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sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Malunguinho tem sua história e prática religiosa registrada pela primeira vez em livro

Imagens do Reis Malunguinho (mestre, exú/trunqueiro, caboclo, reis e mestre (feito pela escultora Lígia Costa). foto de Monique Silva.

Malunguinho tem sua história e prática religiosa registrada pela primeira vez em livro

Janeiro de 2023 iniciou com boas notícias para o avanço da compreensão da Jurema no cenário intelectual e consequentemente para o povo de terreiro. O lançamento do livro “Malunguinho – pressupostos juremológicos para sua compreensão na Jurema Sagrada” foi uma contribuição acertada do juremeiro, historiador e mestre em ciências da religião Alexandre L’Omi L’Odò, que reuniu nesse livro/ensaio, parte de sua pesquisa de mais de 20 anos sobre o Reis Malunguinho, seu guia espiritual e personagem da história por liberdade do povo negro de Pernambuco.

Financiado com recursos próprios, o livro é uma edição da Casa das Matas do Reis Malunguinho e do Quilombo Cultural Malunguinho, lançado oficialmente na Festa de Reis, em 08 de Janeiro de 2023, em celebração aos 194 anos da morte do grande Reis Malunguinho, o primeiro e mais importante líder da história do Quilombo do Catucá.

Livro ainda em suporte primário. Foto de Monique Silva.

O trabalho que foi muito bem estruturado tem em seu conselho editorial o Dr. em antropologia Marcus Barreto (USP) e o mestre em educação Henrique Falcão (UFRPE/FUNDAJ), ambos pesquisadores no campo da Jurema que contribuíram na correção e direcionamento de alguns tópicos do texto.

Esse trabalho é um convite para conhecer Malunguinho. Entrar em suas veredas e mistérios, conhecer sua história e prática ritual, mergulhar nos seus saberes e mais profundos dados científicos que contribuem para sua ampliada compreensão. O autor, que vem escrevendo e publicando artigos sobre Malunguinho em congressos nacionais de história entre outros âmbitos acadêmicos, abriu mão de parcela significativa de seus estudos para dar ao povo de terreiro a oportunidade de qualificar seus saberes históricos étnicos culturais sobre essa fundamental divindade da Jurema.

Preparação dos trabalhos... Fumaçada. Na imagens, estatuetas do Reis Malunguinho. Foto de Monique Silva.

É uma obra inédita. Um texto necessário para o avanço da religião. A partir do método da juremologia, L’Omi, oportuniza todas, todos e todes à estudar com fácil leitura aspectos necessários para o amadurecimento como discípulo e conhecedores da cultura e religião. É um texto aberto para todes interessades.

Distribuído em baixa escala, a obra que ainda está em suporte simples (impressão encadernada), aguarda patrocínio para realizar uma publicação à altura do conteúdo altamente qualificado do texto. Afinal, publicar no Brasil ainda é um desafio para escritores. Contudo, a compreensão do historiador é que conhecimento não deve estar guardado, mas sim, compartilhado, de acordo como manda o Reis Malunguinho, que instrui a partir de sua fumaça sagrada que a “sua história já foi calada demais para se manter trancada”...

O livro ainda não está à venda, aguardando o melhor momento para sua disponibilização pública. Seu acesso pode ser concedido na biblioteca do terreiro Casa das Matas do Reis Malunguinho com agendamento para visitação desse espaço educativo afro indígena.

Juremeira Valéria de Chiquinho do Maranhão e seu esposo recebendo o livro. foto de Monique Silva.

Artista pástico Lourenço Gouveia (@xilogeek) recebendo com alegria o livro. Foto de Monique Silva.

Dona Zezé, antiga membro dos terreiros, mulher de fé e filha de Malunguinho, recebendo muito agradecida a obra. Foto de Monique Silva.

Greyce Pires, advogada desde Portugal, lendo as primeiras páginas. Foto de Monique Silva.

Ekeji Aline Brito de Oyá, recebendo o esperado livro. foto de Monique Silva.

Para quem teve a honra de ganhar a primeira edição, fica o gosto de quero mais, quando a obra for lançada em suporte adequado e distribuída nacionalmente, com suas ampliações necessárias, teremos à disposição uma peça que falta na construção dos saberes tradicionais e populares de terreiro no país.


Segue algumas iamgens da Festa de Reis:

Abertura da Jurema. Foto de Monique Silva.

Reis Malunuginho Exu/Trunqueiro. Foto de Monique Silva.

Firmação do Reis. Foto de Monique Silva.

Mestra Têca de Oyá triunfando na gira. Foto de Monique Silva.

Obé Iná e Fabrício de Iyemojá firmando. Foto de Monique Silva.

Reis Malunuginho dançando seu tradiconal coco com suas afilhadas. Alegria estampada em todas. Foto de Monique Silva.


Presença ilustre do histpriador João Monteiro, membro fundador do Quilombo Culrual Malunguinho. Foto de Monique Silva.

Saambada de Reis. Dia de muita alegria em nosso terreiro. Foto de Monique Silva.

Sustenta o maracá. Foto de Monique Silva.

Afilhado Henrique Falcão tocando pandeiro pro velho Reis Malunuginho. Foto de Monique Silva.

Muita fé e amor ao Reis. Foto de Monique Silva.

Que se abram os portões da Jurema. Foto de Monique Silva.

 Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Cordel Malunguinho - Trabalho escolar dos alunos da EREM Mariano Teixeira



Cordel Malunguinho - Trabalho escolar dos alunos da EREM Mariano Teixeira

Um trabalho lindo dos alunos Lúcia e Álvaro da EREM Mariano Teixeira, em Recife. Me emocionei muito pelo nível de competência e criatividade artística desses estudantes que com a orientação da guerreira professora Célia Cabral, fizeram este rico vídeo com desenhos feitos à mão por Álvaro. Este trabalho foi apresentado no dia 18 de Setembro de 2017 como resultado da Semana da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana, Lei Malunguinho 13.298/07.

O texto é do Cordel Malunguinho - Histórico Divino, de autoria de Antônio Lisboa e produção de Misia Coutinho. Trata da luta do Quilombo do Catucá e toda resistência do herói negro/indígena Malunguinho.

Aproveitem, esse é um material lindo que merece ser compartilhado, pois é resultado de anos seguidos de luta do QCM - Quilombo Cultural Malunguinho. Acreditar vale a pena. Podemos sim contribuir na formação de alunos e alunas e fortalecer as leis federais 10.639/03 e a 11.645/08.

#MalunguinhonaEscola #JuremanaEscola #QuilomboCulturalMalunguinho #LeiMalunguinho13298 #Malunguinho #EREMMarianoTeixeira #EducaçãoÉtnicoRacial

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

domingo, 18 de setembro de 2011

VI Kipupa Malunguinho - Por que "A Jurema Merece Respeito"!

Clique na imagem para ver grande. Arte: Amauri Cunha.

 VI Kipupa Malunguinho 
Por que "A Jurema Merece Respeito"!

O QCM – Quilombo Cultural Malunguinho, apresenta a III Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Indígena Pernambucana, Lei Malunguinho n° 13.298/07, que tem como objetivo, consolidar o diálogo entre as diversas religiões de matrizes afro indígenas com a sociedade civil e a cultura de tradição, escolas e academias entre outros e outras, com o intuito de celebrar a memória do líder negro e divindade do culto da Jurema Sagrada, Malunguinho, personagem da história do Brasil, assassinado na provável data de 18 de setembro de 1835, no Distrito de Maricota, hoje Município de Abreu e Lima/PE.

Objetivamos garantir a expressão, inclusão e a difusão da diversidade presente nas atividades educacionais e de formação, possibilitando a articulação entre pessoas e grupos, além da participação plural e intensa dos povos de Terreiro nos processos de discussão política, social, cultural e teológica, garantindo a troca de saberes com a função de contribuir para o fim do racismo, da intolerância religiosa e desmarginalizar a nossa história negra e indígena (Lei 11.645/08).

“Na mata tem um caboclo
Todo vestido de pena
Esse caboclo é Malunguinho
Ele é Rei lá da Jurema”. 
(Toada do culto da Jurema Sagrada).

Serviço
 
Dia - 25/09 (domingo) VI Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá (Encontro Nacional de Juremeiros e Juremeiras). 

Na mesma data:  Lançamento do Prêmio “Mourão que não bambeia” – Homenageados Vivos: Mãe Vanda de Seu Zé Filintra (50 anos de Jurema). Mortos: Juremeiro Antônio do Monte e Seu João Folha. No Kipupa Malunguinho.

Horário: Das 07 às 18h. 

Programação: 
Com a roda de coco: Mestre Galo Preto (coordenando o coco), Mestre Zé de Teté (Limoeiro/PE), Grupo Bongar, Adiel Luna, Pandeiro do Mestre e Bojo da Macaíba.

Ônibus: com saída de 7h. Contribuição: R$: 5,00. 
Locais dos ônibus: Nascedouro de Peixinhos, Largo do Carmo do Recife e em diversos terreiros.

Recomendação: Ir com roupa adequada para ritual de Jurema e levar suas “Gaitas”.
--> Levar almoço ou comprar no local. 

Para Inscrição: Nome Completo, RG, Nome da Instituição ou Terreiro que representa, Fones e email. Enviar tudo para o email abaixo. 

COMO CHEGAR NO LOCAL DO EVENTO? É fácil: Todos que forem de carro, moto ou a pé (se for louco kkkk) devem encontrar os ônibus as h em frente a Prefeitura de Abreu e Lima e seguir o comboio ao local do evento. Endereço: Estrada de Pitanga II, área 04 - Sítio de Juarêz. É só perguntar no meio do mundo que o povo indica!! Boa sorte na aventura!!

LOCAIS DAS SAÍDAS DOS ÔNIBUS: Carmo do Recife, Nascedouro de Peixinhos, Limoeiro, João Pessoa, Natal, Jordão Baixo, Prado, Goiana etc. Todos saem de 07h em ponto!

Contatos:

Coordenação: 
81. 8887-1496 / 9428-4898 / 8649-8234
quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Uma Vida Kipupa - João José Reis (UFBA)

Kipupa Malunguinho, o povo da Jurema Sagrada entrando no Catucá. Foto de Adeíldo Massapê.

Uma Vida Kipupa

João José Reis*

Fui levado ao Kipupa por meu amigo Marcus Carvalho, professor de História da UFPE. Marcus escreveu páginas que, antes deste Kipupa, eu já tinha lido sobre Malunguinho, o líder quilombola e senhor das matas do Catucá que atormentou os escravistas do Recife e seus arrabaldes no século XIX. Malunguinho se transformaria numa entidade espiritual cultuada pelo povo de santo em Pernambuco. Até aí eu sabia. Marcus também me disse, ao me convidar para o Kipupa, que Malunguinho era o dono da festa. O que não sabia era que a invenção do Kipupa, pelo que entendi, resultou em parte do interesse gerado pelas pesquisas desse grande historiador. É um excelente exemplo de boas relações entre universidade e sociedade, entre cultura acadêmica e cultura popular.


Professor João José Reis ao Lado de Juarez  (camisa amarela) e Prof. Marcus Carvalho (braços cruzados) Foto de Anne Cleide.

Kipupa tem tudo a ver. Nada como cultuar um espírito guerreiro para enfrentar a batalha do dia a dia, que hoje inclui a luta contra a intolerância religiosa em reação à atitude de alguns grupos evangélicos que agridem com palavras e atos os adeptos das religiões afro-brasileiras em todo o país. O Kipupa me impressionou como símbolo e atitude de resistência, um verdadeiro movimento político construído em torno de uma festa que celebra a abundância, a solidariedade e, é claro, celebra Malunguinho.


Prof. João Reis ao fundo, na gira de abertura do V Kipupa Malunguinho, Setembro de 2010. Foto de Anne Cleide.

Em minha cidade, Salvador, onde o candomblé é tão forte, não temos coisa como o Kipupa. Seria bacana que existisse algo parecido em cada canto do país, porque o exemplo dessa festa, dessa bonita manifestação cultural e religiosa precisa ser imitado. Acho até que o termo Kipupa tem vocação pra virar adjetivo do que acontece de bom no mundo: uma pessoa kipupa, uma amizade kipupa, uma comida kipupa, um terreiro kipupa, uma festa kipupa, uma vida kipupa... Ah uma vida kipupa, é tudo que a gente quer!
  
Professor João José Reis


*Professor Titular de História do Brasil da Universidade Federal da Bahia, autor de Rebelião Escrava no Brasil: a história do levante dos Malês (1835).


_____________
Para nós do Quilombo Cultural Malunguinho, ter recebido o professor e historiador João José Reis em nossa festa anual foi uma honra muito grande. Sua presença nos deu a possibilidade de receber um texto tão carinhoso como este que escreveu. Nós agradecemos e que nos anos vindouros, a UFBA possa vir ao evento. O Kipupa, é um evento que tem como objetivo, agregar pessoas entorno de Malunguinho e da Jurema Sagrada, para poder de diversas formas, contribuir para o avanço na luta contra o preconceito, o racismo, a intolerância religiosa e a discriminação. O Kipupa também é um espaço para as pessoas irem para se curar, vivenciar sua fé plenamente, mergulhar no mais profundo sentimento de pertencimento à tradição da Jurema. A cada ano, crescemos mais, o povo (de todos os segmentos), intelectuais, artistas, jornalistas, gente de todo país se voltam às matrizes afro indígenas, dentro da mata fechada para saudar a ancestralidade.


Alexandre L'Omi L'Odò
Coordenador do QCM
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 29 de janeiro de 2011

I Catucarte Cultural

Pessoal convido todas e todos para participar do I Catucarte Cultural no bairro do Alto da Bondade, em Olinda. Será um evento muito rico de cultura e articulação das comunidades onde outrora foi o Quilombo do Catucá, os domínios de Malunguinho. Segue cartaz. Divulguem.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
81. 8887-1496

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!