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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Babá Paulo Braz Ifátògún - Matéria da Revista Aurora 2013



Babá Paulo Braz Ifátògún 
Matéria da Revista Aurora - 2013

Com matéria de Marcionila Teixeira e fotografia/registro audiovisual de Alcione Ferreira, este é um dos raros registros públicos do histórico sacerdote Babá Paulo Braz Ifátòógún. 

Esta matéria que consta de três páginas na publicação da Revista Aurora do dia 05 de Março de 2013 e registro audiovisual publicado no link: http://aurora.diariodepernambuco.com.... traz com sensibilidade parte dos saberes africanos do Alapini que fez história em Pernambuco, por ser um dos últimos grandes anciãos da tradição nagô. 

Pai Paulo Braz, faleceu no último dia 27 de Dezembro de 2016, levando consigo uma das maiores e mais expressivas bibliotecas negras de nosso tempo. 

Axé!
Kolofé!

Alexandre L'Omi L'Odò 
Filho de axé e eterno admirador de seus saberes ancestrais. 
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Amor ao nosso Mestre Maior - Pai Paulo Braz Ifátòógún

Parte das pessoas presentes no aniversário de 75 anos de Pai Paulo Braz Ifátòógún. Foto: Acervo do terreiro.

Amor ao nosso Mestre Maior - Pai Paulo Braz Ifátòógún

A família Iyemojá Ògúnté em comemoração aos 75 anos de vida do nosso Alapini Pai Paulo Braz Ifátòógún.

A festa foi linda, cheia de axé e com pessoas de diversos lugares. A casa parece que tem uma força de convergência espiritual muito forte... Juntando tantos intelectuais, religiosos, artistas e pessoas de bom coração, todos convivendo em harmonia e contribuindo em atividades revolucionárias em diversos âmbitos. Isso nos alegra bastante!!!

A força de Iyemojá, nossa mãe suprema, se fez presente nas invocações feitas por Pai Paulo Braz no memento de seu parabéns. Ele nunca deixa barato quando se trata em cantar e rezar para as divindades africanas. Cantou tão forte em louvor à Iyemojá que emocionou a todos e todas presentes, nos abençoando mais uma vez com a grandiosidade de seu espírito de fé e amor.

Nossa família agradece sua existência e roga à Olorun que sua presença entre nós se mantenha por muitos e muitos anos ainda. Precisamos aprender com o senhor!! Seu saber é oceânico!

Alexandre L'Omi L'Odò
Filho Deste Grande Mestre Nagô!
alexandrelomilodo@gmail.com  

Comemoração dos 75 anos de vida do nosso Alapini Pai Paulo Braz Ifátòógún

Pai Paulo Braz Ifátòógún. Foto de Alcione Ferreira.

Comemoração dos 75 anos de vida do nosso Alapini Pai Paulo Braz Ifátòógún

Hoje, nós, membros do Ilé Iyemojá Ògúnté, comemoramos o aniversário de 75 anos do nosso patriarca, do nosso Alapini, do nosso Babá Ifamuydè, o nosso pai Paulo Braz​ Ifátòógún. 

Ele é minha inspiração de vida. Uma meta a ser alcançada dentro da religião de matriz africana e indígena. Um sacerdote como nunca vi e senti...  Sou um buscador e andarilho da fé... já fui em muitos lugares no mundo... mas nunca encontrei alguém com uma alma tão pura para o culto aos Orixas, e uma sabedoria tão grandiosa. 

Para mim é um orgulho ter sua mão sob minha cabeça, integrando-me à sua família ancestral. Este foi um dos maiores presentes que Oxum me deu nesta vida. O senhor é a concretização do que é ser AFROCENTRADO. É a soma das filosofias sankofa e ubunto. És a África verdadeira no Brasil. 

Que babá Olorun lhe dê muitos mais anos de vida. Precisamos aprender mais e mais com o senhor. És um tesouro de valor inestimável em todos os sentidos. Principalmente no sentido do coração... e do amor à ancestralidade negra! Axé e kolofé meu pai. Te amo. 

Alexandre L'Omi L'Odò
Filho deste grande Meste Nagô!
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Reflexão Afro Teológica Sobre Críticas ao Ilé Iyemojá Ògúnté

Detalhe do bolo de Iyemojá. Foto de Joannah Luna. 2012.

Reflexão Afro Teológica Sobre Críticas ao Ilé Iyemojá Ògúnté


As vezes me pego pensando que a mal formação dos sacerdotes e sacerdotisas no culto aos Orixás deve-se em parte (fundamental creio) a pressa dos iniciados em ter terreiro aberto. Afinal, ter terreiro além de ser um símbolo forte de poder, garante sobrevida financeira a alguns e algumas... Daí acontece que muitos não dominam todos os rituais corretamente, cantam mal, não aprendem as invocações certas, não leem os odús certos, e fazem deste culto um emendado de coisas... Remendos... Aprendizados contínuos... Claro que todas e todos tem que começar algum dia, ninguém aprende tudo, afinal nossa religião ninguém a domina por completo... Mas me veio agora a dúvida: Será mesmo que pessoas novas de idade podem questionar fatos dos mais velhos sérios? De quem vem a raiz? De quem aprende-se? Oq se faz remendando coisas é parte ou não é parte de uma tradição forte viva e vibrante da qual se dá subsídios para os rituais nas diversas casas de culto até hoje? Como poder falar mal de de algo que não se conhece?

Eu mesmo como sou infimamente fraco na parte prática do culto (não que eu não saiba fazer ebó, invocação, falar yorùbá, pois estudo desde os meus 13 anos de idade e já dei muitos cursos, ler odú, e realizar os desejos dos Orixás, cantar etc.), observo, aprendo, avalio, critico intimamente e tiro oq de melhor haver para minha cultura... 
Jamais falo do que não sei, afinal, vivo aprendendo de muitas fontes exatamente para não correr o risco de um dia abrir um terreiro sem ter aprendido como deveria as coisas no axé. Não tenho pressa, Oxum que sabe oq fará comigo no futuro...

Porém, vejo muitos e muitas de nossa religião, tecerem comentários maldosos sobre o Ilé Iyemojá Ògúnté - Terreiro Nagô, casa de culto nagô, de onde faço parte com muito orgulho. Meu pai Paulo Braz e minha Mãe Lu, são pessoas íntegras demais. Pessoas que lutaram e ainda lutam para manter viva a tradição do nagô em PE. Muitos lutam também, mas ali naquela casa tem o sangue de Pai Adão e Malaquias seu filho, correndo nas veias de muitos, vivos e fortes, ensinando e reeducando da cosmovisão do axé a nossa tradição. Todos bebem daquela fonte. Quem tem menos de 50 anos de idade, ou até 60 anos mesmo, bebem dali, mesmo levando pra suas casas partes do que não conseguiram aprender por completo por falta de humildade e capacidade de aprender.Meu pai é um homem complexo. Sábio, velho, e que sabe estudar e não tem vergonha de aprender mais e mais. Ele é um exemplo de perseverança no axé. Mesmo tendo todos os ensinamentos de seu pai, ainda hoje ele pede agô pela sua ousadia de levar a frente a tradição nagô, pedindo sempre agô kolofé a todas e todos ancestrais por estudar e colocar em prática fundamentos perdidos pelo tempo.

Daí, pessoas falarem que a casa é uma confusão, que tem brigas em panela de Iyemojá, que a família não presta, que é muita doidisse, etc. etc. etc. Só me demonstra o quanto estes mais novos não aprenderam... O quanto eles pouco observaram a dinâmica do axé, o quanto estes não absorveram a tradição dos nossos ancestrais mais ilustres de forma correta. Falar da casa que é regida por Ogunté, é falar mal de si próprio. É falar mal daquilo que vc tem dentro de seu pejí... É falar mal de vc mesmo. É negar oq vc ganhou de presente pela luta destes que vieram muito antes de vc.

Morrerei defendendo que ali naquelas simples paredes, naquele pequeno terreiro sem pompa, naquelas simples pessoas de grande axé reside a tradição mais preservada de PE. Pois que os pesquisadores abram os olhos e procurem escrever certo as coisas e parem de fazer pesquisa de gabinete e parem também de entrevistar apenas um lado dos personagens desta história. Aprendam a fazer antropologia ampla e contemporânea. Pois o axé de nossa casa é forte e irradia saberes pra todas e todos. Saberes que com certeza morreram com poucos, que se aventuraram de encarar o vivenciar no axé de forma completa e íntegra. 

Fui aqui muito prolixo para falar de algo simples... Apenas quero dizer que respeite os cabelos brancos dos mais velhos que detém o axé de fato. E procurem falar melhor a língua dos Orixás, pois nossa religião não é apenas pedir por intercessão. Nós somos guardiões de uma memória africana que merece toda e irrestrita dedicação para se manter viva e conservada. Não podemos ser íntegros, dignos e inabaláveis em nossa ética se não aprendermos isso.

Axé e agô kolofé!
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Esta postagem foi feita primeiramente no meu facebook em 27 de dezembro de 2013 por motivos de provocar uma reflexão sobre críticas que o Ilé Iyemojá Ògúnté está sofrendo devido ao incidente ocorrido no ritual da Panela de Iyemojá, em 14/12/2013. Esta mesma postagem gerou grande polêmica nesta rede social e para registrar a coloquei aqui para que mais pessoas tenham acesso. Salve a fumaça e a consciência!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Tio Paulo Braz - Ifátòógún - Um sacerdote indescritível

 
Babalorixá e Alapini Paulo Braz - Ifátòógún. Foto de Marcelo Curia - RS.

Tio Paulo Braz - Ifátòógún - Um sacerdote indescritível

*Alexandre L'Omi L'Odò 
O amor é algo ainda indescritível, com poucas palavras não podemos o definir e, nem com muitas também não conseguimos satisfatoriamente descrevê-lo sobre tudo pelo seu profundo contexto particular e individual. Ele não é igual para todos. É assim que posso definir o senhor Paulo Braz Felipe da Costa, o Tio Paulo, ou Seu Paulo, babalorixá, alapini e grande preservador e dinamizador da tradição nagô pernambucana. Um homem feito de amor, amor aos Irunmolé, amor aos Eguns, amor a memória de seus ancestrais familiares e, amor a todos e todas que o cercam e aprendem com este generoso, profundo e sábio professor, discipulado de seu pai carnal.

Nascido em 03 de fevereiro de 1941, teve sua volta para a terra prevista pela Jurema Sagrada, através do Mestre Zé Deitado, que anunciou hora e dia de seu nascimento e ainda profetizou que aquele menino especial “trabalharia até com os astros”. Nascido no dia de São Braz recebeu o sobrenome do Santo católico, que é invocado para curar engasgamentos e problemas na garganta. O menino Paulo, também “chorou na barriga da mãe”, sinal de grande mediunidade e poderes divinatórios, segundo conta a tradição nordestina. E assim, nasceu “já preparado” o recém parido sacerdote, filho carnal do memorável babalorixá Malaquias Felipe da Costa – Ojé Bií (nascido para ser Ojé) com a mestra juremeira Dona Leônidas Josefa da Costa (Omisèún), que era também filha de Oxum Ijemú.

Bisneto do Alapiní de Oyó Obá – Lagos/Nigéria Adifábolá, que ao ser escravizado no Brasil recebeu o nome de Sabino Felipe da Costa e, neto biológico do famoso babalorixá Pai Adão – Felipe Sabino da Costa (Opeatoná) - Pai Adão recebeu o nome de seu pai ao contrário -, Pai Paulo tem no sangue a força da realeza africana, conseqüentemente o axé yorùbá fidedigno das terras nigerianas.

E, é evidente isso para quem o conhece. Ao olhá-lo pela primeira vez, percebe-se essa força negra, esse axé que emana da forma simples de se comunicar e de interagir conosco. Só o seu olhar expressa essa força... E muito mais. Até dá pra dizer que ele é a teologia afro! Completamente.

Ele é um homem de corpo livre. Dança e canta como ninguém... Pula, brinca, fala yorùbá com compreensão total e se diverte com o axé, se diverte ao invocar as divindades e espíritos, expressa toda sua alegria em viver com seus gestos. Digo que ele curte mesmo cultuar... Tem uma energia feminina brilhante que se mostra em sua generosa ação de acolher os que o procuram. Participar de qualquer ritual com ele é dar-se o direito de mergulhar profundamente em uma memória tão bem preservada ancestral que nos emociona e nos questiona sobre o que é de fato o saber... No caso dele, o saber é igual a ser, igual a estar, igual a viver o odú de seu caminho de forma pragmaticamente indivisível da vida externa ao espaço sagrado do terreiro. Ele é um exemplo real do iwá pélé (“caminho do equilíbrio, da honra e da dignidade”).

Sempre relembra emocionado: “tudo quem me ensinou foi meu pai”! Pai este que hoje é um Egun de muita importância para todos os terreiros em Pernambuco. Cultuado de forma vibrante no Ilé Ibó Akú (Balé) em sua casa, o Ilé Iyemojá Ògúnté, casa de tradição nagô também dirigida pela sacerdotisa Maria Lucia Felipe da Costa, Mãe Lu, ou Tia Lu – Iyemojá Omitòógún (àquela que cura com as águas, ou que as águas são remédio e tem poderes mágicos), sua irmã, herdeira da mesma Iyemojá de seu pai, “que ainda vem à terra”... E que o ajuda a manter este axé vivo com seus outros irmãos, o Pai Cicinho de Xangô (Obárindè) e a Mãe Zite de Oxum Ipondá.

Em novembro de 2009, foi comemorado os 100 anos de Ojé Bií, com uma festa em sua homenagem no terreiro. Foi um momento mágico, de re-alimentação de história e memória entre a família. Todas e todos passaram um dia inteiro a cantar, lembrar fatos, contar histórias e dar oferendas ao Seu Malaquias, que foi um dos mais energéticos sacerdotes pernambucanos, grande aprendiz de seu pai Adão e fiel seguidor de seus ensinamentos e práticas, sobre tudo na língua yorùbá, tão bem preservada e falada entre este clã familiar.

O Seu Paulo teve uma vida bastante heterodoxa profissionalmente. Pernambucano, não poderia fugir as suas origens, portanto, o carnaval invadiu sua vida, levado pelas mãos de seu próprio pai. Foi presidente do Bloco Carnavalesco Madeira do Rosarinho entre 1967 a 1975, “em um império” de muito sucesso. Seu pai, também foi presidente deste mesmo bloco em 1944. Em 1974, foi tesoureiro da agremiação. Gafieira e carnaval embalaram sua juventude recifense. Ainda foi secretário do 13 Atlético Clube e fundou a escola de samba A Charanga que posteriormente transformou-se em Escola de Samba Couro de Bode, que ainda hoje está em atividade na Cidade de Camaragibe/PE.

Formado em contabilidade comercial e taquígrafo profissional, trabalhou no Banco Irmãos Guimarães. Iniciou servindo cafezinho, mas logo, ao perceberem sua inteligência e capacidade profissional o promoveram para escriturário. Foi em 03 de fevereiro de 1965, dia de seu aniversário que se empregou oficialmente pela primeira vez. Sempre relembra: “Meu avô Adão e meu pai queriam muito que todos os seus filhos tivessem anel no dedo, mas infelizmente as condições da família não davam na época”. Portanto, a maioria aprendeu um ofício, como carpinteiro, costureira, serralheiro etc. relata.

Após provar sua capacidade como escriturário, foi mais uma vê promovido à contador do Banco, e isso “sem anel no dedo”, fala rindo, ao lembrar das dificuldades e racismos sofridos por ele neste período. Fala que era difícil um negro chegar ao alto escalão de um banco, lugar aonde ele chegou, e que isso provocou a ira de muitos ditos brancos na época, sobre tudo porque ele ainda avançou mais e foi gerente de expediente e depois gerente administrativo da empresa.
Acabou tendo que se mudar para morar em João Pessoa na Paraíba por causa do trabalho. O Banco exigiu... Até hoje ainda mora lá, no bairro do Beça, com esposa e filhos.

Aposentado, hoje vive entre Recife e João Pessoa, mas nunca abandonou o terreiro. Às vezes deixava de ir trabalhar para cumprir seus compromissos com os Orixás e Ancestrais.

Filho de Omolú com Oyá traz em si mesmo os símbolos destas fortes divindades. Mesmo se intitulando filho de Iyemojá Ògúnté, já que esta tradição é familiar, todas e todos são filhos do Orixá patrono da família, mesmo cada um tendo suas individualidades de odú.

Carrega os orikí – Omobabálaiyé (filho do senhor das terras) e Ifátóògún (Ifá foi seu remédio, ou o curou). Este último, só recebeu após ter sofrido problemas sérios de saúde após uma trombose. “Fui curado por Ifá” revela. Já que após ter adquirido seqüelas físicas, foi indicado pelo médico à ler bastante em voz alta, para exercitar os movimentos e coordenação da fala e fortalecer a memória. Assim o fez... Portanto, foi presenteado pelo seu amigo nigeriano yorùbá e filho de santo, com um livro sobre o Ifá... Leu, leu e leu... E aprendeu tudo do livro... Assim obteve sua saúde e movimentos corporais e memória de volta.

Depois, se iniciou no Ifá com Ajibolá e adentrou muito mais nos saberes do oráculo dos Orixás. Hoje, o próprio Ajibolá atesta: “Pai Paulo me passou no Ifá”, em gesto humilde.

Por ele ser contador de profissão e ter trabalhado a vida toda com números, o Ifá não foi nada difícil para aprender. Rápido se acostumou com o sistema do Opon Ifá e do Opelé e até hoje joga como ninguém. Um jogo com ele é inesquecível, além de ser uma aula competente sobre cultura e tradição nagô. Também joga os búzios, dentro da tradição de odú nagô pernambucana.

Criativo e dinâmico tem dado contribuições indeléveis à tradição de culto aos Orixás. Suas últimas investidas têm sido na tradução de toadas cantadas no nagô tradicional e também acrescentando alguns cânticos esquecidos pelo povo de terreiro por causa do problemático e cruel processo da “diáspora”.

Ele também é um pesquisador... E bom pesquisador! Tem em seu acervo de livros e raridades antigas, algumas ainda do tempo de seu pai e, adora buscar nas literaturas nigerianas elementos para incluir de forma pertinente ao seu culto.

Sempre diz: “O King (um de seus referenciais de pesquisa) é muito desentoado”, e por isso ele recriou e deu novas melodias, “baseadas na entonação de seu pai” às toadas registradas por Sikiru Sàlámi – o King, em seus livros e tese.
Um bom exemplo está registrado no CD do Maracatu Raízes de Pai Adão, intitulado de Cânticos Yorùbá, onde o Seu Paulo dá um show de língua, ritmo, afinação e entonação cantando as toadas pesquisadas e trabalhadas por ele em ritmo de maracatu.

Ele sempre diz: “As toadas estouraram nos terreiros por ai”... Em tom de felicidade, por ter podido contribuir de forma concreta com sua tradição. Muita gente canta, e as toadas até parecem que foram cantadas toda vida nos terreiros por aqui. É bonito de ver e ouvi-lo cantar para Oduduwá em uníssono com seu terreiro lotado:

“Ire l’ówó ori mi o.
Íre lówó ìrún-malè o.
Àsè lówó Odùdúwà.
Mo mu olà.
Mo mu ire bo wa o o e e.
Orí mi ma, ba mi se o o e e”.

“A sorte está com meu orí.
A sorte está nas mãos do Ìrúnmálè.
O axé está nas mãos de Oduduwá.
Eu trouxe prosperidade.
Eu trouxe sorte comigo.
Meu Orí me ajudou”.

(Cântico extraído do livro de Sikiru Sàlámi, 1993 - pag. 53-54)

Com sua generosidade, faz questão que todas e todos aprendam a cantar e a entender, pois ele afirma que tudo isso “é um resgate daquilo que morreu com àqueles e àquelas que partiram para o Orún para nos manter vivos hoje, e que nos sustentam”. Com orgulho canta e traduz tudo... Mostra “a sabedoria de seu pai”.

Por isso digo, descrever o Seu Paulo é difícil como falar do amor. Falar dele também dá em poesia e também em consciência negra. Enfim, é indescritível este sacerdote histórico e fundamental na manutenção do nagô no Brasil, ele e sua família são representantes reais do iwá pélé, os portadores do axé!

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* Texto comemorativo de aniversário. Parabéns pelos seus 71 anos nos dando alegria a todos - Babá Paulo Braz.

*Este pequeno artigo foi construído a partir de entrevista concedida a mim por Seu Paulo em março de 2011. Também, este texto é parte da pesquisa histórica que está em andamento no Ilé Iyemojá Ògúnté para construção de seu inventário, sob a responsabilidade do Quilombo Cultural Malunguinho.

Visitem seu site: 

 

Olinda/Peixinhos - 03/02/2012.



Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho

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Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!