sexta-feira, 21 de agosto de 2015

X Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá


X Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá
1835 - 2015 Malunguinho Histórico e Divino, 180 anos resistindo!

Dez anos do maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil. O Kipupa Malunguinho em sua décima edição, levará mais um ano para as matas sagradas do "Catucá" a alegria da fé do povo de terreiro, para celebrar o Reis Malunguinho, único líder quilombola a virar divindade na história de nosso país. Celebraremos os 180 anos de resistência da luta por liberdade do povo negro/indígena de Pernambuco. Com muito coco, ritual nas matas e muita troca de saberes, vivenciaremos coletivamente mais uma vez o hermanamento entre a religiosidade tradicional de terreiro e a cultura popular.

Informações básicas

Dia 27 de Setembro de 2015 (Domingo)

Das 09 às 18h

Local: Matas de Pitanga II, Abreu e Lima/PE (Sítio de Juarez) "Catucá"

Como chegar? 

O local do evento é um pouco complicado de chegar. Mas providenciaremos ônibus saindo da Igreja do Carmo do Recife às 7h da manhã. Valor da ida e volta para o mesmo local R$: 30. Bilhetes vendendo no box de Eliane dentro do Mercado de São José.

Terreiros e grupos podem organizar suas caravanas independentemente. 

Qualquer pessoa pode participar.

Terreiros podem levar ilús e demais instrumentos, além de suas oferendas próprias e irem vestidos com roupas tradicionais da Jurema.

Apresentações Culturais:

Grupo Bongar
Pandeiro do Mestre
Coco de Pareia 
Grupo Raízes
Lucas e Orquestra dos Prazeres (a confirmar) 

Contatos: 81. 99901-3736 / 98887-1496
quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com 

Para informações mais aprofundadas sobre o evento visitem:


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A Jurema Sagrada como patrimônio imaterial do Brasil - Perspectivas para um processo de patrimonialização

Assista toda palestra neste vídeo

A Jurema Sagrada como patrimônio imaterial do Brasil
Perspectivas para um processo de patrimonialização

No último dia 18 de Agosto de 2015, estive a convite do IPHAN, em sua sede em Brasília para participar como conferencista na Capacitação Interna para Gestão do Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro, apresentando uma conferência intitulada “Subsídios para preservação do Patrimônio Cultural de Terreiros: aspectos da tradição Jurema”.

 Palestra no IPHAN. Equipe do GTIT. Foto de Guitinho da Xambá.

O GTIT – Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Preservação do Patrimônio Cultural de Terreiros, foi o organizador desta atividade que foi exibida ao vivo via canal do youtube, com um grande grau de audiência, segundo os organizadores.

Pude apresentar a teologia da jurema com vasto material levado em Power Point e em artigos científicos que eu mesmo já publiquei em congressos. Fotografias, textos, vídeos, e muita discussão fizeram deste momento um dos mais ricos que já pude protagonizar. Não poderia ser diferente. Afinal, eu fui convidado para defender a Jurema Sagrada como patrimônio imaterial do Brasil, e para isso naturalmente teria que ter um conteúdo à altura.

A equipe do GTIT foi de uma sensibilidade imensa, me tratando super bem e dando todas as condições para que eu pudesse expor tudo aquilo que venho pesquisando e vivenciando durante toda minha vida. Foi uma experiência privilegiada.

A invisibilidade e ostracismo que o culto da Jurema Sagrada foi acometido durante tantas décadas, sobre tudo por causa da falta de interesse dos acadêmicos em pesquisá-la e a falta de auto-estima do próprio povo de terreiro do Nordeste, que vê ainda no Orixá a legitimação única de sua condição de sacerdote etc. está sendo extinguida devido a momentos como este. Não podemos ser mais invisíveis. Temos que ocupar todos os espaços que são para o povo de terreiro, sem vergonha de nossas pertenças religiosas.

Ter discutido a questão Afro-Indígena foi um dos pontos fortes desta palestra. Afinal, compreendo que temos que transcender este ponto. Não se pode discutir religiões de terreiro no Brasil apenas citando as de matriz africana. As religiões de matrizes indígenas, como é o caso da Jurema e outras, existem e também são fortes como as demais. Também, se buscarmos profundamente argumentos científicos veremos que somos um povo afro-indígena, e que nossas práticas estão completamente imbricadas. Isso naturalmente foi fruto do processo histórico que vivenciamos, e que temos que respeitar.

A Jurema tem uma cultura densa. Uma tradição ampla e cheia de elementos belíssimos. Sua cosmologia e mitologia são grandiosas. Seus ritos complexos. Sua forma de ser típica e tradicional. A Jurema tem fundamento e elementos próprios que a dão sem dúvidas a condição de religião independente das demais. Ela não é um apêndice da umbanda ou do “xangô de Pernambuco”, a Jurema é uma RELIGIÃO, sem sombra de dúvidas! Afirmar isso infelizmente ainda é um processo necessário de legitimação, afinal, alguns pesquisadores do passado a colocaram como religião impura, misturada, degenerada e que seria na visão deles um apêndice das demais, sem ter uma independência religiosa própria. Teremos que desconstruir este processo que nos acarretou o ostracismo e a quase total ausência de reconhecimento por parte das demais religiões de terreiro e da sociedade. Este trabalho não é fácil, mas estamos conseguindo passo a passo reverter esta injusta condição que os processos de opressão da história nos forçaram a vivenciar.

O processo de patrimonialização da Jurema é algo que deve ser celebrado por todos nós juremeiros e juremeiras. Este é um reconhecimento importante que o Estado brasileiro tem que nos dá. É apenas mais um dos tantos processos de reparação que nosso povo tem que ser beneficiado. Sermos patrimônio imaterial do Brasil é sinônimo de avanço para nosso povo que precisa a cada dia mais de elementos que nos legitimem perante a sociedade para conseguirmos vencer o racismo e a intolerância religiosa. Esta é uma construção legítima que merece nossos aplausos.

Eu e Guitinho da Xambá. 

Também esteve presente o Guitinho da Xambá (do Grupo Bongar), representando a tradição Xambá. Somos jovens que damos continuidade a luta de nossos ancestrais com muito pertencimento e respeito, além de legitimidade. Sua palestra foi muito rica e aprendi muito sobre a Nação Xambá, que eu tanto amo. Parabéns pela bela apresentação.

Agradeço muito à Jurema e ao Reis Malunguinho por me darem esta condição de defender nossa religião. Isso me deixa muito feliz, afinal, ter a confiança das entidades e divindades da Jurema é um privilégio. Compartilhar desta fumaça sagrada é algo dignificante, ser juremeiro é uma honra.

Obrigado a George Bessoni do IPHAN/PE que me indicou, seguimos juntos nestas lutas... Obrigado a todos e todas do GTIT. Passamos um dia ótimo juntos. Produzimos bastante, afinal três horas e meia de troca de saberes foi o mínimo que pudemos fazer para dar conta de conteúdos tão esquecidos como são (ou eram) os pertinentes a Jurema Sagrada. Rogo a todos os índios e caboclos, mestres e mestras, pajés, caciques, trunqueiros, reis, divindades e entidades que faça com que a roda continue girando e que consigamos fazer um grande trabalho real de catalogação e registro dos bens imateriais e matérias da Jurema Sagrada.

Eu e Equipe do GTIT. Foto de Guitinho da Xambá.

Assistam toda conferência no vídeo do youtube no início desta postagem.

Salve a fumaça!
Sobô Nirê Mafá!

“Quanto mais meu lírio cheira, é pau, é pau, é pau”!
“Eu mesmo vou, eu não mando recado”!

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Jurema Sagrada - Patrimônio Imaterial do Brasil


Jurema Sagrada 
Patrimônio Imaterial do Brasil! 

É com imenso prazer que divulgo e convido meus irmãos de luta para neste dia 18/08 no IPHAN Nacional em Brasília participar da defesa da Jurema Sagrada como Patrimônio Imaterial do Brasil. 

Esta capacitação servirá para que o IPHAN possa ter os argumentos necessários para dar o título a Jurema Sagrada de Patrimônio Imaterial do Brasil. Ista é uma coisa muito importante.

Quando penso que a força de meu Reis Malunguinho já me fez ir muito longe, ele me prova que posso ir bem mais... Sobre tudo para defender o interesse de todo nosso povo. De todo nosso coletivo. 

Esta é uma responsabilidade que enfrento com muito orgulho e prazer. Estou preparado para ensinar ao IPHAN Nacional tudo que se faz necessário para que consigamos este título. 

Torçam por mim. Vibrem. Esta luta é nossa. Fui selecionado para tal feito devido ao trabalho que realizo a mais de 15 anos. Isso é gratificante. 

Sobô Nirê Mafá! 

Obrigado senhores mestres e índios de minha Jurema. 

Salve a fumaça!! 

Quem vai estar comigo nesta luta defendendo a tradição Xambá é Guitinho do Bongar Grupo​. Vai ser lindo!  Salve!! 

CONVITE OFICIAL DO IPHAN

Convidamos todos a participarem do 4º encontro da Capacitação Interna para Gestão do Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, ação coordenada pelo GTIT – Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Preservação do Patrimônio Cultural de Terreiros.

As comunicações coordenadas serão ministradas por Guitinho da Xambá da tradição Xambá e por Alexandre L’Omi L’Odò da tradição Jurema. Os palestrantes abordarão aspectos de suas respectivas tradições e sua relação com as políticas de preservação do patrimônio cultural.

A capacitação ocorrerá no dia 18 de agosto de 2015,  com atividades pela manhã às 09h30 e de tarde às 14h30. A participação remota ocorrerá através do envio de questões pelo e-mail do GTIT.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Ilé Iyemojá Ògúnté - Resgatando a tradição da Jurema Sagrada de seus ancestrais

Participantes da reunião de Jurema. Foto: Acervo de Alexandre L'Omi L'Odò.

Ilé Iyemojá Ògúnté - Resgatando a tradição da Jurema Sagrada de seus ancestrais

Após mais de 20 anos sem realizar o culto da Jurema Sagrada dentro do Ilé Iyemojá Ogunté, no dia 11 de Agosto de 2015 nos reunimos para reviver e reativar a força profunda da tradição da casa. 

Foi um momento muito lindo e cheio de força e ciência. Os senhores mestres se fizeram presentes para retomar sua história por completo. Vivenciamos uma noite de emoção e de renovação. 

Estou muito feliz de ter podido me fazer presente neste dia. Ter podido cantar na mesa e compartilhar deste saber tão grandioso, que é o saber da família materna de minha iyalorixá e meu babalorixá. Saberes de Dona Leônidas da Costa. 

Estou de alma lavada. Leve e limpa. Feliz demais por dentro. Enfim a Jurema triunfou dentro da casa mais tradicional do nagô de Pernambuco. E os Orixás permitiram!!! 

Esta foi só um dentre as tantas que ainda iremos fazer. Afinal o Mestre Antônio mandou. E os Caboclos confirmaram. 

Parabenizo a atitude e persistência de Bárbara, que está na luta pelo fortalecimento do Ilé. Que a fumaça a proteja. 

Não poderia deixar de registrar este momento aqui no meu blog. Em breve virão mais escritos sobre este processo de retomada histórica do culto da Jurema no terreiro.  

Salve a Jurema Sagrada! 
Salve nossa corrente forte e inquebrável. 
Sobô Nirê Mafá.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Seminário Malunguinho - 180 anos vivo na alma de um povo

Malunguinho
180 vivo na alma de um povo

 Um herói negro há 180 anos atrás foi morto violentamente nas terras da antiga Maricota, hoje Abreu e Lima/PE. Foi comunicada e registrada sua morte em 18 de Setembro de 1835. Seu nome era João Batista, último líder do Quilombo do Catucá, conhecido como Malunguinho, herói do povo negro e indígena de Pernambuco.

Sua força, luta e valor foram tão grandes que seu povo o reconheceu, e o imortalizou na Jurema Sagrada como divindade, o Reis da Jurema, o Reis da Mata, o Reis Malunguinho, chefe mitológico dos portões sagrados desta religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil. Ele é o único líder quilombola da história do país a ter sido deificado, certificando assim sua importância histórica na luta por liberdade dos negros(as) e indígenas na Mata Norte de Pernambuco, na primeira metade do século XIX.

Exú/trunqueiro, Caboclo, Mestre e Reis. Malunguinho não foi apenas um, mas sim vários líderes que por mais de 40 anos lutaram no Catucá por liberdade, direitos iguais e reforma agrária.

No passar de 180 anos, se assistiu a falsa “abolição da escravatura”, a luta por cidadania dos negros(as) e indígenas neste país. Vimos os movimentos negros crescerem e as lutas indígenas ocuparem gradativamente o cenário político. Assistimos o STF aprovar por unanimidade a legalidade das cotas raciais, e, antes deste fato, vivenciamos a efetivação dascotas para negros(as) e indígenas nas universidades... Também vimos o povo de terreiro de todo Brasil se levantar e partir para a luta por espaço político, se organizando em conferências nacionais de promoção de igualdade racial, cultura e direitos humanos entre outras. Muitos fatos de reversão histórica da posição desprivilegiada da população negra e indígena ainda estão em lento processo de consolidação, e Malunguinho, em seu cosmos, vivo na alma do Povo da Jurema, ajudou, e ainda ajuda estas populações a sobreviverem a todas violações de direitos humanos, racismo e intolerância religiosa que nossa sociedade ainda proporciona abertamente. Nestes 180 anos, desde a morte de João Batista, o acolhimento, a defesa e a força de sua história ainda nos inspira a celebrá-lo pelos seus feitos que permeiam nossos cotidianos.

Nos últimos 11 anos o QCM – Quilombo Cultural Malunguinho, inspirado pela pesquisa do professor PhD Marcus Carvalho e, pelo sonho do extermínio do racismo, resolveu trazer a tona a figura de Malunguinho como forma de revelar heróis negros e indígenas do Brasil. Estratégia de luta e resistência para o fortalecimento da auto-estima das populações negras e indígenas e povos tradicionais de terreiro, que sofrem sem grandes referenciais heróicas. O QCM, que realiza diversas atividades entorno destes temas, mais uma vez celebra a memória de Malunguinho como nosso herói negro/indígena pernambucano, e também nosso patrono espiritual.

Em parceria com o Professor Dr. Marcus Carvalho - UFPE e a FUNDAJ – Fundação Joaquim Nabuco, realizam o Seminário “Malunguinho – 180 anos vivo na alma de um povo”, com o objetivo de congregar os saberes acadêmicos sobre a história dos quilombos e resistência negra/indígena em Pernambuco, a discussão sobre direitos humanos e intolerância religiosa, meio ambiente, história e os saberes tradicionais do povo de terreiro.

Esta atividade acontecerá fortalecida pela lei estadual da Semana da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana, a Lei Malunguinho de n°. 12.635/07, fruto de toda esta luta.

Sobô Nirê Mafá!

Que todas as nações e povos sejam bem vindos!

Alexandre L’OmiL’Odò
Coordenação Geral


Seminário
Malunguinho – 180 anos vivo na alma de um povo

Dia 04 de Setembro de 2015

Horário: 08 às 17h

Local: FUNDAJ – Fundação Joaquim Nabuco
Av. 17 de Agosto, 2187 – Casa Forte - Auditório Calouste Gulbenkian

150 vagas

Será dado certificado

Cerimonial Ricardo de Tertuliano

Inscrições pelo e-mail: quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com
Secretária: Maria Betânia de Sibamba – 81 99901-3736 (TIM) / 98810-5925 (Oi)

Informações gerais em: www.qcmalunguinho.blogspot.com


Programação

Dia 04/09

- Programação sujeita a alterações

De 08 às 09h – Credenciamento no local do evento

09h – Abertura: Ritual com sacerdotes da Jurema celebrando Malunguinho

09:20h – Mesa Institucional de Abertura com representantes religiosos, instituições e academia

09h e 40min – Conferência Magna – Malunguinho - 180 anos vivo da alma de um povo.

Conferencista: Professor PhD Marcus Carvalho – UFPE

Coordenador da Mesa: Hildo Leal da Rosa – Arquivo Público Estadual/PE

Expositores: Quilombo Cultural Malunguinho - Professor Mestrando Alexandre L’Omi L’Odò – UNICAP e Professor João Monteiro

10h e 30min – Debate

11h – Coffe Breack

11:20h – Mesa redonda: A Jurema como elemento de preservação da história

Palestrante: Professor Dr. Sandro Guimarães de Salles – UFPE

Coordenador da Mesa: Professor Dr. Sergio Sezino Douets Vasconcelos - UNICAP

12h – Debate

12:30h – Almoço - Restaurante Solar do Carrapicho (no local do evento)

14h – Mesa Redonda – Povos indígenas em Pernambuco: afirmando suas expressões socioculturais para garantia de direitos

Palestrante: Professor Dr. Edson Silva - UFPE

Coordenador da Mesa: Rogério Onofre - Estudante de História UFPE e indígena do Povo Fulni-ô de Águas Belas/PE.

14:40h – Debate

15h – Mesa Redonda – O Povo de Terreiro e a luta por direitos humanos no Brasil – 180 de violações

Palestrante: Professora Dra. Marga Janete Ströher – Núcleo de Pesquisa de Gênero EST/RS e RENADIR

Coordenador da Mesa: Paulo Roberto Xavier de Moraes - Secretário Executivo de Diretos Humanos da PCR (a confirmar)

15:40h – Debate

16h – Coffe Breack

16:15h – Conferência de Encerramento: Racismo e luta do povo negro no Brasil

Conferencista: Professor Dr. José Jorge de Carvalho – INCTI/UnB

Debatedora: Professora Dra. Cibele Barbosa da Silva Andrade - FUNDAJ

Coordenador da Mesa: Alexandre L'Omi L'Odò - QCM e Coordenador geral do Seminário.

16:50 – Debate

17h – Encerramento – Celebração Fumaçada dos Senhores Mestres

Instituições de apoio: Terreiro de Jurema Casa das Matas do Reis Malunguinho e Ilé Iyemojá Ògúnté.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomildoo@gmail.com 
Coordenação Geral

domingo, 26 de julho de 2015

Seminário Malunguinho - 180 anos vivo na alma de um povo - Capa para facebook


Seminário Malunguinho - 180 anos vivo na alma de um povo


Fizemos esta capa para facebook para que nossos parceiros nos ajudem a divulgar na internet o seminário. Se todos poderem colocar em seus face's será muito bonito. Todos unidos pela valorização de nossas tradições de terreiro. 

Salve a fumaça!
Sobô Nirê Reis Malunguinho!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 
Coordenação Geral

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Acorda Povo de Peixinhos 2015 - Um sucesso comunitário

Acorda Povo de Peixinhos. Saída. Foto de Marquito.

Acorda Povo de Peixinhos
Um sucesso comunitário

Este ano de 2015, recebi pela primeira vez em minha casa a Bandeira de São e dos Santos juninos Santo Antônio e São Pedro, além de andor, estrela e balão. Este ritual comunitário chama-se Acorda Povo, que no bairro de Peixinhos existe a mais de 50 anos.

Na virada do dia 22 de junho para o dia 23, fui buscar, junto aos meus afilhados de jurema, na Rua da Caixa D’água, no mercadinho de Laércio a procissão. Lá já se encontrava o andor enfeitado e todos os elementos necessários para realizarmos esta tradição que leva todos os anos cerca de 500 pessoas às ruas do bairro na madrugada.

O GCASC – Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças, organizador a 29 anos desta tradição, durante a noite do dia 22 realizou apresentações de quadrilha junina tradicional, fez roda de coco e animou a Av. Nacional com muita alegria das crianças pertencentes à instituição. Já perto da meia noite, horário sagrado para início dos rituais, todos se destinaram ao local onde ano passado foi deixada a bandeira (barraca de Laércio)...

Neste momento, a Rede Globo (que pela primeira vez filmou a tradição) chegou para fazer uma matéria e filmou parte da atividade (ver no link no final do texto). Muito animado, o ritual começou comigo cantando alguns cocos junto com Anjinha do GCASC. Cantei também para Xangô e ali os tambores esquentaram para seguir o cortejo.

Rede Globo Filmando o Acorda Povo. Foto de Marquito.

 Comunidade de Peixinhos toda presente no Acorda Povo. Foto de Marquito.

Saída da Bandeira da CAsa de Laércio na Rua da CAixa D'água. Foto de Vanessa.

Logo deu meia noite em ponto, e em meio aos fogos de artifício, cantamos:

“Dona Ana saia pra fora, entregue a bandeira que chegou a hora... Acorda Povo que o galo cantou, São João é primo do Senhor. Que bandeira é essa que vamos levar? São João para festejar”...

Tiramos a bandeira e o andor e seguimos a procissão pelas ruas de Peixinhos ao som dos tambores que tocavam o ritmo do coco, acompanhados por ganzás, pandeiros, caixa e palmas de mão.

A esta altura, eu já estava muito emocionado e concentrado na energia de Xangô, pedindo por nossa paz e harmonia. Firmando o pensamento nas coisas boas que este Orixá sincretizado com São João poderia me dar devido a meu sacrifício e devoção. Vibrei muito carregando nas mãos o Oxê de Xangô, machado duplo que representa esta divindade.

A multidão feliz cantava alto e vibrava muito. Fogos, palmas de mão, saudações a Xangô e São João invadiram a madrugada silenciosa do bairro acordando de fato todo Povo.

Cantando para Xangô na hora da saída da Bandeira de São João. Foto de Marquito.

Procissão do Acorda Povo pelas ruas de Peixinhos. Foto de Marquito.

Procissão do Acorda Povo pelas ruas de Peixinhos. Foto de Marquito.

Multidão nas ruas de Peixinhos. Foto de Marquito.

Fé no Acorda povo de Peixinhos. Foto de Marquito.

Fé no Acorda Povo de Peixinhos. Foto de Marquito.

 Andor de São João. Foto de Ana Paula Rodrigues.

Alexandre L'Omi L'Odò celebrando Xangô nas ruas de Peixinhos. Foto de Mariana Vasconcelos.

Altar de Xangô em frente a minha casa. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Em frente da Casa das Matas do Reis Malunguinho. Chegada da Bandeira. Foto de Marquito.

Oriosvaldo de Almeida e Ricardo Nunes no momento da chegada da Bandeira. Foto de Marquito.

Saí correndo na frente para estar em casa na hora de receber a bandeira. Feliz com as pessoas que lá estavam, vibramos muito com a chegada da procissão na Rua da Harmonia. Nunca este Acorda Povo tinha entregado a bandeira na nossa rua, e este foi mais um fato a se comemorar. A vizinhança toda compartilhou deste momento e foi lindo demais.

Troquei de roupa, vesti-me todo de branco e aguardei... E logo em frente da minha casa se encontrava uma das imagens mais lindas que já vi... Uma multidão cantando, tocando e dançando, celebrando São João e Xangô, uma vibração tão forte que contagiou todos. Logo cedo, o banho de ervas sagradas já tinha sido preparado para o ritual do banho de São João. Toda pessoa que recebe a bandeira, tem que tomar no ato do recebimento um banho de água fria com ervas e outros elementos de axé. Quem me deu o banho foi Oriosvaldo de Almeida – Orí, poeta magnífico e grande mestre da educação da comunidade. Fiquei muito orgulhoso de ter recebido dele este axé. Afinal, este evento também é uma forma de ser consagrado pela comunidade como líder comunitário. Nesta hora me emocionei muito e senti o estremecimento do Orixá. Foi muito forte. Orei e pedi axé... Malunguinho e Xangô estavam muito próximos espiritualmente.

Banho de São João na entrada de minha casa. Foto de Taciana Renata.

Recebendo o banho pelas mãos de Oriosvaldo ed Almeida. Foto de Taciana Renata.

Colocamos andor e tudo mais pra dentro de casa e começamos a festa. Neste momento coloquei os Ilús pra tocar... Rinaldo Karinbó e Maia foram os Ogans responsáveis por me acompanhar nos cânticos para Xangô. Vibramos ao toque do Alujá e cantei toadas do nagô pernambucano para o Rei de Oyó.

O juremeiro e apresentador de palco Ricardo Nunes fez toda locução e apresentou o coco no terreiro. A festança ficou por conta do Grupo Raízes, parceiras que vieram do terreiro de Dona Marinalva do Xambá em Sapucaia para nos brindar com o baque forte do ritmo do coco desta nação. Abalaram Peixinhos! Os presentes dançaram muito e vibraram com muita emoção.

Outros artistas se fizeram presentes pra cantar o coco como Guitinho da Xambá, que animou a festa com os cocos do Grupo Bongar. Nino do Xambá também veio tocar, e fez o couro do bombo tremer. A presença destes parceiros aqui em casa me deixou muito contente.

Outras mestras de Peixinhos cantaram também... Maria do Coco por mais de meia hora cantou cocos antigos da comunidade e fez a poeira subir com muito pertencimento. Chamou também por Dona Elisa do Coco, que não compareceu por estar organizando outro acorda povo no momento. Eu também cantei, como não poderia ser diferente. Celebramos juntos e dançamos bastante.

Grupo Raízes fazendo a festa no Acordo Povo. Foto de Ana Paula Rodrigues.

Cantora Lila cantora do Grupo Raízes. Foto de Marquito.

Guitinho do Grupo Bongar fazendo a festa. Foto de Ana Paula Rodrigues.

Guitinho do Bongar cantando coco e animando a jurema. Foto de Ana Paula Rodrigues.

Maria do Coco, mestra de tradição de Peixinhos. Foto de Marquito.

Maria do Coco fazeno a festa no terreiro. Foto de Ana Paula Rodrigues.

Servimos comidas típicas, refrigerantes e vinho. A comunidade comeu e bebeu bastante rsrsrsrsrs. Servi o vinho de mão em mão... Ato que me era obrigatório devido aos mandados da Jurema.

Dançamos e tocamos até às 4h. Hora que finalizamos re-organizando tudo e trabalhando bastante pra desmontar a festa...

Cansados mas muito felizes, todos que contribuíram com o Acorda Povo, se confraternizaram e oraram na fé em Xangô.

Neste momento também foi a abertura oficial da Casa das Matas do Reis Malunguinho, meu terreiro de Jurema, que embora não esteja em endereço fixo ainda, atende pessoas de todos os lugares nas suas necessidades. Fiquei muito feliz com isso. Mais uma etapa cumprida de  minha jornada de sacerdote juremeiro.

Só tenho a agradecer a minha família e a todos meus afilhados e afilhadas de jurema e Orixá, além dos amigos e amigas. Sem vocês jamais teria conseguido fazer algo tão grandioso e cheio de luz.

Agradeço às minhas vizinhas Geane Brito e Aline, além de Tiago e Dinha por terem caído pra dentro e nos ajudado bastante desde montar a fogueira até a decoração. Ainda ajudaram a servir as comidas na rua. Vocês tiveram uma atitude linda. Obrigado demais.

Obrigadão à Maria Betânia que fez a decoração com tanto carinho e amor, e ainda ajudou a fazer as comidas... Você é uma especialidade. Cambona de Malunguinho valente! Obrigado também a minha afilhada Vanessa, que veio pra cá e passou o dia ajudando e arrumando tudo. Montou e desmontou conosco o evento.

Obrigado à Ricardo Nunes e família. Ele mesmo rouco se garantiu em fazer a locução do evento com muito profissionalismo. Além de ter ajudado em tudo.

Obrigado especial a minha mãe, que às cinco da manhã estava ainda varrendo a rua e limpando o restante das coisas que ficou para ajeitar.

Enfim, obrigado à Xangô, à Malunguinho, à Oxum, à Exú e a São João. Eles foram os grandes parceiros espirituais desta missão. Axé.

Viva São João!
Viva Xangô!
Viva Malunguinho!
Viva a todos nós.

Felicidade é pouco. Meu coração esta cheio de luz depois deste Acorda Povo. Obrigado Olorun por tantas vitórias em minha vida. Axé!

Servindo vinho para a comunidade. Feliz estava eu. Foto de Marquito.

Firmando a fé no fogo de Xangô. Foto de Vanessa.

Altar de Malunguinho. Foto de Vanessa.

Viva São João Xangô Malunguinho! Foto de Taciana Renata.

Axé Xangô! Foto de Vanessa.

Até ano que vem, no dia 22 de junho de 2016. Momento que entregarei a bandeira à outra pessoa da comunidade. Este ano de 2015 serei o guardião da tradição! Minhas obrigações com Xangô estão firmadas! Salve a fumaça!

Links

Matéria da Rede Globo:

Matéria no Diário de Pernambuco:


Alexandre L’Omi L’Odò
Casa das Matas do Reis Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!