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domingo, 14 de novembro de 2010

Último encontro 2010! Diálogos VIII…Yabá: a mulher e o sagrado + lançamento de “As Gueledés – a festa das máscaras”

No ano de 2010, o Museu de Arte Popular (MAP), vinculado à Fundação de Cultura Cidade do Recife, deu início a uma série de debates que chega agora em sua oitava edição, a Caminhos do santo | Diálogos…, sendo esta a última edição deste ano. Ao longo do ano, o MAP promoveu debates sobre diversos assuntos suscitados pela mostra Caminhos do santo, atual exposição do museu, como a mesa de 7 de abril, que abordou a Menina-sem-nome e as cruzes de estrada, através de um curta e um documentário, além da visão da folkcomunicação sobre fenômenos como estes. Ainda em abril, no dia 22, tivemos uma mesa com três historiadores, trabalhando o personagem de Meu Rei, o santo não-canônico São Severino do Ramos e o imaginário religioso do homem sertanejo. Em maio foi a vez das imagens das romarias tomarem a mesa, através do Padre Cícero e do Morro da Conceição. Em agosto, mês das assombrações, caçamos os fantasmas e as lendas urbanas do Recife. Setembro foi o mês em que o teatro e a religião se encontraram na Diálogos. Em outubro, em parceria com o FIDR, abordamos a dança de rua, uma nova expressão de arte popular, urbana e atual. E agora, em novembro, como é de praxe, este debate terá como ponto de partida um tema ligado a exposição e ao momento da cidade e do mundo.

No dia 19 de novembro de 2010, teremos Caminhos do santo | Diálogos VIII…Yabá, a mulher e o sagrado, no auditório da Livraria Cultura, às 18:00 horas. Teremos como conferencista o pesquisador de cultura afro-brasileira Raul Lody, autor de obras como Dicionário de Arte Sacra e técnicas afro-brasileiras ; O Negro no Museu Brasileiro: construindo identidades ; Santo também come ; Povo do Santo - Religião, História e Cultura dos Orixás, Voduns, Inquices e Caboclos ; e também do livro infantil Seis Pequenos Contos Africanos. Raul também atua como curador da Fundação Gilberto Freyre (PE), da Fundação Pierre Verger (BA), do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CE), Museu do Folclore (SP) e é Doutor em Etnologia pela Universidade de Paris.

Para fechar este ano com “chave de ouro”, o MAP aproveitará o contexto do 20 de novembro, comemorado como o dia da consciência negra, data escolhida em homenagem a morte de Zumbi dos Palmares. Hoje, as comemorações tomam todo o mês de novembro e no dia 19, o MAP trabalhará o papel da mulher nas religiões afro-brasileiras. E ainda reconhecendo e afirmando o museu como um espaço de formação, colaboração e difusão de saberes, o Museu de Arte Popular promoverá, em parceria com a editora Pallas e a Livraria Cultura, o lançamento do livro voltado para o público infantil: As Gueledés – A Festa das Máscaras, de autoria do curador, antropólogo, etnólogo e museólogo Raul Lody que também assina as ilustrações da publicação. O livro infantil explica o ritual secular das Gueledés, festa anual onde os homens iorubás contam a história das Senhoras da Noite (Iás na tradição iorubá) que formaram uma sociedade secreta para tomar o mundo.

Gueledés convite

O que | Caminhos do santo | Diálogos VIII… Yabá, a mulher e o sagrado. Encerramento da série Diálogos 2010 e lançamento do livro Gueledés.

Quando | 19 de novembro de 2010, sexta-feira, às 18 horas.

Onde | Auditório da Livraria Cultura

Promoção | Museu de Arte Popular – MAP

Quanto | Grátis

Informações | 3355-3110 / 3355-4720

Para entrar em contato com o setor de Pesquisa e Cultura: pesquisamap@hotmail.com

Para entrar em contato com o setor Educativo e Cultura: educativomap@hotmail.com

Para contatos em geral: museudeartepopular@hotmail.com

Raul Lody| Doutor em Etnologia pela Universidade de Paris, atual Sorbonne, Raul Lody é curador da Fundação Gilberto Freyre em Recife (PE), da Fundação Pierre Verger em Salvador (BA), do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em Fortaleza (CE), Museu do Folclore em São José dos Campos (SP). É autor de dezenas de livros, incluindo À Mesa com Gilberto Freyre, Xangô – O senhor da casa de fogo e Cabelos de Axé – Identidade e Resistência.

Coordenação de Mesa

Fábio Carvalho | História, UFPE e Coordenador de Pesquisa do Museu de Arte Popular.

Realização | Museu de Arte Popular

Vamos lá pessoal, este encontro será fantástico!!

Alexandre L'Omi L'Odò.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Malunguinho, guerreiro da paz, Santo da guerra!

MITOS II
Guerreiro da paz, santo da guerra

Ser mito já é algo fora do comum. Ser mito religioso é ainda superior. É atingir a santificação, o endeusamento. Nada tem caráter mais poderoso, mais inquestionável, que um santo, que uma entidade espiritual. Seus seguidores não admitem qualquer dúvida, por menor que seja, sobre a moldagem divina do ídolo. Padre Cícero, Jesus Cristo, Buda, Malunguinho e outros tantos. Eles escaparam da prisão físico-corpórea. Moldaram-se no plano espiritual. Capturados pelo misticismo inerente à alma humana.

Não é fácil chegar lá. Tornar-se sagrado exige muito de alguém. Mais que boas ações, requer milagres. Depois que padre Cícero fez a dita transmutação da hóstia em sangue na boca de uma beata, sua adoração espalhou-se pelo Sertão Nordestino e por onde mais houvesse gente para acreditar.

O povo quer milagres assim. Buscou-os nas pregações de frei Damião e de Antônio Conselheiro. Dois homens que traduzem a fé cega e esmagadora do sertanejo. A busca eterna de quem lhe alivie o sofrimento. O povo é assim mesmo. Quando tudo o mais falha, procura algo superior para se apegar. "Quando se perde a credibilidade na ciência e na política, apela-se para o sobrenatural. Entre as camadas mais populares, devido à ignorância das pessoas, o endeusamento ocorre com mais facilidade. O Sertão Nordestino é o melhor exemplo", comenta o analista político Michel Zaidan.

Passa-se o tempo, a morte chega aos pregadores. Com ela, novos milagres. O endeusamento frutifica. Caso de Padre Cícero e frei Damião. Eles produziram pelo sertão uma fé comparada ao maior de todos os messiânicos: Jesus Cristo. Talvez nem tanto. Tarefa árdua é achar um exemplo melhor que Jesus. Quem sabe Maomé, para os mulçumanos? Ou mesmo Maria, mãe do próprio Cristo, para os católicos?

Não. Nada foi ou é como Jesus. Ele agregou em si a fórmula mais completa para obter-se um mito: morte sofrida e no auge da vida " vítima de traição " preocupação com o próximo " filiação divina " amparo aos mais fracos " promessa de uma vida além desta = o mais perfeito dos mitos. E ainda mais: milagres. A combinação moldou um jovem judeu pregador em um deus feito homem. Um mero judeu que angariou um rebanho de milhões de pessoas em dois milênios de história. Que passou a dividir o trono com o próprio Deus. Que incorpora este mesmo deus, tido antes como único e indivisível. Incontestável como salvador do mundo, símbolo máximo da bondade e do amor.

SANTOS GUERREIROS - Até se entende a santificação de São Jorge, São Miguel Arcanjo, Santo Expedito e Santa Joana D'Arc. Guerreiros devotados ao Senhor. Agora explicar por que Mao Tse-Tung, Che Guevara e Malunguinho assumiram áureas religiosas, é complicado. Eles guiaram suas vidas pela pregação ou pelos louvores a Deus? Difícil crer. Mas o povo quis assim, moldá-los como santos.

Mao transformou a China de imperial em comunista. Político, sem nunca ter exercido qualquer função próxima à religiosidade. Mas ao povo não importa. Nas atuais enchentes que abateram o território chinês, aos invés de Buda, é para Mao que o povo está enviando suas preces.

Guevara foi outro que sempre guiou sua vida pelo comunismo ateu e materialista. Mas ao povo não importa. Quando seus restos mortais foram encontrados, centenas de pessoas acenderam velas no local, rezaram e fizeram promessas para um dos maiores ícones de revolução armada.

Malunguinho foi, assim como Zumbi dos Palmares, um líder de quilombo. O de Catucá - mais ou menos onde ficam hoje os municípios de Igarassu e Goiana. Guerrilheiro. Mas ao povo não importa. As áreas onde reina agora são os terreiros de umbanda. Visto como uma entidade desencarnada, digna de oferendas e cânticos.

Às vezes, para a massa não basta um guerreiro. Não basta a força física e intelectual. Não se quer um herói. Tamanha é a situação de desespero, necessita-se de alguém com forças acima da compreensão humana. Quer-se um santo. Um salvador de almas. Já que neste mundo a sina vai ser sempre o mesmo penar.

Fonte: http://www2.uol.com.br/JC/_1999/80anos/80d_15.htm

Texto extraído da internet e modificado por mim.

Foto: Alexandre L'Omi L'Odò.

Alexandre L'Omi L'Odò.

QCM- Quilombo Cultural Malunguinho

174 anos Resistindo!

Fazendo a diferença em Pernambuco.

Nguzo Malunguinho!!!

sábado, 15 de agosto de 2009

Cinquenta Dias a Bordo de um Navio Negreiro.


UM LIVRINHO REALMENTE TERRÍVEL!

Não! Calma! Não vou falar de nenhum livro que anda aí anunciado pra virar best-seller, não! Eu, hein!? "Quem refresca bico de pato é lama" - já dizia minha Tia Sinhá. E "beira de penico não é cocada!", como repetia Vó Maria.

Quero falar de um livrinho de bolso, com apenas 121 páginas, definido como "terrível" no prefácio do mestre Alberto Costa e Silva, historiador que aprendeu, in loco, a amar a África, seus filhos, netos e bisnetos, mesmo os "misturados".

O livro chama-se "Cinqüenta dias a bordo de um navio negreiro", foi escrito pelo reverendo inglês Pascoe Greenfell Hill, narra acontecimentos passados a bordo de um navio negreiro capturado quando vinha de Moçambique para o Brasil, em 1842, já depois de proibido o tráfico atlântico.

Nele, a gente lê coisas assim:

"A tempestade aproximou-se, e eu e outros que estavam deitados no tombadilho recebemos o aviso através de pesadas gotas de chuva. A isso se seguiu uma cena de horror que é impossível descrever".

A cena descrita é a de cerca de 500 escravos se atropelando em busca de abrigo no exíguo porão do navio, o qual de tão quente emanava fumaça. Empurra daqui, pisa da li, o resultado foi esse:

"A previsão do espanhol sobre ontem à noite foi tristemente verificada hoje de manhã. Cinqüenta e quatro corpos esmagados e lacerados foram içados do tombadilho dos escravos trazidos para o passadiço e jogados ao mar."

Brabeza, esse tipo de cena se repete diversas vezes ao longo do livro. E o que é pior: vitimando dezenas de crianças e jovens mulheres indefesas.

Estamos lendo e ainda não chegamos ao fim do livrinho. Mas podemos garantir que é uma das coisas mais brabas que já lemos até hoje. Brabas como as que, por razões semelhantes (cobiça, busca de lucros fáceis, desumanidade, arrogância, complexo de superioridade etc.) ainda se repetem por aí, vez por outra, neste país grande, que não é de bolso, nem é de papel. Mas que é racista - é sim -, não temos a mínima dúvida!


*Cinqüenta dias a bordo de um navio negreiro' traz o relato do reverendo Pascoe Granfell Hill (1804-1882), que, em meados do século XIX, acompanhou a Marinha britânica na captura de um navio que transportava escravos negros para o Brasil. A liberdade, no entanto, só viria depois de uma outra longa jornada, na qual os africanos continuariam vivendo em condições precárias e de semi-servidão; na viagem que Hill descreve neste seu diário, entre Quelimane e Cidade do Cabo, 163 das 444 pessoas - das quais 213 eram crianças - que se encontravam nos porões. Em uma passagem particularmente forte, Hill descreve a imagem da manhã seguinte a uma tempestade em alto mar, na qual quatrocentos negros, teoricamente livres, foram obrigados a ocupar um porão de 70 m²...

Título: Cinquenta dias a bordo de um navio negreiro
Título Original:
Subtítulo:
Autor: Pascoe Grenfell Hill
Tradução:
Editora: Jose Olympio
Assunto: Relatos De Viagens E Aventura
ISBN: 850300884X
Idioma: Português
Tipo de Capa: BROCHURA
Edição: 1
Número de Páginas: 124
Valor: R$: 19.90

Texto extraído do Blog Meu Lote do companheiro e professor Nei Lopes.
Pesquisa de mercado e adaptação: L'Omi.

Alexandre L'Omi L'Odò.
Lendo...

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!