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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

#FumaçadasCríticas n° 3 - Nunca culpe a espiritualidade pelos seus erros

Alexandre L'Omi L'Odò - Juremeiro, historiador e cientista das Religiões. Foto de Lucas Chagas.

#FumaçadasCríticas n° 3 - Nunca culpe a espiritualidade pelos seus erros

Nunca culpe a espiritualidade pelos seus erros. Os mestres, mestras, caboclos e cabocla, trunqueiros e reis, são entidades que gostam da limpeza da alma e não apoiam a mentira. As vezes, pensa-se que é possível não ser visto pelos olhos destes encantos de luz... Contudo, eles sabem de tudo. Eles olham nossa vida para nos fazer acertar. Podemos até passar momentos de aperto, mas com certeza vem tanto ensinamento em tudo, que ao passar das lutas, ficamos felizes com o que acumulamos como saber. 


A Jurema não é uma religião para todos ou todas. Mas ela está aberta para todas e todos... Nela, podemos encontrar o mais belo bailar das flores, e o mais agudo dos espinhos venenosos. A Jurema é a natureza por completo. Portanto, saibam, "a Jurema abala, e seus discípulos não tombam"... Se você tombar no chão, com certeza não era bom discípulo, ou talvez nem discípulo fosse. 😉



Na Jurema temos dois deveres básicos: 

1 - ter palavra e fé;
2 - respeitar a Jurema e seus padrinhos.

Com isso, seus caminhos se abrem e a fumaça das gaitas mestras rodam o mundo e trazem os bons recados.

#SaberesMestres <----- nbsp="" span="">👀

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho, o senhor é mourão que não bambeia! Bonitos são os saberes deixados pela sua fumaça santa. 

Trunfa Riá!

Foto de Lucas Chagas.



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 30 de maio de 2017

Alexandre L'Omi L'Odò eleito Conselheiro de Políticas Culturais de Olinda

Alexandre L'Omi L'Odò. Foto de Marina Mahmood.

Alexandre L'Omi L'Odò eleito Conselheiro de Políticas Culturais de Olinda

Saiu nesta última segunda feira, 29 de Maio de 2017,  o resultado oficial dos eleitos e leitas do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Olinda.

Fui eleito por voto direto como Conselheiro na área de Costumes e Saberes.

Veja o resultado na íntegra:


Vamos trabalhar pela cultura tradicional de Olinda e tentar construir um trabalho coletivo como o de fiscalização e cobrança das políticas públicas da área. Olinda merece respeito e vamos efetivar construir esse sentimento junto com o povo.

Agradeço à todas e todos que votaram em mim, apoiando-me em mais esta luta pela nossa cultura.

#ConselhoMunicipaldePolíticasCulturaisdeOlinda
#AlexandreLomi2020
#CostumeseSaberes
#PovosTradicionais
#Olinda


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
Conselho Municipal de Políticas Culturais de Olinda
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Olinda - um caos cotidiano que deve ser denunciado!

Alexandre L'Omi L'Odò. Foto de Marcílio da Costa.

Olinda - um caos cotidiano que deve ser denunciado!

Olinda - "É tão fácil falar de coisas tão belas, de frente pro mar e de costas pra favela" Marcelo D2. 

Eu moro em Peixinhos desde que nasci. Todo mundo sabe. Convivo cotidianamente com o descaso total da gestão pública que abandonou nosso bairro e nossa Cidade, entregando-nos ao ostracismo político e de infra estrutura. 

Lama, esgoto à céu aberto, desorganização urbana (tem casa construída quase que no meio da rua), violência, drogas, mal atendimento da COMPESA (água quase não chega nunca), uma feira infecta que está abandonada, uma AV. Presidente Kennedy que já matou mais que nosso histórico de assassinatos locais, um sistema de transporte público desrespeitoso, etc. 

Se eu fosse elencar todos os nossos problemas estruturais, escreveria um relatório geral de muitas páginas. Isso será feito um dia. Mas não vem ao caso agora. 

Parei para fazer uma reflexão hoje perante a grande beleza do Alto da Sé. Ao olhar tamanha poesia visual que encanta qualquer pessoa no mundo, compreendi que devemos pensar nossa cidade como um todo, não apenas como uma parte bonitinha que serve de cartão postal para atrair turistas. 

Mesmo no sítio histórico, há evidentes problemas de segurança e infra estrutura. É so andar um pouco nas belas ruas históricas que observamos facilmente isso. Cultuar popular nas ruas? Não existe... A prefeitura sequer garante uma política pública de Turismo e Cultura que faça valer minimamente a forte presença das culturas tradicionais de nossa cidade. Quem vem pra Olinda sai com sede de ver o que achava que veria... 

Temos que parar e pensar. A Câmara de vereadores da nossa Cidade, tem que se renovar imediatamente. Temos que renovar a gestão e apostar em um projeto de cidade que contemple verdadeiramente nossas necessidades. 

Confio que não cairemos mais em armadilhas que possam nos afundar mais ainda na lama e no esgoto das ruas e da política. Temos que votar conscientes e perseverantes em novos e bons rumos para nossa bela Olinda. 

Creio nas perspectivas de sustentabilidade, respeito à Diversidade, direitos humanos, da luta contra o racismo, do fortalecimento da educação em todos os seus âmbitos, não ao neoliberalismo, participatividade das comunidades na gestão, transporte público de qualidade,  cidade para todas e todos, respeito ao eco sistema, fortalecimento efetivo da cultura tradicional e poular local, não à politicagem, não à exploração imobiliária, justiça para todas e todos e respeito sobretudo à supremacia da DEMOCRACIA. 

Olinda como está não pode continuar! Somos o povo e vamos mostrar nas urnas o que queremos! 

Não posso olhar apenas para beleza do mar e iludir-me com a falsa impressão de encantamento. Tenho que viver o amor à beleza da nossa Cidade, mas também  devo encarar a verdade das favelas e observar que não devemos nos omitir perante tanta desumanidade conosco. Cidade bonita é a cidade que seu povo esta feliz por ter condições de viver bem e com segurança para todxs. 

"Oh linda situação" para mudarmos tudo que não está belo em Olinda! 

#AlexandreLomi2020! 
#OLINDAMERECERESPEITO! 

Alexandre L'Omi L'Odò​
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Cancelamento de minha candidatura à vereador de Olinda!

Alexandre L'Omi L'Odò. Registro do primeiro pé de Jurema plantado em uma escola pública no Brasil. Foto de Joannah Luna.

Minha candidatura à Vereador em Olinda foi Cancelada!

Antes de iniciar este texto quero dizer que estou tranqüilo, consciente, forte, e, que vamos avançar! Olinda precisa sair desta situação que encontra-se (em total descaso). Nossa luta é construir uma unidade política forte que nos garanta representação legítima e nos faça crescer com qualidade e efetivação real de políticas para todos e todas.

Informo oficialmente que interrompi minha campanha à Vereador de Olinda, no qual fui preterido. Abri mão de minha candidatura a pedido do Partido, para integrar a equipe de coordenação geral da campanha majoritária, contudo, manteremos nossa luta com muito mais amplitude.

Esta foi uma difícil decisão para mim e para o PT, que numa perspectiva positiva de redimensionar a campanha, me efetivou para ser o coordenador da pauta de Promoção de Igualdade Racial e Povos e Comunidades Tradicionais.

Sou militante a mais de 15 anos defendendo a democracia, a luta contra o racismo, o fortalecimento da laicidade do Estado, o respeito à diversidade e a discussão de gênero, e sempre firme numa missão de contribuir para a construção efetiva de políticas públicas para os povos tradicionais, do segmento de direitos humanos e da cultura popular.

Quem me conhece sabe que não sou manipulável, que não me presto a ser massa de manobra e muito menos me vendo. Minha trajetória é de luta muito bem embasada e fortalecida com a força da Jurema e dos Orixás, no vibrar do couro das alfaias e no baque forte dos ilús. Nossa discussão política não é brinquedo e muito menos deve ser tratada de forma irresponsável. Estou atento a tudo, e meus olhos enxergam muito mais à frente, pois, vamos voar com as águias! Estou confiante na nova estrada, vou caminhar seguro com o pé bem firme no chão e atento aos espinhos. Estamos juntos em um projeto de reversão histórica que precisa de novas lideranças para ser concretizado! Temos sonhos, somos guerreiros, temos qualidade, temos axé! Esta luta é referendada pelos nossos ancestrais.

Aceito o novo pleito como grande desafio, com o coração aberto e disposto a contribuir, elevando a discussão e fortalecendo a pauta anti-racismo e de reparação, para na futura gestão de nossa prefeita, materializar em políticas públicas nossos sonhos. Queremos uma secretaria de Promoção de Igualdade Racial real, esta pasta terá prioridade e este compromisso é de nossa representante majoritária.

Obrigado a todos e todas que me ajudaram e acompanham minha trajetória. Obrigado à minha equipe, que com garra planejou e trabalhou com todo empenho e seriedade para juntos construirmos a vitória. Obrigado aos apoios de Olinda e de outros municípios. Obrigado aos amigos e amigas que acreditaram que seria possível vencer este pleito. Obrigado à comunidade de Peixinhos que esperava com grande expectativa minha candidatura. Obrigado a todo povo de terreiro que está comigo permanente nesta luta. Obrigado ao povo da cultura popular que vibra e comunga comigo esta caminhada, Obrigado à imprensa pernambucana que com isenção e imparcialidade produziu excelentes matérias sobre a luta política do Povo de Terreiro. Obrigado aos votos ideológicos que com consciência estão conosco. Enfim, quero chamar a todos e todas para trabalharmos com unidade no futuro, conto com o apoio de vocês nas próximas eleições. Convoco a todos e a todas para unidos elegermos Tereza Leitão Prefeita de Olinda! É 13! Olinda quer avançar!

Exú: "O so (ò)kò lona o p(á) eiye loni - Tendo lançado uma pedra ontem, ele mata um pássaro hoje". (VERGER, 2000, p. 145).

“Dizem que a jurema amarga, para mim é um licor. A Jurema com seus frutos, sempre nos alimentou”!

“Malunguinho ta de ronda, quem mandou foi jucá. Malunguinho ta de ronda, que a Jurema manda”!

“Quanto mais meu lírio cheira: É pau, é pau é pau”!

Sobô Nirê Mafá!
Axé!

*Na foto feita pela artista Joannah Mendonça estou plantando o primeiro pé de Jurema em uma escola pública no Brasil. Motivo de orgulho e símbolo de resistência de que estamos plantando um amanhã sem racismo, sem intolerância e com respeito à diversidade. Assim é minha caminhada e missão!

Alexandre L’Omi L’Odò.
Coordenador da Campanha Majoritária de Olinda - PT
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Cavando espaço político

Alexandre L'Omi L'Odò. Foto de Brenda Alcântara.

Cavando espaço político

Religiões afro-descendentes querem representantes dos terreiros nas casas legislativas para combater intolerância religiosa

Tércio Amaral
Tercioamaral.pe@dabr.com.br

Matéria do Diario de Pernambuco, de 14/02/2016 (Domingo), Caderno Política, página b5. Matéria de página inteira.

O ambiente abandonado, repleto de verde em suas ruínas, agrada aos Orixás, que recebem do cachimbo as primeiras fumaças de uma conversa no fim de tarde. O encontro marcado no Nascedouro de Peixinhos, antigo matadouro do bairro periférico de Olinda, tem um motivo: o terreiro é um lugar sagrado e muitas vezes não compatível com determinadas atividades, como entrevistas.

O sacerdote e juremeiro Alexandre L’Omi L’Odò tem pressa. Quer fazer justiça a uma ausência que vem desde os tempos do Brasil Colônia (1500-1808): a participação de pessoas ligadas a cultos afro-brasileiros na política. A decisão do juremeiro, que será candidato a vereador em Olinda pelo PHS, junta-se a de tantos outros no estado do mesmo segmento. Essas candidaturas começam a ganhar espaço como contraponto à bancada evangélica que cresce a cada eleição nas casas legislativas pelo país e à intolerância religiosa.

Digitalização de Matéria. Diário de Pernambuco, 14/02/2016. Caderno Política, p. b1. Chamada.

Vaidoso, Alexandre não revela a idade, mas quando o assunto é política, o discurso é bem afinado. Nascido na própria localidade de Peixinhos, tem formação em história e faz mestrado em ciências da religião na Unicap (Universidade Católica de Pernambuco). Uma de suas propostas é defender questões que já estão na Constituição Federal de 1988, ou seja, em vigor, mas não em prática.

 Digitalização de matéria. Diario de Pernambuco. 14/02/2016. Caderno Política. P. b5.

“Caso seja vereador de Olinda, vou propor a retirada do crucifixo do plenário da Câmara (Municipal) e a retirada de quadros de pseudo-heróis que atentaram contra o povo negro”, diz, ao se referir ao quadro de Bernardo Vieira de Melo, conhecido como carrasco de Zumbi dos Palmares. O dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro em homenagem ao quilombola, morto nessa data em 1695.

“Não vou pregar a intolerância, mas defender uma educação plural, sem o ponto de vista tradicional do cristão branco conservador. Pretendo dar protagonismo aos negros na nossa história e fomentar esse debate da pluralidade”, argumentou.

Assim como Alexandre, Edson Axé, 48 anos, é candomblecista e será candidato a vereador, mas no município de Recife.Seu partido é o PT. “Independentemente de qualquer eleição, nós já fazemos palestras em bairros e RPAs da capital, além de faculdades. A grande questão é o racismo, pois tanto o Candomblé quanto a Umbanda são religiões de raízes negras”, argumenta Edson Axé, que é estudante de direito e formado em gestão de pessoas.

Já o artista popular de Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, Serginho da Burra, que também será candidato pelo PT no município, adota o discurso de “contra-corrente”. Serginho, que é historiador, diz que muitos dos ataques sofridos em terreiros recentemente em são provenientes de grupos evangélicos neopentecostais.

“Esse grupo se organiza na política e quer que as pessoas sigam a doutrina deles. Está na hora de nosso povo se politizar. Quem sabe no futuro teremos um partido prórpio?”, planeja o pré-candidato a vereador em Goiana.

Pesquisador defende pluralidade

O pesquisador da Universidade de Pernambuco (UPE), Erisvelton Sávio de Melo, que concluiu o doutorado em antropologia no ano passado sobre ciganos, na UFPE, defende a pluralidade entre os representantes da política. Na sua avaliação, as candidaturas de segmentos religiosos marginalizados nestas eleições contribui para resgatar uma dívida histórica de grupos discriminados.

“O fato de haver representantes políticos desses segmentos religiosos pode ser visto como algo muito positivo, tendo em vista a diversidade das pessoas que compõe as identidades brasileiras. Identidades essas que parecem estar sendo homogeneizadas no quisito religioso sobre a égide cristã”, desse Erisvelton. No Recife, por exemplo, em um mapeamento realizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social, foram identificados 1,261 terreiros em 2010. Nenhum deles está articulado politicamente, com representantes eleitos, diferentemente das igrejas evangélicas.

A questão da pluralidade, reitera o pesquisador, vem sendo levantada pela “onda conservadora” protagonizada pela bancada evangélica no Congresso Nacional, com pautas como a “cura gay”. “É essencial para barrar essa onda capciosa de transformar assuntos de debates gerais que contemplem todos os eleitores/cidadãos, em vez de transformar o debate nem regime teocrático cristão, de ‘os salvos versus os condenados’”.

+SAIBA MAIS
+ O baixo índice de representatividade dos que se declaram pertencentes aos cultos afro-brasileiros na política ocorre por preconceitos criados historicamente no país desde os tempos da colonização portuguesa.

+ No senso comum, esses cultos são associados ao mal, à bruxaria, e o fato de ter entre praticantes grupos sociais (negros e índios) que foram escravizados e que se encontram em situação econômica inferior agrava a aceitação.

+ Umbanda é uma religião eminentemente brasileira, com doutrina própria. Não é a única, pois existem outras, como o Vale do Amanhecer, Santo Daime e Igreja Universal do Reino de Deus.

+ A Umbanda foi criada em 15 de novembro de 1908, na então capital do Brasil Rio de Janeiro, por Zélio de Moraes, que chegou a ser eleito vereador de São Gonçalo, em 1924, mas que abandonou a política em 1929.

+ A Umbanda, nos anos 1930, se consolida como parte da “identidade brasileira”, construída na Era Vargas, com os prenúncios da democracia racial, defendida nacionalmente pelo sociólogo pernambucano Gilberto Freyre.

+ Os Orixás na Umbanda passam por um processo de “embranquecimento”. É nesse momento que surgem representações de Yemanjás brancas e o sincretismo com santos da Igreja Católica, também brancos, como Jesus na figura de Oxalá.

+ Já no Candomblé é, desde sua formação, de povos afrobrasileiros (negros), e por isso é mais excluída. É fruto de uma junção de práticas religiosas de várias nações africanas, como Jeje, Angola, Banto, Nagô, Ketu.

+ Entre as diferenças entre Umbanda e Candomblé está o fato de no Candomblé ser permitido a sacralização de animais por meio de sacrifícios, a definição mais clara de hierarquia e o vestuário branco.

+ Outra Religião negra pouco conhecida no Brasil é o Islamismo, trazido por escravos negros durante a Colônia (1500-1808) e o Império (1822-1889). Escravos letrados liam os textos originais em árabe e alguns contribuíram com a Revolta dos Malês (1835), em Salvador.

+ Nos anos de 1930, no Estado Novo, houve uma perseguição sistemática às religiões afro indígenas brasileiras. Templos foram invadidos e seus praticantes presos e torturados. Objetos sagrados foram levados e transformados em peças de museu.

Fonte: prof. Dr. Erisvelton Sávio S. de Melo (NEPE-PPGA e LACC – UPE).

Alexandre L’Omi L’Odò
Historiador e Mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 23 de julho de 2016

1° Plenária Povo de Terreiro e Politicas Públicas


1° Plenária Povo de Terreiro e Políticas Públicas

05 de Agosto de 2016 – Olinda/PE

A 1° Plenária Povo de Terreiro e Políticas Públicas, nasce da perspectiva de abrir uma discussão ampla e coletiva que possa beneficiar a sociedade como um todo. Pretendemos refletir sobre a participação das lideranças do Povo de Terreiro na disputa política e na construção de políticas públicas desenvolvidas a partir da luta dos movimentos de nosso Povo, dos movimentos negros e sociais.

Esta também será uma inédita possibilidade de debatermos abertamente com os pré candidatos do Povo de Terreiro de diversos municípios de Pernambuco sobre representação e planejamento estratégico coletivo para nosso segmento nas futuras campanhas. Vamos também avaliar as políticas públicas de promoção de igualdade racial, de cultura, educação etc. das gestões atuais dos municípios.

Vamos nos fortalecer. Nosso Povo precisa se unir em uma só corrente e dar a resposta nas urnas contra o racismo, a intolerância religiosa e todas as outras formas de opressão social.

#QuemédeTerreiroVotaemquemédeTerreiro!
#VamosFortalecerNossoPovo!

INFORMAçÕES:

Data: 05 de Agosto de 2016 (Sexta Feira)

Local: CTCD – Nascedouro de Peixinhos – Olinda/PE

Vagas: 100

Será dado Certificado

Mandar no E-mail – Nome Completo, RG, Nome do Terreiro ou Instituição, e-mail e telefone.

Dúvidas ligar: 81 999013736 / 995257119 – Secretária Betânia


PROGRAMAÇÃO

14h - Palestra: Povo de Terreiro e Políticas Públicas

Conferencista: Dra. Vera Baroni - Advogada e militante histórica da luta do povo negro e de terreiro - Rede de Mulheres de Terreiro e Uiala Mukaji.

Debatedores:

Alexandre Dias – Professor Pedagogo e Diretor do Afro Educação – São Lourenço da Mata/PE
Alexandre L’Omi L’Odò – Historiador e mestrando em Ciências da Religião e coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho – Olinda/PE

14:45h – Debate

15:30h - Mesa Redonda: Povo de Terreiro e Eleições 2016 – Construção de um entendimento político coletivo para o bem comum

Coordenação de Mesa: Professor Omo Xangô João Monteiro – Historiador e Coordenador do Àbámodá.

Palestrantes:

Pai Israel de Averekete – Pré Candidato (Município de Palmares/PE)
Juremeiro Alexandre L’Omi L’Odò – Pré Candidato (Olinda/PE)
Pai Véu de Paudalho – Pré Candidato (Paudalho/PE)
Ogan Edson Axé – Pré Candidato (Recife/PE)
Serginho da Burra - Pré Candidato (Goiana/PE)

16:30h - Debate

17h - Lançamento da campanha: “Quem é de Terreiro Vota em quem é de Terreiro”!

Ritual de encerramento.

Alexandre L’Omi L’Odò
Coordenação
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 30 de abril de 2016

Malunguinho, Política e Povo de Terreiro – O lado certo da luta!

Malunguinho. Representação de luta e resistência dentro da Jurema Sagrada. Foto de Marcelo Curia. 2010.

Malunguinho, Política e Povo de Terreiro – O lado certo da luta

Malunguinho (ou os Malunguinhos) herói da luta por liberdade do povo negro e indígena em Pernambuco, foi assassinado brutalmente pelos poderes constituídos por milícias e “forças de paz”, enviados pelos membros da Casa Grande e da Coroa Portuguesa (os caucasianos [brancos], imperialistas pertencentes às elites aristocráticas do Brasil e Portugal). O último líder do Quilombo do Catucá, o Malunguinho João Batista, teve sua morte notificada em 18 de Setembro de 1835, em emboscada cruel na cidade de Maricota, hoje Abreu e Lima/PE.

Esta mesma Casa Grande, citada anteriormente, assistiu a “abolição” da escravatura em 13 de Maio de 1888 de mal grado... E decidiu jogar a população escravizada nas ruas sem nenhum direito civil... Marginalizando um contingente populacional que é a maior parte deste país, o povo negro. Este mesmo grupo de ricos colonialistas patrocinou o genocídio indígena (no período da colonização) e promove até hoje a mortalidade dos indígenas e da população negra neste país. Basta observar os dados sobre: http://renafrosaude.com.br/mortalidade-da-juventude-negra/  

Esta elite da Casa Grande, sempre esteve no poder... Cometendo todo tipo de atrocidade e desumanidade. Hoje, esta mesma elite ascendente genética ou ideologicamente da Casa Grande não está conformada com a democracia constituída no Brasil e com a sua perda crescente de privilégios econômicos, históricos etc. Por estes motivos, querem dar um golpe no nosso sistema político, pedindo e articulando o impedimento ilegal da presidenta Dilma, tentando romper 13 anos de um governo de esquerda no poder do nosso país.

Isso mesmo... Apenas 13 anos, suficientes para efetivar grandes mudanças no formato político do país, revertendo prioridades e voltando para o povo preto e pobre políticas públicas sociais que estão revertendo (lentamente ainda) a lógica da partilha dos bens pecuniários para a maior parte da população. Esta elite da Casa Grande até onde se consta na história sempre esteve no poder e jamais fez isso...

Em meio a todo este contexto histórico e político, uma pequena parcela do povo de terreiro, por ser em sua grande maioria herdeiro da senzala, exatamente por herdar um sistema tradicional e religioso de matriz africana e indígena... Posicionam-se estranhamente e incompreensivelmente favoráveis ao Golpe. Isso a meu ver é algo assustador. É quase como matar duas vezes a luta dos nossos ancestrais que foram torturados e mortos por esta mesma elite que insiste em dominar, mesmo sendo apenas 1% de nossa população geral.

Creio que esta postura provenha da falta de entendimento de lugar histórico dos participantes e sacerdotes destas religiões. Afinal, grande parte de nosso povo ainda está imergindo das trevas do racismo e da intolerância. Aos poucos estamos compreendendo nosso papel histórico e político, e de como devemos nos articular para avançar perante ao processo de libertação ainda do escravismo mental e social que estamos envolvidos completamente desde colonização. Somos também herdeiros de um pensamento colonizado...

Não posso me calar ao ver este tipo de atitude. Compreendo o direito de todo indivíduo ter sua própria opinião, mas me parece totalmente incoerente pessoas de terreiro apoiarem o opressor histórico. É terrível assistir “o oprimido assumir o discurso do opressor” (Simone de Beauvoir). Ao que percebo, a profunda auto baixa estima vem dominando estas falas (a favor do golpe) vazias de história e contexto.

Se fazemos parte de uma comunidade tradicional, temos que no mínimo saber nosso lugar na história. Esta é uma missão espiritual. Defender a luta de nossos ancestrais é um dever, e lutar pela manutenção de nossa religião é lutar contra o opressor.

Contudo, não é de se estranhar estas posições favoráveis ao golpe e aos golpistas: Nosso povo sempre foi dominado e entendo que é difícil quebrar o paradigma do dominado... Submeter-se é quase sempre a primeira opção escolhida pelo dominado que historicamente não aprendeu a lutar contra as atrocidades dos dominadores. Mas devemos pensar... Refletir de qual lado queremos estar... E o lado que estamos é o lado dos herdeiros da senzala, o lado dos que sofrem ainda as conseqüências dos crimes históricos cometidos contra a humanidade – a escravidão africana e o holocausto indígena!

Rogo ao Reis Malunguinho, que morreu para que eu pudesse estar aqui escrevendo este texto, para que nossos irmãos e irmãs enxerguem logo que devemos nos unir e combater a dominação ideológica e histórica da Casa Grande sobre nós. Esta é uma necessidade primeira. Nosso futuro depende de nossa resistência e estratégias de combate ao racismo.

Jamais apoiaria o lado dos dominadores. Se nosso lado político tem alguns problemas, devemos nos ater a resolvê-los. Mas submetermo-nos ao chicote das elites jamais! Digo não ao golpe pelo sangue de nossos ancestrais! Não vão matar o jovem sistema democrático que temos. Não permitiremos isso, somos resilientes, vamos vencer com fé na democracia!

Este texto nasceu da necessidade de expressar minha opinião sobre pessoas pertencentes aos terreiros (de qualquer nação ou segmento) que apóiam o Golpe contra o atual governo instituído de forma democrática. Que fique claro que sou veemente contra este tipo de postura. Temos um lado, e este lado deve ser observado e levado em consideração na nossa luta coletiva.

Malunguinho se manteve vivo, como prova de sua grande importância na luta por liberdade em Pernambuco! A Jurema Sagrada, religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil, o deificou imortalizando-o como divindade fundamental dentro desta religião. O Reis Malunguinho, o Reis das Matas, o caboclo, mestre, trunqueiro e reis, se manteve vivo, sendo este seu único reduto de memória, afinal a Jurema Sagrada é também história! Eu como membro dos que desfrutam da herança da luta deste guerreiro, estou ao lado de sua luta, de sua trajetória, de sua incansável  busca por direitos. Eu sou do lado do povo de terreiro, não posso estar ao lado dos opressores jamais.

Sobô Nirê Mafá!

#NãoVaiTerGolpe!
#FéNaDemocracia!
#MalunguinhoMeuHerói!

Alexandre L’Omi L’Odò
Juremeiro e mestrando em ciências da religião
Quilombo Cultural Malunguinho

alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 30 de março de 2016

A Jurema está firmada em Brasília!

Alexandre L'Omi L'Odò - Foto de Brenda Alcântara.

A Jurema está firmada em Brasília!

Bom Dia Brasil! A Jurema está firmada! 

Lutando por direitos iguais e por respeito para nossas religiões de terreiro. Essa caminhada vem de longe... Co tudo nos mantemos firmes e fortes no combate ao racismo e a intolerância religiosa. 

Junto com diversas lideranças religiosas, povo cigano, indígenas e movimentos sociais, estamos aqui em Brasília para garantir nossos direitos e avaliar a política pública de promoção de igualdade racial. Foram 13 anos de lutas e conquistas. Também houveram dificuldades... estamos aqui para tentar fazer melhor. 

Sabemos que não vai haver golpe. Mas se houver... acabou a política para nosso povo. Eles querem dar o golpe em nós, povo negro pobre que votamos honestamente para eleger Dilma. Também estamos na luta contra este absurdo histórico aqui. Sobô Nirê Mafá! Sigamos em frente. 

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!