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terça-feira, 17 de maio de 2016

Sabedoria Ancestral - Luta pelos Baobás de Olinda



Sabedoria Ancestral - Luta pelos Baobás de Olinda 

Vídeo do Diário de Pernambuco sobre a presença e importância do baobá para as religiões de matrizes africanas e indígenas em Pernambuco. 

Na luta pela preservação desta árvore sagrada ancestral, eu, Alexandre L'Omi L'Odò, Guitinho do Xambá e o Sr. Amaro Luiz da Silva nos posicionamos para defender sua existência em Olinda.

Publico este registro audiovisual para marcar nossa pauta de luta que vem de anos anteriores em prol da natureza. Vimos recentemente os baobás da sementeira de Olinda serem assassinados cruelmente, motivo de grande tristeza para nosso povo. 

Vamos lutar. Isso não poderá ficar assim. Os símbolos históricos e ecológicos das tradições africanas e indígenas devem ser defendidos e preservados pelo Estado, não destruídos de forma racista desumana. 

#VAITERLUTA! 
#SalveosBaobás!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Reflexão Afro Teológica Sobre Críticas ao Ilé Iyemojá Ògúnté

Detalhe do bolo de Iyemojá. Foto de Joannah Luna. 2012.

Reflexão Afro Teológica Sobre Críticas ao Ilé Iyemojá Ògúnté


As vezes me pego pensando que a mal formação dos sacerdotes e sacerdotisas no culto aos Orixás deve-se em parte (fundamental creio) a pressa dos iniciados em ter terreiro aberto. Afinal, ter terreiro além de ser um símbolo forte de poder, garante sobrevida financeira a alguns e algumas... Daí acontece que muitos não dominam todos os rituais corretamente, cantam mal, não aprendem as invocações certas, não leem os odús certos, e fazem deste culto um emendado de coisas... Remendos... Aprendizados contínuos... Claro que todas e todos tem que começar algum dia, ninguém aprende tudo, afinal nossa religião ninguém a domina por completo... Mas me veio agora a dúvida: Será mesmo que pessoas novas de idade podem questionar fatos dos mais velhos sérios? De quem vem a raiz? De quem aprende-se? Oq se faz remendando coisas é parte ou não é parte de uma tradição forte viva e vibrante da qual se dá subsídios para os rituais nas diversas casas de culto até hoje? Como poder falar mal de de algo que não se conhece?

Eu mesmo como sou infimamente fraco na parte prática do culto (não que eu não saiba fazer ebó, invocação, falar yorùbá, pois estudo desde os meus 13 anos de idade e já dei muitos cursos, ler odú, e realizar os desejos dos Orixás, cantar etc.), observo, aprendo, avalio, critico intimamente e tiro oq de melhor haver para minha cultura... 
Jamais falo do que não sei, afinal, vivo aprendendo de muitas fontes exatamente para não correr o risco de um dia abrir um terreiro sem ter aprendido como deveria as coisas no axé. Não tenho pressa, Oxum que sabe oq fará comigo no futuro...

Porém, vejo muitos e muitas de nossa religião, tecerem comentários maldosos sobre o Ilé Iyemojá Ògúnté - Terreiro Nagô, casa de culto nagô, de onde faço parte com muito orgulho. Meu pai Paulo Braz e minha Mãe Lu, são pessoas íntegras demais. Pessoas que lutaram e ainda lutam para manter viva a tradição do nagô em PE. Muitos lutam também, mas ali naquela casa tem o sangue de Pai Adão e Malaquias seu filho, correndo nas veias de muitos, vivos e fortes, ensinando e reeducando da cosmovisão do axé a nossa tradição. Todos bebem daquela fonte. Quem tem menos de 50 anos de idade, ou até 60 anos mesmo, bebem dali, mesmo levando pra suas casas partes do que não conseguiram aprender por completo por falta de humildade e capacidade de aprender.Meu pai é um homem complexo. Sábio, velho, e que sabe estudar e não tem vergonha de aprender mais e mais. Ele é um exemplo de perseverança no axé. Mesmo tendo todos os ensinamentos de seu pai, ainda hoje ele pede agô pela sua ousadia de levar a frente a tradição nagô, pedindo sempre agô kolofé a todas e todos ancestrais por estudar e colocar em prática fundamentos perdidos pelo tempo.

Daí, pessoas falarem que a casa é uma confusão, que tem brigas em panela de Iyemojá, que a família não presta, que é muita doidisse, etc. etc. etc. Só me demonstra o quanto estes mais novos não aprenderam... O quanto eles pouco observaram a dinâmica do axé, o quanto estes não absorveram a tradição dos nossos ancestrais mais ilustres de forma correta. Falar da casa que é regida por Ogunté, é falar mal de si próprio. É falar mal daquilo que vc tem dentro de seu pejí... É falar mal de vc mesmo. É negar oq vc ganhou de presente pela luta destes que vieram muito antes de vc.

Morrerei defendendo que ali naquelas simples paredes, naquele pequeno terreiro sem pompa, naquelas simples pessoas de grande axé reside a tradição mais preservada de PE. Pois que os pesquisadores abram os olhos e procurem escrever certo as coisas e parem de fazer pesquisa de gabinete e parem também de entrevistar apenas um lado dos personagens desta história. Aprendam a fazer antropologia ampla e contemporânea. Pois o axé de nossa casa é forte e irradia saberes pra todas e todos. Saberes que com certeza morreram com poucos, que se aventuraram de encarar o vivenciar no axé de forma completa e íntegra. 

Fui aqui muito prolixo para falar de algo simples... Apenas quero dizer que respeite os cabelos brancos dos mais velhos que detém o axé de fato. E procurem falar melhor a língua dos Orixás, pois nossa religião não é apenas pedir por intercessão. Nós somos guardiões de uma memória africana que merece toda e irrestrita dedicação para se manter viva e conservada. Não podemos ser íntegros, dignos e inabaláveis em nossa ética se não aprendermos isso.

Axé e agô kolofé!
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Esta postagem foi feita primeiramente no meu facebook em 27 de dezembro de 2013 por motivos de provocar uma reflexão sobre críticas que o Ilé Iyemojá Ògúnté está sofrendo devido ao incidente ocorrido no ritual da Panela de Iyemojá, em 14/12/2013. Esta mesma postagem gerou grande polêmica nesta rede social e para registrar a coloquei aqui para que mais pessoas tenham acesso. Salve a fumaça e a consciência!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Prêmio do Patrimônio Vivo de Pernambuco não contemplou o Sacerdote Paulo Braz Ifátòógún em 2013


Pai Paulo Braz Ifátòógún. Foto de Alcione Ferreira. Diário de Pernambuco. 2013.

Prêmio do Patrimônio Vivo de Pernambuco não contemplou o Sacerdote Paulo Braz Ifátòógún em 2013

Não foi desta vez para nosso grande mestre Paulo Braz Ifátòógún. Lutei bastante, fiz uma pesquisa em tempo recorde mas infelizmente o Conselho Estadual de Cultura não o selecionou como Patrimônio Vivo de Pernambuco desta vez. Fico triste por não ter dado esta alegria a ele neste ano, mas, ano que vem, com certeza estaremos tentando de novo este edital para que a cultura tradicional de terreiro possa ter um espaço no reconhecimento oficial do Estado. Pai Paulo nos representa a todos e todas e ele merece ser em vida reconhecido com este prêmio!

Parabenizo os três vencedores deste ano: Maestro Maestro Ademir Araújo, a quem tenho grande apreço por ser um verdadeiro guerreiro da cultura e da política cultura de PE, um homem que não se cala perante a covardia do Estado para conosco; e aos demais ganhadores. 

O Povo de terreiro precisa estar representado neste Panteão de mestres e mestras do Estado. Por isso insistirei até o fim para que Pai Paulo vença! Sou seu filho, e por ele luto mesmo! Axé e Obrigado a todas e todos do Ilé Iyemojá Ògúnté - Terreiro Nagô que me ajudaram a catar as fotos, documentos e tudo mais pra garantir a Pai Paulo o direito pelo menos de concorrer ao prêmio. AXé, axé e axé!!!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Que orixá rege o ano? Por Mãe Stella de Oxóssi


Que orixá rege o ano?

Maria Stella de Azevedo Santos
Iyalorixá de Ilê Axé Opô Afonjá
Jornal A TARDE 04/01/2012

Este é um artigo que possui objetivo esclarecedor. Tentarei tornar compreensível um assunto que surge todo princípio de ano. A imprensa faz reportagens e as pessoas indagam umas as outras ou perguntam a si mesmas sobre o orixá que influenciará o novo ano que surge. Fazem isso na tentativa de adivinhas o que é preciso ser divinado. Adivinhar é fazer conjecturas sobre um tema usando a intuição, o que todo ser humano pode fazer. Divinar, todavia, é entrar em comunicação com o sagrado, através de rituais guiados por sacerdotes. É claro que todo ser vivo, por possuir uma parcela divina, é capaz de se conectar com os deuses. Mas a utilização de oráculos, os quais fornecem informações mais precisas sobre o destino da comunidade, requer uma preparação especial e um estilo de vida que propicia à intuição inerente a todos apresentar-se de maneira muito mais clara. A intuição se transforma aqui em revelação: quando os véus que encobrem os mistérios são retirados pelos deuses, a fim de que nossa jornada aconteça de uma maneira orientada e, assim, possamos cumprir a tarefa que nos foi legada com o mínimo de percalços possível, o que torna a vida bem mais leve. 

Os leitores acostumados com os artigos que escrevo poderão estranhar a formalidade deste texto. É que “há tempo para tudo”: para contar anedotas, falar poesias, refletir sobre a vida... Esse tema pede seriedade! Faço isso porque creio ser a imprensa o meio ideal para esclarecer assuntos, que só não só melhor comentados por falta de oportunidade e conhecimento. Tendo agora esta oportunidade que me é dada pelo jornal A TARDE, não quero desperdiçá-la. Mesmo tendo eu a consciência de que nada se modifica de um dia para o outro, aproveitarei o momento para tentar fazer com que a população melhor compreenda as respostas do oráculo trazido pelos africanos para o Brasil, esperando que as sementes aqui jogadas possam um dia florescer e dar bons frutos.

A pergunta correta não é qual o orixá que rege o ano e, sim, qual o orixá que rege o ano para aquelas pessoas que cultuam as divindades e estão vinculadas à comunidade em que o jogo de búzios foi utilizado. Se isso não for bem esclarecido e, consequentemente, bem compreendido, parece que todos os sacerdotes erram em suas respostas, uma vez que uma iyalorixá diz que o orixá do ano é Iyemanjá, enquanto outra diz que é Oxum, ou um babalorixá diz que é Oxossi. Mesmo correndo o risco de o texto ficar enfadonho, insistirei em alguns pontos, a fim de elucidá-los melhor. No nosso terreiro, o Ilê Axé Opô Afonjá, o regente do ano 2012 é Xangô. A referida divindade, que se revelou no jogo feito por mim, não esta comandando o mundo inteiro, nem mesmo o Brasil ou a Bahia. Ela é o guia das pessoas que, de uma maneira ou outra (mais profunda – como é o caso dos iniciados; ou mais superficial – os devotos que freqüentam a “Casa”), estão vinculadas a mim enquanto iyalorixá, ou ao terreiro em questão.

O leitor, diante dessa explicação, poderá ficar confuso e sentir necessidade de perguntar: “E eu, que não cultuo orixá e não tenho relação com o candomblé, não serei orientado nem protegido por nenhuma divindade?” A resposta é: “Claro que sim! Por aquela que você cultua ou acredita”. Um católico, ou um protestante será guiado pelos ensinamentos de Jesus; um budista, pelas sábias orientações de Buda... Outra pergunta ainda poderá surgir: “E quanto às pessoas que não são religiosas, elas ficarão à toa?”. Não, é claro que não. Essas serão guiadas e orientadas pela natureza, que é a presença concreta do Deus abstrato. Seus instintos, protegidos por suas cabeças e corações, conduzirão suas vidas de modo que seus passos sigam sempre na direção correta. 

Que Xangô – divindade da eloquência, da estratégia, do fogo que produz o movimento necessário a todo tipo de prosperidade – possa receber, de meus filhos espirituais, cultos suficientes para que fortalecido possa torná-los cada vez mais fortes para enfrentar as intempéries que todo ano traz consigo. Obrigada, Ano Velho, pelas experiências passadas para o Ano Novo.

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Publico aqui este texto da sábia e querida Mãe Stella para poder informar mais amplamente o sentido do Odu que rege o ano de cada terreiro de candomblé. É importante podermos ter em vista que não há mesmo um regente geral para todos no ano, já que Odu é caminho individual. Bom, boa leitura e aguardo comentários!!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!