quarta-feira, 4 de abril de 2012

Oficina de Leitura de Contos Africanos na Biblioteca do MP - Matéria do Jornal do GT Racismo N°. 22 do MPPE.

Digitalização da matéria do Jornal do GT Racismo do MPPE N°. 22 - Jan/ Fev/ Mar 2012.

Oficina de Leitura de Contos Africanos na Biblioteca do MP

Quinze crianças, filhos e filhas de membros e servidores do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) tiveram a oportunidade de se integrarem com o universo e cultura africanos. Uma oficina de leitura de histórias africanas para crianças, promovida pelo GT Racismo, foi realizada na Biblioteca do MPPE, chamada de “Momento Griot”, o encontro foi idealizado como parte das comemorações ao Mês da Consciência Negra.

De iniciativa da promotora de Justiça, Irene Cardoso, a oficina reuniu cinco contadores de histórias, vindo de diversas esferas: a professora Tereza Cornélio; as servidoras da Biblioteca Pública do Estado Djaneide Gomes e Luzinete Santos; o jornalista Gustavo Bezerra e o sacerdote do candomblé Alexandre L’Omi L’Odò.

Nas histórias apresentadas, contos africanos lidam de forma lúdica com temas como racismo, mitologia africana, religiosidade, diáspora, personalidades negras na história e quilombos, possibilitando a reflexão sobre a igualdade racial.

A professora Tereza Cornélio, apresentou “O Murucututu”, que trata de uma menina muito esperta que conhece uma ave chamada de Murucututu e aborda temas como medo e honestidade. As bibliotecárias Djaneide Gomes e Luzinete Santos explanaram os contos “Menina Bonita do Laço de Fita” que aborda a questão racial e “Jabulani”, que trata da gratidão, respectivamente. O jornalista Gustavo Bezerra falou a “Como o Sol e a Lua Foram Morar no Céu”.

Como sacerdote do Candomblé, Alexandre L’Omi L’Odò explica que, tradicionalmente, os valores e a história do povo Iorubá são passados através da tradição oral. Ele falou sobre a briga entre Oxalá e Oduduá, que são divindades responsáveis pela criação da Terra e da vida, e brigavam pelo controle da Terra. “Acho muito importante essa iniciativa, esse tipo de trabalho e o interesse em passar para as crianças esses valores, afastando-se um pouco dos ocidentais e abordando a questão dos nossos ancestrais”, disse.

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Publico aqui, texto integral da matéria do Jornal Trimestral - GT Racismo do MPPE N°. 22 - Jan/ Fev/ Mar 2012. Na matéria, tive oportunidade de dar uma pequena contribuição sobre a cultura do Candomblé e do imaginário africano que foi publicada no texto. A tradição oral ainda é uma ciência pouco estudada e que está em amplo crescimento. Com o conto que levei às crianças tive a oportunidade de confrontá-las com questões importantes como o respeito aos mais velhos, respeito à natureza, respeito a vida e direito a paz. Além claro de enfocar as questões do racismo. Fico muito grato a Irene Cardoso que teve esta consistente idéia que veio a contribuir e ampliar positivamente no trabalho crescente do GT Racismo do MPPE. Para mais informações visitem a página do Ministério Público: www.mp.pe.gov.br

Salve a fumaça e a memória dos nossos ancestrais!!!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

terça-feira, 3 de abril de 2012

Outras religiões e uma Semana Santa diferente - "A Jurema e seus rituais"


Outras religiões e uma Semana Santa diferente - A Jurema e seus rituais
Saiba como movimentos afros comemoram o período, apesar da influência cristã.

Na Semana Santa, os fiéis de instituições cristãs costumam refletir e relembrar a passagem de Jesus Cristo pela terra. No mesmo período, outras religiões fazem ritos com características diferentes do que se é comemorado pelos tradicionais costumes do catolicismo e dos evangélicos, por exemplo. Esses ritos quase não são divulgados, e grande parte da sociedade desconhece até mesmo que eles existem.

 Sandro de Jucá e Alexandre L'Omi L'Odò na Jurema. Foto de André Nogueira.

Algumas religiões de origem africana são responsáveis por “Semanas Santas” diferentes das cristãs. É o caso do candomblé. Com cerca de 300 anos, a manifestação foi recriada no Brasil na época da escravidão dos negros. No entanto, eles não podiam celebrar abertamente a sua religião, por causa da grande repressão da Igreja Católica - religião vigente entre os colonizadores do País. “A gente tem uma relação com o cristianismo por causa do sincretismo”, comenta o pesquisador e integrante do candomblé, Alexandre L´Omi L´Odò. De acordo com ele, os escravos relacionavam entidades do candomblé com santos católicos, e assim, cultuavam a sua religião.

O Lorogum

Na época em que é realizada a Semana Santa dos cristãos, os candomblecistas realizam um ritual denominado Lorogum. “É quando é escolhido o orixá que vai reger os terreiros de candomblé durante o ano todo”, explica Alexandre. Mesmo assim, é notória na maioria dos terreiros a presença de imagens e representações cristãs, que o pesquisador aponta como sendo “resquícios da repressão, quando os negros eram obrigados a seguir o cristianismo”.

Diferente dos cristãos, quando a Semana Santa é a data mais simbólica das celebrações, no candomblé, o começo do ano é que tem maior destaque. “O início do ano é o mais importante, porque é quando as águas do terreiro são trocadas, simbolizando a renovação”. Porém, no próprio candomblé, é possível ver algumas pessoas mais velhas ainda aderirem a alguns ritos puramente cristãos. “Isso ainda ocorre por causa do calendário cristão adotado e que, até hoje, nos influencia”.

Quando o assunto é acreditar em Cristo, Alexandre é decidido. “Mesmo alguns do candomblé acreditando em Jesus, eu não acredito. Eu acho que Cristo não existiu de fato e essa história foi contada com o objetivo de que os fiéis atendessem a vários interesses da Igreja Católica”, diz o pesquisador. No entanto, ele salienta que o candomblé é uma religião que aceita as outras manifestações religiosas. “Nós aceitamos outras religiões e a qualquer pessoa. Você pode ser o Papa ou o mendigo da rua, que vai ser igual para o candomblé”, afirma.

A Jurema

Alexandre também faz parte da jurema, que de acordo com ele, é uma religião de origem indígena. “A jurema existe desde antes dos portugueses chegarem ao Brasil”, afirma. O juremeiro (como se chama o adepto da jurema) e pai de santo Sandro Jucá conta que apesar da jurema ter algumas características do cristianismo, a religião realiza ritos próprios.

“Temos cerimônias que são feitas na Semana Santa. Nós ofertamos na mesa da jurema o pão e o vinho, como objetos de sacralidade pertencentes aos africanos e aos indígenas. Além disso, homenageamos os mestres referenciais da jurema”, conta Jucá. Já de acordo com Alexandre, o Deus da jurema é Tupã e dificilmente a imagem de Jesus Cristo será celebrada pelos juremeiros. “O Tupã tem muito mais significado para nós do que Cristo”, comenta o pesquisador.

Em busca da identidade e do respeito

De acordo com Alexandre, as religiões afros ainda estão em busca da sua identidade cultural e também lutam contra o preconceito vigente na sociedade. “Hoje essas religiões vem buscando mais a sua identidade e o seu principio original. Estamos fazendo movimentos contra o sincretismo religioso. Embora não seja fácil se desvencilhar dos parâmetros católicos, aos poucos, estamos conseguindo a nossa liberdade”, exalta.

Visitem o site com a postagem integral, tá muito legal e completa a cobertura: 

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Publico aqui parte da matéria feita por Nathan Santos com fotos de André Nogueira do portal de notícias Leia Já OnLine (www.leiaja.com) em 04 de Abril de 2012. Achei super interessante a iniciativa do jornalista em focar, a discussão que aparentemente é somente cristã, na Jurema e no Candomblé. Isso mostra que ainda podemos ter jornalistas interessados em assuntos além do óbvio e do que a sociedade totalitária ordena e compra. Este texto abre um precedente importante para que outros jornalistas possam investir na pesquisa sobre as culturas de terreiro que são vastas e fortes em todo País. Parabéns pelo belo trabalho e vamos seguindo rumo a uma maior compreenção de nossas tradições e culturas religiosas brasileiras. Ainda peço obrigado à Karolina Pacheco, a jornalista mais linda de Pernambuco, que me indicou carinhosamente para a matéria. Obrigado. Salve a fumaça!!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

sexta-feira, 30 de março de 2012

O Povo da Jurema e da Nação Xambá discutem intolerância religiosa sofrida

Momentos de discussão do povo da Jurema e do Xambá. Foto: Acervo do Quilombo Cultural Malunguinho.

O Povo da Jurema e da Nação Xambá discutem intolerância religiosa sofrida

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Disponibilizamos aqui parte dos vídeos do I Seminário Interno de Construção de propostas Judiciais contra a Intolerância Religiosa produzidos pelo Programa Povo de Santo Ciência e Fé - http://www.youtube.com/user/PovodeSantoCF?feature=watch, do professor, babalorixá e juremeiro Érico Lustosa e sua equipe. Nos vídeos aqui apresentados, poderemos acompanhar parte fundamental das discussões e pensamentos sobre os atos oficiais criminosos de intolerância religiosa propagados pela Editora Pensamento e seu escritor Rivas Neto, que no livro Umbanda - A Proto-Síntese Cósmica, chama o povo da Jurema e da Nação Xambá de degenerados entre outros adjetivos de baixo escalão que não valem a pena serem replicados.

Este foi um primeiro momento onde sacerdotes da Jurema e da Nação Xambá se reuniram organizadamente para agirem judicialmente contra estes absurdos. O evento organizado convocado e organizado pelo Quilombo Cultural Malunguinho no Terreiro de Jurema e Nagô Mensageiros da Fé, da sacerdotisa Dona Dora, teve mais de 80 participantes de diversos terreiros de Recife e RM e Estados do Nordeste. Ainda tivemos a participação em vídeo conferência do Professor Teólogo-Afro Jayro Pereira de Jesus, que falou do Rio Grande do Sul e do juremeiro Eric Assumpção do Rio de Janeiro. A transmissão foi nacional e várias pessoas também puderam acompanhar.

Tivemos ainda as falas dos participantes. Entre eles e elas, a juremeira Joana da Paraíba e o Babalorixá e pesquisador Luiz de Ogodô, que vieram reforçar nossa luta. 

Foi marcada a data de 1° de Abril para um novo encontro no Terreiro da Nação Xambá - www.xamba.com.br - para a confecção final dos docuemntos que serão entregues ao MPF- Ministério Público Federal, junto aos nossos advogados e advogadas.

Para acompanhar esta discussão visitem: 


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
Coordenação
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 25 de março de 2012

VI Kipupa Malunguinho - Uma Explosão de Emoção, História e Fé

 
 Estatueta de Malunguinho. Foto de Laila Santana.

VI Kipupa Malunguinho
Uma Explosão de Emoção, História e Fé

"Salve a Jurema, Salve a Jurema, Salve a Jurema Sagrada, Malunguinho Hoje é o Tema" (refrão criado em improviso pelo Mestre Galo Preto).

O VI Kipupa Malunguinho foi uma prova de que o Povo da Jurema está se articulando e se fortalecendo em sua identidade, fé e pensamento. Os mais de 15 ônibus lotados, os mais de 30 carros lotados, as mais de 15 kombis e vans lotadas e a comunidade presente, levaram o sumo do que de melhor e mais diverso e colorido existem nos terreiros de Pernambuco para dentro das matas sagradas de Malunguinho no Engenho Pitanga II, no município de Abreu e Lima, terras históricas da resistência do Quilombo do Catucá.
Clip do VI Kipupa Malunuginho:



No ano de 2011, o Kipupa realizou-se de forma independente. Sem Estado, sem Prefeitura, sem recursos de projetos e sem a participação de nenhuma empresa privada ou pessoa do Estado. Foi uma verdadeira prova de que com união e articulação pode-se fazer coisas grandiosas sem depender de cabrechos políticos. Além de provar que a união entre o povo de terreiro é possível.

O Quilombo Cultural Malunguinho está muito orgulhoso de ter podido provar para si mesmo seu potencial de abrangência nos terreiros de Pernambuco e Brasil, já que também estiveram presentes pessoas de diversos estados como SP, PB, AL, RJ, MG etc.

Agradecemos a toda comunidade de terreiro pernambucana, que se organizou para ir ao evento com recursos próprios e com a fé na essêcia de nosso trabalho, que é fortalecer nossa tradição, fé e memória, afastando a desmoralização tão popular em nosso meio atualmente.

Visitem as fotos do VI Kipupa no Flickr de Laila Santana: 


O Prêmio Mourão que Não Bambeia, foi mais uma contribuição sólida nossa à preservação da memória das nossas referências religiosas e históricas. Tendo como homenageados o Mestre Juremeiro João Folha (em memória) e o famoso juremeiro Antônio do Monte (em memória), além da Mãe Vanda que tem 50 anos dedicados a Jurema e Dona Sílvia de Iyemojá que tem mais de 60 anos dedicados a preservação da seriedade de nossa religião. este foi um dos momentos mais emocionantes de todo o evento.

Cantamos todos juntos com o Pai Gil de Ogun:

"É mourão que não bambeia / É mourão que não bambeia / o Povo da Jurema / É mourão que não bambeia"...

Destacamos ainda a grande presença de oferendas de praticamente todos os terreiros presentes. Malunguinho foi muito reverenciado com todos os cestos de frutas, farofas, bebidas, velas e folhas. 

Cesto de oferendas para Malunguinho. Foto de Laila Santana.

A entrada na mata ficou estreita para tanta gente... Mas coube todos e todas que pretendiam ali firmar seus pontos de fé e respeito as ancestralidades indígenas e negras que se faziam presentes para receber todas as homenagens.

Poderia escrever laudas e laudas contando como foi este Encontro Nacional de Juremeiros e Juremeiras, mas prefiro indicar o documentário produzido pelo Ronaldo de Almeida, cujo segue o Clip, para que se possa entender o que foi o evento como um todo.  

Já temos uma data para a realização do VII Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá: 23 de Setembro de 2012. Já se agendem e visitem nosso site: www.qcmalunguinho.blogspot.com

Filha e filho de juremeiros. Continuidade da Jurema garantida. Foto de Joannah Mendonça.

Agradecemos a Juarez e família pela acolhida de sempre, a Juliana Bison do Palácio de Yemanjá, que com carinho contribuiu em nossa empeleitada. Agradecemos ao Ronaldo de Almeida de SP pela contribuição e produção do documentário do evento. Agradecemos ainda a OTM - organização Trajetória Mundial pelo apoio e a Adriana Aragão, Beatriz Aranha e Mãe Dida do Abassá de Xangô Agodo e Odé Erinlé. Também agradecemos a título de grande respeito ao professor Dr. Eduardo Fonseca Jr. e a Josy Garcia da Sociedade Yorubana do RJ pelo apoio neste processo. Agradecemos ainda a Laila Santana pela cobertura fotográfica de coração, a Joannah Mendonça pelas fotos carinhosas, a Janine Ribeiro pelas fotografias quase que de repórter, a João Rogério Filho pela presença e fotografias afinadas e a Beto Figueiroa pelos belos olhares fotográficos em nosso evento.

Mestre Galo Preto cantando o coco à Malunguinho:


Não podemos esquecer dos grupos de coco como o Mestre Galo Preto que levou a mais pura ciência desta tradição aos nossos ouvidos, ao Bojo da Macaíba pela disposição, ao Grupo Bongar pela bela apresentação, ao Pandeiro do Mestre na pessoa de Niltinho pela forte presença e a todas e todos dos terreiros de Jurema e Candomblé que de alguma forma contribuíram na construção desta HISTÓRIA nossa!

À equipe de produção do Kipupa: Anne Cleide, Ary Bantu, João Monteiro, Sandro de Jucá, Alexandre L'Omi L'Odò, Juarez, Neto, Nani, Alexandre Dias e Carlos Alberto da Afro Educação de São Lourenço da Mata, Dona Dora, Michelle Rodrigues, Greyce Pires etc. Salve nossa corrente!

Se alguém foi esquecido nos agradecimentos avisem para podermos incluir. Queremos que ninguém fique de fora neste registro. 

Alexandre L'Omi L'Odò e Sandro de Jucá comemorando a ciência! Foto de Laila Santana.

Salve a Fumaça!
Salve a Jurema Sagrada!
Salve Malunguinho!
Sobô Nirê!!!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 15 de março de 2012

I Seminário Interno de Construção de propostas e ações judiciais contra a intolerância religiosa

A fumaça da ciência. VI Kipupa Malunguinho. Foto de Joannah Mendonça Luna.


I Seminário Interno de Construção de propostas e ações judiciais contra a intolerância religiosa

O QCM – Quilombo Cultural Malunguinho e o Terreiro de Jurema e Candomblé Mensageiros da Fé (Casa de Dona Dora) convidam todas e todos para participar do I Seminário Interno de Construção de propostas e ações judiciais contra a intolerância religiosa.

Neste evento, poderemos em grupo discutir formas legais (com advogados presentes) de combater a violência simbólica, racismo e xenofobia que a Jurema Sagrada, a Nação Xambá e o Toré, sofreram nos escritos do livro Umbanda – A Proto-Síntese Cósmica, do autor Yamunisiddha Arhapiagha - F. Rivas Neto, “psicografia do Caboclo Sete Espadas”. Em suas linhas, o autor agride profundamente estas religiões.

Este será o primeiro momento em que estas religiões estarão reunidas para combater de forma sistematizada este absurdo. Para ler parte dos texto revoltantes acesse: http://www.pdu.com.br/faca.html

Serviço:

Data: Domingo – 18 de março de 2012

Hora: 13 às 18h

Local: Terreiro Mensageiros da Fé (Casa de Dona Dora) – Rua Fernandes Belo 611, Jordão Baixo. Recife/PE.

Ponto de referência: Residencial Primavera.

Contatos para saber como chegar: 81. 8515-4605 (Oi) e 9804-1480 (Tim) – Falar com Cristina de Oyá. Ou ainda o: 81. 8619-8779 – Falar com Arthur de Iyemojá.

Haverá material disponível no local com cópias dos textos. Será construído um documento para assinatura dos concordantes.



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 14 de março de 2012

Sandro de Jucá - Um juremeiro que falou por todos!



Um juremeiro que falou por todos! 

Sandro de Jucá e sua resposta aos absurdos "escritos mediúnicamente" por Yamunisiddha Arhapiagha / F. Rivas Neto, no livro UMBANDA - A PROTO-SÍNTESE CÓSMICA

Tendo em vista que a internet hoje ocupa um espaço de mídia muito importante no meio do povo de terreiro e dos pensadores destas religiões e culturas, eu não poderia deixar de registrar aqui em meu blog minha indignação com os absurdos de intolerância religiosa, racismo, xenofobia, nordestinofobia, juremofobia, xambafobia, toréfobia e catimbófobia etc., escritos pelo F. Rivas Neto, em seus supostos livros, em especial o UMBANDA - A PROTO-SÍNTESE CÓSMICA, da editora Pensamento - SP. 2007.

Suas críticas e observações sobre o culto da Jurema são profundamente preconceituosas e inverídicas, além de levantar suspeitas sobre a falsa psicografia, já que nos texto, aparecem plágios bibliográficos de livros diversos. Sua pesquisa foi feita de forma completamente fora do contexto de vivência da Jurema, do Xambá e do Toré e não demonstra em suas linhas sequer as mais equivocadas e repetidas afirmações escritas em bibliografias das décadas de 1950, 1960 e 1970. Simplesmente não dá pra respeitar o que está posto no livro e no Site: http://www.pdu.com.br/faca.html.

Só posso nomear de crime os desqualificados textos do citado livro. Portanto, deixo aqui minha proposta: Vamos processá-lo! Proponho também que por aqui no blog possamos trocar escritos e discussões sobre este tema urgente. Vamos aceitar este absurdo calados? Vamos à luta!

O juremeiro Sandro de Jucá, nesta ação afirmativa, em seu vídeo nos comove com sua veracidade, força e amor. Vamos ver o vídeo e nos inspirar para combatermos juntos estes crimes de intolerância religiosa. Jucá falou por todos nós, e me sinto completamente contemplado pela fala dele que referendo integralmente.

Salve a fumaça!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 13 de março de 2012

Carnaval Lemniscatiano!

 Símbolo do infinito, a Lemniscata é uma bela alegoria para ilustrar o significado do carnaval cíclico de Pernambuco. Imagem do google.com

Carnaval Lemniscatiano!

O Carnaval de Recife/Olinda, na verdade é um contínuo freqüente de auto-realização e produção durante os anos. As cidades, se revestem de luz e cores apenas para fortalecer mais ainda a intensidade daquilo que a circula o ano todo, no período oficial do Carnaval...

Quem passeia pelas ruelas que compõem o bairro de São José, poderá sentir na pele, com muita intensidade a força que é o comércio do Carnaval para Pernambuco como um todo. Todos os dias, antes ou depois do ciclo festivo de Momo, estas ruas são passarelas para os “estilistas” carnavalescos transitarem com inúmeras sacolas com tecidos, lamês, penas diversas e inúmeros outros utensílios que sempre ditam o futuro multicor do Carnaval vindouro.

As pessoas aqui encaram com tranqüilidade este movimento incessante que reveste a localidade de mistério, alegria e muita curiosidade.

Quase não se ouve o frevo nas rádios ou nas ruas... O som é sempre o que está na moda no momento, principalmente divulgados pelos famigerados carrinhos de CD pirata que circulam todo o centro do Recife e comunidades ao redor ditando o som do momento, ou a música famosa. Isso ainda mudou a forma como a cultura de massa se manipula. Hoje não mais as rádios, detentoras do jabá das ex-grandes gravadoras, mas sim um grupo de contraventores que de forma inconsciente, acredito, fazem o povo vibrar ao som ditado pela preferência das maiorias das comunidades que compõem o Grande Recife e Região Metropolitana. Isso, ao observar, parece-me algo revolucionário, mesmo que uma revolução pouco percebida por todos, mas é um paradigma que este povo está quebrando de forma interessante e inquietante. Mas, contudo, o frevo só volta às ruas nos meses que compões o Carnaval pernambucano. Aqui, a partir de novembro, “já é Carnaval”. Olinda, cidade detentora da alma da brincadeira, já inicia seus ensaios abertos de blocos e festas pré-carnavalescas. Isso muda sim as pessoas. O clima quente do sol das Cidades se inflama mais ainda com o compasso sincopado do bombo de frevo e a forte pisada da dança que faz ferver.

Em Olinda, adolescentes são todos fortes... Preparados pelo tempero da terra, pelo sabor da cultura das ladeiras velhas e do colorido brilhante do sempre interminável e vindouro Carnaval. Este ciclo (carnaval lemniscatioso) é o símbolo mais forte dos nativos. Aqui é festa na alma. Se a teoria kardecista da reencarnação for verdadeira, ela se prova nestas terras. Aqui pais e filhos mantém as mesmas tradições a vida toda e sem medo de serem felizes. Se jogam na alegria de viver, na concorrência leal das agremiações, nas lutas quase feudais dos maracatus, na farra da cerveja, pitu, e jurubeba. Isso tudo, ainda sem sequer dar valor ao desprezo histórico e a dívida secular que o Estado brasileiro tem com todos estes brincantes, que de forma sábia, driblam a depressiva consciência do descaso humano fomentado pelos governos com força e emoção, colocando nas ruas a única coisa que realmente importa na vida, a própria vida, plena em alegria. Este é um contra movimento. Contra a desgraceira brasileira. É melhor ser feliz em Recife e Olinda, e viver bem, com a consciência ancestral da luta pela preservação dos valores que realmente fazem sentido para todos, do que apenas consumir-se com a inegociável demanda da bandalheira política. Mas ainda, percebe-se que o carnaval é crítica só. “É pau no lombo dos safados”. Com irreverência, dá pra ver o quanto também se preocupa com as deficiências que nos consomem... Tudo sem perder a alegria, que é o traço mais marcante do povo dessa terra.

Os sulistas, nunca nos entendem... Ficam passeando pelas ruas achando que somos todos loucos e inconseqüentes, ou que somos maravilhosos por termos a cultura que temos... Sempre com aqueles olhares que desfilam dúvida e admiração sacana.

Nas pontes, nos dias de festa, observa-se esta alma capenga passeando pela cidade. Nunca conseguem acompanhar o ritmo frenético dos grupos de brinquedo. Ou vêm com desejo de nos levar a lama, ou vêm com desejo de se sentirem como nós, nativos nordestinos... Queimadinhos e bonitinhos, filhos do Deus Há, o sol, estrela que dá queimaduras de primeira grau em todos os brancos que se deliciam com o sal do mar e o doce dos rios nestas terras.

Estas cidades em si, resguardam segredos impossíveis de codificar. Aqui tem mais mistérios por metro quadrado que em um jogo de tarô em seus arcanos maiores e menores, todos eles medievais. Médios, antigos, primitivos, índios, negros... Aqui é a terra do segredo que não dá trégua. Isso se prova com nossa força em fazer mais de cinco meses de festa, que se estende ainda por um São João rico de milho e forró, e por um ciclo natalino com mais cores e alegrias ainda desfilando quase um carnaval cristão pelos pátios e palcos...

Enfim, a cultura da terra leonina é a maior do mundo, a melhor do mundo, a mais mais do mundo, pois se não for assim, não presta e se refaz tudo de novo só pra provar que os filhos do Leão, são mais que descendentes do sol, são descendentes diretos de tudo que é mais e maior... Deus e Deusa? Assim é o povo destas terras quase gêmeas, que olham uma para a outra de forma a domesticarem-se uma a outra aos vis desejos naturais da doutrina pernambucalhana. Olhem o povo. Né?

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Este artigo foi apresentado como trabalho extra-classe na cadeira de História Urbana. Fugi da proposta sugerida pela professora Beatriz Brustantin, mas tive que fazer aquilo que sempre me ordena interiormente. A academia, espero, nunca haverá de me conspurcar ideologicamente. Boa leitura.

Alexandre L’Omi L’Odò
História - UNICAP.

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!