Mostrando postagens com marcador oyá t'ògún. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador oyá t'ògún. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Axexê de Pai Edu - Nota Oficial do Palácio de Iemanjá

 
Pai Edu e Juliana Barbosa da Silva (Filha) em momento de discontração. Foto: Acervo Palácio de Iemanjá. 

Axexê de Pai Edu 
Nota Oficial do Palácio de Iemanjá

Antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas ao Povo de Terreiro em nome do Palácio de Iemanjá e dos filhos e filhas de Santo desta mesma casa; por todo transtorno causado em torno do Axexê de meu Pai, o senhor, Eduim Barbosa da Silva (Pai Edu).

Venho por meio desta, esclarecer “novamente” os fatos. Aproveito a oportunidade para além de anunciar a data oficial da realização do Axexê, e, também explicar o porquê da demora do mesmo. Contudo também, discorrer sobre a situação atual do Terreiro.

Logo digo também que o Palácio de Iemanjá já vinha enfrentando problemas há algum tempo, como muitos sabem, porém sem detalhes. Tais problemas que se agravaram com a convalescência (mais de quatro anos) e posterior falecimento de Pai Edu, triste fato ocorrido no dia 04 de maio de 2011. Sendo assim, essa citada situação foi parte fundamental das dificuldades de organização interna do egbé e causa fundamental do atraso na realização do Axexê.

Todo esse processo particular e interno do Palácio implicou em desagradáveis boatos e comentários a respeito da nossa conduta religiosa, expondo dessa forma, mais uma vez, a nós, do Palácio de Iemanjá, nos pondo em embaraçosas situações.

Além das já comentadas divergências e conflitos, o Terreiro também enfrenta um sério problema jurídico com a Prefeitura Municipal de Olinda, que se agrava a cada dia pela ausência de compreensão da importância histórica dessa casa e de nossa religião afro e indígena descendente. Mas, já estão sendo tomadas as providencias cabíveis, confrontadas por mim mesma.

Anuncio aqui o dia 10 de setembro de 2011, como a data oficial do Axexê do senhor Eduim Barbosa da Silva (Pai Edu), que será eternizado como grande Esá (ancestral ilustre) de nossa tradição, na citada data, renascendo assim para o Òrun.

O ritual será regido pela tradição Nagô de Pernambuco, pelos sacerdotes Jacy Felipe da Costa Pai Cicinho (Obá Rindé) e Paulo Braz Felipe da Costa (Omo Babá L’àiyé – Ifá T’Òogún), filhos sanguíneos do grande Esá Ojé Bíi (Malaquias Felipe da Costa), último sacerdote de pai.

Peço encarecidamente a todas e todos que quiserem participar do ritual, que se sintam a vontade para irem ao Palácio nesse dia, porém, como se trata da conclusão de um ciclo ritual fúnebre no candomblé, e não um evento público social, sendo uma “obrigação” que exige um significativo grau de seriedade e respeito, nós do Palácio de Iemanjá queremos que sejam obedecidas as regras de comportamento, ética e respeito para que sejam evitadas situações desagradáveis.

Por favor, irem todas e todos de branco absoluto, com roupas compostas. Para quem conheceu o querido Pai Edu e desejar presenteá-lo, podem levar comidas que ele gostava; bebidas que ele degustava e presentes que desejarem dedicar-lhe nessa liturgia.

O Axexê começará as 8h da manha e seguira pelo dia inteiro.

08 de Setembro de 2011.


Juliana Barbosa da Silva.
(Filha Caçula)
Palácio de Iemanjá – Olinda/PE
juliana.bison@gmail.com

__________________________

Publico aqui em meu blog texto oficial e integral da Nota do Axexê de Pai Edu. Foi-me solicitado tornar pública esta informação pelo Palácio de Iemanjá. Com prazer atendo este pedido carinhoso de todas e todos que estão na casa, lutando para conquistar dias melhores para a preservação da memória do Nagô e da Jurema de Pernambuco. Salve Pai Edu, peço meu Kolofé e Benção. Axé e salve seu Zé Pilintra na Jurema Sagrada.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Dia 26 de Julho 2010, meu aniversário de seis anos de iniciação para Oxum! Bariká fun mi!

Ilús que tocaram no dia do meu orunkó. Foto de Aluísio Moreira/PE

BARIKÁ FUN MI! (Parabéns para mim!)

Hoje, dia 26 de Julho de 2010, comemoro meus seis anos de iniciado para Oxum.
Celebrar é preciso!

Alexandre L'Omi L'Odò, no dia seguinte a festa do Orunkó. Foto de Aluísio Moreira/PE
Lembrar do dia 26 de Julho de 2004, é remontar a cena mais sublime que já pude mirar em minha vida. O dia da minha iniciação, do meu renascimento para a religião dos Orixás, o Babaxé (Aba Baxé ni Orí)*, a hora de minha morte e renascimento para minha fonte de equilíbrio negra natural. Oxum naquele dia entronou-se em definitivo e de forma irrevogável de uma só vez em meu Orí (cabeça) e na minha vida, no meu Odú pessoal.

Fui iniciado no Ilê Oyá T'Ògún, de mãe Lúcia Crispiniano, a mãe Lúcia de Oyá, sacerdotisa a quem devo todo meu respeito e formação iniciática no culto do Orixá e da Jurema Sagrada, a quem agradeço por todo carinho de cuidar (parir) de um filho tão complexo e difícil como eu, que sempre quero saber mais, entender mais e fazer mais por nossa religião, de forma a meu modo claro, "radical" e autocrítico.

Alexandre L'Omi L'Odò na segunda saída do Hunkó (colorida). Foto de Aluísio Moreira/PE
Recebí o chamado para a iniciação em Dezembro de 2003, em uma cerimônia de fechamento de ano da Jurema, onde quem estava no ponto era Dona Rosa, a pombojira dona do terreiro de Oyá, que me chamou em público e disse: "Nêgo dos cabilôro grande, vosmicê tem seis tempos (seis meses) pra fazer seu santo, Oxum quer seu cabilôro (Orí- cabeça)". E como sempre fui do axé e não sabia como conseguiria me iniciar sem estar preparado para os gastos e todas as responsabilidades que demandam a iniciação, indaguei a ela como poderia eu, desempregado, sem ter nenhum tostão para pagar a obrigação, fazer meu santo em seis meses (em Julho de 2004)? - Ela respondeu: Oxum vai lhe dar, pois é ela quem quer! e assim foi, Oxum, Ògún e Exú, além claro de Malunguinho, o Mestre Boiadeiro e a Mestra Paulina, deram de forma divina toda condição financeira e de estrutura psicológica e ideológica para eu cumprir as exigências do meu Orixá.

"Quando o Orixá quer, ele dá", assim já dizem os mais velhos, e eu pude confirmar isso na prática, que quando nossa divindade nos chama, temos que aceitar, de forma que, a entrega a nova vida seja completa e sem medos ou preconceitos, que o nosso renascimento seja comprometido com o equilíbrio e com a religação ancestral com nossos antepassados africanos.

Lembro ainda do grande Mestre da Jurema sagrada, o senhor Brasiliano, o Mestre Cibamba de D. Leide de Olinda, que aos meus 13 anos de idade (tempos que ainda era percussionista do balé afro Magê Molê) já havia revelado minha natureza, dizendo assim: "Nêgo, a Mulé do Ouro (Oxum) é sua mãe, ela que tá na sua caminhada pra sempre", revelando além de muito mais coisas, a forte relação que as divindades da Jurema tem com os sagrados Orixás africanos, estabelecendo uma ligação tão forte a ponto de informarem coisas que só o Ifá (sistema divinatório yorùbá) poderia dizer.

Sou da espiritualidade desde que nasci e hoje, ao passar de todo este tempo integrando o culto indígena da Jurema e o culto de matrizes africanas dos Nagô, posso dizer que estou mais forte em minha fé, em meu caminho, em minha compreensão de mundo, pois vivencio a experiência profunda da entrega, da quebra dos meus preconceitos, da luta contra o racismo e descriminação e intolerância religiosa, da luta contra os conceitos cristãos ocidentais em minha religião, na iconoclastia dos valores católicos e cristãos invasores de nossas mentes e vidas, e especialmente na liberdade de experienciar a relação integral com a espiritualidade ancestral.

Peço minha benção a Oxum por ela ter me aceito como seu filho, honrando minha vida, me possibilitando ser uma pessoa mais água do rio (L'Omi L'Odò) a cada momento, segundo, milésimo de segundo...

Mãe Lúcia de Oyá T'Ògún e Oxum. Foto de Aluísio Moreira/PE.

Falta apenas um ano literalmente para eu passar a ser um adulto em minha religião, completando o primeiros ciclo de sete anos sacerdotais, ganhando algumas liberdades, no ritual denominado de Deká**. Vamos em frente...

Deixo um Orikí para Celebrar o dia de hoje:

"Mo r'ómi màá jó- Vejo água, danço
Mo r'ómi màá 'yò-
Vejo água, sou feliz
àgbàdo mi l'ore òjò-
O meu milho é amigo da chuva"***

(As últimas duas linhas podem ser também traduzidas assim: Vejo água e estou feliz, assim como o milho é feliz quando vê a chuva. Conotando a importância da água na vida e no desenvolvimento do ser- fertilidade)

Como não pude fazer festa, fiz texto!

_________________

*"Ato de sagração, no qual o Babalorixá leva o Elegum (filho do Orixá), a confraternar um contato mais eficaz com o seu Orixá. A cerimônia lembra um batismo, que é feito com sangue de certos animais, a depender do Orixá evocado. E, ao mesmo tempo, é o nascimento do noviço para a vida na seita, que tão logo, aconteça a comunhão entre o subordinado e o elemento encantado, fica estabelecido o transe com aquele que direcionará o seu destino, chega-se ao ponto épico, onde o já sagrado iaô, receberá uma Suna (nome), que fará pronunciado, no dia de sua apresentação pública.". OMINSULÁ, Roberto dos Santos Miranda. Mitos & Ritos Nagô, o Saber de Ominsulá. Editora Brasília, Bra. 1988. pag. 156.

**Deká- Ritual de transição do cargo sacerdotal de Iyawò (Elegun, iniciado para o Orixá), para o cargo de Egbomi (meu irmão mais velho). Mas digo: Deká não quer dizer nada!

***Oriki extraído da bibliografia: CARVALHO, José Jorge de. Cantos Sagrados do Xangô do Recife. Brasília: Fundação Cultural Palmares. 1993. pag. 96 e 97.


Alexandre L'Omi L'Odò.

Iyawò ti Osún.

alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!