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domingo, 9 de outubro de 2016

Campanha - Pai Paulo Braz Meu Patrimônio Vivo

Pai Paulo Braz Ifátòógún - Alapini. Foto de Alcione Ferreira.

CAMPANHA
Pai Paulo Braz Meu Patrimônio Vivo!
#PaiPauloBrazMeuPatrimônioVivo!

Quem o conhece, quem passa algumas horas perto dele, quem escuta suas histórias e contos, quem o vê falando yorùbá e traduzindo, quem o vê cantar, quem o vê dançar, quem o vê celebrar a ancestralidade africana, quem o vê invocar os Orixás, quem joga o Ifá e descobre seu destino com ele não tem dúvidas, ele é um Patrimônio Vivo do Povo de Terreiro de Pernambuco e consequentemente do Brasil, um Patrimônio da Tradição de Matriz Africana, um Patrimônio Nagô.

Pai Paulo Braz IfáTòógún, é um raro sacerdote de Terreiro. Neto biológico de Felippe Sabino da Costa (Pai Adão) e filho do grande babalorixá Malaquias Felipe da Costa (Ojé Bií), ele é o herdeiro direto desta tradição nagô em Pernambuco. Babalorixá e Alapini (mestre do culto aos mortos/Eguns)do Ilé Iyemojá Ògúnté, leva à frente com muita garra os ensinamentos ancestrais de seu avô e pai.

Ele fala yorùbá! Isso mesmo. Nele está uma das últimas reservas dos saberes desta língua africana. Seus ensinamentos estão sendo repassados para os seus filhos netos e omorixás ("filhos de santo"), afinal, ele antes de tudo é um grande educador, um grande professor do divino, da tradição afro e da cultura popular.

Pai Paulo recebeu na Nigéria, pelos sumo sacerdotes e ministros de Ilé Ifé (terra sagrada africana) o título de Babá Ifá Muyidè, que significa "Ifá trouxe seu sábio filho de volta à sua terra natal". Esta honraria é uma das mais altas recebidas por um sacerdote na tradição africana, pois a partir deste momento ele foi consagrado um Osijé Agbaiyé - Um velho sábio detentor dos saberes totais da tradição, um mestre, uma referência para todos e todas irem se aconselhar.

Ele é simples. Mesmo sendo magnânimo é simples demais. Muito comunicativo e inteligente surpreende com suas longas preleções sobre os saberes orais nagô. Ele é um livro de grande valor. Nele estão guardados os símbolos necessários para a preservação de nossa memória, saberes e fazeres.

Ninguém que pertençe a tradição de terreiro pode dizer o contrário. Ele é Nosso Patrimônio Vivo!

Quem desejar conhecer sua história mais profundamente, visite este link e leia o texto que resume sua trajetória de vida na cultura e no axé: http://alexandrelomilodo.blogspot.com.br/2012/02/tio-paulo-braz-ifatoogun-um-sacerdote.html

Mais uma vez estamos indicando Pai Paulo para o Prêmio do Patrimônio Vivo de Pernambuco (foi indicado e não ganhou em 2013). Ele merece ser o primeiro Patrimônio Vivo de Matriz Africana contemplado deste edital, por uma questão de justiça e reparação. Afinal, ele tem todas as prerrogativas para ser aprovado por unanimidade.

Esta campanha a partir de hoje circulará na internet para fortalecer esta candidatura do Povo de Terreiro. Vamos compartilhar e enviar boas energias para o Conselho Estadual de Políticas Culturais de Pernambuco fazer uma escolha correta e justa elegendo Pai Paulo Braz como Patrimônio Vivo de Pernambuco, ele merece essa homenagem em vida, pois é um homem idoso e com muitos problemas de saúde.

Axé e que nossos Orixás e ancestrais o abençoem nessa luta. Vamos nos manter em orações africanas para essa vitória inevitável!

Kolofé babá wá!
Ibá ooooooooooooo!
Ire oooooooooo!

COMPARTILHEM!!!

#PaiPauloBrazIfátòógún
#PatrimôniovivodePernambuco
#PaiPauloBrazNossoPatrimônioVivo

Foto de Alcione Ferreira.

Alexandre L'Omi L'Odò
Historiador e Mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Reflexão Afro Teológica Sobre Críticas ao Ilé Iyemojá Ògúnté

Detalhe do bolo de Iyemojá. Foto de Joannah Luna. 2012.

Reflexão Afro Teológica Sobre Críticas ao Ilé Iyemojá Ògúnté


As vezes me pego pensando que a mal formação dos sacerdotes e sacerdotisas no culto aos Orixás deve-se em parte (fundamental creio) a pressa dos iniciados em ter terreiro aberto. Afinal, ter terreiro além de ser um símbolo forte de poder, garante sobrevida financeira a alguns e algumas... Daí acontece que muitos não dominam todos os rituais corretamente, cantam mal, não aprendem as invocações certas, não leem os odús certos, e fazem deste culto um emendado de coisas... Remendos... Aprendizados contínuos... Claro que todas e todos tem que começar algum dia, ninguém aprende tudo, afinal nossa religião ninguém a domina por completo... Mas me veio agora a dúvida: Será mesmo que pessoas novas de idade podem questionar fatos dos mais velhos sérios? De quem vem a raiz? De quem aprende-se? Oq se faz remendando coisas é parte ou não é parte de uma tradição forte viva e vibrante da qual se dá subsídios para os rituais nas diversas casas de culto até hoje? Como poder falar mal de de algo que não se conhece?

Eu mesmo como sou infimamente fraco na parte prática do culto (não que eu não saiba fazer ebó, invocação, falar yorùbá, pois estudo desde os meus 13 anos de idade e já dei muitos cursos, ler odú, e realizar os desejos dos Orixás, cantar etc.), observo, aprendo, avalio, critico intimamente e tiro oq de melhor haver para minha cultura... 
Jamais falo do que não sei, afinal, vivo aprendendo de muitas fontes exatamente para não correr o risco de um dia abrir um terreiro sem ter aprendido como deveria as coisas no axé. Não tenho pressa, Oxum que sabe oq fará comigo no futuro...

Porém, vejo muitos e muitas de nossa religião, tecerem comentários maldosos sobre o Ilé Iyemojá Ògúnté - Terreiro Nagô, casa de culto nagô, de onde faço parte com muito orgulho. Meu pai Paulo Braz e minha Mãe Lu, são pessoas íntegras demais. Pessoas que lutaram e ainda lutam para manter viva a tradição do nagô em PE. Muitos lutam também, mas ali naquela casa tem o sangue de Pai Adão e Malaquias seu filho, correndo nas veias de muitos, vivos e fortes, ensinando e reeducando da cosmovisão do axé a nossa tradição. Todos bebem daquela fonte. Quem tem menos de 50 anos de idade, ou até 60 anos mesmo, bebem dali, mesmo levando pra suas casas partes do que não conseguiram aprender por completo por falta de humildade e capacidade de aprender.Meu pai é um homem complexo. Sábio, velho, e que sabe estudar e não tem vergonha de aprender mais e mais. Ele é um exemplo de perseverança no axé. Mesmo tendo todos os ensinamentos de seu pai, ainda hoje ele pede agô pela sua ousadia de levar a frente a tradição nagô, pedindo sempre agô kolofé a todas e todos ancestrais por estudar e colocar em prática fundamentos perdidos pelo tempo.

Daí, pessoas falarem que a casa é uma confusão, que tem brigas em panela de Iyemojá, que a família não presta, que é muita doidisse, etc. etc. etc. Só me demonstra o quanto estes mais novos não aprenderam... O quanto eles pouco observaram a dinâmica do axé, o quanto estes não absorveram a tradição dos nossos ancestrais mais ilustres de forma correta. Falar da casa que é regida por Ogunté, é falar mal de si próprio. É falar mal daquilo que vc tem dentro de seu pejí... É falar mal de vc mesmo. É negar oq vc ganhou de presente pela luta destes que vieram muito antes de vc.

Morrerei defendendo que ali naquelas simples paredes, naquele pequeno terreiro sem pompa, naquelas simples pessoas de grande axé reside a tradição mais preservada de PE. Pois que os pesquisadores abram os olhos e procurem escrever certo as coisas e parem de fazer pesquisa de gabinete e parem também de entrevistar apenas um lado dos personagens desta história. Aprendam a fazer antropologia ampla e contemporânea. Pois o axé de nossa casa é forte e irradia saberes pra todas e todos. Saberes que com certeza morreram com poucos, que se aventuraram de encarar o vivenciar no axé de forma completa e íntegra. 

Fui aqui muito prolixo para falar de algo simples... Apenas quero dizer que respeite os cabelos brancos dos mais velhos que detém o axé de fato. E procurem falar melhor a língua dos Orixás, pois nossa religião não é apenas pedir por intercessão. Nós somos guardiões de uma memória africana que merece toda e irrestrita dedicação para se manter viva e conservada. Não podemos ser íntegros, dignos e inabaláveis em nossa ética se não aprendermos isso.

Axé e agô kolofé!
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Esta postagem foi feita primeiramente no meu facebook em 27 de dezembro de 2013 por motivos de provocar uma reflexão sobre críticas que o Ilé Iyemojá Ògúnté está sofrendo devido ao incidente ocorrido no ritual da Panela de Iyemojá, em 14/12/2013. Esta mesma postagem gerou grande polêmica nesta rede social e para registrar a coloquei aqui para que mais pessoas tenham acesso. Salve a fumaça e a consciência!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Axexê de Pai Edu - Nota Oficial do Palácio de Iemanjá

 
Pai Edu e Juliana Barbosa da Silva (Filha) em momento de discontração. Foto: Acervo Palácio de Iemanjá. 

Axexê de Pai Edu 
Nota Oficial do Palácio de Iemanjá

Antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas ao Povo de Terreiro em nome do Palácio de Iemanjá e dos filhos e filhas de Santo desta mesma casa; por todo transtorno causado em torno do Axexê de meu Pai, o senhor, Eduim Barbosa da Silva (Pai Edu).

Venho por meio desta, esclarecer “novamente” os fatos. Aproveito a oportunidade para além de anunciar a data oficial da realização do Axexê, e, também explicar o porquê da demora do mesmo. Contudo também, discorrer sobre a situação atual do Terreiro.

Logo digo também que o Palácio de Iemanjá já vinha enfrentando problemas há algum tempo, como muitos sabem, porém sem detalhes. Tais problemas que se agravaram com a convalescência (mais de quatro anos) e posterior falecimento de Pai Edu, triste fato ocorrido no dia 04 de maio de 2011. Sendo assim, essa citada situação foi parte fundamental das dificuldades de organização interna do egbé e causa fundamental do atraso na realização do Axexê.

Todo esse processo particular e interno do Palácio implicou em desagradáveis boatos e comentários a respeito da nossa conduta religiosa, expondo dessa forma, mais uma vez, a nós, do Palácio de Iemanjá, nos pondo em embaraçosas situações.

Além das já comentadas divergências e conflitos, o Terreiro também enfrenta um sério problema jurídico com a Prefeitura Municipal de Olinda, que se agrava a cada dia pela ausência de compreensão da importância histórica dessa casa e de nossa religião afro e indígena descendente. Mas, já estão sendo tomadas as providencias cabíveis, confrontadas por mim mesma.

Anuncio aqui o dia 10 de setembro de 2011, como a data oficial do Axexê do senhor Eduim Barbosa da Silva (Pai Edu), que será eternizado como grande Esá (ancestral ilustre) de nossa tradição, na citada data, renascendo assim para o Òrun.

O ritual será regido pela tradição Nagô de Pernambuco, pelos sacerdotes Jacy Felipe da Costa Pai Cicinho (Obá Rindé) e Paulo Braz Felipe da Costa (Omo Babá L’àiyé – Ifá T’Òogún), filhos sanguíneos do grande Esá Ojé Bíi (Malaquias Felipe da Costa), último sacerdote de pai.

Peço encarecidamente a todas e todos que quiserem participar do ritual, que se sintam a vontade para irem ao Palácio nesse dia, porém, como se trata da conclusão de um ciclo ritual fúnebre no candomblé, e não um evento público social, sendo uma “obrigação” que exige um significativo grau de seriedade e respeito, nós do Palácio de Iemanjá queremos que sejam obedecidas as regras de comportamento, ética e respeito para que sejam evitadas situações desagradáveis.

Por favor, irem todas e todos de branco absoluto, com roupas compostas. Para quem conheceu o querido Pai Edu e desejar presenteá-lo, podem levar comidas que ele gostava; bebidas que ele degustava e presentes que desejarem dedicar-lhe nessa liturgia.

O Axexê começará as 8h da manha e seguira pelo dia inteiro.

08 de Setembro de 2011.


Juliana Barbosa da Silva.
(Filha Caçula)
Palácio de Iemanjá – Olinda/PE
juliana.bison@gmail.com

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Publico aqui em meu blog texto oficial e integral da Nota do Axexê de Pai Edu. Foi-me solicitado tornar pública esta informação pelo Palácio de Iemanjá. Com prazer atendo este pedido carinhoso de todas e todos que estão na casa, lutando para conquistar dias melhores para a preservação da memória do Nagô e da Jurema de Pernambuco. Salve Pai Edu, peço meu Kolofé e Benção. Axé e salve seu Zé Pilintra na Jurema Sagrada.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!