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sábado, 3 de novembro de 2012

"A JUREMA MERECE RESPEITO" - Uma campanha pelo direito ao respeito religioso


"A JUREMA MERECE RESPEITO"
Uma campanha pelo direito ao respeito religioso 

No intuito de contribuir com a extinção do racismo e da intolerância religiosa, sobre tudo com a Jurema Sagrada, nós que integramos o Quilombo Cultural Malunguinho lançamos a campanha: "A JUREMA MERECE RESPEITO", dando início a um processo de luta pelo direito ao respeito religioso à Jurema Sagrada, religião que historicamente foi marcada por perseguições cruéis e tentativas contínuas de extinção. Hoje, ainda sofre retaliações e tentativas de subalternização por parte até mesmo de outras manifestações religiosas de terreiro, pasmem.

 "A JUREMA MERECE RESPEITO" significa um grito de liberdade, um clamor pelo respeito à alteridade religiosa, um pedido de amor, um oferecer de oportunidade de diálogo amigo e equânime para com o próximo. É neste espírito que queremos encaminhar o olhar e pensar do preconceituoso intolerante para que nas ruas, na sociedade em geral, possamos provocar o pensar e visibilizar onde está este acúmulo de equívocos na formação do povo brasileiro que não conhece suas raízes e histórias orais e oficiais. A religião Jurema Sagrada é parte fundamental da memória da fé nordestina, e precisa ser considerada (pela sociedade) como uma religião partícipe de todo processo de construção do país e seu povo. Das tradições indígenas que veio esta cosmovisão religiosa de mundo, portanto, devemos olhar para a história de nossos ancestrais com atenção e, sobre tudo, respeito.

O professor Carlos Tomaz, da Rede Nacional Afro LGBT e membro do Quilombo Cultural Malunguinho pousando como modelo para expor a camisa da campanha.


Lançaremos publicamente esta campanha na VI Caminhada do Povo de Terreiro de Pernambuco, que acontecerá no dia 5 de novembro de 2012, com concentração marcada às 15h na Praça do Marco Zero, no Bairro do Recife (Recife Antigo).

A concentração do Povo da Jurema, acontecerá na Rua da Guia, às 14h, com gira de Jurema e celebração à ancestralidade indígena e negra na encruzilhada principal desta rua história para o culto das mestras do juremá. 

As camisas serão vendidas por 5 reias apenas, para darmos acesso a todas e todos que desejarem comprar. Este valor é promocional unicamente para o dia da Caminhada. Após o dia 5 de novembro, custará 20 reais.

Quem desejar comprar e for de outros estados e países, poderemos negociar envio pelos correios etc. É nossa intenção levar ao Povo da Jurema este símbolo nosso, de luta por direitos equânimes.

Salve a fumaça e vamos divulgar e ajudar a fortalecer a nossa Jurema Sagrada!!

VAMOS GRITAR TODOS E TODAS JUNTOS:
"A JUREMA MERECE RESPEITO"!!!!!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 22 de julho de 2012

Integrantes do Candomblé discutem recentes atos de vandalismo contra terreiros

Vandalismo contra terreiros assusta integrantes do Candomblé. Povo de terreiro reunido no Palácio de Iemanjá (Casa de Pai Edu). Na foto: Juliana Bison, Eduardo Santana, Prof. Carlos Tomaz e Prof. Alexandre Dias. Foto de Laila Santana - Folha de Pernambuco.

CRENÇA 
Integrantes do Candomblé discutem recentes atos de vandalismo contra terreiros

Evangélicos fizeram manifestação em frente centro religioso na última segunda 

 18/07/2012 08:56 - THOMAZ VIEIRA, da Folha de Pernambuco

Integrantes do Candomblé se reuniram, nesta terça-feira (17), para discutir os recentes atos de vandalismo praticados contra os terreiros religiosos, decorrentes da morte de um menino em um ritual macabro no Brejo da Madre de Deus, Agreste do Estado. Segundo eles, na noite da última segunda-feira, um grupo de evangélicos realizou uma manifestação em frente a um terreiro no Varadouro, Olinda. Por volta das 19h, policiais chegaram ao terreiro de Pai Jairo com a denúncia anônima de que havia “um menino coberto de sangue” na casa, porém, nada encontraram. Pouco depois, segundo relatos, mais de 200 pessoas se juntaram em frente do local, gritando frases como “Sai, satanás!”.

Os membros do Candomblé demonstraram insatisfação com o ocorrido. O filósofo e babalorixá Érico Lustosa, que comanda um terreiro ao lado do de Pai Jairo, clamou mais ação do Estado. “Eu não quero incitar a violência de jeito nenhum, mas passivos nós não somos. A Justiça tem que mediar os direitos e deveres de cada um”, afirmou, durante o encontro. Ele acha que a Prefeitura de Olinda e o Governo do Estado deveriam se posicionar sobre a situação. Foi Érico que filmou o ato dos evangélicos e tentou conversar, sem sucesso.

O historiador João Monteiro acha que o caso do Varadouro “é consequência da ausência do Estado”. Ele afirma que o preconceito contra o Candomblé é um processo que vem sendo construído há muitos anos por outras religiões. Moradores do local disseram que Pai Jairo nunca teve problemas com a comunidade. “Ele é um homem bom, ajuda muito a todos”, disse a vizinha e membro do terreiro, Maria Paiva da Silva.



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Culrural Malunuginho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 21 de julho de 2012

Terreiros foram invadidos - Registros da intolerância religiosa contra o Povo de Terreiro

 
Digitalização da matéria do Diário de Pernambuco de 13-07-2012, Caderno Vida Urbana

Terreiros foram invadidos

Os principais alvos da revolta da população do Brejo da Madre de Deus foram os terreiros de culto afro-brasileiros e até um centro doutrinário espiritualista cristã do Agreste. A delegacia do município só registrou um caso de depredação, mas a reportagem da TV Clube/Record flagrou pelo menos quatro ocorrências. Populares afirmaram que sete terreiros de umbanda foram invadidos e saqueados em São Domingos e em Santa Cruz do Capibaribe. 

O Vale do Amanhecer, centro de doutrina espiritualista cristã, também foi alvo da ira da população. Um funcionário do templo, Emanuel Jonas da Silva, chegou a ser agredido pelos populares e prestou depoimento à polícia. O centro só no foi incendiado porque policiais militares conseguiram que os manifestantes atearem fogo. O grupo ainda conseguiu saquear o centro e destruir objetos do local. "As pessoas estão invadindo os espaços aleatoriamente. Muitos não conhecem a história das religiões e estão cometendo injustiças". Apontou o delegado Antônio Dultra. 

Para o coordenador nacional de formação da Rede Afro LGBT Carlos Thomás, a revolta da população do Brejo da Madre de Deus está atingindo e difamando as outras religiões. "Estão destruindo todos os terreiros do Agreste. Vão matar nosso povo por falta de conhecimento. Essas pessoas que mataram a criança nada têm a ver com a religião africana. É preciso diferenciar para que injustiças não sejam cometidas", ressaltou. "As religiões de matrizes africanas e indígenas não têm rituais que evolva sacrifício humano. O preconceito em relação a essas crenças ainda é muito grande", completou.
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A fala do professor Carlos Tomaz que também é membro do Quilombo Cultural Malunguinho reverberou bastante e foi positiva para contribuir na quebra dos preconceitos de grande parte da população não só do agreste pernambucano como de todo Brasil. A partir desta matéria podemos perceber a mídia se preocupando em consultar pessoas sérias de nossa religião para dar melhores consultorias sobre o tema. Se isso tivesse sido feito antes poderia ter evitado a revolta da população leiga que saberia distinguir religião de matrizes africanas e indígenas de magia negra ou culto macabro com sacrifícios humanos.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandelomilodo@gmail.com

sábado, 14 de julho de 2012

Adeptos do Candomblé estão indignados

Matéria do jornal Folha de Pernambuco de 14-07-2012. Caderno REGIONAL, p. 4. QCM na luta contra intolerância religiosa. Alexandre L'Omi L'Odò, João Monteiro e Carlos Tomaz.
 RegionalAdeptos do Candomblé estão indignados

14/07/2012 - THOMAZ VIEIRA  (jornalista)

Os atos de vandalismo cometidos pela população na região do crime de Flanio, de 9 anos, provocaram indignação entre os adeptos do Candomblé. O coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho (entidade que representa os povos de terreiro e o povo negro), Alexandre L’Omi L’Odò, disse que o órgão já se articula junto a instituições de Direitos Humanos e estuda iniciar ação judicial coletiva por danos morais.

A grande reclamação dos religiosos é que os acusados pelo crime foram tidos como praticantes do Candomblé, o que não é verdade. “O Candomblé é uma religião que agrega muito as pessoas. Daí, indivíduos mal-intencionados usufruem disso para se aproveitar da carência das pessoas”, denuncia Alexandre. Ele conta, inclusive, que o processo de formação de líderes da crença é bem rígido e dura vários anos.

 João Monteiro, Alexandre L'Omi L'Odò e Carlos Tomaz, Representantes do Quilombo Cultural Malunguinho. Foto de Hesíodo Góes.

Para o historiador João Monteiro, o fato de a polícia ter apresentado, erroneamente, os suspeitos como pais de santo teria causado a reação de ódio na sociedade. “Quando a polícia prende esses marginais e os coloca com seus títulos sacerdotais em vez de seus nomes, demonstra o despreparo dos agentes no trato desses temas”, afirma. Ele aponta que o Governo desenvolve um programa de combate ao preconceito dentro das instituições públicas, mas que o mesmo não funciona adequadamente.

A associação do termo “magia negra” ao crime e à religião também revoltou os povos de terreiro. Para o membro do Fórum Estadual de Educação Étnico-Racial de Pernambuco, Carlos Tomaz, a expressão é, além de tudo, racista. “Mesmo que inconscientemente, tudo relacionado à etnia negra é tido como ruim”, reclama. O termo vem, na verdade, da Idade Média, das práticas de culto ao demônio originadas de religiões de matriz europeia.

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Devido as solicitações de disponibilisação do texto da matéria, digitei e posto aqui.
*Acima texto integral do jornal Folha de Pernambuco de 14-07-2012. Caderno REGIONAL, p. 4. Quilombo Cultural Malunguinho na luta contra intolerância religiosa. Na foto João Monteiro, Alexandre L'Omi L'Odò e Carlos Tomaz. 


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 22 de janeiro de 2012

A outra fase do Case-Funase - Professor Carlos Tomaz escreve sobre experiência afro pedagógica de sucesso

Professor Carlos Tomaz. Foto de Anderson Santiago.

Educação: A outra fase do Case-Funase
Carlos Tomaz - Professor da REDE AFRO LGBT 
carlinhostomaz@hotmail.com
  
Jornal Diário de Pernambuco de 21/01/2012.  
COLUNAS
 
As últimas notícias sobre a situação do Case do Cabo não agradam ao povo pernambucano, o caos instalado com as últimas ocorrências é de fazer cabelos arrepiar. Fumaça, fogo, destruição, sangue, gritos, cabeça cortada e lançada muro afora. Desespero de mães a fim de saber notícias de seus filhos ali confinados para a tal ressocialização. Os espaços de reeducação no Brasil, sejam eles para menores infratores, como é o caso da Funase, sejam os presídios pernambucanos como o Aníbal Bruno, ainda estão longe do verdadeiro ideal de Projeto Ressocializatório, isso porque para ressocializar é preciso educar com investimento em projetos civilizatórios e humanos.

Aí está o nó do problema, afinal de contas, o que é ser humano num contexto de sociedade excludente, desigual como a nossa? O case do Cabo vive hoje esse drama. A mídia tem se interessado em mostrar a desgraça, afinal isso dá ibope, mas aqui não tenho a pretensão de reforçar o que a mídia vem fazendo, mas o de tentar nesse breve artigo revelar a outra face do case, o lado positivo. Então vejamos: Tive a oportunidade de conhecer de perto a escola que funciona dentro do Case Cabo, fui convidado para no mês da Consciência Negra ministrar uma palestra para adolescentes e jovens que ali estudam. Na oportunidade conversei com alguns jovens, dentre as falas que ouvi dos mesmos, uma me chamou a atenção, disseram que quando chegaram na escola os professores perguntavam o que eram, e os meninos respondiam: “A gente é tudo bandido”. A intervenção pedagógica dos professores afirmando que ali todos eram pessoas humanas e estudantes começou fazendo a diferença e, em outro momento a mesma pergunta já não tinha a mesma resposta. Agora, com a frase elaborada numa variedade linguística que não condiz com a norma culta: respondiam: “A gente é tudo istudante”. Essa sentença revela a importância da educação e do tratamento ao menor infrator como pessoa humana e não mais como bandido. Essa diferença e essa consciência humana levada aquele universo de tanta violência garantiu que, em meio à destruição, a escola fosse poupada.


Os jovens tocaram fogo, quebraram muita coisa, até mataram, mas a escola não foi tocada, lá ainda está o banner do mês da Consciência Negra, ninguém queimou. Esse detalhe talvez não percebido por muitos que tem a função de agente socioeducativo, traz à luz que a educação é a saída para o fim da destruição da nossa juventude, e esse trabalho tem sido feito ali com uma equipe formada por professores como Danilo, Marcos, Rita sob a orientação das professoras Sandra e Mizia da GRE METRO SUL e a contribuição dos movimentos sociais de Direitos Humanos negro e LGBT. Assim pensemos num Case focado na educação, mas com uma diferença: Uma educação que valorize e respeite cada adolescente e jovem como pessoa humana. Isso não é impossível.

Confira a matéria no site do jornal:

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O professor Carlos Tomaz, coordenador da Rede Afro LGBT, professor da rede pública de ensino do Estado de Pernambuco e integrante do Quilombo Cultural Malunguinho mais uma vez publica no jornal de maior circulação e respeito de Pernambuco, o Diário.  Em seu texto, podemos ver o quanto é inprescindível a efetivação da Lei Federal 10.639/03. Temos que nos propor a interagir e invadir os espaços de ensino com esta Lei. Ela nos garante a possibilidade de entendermos quem somos e interagirmos de forma menos racista no nosso mundo ocidental. Portanto, dou minhas congratulações pessoais ao meu querido amigo por mais este trabalho de afirmação da cultura e memória do povo negro brasileiro. Vamos em frente, não podemos parar! Axé e salve a fumaça! 


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!