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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Polêmica entorno da venda do acarajé na Bahia por evangélicos que insistem descaracterizar a tradição



Polêmica entorno da venda do acarajé na Bahia por evangélicos que insistem descaracterizar a tradição

Acredito que esta discussão deve ser levada muito a sério! O povo de terreiro não deve se deixar levar por mais este crime contra a identidade do povo afro descendente, sobre tudo o da Bahia. O Acarajé, especiaria maravilhosa que o povo negro preservou e tornou popular no Brasil todo, além de ser a comida por excelência do Orixá Oyá, é um alimento sagrado sim. Independente de onde e como esteja sendo vendido é sagrado, pertence ao sagrado de terreiro e ao imaginário do negro neste país. Tombado como patrimônio imaterial, o Acarajé, merece ser preservado na sua fórmula original de preparo e na forma de como é vendido tradicionalmente pelas baianas de acarajé em diversas partes do país.

Esta investida das Igrejas evangélicas é mais uma forma de agredir o povo de terreiro com intolerância, desrespeito e sacrilégio contra um bem teológico de nosso povo. Não podemos permitir isso! Quem quiser vender Acarajé, que venda da forma original. Com roupa de baiana e com tempero afro, com muito dendê, caruru, vatapá e pimenta...

Achar que famílias por sustentarem seus filhos vendendo este alimento de forma alheatória é bom,  merece uma discussão profunda sobre racismo e modos de transformação da cultura... As igrejas tentam de todas as formas nos repelir, nos omitir, nos satanizar. Isso é uma forma oficial de crime contra o patrimônio imaterial e contra a fé do povo de candomblé. “Acarajé pentecostal”, por favor, né... Isso é absurdo! Não devemos nos deixar levar pelo discurso da democracia racial em um país que só os negros e índios são condenados a miséria e a todas as formas de crimes contra a humanidade e cidadania.

A Regina Cazé falou besteira sim em defender que se pode vender Acarajé de toda forma. Achei muito irresponsável da parte dela, pois como uma apresentadora que está sendo ouvida e vista por todo Brasil, ela deveria ficar neutra ou ser a favor mesmo das baianas vestidas, pois é claro que não devemos apoiar tamanha loucura contra a tradição negra, sobre tudo por ser o Acarajé, um bem tombado.

Imaginem dizer que seria interessante redecorar e reconstruir de toda forma a Igreja da Sé em SP, só por que deveríamos redecorar as paredes para fazer famílias ganharem um dinheirinho a mais com tal mudança na arquitetura e na arte empregada em tudo dentro deste templo, imaginou?

Pois é, patrimônio é aquilo que resguarda em si memória histórica, identidade, tradição e valor diverso para futuras gerações. Assim é o Acarajé, um patrimônio de um povo, imaterial, mas que tem o mesmo valor que o bem material com Igrejas, obras de arte, documentos históricos etc. É CRIME DESTRUIR O PATRIMÔNIO, como prevê a lei deste país.

Chega de crimes contra o povo de terreiro – Abaixo à intolerância religiosa – Abaixo aos neopentecostais e outros evangélicos que cometem crimes de intolerância – ABAIXO A TODA FORMA DE DISCRIMINAçÃO!

Oyá kararò bi otá!

E apra ver a mal intenção dos evangélicos de forma bem clara, observem alguns comentários feitos no youtube onde o vídeo está na internet:

1- @OSUNBII TÁ VENDO, VCS MESMO SABEM Q O Q COMEM É COMIDA DE SATANÁS,EU TAMBÉM SOU CONTRA OS EVANGÉLICOS VENDEREM COMIDA CONSAGRADA A DEMÔNIOS,PORÉM TODO MUNDO É LIVRE PRA GANHAR O PÃO DE CADA DIA D FORMA HONESTA, E NISSO ELA ESTÁ NO SEU DIREITO, AFINAL ELA NÃO CONSAGRA AO DIABO ANTES DE SAIR VENDER, CONSAGRA AO SENHOR JESUS CRISTO, POR ISSO VENDE BEM E DEUS A ABENÇOA, E QUEM TEM Q SE CONVERTER SÃO VCS,FEITICEIROS, SE NÃO VÃO QUEIMAR NO INFERNO ANTES DO Q IMAGINAM, MAS NUNCA ESQUEÇAM:JESUS AMA VCS - @joaomarinhosp

2- PATRIMONIO MATERIAL!!!! ESSA É BOAAAA  KKKKKK!
ONDE O SERVO DE DEUS CHEGA O CAPETA NÃO AGUENTA!!!!
gutierre39

3- o acarajé e uma porcaria assim como toda a comida baiana, assim como o candomble, umbanda tudo e uma maquiagem do diabo pra enganar as pessoas de que nao fazem nada
Jesus disse EU SOU O caminho a verdade e a vida
portabetel

E mais, vejam esse vídeo, é muito legal, fala dos evangélicos que adoram condenar, vale a pena ouvir: 



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 19 de novembro de 2011

Fanáticos religiosos perturbam passageiros no metrô - seria o Espírito Santo?



Fanáticos religiosos perturbam passageiros no metrô - seria isso o Espírito Santo?

Ao assistir o vídeo acima, qualquer pessoa que não esteja envolvida no mundo neopentecostal contemporâneo irá achar um absurdo a atitude desses ditos "evangélicos" que ao estarem em profunda relação com suas convicções religiosas, promovem a mais descarada falta de respeito aos outros - outros esses, de diversas outras religiões que merecem respeito, especialmente no espaço público democrático.

Achar que a divindade suprema cristã Deus se manifestaria dessa forma em pessoas em metrôs, em surtos psicóticos de alto grau não caberia a compreensão bíblica. portanto: seia isso o Espírito Santo? 

Observo esse fenômeno como o desespero das pessoas com seus universos individuais, onde eles e elas ao se sentirem vazios interiormente, buscam justificativa nessas formas de expugnar suas energias, opressões sociais, frustrações e egos. Essa é forma perfeita encontrada por eles para dizer que estão em relação com o sagrado supremo, chegando mesmo a serem utilizados por este (em loco e em corpo), para promover atos de desrespeito aos homens e mulheres. Portanto, assim legitimam-se em suas comunidades religiosas, em que esses atos são contados posteriormente em "testemunhos" na Igreja como algo de virtude na lida da expansão do pensamento evangélico.

E mais, o racismo histórico ainda se revela na fala de um dos "evangélicos" que diz: "Deus gosta de negão, aprendi que Deus gosta é de negão"... Com isso fica claro que o indivíduo que é negro, ao se sentir aceito socialmente pela comunidade de sua Igreja, começa achar que Deus gosta de negros, revelando assim sua visão interna de que Deus é branco e que os brancos são mais aceitos... Esse é um tópico a ser muito aprofundado, pelo grau de importância do tema levantado (racismo religioso).

Acho que nós ainda não sabemos lidar com esses atos como deveríamos... Observa-se no vídeo que até os guardas do metrô, ficam perplexos perante a ação dessas pessoas. Não sabendo como agir. Pois não se sabe se isso é crime à ordem ou o que seria...

Acho que esse vídeo nos proporciona uma boa possibilidade de enxergar uma realidade a cada dia mais presente em nossas vidas. Essas práticas violentas contra outras formas de pensamento (como demonstra o vídeo na cena onde a mulher vai até dois jovens e ameaça-os com o "poder de Deus", por eles não estarem apoiando a atitude deles). Temos mesmo que discutir, pois isso, a psiquiatria diz ser surto coletivo... Etc.

Ontem, no V Colóquio de História da UNICAP, apresentei dois artigos com os títulos: Teologia da Jurema - Existe Alguma? e o Exú, Espírito Santo e Intolerância Religiosa... Este segundo trata de um caso semelhante a este citado, ocorrido dentro de um ônibus em minha ida à universidade. Depois disponibilizarei o texto integral aqui no blog.

Bom, vai aí a possibilidade de refletirmos e discutirmos sobre essa questão tão envolvente e indignante.

Afirmo aqui que minha proposta é de refletirmos sobre intolerância religiosa. Concebo que para essas pessoas no vídeo, o que ocorreu dentro do metrô foi algo sagrado, uma experiência religiosa. portanto, respeito na medida do possível isso, mas digo: "o direito do outro acaba quando começa o meu"...!

Salve a fumaça!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!