Espaço internacional de discussão e troca de saberes. Local para estreitar nossas negras discussões e lucubrações sobre a Música Percussiva (Yorùbá/afro-descendente e nordestina) e as religiões das matrizes indígenas e africanas, além de todo o seu imaginário histórico, social, cultural e pedagógico. Local de exposição de vivências práticas com a religião negra!!!
Professor Dr. José Jorge de Carvalho - UnB. Fotografia feita no Seminário Malunguinho - 180 anos Vivo na Alma de um Povo. Registro de Joelson Souza.
Professor José Jorge de Carvalho dá conferência na FUNDAJ nesta terça (28/11/2017)
Nesta Terça (28/11) tem Mega palestra na FUNDAJ com a presença do conferencista e antropólogo Prof. Dr. José Jorge de Carvalho. IMPERDÍVEL! Quem discute cultura não pode faltar! Compartilha.
TRANSCULTURALISMO CRI TICO, EDUCAC A O E
IDENTIDADES
O seminário objetiva desenvolver atividades que contribuam
com a articulação, a troca de experiências e o diálogo transdisciplinar entre as atividades de pesquisa, ensino e extensão desenvolvidas pelo Programa de Pós-Graduação Associado em Educação, Culturas e Identidades da Universidade Federal Rural de Pernambuco e da Fundação Joaquim Nabuco, o Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais para o Ensino Médio e o Programa Institucional Educação e Relações Étnico-Raciais da Fundação Joaquim Nabuco e as experiências formativas e educativas desenvolvidas em Escolas do Ensino Médio, Movimentos Sociais e Organizações Não-Governamentais. O Seminário visa também criar redes de articulação horizontais entre esses diferentes espaços institucionais.
O Seminário ocorrerá em Recife entre os dias 28, 29 e 30 de
novembro de 2017, na Fundação Joaquim Nabuco e em diferentes espaços institucionais envolvidos na programação do seminário.
Essa semana é marcada pela celebração da Consciência Negra e o coletivo de negritude do mandato produziu diversos materiais.
No dia 20, Dia da Consciência Negra, lançamos o vídeo neGRITO, fizemos um manifesto durante o tempo de fala no plenário e protocolamos um projeto de lei municipal que deseja instituir no calendário oficial do Recife a Semana Municipal da Vivência e Prática da Cultura Afro-Indígena Pernambucana, compreendida entre os dias 12 e 18 de setembro.
A data foi escolhida para marcar na história do Recife um reconhecimento ao histórico líder quilombola, Malunguinho, cuja morte foi notificada em 18 de setembro de 1835.
O texto completo do projeto de lei você encontra aqui: https://goo.gl/b48SRy
#pracegover: imagem em preto e branco, com alguns contornos amarelos. Na parte superior à direita, texto em letras vermelhas, com contornos amarelos: " #OQueQueremos"
Na parte inferior da imagem, texto em letras amarelas: "Semana Municipal da Vivência e Prática da Cultura Afro-Indígena Pernambucana"
No centro da image, podemos ver dois homens negros se abraçando.
Texto oficial do facebook do vereador do Recife Ivan Moraes Filho.
Veja texto completo da nova lei e sua justificativa:
PROJETO DE LEI Nº _________
Institui no calendário oficial do Recife a
Semana Municipal da Vivência e Prática
da Cultura Afro-Indígena Pernambucana.
Art. 1º Fica instituída a semana do dia 18 de setembro como a Semana Municipal da Vivência e Prática da Cultura Afro-Indígena Pernambucana, como reconhecimento ao histórico líder quilombola Malunguinho cuja morte foi notificada em 18 de setembro de 1835.
Art. 2º As comemorações da Semana Municipal da Vivência e Prática da Cultura Afro-Indígena Pernambucana, ocorrerão anualmente no período de 12 a 18 de setembro.
Art. 3º A Semana Municipal da Vivência e Prática da Cultura Afro-Indígena Pernambucana poderá ser comemorada através da realização de atividades sobre:
I- História da África e História Afro-Brasileira, indígena e dos povos e comunidades tradicionais;
II- Cultura de resistência do povo negro e indígena no Brasil;
III- História das religiões de matrizes africanas e indígenas;
IV- História dos Quilombos e povos indígenas no Brasil e em Pernambuco;
V- Relações de Gênero e Transgêneros;
VI- Racismo, discriminação e preconceito étnico racial em instituições de ensino, áreas e equipamentos públicos.
Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 5º Revogam-se as disposições em contrário.
JUSTIFICATIVA
A escravidão, ao promover a retirada de diversas comunidades negras de suas terras, buscou anular toda a estrutura do imaginário da cultura afro, podendo assim ter um maior controle sobre seus corpos. Manter, portanto, uma memória coletiva, recriando essas estruturas do imaginário dispersas pelo tráfico negreiro, sobretudo através da construção de uma comunidade religiosa, foram as estratégias encontradas pelos escravizados e escravizadas para sobreviver e manter viva sua história.
Essas resistências se davam tanto na forma de expressões culturais, como religião, músicas e danças, como em ações revolucionárias. Os quilombos de Catucá, localizados numa região conhecida como Cova de Onça, entre Olinda e Igarassu, na antiga margem do Rio Paratibe, servia como asilo para escravos que fugiam do Recife e dos Engenhos da Mata Norte, buscando-se construir uma sociedade alternativa à escravocrata. Os quilombos de Catucá, entretanto, acabaram sendo destruídos no final da década de 1830, não sem resistência. Buscando manter viva a memória de tão importante local de resistência, surgiu em 2006 sob a organização do Quilombo Cultural Malunguinho, entidade formada por acadêmicos, militantes do movimento negro e adeptos das religiões afro-brasileiras e indígenas, o Kipupa Malunguinho. Esse evento é realizado anualmente, sempre que possível nos meses de setembro, sendo essa a data de morte do principal líder dos quilombos de Catutá, João Batista, conhecido como Malunguinho. João Batista é um dos tantos malungos que demonstraram força frente a opressão colonial, sem dúvida para o povo negro de Pernambuco, o mais notável, pela sua bravura, tornando-se símbolo de identidade afro-brasileira. Por essa razão, ficam escolhidas as datas de 12 a 18 de setembro para as comemorações da Semana Municipal da Vivência e Prática da Cultura Afro-Indígena Pernambucana.
Esse projeto de lei tem o intuito de vocalizar a expressões culturais afroindígenas e legitimá-las. A pluralidade cultural negro-indígena vem à tona se afirmando enquanto tal e procurando estender a liberdade de culto aos terreiros afro-pernambucanos e a liberdade de afirmar sua identidade. A luta é contra a intolerância, a favor de um frutífero diálogo inter-religioso e da construção de uma nova consciência cultural em que predomine o respeito às múltiplas
formas de ver, sentir e viver no mundo.
Sala das Sessões da Câmara Municipal do Recife, 20 de novembro de 2017.
Ivan Moraes Filho
Vereador
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Esse texto ainda sofrerá alterações conceituais na estrutura da Justificativa. Esse projeto está sendo desenvolvido com apoio integral do Quilombo Cultural Malunguinho.
Nesta quinta, 23 de Novembro, às 10h da manhã, vai ter um evento super legal na Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco. O Grande Expediente Especial, terá palestra onde eu estarei na mesa para uma fala afrocentrada e indocentrada, ao lado de grandes pessoas como o Dr. Edvaldo Ramos e Ivo do Xambá. Haverá Shows do Bongar Xambáe Afoxé Ilê de Egbá, etc.
Vai ser muito PRETO, Muito NEGRO o evento! Chega mais!!!
O poder das Iabás - Mãe Lu Omitòògùn e Barbara Costa na luta das mulheres negras
O poder
das Iabás
Para comemorar o Mês da Consciência Negra, a
Revista mostra como a força herdada dos poderosos orixás femininos leva as
mulheres a comandar a dura luta ancestral por respeito, igualdade e justiça
social
Elas não são Eva, nem Maria, muito menos Amélia. Os
orixás femininos — as iabás —, que inspiram o arquétipo de suas filhas na
dimensão terrena, foram (e ainda são) mulheres imprevisíveis. Guerreiras,
sempre prontas para defender os reinos que governam. Na história antiga e na
contemporânea, não faltam exemplos de figuras femininas que não aceitam ser
subjugadas pelo sexo oposto.
Elas batalham com uma garra incomum, o que as faz
se destacar no cenário onde se encontram. Insurgem-se contra sistemas injustos
e não negam disposição para transformar realidades negativas. Quando comparadas
com os itans (em iorubá, o conjunto de lendas, mitos e músicas dos orixás) das
seis principais divindades cultuadas no país pela umbanda e pelo candomblé — as
iabás Nanã Buruku (ou Buruque), Iemanjá, Oxum, Iansã, Obá e Euá —, vê-se que
elas estão atuando na sociedade. E deixando contribuições valiosas para as
mudanças e os avanços almejados pelos cidadãos.
Ao contrário de Eva, elas não vivem no paraíso. Não
têm a santidade de Maria, figura icônica da fé cristã. Estão longe de ser a
Amélia, da famosa canção criada, em 1942, pelos consagrados artistas Ataulfo
Alves e Mario Lago, que conquistou as paradas de sucesso com o grupo musical
Demônios da Garoa.
As iabás contemporâneas são, como suas ancestrais,
batalhadoras nas infindáveis jornadas contra o machismo, a violência doméstica,
sexual, o preconceito, a misoginia e todas as outras expressões de violência e
opressão, que buscam subjugá-las, ou impor-lhes condições de inferioridade. As
seis divindades iabás remontam à cultura herdada dos iorubás, um dos maiores
grupos étnico-linguísticos da África.
De acordo com o sociólogo e professor da
Universidade de São Paulo Reginaldo Prandi, eles acreditam que homens e
mulheres descendem dos orixás. “Cada um (pessoa) herda do orixá de que provém
suas marcas e características, propensões e desejos, tudo como está relatado
nos mitos”, explica Prandi, no livro Mitologia dos orixás, uma pesquisa
profunda que reconta 301 mitos africanos e afro-americanos. Todos eles, parte
importante da alma brasileira.
Força
espiritual
Na umbanda e no candomblé, as duas principais
religiões de origem nas tradições africanas, elas são respeitadas e tratadas
por mãezinhas — ou simplesmente mães — e reverenciadas como autoridades. A
natureza, pródiga de sabedoria, deu a todas o poder da maternidade, e isso as
tornam pessoas respeitadas como essenciais à preservação da vida e à perenidade
da raça humana. Mais do que isso: são consideradas pela força espiritual que
carregam e que lhes confere singularidade nos terreiros.
Dentro de uma sala de aula do Instituto de Inclusão
no Ensino Superior e na Pesquisa da Universidade de Brasília, a historiadora
pernambucana Bárbara Costa, 29 anos, critica a higienização do movimento negro
no Recife e suas palavras mostram a garra e a força que herdou da orixá Iansã.
“Eu topo qualquer parada, enfrento qualquer coisa. Homem ou mulher”, afirma,
logo após encerrar uma aula sobre a história do culto Nagô em Pernambuco.
Sentada ao lado, a pernambucana Lúcia Costa, 65,
mais conhecida como Mãe Lu, mostra o amor que herdou de Iemanjá. “Ela é a minha
mãezinha, me acolhe, me tira da solidão e me acalenta”, conta. Para explicar a
relação com a mãe Iansã, Bárbara deixa de lado a postura rígida e fala com
carinho. “É para a mãe que a gente pede tudo, né? Acreditamos que eles (os
orixás) são nossos intermediários com Deus. Podemos estar com o filme queimado
lá em cima, mas, no meu caso, Iansã chega lá e fala: ‘sei que a Bárbara errou,
mas ela vai melhorar’. Ela intercede por mim”, diz.
A relação com a mãe iabá é forte em todos os que
fazem parte das religiões de matrizes afro-brasileiras. “Quando alguém tem três
orixás masculinos, dizemos que é algo muito triste, porque todo mundo tem que
ter uma mãe. No meu caso, eu só tenho uma iabá, Iansã. Mesmo ela não sendo a
dona do meu ori (cabeça, destino, em iorubá), eu sou muito parecida com ela.
Quem me vê logo a encontra”, explica Bárbara.
“Eu tenho a concepção de que a nossa Iemanjá toma
conta daqueles que só têm (orixás) homens na cabeça. Ela é sempre a mãe, que dá
proteção. É uma qualidade que Deus deu para ela”, acrescenta Mãe Lu.
Visões
próprias
Os itans, ou lendas, variam em cada nação e estão
ligados à cosmovisão de cada uma delas. A diferenciação é bem nítida entre os
candomblés de Angola, Keto e Jejê. Tanto é assim que os orixás têm outras
designações. No candomblé de Angola, Inkisi é orixá; Iansã, Matamba ou
Bamburucema; Oxum, Ndandalunda (leia-se dandalunda); Iemanjá, Kaiá, Mikaiá ou
Kaiala; Nanã, Nzumbarandá, Nzumba, Zumbarandá, Ganzumba.
IEMANJÁ
É a rainha de todas as águas do mundo. O seu nome
vem da expressão “YéYé Omó Ejá”, que significa mãe cujo filhos são peixes. Ela
é o espelho do mundo, que reflete todas as diferenças. Mostra os caminhos,
educa e sabe explorar as potencialidades que estão dentro de cada um.
Características dos filhos:
São imponentes, belos, calmos, sensuais, fecundos,
têm dignidade e irresistível fascínio (o canto da sereia). São voluntariosos,
fortes, rigorosos, protetores e, por vezes, impetuosos e arrogantes. Têm o
sentido da hierarquia, preocupam-se com os outros. Sem a vaidade de Oxum,
gostam de luxo.
Dia: Sábado
Cor: Branco, Prateado, Azul e Rosa
Símbolo: Abebé prateado.
Elementos: Águas doces que correm para o mar, águas
do mar
Domínios: Maternidade (educação), saúde mental e
psicologia
Saudação: Odó-Iyá
Fonte: https://ocandomble.com
OXUM
Na Nigéria, corre o rio Oxum, a morada da mais bela
Iabá, a rainha de todas as riquezas, a protetora das crianças, mãe da doçura e
da benevolência. Generosa e digna, Oxum é a rainha das águas doces. Vaidosa, é
a dona da fecundidade das mulheres, do grande poder feminino.
Características dos filhos de Oxum
Oxum é o arquétipo dos que agem com estratégia e
são obstinados na busca dos seus objetivos. Atrás da imagem doce se esconde uma
forte determinação e um grande desejo de ascensão social. Dão muito valor à
opinião pública e preferem contornar as suas diferenças com habilidade e
diplomacia.
Dia: Sábado
Cores: Amarelo e ouro
Símbolo: Leque com espelho (Abebé)
Elemento: Água doce (rios, cachoeiras, nascentes,
lagoas)
Domínios: Amor, riqueza, fecundidade, maternidade
Saudação: Òóré Yéyé ó!
Fonte: https://ocandomble.com
NANÃ
Deusa dos mistérios, é de origem simultânea à
criação do mundo. Nanã é o começo, porque é o barro e o barro é a vida.
Sintetiza em si morte, fecundidade e riqueza. Designa pessoas idosas e
respeitáveis. Entender Nanã é entender o destino, a vida e a trajetória do
homem sobre a terra.
Características dos filhos:
São pessoas extremamente calmas, lentas no
cumprimento das tarefas. Agem com benevolência, dignidade e gentileza. Gostam
de crianças, as quais educam com excesso de doçura e mansidão. No modo de
agir e até fisicamente aparentam mais idade.
Dia: Terça-feira
Cores: Anil, branco e roxo
Símbolo: Bastão de hastes de palmeira (Ibiri)
Elementos: Terra, água, lodo
Domínios: Vida e morte, saúde e maternidade
Saudação: Salubá!
IANSÃ
Saudada como a deusa do rio Níger, o maior da
Nigéria, é filha do fogo-Omo Iná. É a rainha dos raios, das ventanias, do tempo
que se fecha sem chover. Guerreira por vocação, sabe defender o que é seu e
conquistar, seja nas guerras, seja no amor. Iansã é a mulher que acorda de
manhã, beija os filhos e sai em busca do sustento.
Características dos filhos:
Para eles, viver é uma grande aventura, e enfrentar
riscos e desafios, um prazer. Escolhem os caminhos mais por paixão do que por
reflexão. Não escondem os seus sentimentos, seja de felicidade, seja de
tristeza. Entregam-se a súbitas paixões e de repente esquecem, partem para
outra.
Sacerdote juremeiro e do culto aos Orixás (Egbomi), é mestrando em Ciências da Religião pela UNICAP, graduado em licenciatura plena em História, pela Universidade Católica de Pernambuco - 2014.
É membro do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa da Presidência da República, e do Conselheiro de Políticas Culturais do Recife. Milita nos campos das políticas públicas.
Tem experiência na área de educação, com ênfase em educação social, artística, musical e afro indígena teológica. Desenvolve trabalhos nas áreas de pesquisa, reconhecimento e preservação de patrimônio imaterial.
Tem publicado artigos científicos sobre temas relacionados a religiosidade da jurema sagrada, nos âmbitos de sua teologia e história. Ensina língua, história e cultura yorùbá, do coco e da Jurema sagrada. Desenvolve carreira de artistas e produz filmes/documentários.
É coordenador geral do Quilombo Cultural Malunguinho e desenvolve projetos de pesquisas com povo de terreiro.
Realizador há 10 anos do Kipupa Malunguinho (encontro nacional dos juremeiros), tem estimulado uma movimentação política de fortalecimento do Povo da Jurema entorno de sua história e religiosidade.