambuco. O Conselho Estadual de Cultura fez este anúncio as 7h da manhã do dia 28 de dezembro de 2011 na cede do Conselho para o Jornal Bom dia Pernambuco da Rede Globo Nordeste. Esta premiação deixou o Estado pernambucano mais forte e vibrante com a presença fortemente indispensável dos três premiados. Foi mais que merecido e tardio o reconhecimento. O Mestre Galo Preto está que é alegria só, já que ele com mais de 65 anos de carreira nunca tinha tido um reconhecimento tão amplo de seu trabalho e história. Esta vitória se deve a mais de três anos de pesquisa e luta por legitimação oficial coordenada por seu produtor Alexandre L'Omi L'Odò e claro, por causa de seu mérito autêntico e evidente.

Link para o vídeo no site do G1: 


Alexandre L'Omi L'Odò
Produtor do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Pernambuco tem três novos Patrimônios Vivos da Cultura Popular

 
Coquista Mestre Galo Preto. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Pernambuco tem três novos Patrimônios Vivos da Cultura Popular

Os mais novos contemplados foram anunciados nessa terça-feira pelo Conselho Estadual de Cultura e a Fundarpe

28.12.2011 - 15h12

A ceramista de Tracunhaém, Maria Amélia, o coquista Mestre Galo Preto, de Olinda, e o Maracatu Estrela de Ouro, de Aliança, são os mais novos componentes do seleto grupo de pessoas ou instituições de destaque na cultura popular, a ostentar o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco. A escolha se deu após a leitura e avaliação de ampla documentação dos mais de 59 processos de candidatos habilitados a participar da edição 2011 do concurso público, da capital e do interior. Todos eles foram indicados por entidades culturais, prefeituras e secretarias municipais de cultura, depois de comprovados pelo menos 20 anos de atuação no fomento à cultura popular e tradicional.

A Lei 12.196, de 02 de maio de 2002, que instituiu o Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco, tem como objetivo reconhecer, em vida, o trabalho dos mestres e grupos culturais da terra, na construção de um patrimônio cultural. Ela permite também a preservação e valorização das manifestações populares e tradicionais, garantindo as condições para que sejam repassadas às novas gerações de aprendizes. Para isso, o Governo do Estado paga uma bolsa vitalícia no valor mensal de R$ 907,77 (pessoa física) e R$ 1.815,53 (grupos culturais) como forma de incentivo à realização e perpetuação de suas atividades.

 Matéria no site da FUNDARPE - www.fundarpe.pe.gov.br

Com os 3  eleitos de 2011 para receber o título, sobe para 27 o número de Patrimônios Vivos de Pernambuco em atuação no Estado. Conheça os novos membros:

MARIA AMÉLIA DA SILVA – Ceramista de Tracunhaém

Com 88 anos de idade, MARIA AMÉLIA DA SILVA é pioneira na arte ceramista do município pernambucano de Tracunhaém e detém, de maneira sólida, conhecimentos e técnicas necessárias para a produção e preservação de aspectos da cultura tradicional do barro, no referido município.

Sob a influência de seu pai (João Bezerra da Silva, conhecido popularmente como Mestre Dunde), Maria Amélia começou a transformar barro em bichos e bonecos com oito anos de idade.  Mestre Dunde era louçeiro e produzia panelas, jarros, bacias, etc. para vender nas feiras livres da Zona da Mata Norte de Pernambuco. Foi no ambiente das feiras que Maria Amélia buscou inspiração para o que veio a ser a sua marca enquanto artesã. Através de quadros de santos espalhados nas feiras, Maria Amélia escolheu dedicar-se à construção de imagens de santos católicos, destacando-se as imagens de São João do Carneirinho, Nossa Senhora do Rosário, Rainha do Céu, São Francisco, Santa Luzia, São José e São Pedro. Suas obras medem de 50 a 70 cm e possuem uma expressão facial simples, mas comovedora. Os mantos são pregueados e largos, uma marca registrada sua que empresta certa imponência à imagem, facilmente identificada, diferenciada e primitiva do surgimento do artesanato em barro na cidade de Tracunhaém.

Sua história de vida no seio de sua comunidade e sua contribuição sócio-cultural para a cidade de Tracunhaém é refletida em várias exposições em cidades brasileiras como Brasília e Rio de Janeiro e em países como Inglaterra e França. Somados a isso, inúmeros livros, matérias de jornais e revistas como: livro O Reinado da Lua – esculturas populares do Nordeste (1980); o livro Artesão Brasileiro – folk art of Northeastem Brazil (1995); Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro Sec.XX (1976); livro Mestres que se renovam: a cerâmica popular de Tracunhaém (2010); livro Em nome do Autor – artistas artesãos do Brasil; livro O Povo do Barro, de Rildo Moura (2011). Destacamos, ainda, sua participações e homenagens:

- Homenageada na Festa dos Artesãos de Tracunhaém (1993) – Realizada pela Prefeitura Municipal de Tracunhaém e Secretaria de Turismo e Artesanato;
- Participação no Salão dos Mestres na FENNEART (2000 a 2009) – Centro de Convenções em Olinda-PE;

- Título de Cidadã Benemérita de Tracunhaém (2002) – Câmara Municipal de Tracunhaém;
- Participação na Exposição “100 anos do Brasil” (2003) – França;
- Homenageada “Artesã mais antiga” na Festa dos Artesãos em Tracunhaém (2005) – Prefeitura Municipal de Tracunhaém;
- Homenageada no I encontro Nacional de Artesãos (2006) – Prêmio Memória do Artesanato Pernambucano.

Por fim, compreendemos que a arte de Maria Amélia resulta de saberes acumulados por gerações de artesãos, exigindo domínio dos saberes e técnicas, bem como um apurado sentido estético e perícia manual. Sem dúvida, a artesã, referência para uma centena de pessoas, representa a continuidade de uma herança, cara à cultura pernambucana, de técnicas e conhecimentos dos recursos naturais existentes em sua região. Seus conhecimentos, transformado em objetos, criam e reinventam uma das formas mais singulares de representação de nossa identidade cultural. Portanto reconhecê-la significa, também, valorizar os produtos artesanais de referência cultural que reportam aos seus territórios, a um conjunto de elementos simbólicos e aos seus antepassados, traduzidos por costumes, ritos, mitos e cores.

TOMAZ AQUINO LEÃO (GALO PRETO) - Coquista

Tomaz Aquino Leão, conhecido artisticamente como Mestre Galo Preto, tem 76 anos de idade e mais de 65 anos de luta pelo coco e pela cultura pernambucana. Com larga atividade no meio cultural como coquista, cantador, embolador, compositor e percussionista, Mestre Galo é oriundo de Bom Conselho de Papa Caças, hoje reconhecido quilombo de Rainha Izabel, no agreste meridional, e, considerado o último remanescente da tradição do coco (dança, ritmo e cânticos) nessa região. Foi parceiro de nomes expressivos da música popular brasileira como, Jackson do Pandeiro, Cauby Peixoto, Arlindo dos Oito Baixos, Luiz Gonzaga, Jacinto Silva, entre outras personalidades musicais de sua época. Além de CDs gravados, sua vida e trajetória já foi objeto de dois DVDs, além de livro de fotografias e participação em vários DVDs e documentários sobre coco.

MARACATU ESTRELA DE OURO- Baque Solto - Aliança

O Maracatu Estrela de Ouro, numa herança de família passando por gerações e nomeações diferentes, desde 1882, tem sua constituição em 1966, no Sítio Chã de Camará, município de Aliança, e se torna a partir daí um ícone entre a manifestação popular do Maracatu de Baque Solto ou Rural. Mestre Batista, seu fundador, levou sua tradição e a faz difundir-se por todos os lados do canavial da Zona da Mata Norte de Pernambuco. A idéia era acrescentá-lo às brincadeiras do Cavalo Marinho, rodas de ciranda e forró de rabeca já praticadas no local. 

Durante anos, o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança saiu apenas para visitar os povoados das cidades vizinhas. Mas o grupo foi crescendo e ganhando popularidade  até figurar entre maiores maracatus do Estado de  Pernambuco. Por diversas vezes foi  campeão nos Concursos de Agremiações Carnavalescas  promovidos pela Prefeitura do Recife durante o carnaval. 

O Maracatu Estrela de Ouro foi, desde o início, um verdadeiro ponto de encontro de todas as culturas da região e de onde saíram vários mestres. Com a morte de Mestre Batista, em 1991, o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança passou a ser presidido por seu  filho, o mestre José Lourenço. Na nova fase, iniciada em 1992, o Estrela de Ouro foi reconhecido pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura, um local de preservação, recriação e transferência cultural do povo brasileiro.  Atualmente conta com uma biblioteca reconhecida como Ponto de Leitura e um estúdio de gravação.

Atualmente o Maracatu Estrela de Ouro tem mais de quarenta Caboclos de Lança, chefiados pelo Mestre Luiz; uma orquestra dirigida pelo Mestre Zé Duda e já ganhou o mundo sendo o único maracatu rural a chegar à Europa. Recentemente toda historia do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança foi lançada em livro pelo Historiador Severino Vicente.  Em 2009 o Maracatu Estrela de Ouro recebeu a comenda mais importante da cultura brasileira. A Ordem do Mérito Cultural.

Chamada no site da FUNDARPE.



Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!