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segunda-feira, 22 de julho de 2019

15 anos de entrega à ancestralidade negra

Iyawo ti Osù - Alexandre L'Omi L'Odò. Foto de Aluísio Moreira - Julho de 2004.

15 anos de entrega à ancestralidade negra

Hoje, 22 de Julho de 2019, celebro e comemoro 15 anos de iniciado nos segredos (awo) da religião de matriz africana de Pernambuco, especificamente na tradição jeje nagô, onde mergulhei profundo em suas folhas (ewé) para renascer no oceânico saber de nossos ancestrais.

15 anos de lutas... Ao olhar para trás, me vejo em cada frente de batalha lutando pela minha religião, pois pra mim, pertencer às tradições de matriz africana e indígena é uma responsabilidade enorme, que envolve sobre tudo, a consciência política de lugar de luta e fala, onde não se cabe apoio aos nossos algozes colonizadores herdeiros da Casa Grande. Pertenço a terreiro há mais de 30 anos, e estando iniciado ou não, minha busca sempre foi a mesma, retomar o terreno roubado de meus ancestrais e refazer esse mundo não equânime.

15 anos é pouco tempo em nossa religião... Sou ainda uma criança perante meus mais velhos. Tenho prazer em dedicar-me a preservar a tradição oral ensinada por eles, afinal, Oxum me deu caminho para o campo intelectual da História, na perspectiva de contribuir para a preservação de nossas memórias. A academia para mim, é um lugar de poder que todas as pessoas de terreiro devem ocupar, afinal, vivemos em uma sociedade ocidental e colonizada, ao qual precisamos reagir imediatamente contra o racismo e o etnocídio de nossas tradições, pois o plano de dominação branca e judaico-cristã é vigente e avança a cada dia contra nós, portanto, devemos estar acordados contra isso, sendo assim, Oxum para mim também é guerra, luta e política, e por isso também me debruço na política para enfrentar esse processo que nos extermina todos os dias!!

Hoje, a nossa religião está envolta no capitalismo selvagem. Dar uma oferenda aos orixás é caro, fazer uma renovação mais ainda... É difícil lidar com uma religião que olha para o lado que os brancos querem (o lado do capital), contudo, historicamente perdemos território, bens, participação social, acesso à educação, enfim, perdemos vidas e quase tudo. Viver nesse universo opressor não é fácil, inclusive por que esse mesmo universo, é o que detém os bens materiais que nos escravizam. É uma triste constatação, que devemos enfrentar com maior dignidade e atenção. Se nossas obrigações estão tão caras, corremos o risco de termos as nossas tradições somente nas mãos dos que detém o capital (os brancos herdeiros da Casa Grande), e nosso povo negro e indígena, que no sangue trazem o axé ancestral, ficarão para trás, transformando nossos terreiros no palco dos dominadores, efetivando o plano de dominação que citei anteriormente. Nossa religião não tem discriminação de cor, raça, etnia, status social etc. mas essa reflexão que faço aqui, proponho uma análise maior sobre o tema, não ficando na subalternidade do entendimento. Vamos acordar! Se queremos libertação, temos que encarar de forma madura nossas próprias chagas histórica e criar o remédio (òògùn) correto para dar conta.

Nesses 15 anos de caminho no odú obisé, tive a honra de encontrar um pai grandiosíssimo, meu bàbá Paulo Braz Ifátòògùn, homem que me deu esperança e fez-me re-acreditar na religião como meio sustentável do saber oral unido ao saber acadêmico. Inteligente e crítico, Pai Paulo sempre nos demonstrou entusiasmo com o universo yorùbá. Fora grande professor de uma geração que pode vivenciar o que há de mais profundo e melhor em nosso nagô, ensinando-nos a amar os orixás e os egùn com integridade, inclusive com consciência linguística, pois ele nos foi valioso professor de yorùbá. Esse foi um dos maiores feitos de Oxum em minha vida, ter me levado para os pés de Iyemojá Ògùnté Mi, a mãe das mães, materializada na nossa grande sacerdotisa Mãe Lu Omitòògùn, que não diferente de seu nome, é a água que nos cura, é a água que é nosso remédio. Hoje, ela sozinha leva nossa casa, com auxílio de seus sobrinhos, e juntos vamos seguindo o antigo axé de Ifátinunké (Ignês Joaquina da Costa) a fundadora do Sítio de Pai Adão. Esse caminho, me traz alegria, me traz paz, me deu total harmonia. Amo o Ilé Iyemojá Ògúnté, casa que me acolheu há mais de 10 anos.

Tenho tanto o que viver ainda em minha religião. Olho para frente e vejo grande futuro. Temos muito o que fazer, a luta só começou. Muitas obrigações a derem dadas, terreiro de culto ao Orixá para abrir, filhos e filhas à iniciar, enfim, a vida na religião é uma glória, e essa glória dada por Olódùmarè enche meu peito de amor e plena felicidade.

Oxum é meu caminho, minha fonte de inspiração para enfrentar o mundo racista que estamos mergulhados até o pescoço. Nela descanso e renovo minha fé. Oxum é o berço que nina seus filhos. Ela é uma boa mãe, protege e ensina, guia e abre portas. O ouro que nasce/brota de suas mãos e pés, abençoa a vida dos que nela confiam e adoram. Oxum é maior do que podemos imaginar, é um orixá de grande sabedoria e poder, a rainha das feiticeiras, a célebre guerreira dos diretos das mulheres negras, a destemida rainha que cura com água fresca, a generosa comandante, que com comida vence a guerra... Nem só de beleza é Oxum, ela é o estrondo das águas doces, as águas que renovam, purificam, batizam, mata a cede e que perfura qualquer pedra, por mais forte que seja. Kolofé iyá mi, modupé!

Modupé à Oyá T’Ogun, por me iniciar!
Modupé à Ògún atí Esù wón bàbá mi!
Modupé Iyemojá Ògúnté Mi atí Ojé Bií!
Modupé iyálorisà mi Omitòògùn!
Modupé bàbálorisà mi Ifámuydè (Ifátòògún)!
Modupé gbogbo irùnmolé!
Modupé Olórun Olóore (Deus compassivo. Aquele que olha por todos com bondade e misericórdia)

Orò mì máa - minha obrigação habitual
Orò mi máa ‘yó – é feita com alegria
Orò mì máa - minha obrigação habitual
Àyaba ‘dò yeye o – para a rainha do rio

Kosí obá kan, afí Olorun!!!

Alexandre L’Omi L’Odò
Elegun atí Osùn


Foto de Aluísio Moreira (2004).

Alexandre L'Omi L'Odò
Elegun ti Osùn
alexanrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Alexandre L'Omi L'Odò, lança proposta de debate político em prol dos povos tradicionais no próximo dia 11/08


Alexandre L'Omi L'Odò, lança proposta de debate político em prol dos povos tradicionais no próximo dia 11/08

O lançamento da pré-campanha à deputado estadual de Alexandre L’Omi L’Odò, será um ato educativo que propõe reflexões sobre como os povos tradicionais e outros segmentos como cultura popular, movimentos sociais e militantes pelos direitos humanos podem se organizar para superar suas históricas dificuldades políticas em torno da falta de representação nos diversos âmbitos da sociedade, e para apresentar sua proposta de plataforma política, que está baseada essencialmente em suas lutas e construções coletivas, construídas de forma direta ou indiretamente a partir de sua participação nas lutas sociais, como os decretos e leis: decreto federal 6040/2007, na lei federal 12.288/2010 (Estatuto da Igualdade Racial), no Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, na Lei Federal 12.343 (PNC - Plano Nacional de Cultura), na política de cotas raciais, na política nacional de Promoção de Igualdade Racial, na política de Respeito à Diversidade Religiosa, na Política Nacional LGBTIQ+ (e suas atualizações no campo da saúde), Plano Nacional de Juventude, na Lei 6.938/1981 (Política e o Sistema Nacional do Meio Ambiente), a luta das mulheres, na pauta decolonial, no combate extensivo ao genocídio da população negra e indígena, e na luta contra todo tipo de avanço de retrocessos históricos, etc.

Os Povos Tradicionais de Terreiro, historicamente, nunca tiveram vitória de um representante seu nas urnas em Pernambuco. De acordo com a pesquisa do historiador e cientista das religiões e pré-candidato, Alexandre L’Omi L’Odò, desde a década de 1970, nenhuma candidatura postulada como de povos tradicionais de matrizes africanas e indígenas de terreiro, ou dos movimentos negros, não tiveram êxito e nem qualquer avanço significativo. Segundo os dados levantados a partir de etnografia realizada com os candidatos e candidatas de eleições de décadas passadas, e até com os mais recentes, do ano de 2016, pôde-se identificar grande dificuldade de estrutura, de entendimento ou permissividade dos partidos de esquerda para defenderem candidaturas de nosso povo, para que fosse garantido legitimamente o protagonismo político deste segmento da sociedade, que tem em Recife e Região Metropolitana, 1261 terreiros (mapeados em 2010 pelo MDS).

Não podemos mais permitir que fiquemos sem representatividade nas esferas do poder. Esses espaços também são nossos, e por direito, temos que lutar para ocupá-los democraticamente com coerência, pertencimento, auto-.estima e coletividade representativa.

Baseados no pensamento de que #Quem é de Terreiro, Vota em quem é de Terreiro (e isso não exclui as pessoas que não são de terreiro a votarem no candidato), temos que avançar e conscientizar mais e mais pessoas de nosso povo para votar consciente e com criticidade, entendendo que nem todo mundo que é de terreiro nos representa, e que também é nosso voto que nos fortalece, afinal, enfrentamos hoje, uma gama enorme de dificuldades sociais, exclusivamente por que não temos representatividade nas esferas legislativas, executivas e judiciais.

Erradicar o racismo perpassa por elegermos pessoas que possam, de forma qualificada, levar esse debate e luta para os poderes constituídos. Eleger deputados(as), vereadores(as), prefeitos(as), etc. é urgente e o Povo de Terreiro de todo país está firmando um pacto de união para que em 2018 possamos ver candidaturas vitoriosas e representativas que abram caminhos para uma construção histórica de mudanças de paradigmas nessa sociedade racista, machista, LGBTQIfóbica, neoliberal e sem acesso à educação.

O lançamento da candidatura à deputado estadual do militante e representante dos povos tradicionais Alexandre L’Omi L’Odò traz esse diferencial. Sua candidatura significa a construção de um novo processo revolucionário nesta sociedade, a partir de debates sérios e estruturados na lógica da coletividade UBUNTO e Sankofa, típicas das tradições africanas que pertence. A candidatura de Alexandre também está para além dos povos tradicionais, pois a cultura popular, a luta dos segmentos sociais e dos direitos humanos e das comunidades excluídas, compõem sua trajetória de vida e estão inseridas em sua luta.

Alexandre L’Omi L’Odo junta os saberes ancestrais das tradições africanas e indígenas, com a criticidade qualificada de um intelectual de base, que nasceu, cresceu e se formou verdadeiramente nas comunidades, e engajado nas lutas de longas datas para a construção de políticas públicas culturais, anti racistas, de promoção de igualdade racial, direitos humanos, respeito à diversidade religiosa e em prol da laicidade do Estado. Do local onde nasceu e se criou, no bairro de Peixinhos em Olinda (PE), Alexandre L’Omi L’Odò tira seu preparo e a maturidade para encarar com completa dignidade e engajamento essa luta política. Uma luta que vai avançar e ser vitoriosa nas urnas, em outubro de 2018, com a força da coletividade que acredita na mudança efetiva da forma de se fazer política em nosso país! 

Essa história está sendo apresentada pelo Partido Comunista do Brasil – PCdoB, na confiança da construção de uma nação que respeite a diversidade e faça valer as causas legítimas de nossas lideranças sociais.

#AlexandreLomiLodò2018
#QuemédeTerreiroVotaemquemédeTerreiro
#AlexandreLomiDeputadoEstadual
#PovosTradicionais #PovodeTerreiro #CulturaPopular #PCdoB

Programação

Dia 11 de Agosto de 2018 às 14 às 18h
Local: Ingá (antigo Xinxim da Baiana) – Praça do Carmo Olinda (ao lado do Clube Atlântico).

14h – Abertura com louvação afro indígena

14h20min - Fala de abertura com lideranças do partido

14h40min - Palestra Magna: Povo de Terreiro e Política – Análise histórica e construção de possibilidades coletivas de educação político-ideológica para povos e comunidades tradicionais de matriz afro indígena.

Palestrante: Candidato à Deputado Estadual Alexandre L’Omi L’Odò – sacerdote juremeiro, historiador e mestre em ciências da religião

15h10min - Mesa de debate: Convidando ex candidatos e candidatas do povo de terreiro

16h10min - Debate com o público

17h40 – Encerramento


18h – Ajeun (comidas tradicionais de terreiro)

Alexandre L'Omi L'Odò
Pré-candidato a deputado estadual em Pernambuco
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 3 de março de 2018

Povo de Terreiro de Pernambuco diz Fora Michele Collins no MPPE

Várias instituições foram no último dia 02/03 protestar contra os crimes de racsimo e intolerância religiosa cometidos por Michele Collins, em frente ao MPPE. Foto: Acervo Casa das Matas do Reis Malunguinho.

Povo de Terreiro de Pernambuco diz Fora Michele Collins no MPPE

Quero aqui deixar claro para o Povo de Terreiro de Pernambuco, que o histórico protesto ocorrido ontem, em Frente ao Ministério Público do Estado, para defender a honra de nossas divindades, e em prol da luta contra o racismo e intolerância religiosa, gritando abertamente #ForaMicheleCollins, foi organizado pelas seguintes instituições:

1 - Rede das Mulheres de Terreiro de Pernambuco;

2 - Ilé Àse Orisanla Talabi;

3 - Quilombo Cultural Malunguinho;

4 - Articulação das Advogadas Negras e de Terreiro de Pernambuco;

5 - Terreiro Xambá;

6 – Tenda de Umbanda Caboclo Flecheiro;

7 - E, pessoas e outros terreiros como Tiago Nago, Professora Denise Botelho, Professora Ceiça Axé, etc.

Assim sendo, continuaremos com esta luta contra todo e qualquer tipo de absurdo que ocorra contra o Povo de Terreiro. CHEGA de passividade e pactos com o Governo e com o racismo. Nosso Povo precisa avançar e não ficar preso à inexistentes representações. Nosso grito de luta não ser a calado pelos capitães do mato que rastejam perante o Estado! Somos livres e autônomos, ninguém poderá NOS CONTROLAR, como ficamos sabendo ontem... Quando nos foi relatado que pessoas de Terreiro, por interesses espúrios, não queriam que este ato acontecesse.

Vamos em Frente com a força de Iemanjá, todos os orixás, de Malunguinho e a Jurema Sagrada, e, da Umbanda.

Queremos sim a condenação por crime de racismo, da vereadora Michele Collins. Ela cometeu um ato imperdoável. Que fique claro, que se houver alguns dos nossos que querem calar perante a este absurdo, COMO VIMOS ONTEM... A AUSÊNCIA DE DETERMINADAS PESSOAS QUE SE DIZEM LUTAR PELO POVO DE TERREIRO, PROVA QUE NÃO HÁ DE FATO RESPEITO À LUTA, MAS SIM PACTO COM OS RACISTAS!

Sigamos em Frente na luta por nosso coletivo. Só na hora da guerra, é que sabemos quem é quem!

#ForaMicheleCollins!!!!

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

#FumaçadasCríticas n° 3 - Nunca culpe a espiritualidade pelos seus erros

Alexandre L'Omi L'Odò - Juremeiro, historiador e cientista das Religiões. Foto de Lucas Chagas.

#FumaçadasCríticas n° 3 - Nunca culpe a espiritualidade pelos seus erros

Nunca culpe a espiritualidade pelos seus erros. Os mestres, mestras, caboclos e cabocla, trunqueiros e reis, são entidades que gostam da limpeza da alma e não apoiam a mentira. As vezes, pensa-se que é possível não ser visto pelos olhos destes encantos de luz... Contudo, eles sabem de tudo. Eles olham nossa vida para nos fazer acertar. Podemos até passar momentos de aperto, mas com certeza vem tanto ensinamento em tudo, que ao passar das lutas, ficamos felizes com o que acumulamos como saber. 


A Jurema não é uma religião para todos ou todas. Mas ela está aberta para todas e todos... Nela, podemos encontrar o mais belo bailar das flores, e o mais agudo dos espinhos venenosos. A Jurema é a natureza por completo. Portanto, saibam, "a Jurema abala, e seus discípulos não tombam"... Se você tombar no chão, com certeza não era bom discípulo, ou talvez nem discípulo fosse. 😉



Na Jurema temos dois deveres básicos: 

1 - ter palavra e fé;
2 - respeitar a Jurema e seus padrinhos.

Com isso, seus caminhos se abrem e a fumaça das gaitas mestras rodam o mundo e trazem os bons recados.

#SaberesMestres <----- nbsp="" span="">👀

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho, o senhor é mourão que não bambeia! Bonitos são os saberes deixados pela sua fumaça santa. 

Trunfa Riá!

Foto de Lucas Chagas.



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

#FumaçadasCríticas n° 2 - Refletindo um pouco da subalternidade do Povo de Terreiro em Pernambuco

Alexandre L'Omi L'Odò - Juremeiro, historiador e mestre em Ciências da Religião. Foto de Lucas Chagas.

#FumaçadasCríticas n° 2 - Refletindo um pouco da subalternidade do Povo de Terreiro em Pernambuco

Há dias em que paro para refletir sobre as possibilidades de avanço do Povo de Terreiro em Pernambuco... Como sou historiador de formação, faço uma análise dos últimos 16 anos de políticas públicas de PIR - Promoção da igualdade Racial em nosso Estado... Deparo-me com a mais completa falácia pública institucional.


Pena nosso povo permite-se ser massa de manobra. Pena a mentalidade colonizada ser tão forte entre nós, ainda. Pena, eu ser o chato, por apontar algo tão óbvio, que afeta a vida de todos e todas nós.

Quando em 1835, o último Malunguinho foi cruelmente assassinado pelo Estado, ele morreu lutando pela mesma liberdade e direitos iguais que queremos hoje. Sua luta, permanece sendo a nossa. Então, seremos sim, a continuidade do Catucá na política e no debate público em prol dos povos e comunidades tradicionais.


Foto de Lucas Chagas.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Juremologia para todas e todos - disponibilizada para baixar a dissertação de mestrado do juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò

Alexandre L'Omi L'Odò demonstra o documento de aprovação no mestrado em ciências da religião na UNICAP, após sua defesa pública da dissertação Juremologia: uma busca etnográfica para sistematização de princípios da cosmovisão da Jurema Sagrada. Foto de Joannah Flor.


Juremologia para todas e todos
Disponibilizada para baixar a dissertação de mestrado do juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò

Disponibilizo com muito amor e afeto o texto final e definitivo de minha dissertação de mestrado para todas e todos. Se interessados ou interessadas, é só baixar o arquivo em PDF no link, ao final deste texto.

Como conclusão derradeira, fechando meu ciclo de mestre na academia, no curso de Ciências da Religião da UNICAP, entrego à sociedade, o texto que me custou alguns anos de luta e muita dedicação para ser finalizado (ou quase finalizado, já que uma pesquisa deste vulto não se termina). Essa é uma prestação de contas, onde, por ter sido bolsista da CAPES (no governo de Dilma - PT), pude estudar e transcender meu universo de “menino da favela”, e virar intelectual nos termos da norma oficial da academia. Para mim já não é mais suficiente apenas ser um intelectual orgânico, como define Gramsci, em seus históricos escritos. Quero ser um catimbozeiro doutor, e assim continuarei essa luta até ser doutor de fato e de direito, pois se tem alguém que pode falar por nós, esse alguém somos nós, e não abro mão de conquistar esse direito com total dignidade e luta!

Ser intelectual e juremeiro é uma novidade em nossa sociedade. Mesmo com mais de 5017 anos de colonização, fui o primeiro juremeiro a defender um estudo na academia, que em 4 capítulos, sistematizou tudo de relevante que foi escrito e estudado sobre a Jurema, em um recorte histórico de 277 anos (1741 a 2017). Para além da profundidade historiográfica do texto, temos uma etnografia densa (GEERTZ), que trouxe a fala qualificada de diversos juremeiros e juremeiras de renome em Recife e Região Metropolitana, revelando para o mundo letrado uma cosmovisão ampla do que seria essa religião para as pessoas que a vivenciam, defendem e praticam com veemente fé e resistência.

Longe de ser uma cartinha de quase 300 páginas, de não academicidade, ou de movimento social (risco eminente que não me atingiu), meu texto foi elogiado pela banca examinadora com excelência, e pude com orgulho, responder com suficiência todas as argüições feitas no momento da qualificação e da defesa pública. Portanto, após tantas etapas complicadas e complexas, hoje posso me dizer satisfeito com o que escrevi, mesmo sabendo que poderia escrever mais... Aliás, continuo escrevendo mais, e lançarei em breve dois livros, que são resultado desta pesquisa.

Ter lançado o inédito termo JUREMOLOGIA no campo da pesquisa acadêmica, foi outra ousadia intelectual minha. Fundamentar este neologismo, e, defendê-lo, também me custou muito exercício de pesquisa e escrita. Contudo, aí está, firme e forte, pronto para ser usado por quem desejar. Também, devem questioná-lo, afinal, no campo acadêmico, tudo pode ser ampliado ou questionado, coisas que me dão muito entusiasmo e prazer, pois sou sim um homem que gosta de lutar a partir do campo intelectual (também). Usem, ampliem a pesquisa, adentrem este universo, pois, tudo que fiz, foi no intuito de contribuir para que mais e mais pessoas de terreiro possam acreditar que é possível sim, se formar e ocupar esse lugar privilegiado, que pertence à apenas 5% da população brasileira.

Essa dissertação, nasceu de meu sonho de mudar meu próprio mundo. O mundo da exclusão e da não sapiência daquilo que eu praticava. Da mesma forma que estudei autonomamente a língua yorùbá, e hoje dou aulas e traduzo toadas, me dediquei aos estudos da Jurema para compreendê-la mais e poder contribuir em seu avanço na sociedade como religião, sempre em uma perspectiva decolonial. Esses meus estudos tem mais de 15 anos, onde durante este tempo, pude colecionar textos e documentos importantes que me viabilizaram dar concretude a esta pesquisa.

Ser um sacerdote e intelectual é possível sim. Uma coisa não modifica a outra, e juntas, se fortalecem. Sou amante da tradição e profundo defensor da oralidade. Porém, sem ocuparmos a política e os espaços da intelectualidade, não estaremos fazendo grande coisa para o avanço de nosso povo. Temos que acordar o quanto antes! Ocidentalizar-se para desocidentalizar, é uma perspectiva de luta epistemologicamente pensada por mim e por tantos outros e outras para nos libertar das algemas do assombroso passado da escravidão e do holocausto indígena e suas heranças racistas. A Jurema que acredito, é a Jurema que quer se libertar das amarras do colonizador branco e cristão. Mesmo respeitando as tradições e tendo afeto por elas, como cientista e como sacerdote, me proponho, a estar na linha de frente da batalha, para podermos dar largos passos na conquista dos espaços desta sociedade, que também são nossos.

Não adianta apenas usar as redes sociais para promover informação sobre a Jurema, que é essencialmente uma religião de tradição oral. Temos que fazer coisas efetivas e amplas. É possível sim, firmar realizações efetivas como este texto/pesquisa e unir as ações virtuais (imateriais) com as ações práticas e concretas em outros campos. Este pode ser um caminho fértil para nos ajudar a avançar mais e mais, com força e inteireza.  Assim, poderemos olhar para trás e nos orgulharmos de tudo que nos dedicamos, pois palavras voam no ar, o que se registra, nem o vento branco do colonizador leva (parafraseando Mãe Stella de Oxóssi, uma das entrevistadas na dissertação).

Bom, espero que quem ler, possa me devolver uma crítica, uma fala, um comentário, uma ou várias discordâncias, etc. Preciso dialogar mais e mais com meus irmãos e irmãs por que essa pesquisa continua e se amplia...

Chega mais e COMPARTILHA, para que mais pessoas possam ter acesso. Muita gente me solicitou, agora ta aí, prontinha e toda disponível para ser degustada. J

Agradeço a todas e todos que me ajudaram a vencer cada etapa desta luta. Não foi fácil, mas ao final, o gosto e o empoderamento, da realização e da vitória, pagaram tudo.

A benção aos meus mentores: Reis Malunguinho, Major do Dia, Sr. Manso, Mestra Paulina, Caboclo Arranca Toco, Zé Pilintra, etc. Vocês são minha família indissolúvel. A benção Dona Leide de Sibamba, minha madrinha de Jurema. Adupé Oxum, iyá mi! Adupé Bàbá mi Ifátòògùn Paulo Braz Felipe da Costa, meu santo babalorixá e obrigado à minha digníssima iyalorixá Mãe Lu Omitogun, rainha oceânica de minha vida na religião nagô/jeje.

Tenho muito a quem agradecer, e com certeza nas páginas da dissertação estão os nomes de todas e todos que de um forma ou de outra contribuíram para que este texto existisse, disponível e livre para quem desejar se aprofundar na ciência mestra da jurema e sua história. “Tudo isso, é apenas uma gota no oceano”!

Sobô Nirê Mafá!
Trunfa Riá!
Saramunanga Cipopá!
A Jurema Merece Respeito!

Esta dissertação foi feita para “desfazer as coisas dos brancos” (Davi Kopenawa)!

Baixe a dissertação de mestrado Juremologia: uma busca etnográfica para sistematização de princípios da cosmovisão da Jurema Sagrada, no link abaixo:


Alexandre L’Omi L’Odò
Juremeiro, Historiador e Cientista das Religiões
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 24 de dezembro de 2017

"Faltou para muita gente". Texto de reflexão sobre seu lugar de fala em relação aos temas afro indígenas

Alexandre L'Omi L'Odò fumando um cachimbo na Jurema, no X Kipupa Malunguinho. Foto de Carol Melo. Edição de L'Omi.

“Faltou para muita gente”. Texto de reflexão sobre seu lugar de fala em relação aos temas afro indígenas


Para compreender o que é liberdade negro indígena, faltou para muita gente, muita coisa. Portanto, decidi escrever este breve texto que aponta um pouco do que faltou para muita gente que quer assumir uma discussão e um lugar que não é seu, no campo da luta negra e indígena e do Povo de Terreiro.

Vejo pessoas apoiando o sincretismo religioso como um fato imutável. Vejo pessoas assumindo falas que jamais poderiam ter sido suas. Acompanho desenvolvimentos de teorias próprias e vazias que contribuem para o fortalecimento do racismo. Temos que conseguir debater melhor esses temas. Temos que nos posicionar e conversar sobre. Calar é o pior caminho. Na luta pelo Povo da Jurema, aprendi muito a ouvir e vivenciar a profundidade dos significados. Por isso, falo abaixo do que faltou para muita gente, na hora de uma fala sobre temas que envolvem nossas lutas, cultura, religiões e povos.

Faltou para muita gente:

Faltou para muita gente acordar ao som de tiros.

Faltou para muita gente ver o sol nascer em uma favela.

Faltou para muita gente ter lutado em Peixinhos.

Faltou para muita gente a possibilidade de ter trabalhado do GCASC – Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças.

Faltou para muita gente ter capinado e limpado o Nascedouro de Peixinhos.

Faltou para muita gente ter ouvido Rivaldo Pessoa falar sobre cultura negra.

Faltou para muita gente ter vivenciado os dias áureos do Alafin Oyó.

Faltou para muita gente ter ido à Colônia Z4 dançar o afoxé.

Faltou para muita gente debater com brancos e ser subestimado, mesmo estando certo, só por que você é pobre e de terreiro.

Faltou para muita gente ter ido ver o Maracatu Leão Coroado ensaiar em Águas Compridas.

Faltou para muita gente ter conhecido Dona Zuleide de Paula e ter conversado horas com ela sobre luta comunitária e história de base.

Faltou para muita gente ter vivenciado as atividades da Biblioteca Multicultural do Nascedouro de Peixinhos.

Faltou para muita gente ter podido ser do Boca do Lixo.

Faltou para muita gente ter ouvido o Ataque Suicida no palco.

Faltou para muita gente ter tido aulas de percussão com o genial mestre Toca Ogan.

Faltou para muita gente ter conhecido Sr. Matias, e seus filhos Marcos Matias e André Malê, mestres extraordinários.

Faltou para muita gente ter tocado no Bloco Mulambo.

Faltou para muita gente ter visitado terreiros paupérrimos nos morros e becos do Recife e Região Metropolitana.

Faltou para muita gente ter dado Cosme Damião e feito quebras panelas nas ruas dos bairros.

Faltou para muita gente ter passado um mês de quarto em recolhimento religioso para o Orixá.

Faltou para muita gente ter lutado pelas cotas raciais nas universidades.

Faltou para muita gente ter conversado com Massapê e visto suas músicas e poesias.

Faltou para muita gente ter saído de Peixinhos andando até Vila Popular para visitar o terreiro de Pai Raminho de Oxóssi.

Faltou para muita gente ter tocado ou dançado do Afoxé Ará Odé.

Faltou para muita gente ter ido às ruas lutar pela democracia.

Faltou para muita gente ter podido ouvir com atenção o Bloco Afro Lamento Negro.

Faltou para muita gente ter tocado ou dançado no Magê Molê.

Faltou para muita gente ter podido protestar contra o genocídio da juventude de Peixinhos em décadas passadas.

Faltou para muita gente ter ouvido Olodum com atenção.

Faltou para muita gente ter visto o Timbalada e sentido sua mensagem negra com profundidade.

Faltou para muita gente ter dançado dentro do Ilê Iyê e ter ouvido seus antigos LP's.

Faltou para muita gente ter podido participar de uma aula com Lepê Corrêa e ouvido seus ensinamentos.

Faltou para muita gente ter podido conhecer Sr. Luiz de França.

Faltou para muita gente ter conhecido o Mestre Dió (Deodato), gigantesco juremeiro.

Faltou para muita gente ter comido pirão de café, por falta de feijão.

Faltou para muita gente ter contribuído nos trabalhos em prol aos meninos e meninas de rua no Recife, a partir do CPP.

Faltou pra muita gente ter conhecido Demétrius e seus sonhos e coragem de transformar a realidade dos desvalidos.

Faltou para muita gente ter ouvido Chico Science com maior sensibilidade.

Faltou para muita gente ter conhecido o Sr. Amaro Fala Fina.

Faltou para muita gente ter conhecido João Meira de Peixinhos.

Faltou para muita gente ter visto o Balé Afro Akindelê e o Expressão Afro Brasil, ambos comunitários e feito por pessoas muito pobres.

Faltou para muita gente ter visto o Omo Lasó Àiyé nos palcos.

Faltou para muita gente ter visto Dito de Oxossi falando sobre povo negro.

Faltou para muita gente ter ouvido Cacique Chicão.

Faltou para muita gente ter lido os livros de Fanon e de Abdias Nascimento.

Faltou para muita gente ter conhecido a obra de Mestre Didi e ter-lhe pedido a benção.

Faltou para muita gente ter olhado com mais respeito para Carlinhos Brown.

Faltou para muita gente ter rasgado a bíblia de dentro de si.

Faltou para muita gente ter conhecido o insubstituível mestre negro Babá Paulo Braz Ifátòògùn.

Faltou para muita gente ter rezado com Mãe Lu Omitòògùn o mês mariano.

Faltou para muita gente ter visto o Mestre Sibamba incorporado na matéria da grande juremeira Dona Leide.

Faltou para muita gente ter conhecido Rolando Toro.

Faltou para muita gente ter lido os discursos de Osho.

Faltou para muita gente ter conhecido a Banda Etnia.

Faltou para muita gente ter gargalhado ao som de Dona Selma do Coco.

Faltou para muita gente ter sambado junto à Mestre Salustiano e visto suas aulas de Rabeca.
Faltou para muita gente ter estudado a língua Yorùbá.

Faltou para muita gente ter conhecido Oxum.

Faltou para muita gente o conhecimento sobre a luta de Malunguinho e do Quilombo do Catucá.

Faltou para muita gente ter acreditado que seria possível estudar e romper o status da pobreza a partir dos estudos.

Faltou para muita gente ter votado em Lula.

Faltou para muita gente ter lutado de fato contra o Golpe.

Faltou para muita gente ter ouvido e lido Lecí Brandão e Mertinho da Vila.

Faltou para muita gente ter lido umas poesias de Solano Trindade.

Faltou para muita gente ter vivenciado um verdadeiro Movimento Negro.

Faltou para muita gente ter fumado um cachimbo com os parentes indígenas.

Faltou para muita gente ter conhecido as poesias de Oriosvaldo de Almeida.

Faltou para muita gente parar para refletir sobre o sincretismo.

Faltou para muita gente ter tido coragem de romper com as correntes que nos escravizam no capitalismo.

Faltou para muita gente coragem de superar.

Faltou para muita gente sensibilidade.

Faltou para muita gente ter conhecido Mãe Ivanize de Xangô.

Faltou para muita gente ter parado para ouvir os saberes negros do Mestre Afonso do Maracatu.

Faltou para muita gente ter presenciado a incansável fé de Gilson Gomes na dança negra.
Faltou para muita gente vivenciar a mata sagrada de Malunguinho.

Faltou para muita descalçar os pés no Kipupa e receber a fumaça divina da Jurema.

Faltou para muita gente conhecer Paulo Queiroz e sua superação social através da dança.

Faltou para muita gente ter ouvido Chico Buarque de Holanda e refletir a partir de suas críticas musicais.

Faltou para muita gente ter participado das atividades do Axé Opô Afonjá, nos bons tempos.

Faltou para muita gente ter vivenciado as edições de ouro do Alaiandê Xirê.

Faltou para muita gente o convívio negro com Rita Honotório.

Faltou para muita gente ter conhecido a teologia da libertação.

Faltou para muita gente ter sentado aos pés do Iroko do Sítio de Pai Adão.

Faltou para muita gente ter ouvido Dona Mãezinha falando e cantando.

Faltou para muita gente ter visto Paulo Braz Ifátòògún dançando... Esse sim era inesquecível.

Faltou para muita gente ter prestado atenção no pensamento de Davi Kopenawa.

Faltou para muita gente ouvir os velhos incansavelmente.

Faltou para muita gente ter participado das edições do Congresso Nacional do Desfazendo Gênero.

Faltou para muita gente ter passado horas e horas limpando penas de galinha de uma cerimônia para os Orixás.

Faltou para muita gente ter visto o milagre de Ògúnté Mi, que materializou um peixe-boi no mar, em decorrência a entrega da Panela de Iyemojá.

Faltou para muita gente ver Ògúnté em terra dançando... Isso é Deus/Deusa puro.

Faltou para muita gente ter ouvido José Jorge de Carvalho e suas geniais lucubrações.

Faltou para muita gente ter amado pessoas loucas.

Faltou para muita gente ter se entregado à tudo que pode nos edificar em prol da luta contra o racismo.

Faltou para muita gente muita coisa negra e indígena.

Faltou para muita gente reconhecer que é branco ou branca e que seu lugar de poder é um desafeto para o povo que luta.

Faltou para mim tanta coisa, ainda assim...

Portanto, antes de falar, ou contestar o debate decolonial, antes de querer construir um discurso conformista sobre o sincretismo e a relação do cristianismo com o povo de terreiro, veja de onde, e em que condições você está falando. Mesmo sendo democrático o direito de opinar sobre qualquer coisa, creio ser necessário uma reflexo sobre seu lugar de fala. Calar por vezes é necessário. Abra-se para a desconstrução. Tem muita gente sábia que há anos luta para tentar realizar um processo de libertação ideológica ampla para o povo negro e indígena. Se junte a nós, venha caminhar conosco, venha ser parte de um mundo do bem viver e da harmonia social. Venha carregar um bombo nas costas e tocar um maracatu sem reclamar que está doendo os calos causados pelas baquetas na mão.

Salve a fumaça e que não falte para ninguém o direito da luta anti racismo.

Sobô Nirê Mafá!!
“Malunguinho no mundo, é meu braço direito”.

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultual Malunguinho

alexandrelomilodo@gmail.com 

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!