Espaço internacional de discussão e troca de saberes. Local para estreitar nossas negras discussões e lucubrações sobre a Música Percussiva (Yorùbá/afro-descendente e nordestina) e as religiões das matrizes indígenas e africanas, além de todo o seu imaginário histórico, social, cultural e pedagógico. Local de exposição de vivências práticas com a religião negra!!!
IV Conferência Estadual de Cultura de Pernambuco diz coletivamente Fora Michele Collins!
Na IV Conferência Estadual de Cultura de Pernambuco, foi aprovada uma moção de repúdio pedindo o afastamento da Vereadora do Recife Michelle Collins da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores, e repudiando-a pelos seus atos de racismo e intolerância religiosa cometidos contra os povos e comunidades tradicionais de terreiro.
Foi um momento de grande vibração contra essa "missionária evangélica", que promoveu um crime difuso vilipendiando profundamente o Povo de Terreiro, atacando de forma violenta um de nossos maiores símbolos religiosos, que é o Orixá Iyemojá.
A moção foi apresentada pelo Quilombo Cultural Malunguinho e o militante negro-indígena Tiago Nagô, assinada e aprovada pela plenária final da Conferência.
Lideranças culturais e intelectuais de todo o Estado estão revoltados com esse cruel fato protagonizado por essa vereadora, que usa de seu cargo público para promover a desconstrução da luta pelos direitos humanos. O racismo precisa ser exterminado do mundo, e principalmente da política.
Várias instituições foram no último dia 02/03 protestar contra os crimes de racsimo e intolerância religiosa cometidos por Michele Collins, em frente ao MPPE. Foto: Acervo Casa das Matas do Reis Malunguinho.
Povo de Terreiro de Pernambuco diz Fora Michele Collins no MPPE
Quero aqui deixar claro para o Povo de
Terreiro de Pernambuco, que o histórico protesto ocorrido ontem, em Frente ao
Ministério Público do Estado, para defender a honra de nossas divindades, e em
prol da luta contra o racismo e intolerância religiosa, gritando abertamente #ForaMicheleCollins,
foi organizado pelas seguintes instituições:
1 - Rede das Mulheres de Terreiro de
Pernambuco;
2 - Ilé Àse Orisanla Talabi;
3 - Quilombo Cultural Malunguinho;
4 - Articulação das Advogadas Negras e de
Terreiro de Pernambuco;
5 - Terreiro Xambá;
6 – Tenda de Umbanda Caboclo Flecheiro;
7 - E, pessoas e outros terreiros como Tiago
Nago, Professora Denise Botelho, Professora Ceiça Axé, etc.
Assim sendo, continuaremos com esta luta
contra todo e qualquer tipo de absurdo que ocorra contra o Povo de Terreiro.
CHEGA de passividade e pactos com o Governo e com o racismo. Nosso Povo precisa
avançar e não ficar preso à inexistentes representações. Nosso grito de luta
não ser a calado pelos capitães do mato que rastejam perante o Estado! Somos
livres e autônomos, ninguém poderá NOS CONTROLAR, como ficamos sabendo ontem...
Quando nos foi relatado que pessoas de Terreiro, por interesses espúrios, não queriam
que este ato acontecesse.
Vamos em Frente com a força de Iemanjá, todos
os orixás, de Malunguinho e a Jurema Sagrada, e, da Umbanda.
Queremos sim a condenação por crime de racismo,
da vereadora Michele Collins. Ela cometeu um ato imperdoável. Que fique claro,
que se houver alguns dos nossos que querem calar perante a este absurdo, COMO
VIMOS ONTEM... A AUSÊNCIA DE DETERMINADAS PESSOAS QUE SE DIZEM LUTAR PELO POVO
DE TERREIRO, PROVA QUE NÃO HÁ DE FATO RESPEITO À LUTA, MAS SIM PACTO COM OS
RACISTAS!
Sigamos em Frente na luta por nosso coletivo.
Só na hora da guerra, é que sabemos quem é quem!
Povo de Terreiro unido contra o racismo em frente ao Ministério Público de Pernambuco. O grito coletivo foi contra a vereadora racista do Recife, Michele Collins. Foto: Acervo Casa das Matas do Reis Malunguinho.
Depoimento no MPPE da vereadora Michele
Collins, foi marcado por protestos do Povo de Terreiro de Pernambuco
O Povo de Terreiro de Pernambuco, no último dia 02/03,
mostrou de fato como se faz movimento social. Protestamos pacificamente contra
o racismo e a intolerância religiosa em frente ao MPPE - Ministério Público de
Pernambuco, dizendo coletivamente #ForaMicheleCollins.
No dia de seu depoimento ao Ministério Público, para esclarecer sobre os crimes de racismo, incitação ao ódio e intolerância religiosa, que cometeu contra o Povo de Terreiro, a vereadora foi recebida com um organizado protesto dos terreiros. Ela se acovardou e não passou entre os grupos que reivindicavam respeito à Iemanjá.
Contudo, os sacerdotes e sacerdotisas presentes firmaram o ponto e gritaram Fora Racista Collins!
O grupo de quatro advogadas negras,
articuladas pelo nosso movimento em prol do povo de terreiro, deram um show de
organização e nos representaram com forte veemência, na oitiva da vereadora. Houveram
alguns entraves, como o temporário bloqueio da entrada de nossas advogadas na
hora do depoimento de Michele, contudo, ao final, nossas representantes foram
recebidas pelo promotor Westei Conde, para um diálogo sobre direitos humanos e
a luta contra o racismo.
O processo segue, tendo como próximo passo, a
oitiva dos terreiros pelo Ministério Público, no dia 22 de Março, às 10h.
Estamos orgulhosos do dia de hoje. Queremos
deixar escurecido que queremos justiça e iremos até o fim nessa luta coletiva!
O POVO DE TERREIRO NÃO QUER SER REPRESENTADO
POR QUEM NÃO NOS REPRESENTA. QUE ESTE RECADO FIQUE BEM DADO AOS CAPITÃES DO
MATO! Pernambuco, hoje vive um difícil momento para o Povo de Terreiro. Para
além dos permanentes crimes de racismo e intolerância que sofremos, ainda temos
que lidar com o oportunismo de pessoas de dentro de nossas tradições que
assumem cargos políticos e querem manipular os terreiros em favor do Estado.
Mas a máscara já caiu há muito tempo!
COMPARTILHEM Boa notícia de nosso povo de
terreiro!
Fora Michele Collins! Alexandre L'Omi L'Odò faz apelo público em defesa do Povo de Terreiro
#ForaMicheleCollins!
Vídeo
denúncia e de apelo à justiça para que sejam cumpridas as leis contra o racismo
e a intolerância religiosa.
Nós,
Povo de Terreiro, fomos profundamente violentados pela vereadora do Recife,
Michele Collins, que em um ato coletivo de racismo, realizou um ato, dia 3 de
fevereiro, na beira mar, para "quebrar a maldição de Iemanjá sobre a
Terra". Este crime, ficou explícito e público a partir de uma publicação
em seu facebook, onde orgulhosamente ela para mostrar sua maligna ousadia,
perante os adeptos da fé intolerante, violenta e desrespeitosa, escreveu e
publicou uma fotografia deste ato.
Nós,
do Quilombo Cultural Malunguinho, hermanados com todos os movimentos de luta do
Povo de Terreiro e dos direitos humanos, dizemos publicamente #ForacheleCollins
Esse
crime não pode ficar impune! Queremos a criminalização pela lei destes atos de
racismo, intolerância religiosa e incitação ao ódio e à xenofobia.
Não
queremos as desculpas dela! Ela retirou a postagem do ar e em matérias de
jornal falou que escreveu de forma equivocada... MENTIRA! Sabemos que todos os
dias dentro das quatro paredes das "igrejas evangélicas", é ensinado
o ódio e a intolerância religiosa. O desrespeito ao próximo... Isso tudo a
partir de interpretações equivocadas do livro sagrado dos cristãos - a bíblia.
Rogo
à Iyemojá, à Oxalá e à Xangô, que a justiça seja feita. Um crime público e de
tão grande repercussão não pode passar impune de forma alguma! Se a Justiça
permitir a impunidade, estará nos condenando à todas e todos, que fomos vítimas,
e abrindo o precedente para conflitos religiosos onde a violência será
protagonista.
Ajudem
a COMPARTILHAR esse apelo!
Axé! Agô Kolofé!
Vídeo
produzido pela Aláfia Filmes - Instituição de luta pelos povos tradicionais.
Alexandre L'Omi L'Odò
Coordenador
Geral do Quilombo Cultural Malunguinho
Alexandre L'Omi L'Odò denunciou o caso de intolerância religiosa ao MPPE. Foto de Rafael Martins.
Discriminação dentro de ônibus desperta debate sobre Intolerância religiosa
Sacerdote da Jurema foi execrado por evangélicos e denunciou o caso ao Ministério Público
Matéria de Adaíra Sene
Diario de Pernambuco, 17 de Junho de 2016.
Ele é amaldiçoado, macumbeiro, catimbozeiro, dessas religiões, víbora do inferno, illuminati do satanás. Não faltaram termos pejorativos para um grupo de evangélicos queimar Alexandre L'Omi L'Odò, sacerdote da jurema, na inquisição da pós-modernidade. E nos novos tempos, o julgamento vem em cliques. As imagens das ofensas caíram nas redes sociais e causaram inquietação. Se nos séculos passados as chamas ardiam sob alegação de combate à heresia, no último dia 09, as palavras incendiaram com o intuito único de exterminar o diferente. Em um país miscigenado, foi no terminal de ônibus de Xambá - assim denominado em respeito à Nação Xambá ainda viva em Olinda - que um seguidor da religião de matriz africana e indígena se viu coagido por suas crenças. A intolerância vivida por Alexandre - produtor cultural, fundador do Quilombola Cultural Malunguinho e estudante de mestrado em Ciências da Religião - agora é investigada pelo Ministério Público de Pernambuco.
"A maioria do nosso povo abaixa a cabeça e guarda para si quando nos agridem. Eles usam adjetivos para desqualificar nossa tradição, sacerdócio e nossos símbolos religiosos. Eu não saí de casa para brigar com ninguém, mas reagi. Tive que enfrentar isso como os velhos guerreiros malunguinhos enfrentavam", desabafou.
No dia 09, por volta das 20h, ele entrou num ônibus que fazia a linha TI Xambá/Encruzilhada, no Terminal de Xambá, acompanhado do afilhado de jurema Henrique Falcão. Os dois seguiam para a casa de axé Ilé Iyemojá Ògúnté, em Água Fria. Mas, segundo o juremeiro, ao entrar no ônibus, um vendedor de açaí começou uma pregação e instigou os evangélicos que estavam no coletivo contra ele. Teria dito, inclusive, que sabia da existência de um grande terreiro de "macumba" por trás da estação, o Terreiro Xambá, comandado por "um negão pai de chiqueiro", citando o babalorixá Ivo de Xambá.
"Ele falou do meu povo e de um sacerdote. Fui diretamente atingido e reagi. Ainda me chamou para brigar dizendo que o demônio não conseguiria atingir um filho de Deus. Sou pacifista, mas não abaixo minha cabeça. Rebati com argumentos convincentes sobre o desrespeito dele até mesmo aos princípios da religião que segue, que diz que não devemos julgar. Algumas pessoas concordaram, mas outras se manifestaram até com o Espírito Santo contra mim", detalhou. A confusão foi tamanha que até mesmo o vigilante do Terminal Integrado foi até o ônibus. "Seguranças e fiscais da estação mandaram que nos retirássemos. Óbvio que também os rebati dizendo que paguei a passagem e que eu era a pessoa que estava sendo violentada". Segundo Alexandre, a discussão só terminou quando ele chegou ao seu destino.
Indignado, o juremeiro publicou um vídeo que fez das ofensas no Facebook no último 12. A postagem alcançou grande repercussão e - até a noite desta sexta-feira - tinha mais de 500 compartilhamentos. Alexandre L'Omi L'Odò, então, levou a denúncia para o Ministério Público. O caso foi registrado nessa quinta-feira. O MPPE, por meio da Promotoria de Justiça de Transporte, colheu o depoimento dele e vai instaurar um procedimento investigativo. No prazo de 30 dias, o caso será analisado para que sejam tomadas as medidas cabíveis. O promotor de Justiça Humberto Graça foi designado para a ocorrência.
A equipe de reportagem entrou em contato com o Grande Recife Consórcio de Transportes para questionar a conduta do fiscal e o comércio irregular e pregação dentro do coletivo. Segundo o Grande Recife, quem interveio foi um vigilante patrimonial. Através da assessoria de imprensa, o funcionário afirmou que entrou no ônibus tentando apaziguar a discussão, mas que em momento algum pediu para que eles se retirassem. Doutrinações e vendas são proibidas dentro de ônibus e, segundo o Consórcio, cabe aos motoristas solicitarem que as pessoas parem ou se retirem. Quando são flagradas pelos fiscais, as empresas são autuadas. Não foi o que aconteceu no último dia 09.
Regulamentação do Grande Recife
De acordo com o anexo 15 do Regulamento do Sistema de Transporte Público de Passageiros da Região Metropolitana do Recife (STPP/RMR), não é permitida a atividade de vendedores ambulantes dentro dos veículos, assim como é proibido qualquer usuário de falar em voz alta (seja para vender, anunciar, pedir, pregar religiões, etc) de modo que perturbe o sossego dos demais usuários.
CASO REACENDE DEBATE QUE ANDA À ESPREITA NA SOCIEDADE: A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
Preconceito religioso foi tema de especial do Diario: Povos de Santos. http://diariode.pe/f0uc. Foto: Victor Germano
Para o psiquiatra Carl Jung, o papel dos símbolos religiosos é dar significação à vida do homem. A partir dessa consciência de fé, florescem as mais diversas crenças enraizadas por influências do meio e da colonização pela qual ele se formou. De acordo com a doutora em teologia especialista em políticas públicas e direitos humanos e uma das fundadoras do Comitê Nacional de Diversidade Religiosa, Marga Janete Ströher, no Brasil, a intolerância religiosa sempre existiu.
"Nossa colonização já veio acoplada a um projeto político e religioso. Há 516 anos, os índios não tiveram sua religiosidade reconhecida. Os povos ciganos já vieram expulsos da Europa. Os africanos foram escravizados. Lidamos com isso como convivemos com uma suposta democracia racial. Você só ouve falar quando chega a níveis extremos, com incêndios criminosos em terreiros e assassinatos".
A intolerância no país tem aumentado?
Eu trabalhei por quatro anos acompanhando de perto as denúncias do Disque 100, o Disque Direitos Humanos. Posso dizer que tem aumentado de forma sistemática e cada vez mais agressiva. O fascismo que cresce dentro do nível político e econômico também se transporta para o nível das relações e se prolonga pelo país inteiro. Para termos uma ideia, desde quando começamos a divulgar o Disque 100, de 2012 até 2013, houve um aumento de 600% no número de denúncias.
Quem são as principais vítimas da intolerância religiosa?
A gente sabe que em primeiro lugar estão as pessoas de matrizes africanas, indígenas ou afro-indígenas. Mas também existem os muçulmanos que são diretamente vinculados ao terrorismo porque as pessoas não têm discernimento sobre o que é religião e o que é posição política radical. E ainda temos ateus e agnósticos nos país, cerca de 8%, que sofrem porque são julgados como sem caráter por não acreditar em Deus.
Quem são os principais agressores?
É complicado você dizer isso, mas, de acordo com as denúncias, por via de regra são seguidores de religiões fundamentalistas, cristãos evangélicos. É importante deixar claro que não é apenas uma intolerância religiosa. Ela é um componente muito forte de racismo atrelado à violência. Não estamos mais apenas no nível do desrespeito. Chegamos ao ponto crítico de assassinatos.
Onde as agressões mais acontecem?
Por incrível que pareça, muitos casos acontecem com crianças ainda nas escolas. Muitas são discriminadas e ofendidas verbalmente por estarem com vestimentas ou guias, por exemplo, que fazem parte dos rituais das tradições. Mas acontece em todos os lugares. Nas ruas, em supermercados. Os terreiros mesmo, considerado lugares sagrados, têm sido apedrejados e destruídos pelo país inteiro.
Essa violência motivou a criação do Comitê Nacional?
A motivação maior da criação do Comitê de respeito à diversidade religiosa veio a partir das denúncias que a gente recebia através do Disque Direitos Humanos. Mas, além disso, também recebíamos muitas informações nas visitas que fazíamos pelo país e decidimos criar algo para concentrar ações e reverter essa história.
Qual a missão do comitê?
O comitê é paritário e funciona em parceria do Governo Federal com a sociedade civil. Ele serve para ampliar o debate e fomentar a implantação de políticas públicas para atender essa demanda crescente. Ele tem essa função importante de trabalhar metodologias de conscientização.
Como as pessoas podem denunciar?
Se você se sentiu desrespeitado devido às crenças que segue, procure a delegacia mais próxima, registre a ocorrência. Vá ao Ministério Público, denuncie. Por todo o país existem órgãos de assistência e acolhimento para vítimas desse tipo de violência.
"É preciso problematizar a questão. Não é a primeira vez que isso acontece. E isso é fruto de um proselitismo religioso. O número de evangélicos vem crescendo e eles são doutrinados a pensar que apenas a religião deles é a correta. Muitas igrejas estão bombardeando ideologias racistas e preconceituosas sob uma perspectiva teológica que o Deus deles é melhor que o dos outros e formam pessoas preparadas para agredir nosso povo pelas ruas. É preciso uma intervenção enérgica de conscientização para que crimes de intolerância parem de acontecer. Sei que é uma ferida aberta e foi preciso que eu colocasse o dedo para ampliar o debate. Mas nossos terreiros estão sendo incendiados, os filhos de santo têm apanhado nas ruas. Se esse pensamento fascista se expandir, daqui a pouco vamos derramar sangue por religião", ponderou o juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò.
Alexandre L'Omi L'Odò mostrando a denúncia feita ao MPPE. Foto de Bruno Campos.
MPPE apura caso de Intolerância Religiosa
Matéria de Priscila Costa.
Folha de Pernambuco, 17 de Junho de 2016.
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) abrirá investigação para apurar práticas de intolerância religiosa ocorridas no Terminal Integrado Xambá, em Olinda, Grande Recife. O órgão tem até 30 dias para concluir o caso. A denúncia foi oferecida na última quinta-feira (16) pela vítima, Alexandre L’Omi L’Odò, seguidor da Jurema Sagrada, uma religião de matriz indígena e africana. A queixa foi acatada pelo MP por estimular o preconceito o que, aos olhos do ministério, é crime. Quem está à frente do caso é o Promotor de Transporte da Capital, Humberto Graça.
Matéria impressa da Folha de Pernambuco de 17 de Junho de 2016, Caderno Cotidiano, Página 2.
Alexandre L’Omi L’Odò contou que os atos de intolerância começaram após o ambulante, que é evangélico, ver o colar da vítima. Ele carrega o Signo Salomão que, na Jurema Sagrada, representa a estrela de Malunguinho. “Foi aí que comecei a ouvir ironias. Não me calei, claro. Daí, ouvi de tudo, desde que era filho do satanás, seguidor das trevas”. Ele contou que o ápice da confusão veio quando o homem insultou o Pai Ivo de Xambá e criticou os adeptos da religião.
“Pelo pouco que vi, já constatei irregularidades que vão além da intolerância religiosa. E como ele fez, de forma preconceituosa, pode ir também à esfera criminal”, adiantou o promotor Graça. O caso ocorreu no último dia 9, mas a denúncia foi oferecida na última quinta.
Intolerância
Religiosa de evangélicos contra juremeiro dentro do Terminal Integrado de
Ônibus Xambá
Esta
postagem que fiz no facebook no dia 12 de junho de 2016 ganhou enorme
repercussão nacional. Viralizando na internet, este registro que fiz da
intolerância e racismo religioso que sofri, deve servir para a reflexão do quão
grave é a situação que o povo de terreiro cotidianamente vive nos transportes
públicos (ônibus e metrôs). Vamos combater e educar. Assim contribuímos contra
algo tão absurdo. Sigamos na luta pelo extermínio do racismo e dessa doentia
intolerância religiosa praticada por parte dos "evangélicos". Denunciei
no Ministério Público de Pernambuco - MPPE e aguardo resposta da promotoria de
transporte desta instituição.
Segue
relato:
No dia 11
de junho de 2016, por volta das 20h, eu e meu afilhado de Jurema Henrique
Falcão
estávamos dentro da Estação Xambá (TI) para pegar o ônibus TI Xambá
Encruzilhada, pois íamos visitar a nossa casa de axé o Ilé Iyemojá Ògúnté, que
fica em Água Fria/Recife.
Ao
entrarmos no ônibus, um vendedor ambulante iniciou um discurso aparentemente
extrovertido para vender açaí... Contudo, ele, o tempo inteiro ficou
reafirmando ser pertencente a Igreja Assembléia de Deus (pelo que entendi).
Após identificar que eu era um "macumbeiro", começou a fazer o
tétrico discurso evangélico de baixa estirpe se direcionando à mim. Falando com
arrogância que conhecia a verdade e havia encontrado a luz, pois havia
desistido de ser um "umbandista" e que conhecia tudo "dessas
religiões", tentando provar isso, afirmou que sabia que tinha "um
grande terreiro de Macumba" por detrás daquela estação de ônibus (o Terreiro
Xambá) comandado por "um negão pai de chiqueiro" se referia
obviamente ao querido e importante babalorixá Ivo de Xambá.
Quando
ouvi tamanho absurdo racista e intolerante me rebelei imediatamente falando:
pai de chiqueiro nada, ele é um babalorixá, um sacerdote de respeito! Respeite
a religião dos outros, por que eu sou um juremeiro, catimbozeiro, macumbeiro e
candomblecista com muito orgulho e exijo respeito comigo e com minha religião
(em voz estridente).
Continuei:
você é um ignorante racista e que desrespeita até os princípios de sua religião
que diz que não deves julgar, portanto estais em pecado e vai pro inferno
devido a sua falta de respeito para com os seus "irmãos"! E que
devido a esta sua atitude ignorante e racista você se demonstra uma pessoa sem
condições de refletir sobre absolutamente nada, e que este é o reflexo da má
educação pública que embranquece as mentes e torna as pessoas vulneráveis a
ideologias criminosas que não se justificam como esta sua (...).
Ele
rebateu: "a verdade dói" e ironicamente ele pediu desculpas e
continuou a reafirmar este pensamento, ignorando o que eu falei, abriu assuntos
paralelos com "evangélicos" presentes no ônibus que obviamente o
apoiaram e iniciaram gritos contra a minha fé "pregações de salvação"...
Rebati:
afirmei que existem mais de dez mil religiões no mundo e questionei o por que
só as dos evangélicos seria a certa, a única verdade ou que seria a religião
que salvaria... E falei que este pensamento é falta de senso crítico que isso
tem ligação direta com a situação política do país hoje, com Temer na
presidência da República liderando um golpe antidemocrático sem
precedente.
Daí, uma
"evangelica" indignada falou que a crise econômica do país não a
afetava por ela "ser de Jesus". Sugeri um breve reflexão e disse, a
crise não lhe pega e você andando de TI Xambá, o que a deixou raivosa.
A esta
altura do campeonato, os passageiros já estavam estressados com a briga de
discursos em voz extremamente alta que estava acontecendo, e o ônibus não saiu
do lugar até vir seguranças e fiscais da estação para mandar que nos
retirássemos do ônibus. Óbvio que também os rebati dizendo que paguei a
passagem e que eu ali era a pessoa que estava sendo violentada. Logo eles
perceberam a situação e não insistiram, liberando a saída do ônibus para seu
roteiro.
Imaginei
que as coisas iriam se acalmar, porém outras mulheres "evangélicas"
não só levantaram a voz de forma arrogante, como também levantaram de seus
lugares e direcionando a palavra a mim afirmaram que: "a salvação era
única, e que eu e meu afilhado iríamos "queimar no fogo". A partir
disso, uma série de xingamentos vieram a tona por parte deles contra mim como:
"víbora do inferno, iluminatti do satanás, espírito sem luz,
amaldiçoados" dentre outros, como se pode perceber neste vídeo que não
representa nem 10% de toda essa odisseia repugnante do racismo e da
intolerância religiosa.
Não
satisfeito, o vendedor me desafiou a entrar em conflito físico com ele.
Afirmando que não seria possível tocá-lo por ele ser "filho de
Jesus". Ficou exaltadíssimo querendo briga e eu falei que não era
necessário aquilo, por que eu discuto argumentos e não precisaria de atos rudes
para a resolução de meus problemas. Ele se manteve provocando até a hora de sua
descida.
A viagem
só teve paz praticamente quando desci. Onde fui surpreendido por uma evangélica
que em um momento de lucidez veio até mim falar que o vendedor estava realmente
errado e que não se pode julgar nem desrespeitar a religião dos outros. Os
demais passageiros que não eram evangélicos ficaram todos do meu lado,
concordando e expressando com falas, gritos, e olhares de apoio a situação que
eu estava passando.
Por
ironia do destino, quando voltamos para casa, pegamos o mesmo ônibus (TI Xambá
- Encruzilhada), e a primeira coisa que ouvi ao subir no veículo foi "vai
fazer show novamente?", daí percebi que havia pego o mesmo transporte com
o mesmo motorista e a mesma cobradora... Daí respondi com segurança: Se eu me
sentir ofendido novamente irei sim!
O que
passei ontem, serve para refletirmos que devemos reagir contra a opressão dos
racistas e intolerantes religiosos sempre. Nós não podemos nos calar perante os
opressores, nosso silêncio e omissão não condiz com nosso histórico de
resistência, e também esta mesma omissão outorga aos opressores o pensamento de
que eles podem fazer o que quiserem contra nós sem que reajamos.
Alexandre L'Omi L'Odò com as alunas Gessylene Leite de Oliveira (à esquerda) e Aldiene Ferreira da Silva (à direita) que defenderam o TCC sobre a Jurema Sagrada.
Pedagogias
do pluralismo e da luta contra o racismo e intolerância
Hoje, dia 30 de junho na faculdade UVA - Universidade Vale do Acaraú, no
centro do Recife, foram defendidos três TCC’s - trabalhos de conclusão de curso
de licenciatura em pedagogia sob a competente orientação da professora
doutoranda Ana Carolina Coimbra.
Os trabalhos abordaram de forma muito bem
construída questões ligadas as tradições de matrizes indígenas e africanas,
numa perspectiva de fortalecimento da lei federal 11.645/08, que obriga o
ensino da história da África, dos afro descendentes e indígenas nas escolas.
Fui convidado pela professora, para estar
presente neste importante momento que marcou sua despedida da faculdade, já que
ela partirá para aprofundamentos de seus estudos em um doutorado em Portugal,
tratando de pesquisas ligadas aos indígenas do Nordeste de Pernambuco. Também,
fui um dos entrevistados no trabalho de suas alunas que abordou a Jurema
Sagrada, e por estes dois motivos jamais deixaria de estar presente neste
momento que no meu ponto de vista se tornou histórico devido a sua importante
representação na reversão dos valores acadêmicos perante a história dos negros
e negras e indígenas. Este tipo de contribuição é muito valiosa, e merece ser celebrada.
Os trabalhos apresentados foram:
1 – Salve a Jurema Sagrada! Respeito à
Diversidade Religiosa na Educação. Realizado pelas alunas Aldiene Ferreira da
Silva, Aparecida Jéssica Ferreira da Silva e Gessylene Leite de Oliveira.
2 – Historicidade do Povo Kambiwá: Lutas e
Resistência pela Identidade Étnica. Realizado pelas alunas Cineide Maria de
Lima e Josélia Nascimento de Amorim da Silva.
3 – Histórias Africanas e Afro Brasileiras:
Reconhecimento e Valorização para a Educação. Realizado pela aluna Elizabeth S.
Cruz Oliveira.
A noite foi das mulheres. Elas, professoras
agora formadas, vão dar caminho nas escolas a uma educação menos excludente e
racista. Seus trabalhos apresentados de forma brilhante e com conteúdo muito válido,
já indicam caminhos para um mestrado ou doutorado. Espero que elas sigam esta
estrada, pois precisamos de muitos mais exemplos na pedagogia de combate ao
currículo branco imposto pelo Estado.
Povo de terreiro, alunas e professora celebrando a vitória das defesas de TCC.
As análises (orientações estendidas) feitas
pela professora mestra em educação Maria do Carmo Oliveira, e também pelo professor
doutorando em história social Leandro Patrício enriqueceram a noite com
aprofundadas colaborações aos trabalhos apresentados. Foi rica demais a troca
de saberes. Presenciar noites raras assim para mim é sempre um prazer, já que
na busco na luta também dos meus irmãos e irmãs energias para reforçar as
minhas lutas, e assim foi.
O trabalho apresentado sobre a Jurema, trouxe
importante contribuição para as propostas de aula sobre diversidade religiosa. Elas
mostraram de forma firme o quão rica é esta religião e a sua contribuição
social cosmológica. Elas contribuíram na laboriosa missão de contribuir para
que a Jurema saia do ostracismo acadêmico ao qual foi colocada. Este TCC merece
respeito!
A professora Ana Carolina está de parabéns
por orientar trabalhos tão interessantes e importantes para todos e todas.
Realmente a missão de formar pedagogas capacitadas foi executada com primazia.
Professora doutoranda Ana Carolina Coimbra. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.
A UVA é uma instituição particular que tem
grande presença de estudantes de fé “evangélica”. Já ouvi inúmeras críticas à
práticas intolerantes destes e dessas que ali discriminavam as pessoas de
outras religiões. Acredito que a noite hoje, serviu para mostrar o quão grande é
a ignorância destes e destas. E que com informação e criticidade pode-se romper
a barreira espinhosa do racismo e da intolerância.
A presença de membros das religiões de matriz
africana e indígena (vestidos adequadamente e que também foram entrevistados),
além da pertinente presença do índio Fulni-ô Boró e sua esposa, tornou a noite
forte e cheia de axé e ciência. Encontros maravilhosos e ampliação de
horizontes para nossos povos. Senti-me contemplado em tudo, afinal, comungar de
dias como hoje nos faz ter esperança no futuro.
Parabéns professora Ana. Você mostrou e
continuará mostrando para o que veio! Sua missão é grande e você tem
competência para dar conta. Obrigado por estar junto na jornada da luta por
direitos iguais e respeito à diversidade. Obrigado também pelo cocá e quaquí,
adorei os presentes religiosos indígenas. Adorei também o aió que sua Alina indígena
me deu. Farei meus rituais com ele. Salve a fumaça!
Conversa de Negro com Alexandre L'Omi L'Odò em Vitória de Santo Antão/PE
No último dia 18/03 fui à Vitória de Santo Antão, no interior de Pernambuco para dar uma palestra sobre a trajetória do QCM - Quilombo Cultural Malunguinho e o Combate à Intolerância Religiosa a partir da figura histórica e divina de Malunguinho. Foi uma noite Maravilhosa, de muita troca de saberes e com participantes muito ativos que se fizeram presentes, indagando sobre diversas questões ligadas ao racismo e à intolerância.
Parabenizo ao GEOP - Grupo de Estudos Outras Pedagogias por estarem realizando uma luta tão bonita no combate ao racismo e no fortalecimento da história negra e indígena em vossa cidade. Isso é mais do que necessário no interior do nosso Estado.
Alexandre L'Omi L'Odò palestrando para o público presente. Foto de Vanessa Farias.
Obrigado pela paciência de me esperar acabar o ato contra o golpe naquela noite. Vocês com muita dignidade foram até o fim comigo, mesmo prejudicando o evento de vocês... afinal, nos atrasamos muito. Voltarei para compensar as horas perdidas.
Sobô Nirê Mafá! Que Reis Malunguinho faça crescer esta bela luta.
Pai Dedo mostrando o B.O (boletim de ocorrência) em frente ao seu terreiro que está interditado.
Terreiro de Pai Dedo em Goiana/PE é Incendiado por vândalos - Crime de racismo e violência religiosa contra a Jurema Sagrada
Carta de repúdio à Intolerância Religiosa contra os terreiros de Jurema em Pernambuco e demais religiões tradicionais de terreiro – Caso do terreiro de Pai Dedo de Goiana:
No último dia 31 de Março de 2014, no passar da noite para a madrugada do dia 1° de Abril, o terreiro de Jurema Tenda do Caboclo Boiadeiro de Tupi Goiá e Ilê Axé Ogum Toperinan, localizado no município de Goiana/PE, foi incendiado criminosamente por pessoas até então desconhecidas. O terreiro foi queimado cruelmente, em um ato evidente de racismo e intolerância religiosa por vândalos que destruíram imagens de mestras e mestras, objetos pessoais e sagrados. A situação do terreiro é alarmante e nada foi roubado do local.
Espero que este caso não seja mais um entre tantos que o Estado Brasileiro não dá suporte devido e nem ajuda a resolver as questões envolvidas, perpetuando a impunidade. Contudo, a criminalização dos casos de racismo e intolerância religiosa tem que se transformarem em metas concretas do Estado para contribuir efetivamente na extinção destes crimes que são cometidos cotidianamente contra a fé do outro de forma livre e inconsequente, talvez por se haver uma compreensão coletiva de que tais crimes não levam ninguém à cadeia. Evidencio que tais crimes ocorrem cotidianamente contra os terreiro de matriz africana e indígena, crimes estimulados muitas vezes por outras religiões que estimulam este tipo de violência contra os direitos humanos.
Imagem do Mestre Zé Pilintra com a cabeça decepada pelos vândalos. Prova de ódio religioso.
Convoco todo povo de terreiro do Brasil e demais religiões que desejam lutar a favor do respeito à diversidade religiosa e lutar conseqüentemente contra a intolerância religiosa para rediscutir este tema recorrente entre nós, e que estas imagens sejam compartilhadas por todos e todas que desejam ajudar na luta contra crimes desta natureza, revelando a face cruel do que é de fato a intolerância religiosa, e que esta destrói vidas e causa traumas profundos em suas vítimas.
Como membro do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa, saí de Recife para oferecer algum suporte ao juremeiro e babalorixá Pai Dedo, no intuito de compreender o que havia ocorrido em seu templo. Conversamos bastante e ele expôs toda questão e nos apresentou o contexto/panorama deste crime. Foi feito um B.O. (boletim de ocorrência) e a Polícia Militar está encaminhando os processos com empenho.
Porta do terreiro interditada pelos bombeiros. Há risco de desabamento no local. Ainda estão averiguando a situação predial.
Resto dos objetos sagrados do quarto da Jurema que foram atingidos.
Televisão depredada. Não roubaram nada do local. Apenas destruíram o templo.
Quarto onde eram guardadas as roupas do axé e da Jurema. Totalmente destruído.
Cozinha do terreiro totalmente destruída.
Estou chocado com o que vi naquele local. E fiquei muito feliz com a fé que encobre o Pai Dedo, que mesmo tendo seu patrimônio destruído, estava firme em sua fé na Jurema. Um fato impressionante, e que merece destaque, foi que a mesa sagrada da Jurema não foi queimada. Mesmo envolta de fogo, sequer o pano que a cobria foi queimado. Os assentamentos dos mestres e mestras, os troncos de Jurema, os príncipes e princesas etc. Tudo cheio de cinzas, mas inteiros e firmados. Isso nos fortaleceu na esperança de saber que nossos encantados e ancestrais estão ao nosso lado nos protegendo e nos incentivando nesta luta. O Juremeiro também foi orientado a ligar ao DISK 100 para registrar o caso neste espaço de combate aos crimes contra os direitos humanos, e assim foi feito.
Sequência de imagens que mostram como ficou o quarto da Jurema Sagrada após o incêndio. Atenção à mesa da Jurema. Totalmente preservada.
Se a mídia não veicula esta informação, cumpro meu papel de cidadão e disponibilizo fotos e dados para que pelo menos os que por aqui passarem se informarem da real situação do Povo de Terreiro no Brasil.
Mesmo perante a tamanha violência contra o sagrado em seu terreiro, Pai Dedo não perde a fé e continua dizendo que vai reconstruir tudo de novo.
Muito traumatizado com o ocorrido, Pai Dedo lamenta as percas materiais de seu patrimônio, fruto de muito trabalho.
Pai Dedo e eu em momento de reflexão sobre o caso de intolerância religiosa sofrida.
Fachada do terreiro.
Salve a fumaça! O trabalho do Quilombo Cultural Malunguinho está firme e continua com força e fé na luta contra a intolerância religiosa e o racismo! Sobô nirê!
Alexandre L’Omi L’Odò
Membro do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa da Presidência da República
Sacerdote juremeiro e do culto aos Orixás (Egbomi), é mestrando em Ciências da Religião pela UNICAP, graduado em licenciatura plena em História, pela Universidade Católica de Pernambuco - 2014.
É membro do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa da Presidência da República, e do Conselheiro de Políticas Culturais do Recife. Milita nos campos das políticas públicas.
Tem experiência na área de educação, com ênfase em educação social, artística, musical e afro indígena teológica. Desenvolve trabalhos nas áreas de pesquisa, reconhecimento e preservação de patrimônio imaterial.
Tem publicado artigos científicos sobre temas relacionados a religiosidade da jurema sagrada, nos âmbitos de sua teologia e história. Ensina língua, história e cultura yorùbá, do coco e da Jurema sagrada. Desenvolve carreira de artistas e produz filmes/documentários.
É coordenador geral do Quilombo Cultural Malunguinho e desenvolve projetos de pesquisas com povo de terreiro.
Realizador há 10 anos do Kipupa Malunguinho (encontro nacional dos juremeiros), tem estimulado uma movimentação política de fortalecimento do Povo da Jurema entorno de sua história e religiosidade.