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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Hospedagem na Mata Sagrada no Kipupa Malunguinho - Pousada Maré Mansa


Hospedagem na Mata Sagrada no XII Kipupa Malunguinho

Pousada Maré Mansa

Para quem desejar acompanhar o Kipupa um dia antes do evento, nos ajudando e dormindo na mata para os rituais de um dia antes, agora temos a solução. 

Conseguimos através de uma cordo, com a Sra. Verônica, proprietária da Pousada Maré Mansa (página abaixo), a disponibilização de quartos com ar condicionado, camas, piscina, estrutura de cozinha etc, para quem quiser ficar na mata quantos dias quiser. 

O valor da diária é entre 20 e 30 reais. O local é fica a menos de 400 metros do evento e recomendamos. Toda equipe de realização do evento estará hospedada lá. 

Quem desejar fazer sua reserva ligue para 81 99928-0666 ou para o 81 985022797 e faça sua reserva diretamente com Verônica. 

Fotos da pousada:





A cada ano o evento fica mais lindo, mais cheio de ciência e de estrutura. Bora dormir na mata? ;)

Link da Página da Pousada Maré Mansa no Facebook: https://www.facebook.com/Acampamento-Mar%C3%A9-Mansa-376412515774303/

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Inscrições para a 1° Feira Colaborativa da Jurema Sagrada no Kipupa Malunguinho 2017


Inscrições para a 1° Feira Colaborativa da Jurema Sagrada no Kipupa Malunguinho 2017

O Quilombo Cultural Malunguinho, propõem pela primeira vez a realização de uma feira colaborativa dentro do Kipupa Malunguinho, como forma administrar e organizar o que já vinha acontecendo em anos anteriores, com artesãos e artesãs que vão espontaneamente ao evento e vendem seus produtos livremente.

A Feira, terá como objetivo apresentar uma diversidade de produtos ligados à Jurema, como ervas, artefatos religiosos, roupas, colares, instrumentos, cachimbos, e todo tipo de artesanato ligado ao imaginário afro indígena, com intuito de fortalecer a nossa identidade e contribuir no crescimento de investimentos em projetos negros indígenas no mercado de artesanato.

Serão 10 bancas, distribuídas entre dez grupos ou coletivos que irão pagar um valor simbólico de 75 reais pelo aluguel de uma banca, para exporem seus produtos. As vendas poderão ser feitas em dinheiro e também em cartão de crédito, para facilitar o fluxo e o acesso aos produtos pelo público.

Os interessados e interessadas em expor seus artesanatos, por favor preencher o formulário abaixo para ser submetido a análise do coletivo e posteriormente selecionado ou não. Prezaremos pela diversidade de produtos na feira, tendo como critério de análise a diversidade e o pertencimento afro indígena dos artesãos e dos produtos.

Salve a fumaça e vamos fortalecer a nossa luta negro indígena. O Mercado do Negro e do Indígena tem que ser valorizado. Essa é nossa missão!

Prazo para inscrição: 05 de Setembro de 2017

Resultado dos selecionados: 08 de Setembro de 2017

Contato: 81 99525-7119 (Tim e zap)

Sobô Nirê Mafá!



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 18 de julho de 2017

XII Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá 2017


XII Kipupa Malunguinho – Coco na Mata do Catucá 2017

Eis que as matas sagradas da Jurema no Quilombo do Catucá se abrem mais uma vez pra receber seu povo no XII Kipupa Malunguinho – Coco na Mata do Catucá. No dia 24 de Setembro de 2017, de 09 às 18h, em sua décima segunda edição, o maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil, trará uma programação rica e diversa de religiosidade de matriz indígena e africana, com muitas novidades, além de seu caloroso grito por união, luta contra o racismo e intolerância religiosa.

Entre suas atividades, teremos o tradicional ritual coletivo às entidades e divindades das matas, que a cada ano concedem muitas graças na vida de quem com fé vai fazer suas oferendas e firmações. Também teremos a 1° Feira Malunguinho de Produtos Religiosos, o 1° Kipupinha com atividades educacionais, mini parque para as crianças, distribuição do tradicional “Cosme e Damião”, e, shows de alto nível da cultura popular com grandes mestres e mestras do coco e da mazurca.

O Kipupa é o lugar das possibilidades espirituais. Lá, quem busca respostas, pode esbarrar em uma entidade que lhe revele os caminhos da vida... Lá também, remédios podem ser lhe dados para a cura de todos os tipos. Nas matas sagradas, quem desejar sentir a força verdadeira das raízes da Jurema, vá com o coração limpo para receber a graça da força da natureza em sua mais pura essência. Pisar no chão, sentir o cheiro da fumaça da Jurema, beber seu sagrado vinho, sentir os tambores bater e vibrar na pisada do coco com todo povo de terreiro que se faz massiçamente presente, é uma chance de aprender e trocar saberes.  A espiritualidade Encantada, abraça todas e todos que a procuram, e no maior encontro de juremeiros e juremeiras do país, o que mais estará presente é a beleza dessa força milagrosa que transforma vidas.

Venha celebrar conosco a força da memória do Reis Malunguinho na Jurema Sagrada. O Nosso herói negro/índio pernambucano que com sua ciência mestra nos ensina a lutar juntos por união e amor entre os povos. O Kipupa é união, é coletividade e respeito, é resistência do Povo da Jurema. Vem kipupar!

Atrações artísticas:

Shows:

Fundação e batismo do Maracatu Nação Kipupa Malunguinho
Bacamarteiros Mandacarú
Chinelo de Iaiá
Mazurca da Quixaba
Mestre Zeca do Rolete
Sambada de Jurema com mestres e mestras

Homenageados do Prêmio “Mourão Que Não Bambeia”:

Dona Zefinha de Nanã
Mestra Alaíde de Benedito Fumaça (Caruaru)
Mestre Ciriaco de Alhandra
Mãe Jerusa do Pina
Mãe Alda de Pedro Pires
Mãe Djanete de Limoeiro

Informações gerais sobre o evento (leiam tudo para não terem dúvidas):

Evento gratuito. Para quem não vai em caravanas ou de carro, disponibilizamos ônibus que saem às 07h da manhã do Pátio do Carmo em Recife e do Nascedouro de Peixinhos, valos R$: 30 reais, que podem ser adquiridos no Mercado de São José, no box de Eliane. Ou, comprar nas mãos dos coordenadores. Os terreiro e grupos podem organizar suas caravanas individualmente.

ORIENTAçÃO PARA OS MOTORITAS E AS MOTORISTAS: Quem vai de CARRO, KOMBI, VAN, ETC. A entrada é pela rua Capitão José Primo, tendo como ponto de referência o Terminal dos Kimbeiros, na entrada de Caetés, no centro de Abreu e Lima. Todo o caminho estará sinalizado com banners nos postes e paredes. É só ficar atento, não há como se perder. Do centro de Abreu e Lima ao local do evento, que acontece no Sítio de Juarez, são 11km de estrada de barro, que estará completamente plana, sem buracos e sem riscos.

ÔNIBUS DE ACESSO AO EVENTO: Está à venda no Mercado de São José, no Box de Eliane, os bilhetes para quem desejar ir no ônibus do evento. O valor é R$: 30. Compras até o dia 21 de Setembro.

Os juremeiros e juremeiras devem ir com roupa tradicional da Jurema, homens de calça, camisa e chapéu. As mulheres de saias coloridas, torso ou chapéu. Levem seus cachimbos, maracás, ilús, pandeiros e todos os objetos que acharem necessário. Os ogans podem levar seus ilús. Vamos fazer uma festa bonita com o colorido tradicional da Jurema. Vamos manter vivas nossa raízes, a começar pelas roupas que são nossa identidade.

Quem desejar levar oferendas para Malunguinho fiquem a vontade, desde que sejam oferendas perecíveis, pois cuidamos muito da Mata Sagrada e não admitimos poluição no local. Portanto, confeitos, balas e doces: tirar das embalagens de plástico. Bebidas só o líquido é permitido oferecer (as garrafas recolher), Alguidares serão recolhidos após os atos de oferenda, Cigarro, é proibido deixar as piolas no chão. Animais não serão imolados no local. Favor respeitar todas estas regras do culto.

É PROIBIDO ACENDER VELAS DENTRO DA MATA. No altar de Malunguinho haverá local para firmarem seus pontos de luz.

O Kipupa é um evento cultural e religioso, e por estes motivos, quem não for da religião, favor não tirar camisa no local, não usar drogas, não entrar na mata para outros fins que não sejam louvar Malunguinho e a Jurema Sagrada. Estaremos atentos com vigilantes no local para manter o respeito à tradição da Jurema.

O Kipupa não é um “piquenique na mata”, portanto, não fiquem bêbados e não vão na intenção de arrumar qualquer tipo de problema, briga etc. Malunguinho estará recebendo suas oferendas juntos com as demais entidades e divindades. Cuidado...

Os fotógrafos profissionais que forem ao evento, assim como os que irão filmar, avisamos que todo material feito/captado no local deve ser repassado posteriormente (semana seguinte) em alta qualidade ao Quilombo Cultural Malunguinho, nas mãos de seus coordenadores. Não permitiremos fotografar sem esta condição.

No local haverá comida e bebida a vontade para vender. A comunidade da Mata do Engenho Pitanga II é nossa parceira e colocam bastante comida variada à venda. Portanto, não se preocupar com comida. Quem quiser levar sua comida fique a vontade.

HAVERÁ AMBULÂNCIA (UTI MÓVEL) NO LOCAL E SEGURANçA.

HAVERÃO BANHEIROS QUÍMICOS PARA TODOS E TODAS

As pessoas podem levar suas faixas e homenagens à Jurema e ao encontro sem nenhuma restrição.

É PROIBIDO USAR DORGAS NO EVENTO!

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho!!
Trunfa Riá!!!

Contatos:

81. 98887-1496 (Oi) / 99525-7119 (Tim) / 99428-7898 (Vivo) / 99955-9951 (Tim)


Realização


Produção e Coordenação

Alexandre L’Omi L’Odò – alexandrelomilodo@gmail.com
Equipe do terreiro de Jurema - Casa das Matas do Reis Malunguinho

Alexandre L’Omi L’Odò
Coordenação Geral Quilombo Cultural Malunguinho

sábado, 27 de maio de 2017

Documentário do XI Kipupa Malunguinho 2016



Documentário do XI Kipupa Malunguinho 2016

Documentário do XI - Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá, realizado na data de 25/09/2016 em Pitanga II, Abreu e Lima - Pernambuco. Carinhosa produção do Eu Tô Na Fita, publicado originalmente em: https://www.youtube.com/watch?v=rkSN3b1Gdlg&t=25s 

O XII Kipupa será realizado dia 24 de Setembro de 2017. Divulguem, compareçam, façam suas caravanas. Vai ser lindo!!

Sobô Nirê Mafá!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 6 de agosto de 2016

XI Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá 2016


XI Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá

1835 - 2016 Malunguinho Histórico e Divino, 181 anos resistindo!

Onze anos do maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil. O Kipupa Malunguinho em sua décima primeira edição, levará mais um ano para as matas sagradas do "Catucá" a alegria da fé do povo de terreiro, para celebrar o Reis Malunguinho, único líder quilombola a virar divindade na história de nosso país. 

Iremos homenagear os 15 anos do Grupo Bongar​, que ao longo dos últimos sete anos vem sendo parceiro de nossa luta e também têm feito um lindo trabalho em defesa da cultura popular e tradicional merecendo o Mourão que não Bambeia. Vamos celebrar e trocar muitos saberes da ciência mestra com terreiros e pessoas de toda parte deste país. 

Informações básicas: 

Dia 25 de Setembro de 2016 (Domingo)

Das 09 às 18h

Local: Matas de Pitanga II, Abreu e Lima/PE (Sítio de Juarez) "Catucá"

Como chegar? 

O local do evento é um pouco complicado de chegar. Mas providenciaremos ônibus saindo da Igreja do Carmo do Recife às 7h da manhã. Valor da ida e volta para o mesmo local R$: 30. Bilhetes vendendo no box de Eliane dentro do Mercado de São José.

Para quem vai de carro ou em caravanas independentes o ponto de encontro é às 8h da manhã em frente a Prefeitura de Abreu e Lima. De lá sairá o comboio para o local do evento. 

A estrada estará sinalizada com Banners. O local de entrada para chegar lá é na Avenida principal no Terminal dos Combeiros. Seguindo pelo bairro do Planalto entrando em Pitanga II. Não tem erro, é só seguir a sinalização e seguir o caminho sem entrar em nenhuma rua.

Terreiros e grupos podem organizar suas caravanas independentemente. 

Qualquer pessoa pode participar.

Terreiros podem levar ilús e demais instrumentos, além de suas oferendas próprias e irem vestidos com roupas tradicionais da Jurema.

Apresentações Culturais:

Grupo Bongar
Coco de Pareia​
Coco da Yá 
Cordelândia Música-Poesia Infantil​
Coco de Catucá

Contatos: 81. 99901-3736 / 98887-1496 / 99525-7119
www.qcmalunguinho.blogspot.com 
quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com 

Confirme presença no evento no Facabook: https://www.facebook.com/events/285295015164135/

Para informações mais aprofundadas, visitem:


Sejam todas e todos muito bem vindos, vamos celebrar nossa fé com amor e respeito à ancestralidade. O nosso Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá​ os aguarda para uma vivência profunda na fé de matriz indígena do Nordeste do Brasil!

COMPARTILHEM!!

Sobô Nirê Mafá!
Salve a fumaça!
Salve nossa Jurema Sagrada!

Alexandre L'Omi L'Odò​
Coordenador Geral 
Sacerdote Responsável
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Memória do Povo da Jurema - IX Kipupa Malunguinho na Rede Globo Nordeste



Memória do Povo da Jurema - IX Kipupa Malunguinho na Rede Globo Nordeste

Reportagem da Rede Globo Nordeste de 19/09/2014 retratando o IX Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá, "o maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil".

Disponibilizo aqui no meu canal para podermos ter mais acesso aos arquivos e memórias de nossa luta por valorização e fortalecimento da Jurema Sagrada.


Sobô Nirê Mafá!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

X Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá


X Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá
1835 - 2015 Malunguinho Histórico e Divino, 180 anos resistindo!

Dez anos do maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil. O Kipupa Malunguinho em sua décima edição, levará mais um ano para as matas sagradas do "Catucá" a alegria da fé do povo de terreiro, para celebrar o Reis Malunguinho, único líder quilombola a virar divindade na história de nosso país. Celebraremos os 180 anos de resistência da luta por liberdade do povo negro/indígena de Pernambuco. Com muito coco, ritual nas matas e muita troca de saberes, vivenciaremos coletivamente mais uma vez o hermanamento entre a religiosidade tradicional de terreiro e a cultura popular.

Informações básicas

Dia 27 de Setembro de 2015 (Domingo)

Das 09 às 18h

Local: Matas de Pitanga II, Abreu e Lima/PE (Sítio de Juarez) "Catucá"

Como chegar? 

O local do evento é um pouco complicado de chegar. Mas providenciaremos ônibus saindo da Igreja do Carmo do Recife às 7h da manhã. Valor da ida e volta para o mesmo local R$: 30. Bilhetes vendendo no box de Eliane dentro do Mercado de São José.

Terreiros e grupos podem organizar suas caravanas independentemente. 

Qualquer pessoa pode participar.

Terreiros podem levar ilús e demais instrumentos, além de suas oferendas próprias e irem vestidos com roupas tradicionais da Jurema.

Apresentações Culturais:

Grupo Bongar
Pandeiro do Mestre
Coco de Pareia 
Grupo Raízes
Lucas e Orquestra dos Prazeres (a confirmar) 

Contatos: 81. 99901-3736 / 98887-1496
quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com 

Para informações mais aprofundadas sobre o evento visitem:


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 9 de maio de 2015

I Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá



I Kipupa Malunguinho
Coco na Mata do Catucá

Este breve registro audiovisual de 21'min. feito por Felipe Peres Calheiros em 2005, registrando a fundação da tradição do Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá, é uma joia rara na nossa história. 

O vídeo traz falas e mostra como começamos esta linda luta de respeito e valorização à Malunguinho e consequentemente à Jurema Sagrada. Foram vividos momentos muito ricos com a ajuda de Mãe Lucia de Oyá que na época nos ajudou a realizar as obrigações, e também a parceria sempre maravilhosa de Juarez, nosso melhor parceiro das matas. 

É uma felicidade no ano que completamos 10 anos de história (2014) com o Quilombo Cultural Malunguinho publicar este arquivo que nos orgulha a todos. Salve a Jurema Sagrada e vamos firme nessa luta que só se acabará no dia em que a ciência não existir mais. 

Sobô nirê Reis Malunguinho!!

Para saber mais sobre o que significa o Kipupa Malunuginho, leiam o texto:http://alexandrelomilodo.blogspot.com... 

Compartilhem, este foi o Primeiro Kipupa Malunguinho, momento fundamental na reviravolta histórica do Povo da Jurema.

Salve a fumaça! Salve o povo da Jurema! Salve o Reis Malunguinho!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

V Kipupa Malunguinho por Pedro Stoekcli

Altar de Malunguinho.

No domingo do dia 19 de Setembro de 2010 aconteceu o V Kipupa Malunguinho Coco na Mata do Catucá, ocasião que tive o prazer de acompanhar e que comento brevemente a seguir.

Gira dentro da mata sagrada de Malunguinho.

O encontro organizado pelo Quilombo Cultural Malunguinho chegou à sua quinta edição com o objetivo de “homenagear e reconhecer Malunguinho, líder negro que elevou-se à divindade na Jurema, assumindo a patente de Rei da Jurema, se firmando na tradição oral e teológica nordestina como defensor espiritual”, como os próprios organizadores o definem.

Neste dia, Juremeiros que por vezes são também da Umbanda e/ou do Candomblé se reuniram para cantar, dançar, comer e homenagear Malunguinho, compondo uma diversidade religiosa muito bonita. Enquanto os ônibus chegavam aos poucos, as oferendas foram sendo colocadas no altar dedicado a Malunguinho, onde todos contemplavam e ajudavam nas preparações, cortando e dispondo as frutas em cestas e fumaçando-as para abençoá-las. Alguns desciam dos ônibus cantando pontos de Jurema e de homenagem a Malunguinho e outras entidades.

Para a grande maioria não era a primeira vez no encontro. Entre os presentes haviam neófitos no culto da Jurema e também pessoas que nasceram dentro da Jurema e que consideram-se juremeiros natos. Como nos disse Toninho de Malunguinho, um juremeiro nato é “aquele que é voltado à cultura e ao culto da Jurema por uma linhagem de família”.

Para alguns a Jurema é a primeira religião brasileira. Nessa concepção, ser juremeiro é ter preocupação com a natureza, é buscar o saber e a espiritualidade que essa proporciona. Ela é o saber da natureza. Para os juremeiros, a linha da Jurema e seus mestres têm ciência, ela ensina a viver, ilumina, enfim, doutrina. Dentre os vários significados associados à ciência da Jurema estão as ideias de conhecimento, complexidade, prática, consciência, auto-aprendizado, busca, saber, doutrina, procura de verdades. A Jurema é também o culto aos ancestrais índios e escravos.

Mestres na Jurema Sagrada. Seu Aílton de Trapiá.

E o Kipupa para as pessoas com quem conversei é a chance de reafirmar essa crença, entrar em contato e reforçar essa energia viva da mata. Segundo conta o pesquisador João Monteiro, o local do encontro foi escolhido em função dos recados do próprio Malunguinho, sendo a mata do encontro o provável centro de onde foi seu reinado.

Dentre os significados de Malunguinho para os participantes, encontram-se:

- "Guerreiro, Capitão da Mata, Chefe dos Quilombos".

- "Um mestre, uma pessoa libertadora".

- "A Jurema é Malunguinho"

- "Tem que ter Malunguinho para abrir a Jurema"

- "Malunguinho está presente na vida de muitos desde a infância".

- "Malunguinho nos torna irmãos na Jurema".

Depois das muitas preparações e falas oficiais, a abertura ritual do encontro foi extremamente forte e alegre. Após semanas, dias, muitíssimas horas de preparação, o início do V Kipupa representou o auge da concentração das energias de diversas pessoas e espiritualidades para que tudo desse certo. Nos rostos das pessoas presentes só se via alegria e felicidade. Os juremeiros jogavam sua fumaça para cima abençoando esse dia, elevando o recado da Jurema.

Malunguinho na mata é rei.

Procissão para entrar na Mata. Pai Tonho de Jaboatão.

Procissão e levando as oferendas.

E assim ele também foi no Kipupa, onde todos dançavam e cantavam para louvá-lo e homenageá-lo. E Malunguinho se fez presente, fosse incorporado nos médiuns ou na fluidez da energia que circulava entre as pessoas. A procissão para a mata se deu liderada pelo sacerdote Juremeiro Sandro de Jucá e a fumaça das ervas preparadas por Ary Banto. Todos seguiam em fila se concentrando para que a festa continuasse em meio à natureza, lugar de elementos tão caros a qualquer juremeiro. Lá todos puderam beber da bebida preparada da Jurema e abençoada por suas entidades.

Juremeiros, músicos, coquistas consagrados, políticos, população local, sacerdotes, estudantes, fotógrafos, cinegrafistas, historiadores, antropólogos e outros representantes da academia como o Doutor João José Reis da UFBA, vindos de vários cantos, vários lugares. Só por esse feito o encontro já merece o nome de Kipupa, uma reunião que agrega várias pessoas de diferentes origens e interesses que se juntam sob a energia espiritual da Jurema sagrada e de uma de suas entidades maiores, Malunguinho. Caboclo? Mestre? Tronqueiro ou mesmo um Exú… Cada juremeiro tem com Malunguinho uma relação única e muito pessoal, mas para todos ele representou nesse dia alegria e união.

Salve Malunguinho da Jurema sagrada!"

Entrando na Mata. Juarez e Ary Banto abrindo os caminhos.

Oferendas.

Oferendas.

Oferendas entregues à Jurema e Malunguinho. Mel dos Caboclos.

Tocadores de Ilú. Ogans.

Fé na fumaça da Jurema.

Malunguinho.

Malunguinho.

Confraternização de cumpadres na Jurema.

Mestres na Jurema.

Toninho de Malunguinho.

02 de Outubro de 2010.

Pedro Stoeckli.

Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (2008) tendo realizado intercâmbio na faculdade de Sociale Wetenschappen - Vrije Universiteit Amsterdam (2006). Atualmente é bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e mestrando em Antropologia Social na Universidade de Brasília sendo orientando do antológico professor doutor José Jorge de Carvalho. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia e Religião, atuando principalmente nos seguintes temas: transe, corpo e consumo.
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Publico aqui, texto e fotos de Pedro Stoekcli, amigo de Belo Horizonte, atualmente morando em Brasília. A idéia deste texto a princípio era que ele, vindo de outro Estado, acadêmico que nunca havia participado de um ritual de Jurema, escrevesse suas impressões sobre o que vivenciou no V Kipupa Malunguinho. Assim o fez com muito sucesso e primor. As fotos são presentes para nós, povo da Jurema, que ao nos ver em tão sencível registro, marcamos na memória momentos de união, fé e celebração em mais um Kipupa, que ficou registrado na nossa história pessoal e coletiva. Peço aqui o muito obrigado a ele em nome do Quilombo Cultural Malunguinho, pela força dada, pelo empenho na pesquisa e por ter se incerido de corpo e alma na fumaça da consciência de nossa Jurema Sagrada.

Alexandre L'Omi L'Odò.
Juremeiro.
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!