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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Acorda Povo de Peixinhos 2017


Acorda povo de Peixinhos 2017

Vejam todas as informações do Acorda Povo de Peixinhos, que acontecerá de amanhã, dia 22 de Junho de 2017, com início às 19h em frente ao GCASC.

O Acorda Povo sairá da Rua do Cajueiro (não de minha casa, pois ano passado entreguei a bandeira e andor lá, como manda a tradição). A saída é de meia noite (00h), e retornará para o GCASC - Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças.

Vai ter coco, forró, quadrilha, tudo que manda o São João tradicional, pois nossa comunidade mantém as tradições com muito afinco!

Este Acorda Povo gritará para os quatro cantos da comunidade #ForaTemer! Isso faz parte de nossa forma de fazer cultura tradicional. 
Qualquer coisa me liguem no 81 995257119.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Olinda - um caos cotidiano que deve ser denunciado!

Alexandre L'Omi L'Odò. Foto de Marcílio da Costa.

Olinda - um caos cotidiano que deve ser denunciado!

Olinda - "É tão fácil falar de coisas tão belas, de frente pro mar e de costas pra favela" Marcelo D2. 

Eu moro em Peixinhos desde que nasci. Todo mundo sabe. Convivo cotidianamente com o descaso total da gestão pública que abandonou nosso bairro e nossa Cidade, entregando-nos ao ostracismo político e de infra estrutura. 

Lama, esgoto à céu aberto, desorganização urbana (tem casa construída quase que no meio da rua), violência, drogas, mal atendimento da COMPESA (água quase não chega nunca), uma feira infecta que está abandonada, uma AV. Presidente Kennedy que já matou mais que nosso histórico de assassinatos locais, um sistema de transporte público desrespeitoso, etc. 

Se eu fosse elencar todos os nossos problemas estruturais, escreveria um relatório geral de muitas páginas. Isso será feito um dia. Mas não vem ao caso agora. 

Parei para fazer uma reflexão hoje perante a grande beleza do Alto da Sé. Ao olhar tamanha poesia visual que encanta qualquer pessoa no mundo, compreendi que devemos pensar nossa cidade como um todo, não apenas como uma parte bonitinha que serve de cartão postal para atrair turistas. 

Mesmo no sítio histórico, há evidentes problemas de segurança e infra estrutura. É so andar um pouco nas belas ruas históricas que observamos facilmente isso. Cultuar popular nas ruas? Não existe... A prefeitura sequer garante uma política pública de Turismo e Cultura que faça valer minimamente a forte presença das culturas tradicionais de nossa cidade. Quem vem pra Olinda sai com sede de ver o que achava que veria... 

Temos que parar e pensar. A Câmara de vereadores da nossa Cidade, tem que se renovar imediatamente. Temos que renovar a gestão e apostar em um projeto de cidade que contemple verdadeiramente nossas necessidades. 

Confio que não cairemos mais em armadilhas que possam nos afundar mais ainda na lama e no esgoto das ruas e da política. Temos que votar conscientes e perseverantes em novos e bons rumos para nossa bela Olinda. 

Creio nas perspectivas de sustentabilidade, respeito à Diversidade, direitos humanos, da luta contra o racismo, do fortalecimento da educação em todos os seus âmbitos, não ao neoliberalismo, participatividade das comunidades na gestão, transporte público de qualidade,  cidade para todas e todos, respeito ao eco sistema, fortalecimento efetivo da cultura tradicional e poular local, não à politicagem, não à exploração imobiliária, justiça para todas e todos e respeito sobretudo à supremacia da DEMOCRACIA. 

Olinda como está não pode continuar! Somos o povo e vamos mostrar nas urnas o que queremos! 

Não posso olhar apenas para beleza do mar e iludir-me com a falsa impressão de encantamento. Tenho que viver o amor à beleza da nossa Cidade, mas também  devo encarar a verdade das favelas e observar que não devemos nos omitir perante tanta desumanidade conosco. Cidade bonita é a cidade que seu povo esta feliz por ter condições de viver bem e com segurança para todxs. 

"Oh linda situação" para mudarmos tudo que não está belo em Olinda! 

#AlexandreLomi2020! 
#OLINDAMERECERESPEITO! 

Alexandre L'Omi L'Odò​
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Intolerância Religiosa: Direito de ir, vir e seguir suas crenças sem desrespeito

 Alexandre L'Omi L'Odò em frente ao Terminal Integrado Xambá. Foto de Rafael Martins/DP.

Direitos Humanos
Intolerância Religiosa: Direito de ir, vir e seguir suas crenças sem desrespeito

Marcionila Teixeira
Matéria impressa do Diário de Pernambuco, 
Sab. e Dom. 15/10/2016. Caderno 3, páginas 3.1, 3.2 e 3.3.

Uma regulamentação do Sistema de Transporte Público de Passageiros da Região Metropolitana do Recife (STPP/RMR) proíbe a atividade de vendedores ambulantes dentro dos veículos, assim como qualquer usuário falar em voz alta, seja para vender, anunciar, pedir ou pregar religiões. Se a regra fosse cumprida como deveria, o sacerdote da jurema Alexandre L’Omi L’Odò não teria vivido uma cena constrangedora dentro de um ônibus da linha TI Xambá, no Terminal Integrado de Xambá, em Olinda. O caso aconteceu em junho e foi parar no Ministério Público de Pernambuco (MPPE) depois de uma grande repercussão nas redes sociais. Quatro meses se passaram e ainda não houve conclusão.

Era noite quando Alexandre entrou no coletivo com um amigo com destino a Água Fria, no Recife. Dentro do ônibus, um vendedor de açaí começou a fazer uma pregação evangélica, citando, inclusive, a existência de um terreiro de macumba atrás da estação, o Xambá, comandado por um “negão pai de chiqueiro”, referindo-se ao babalorixá Ivo de Xambá.

Nesse momento, Alexandre, que é do Centro Cultural Malunguinho e estudante do mestrado em Ciências da Religião da Universidade Católica de Pernambuco, sentiu-se ofendido e reagiu, argumentando sobre desrespeito. “O MPPE me comunicou que já acionou o Grande Recife e que estão aguardando o tempo para ter audiência e conversa sobre o fato. No momento, só posso esperar, pois o lado acionado tem um prazo para se pronunciar”, lamenta Alexandre.

Digitalização da matéria impressa. Diario de Pernambuco 15/10/2016. Caderno 3, páginas 3.1, 3.2 e 3.3.

Segundo o Grande Recife, cabe aos motoristas solicitarem que as pessoas flagradas desrespeitando o regulamento se retirem. Quando são flagradas pelos fiscais, as empresas são autuadas. Em nota, o consórcio disse ter solicitado ao MPPE uma extensão no prazo da resposta. “O pedido foi necessário devido ao primeiro entendimento do órgão, que a princípio pensou se tratar de comércio informal dentro do veículo. No decorrer da ação, foi constatado que se tratava de intolerância religiosa, tema do qual o Grande Recife não tem competência”.

Uma das fundadoras do Comitê Nacional de Diversidade Religiosa, Marga Ströher orienta as vítimas a se defenderem. “A intolerância e o racismo muitas vezes são naturalizados e aceitos passivamente, apesar do enorme sofrimento que provocam”, reflete.

Para acessar a matéria no site do jornal, visite: http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2016/10/17/interna_vidaurbana,670422/direito-de-ir-vir-e-seguir-suas-crencas-sem-desrespeito.shtml  


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Publico só agora esta matéria em meu blog devido a não tê-la achando anteriormente no site do Jornal Diario de Pernambuco. Compartilho este texto super digno da jornalista Marcionila Teixeira para que fique-se sabendo que os processos de intolerância religiosa são muito violentos contra o povo de terreiro. Temos que reagir e nos impor perante este tipo de opressão. O Ministério Público ainda não resolveu o caso. Ainda estou buscando soluções para o crime que sofri. Com fé na Jurema Sagrada vamos vencer! Sobô Nirê Mafá!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Cavando espaço político

Alexandre L'Omi L'Odò. Foto de Brenda Alcântara.

Cavando espaço político

Religiões afro-descendentes querem representantes dos terreiros nas casas legislativas para combater intolerância religiosa

Tércio Amaral
Tercioamaral.pe@dabr.com.br

Matéria do Diario de Pernambuco, de 14/02/2016 (Domingo), Caderno Política, página b5. Matéria de página inteira.

O ambiente abandonado, repleto de verde em suas ruínas, agrada aos Orixás, que recebem do cachimbo as primeiras fumaças de uma conversa no fim de tarde. O encontro marcado no Nascedouro de Peixinhos, antigo matadouro do bairro periférico de Olinda, tem um motivo: o terreiro é um lugar sagrado e muitas vezes não compatível com determinadas atividades, como entrevistas.

O sacerdote e juremeiro Alexandre L’Omi L’Odò tem pressa. Quer fazer justiça a uma ausência que vem desde os tempos do Brasil Colônia (1500-1808): a participação de pessoas ligadas a cultos afro-brasileiros na política. A decisão do juremeiro, que será candidato a vereador em Olinda pelo PHS, junta-se a de tantos outros no estado do mesmo segmento. Essas candidaturas começam a ganhar espaço como contraponto à bancada evangélica que cresce a cada eleição nas casas legislativas pelo país e à intolerância religiosa.

Digitalização de Matéria. Diário de Pernambuco, 14/02/2016. Caderno Política, p. b1. Chamada.

Vaidoso, Alexandre não revela a idade, mas quando o assunto é política, o discurso é bem afinado. Nascido na própria localidade de Peixinhos, tem formação em história e faz mestrado em ciências da religião na Unicap (Universidade Católica de Pernambuco). Uma de suas propostas é defender questões que já estão na Constituição Federal de 1988, ou seja, em vigor, mas não em prática.

 Digitalização de matéria. Diario de Pernambuco. 14/02/2016. Caderno Política. P. b5.

“Caso seja vereador de Olinda, vou propor a retirada do crucifixo do plenário da Câmara (Municipal) e a retirada de quadros de pseudo-heróis que atentaram contra o povo negro”, diz, ao se referir ao quadro de Bernardo Vieira de Melo, conhecido como carrasco de Zumbi dos Palmares. O dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro em homenagem ao quilombola, morto nessa data em 1695.

“Não vou pregar a intolerância, mas defender uma educação plural, sem o ponto de vista tradicional do cristão branco conservador. Pretendo dar protagonismo aos negros na nossa história e fomentar esse debate da pluralidade”, argumentou.

Assim como Alexandre, Edson Axé, 48 anos, é candomblecista e será candidato a vereador, mas no município de Recife.Seu partido é o PT. “Independentemente de qualquer eleição, nós já fazemos palestras em bairros e RPAs da capital, além de faculdades. A grande questão é o racismo, pois tanto o Candomblé quanto a Umbanda são religiões de raízes negras”, argumenta Edson Axé, que é estudante de direito e formado em gestão de pessoas.

Já o artista popular de Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, Serginho da Burra, que também será candidato pelo PT no município, adota o discurso de “contra-corrente”. Serginho, que é historiador, diz que muitos dos ataques sofridos em terreiros recentemente em são provenientes de grupos evangélicos neopentecostais.

“Esse grupo se organiza na política e quer que as pessoas sigam a doutrina deles. Está na hora de nosso povo se politizar. Quem sabe no futuro teremos um partido prórpio?”, planeja o pré-candidato a vereador em Goiana.

Pesquisador defende pluralidade

O pesquisador da Universidade de Pernambuco (UPE), Erisvelton Sávio de Melo, que concluiu o doutorado em antropologia no ano passado sobre ciganos, na UFPE, defende a pluralidade entre os representantes da política. Na sua avaliação, as candidaturas de segmentos religiosos marginalizados nestas eleições contribui para resgatar uma dívida histórica de grupos discriminados.

“O fato de haver representantes políticos desses segmentos religiosos pode ser visto como algo muito positivo, tendo em vista a diversidade das pessoas que compõe as identidades brasileiras. Identidades essas que parecem estar sendo homogeneizadas no quisito religioso sobre a égide cristã”, desse Erisvelton. No Recife, por exemplo, em um mapeamento realizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social, foram identificados 1,261 terreiros em 2010. Nenhum deles está articulado politicamente, com representantes eleitos, diferentemente das igrejas evangélicas.

A questão da pluralidade, reitera o pesquisador, vem sendo levantada pela “onda conservadora” protagonizada pela bancada evangélica no Congresso Nacional, com pautas como a “cura gay”. “É essencial para barrar essa onda capciosa de transformar assuntos de debates gerais que contemplem todos os eleitores/cidadãos, em vez de transformar o debate nem regime teocrático cristão, de ‘os salvos versus os condenados’”.

+SAIBA MAIS
+ O baixo índice de representatividade dos que se declaram pertencentes aos cultos afro-brasileiros na política ocorre por preconceitos criados historicamente no país desde os tempos da colonização portuguesa.

+ No senso comum, esses cultos são associados ao mal, à bruxaria, e o fato de ter entre praticantes grupos sociais (negros e índios) que foram escravizados e que se encontram em situação econômica inferior agrava a aceitação.

+ Umbanda é uma religião eminentemente brasileira, com doutrina própria. Não é a única, pois existem outras, como o Vale do Amanhecer, Santo Daime e Igreja Universal do Reino de Deus.

+ A Umbanda foi criada em 15 de novembro de 1908, na então capital do Brasil Rio de Janeiro, por Zélio de Moraes, que chegou a ser eleito vereador de São Gonçalo, em 1924, mas que abandonou a política em 1929.

+ A Umbanda, nos anos 1930, se consolida como parte da “identidade brasileira”, construída na Era Vargas, com os prenúncios da democracia racial, defendida nacionalmente pelo sociólogo pernambucano Gilberto Freyre.

+ Os Orixás na Umbanda passam por um processo de “embranquecimento”. É nesse momento que surgem representações de Yemanjás brancas e o sincretismo com santos da Igreja Católica, também brancos, como Jesus na figura de Oxalá.

+ Já no Candomblé é, desde sua formação, de povos afrobrasileiros (negros), e por isso é mais excluída. É fruto de uma junção de práticas religiosas de várias nações africanas, como Jeje, Angola, Banto, Nagô, Ketu.

+ Entre as diferenças entre Umbanda e Candomblé está o fato de no Candomblé ser permitido a sacralização de animais por meio de sacrifícios, a definição mais clara de hierarquia e o vestuário branco.

+ Outra Religião negra pouco conhecida no Brasil é o Islamismo, trazido por escravos negros durante a Colônia (1500-1808) e o Império (1822-1889). Escravos letrados liam os textos originais em árabe e alguns contribuíram com a Revolta dos Malês (1835), em Salvador.

+ Nos anos de 1930, no Estado Novo, houve uma perseguição sistemática às religiões afro indígenas brasileiras. Templos foram invadidos e seus praticantes presos e torturados. Objetos sagrados foram levados e transformados em peças de museu.

Fonte: prof. Dr. Erisvelton Sávio S. de Melo (NEPE-PPGA e LACC – UPE).

Alexandre L’Omi L’Odò
Historiador e Mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 24 de março de 2016

GT Racismo da PM e Alexandre L'Omi L'Odò junto à sua comunidade distribuindo cestas de alimentos.

Comunidade recebendo as cestas de alimentos.

GT Racismo da PM e Alexandre L'Omi L'Odò junto à sua comunidade distribuindo cestas de alimentos

Nesta última quarta, foi um dia muito lindo com a visita da Capitã Lúcia Salgueiro​ e sua equipe do GT Racismo da PMPE junto a Diretoria de Articulação Social e Direitos Humanos da PM na sede do Balé Afro Raízes​. Realizamos um ato de congregação com a comunidade de Peixinhos e a doação de alguns alimentos para os moradores. O dia foi de muito axé e trocas positivas de energia. Vamos fortalecer este trabalho da PM junto com nosso bairro. Se faz necessário! 

Parabéns ao GT Racismo da PM. Vocês são essenciais no processo de reversão histórica das mazelas de nossa sociedade. Firmes na luta!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Acorda Povo de Peixinhos 2015 - Um sucesso comunitário

Acorda Povo de Peixinhos. Saída. Foto de Marquito.

Acorda Povo de Peixinhos
Um sucesso comunitário

Este ano de 2015, recebi pela primeira vez em minha casa a Bandeira de São e dos Santos juninos Santo Antônio e São Pedro, além de andor, estrela e balão. Este ritual comunitário chama-se Acorda Povo, que no bairro de Peixinhos existe a mais de 50 anos.

Na virada do dia 22 de junho para o dia 23, fui buscar, junto aos meus afilhados de jurema, na Rua da Caixa D’água, no mercadinho de Laércio a procissão. Lá já se encontrava o andor enfeitado e todos os elementos necessários para realizarmos esta tradição que leva todos os anos cerca de 500 pessoas às ruas do bairro na madrugada.

O GCASC – Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças, organizador a 29 anos desta tradição, durante a noite do dia 22 realizou apresentações de quadrilha junina tradicional, fez roda de coco e animou a Av. Nacional com muita alegria das crianças pertencentes à instituição. Já perto da meia noite, horário sagrado para início dos rituais, todos se destinaram ao local onde ano passado foi deixada a bandeira (barraca de Laércio)...

Neste momento, a Rede Globo (que pela primeira vez filmou a tradição) chegou para fazer uma matéria e filmou parte da atividade (ver no link no final do texto). Muito animado, o ritual começou comigo cantando alguns cocos junto com Anjinha do GCASC. Cantei também para Xangô e ali os tambores esquentaram para seguir o cortejo.

Rede Globo Filmando o Acorda Povo. Foto de Marquito.

 Comunidade de Peixinhos toda presente no Acorda Povo. Foto de Marquito.

Saída da Bandeira da CAsa de Laércio na Rua da CAixa D'água. Foto de Vanessa.

Logo deu meia noite em ponto, e em meio aos fogos de artifício, cantamos:

“Dona Ana saia pra fora, entregue a bandeira que chegou a hora... Acorda Povo que o galo cantou, São João é primo do Senhor. Que bandeira é essa que vamos levar? São João para festejar”...

Tiramos a bandeira e o andor e seguimos a procissão pelas ruas de Peixinhos ao som dos tambores que tocavam o ritmo do coco, acompanhados por ganzás, pandeiros, caixa e palmas de mão.

A esta altura, eu já estava muito emocionado e concentrado na energia de Xangô, pedindo por nossa paz e harmonia. Firmando o pensamento nas coisas boas que este Orixá sincretizado com São João poderia me dar devido a meu sacrifício e devoção. Vibrei muito carregando nas mãos o Oxê de Xangô, machado duplo que representa esta divindade.

A multidão feliz cantava alto e vibrava muito. Fogos, palmas de mão, saudações a Xangô e São João invadiram a madrugada silenciosa do bairro acordando de fato todo Povo.

Cantando para Xangô na hora da saída da Bandeira de São João. Foto de Marquito.

Procissão do Acorda Povo pelas ruas de Peixinhos. Foto de Marquito.

Procissão do Acorda Povo pelas ruas de Peixinhos. Foto de Marquito.

Multidão nas ruas de Peixinhos. Foto de Marquito.

Fé no Acorda povo de Peixinhos. Foto de Marquito.

Fé no Acorda Povo de Peixinhos. Foto de Marquito.

 Andor de São João. Foto de Ana Paula Rodrigues.

Alexandre L'Omi L'Odò celebrando Xangô nas ruas de Peixinhos. Foto de Mariana Vasconcelos.

Altar de Xangô em frente a minha casa. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Em frente da Casa das Matas do Reis Malunguinho. Chegada da Bandeira. Foto de Marquito.

Oriosvaldo de Almeida e Ricardo Nunes no momento da chegada da Bandeira. Foto de Marquito.

Saí correndo na frente para estar em casa na hora de receber a bandeira. Feliz com as pessoas que lá estavam, vibramos muito com a chegada da procissão na Rua da Harmonia. Nunca este Acorda Povo tinha entregado a bandeira na nossa rua, e este foi mais um fato a se comemorar. A vizinhança toda compartilhou deste momento e foi lindo demais.

Troquei de roupa, vesti-me todo de branco e aguardei... E logo em frente da minha casa se encontrava uma das imagens mais lindas que já vi... Uma multidão cantando, tocando e dançando, celebrando São João e Xangô, uma vibração tão forte que contagiou todos. Logo cedo, o banho de ervas sagradas já tinha sido preparado para o ritual do banho de São João. Toda pessoa que recebe a bandeira, tem que tomar no ato do recebimento um banho de água fria com ervas e outros elementos de axé. Quem me deu o banho foi Oriosvaldo de Almeida – Orí, poeta magnífico e grande mestre da educação da comunidade. Fiquei muito orgulhoso de ter recebido dele este axé. Afinal, este evento também é uma forma de ser consagrado pela comunidade como líder comunitário. Nesta hora me emocionei muito e senti o estremecimento do Orixá. Foi muito forte. Orei e pedi axé... Malunguinho e Xangô estavam muito próximos espiritualmente.

Banho de São João na entrada de minha casa. Foto de Taciana Renata.

Recebendo o banho pelas mãos de Oriosvaldo ed Almeida. Foto de Taciana Renata.

Colocamos andor e tudo mais pra dentro de casa e começamos a festa. Neste momento coloquei os Ilús pra tocar... Rinaldo Karinbó e Maia foram os Ogans responsáveis por me acompanhar nos cânticos para Xangô. Vibramos ao toque do Alujá e cantei toadas do nagô pernambucano para o Rei de Oyó.

O juremeiro e apresentador de palco Ricardo Nunes fez toda locução e apresentou o coco no terreiro. A festança ficou por conta do Grupo Raízes, parceiras que vieram do terreiro de Dona Marinalva do Xambá em Sapucaia para nos brindar com o baque forte do ritmo do coco desta nação. Abalaram Peixinhos! Os presentes dançaram muito e vibraram com muita emoção.

Outros artistas se fizeram presentes pra cantar o coco como Guitinho da Xambá, que animou a festa com os cocos do Grupo Bongar. Nino do Xambá também veio tocar, e fez o couro do bombo tremer. A presença destes parceiros aqui em casa me deixou muito contente.

Outras mestras de Peixinhos cantaram também... Maria do Coco por mais de meia hora cantou cocos antigos da comunidade e fez a poeira subir com muito pertencimento. Chamou também por Dona Elisa do Coco, que não compareceu por estar organizando outro acorda povo no momento. Eu também cantei, como não poderia ser diferente. Celebramos juntos e dançamos bastante.

Grupo Raízes fazendo a festa no Acordo Povo. Foto de Ana Paula Rodrigues.

Cantora Lila cantora do Grupo Raízes. Foto de Marquito.

Guitinho do Grupo Bongar fazendo a festa. Foto de Ana Paula Rodrigues.

Guitinho do Bongar cantando coco e animando a jurema. Foto de Ana Paula Rodrigues.

Maria do Coco, mestra de tradição de Peixinhos. Foto de Marquito.

Maria do Coco fazeno a festa no terreiro. Foto de Ana Paula Rodrigues.

Servimos comidas típicas, refrigerantes e vinho. A comunidade comeu e bebeu bastante rsrsrsrsrs. Servi o vinho de mão em mão... Ato que me era obrigatório devido aos mandados da Jurema.

Dançamos e tocamos até às 4h. Hora que finalizamos re-organizando tudo e trabalhando bastante pra desmontar a festa...

Cansados mas muito felizes, todos que contribuíram com o Acorda Povo, se confraternizaram e oraram na fé em Xangô.

Neste momento também foi a abertura oficial da Casa das Matas do Reis Malunguinho, meu terreiro de Jurema, que embora não esteja em endereço fixo ainda, atende pessoas de todos os lugares nas suas necessidades. Fiquei muito feliz com isso. Mais uma etapa cumprida de  minha jornada de sacerdote juremeiro.

Só tenho a agradecer a minha família e a todos meus afilhados e afilhadas de jurema e Orixá, além dos amigos e amigas. Sem vocês jamais teria conseguido fazer algo tão grandioso e cheio de luz.

Agradeço às minhas vizinhas Geane Brito e Aline, além de Tiago e Dinha por terem caído pra dentro e nos ajudado bastante desde montar a fogueira até a decoração. Ainda ajudaram a servir as comidas na rua. Vocês tiveram uma atitude linda. Obrigado demais.

Obrigadão à Maria Betânia que fez a decoração com tanto carinho e amor, e ainda ajudou a fazer as comidas... Você é uma especialidade. Cambona de Malunguinho valente! Obrigado também a minha afilhada Vanessa, que veio pra cá e passou o dia ajudando e arrumando tudo. Montou e desmontou conosco o evento.

Obrigado à Ricardo Nunes e família. Ele mesmo rouco se garantiu em fazer a locução do evento com muito profissionalismo. Além de ter ajudado em tudo.

Obrigado especial a minha mãe, que às cinco da manhã estava ainda varrendo a rua e limpando o restante das coisas que ficou para ajeitar.

Enfim, obrigado à Xangô, à Malunguinho, à Oxum, à Exú e a São João. Eles foram os grandes parceiros espirituais desta missão. Axé.

Viva São João!
Viva Xangô!
Viva Malunguinho!
Viva a todos nós.

Felicidade é pouco. Meu coração esta cheio de luz depois deste Acorda Povo. Obrigado Olorun por tantas vitórias em minha vida. Axé!

Servindo vinho para a comunidade. Feliz estava eu. Foto de Marquito.

Firmando a fé no fogo de Xangô. Foto de Vanessa.

Altar de Malunguinho. Foto de Vanessa.

Viva São João Xangô Malunguinho! Foto de Taciana Renata.

Axé Xangô! Foto de Vanessa.

Até ano que vem, no dia 22 de junho de 2016. Momento que entregarei a bandeira à outra pessoa da comunidade. Este ano de 2015 serei o guardião da tradição! Minhas obrigações com Xangô estão firmadas! Salve a fumaça!

Links

Matéria da Rede Globo:

Matéria no Diário de Pernambuco:


Alexandre L’Omi L’Odò
Casa das Matas do Reis Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!