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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Palestra Malunguinho, líder do quilombo do Catucá


Palestra Malunguinho, Líder do Quilombo do Catucá

Por convocação do professor Rodrigo Correa, o historiador e mestrando em Ciências da Religião Alexander L'Omi L'Odò, o Prof. Dr. Marcus Carvalho e o historiador João Monteiro foram convocados à realizar uma palestra no próximo dia 21 de Agosto de 2017 na EREM Cândido Duarte, em Apipucos/Recife. 

O objetivo deste momento de troca de saberes entre pais, mães, gestores e gestoras, alunos e alunas, tem como meta despertar e fortalecer a identidade da Escola, no sentido de dar força a uma missão muito importante, a efetivação no currículo da lei 11.645/08 com toda comunidade escolar. A Cândido Duarte, primeira escola brasileira a ter um pé de Jurema plantado oficialmente em seu espaço interno, é protagonista de muitas atividades importantes entorno da figura histórica Malunguinho entre outras ações como a Semana do Meio Ambiente, Semana da Consciência Negra, plantio do baobá, etc. tem realizado nos últimos anos, muitas ações de repercussão importante na luta pelos direitos humanos e respeito à diversidade. 

Há uma proposta vigente de mudança de nome da escola. A sugestão geral é que ela seja a primeira escola no Brasil a se chamar EREM Malunguinho, como forma de homenagear esta importante figura da luta por liberdade de negros e indígenas de Pernambuco. Este processo está em andamento com a colaboração externa do QCM - Quilombo Cultural Malunguinho, e deve ter conclusão após todo o ciclo de debates, votação e aceitação da comunidade escolar, que já se demonstra simpatizante total, e com entendimento da importância desta mudança de nome e paradigma. O simbolismo dessa ação tem em vistas valorizar personagens históricos negros de importância na história do país, além de contribuir na luta contra a invisibilidade de heróis negros e negras na história, na luta contra o racismo, no fortalecimento da identidade afrodescendente dos membros da instituição etc.

A presença do Prof. Dr. Marcus Carvalho será um espetáculo à parte. Ele é o maior conhecedor da história do Quilombo do Catucá e da luta negra na primeira metade do século XIX que há. Professor titular de história da UFPE, tem feito grandes pesquisas entorno do processo da escravidão no "Atlântico Negro".

Contamos com a participação de todas e todos em nossa atividade dia 21/08 às 13h30. Venham e vamos trocar e fortalecer saberes negro indígenas.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Memória do Povo da Jurema - IX Kipupa Malunguinho na Rede Globo Nordeste



Memória do Povo da Jurema - IX Kipupa Malunguinho na Rede Globo Nordeste

Reportagem da Rede Globo Nordeste de 19/09/2014 retratando o IX Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá, "o maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil".

Disponibilizo aqui no meu canal para podermos ter mais acesso aos arquivos e memórias de nossa luta por valorização e fortalecimento da Jurema Sagrada.


Sobô Nirê Mafá!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 9 de maio de 2015

I Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá



I Kipupa Malunguinho
Coco na Mata do Catucá

Este breve registro audiovisual de 21'min. feito por Felipe Peres Calheiros em 2005, registrando a fundação da tradição do Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá, é uma joia rara na nossa história. 

O vídeo traz falas e mostra como começamos esta linda luta de respeito e valorização à Malunguinho e consequentemente à Jurema Sagrada. Foram vividos momentos muito ricos com a ajuda de Mãe Lucia de Oyá que na época nos ajudou a realizar as obrigações, e também a parceria sempre maravilhosa de Juarez, nosso melhor parceiro das matas. 

É uma felicidade no ano que completamos 10 anos de história (2014) com o Quilombo Cultural Malunguinho publicar este arquivo que nos orgulha a todos. Salve a Jurema Sagrada e vamos firme nessa luta que só se acabará no dia em que a ciência não existir mais. 

Sobô nirê Reis Malunguinho!!

Para saber mais sobre o que significa o Kipupa Malunuginho, leiam o texto:http://alexandrelomilodo.blogspot.com... 

Compartilhem, este foi o Primeiro Kipupa Malunguinho, momento fundamental na reviravolta histórica do Povo da Jurema.

Salve a fumaça! Salve o povo da Jurema! Salve o Reis Malunguinho!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

10 anos do Quilombo Cultural Malunguinho - Lutando e Unindo o Povo da Jurema!


10 anos do Quilombo Cultural Malunguinho - Lutando e Unindo o Povo da Jurema!

Dez anos se passaram... Quando olhamos para trás, vemos que nossa existência valeu a pena. A Jurema nos ajudou em tudo... Nos fortalecendo na luta contra a invisibilidade desta religião que ainda hoje é massacrada pela academia e por pessoas sem entendimento teológico. Mas estamos firmes na luta, pois não há força contrária que consiga derrubar a fé de um grupo de pessoas que querem mudar uma realidade histórica. Que mais dez anos venham, e mais e mais 10, 20, 30, 100... Se nosso corpo aqui não estiver, nosso egún ou espírito estará para ajudar ao Povo da Jurema.

Conseguimos tirar Malunguinho da invisibilidade histórica e religiosa. Conseguimos fazer uma lei estadual, conseguimos fazer muitos cursos, palestras e levar a Jurema ao conhecimento de todo Brasil e mundo... Vencemos barreiras... Construímos lutas belíssimas... Trabalhamos forte... Hoje até a academia está voltada para a Jurema como nunca esteve para pesquisá-la... Até tese de doutorado será defendida ainda este mês com o tema do Quilombo Cultural Malunguinho... Conseguimos realizar o maior encontro de Juremeiros da história de nossa religião... Conseguimos também estar juntos em Alhandra e ajudar àquele lugar importantíssimo a suplantar e despertar perante suas dificuldades. Chegamos primeiro em alguns lugares para discutir e somar. Conseguimos ter Griôs, pessoas de suma importância para nós... Conseguimos trazer para perto mestres antigos que estavam esquecidos... Colaboramos com conferências e congressos até mesmo internacionais. Publicamos artigos científicos e continuamos estudando... Firmamos nossa Jurema na força e na forja quente desta luta. Firmamos a fumaça no tempo, e conseguimos agregar...

Estamos só no começo da trajetória. Pois enquanto vida eu tiver, estarei firme e sem abalos na caminhada desta história. 

Este será um ano especial. Vamos aprender Tupi, vamos aprender mais ainda yorùbá, vamos ter palestras, cursos e formações em espaços acadêmicos. Vamos visitar terreiros (como sempre fizemos), e vamos nos abraçar com os juremeiros e juremeiras que desejam contribuir. Salve a ciância e salve Malunuginho, patrono mestre desta luta e causa!

Sobô Nirê!

"Parabéns na Jurema, parabéns". QCM!!!

Arte e designe: Nino Souza.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Filme "Malunguinho" na Chamada da Programação Especial do Dia da Consciência Negra da TVU Recife



Filme "Malunguinho" 
na Chamada da Programação Especial do Dia da Consciência Negra da TVU Recife

19h - Programa Opinião Pernambuco, tema - "Capoeira"
21h - Documentário "Malunguinho" de Felipe Peres Calheiros
21h50 - Documentário "Solano Trindade, 100 anos", de Alessandro Guedes e Helder Vieira

Produção e edição da chamada: Gustavo A. Almeida e Sofia Egito.

TVU - CANAL 11

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Malunguinho invadindo as televisões de todo Estado pernambucano. É o Povo da Jurema se organizando e levando à frente seus ideais contra toda forma de racismo e preconceito. Isso tudo é uma grane contribuição do Quilombo Cultural Malunguinho ao resgate da memória ancestral e histórica de personagens de nossa tradição religiosa. Estar na televisão com um documentário de alto nível de produção e conteúdo, especialmente no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, é contribuir de muitas formas para a compreensão entorno das religiões de terreiro pela sociedade. Esperamos que todos assistam, divulguem, curtam e reflitam sobre a importância das histórias dos negros e índios que foram manipuladamente ceifadas de nossa educação formal como estratégia para nos anular e dominar. Estamos em outros tempos, em tempos de mudança, em tempos de retomar o que nos foi roubado, o direito a informação sobre nós mesmos! Sobô Nirê Malunguinho. Salve a fumaça!!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

VII KIPUPA MALUNGUINHO | COCO NA MATA DO CATUCÁ | 23/09/2012



VII KIPUPA MALUNGUINHO | COCO NA MATA DO CATUCÁ | 23/09/2012

 Vídeo de divulgaço do VII Kipupa Malunguinho

Obrigado ao Bojo da Macaíba e ao Danilo Moura que montou este belo vídeo. 

Sobô Nirê Malunguinho - Vamos todos para as matas sagradas. Vamos nos unir e celebrar. 

Mais informações em: 

http://www.alexandrelomilodo.blogspot.com.br/2012/08/vii-kipupa-malunguinho-coco-na-mata-do.html

 Alexandre L'Omi L'Odò 

Coordenação do Quilombo C. Malunguinho

alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

VII Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá. 7 Anos Unindo o Povo da Jurema!


VII Kipupa Malunguinho
Coco na Mata do Catucá
7 Anos Unindo o Povo da Jurema!

Chegamos ao nosso sétimo ano de integração dos juremeiros e juremeiras de todo o Brasil nas matas sagradas de Malunguinho. Este ciclo para nós da Jurema é de muita importância e simbolismo religioso. Sete anos de trabalhos significa um fechamento de um primeiro ciclo de força na fumaça e ciência de nosso guerreiro quilombola Malunguinho. É um ciclo de grande comemoração e que devemos nos orgulhar em poder vivenciar este momento com fé e entrega. Nós que fazemos o Quilombo Cultural Malunguinho, queremos que esta energia de cura, de paz, de afeto, de união, de consciência política, de alegria e de crescimento invada a vida de todas e todos que vinherem somar e participar deste grande encontro que a cada ano só faz crescer e se multiplicar graças à força de nossa Jurema Sagrada e de nossa luta coletiva. Vamos celebrar, a festa será digna desta data. São sete anos Unindo o Povo da Jurema!!

Quem ainda não sabe o que significa Kipupa e sua história, visite este link e tire toda as dúvidas com o texto que preparei especialmente para isso: "O Que Significa o Kipupa Malunguinho?"

Sobô Nirê!

Roteiro e Programação: 

Artistas e Mestras, Mestres convidados: Mestre Galo Preto, Zé de Teté, Grupo Bojo da Macaíba, Grupo Pandeiro do Mestre, Maracatu Rosa Vermelha, Maracatu Obá Onilu, dentre outros artistas do coco pernambucano.

7h. Saídas dos ônibus (Memorial Zumbí- Carmo Recife) e dos terreiros e municípios de Paulista, São Lourenço da Mata, Recife, Goiana etc;

8h. Encontro na Prefeitura de Abreu e Lima dos ônibus e pessoas;

9h. Chegada na mata (local do evento);

9h. e 20min. Abertura Solene com diálogo e palestra sobre Malunguinho (normas do evento);

10h. Entrega do "Prêmio Mourão que no Bambeia" aos homenageados: 

In memorian:
Mãe Marlene de Oxum Ajangurá
Mestra Jardecilha
Pai Brivaldo Alambaê
João Romão

Vivos:
Mãe Terezinha Bulhões
Dona Dora
Mãe Graça de Xangô 

11h. Entrada na mata com rituais de Jurema;

11h. e 30min. Ritual para Malunguinho com Juremeiros e Juremeiras e povo de terreiro (gira, cânticos, louvações e oferendas);

12h. e 20min. Coco na Mata com os mestres e mestras do coco e da Jurema;

18h. Fechamento e retorno do comboio de Malunguinho. 

Como se inscrever?

Local: Loja de Eliane no Mercado de São José
Valor: 10$ (Dez Reais)
Pessoas de outros Estados: Mandar dados (Nome, Instituição e Contato) para: annepenaforte@yahoo.com.br (Produção)

Local do Evento: Matas do Engenho Pitanga II, Área Rural de Abreu e Lima (Catucá).
Saída as 7h da manhã no Memorial Zumbí dos Palmares. Carmo Recife e dos terreiros e localidades de toda cidade.

Contatos e informações:

Anne Cleide - 81. 8473-1828 (Produção)
Alexandre L’Omi L’Odò - 81 8887-1496  (Coordenação)
João Monteiro- 81 9428-4898 (Coordenação)

Vejam um pouco do Kipupa do ano passado:



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 21 de julho de 2012

Terreiros pedem apoio ao Estado - Registro das intolerâncias religiosas sofridas pelo Povo de Terreiro

Digitalização de matéria do Diário de Pernambuco de 18 de julho de 2012 - ÚLTIMAS. na foto, da esquerda para a direita está: Nino do Bojo da Macaíba, Juremeiro Sandro de Jucá, sacerdote João Monteiro e o babalorixá Érico Lustosa.

Terreiros pedem apoio ao Estado
Onda de ataques aos centros afro começou após assassinato de criança no Agreste

A destruição e tentativa de invasão em centros de culto afro-brasileiro no Agreste do estado e na Região Metropolitana do Recife articulou o movimento negro em defesa das religiões de matrizes africanas e indígenas. Na tarde de ontem, cerca de 20 representantes de diversos terreiros do Grande Recife se reuniram para ajustar um pedido de apoio do estado no enfrentamento à intolerância religiosa.

A onda de ataques aos centros afro começou após a prisão de três homens - que afirmavam ser pais de santo - suspeitos de participação no assassinato de Flânio da Silva Macedo, 9 anos, em um ritual de magia negra no município de Brejo da Madre de Deus. Vários centros de culto afro -brasileiro foram destruídos no Agreste após a divulgação do caso. "O homicídio nada tem a ver com as religiões africanas e indígenas. O crime foi praticado por pessoas que no têm ligação com essas manifestações. Não há sacrifícios humanos nem satanás é reconhecido ou cultuado como uma entidade nessas expressões", esclareceu o pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão (INCTI) da Universidade de Brasília, Alexandre L'Omi L'Odò.

Durante a reunião de ontem, os representantes dos centros propuseram oficializar um documento para pedir a ajuda do estado no esclarecimento das características da religião. "Vamos contatar o governo estadual para pedir um posicionamento em relação à intolerância religiosa", disse o filósofo e babalorixá Érico Lustosa.

Os religiosos ainda pensam em formalizar uma queixa na polícia Civil. "Estamos nos sentindo pressionados. O preconceito está presente nos metrôs, nas ruas, nas faixas com mensagens negativas expostas em frente aos terreiros. O estado precisa tomar uma posição mais contundente em relação ao caso", afirmou o coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho, João Monteiro.

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Esta reunião realizada no Palácio de Iemanjá, casa de Pai Edu no Alto da Sé em Olinda, convocada pelo Quilombo Cultural Malunguinho, foi o início de uma grande articulação do povo de terreiro de Pernambuco contra a intolerância religiosa sofrida. 7 templos de nossa religião foram destruídos e nossa crença foi manchada e conspurcada como assassina e praticante de cultos macabros. Nosso povo sofreu danos morais coletivos irreversíveis... Templos foram ao chão, queimados e saqueados, babalorixás e iyalorixás, juremeiros e juremeiras foram expulsos, sob risco de morte de seus templos... Uma verdadeira caça as bruxas da Idade Média, um terror só visto na época da ditadura e da repressão aos terreiros da primeira metade do século passado. Isso é inadmissível, calarmos seria ser coniventes com nossa destruição completa, com nossa morte.

Estamos na luta para que a mídia e o estado se posicionem e possam nos ajudar a vencer este equivoco monstruoso causado pela pura e mais pura ignorância de conhecimento e racismo. Este caso não deixa de ser culpa do Estado que não implementou as leis 10.639/03 e 11.649/07 nas escolas, para educar desde já os futuros cidadãos e cidadães na cultura africana, afro descendente e indígena. Estes crimes também são fruto da influência massificada de algumas igrejas evangélicas que alimentam o racismo e o ódio aos seus diferentes a apartir de sua teologia da prosperidade e do racismo. também se deve estes cruéis fatos ao povo que não busca ser melhor...

Quem pagará pelos terreiros destruídos, quem pagará por nossa imagem vilipendiada e conspurcada? Quem?


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Conselho de Políticas Culturais do Recife tem novos representantes na área de Patrimônio e Arquitetura

João Monteiro e Alexandre L'Omi L'Odò - novos conselheiros de cultura do Recife. Foto de Leandro Tavares.

Conselho de Políticas Culturais do Recife tem novos representantes na área de Patrimônio e Arquitetura

É com muita satisfação que anuncio aqui os dois nomes que a partir de hoje assumem a temática de Patrimônio e Arquitetura do Conselho Municipal Políticas Culturais da Cidade do Recife: Alexandre L'Omi L'Odò e João Monteiro.

Também outras diversas áreas da cultura tiveram seus representantes escolhidos pela sociedade em votação democrática.

Com a renovação do quadro do Conselho, Recife ganha mais fôlego para promover melhores e maiores atividades no campo da cultura da Cidade. E com isso, ganham todas e todos que de forma democrática escolheram seus representantes que vão fazer valer a outorga, pela sociedade, do cargo nas discussões do tema.

O historiador e pesquisador João Monteiro, em gestões anteriores já foi conselheiro. Chegando a ser o secretário geral do órgão. Hoje volta para prosseguir seu trabalho nas discussões pertinentes.

Alexandre L'Omi L'Odò, ativista social e cultural, sacerdote, pesquisador, e graduando em história pela UNICAP estreia agora nesta gestão na perspectiva de contribuir de forma ativa e comunicativa nos processos do Patrimônio Imaterial, Material e Arquitetura. 

Juntos, os dois experientes articuladores devem realizar um trabalho ao tamanho da necessidade que o tema exige. 

Também, com a entrada dos dois, os temas do Povo de Terreiro terão maior espaço para discussões na Cidade, já que até o momento o tema Patrimônio não tem dado conta desta grande parcela de nossa sociedade. Segundo os dados da Pesquisa Socioeconomica e cultural das casas tradicionais de terreiro, em Recife e Região Metropolitana existem em funcionamento mais de 1.450 terreiros, dados do MDS e UNESCO.

Sobô Nirê!
Salve a fumaça!
Ore iyé iyé oooooo!
Kawo Kabiesilé!

Alexandre L'Omi L'Odò.
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Convite - Reabertura do Ilé Iyemojá Ògúnté. Festa de Iyemojá e Xangô dia 30 de junho de 2012


Reabertura do Ilé Iyemojá Ògúnté - Festa de Iyemojá e Xangô dia 30 de junho de 2012

O Ilé Iyemojá Ògúnté nas pessoas de sua iyalorixá Mãe Lu – Omitòógún, e de seu babalorixá Alapiní Sr. Paulo Braz – Ifátòógún, tem a honra de convidá-los a compartilhar conosco da reabertura oficial do Ilé, após reforma, com a saída de Iyawò de Sílvio André de Iyemojá Ògúnté e as renovações de Odú de Júnior de Xangô, Paulinho de Ogian, João Monteiro de Xangô Aduban e Alexandre L’Omi L’Odò de Oxum.

A Casa é de tradição nagô, das mais tradicionais. A festa será dedicada a Iyemojá Ògúnté, que vai receber sua panela no mar, e também será festejado o Orixá Xangô, patrono do mês vigente.

Será um prazer receber todas e todos neste momento de agregação familiar do axé e de fortalecimento de nossa memória ancestral africana e indígena.

Serviço:

Festa a realizar-se no dia 30 de junho de 2012 às 21h pontualmente.
Endereço: Rua Abdon Lima 86. Água Fria – Recife/PE- CEP: 52120-480
(Click no convite para ler texto integral).

Informações:  81. 3449-3066 / 8838-1152 / 8887-1496


Alexandre L'Omi L'Odò
Integrante do Ilé Iyemojá Ògúnté
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

"Vamos Salvar a Jurema" Ato Político em defesa dos Pés de Jurema da Mestra Jardecilha em Alhandra/PB.


"Vamos Salvar a Jurema"
Ato Político em defesa dos Pés de Jurema da Mestra Jardecilha em Alhandra/PB. 

 A partir da atitude e chamado de João Paulino, neto carnal da Mestra Jardecilhapar (conheça a história da Mestra Juremeira neste link: http://qcmalunguinho.blogspot.com.br/2012/05/sos-mestra-jardecilha-allandrapb.html), nós do QCM - Quilombo Cultural Malunguinho, decidimos nos organizar em Pernambuco com o Povo da Jurema para ajudar nesta luta de todos nós. Querem destruir/matar os antigos Pés de Jurema (Cidades dos mestres) deste terreiro histórico e, já foram derrubados criminosamente 3. Não podemos deixar acontecer o que ocorreu com o ACAIS, que foi destruído de forma covarde por pessoas intolerantes. Temos que cuidar de nossos patrimônios materiais e imateriais, defender nossa história! Vamos lutar juntos neste encontro de ciência, fé e fumaça! Sobô Nirê! 

Informações e Roteiro (Ler com atenção): 

06h: Saída do Memorial Zumbi dos Palmares (Largo do Carmo do Recife).

08h: Celebração da missa na igrejinha do Acaes de nossa Senhora Menina.

09:30h: Toré de Jurema em volta da “cidade” (tumulo) do Mestre Flósculo, celebrando a memória dos nossos ancestrais e chamando a força da Jurema para esta luta.

12:00h: Almoço (por conta de cada um).

14:00h: Visita ao templo da Mestra Jardecilha. Ver os pés históricos de Jurema.

17:00h: Retorno a Recife.


É importante que os juremeiros e juremeiras que decidirem participar vão de roupa adequada ao culto à Jurema e levem seus instrumentos, "gaitas", fumos e firmações.

O valor de R$ 25, deve ser pago a organização do ato político até o dia 05 de junho. O dinheiro deve ser entregue em mãos. é importante dizer que este valor será para pagar o ônibus contratado para esta viagem interestadual.

São apenas 50 lugares no ônibus. Portanto, quem desejar ir deve nos enviar um email para quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com com os dados: 

Nome Completo
RG
Nome do Terreiro que Participa
Fone

Será divulgado aqui a listagem das pessoas que vão. E da mesma forma também será dito quando encerrar as inscrições.

Dúvidas, entrar em contato com:

Alexandre L'Omi L'Odò - 81. 8887-1496 (Oi)
João Monteiro - 81. 9428-4898 (Claro)


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho

sexta-feira, 30 de março de 2012

O Povo da Jurema e da Nação Xambá discutem intolerância religiosa sofrida

Momentos de discussão do povo da Jurema e do Xambá. Foto: Acervo do Quilombo Cultural Malunguinho.

O Povo da Jurema e da Nação Xambá discutem intolerância religiosa sofrida

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Disponibilizamos aqui parte dos vídeos do I Seminário Interno de Construção de propostas Judiciais contra a Intolerância Religiosa produzidos pelo Programa Povo de Santo Ciência e Fé - http://www.youtube.com/user/PovodeSantoCF?feature=watch, do professor, babalorixá e juremeiro Érico Lustosa e sua equipe. Nos vídeos aqui apresentados, poderemos acompanhar parte fundamental das discussões e pensamentos sobre os atos oficiais criminosos de intolerância religiosa propagados pela Editora Pensamento e seu escritor Rivas Neto, que no livro Umbanda - A Proto-Síntese Cósmica, chama o povo da Jurema e da Nação Xambá de degenerados entre outros adjetivos de baixo escalão que não valem a pena serem replicados.

Este foi um primeiro momento onde sacerdotes da Jurema e da Nação Xambá se reuniram organizadamente para agirem judicialmente contra estes absurdos. O evento organizado convocado e organizado pelo Quilombo Cultural Malunguinho no Terreiro de Jurema e Nagô Mensageiros da Fé, da sacerdotisa Dona Dora, teve mais de 80 participantes de diversos terreiros de Recife e RM e Estados do Nordeste. Ainda tivemos a participação em vídeo conferência do Professor Teólogo-Afro Jayro Pereira de Jesus, que falou do Rio Grande do Sul e do juremeiro Eric Assumpção do Rio de Janeiro. A transmissão foi nacional e várias pessoas também puderam acompanhar.

Tivemos ainda as falas dos participantes. Entre eles e elas, a juremeira Joana da Paraíba e o Babalorixá e pesquisador Luiz de Ogodô, que vieram reforçar nossa luta. 

Foi marcada a data de 1° de Abril para um novo encontro no Terreiro da Nação Xambá - www.xamba.com.br - para a confecção final dos docuemntos que serão entregues ao MPF- Ministério Público Federal, junto aos nossos advogados e advogadas.

Para acompanhar esta discussão visitem: 


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
Coordenação
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 25 de março de 2012

VI Kipupa Malunguinho - Uma Explosão de Emoção, História e Fé

 
 Estatueta de Malunguinho. Foto de Laila Santana.

VI Kipupa Malunguinho
Uma Explosão de Emoção, História e Fé

"Salve a Jurema, Salve a Jurema, Salve a Jurema Sagrada, Malunguinho Hoje é o Tema" (refrão criado em improviso pelo Mestre Galo Preto).

O VI Kipupa Malunguinho foi uma prova de que o Povo da Jurema está se articulando e se fortalecendo em sua identidade, fé e pensamento. Os mais de 15 ônibus lotados, os mais de 30 carros lotados, as mais de 15 kombis e vans lotadas e a comunidade presente, levaram o sumo do que de melhor e mais diverso e colorido existem nos terreiros de Pernambuco para dentro das matas sagradas de Malunguinho no Engenho Pitanga II, no município de Abreu e Lima, terras históricas da resistência do Quilombo do Catucá.
Clip do VI Kipupa Malunuginho:



No ano de 2011, o Kipupa realizou-se de forma independente. Sem Estado, sem Prefeitura, sem recursos de projetos e sem a participação de nenhuma empresa privada ou pessoa do Estado. Foi uma verdadeira prova de que com união e articulação pode-se fazer coisas grandiosas sem depender de cabrechos políticos. Além de provar que a união entre o povo de terreiro é possível.

O Quilombo Cultural Malunguinho está muito orgulhoso de ter podido provar para si mesmo seu potencial de abrangência nos terreiros de Pernambuco e Brasil, já que também estiveram presentes pessoas de diversos estados como SP, PB, AL, RJ, MG etc.

Agradecemos a toda comunidade de terreiro pernambucana, que se organizou para ir ao evento com recursos próprios e com a fé na essêcia de nosso trabalho, que é fortalecer nossa tradição, fé e memória, afastando a desmoralização tão popular em nosso meio atualmente.

Visitem as fotos do VI Kipupa no Flickr de Laila Santana: 


O Prêmio Mourão que Não Bambeia, foi mais uma contribuição sólida nossa à preservação da memória das nossas referências religiosas e históricas. Tendo como homenageados o Mestre Juremeiro João Folha (em memória) e o famoso juremeiro Antônio do Monte (em memória), além da Mãe Vanda que tem 50 anos dedicados a Jurema e Dona Sílvia de Iyemojá que tem mais de 60 anos dedicados a preservação da seriedade de nossa religião. este foi um dos momentos mais emocionantes de todo o evento.

Cantamos todos juntos com o Pai Gil de Ogun:

"É mourão que não bambeia / É mourão que não bambeia / o Povo da Jurema / É mourão que não bambeia"...

Destacamos ainda a grande presença de oferendas de praticamente todos os terreiros presentes. Malunguinho foi muito reverenciado com todos os cestos de frutas, farofas, bebidas, velas e folhas. 

Cesto de oferendas para Malunguinho. Foto de Laila Santana.

A entrada na mata ficou estreita para tanta gente... Mas coube todos e todas que pretendiam ali firmar seus pontos de fé e respeito as ancestralidades indígenas e negras que se faziam presentes para receber todas as homenagens.

Poderia escrever laudas e laudas contando como foi este Encontro Nacional de Juremeiros e Juremeiras, mas prefiro indicar o documentário produzido pelo Ronaldo de Almeida, cujo segue o Clip, para que se possa entender o que foi o evento como um todo.  

Já temos uma data para a realização do VII Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá: 23 de Setembro de 2012. Já se agendem e visitem nosso site: www.qcmalunguinho.blogspot.com

Filha e filho de juremeiros. Continuidade da Jurema garantida. Foto de Joannah Mendonça.

Agradecemos a Juarez e família pela acolhida de sempre, a Juliana Bison do Palácio de Yemanjá, que com carinho contribuiu em nossa empeleitada. Agradecemos ao Ronaldo de Almeida de SP pela contribuição e produção do documentário do evento. Agradecemos ainda a OTM - organização Trajetória Mundial pelo apoio e a Adriana Aragão, Beatriz Aranha e Mãe Dida do Abassá de Xangô Agodo e Odé Erinlé. Também agradecemos a título de grande respeito ao professor Dr. Eduardo Fonseca Jr. e a Josy Garcia da Sociedade Yorubana do RJ pelo apoio neste processo. Agradecemos ainda a Laila Santana pela cobertura fotográfica de coração, a Joannah Mendonça pelas fotos carinhosas, a Janine Ribeiro pelas fotografias quase que de repórter, a João Rogério Filho pela presença e fotografias afinadas e a Beto Figueiroa pelos belos olhares fotográficos em nosso evento.

Mestre Galo Preto cantando o coco à Malunguinho:


Não podemos esquecer dos grupos de coco como o Mestre Galo Preto que levou a mais pura ciência desta tradição aos nossos ouvidos, ao Bojo da Macaíba pela disposição, ao Grupo Bongar pela bela apresentação, ao Pandeiro do Mestre na pessoa de Niltinho pela forte presença e a todas e todos dos terreiros de Jurema e Candomblé que de alguma forma contribuíram na construção desta HISTÓRIA nossa!

À equipe de produção do Kipupa: Anne Cleide, Ary Bantu, João Monteiro, Sandro de Jucá, Alexandre L'Omi L'Odò, Juarez, Neto, Nani, Alexandre Dias e Carlos Alberto da Afro Educação de São Lourenço da Mata, Dona Dora, Michelle Rodrigues, Greyce Pires etc. Salve nossa corrente!

Se alguém foi esquecido nos agradecimentos avisem para podermos incluir. Queremos que ninguém fique de fora neste registro. 

Alexandre L'Omi L'Odò e Sandro de Jucá comemorando a ciência! Foto de Laila Santana.

Salve a Fumaça!
Salve a Jurema Sagrada!
Salve Malunguinho!
Sobô Nirê!!!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Calendários de bolso Malunguinho, já a disposição ao público

 
Imagem do Calendário de bolso Malunguinho 2012. Foto de Thiago Bianchetti

Calendários de bolso Malunguinho, já a disposição ao público

Já está a disposição de todas e todos o calendário de bolso oficial do Quilombo Cultural Malunguinho 2012. Esta iniciativa marca o início das comemorações do VII Kipupa Malunguinho, que acontecerá dia 23 de setembro do corrente ano. 

Para o calendário, foi escolhida em grupo a fotografia do amigo Thiago Bianchetti, que no dia 1° de maio de 2011, registrou o assentamento de Malunguinho na Cada da Lavadeira, na ocasião da Festa da Lavadeira. O local é um terreiro Ketu, dirigido pelo ogan Eduardo Melo, realizador da grande festa para Iyemojá. No templo, ainda não existia culto à Jurema Sagrada. Portanto, nós do Quilombo Cultural Malunguinho, decidimos por conta própria levar o Rei da Jurema para morar dentro do espaço sagrado do terreiro, embaixo de um frondoso cajueiro, em seu quintal. portanto, ali se firmou pelas minhas mãos, a de João Monteiro e a de Sandro de Jucá, o culto à Jurema e à Malunguinho. Vale ressaltar que este ato de amor, foi movido pela intenção de fortalecer mais ainda o irmão Eduardo Melo, que nos últimos anos vem sofrendo represálias sérias por conta da Festa que realiza a 24 anos. Os ricos e milionários moradores da região, não querem a cultura popular, muito menos coisas de terreiro em área nobre da Reserva do Paiva/PE. Mas a resistência do povo tem se mostrado forte presente!

Neste contexto, o irmão Bianchetti, eternizou um momento muito especial e cheio de significado para todos nós. E, esta bela fotografia, claro, tinha que ser utilizada em nossos materiais como símbolo de resistência da memória da Jurema e sua expansão.

Este material já está a disposição em nossas mãos. Portanto, os interessados se comuniquem para solicitar os seus. nossa intenção é tentar distribuir para o máximo de pessoas possíveis.

Entrem em contato em:

alexandrelomilodo@gmail.com / dundunmonteiro@yahoo.com.br 
ou pelos telefones: 81. 8887-1496 e 9428-4898
Poderemos enviar pelos correios também.

Salve a fumaça!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 7 de janeiro de 2012

Festa para Malunguinho abrindo o ano de 2012 do QCM.

Boa noite a todas e todos. Venho por meio desta nota convidá-los para a grande festividade em comemoração ao Rei Malunguinho. Será a 38° festa para esta grande entidade no terreiro de Dona Dora, a Casa Mensageiros da Fé, terreiro tradicional de Jurema e candomblé do Jordão Baixo no Recife. Esta celebração marca a abertura oficial do calendrio anual de atividades do Quilombo Cultural Malunguinho (QCM) em 2012. Na ocasião será inaugurada a nova casa de Malunguinho, espaço dedicado ao seu rgande cultuador o Juremeiro João Folha. Vai ser um grande evento com uma sambada de coco ao término dos rituais.

Compareçam!! Serão todas e todos bem vindos!!

Contatos para chegar no local: 8887-1496 / 9428-4898

Serviço:
Festa de Jurema para o Rei Malunguinho (com roda de coco ao final)
Data: 08/01/2012
Local: Jordão Baixo/Recife. A forma de chegar lá é pegar a Rua Rio Xingú no Ibura e descer do ônibus logo após a curva. Entra-se na rua a esquerda onde a curva acaba e segue em frente até uma Igreja toda Azul, entra na rua a esquerda e já está no terreiro de DOna DOra. Vê-se logo um Iroco frondozo dentro de seus muros... Dúvidas nos liguem.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 27 de novembro de 2011

A comida vem dos terreiros - O sagrado que alimenta

 
Capa do Diário de Pernambuco de 27 de novembro de 2011. Na foto em primeiro plano, juremeiras do Terreiro Mensageiros da Fé, Casa de Dona Dora - Jordão Baixo/Recife.

A comida vem dos terreiros
O sagrado que alimenta
Em Pernambuco, terreiros servem de espaço para cultos e também alimentação

27/11/2011 | Vida Urbana C6 e C7 | Recife, domingo - Religião
 Por Marcionila Teixiera
marcionilateixeira.pe@dabr.com.br

 Juremeiro Sandro de Jucá ao lado de Dona Dora e suas afilhadas de Jurema em ritual de "obrigação". Foto de Bernardo Dantas/DP.

Além de espaço de culto religioso, terreiros contribuem para a segurança alimentar de comunidades pobres 
A comida posta à mesa é farta, variada. Tem um cheiro forte e sinais de um preparo cuidadoso. Há peixe frito, raízes e alimentos feitos com mandioca e milho. Um cântico entoado no salão pequeno, coberto com telhas de amianto, dá início ao ritual. O bairro é Jordão Baixo, Recife. Logo todos fecham os olhos em sinal de concentração. Aos poucos, o sacerdote e as filhas de santo circulam a mesa enquanto degustam as iguarias. A comida também é ofertada às entidades da jurema. O sagrado praticado nos terreiros transborda pelas frestas do espaço religioso, toma as casas da vizinhança e chama o povo para se alimentar. Seja dia de festa ou não. A solidariedade não deixa lugar para a fome na rotina difícil das comunidades pobres da Região Metropolitana do Recife.

A prática cotidiana da partilha de alimentos nos terreiros foi recentemente comprovada pela pesquisa Alimento: direito sagrado, documento publicado pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), em parceria com a Unesco, que mostra o papel desses espaços de culto das religiões afro-brasileiras na promoção de segurança alimentar e nutricional das comunidades onde estão localizados. Apesar de historicamente serem caracterizados pela solidariedade, parece que somente agora o governo federal despertou para a importância dessa velha prática dos líderes religiosos: a distribuição de alimentos e a valorização de refeições saudáveis e diversificadas. Os pesquisadores coletaram dados de quatro regiões metropolitanas do país: Recife, Belém, Belo Horizonte e Porto Alegre.

 “A jurema com seus frutos, sempre nos alimentou”, canta Sandro de Jucá. Juremeiro da casa Mensageiros da Fé, o mais antigo terreiro de Jordão Baixo, com 44 anos, ele mantém o cachimbo acesso nas mãos como sinal de religiosidade, invocação da espiritualidade. “Procurar o alimento e não ter é considerado algo muito grave por nós. Ao comer, alimentamos o corpo, mas também comungamos com o sagrado. Por isso, não ter a comida atinge não só o físico, mas também o espiritual”, afirma Sandro, que também é babalorixá no candomblé.

 Pratos que compõem a culinária da Jurema. Mesa de Jurema. Foto de Bernardo Dantas/DP.

Cozinhas comunitárias 

Séculos de atraso na aplicação de políticas públicas junto à população de terreiros, podem ficar para trás com o mapeamento desses espaços. Uma das propostas mais interessantes surgidas a partir do estudo é a implantação de cozinhas comunitárias nessas casas. Ao todo, 92% dos terreiros das quatro regiões metropolitanas pesquisadas têm alguma ação de preparo e distribuição de comidas para as famílias do entorno.


“O estudo revelou que a maior parte das cozinhas são razoavelmente equipadas, mas muitos sentem falta de uma estrutura melhor. A ideia da cozinha comunitária é equipar esses espaços e capacitar quem prepara a comida para a educação alimentar, a exemplo das que já foram destinadas à população quilombola”, destaca Marcos Dal Fabbro, diretor da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS. O plano pode ajudar a melhorar a política de combate à fome do governo federal. Os dados revelam que 31% dos terreiros distribuem alimento para a comunidade. Outros 14,3% repassam o mesmo apenas para pessoas em situação de risco social.

Domínio feminino 

Doralice Pereira de Lima é dona Dora, a yalorixá do terreiro Mensageiros da Fé. Ela faz parte de uma legião de mulheres que lidera os terreiros do país. Segundo os dados do MDS, em 55,1% dos casos, são elas quem comandam esses espaços. Quando se fala em cor/raça, 72% dessas pessoas se consideram negras ou pardas, com destaque para a Região Metropolitana do Recife, que tem o maior percentual entre as regiões pesquisadas daqueles que se identificam como pretos ou pardos (82,3%). Em meio ao domínio de mulheres negras ou pardas, um ponto negativo: a RMR tem o maior percentual de lideranças sem escolaridade, com 8,2% desse contigente.

O perfil traçado aponta outros dados importantes. Se nas outras regiões do país é a umbanda que mais ocupa espaço nos terreiros, na RMR a jurema, religião de matriz indígena, lidera o ranking. Das 1.261 casas levantadas pelo estudo, 896 são de juremeiros. A RMR somente perde para a RM de Porto Alegre em número de terreiros. Lá, são 1.342 casas.

Em Pernambuco, outro ponto preocupante se refere ao acesso a políticas públicas de esgotamento sanitário e água potável desses espaços religiosos. Na RMR, o percentual de terreiros com atendimento irregular da rede de água é de 67,7%. Também é a capital pernambucana e seus municípios vizinhos que apresentam os maiores percentuais de fossas rudimentares e sépticas não ligadas à rede coletora, 17,5% e 23,4%, respectivamente. Outros 7,5% despejam o esgoto em valas.

Nada pode ser desperdiçado 

Os terreiros de umbanda, candomblé e jurema são espaços conhecidos pela fartura na oferta de alimentação e pela qualidade da comida oferecida. “Uma das características dos terreiros é que os cardápios são direcionados aos orixás e às outras pessoas que frequentam o espaço ou apenas visitam em dias de festa de santo. A ideia é: vou fazer o melhor com o melhor ingrediente. Nada pode ser desperdiçado, tudo deve ser partilhado”, explica o antropólogo e especialista em antropologia da alimentação, Raul Lody.

 

Juremeiro, Alexandre L’Omi L’Odò conta que as festas mais tradicionais do povo de terreiro em Pernambuco acontecem em dezembro (Iemanjá), em julho (Oxum), em junho (Xangô), em março (mestres) e em agosto (trunqueiros). “Nessas horas, costuma-se servir a população em geral. São dez quilos de feijão, trinta quilos de carne e nove quilos de arroz, por exemplo. O que sobra, é reaproveitado. Nesse caso, essa não é a comida do sagrado”, explica. Em geral, as festas abertas acontecem três dias depois dos rituais internos, quando são feitas as obrigações aos orixás.

Culinária para a melhoria de vida

No terreiro Ilé Axé Ogbom, em Água Fria, no Recife, o preparo de alimentos está ligado à melhoria de vida. Mulheres em situação de risco social aprendem no espaço boas práticas de alimentação em um curso gratuito ministrado pela yabassé Carmem Virgínia e apoiado por uma rede de supermercados.

“Ensinamos o preparo de comidas que são de grande aceitação comercial com foque na culinária afro”, explica Carmem, que aos 7 anos já sabia que assumiria a função de yabassé, a mulher responsável pelo preparo da comida no candomblé. Hoje ela também é consultora em restaurantes de cozinha afro internacional.

Levar a frente ações sociais como essa, no entanto, não é fácil. O estudo revelou que 52,5% das lideranças dos terreiros usam sua própria renda na compra dos alimentos. O problema é que quase metade dessas lideranças (46,9%) recebe apenas até um salário mínimo por mês. “Sem alimento não há desenvolvimento. O homem não pensa, não vive. Em qualquer lugar, o alimento tem que ser sagrado”, alerta o pai de santo do mesmo terreiro, Everaldo de Xangô. É exatamente na RMR que está o menor rendimento das lideranças, com 85,3% delas recebendo até dois salários mínimos.

Pai Everaldo de Xangô e a Iyabassé Carmem Virgínia do Ilé Axé Ogbom. Foto de Bernardo Dantas/DP.


Maria Luiza Santos da Silva, 53 anos, diz que reconhece o valor que o terreiro tem. Vizinha do Ilé Axé Ogbom, ela conta que muitas vezes, precisou pedir ajuda no espaço e nunca foi mal recebida. “Cresci em terreiro e conheço bem a realidade. Nunca bati na porta de pai Everaldo pedindo ajuda para receber um não. Muitas vezes ele me deu feijão, arroz. Ele não dá mais porque não pode”, conta a dona de casa, casada com um biscateiro e mãe de 10 filhos.

No terreiro Mensageiros da Fé, houve tempo em que até médicos eram trazidos para atender a população carente. “Não temos mais suporte financeiro para isso”, comenta Sandro de Jucá, juremeiro e babalorixá. Apesar das dificuldades, ao menos uma vez por mês o grupo distribui sopa aos moradores do bairro. “Quando dá, também oferecemos enxovais a quem nos procura. A fartura vem da espiritualidade”, explica.

Apenas 12% dos terreiros recebem cestas de alimentos do governo federal, segundo a pesquisa, o que ainda representa muito pouco. Na RMR está o maior percentual de terreiros que recebem estas cestas, 31%.

Entrevista com Sônia Lucena


O alimento que sai dos terreiros não tem apenas cheiro de solidariedade. Possui ingredientes nutritivos, como avalia a nutricionista Sônia Lucena, do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco e membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar.

Como a senhora analisa a prática de distribuição de alimentos pelos terreiros?

Historicamente, o terreiro não é só espaço religioso. Assim como as igrejas, também fazem m trabalho social.  A música produzida por eles, por exemplo, é de ótima qualidade, assim como a comida, que tem um cardápio próprio, de origem afro. Quando vieram seqüestrados e escravizados do continente africano, muitos negros trouxeram sementes escondidas nos seus próprios cabelos e assim conseguiram manter a tradição alimentar ao longo dos séculos.

Podemos afirmar que as comidas de terreiro são saudáveis?

Depende. Se agente fala em consumo de vatapá todo dia, por exemplo, não é indicado porque o óleo de dendê usado no seu preparo  depois de levado ao fogo é rico em colesterol. O mesmo vale para o coco, que consumido em excesso traz sobrepeso. É como se alimentar com uma ceia de Natal todos os dias. Se a população fizesse isso, 90% das pessoas estariam obesas.

Segundo a pesquisa, a maioria dos alimentos consumidos nos terreiros da RMR são os caprinos, o frango e o fubá. Além disso, eles também costumam oferecer à comunidade a conhecida mistura de feijão, arroz e carne. O que a senhora acha desses produtos?

A mistura de feijão, arroz e carne é excelente, perfeita. O Conselho Nacional de Nutrição chegou a fazer campanha para estimular esse consumo. O feijão é rico em proteína vegetal e o arroz em aminoácidos. Juntos, dão uma mistura protética muito rica. No entanto, estamos falando de feijão com água e sal e não de feijoada. No caso da galinha criada em casa, qualquer um pode comer, desde que tire o couro, pois é onde está armazenado o colesterol. A carne branca tem menos colesterol que a carne vermelha. No caso do fubá, é o milho beneficiado. É um alimento rico em calorias. A mistura de carne de bode, por exemplo, com produto oriundo do milho também é muito boa, pois o que falta na proteína do milho é complementado pela proteína animal.

Dados da Pesquisa
 



 
Saiba Mais sobre estas religiões de terreiro



Veja o vídeo


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Publico aqui matéria do jornal Diário de Pernambuco de domingo - 27 de novembro de 2011, caderno Vida Urbana C6 e C7 (duas páginas). Solicitei ao Diário essa matéria, por ter identificado que o lançamento oficial dos resultados da Pesquisa Socioeconômica e Cultural das Comunidades Tradicionais de Terreiro de Recife e Região Metropolitana, realizada pelo MDS- Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, com parceria com a SEPPIR e a UNESCO e realização da entidade Filmes de Quintal, passou quase desapercebido pela mídia local em todos os seus âmbitos. 

Horas, como resultados tão importantes e impactantes para a realidade social, cultural e religiosa do nosso Estado, como os dessa pesquisa passariam desapercebidos pela mídia? Resposta simples: o racismo e a intolerância religiosa ainda são fortes aliados no desinteresse por assuntos ligados essencialmente a temas dos povos afro descendentes e indígenas, sobre tudo às religiões de matrizes africanas e indígenas.

Contudo, a jornalista Marcionila Teixeira se interessou pela pauta sugerida e caiu em campo. Realizou um belo trabalho de pesquisa, trazendo ao povo pernambucano essas informações de forma inteligente e esclarecedora. Assim, o Diário de Pernambuco, quebra parte da barreira histórica que sempre colocou assuntos ligados ao povo negro e índio nas páginas policiais. 

Digitalizei parte da matéria (fotos, dados e textos). Ainda digitei parte do texto que só saiu na versão impressa do jornal. Portanto, a matéria aqui está totalmente completa e na íngra.

Fico feliz em ter podido contribuir de forma ativa com a visibilização dos resultados dessa pesquisa. Sou de terreiro. Fui pesquisador de campo nesse levantamento de dados e, ao ver esse resultado concreto (impresso) só agradeço à minha mãe Oxum e a Jurema Sagrada e, também ao trabalho que realizo em conjunto com o Quilombo Cultural Malunguinho, que ao longo dos seus 8 anos de existência vem torando possível, de forma coletiva, o fortalecimento crítico e religioso (teológico) do povo de terreiro de pernambucano, sobre tudo o do Povo da Jurema Sagrada e da cultura popular.

Salve a Jurema, salve a fumaça e salve Malunguinho! Sobô Nirê!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!