domingo, 16 de julho de 2017

A fé negra e o risco do branco dominador de mentes

Alexandre L'Omi L'Odò em 2004, com os elementos de sua religião (gèrè Ifá e gèrè won owo ti Osún). Foto de Aluísio Moreira.

A fé negra e o risco do branco dominador de mentes

Hoje em Recife (16/07), celebra-se Nossa Senhora do Carmo, a sua padroeira, festa que tem 321 anos de existência, portanto, muito antiga e tradicional na cidade.

O povo de terreiro, herdeiros da fé negra e da fé indígena, portanto, a fé da resistência contra o poder do dominador branco, em ato xenofílico (de agregação religiosa), celebra o sincretismo histórico de Nossa Senhora do Carmo com o Orixá Oxum, divindade yorùbá, responsável pela fertilidade da terra, pela força dos rios, pela beleza, pelo amor e prosperidade.

Devemos lembrar que o sincretismo afro religioso nos tempos da escravidão servia para que o senhor de engenho não mandasse matar os negros e negras que estivessem cultuando suas divindades africanas. Enganando esses seus algozes, colocavam uma imagem de um santo ou santa em um altar e cantavam em língua africana (que ninguém entendia), para ludibriá-los. Na realidade, ali estavam prestando culto aos seus orixás, voduns, inkises, encantados etc. Assim, os padres e os capatazes não identificavam o que de fato acontecia ali, e até achavam engraçado e bonito, mas foi isso que nos garantiu a sobrevivência de nossa religião. Hoje isso não é mais necessário, obviamente.

Este sincretismo a cada dia vem se enfraquecendo com o fortalecimento dos membros do candomblé (culto nagô de PE) e da jurema, que em busca de estudos, compreendem que a santa católica não é o Orixá, e vice e versa, e também entendendo que precisamos fortalecer nossa identidade religiosa própria, tendo em vista que o universo cristão historicamente destruiu quase todas as culturas dos negros e dos indígenas, utilizando-se de um processo violento de proselitismo e catequismo, objetivando a “salvação” das almas...

É difícil ser negro, pobre, de comunidade e assumir a fé negra de nossos ancestrais. O mundo ainda é racista o suficiente para fazer com que a maior parte da população negra se submeta a fé do dominador. Isso não é nada mais que uma conseqüência psicológica do quanto violento foi o processo de repressão de nossas fés e compreensão de mundo.  Se achar dentro da religião de terreiro, com toda a beleza e problemas que ela tem, é um desafio que tem que ser enfrentado por pessoas que desejam retomar suas raízes e sua verdadeira identidade ancestral.

O direito livre a escolha religiosa é um direito constitucional garantido. Sendo assim, qualquer pessoa pode escolher qual religião professar, ou até mesmo não ter nenhuma religião, ou ter várias. Contudo, esta breve reflexão, serve para tentarmos ampliar nossa concepção de lugar no mundo. Se nossos ancestrais sofreram o peso dessa conversão pesada e violenta trazida no bojo do cristianismo europeu, por que nos submetemos? Será que por termos uma estima muito baixa, preferimos acreditar no mais óbvio, no que está posto como o Deus cristão? Será que realmente conseguiram sujar/embranquecer nossas mentes e nos fazermos acreditar que Tupã, Olorun, Zambi, os Orixás, e os Encantados são demônios e que devem ser esquecidos? O dominador tem muitas estratégias... Ele tem poder ($) e tem grandes templos e concessões públicas de televisão ao seu dispor.

Se desconstruir é muito difícil. Seja em que contexto for. Mas se não nos propusermos a nos superar e mergulhar na força e energia das tradições de nossos ancestrais, jamais conseguiremos sentir o quão magnífico é a força de nossas entidades e divindades. Acordar para o axé e para a ciência da jurema é necessário. Romper respeitosamente com o sincretismo, muito mais! Temos que ter força e auto estima de afirmar que Oxum não está ligada a nenhuma santa da Igreja, ou templo que nos perseguiu historicamente. Oxum mora nos rios, na natureza e nos Ori (cabeças) de seus discípulos.

Nas comunidades, os terreiros competem com as igrejas evangélicas de garagem que substituindo o papel da Igreja Católica, promovem a perseguição à fé negra e indígena, satanizando e perseguindo os seguidores de terreiro. Esta é uma recapitulação histórica do que foi no passado o fazer religião cristão. O cristianismo não se renova, ele entra mais uma vez no ciclo da perseguição e da verdade única, do Deus único, e da lógica que o mal e o diabo está no outro, e não dentro deles mesmos, afinal, o diabo é cristão, não fazendo parte da história e nem da fé afro indígena.

Infelizmente, essas investidas religiosas de conversão tem dado muito certo... Muita gente de terreiro, ou negros e negras, por serem fracos ideologicamente e estarem vulneráveis e sem auto estima suficiente com o axé e a jurema, ou com a consciência negra, preferem acreditar que foram salvas e que irão para o céu, do que entender que desonraram seus ancestrais por terem se permitido desacreditar no bem maior deixado per todos àqueles e àquelas que lutaram para que pudéssemos estar aqui hoje.

A pobreza e a injustiça social também são responsáveis pela perda de auto estima na fé negra. As pessoas preferem acreditar na teologia da prosperidade, de que Deus pode nos abençoar e nos enriquecer, do que entender que religião é um lugar para o bem estar espiritual e para o equilíbrio de suas questões pessoais etc. Essa teologia da prosperidade é uma forte inimiga da fé negra e da luta contra o racismo. Ela apenas fortalece o capitalismo, que é uma filosofia vigente e pujante, muito negativa de concepção de mundo.

Ser descendente de negro e indígena e aceitar a fé do branco, é se tornar branco. Branco não na cor, mas na compreensão de mundo. Isso ao meu ver é uma das faces mais cruéis da realidade do negro pobre brasileiro, os negros e negras que viram brancos e brancas (ver Fanon). Os aperreios da vida os tornam brancos... A falta de dinheiro, a falta de oportunidades o tornam brancos... Isso é muito triste.

Respeitar a diversidade de opiniões e de religiões é fundamental. Este meu texto não trata de um desrespeito contra a opção religiosa dos negros e negras que se tornam evangélicos ou católicos. Este texto, fiz por entender que é necessário refletirmos mais sobre estas questões que são vitais para a manutenção das tradições de matrizes africanas e indígenas no Brasil.

Recife, hoje se veste de amarelo para homenagear Nossa Senhora do Carmo. Outros se vestem de amarelo para louvar Oxum... Prefiro louvar Oxum qualquer dia... Sem vinculá-la a nenhuma santa. Mas respeito quem o faz e até acompanho algumas vezes as procissões, pois sempre encontro pessoas maravilhosas lá. Afinal, lutar contra um processo de dominação de mais de 500 anos não é simples e requer muita paciência e respeito. Temos avançado bastante. As redes sociais tem sido uma excelente oportunidade de fortalecer nossos debates. Mas ainda temos muito o que contribuir  na discussão e no avanço das compreensões libertadoras de mundo. Não caiamos na lógica racista. Acordai!

Quando falta pretitude e consciência negra, o branco entra em nossas mentes e nos convence que estamos errados nas nossas práticas religiosas afro indígenas. Contra isso temos nossas raízes negras e indígenas. É só se permitir vivenciar e mergulhar sem preconceito.

Axé.

Oré Iyéiyé ooooooooo!

#FéNegra #FéIndígena #Oxum #NossaSenhoradoCarmo #IgrejasEvangélicas #IgrejaCatólica #Nagô #AlexandreLomiLodo #Racismo

Alexandre L’Omi L’Odò
Juremeiro e Candomblecista
Historiador e Mestre em Cientista das Religiões
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 11 de julho de 2017

Defesa de mestrado sobre a Jurema Sagrada e sua cosmologia acontece dia 11 de Agosto de 2017 na UNICAP


 Defesa de mestrado sobre a Jurema Sagrada e seu cosmologia acontece dia 11 de Agosto de 2017 na UNICAP 

Convite para defesa de mestrado - Juremologia

Enfim chegou o momento da defesa de minha carinhosa dissertação de mestrado. Estamos a um mês da data que me levará ao título de mestre, ou não (rsrsrs). Será que sou o primeiro juremeiro a defender uma dissertação sobre a religião? Gostaria de saber...

Estou feliz com o trabalho. Escrevi muito, trabalhei muito, me dediquei até não poder mais. Quase me custou a alma, mas entreguei aos estudos e à Jurema tudo que pude para poder escrever cientificamente o que era um sonho há anos.

A dissertação tem quatro capítulos e trata basicamente de três pontos principais:

1 – Sistematização do debate bibliográfico e histórico sobre a Jurema;

2 – Etnografia da Jurema de Recife e Região Metropolitana, na busca de identificar e sistematizar os pontos que formam os elementos cosmológicos principais e estruturais da religião, e;

3 – A sistematização do debate sobre a juremologia e estudos acadêmicos teológicos afro indígenas, política pública e educação do povo de Terreiro em Pernambuco.

Conto com a presença dos amigos e amigas que me ajudaram. Àqueles e àquelas que me cobriram de luz nos momentos que quase entrava no escuro total. Aos que me respeitaram e me deram força de verdade, e conto com todas e todos que me desejaram o bem e o mal, afinal um não vive sem o outro, e a Jurema não é maniqueísta. ;)

 Salve a fumaça! Sobô Nirê Mafá!

Serviço:

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO
PRÓ-REITORIA ACADÊMICA
COORDENAçÃO DE PESQUISA
MESTRADO EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO

Mestrando: Alexandre L’Omi L’Odò

Tema: JUREMOLOGIA:
Uma busca etnográfica para sistematização de princípios da cosmovisão da Jurema Sagrada

Orientador: Sergio Douets
Co-orientadora: Zuleica Dantas

Banca:

Roberta Bivar Carneiro Campos – PPGA – UFPE
Gilbraz Aragão – PPGCR – UNICAP

Data: 11/08/2017

14h

Auditório do bloco G4 – 3° andar – UNICAP

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 4 de julho de 2017

Restos mortais de Dona Selma do Coco estão desprezados em Cemitério de Olinda

Túmulo de Zezinho, filho de Dona Selma do Coco, local onde foram colocados os restos mortais da grande mestra da cultura popular de Pernambuco que foi tombada como Patrimônio Vivo do Estado. foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Restos mortais de Dona Selma do Coco estão desprezados em Cemitério de Olinda

Acordei com uma mensagem que me dizia para eu ir visitar o túmulo de Dona Selma do Coco, hoje... Assim fiz.
Ao chegar no cemitério do Guadalupe em Olinda, me dirigi até o local de seu sepultamento. Observei que não havia mais seu nome em lugar nenhum e me preocupei de seus ossos terem sido retirados e jogados no depósito públicos de ossos para nunca mais serem achados...

Informei-me com os coveiros, e eles me direcionaram para a cova de Zezinho, filho carnal de Dona Selma do Coco, falecido alguns anos antes da mãe. Deparei-me com o total descaso com a memória dessa grande mestra da cultura popular, que inclusive era Patrimônio Vivo de Pernambuco.

Local onde estão os restos mortais de Dona Selma do Coco no Cemitério do Guadalupe em Olinda. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Fiquei arrasado com esta situação. Um desrespeito sem precedente contra a memória da maior artista do Coco de nosso tempo. Nem a família nem o Estado se responsabilizaram por dar um mínimo de dignidade aos restos mortais dessa grande conquista. Considero isso um crime à memória Cultural pernambucana e olindense. Um crime contra o patrimônio imaterial, desprezo a memória, racismo institucional e a ausência de políticas públicas de Cultura que de fato tratem da vida dos mestres e mestras. Não podemos esquecer que a cultura é o Mestre ou a mestra! Sem eles não há tradição. Mas ao que está posto, ninguém ligou para isso, neste caso.

Mestre Salustiano teve um enterro digno e seu túmulo está bem preservado. Reginaldo Rossi igualmente. Chico Science tem seu túmulo preservado e muito visitado... Mas para Dona Selma do Coco apenas restou o desrespeito, desprezo e ostracismo completo. Isso machuca a gente.

Essa minha denúncia tem o mesmo caráter da que fiz há dois anos atrás, quando seu túmulo não tinha sequer uma placa simples com seu nome. Cadê o Estado? O que vão fazer? Ignorar mais essa minha postagem? Pra que ser Patrimônio Vivo?

Como conselheiro de Políticas culturais de Olinda, levarei essa pauta para nosso pleno e exigirei atitude do governo de Olinda para com essa situação. É inadmissível que nos calemos perante tamanho desrespeito à memória de nossa cultura popular. Vamos pedir respeito, queremos reparação e um túmulo decente para Dona Selma do Coco!

Soube inclusive que seu dente de Ouro foi levado desrespeitosamente por um de seus parentes... Fiquei horrorizado com tamanho desrespeito a ela, que era uma senhora alegre e muito voa para com os seus. Construiu e deixou bom patrimônio material cantado Coco e dando sua saudosa gargalhada "hahay"... Mas a ingratidão foi seu fim...

Peço aos amigos e amigas dos jornais que me ajudem a divulgar esta grave denúncia.

Não vamos calar. Respeitem a Cultura Popular!

Quero ver se o povo da Cultura popular vai ficar calado!

Frase significativa pintada em parede dentro de capelinha no Cemitério do Guadalupe em Olinda. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

"A morte permite a saudade. Nunca o esquecimento"!

#RespeitemaCulturaPopular #PatrimônioVivoPraQuê? 
#DonaSelmadoCoco

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
Conselho Municipal de Políticas Culturais de Olinda
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 1 de julho de 2017

Mais um ciclo anual dedicado à Oxum

Alexandre L'Omi L'Odò em épocas de sua iniciação para Oxum. Foto de Aluísio Moreira.

Mais um ciclo anual dedicado à Oxum

Mais um ciclo anual dedicado à Oxum se inicia. No nagô de Pernambuco, a grande mãe das águas doces é celebrada no mês de Julho, tendo nas terças-feiras seus dias devocionais. 

Este é um mês que dedico a reflexão de meu papel sacerdotal e que disponho-me a mergulhar nas práticas rituais dedicadas à minha Mãe. Abro-me à experiência do amor das águas... A água ama a terra. Dá vida a tudo... semeia a alegria por onde passa, refresca as almas, fertiliza os sexos, abençoa a existência, nos possibilita tudo. 

Oxum é generosidade e amorosidade. É poder absoluto, contudo, é acolhimento e sabedoria. Oxum vive no fundo dos segredos das águas doces... O doce de sua bênção é inesecivel. Quem é tocado pelo amor de Oxum, jamais será a mesma pessoa. Oxum lava a alma e purifica, renova e harmoniza. 

Essa foto foi feita há 13 anos, pela oportunidade de minha iniciação na nação jeje nagô de Pernambuco. Era um neófito feliz. Continuo feliz por ser eternamente uma iyawo de Oxum (ser iyawo significa ser a esposa do Orixá. Àquela pessoa iniciada para cuidar da tradição, como se cuida de quem se ama eternamente). Continuo cuidadando... Cuido de mim, dos meus afilhados, dos amigos e amigas, das pessoas que amo, de todos que posso... Cuido de Oxum. Ela mora em mim, dentro do meu Ori, ela caminha comigo todas as horas. Sou feliz por ter casado com minha mãe. Sou a pessoa mais feliz de meu universo, um eterno iniciante, buscador de bons caminhos para mim e para tudo que acredito. Vivo o tempo de meu axé com desapego ao tempo... O tempo de axé pra mim não é tempo, é água de rio, que corre e abre caminhos, que fura pedras, mas não tem vaidade. 

Inicia-se dia 22 de Julho minha contagem regressiva para as celebrações de meus 14 anos de axé. Esse novo ano que inicia, vai ser lindo, caminhando de mãos dadas com as pessoas que amo e que acreditam em meus sonhos coletivos. Ubunto. 

Difícil tem sido seguir sem meu Mestre maior Pai Paulo Braz Ifátòògùn, sua ausência me deixa inseguro, como se não pudesse aprender mais nada... Me sinto ainda uma criança perdida, contudo, seu Egun tem sido o mesmo Mestre de sempre, só que de uma forma distante... A saudade machuca, mas seguirei seus princípios, e levarei à frente nossas tradições. Tenho duas folhas para semeia o mundo, não o decepcionarei. 

Meu maior consolo é a existência de minha iyalorixá Maria Lúcia Felipe Tia Lú, depositária de todo saber e axé. Nas mãos de suas águas estou entregue, e navegaremos juntos até o mais absal segredo, até o mais profundo amor. 

Adupé! Agò kolofé iyámi Osùn! 
Oré iyéiyé oooooooooooo! 

Sigamos nos banhando de alegria na vida. 

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Acorda Povo de Peixinhos 2017


Acorda povo de Peixinhos 2017

Vejam todas as informações do Acorda Povo de Peixinhos, que acontecerá de amanhã, dia 22 de Junho de 2017, com início às 19h em frente ao GCASC.

O Acorda Povo sairá da Rua do Cajueiro (não de minha casa, pois ano passado entreguei a bandeira e andor lá, como manda a tradição). A saída é de meia noite (00h), e retornará para o GCASC - Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças.

Vai ter coco, forró, quadrilha, tudo que manda o São João tradicional, pois nossa comunidade mantém as tradições com muito afinco!

Este Acorda Povo gritará para os quatro cantos da comunidade #ForaTemer! Isso faz parte de nossa forma de fazer cultura tradicional. 
Qualquer coisa me liguem no 81 995257119.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Alexandre L'Omi L'Odò confirmado em conferência no II Seminário de Biodanza


Alexandre L'Omi L'Odò confirmado em conferência no II Seminário de Biodanza

Com data ainda a confirmar, entre os dias 06 à 09 de Julho, o juremeiro, historiador e cientista das religiões Alexandre L'Omi L'Odò, fará uma conferência sobre o tema Diversidade Religiosa: luta, resistência e reconhecimento no II Seminário de Biodanza, que será realizado no Museu de Artes Afro-Brasil Rolando Toro no Recife.

O conferencista, fala que levará ao público sua experiência de mais de 20 anos na luta por direitos iguais para as religiões afro indígenas. Também, informa que tratará do percurso histórico que tirou a Jurema Sagrada da invisibilidade para a visibilidade. 

As inscrições podem ser feitas através do e-mail: semináriobiodanzamuafro@gmail.com, ou pelos fones: 81 3038-2994 / 99970-8970

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 11 de junho de 2017

Aniversário de um ano do Primeiro Pé de Jurema Plantado em uma Escola Pública no Brasil


Aniversário de um ano do Primeiro Pé de Jurema Plantado em uma Escola Pública no Brasil

No último dia 09 de Junho de 2017, comemoramos na EREM Cândido Duarte, o aniversário de um ano do plantio do primeiro pé de Jurema firmado em uma escola pública do país. O ato foi muito humilde, mas muito significativo para os participantes que estavam integrados totalmente ao sentido do que estava sendo feito ali.

Foi um momento muito emocionante, onde compartilhando com os professores, gestores e alunos(as) pudemos fazer um lindo ato pedagógico em prol do respeito à diversidade, contra a intolerância religiosa e o racismo, que contribui para o fortalecimento da implementação da Lei Federal 11.645/08, que obriga o ensino da história dos africanos, afro descendentes e indígenas em sala de aula de todas as instituições de ensino do país.

Parabenizo o professor Rodrigo Correia de Lima, que convocou este ato junto com os gestores da escola. Isso mostra que podemos ter esperança de vivermos em um mundo futuro, sem intolerância e racismo. Acredito que é através (também) da escola que construímos um convívio humanizado e respeitoso entre todas e todos.

A Jurema, que cresceu de forma inexplicável neste curto período de tempo, está dedicada à Malunguinho, líder negro/indígena da luta pela liberdade em Pernambuco. Um herói que virou divindade na religião Jurema Sagrada. Este é mais um motivo de orgulho nessa luta. Ao mesmo tempo que contribuímos para uma educação sem racismo e intolerância na Escola, também reverenciamos os nossos importantes líderes históricos, que têm que ser considerados referência de auto-estima na construção da identidade das crianças, jovens e adolescentes.

Iremos comemorar muitos e muitos anos de vitória e fortalecimento da Lei 11.645/08 aos pés da Jurema, pois ela agora entrou na história como mais um símbolo de luta por um mundo melhor.

As atividades foram antecedidas por uma semana intensa de atividades da Semana do Meio Ambiente, onde na sexta, dia 09 de Junho, dei uma palestra sobre a relação da Jurema e nossa cultura brasileira.

Sobô Nirê Mafá!

Sigamos firmes na luta. Salve a fumaça!

#JuremanaEscola

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 6 de junho de 2017

Primeiro Pé de Jurema Sagrada plantado em uma escola pública no Brasil

Alexandre L'Omi L'Odò sacerdote responsável pela palestra e pelo plantio do Pé de Jurema. Foto de Alyne Pinheiro.

Primeiro Pé de Jurema Sagrada plantado em uma escola pública no Brasil
Um ato histórico para a educação pública em prol do respeito à diversidade

Já era para eu ter feito este registro aqui. Demorei um ano para fazê-lo. Contudo, disponibilizo abaixo um pouco do nosso momento mais lindo de 2016.

Não escreverei muito sobre este dia tão especial. Apenas deixarei aqui as fotografias que marcaram este momento histórico na vida de todos nós, que acreditamos em um mundo sem racismo, sem intolerância e que respeita a diversidade religiosa e cultural. Em cada foto tentarei fazer um breve comentário, para ilustrar o que cada uma representa. Vigem nas imagens, elas são o relato de tudo que vivemos. 

A emoção é forte em rever cada detalhes deste dia. Dia difícil... Onde pudemos ver a face real do racismo institucional. Mas somos fortes, resilientes e enfrentamos tudo com dignidade e plantamos juntos e juntas o primeiro pé de Jurema em uma escola pública no Brasil.

Vale lembrar que esta árvore sagrada, foi plantada em homenagem ao líder quilombola negro/indígena Malunguinho, herói do povo Pernambucano e divindade na religião Jurema Sagrada.

Diretora fazendo fala de abertura do ato do plantio da primeira Jurema prantada em uma escola pública no país. Foto de Alyne Pinheiro.

Abertura das atividades com uma palestra sobre a Jurema Sagrada e a diversidade afro religiosa. Foto de Alyne Pinheiro.

Aluno fazendo perguntas sobre a Jurema Sagrada. Foto de Alyne Pinheiro.

Alexandre L'Omi L'Odò explicando a importância do cachimbo da Jurema. foto de Joannah Mendonça.

Aluno fazendo afirmações sobre sua identidade negra. Foto de Alyne Pinheiro.

Alexandre L'Omi L'Odò e professor Rodrigo Correia em momento de emoção e fechamento da palestra. Nesta ocasião, a ancestralidade indígena do professor se fez presente para afirmar o agradecimento pela luta vencida. Foto de Alyne Pinheiro.

Ritual de plantio do primeiro pé de Jurema em uma escola pública do país. Foto de Alyne Pinheiro.

Ritual de plantio do primeiro pé de Jurema em uma escola pública do país. Foto de Alyne Pinheiro.


Professor Rodrigo Correia e Alexandre L'Omi L'Odò umedecem as raízes da árvore sagrada para seu plantio. Foto de Alyne Pinheiro.

Sacerdote Alexandre L'Omi L'Odò profere fala ritual acompanhado do professor Rodrigo Correira. Foto de Alyne Pinheiro.

Sacerdote Alexandre L'Omi L'Odò faz ritual de plantio da Jurema Sagrada. Foto de Alyne Pinheiro.

Momento sagrado. Plantando a esperança e enterrando o racismo e a intolerância religiosa. Foto de Alyne Pinheiro.

Alunos e alunas participam colocando areia com as mãos no momento do plantio da Jurema. Foto de Alyne Pinheiro.

Momento de celebração com alunos e alunas, onde a água foi jogada na mão de todos e todas para que eles também fossem parte deste ato sagrado. Foto de Alyne Pinheiro.

Alexandre L'Omi L'Odò e professor Rodrigo Correia, idealizadores do plantio. Foto de Alyne Pinehiro.

Momento final do ato. Foto para posteridade. Registro de Joannah Mendonça.

Consagração final com a fumaça sagrada da Jurema. Momento de elevação de nossas felicidades para as Cidades da Jurema. Foto de Joannah Mendonça.

Assim foi nosso ato. Muitas outras fotografias foram postadas em nossas redes sociais. Fiz esta breve seleção para deixar registrado aqui no blog a memória imagética deste ato considerado por todos nós como histórico e fundamental.

Que fique claro que a nossa proposta foi a partir deste ato, contribuir para que os alunos e alunas pudessem vivenciar um momento pedagógico que viesse a educá-los para a luta contra o racismo, a intolerância e para o respeito à diversidade religiosa. Respeitamos a laicidade do Estado e queremos vê-la efetivada de fato. Plantar a Jurema, foi uma mensagem de que a luta dos ancestrais indígenas ainda se mantém viva e dialogando com o aqui agora. Não estamos excluídos da sociedade, pelo contrário, estamos dentro dela e contribuindo inclusive na formação de todas e todos.

Salve a Jurema Sagrada. Salve os ancestrais indígenas. Salve a luta do Catucá. Salve Malunguinho. Salve os alunos e alunas. Salve o professor Rodrigo Correia, que foi muito corajoso e honrado em ir até o fim nesta luta. Salve meus afilhados e afilhadas que se fizeram presentes neste momento. Obrigado à todas e a todos. Foi lindo, emocionante e com certeza este momento ficar'a guardado para sempre em nossas almas.

Sobô Nirê Mafá!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Escola Estadual destaca o bioma do Nordeste na Semana do Meio Ambiente

Escola de Referência em Ensino Médio Professor Cândido Duarte celebra Semana do Meio Ambiente. Foto de Ashlley Melo/JC Imagem.

Escola estadual destaca o bioma do Nordeste na Semana do Meio Ambiente

Cidades/Ciência/M.Ambiente
Publicado em 05/06/2017

Evento pedagógico sensibiliza estudantes para os problemas que afetam os biomas nordestinos e consequentemente comprometem também os povos tradicionais de dependem destes ambientes.

Os povos tradicionais que dependem dos biomas da região Nordeste preservados para manterem suas tradições culturais e religiosas são o destaque da 1° Semana do Meio Ambiente da Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Professor Cândido Duarte, da rede estadual de ensino, situada em Apipucos, na Zona Norte do Recife. O evento, que mesclará aulas no Jardim Botânico do Recife, na Oficina de Francisco Brennand e no Engenho Massangana (além de palestras na escola com especialistas em clima, educação ambiental e religiões afro-indígenas) começa nesta segunda-feira (5).

"O objetivo deste evento pedagógico é sensibilizar os estudantes para os problemas que afetam os biomas nordestinos e consequentemente comprometem também os povos tradicionais que dependem destes ambientes para manterem suas tradições culturais e religiosas vivas", fala o coordenador da atividade, o professor de Geografia e de Direitos Humanos da unidade escolar, Rodrigo Correia. A programação vai até a próxima sexta-feira (9).

O professor diz que os alunos cobravam uma programação maior do que as edições do evento em 2015 e em 2016, ano em que a unidade se destacou por plantar o primeiro pé de Jurema, árvore relacionada com a religião afroindígena do Nordeste, numa escola pública brasileira. A muda foi doada e plantada pelo juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò, do Quilombo Cultural Malunguinho, que voltará ao local na sexta-feira (9), para participar da celebração em homenagem ao 1° ano deste plantio.

Antes, no mesmo dia, no período da manhã, haverá uma palestra sobre religiões afro-indígenas brasileiras e meio ambiente com o babalorixá Gilmar Camará, do Movimento dos Povos Tradicionais de Camaragibe. A partir das 15h20, o momento cultural encerrará a semana ambiental com a apresentação do Coco Raízes do Capibaribe do bairro da Várzea.

Meteorologia

O ciclo de palestras ainda contará com a presença da coordenadora do antigo Laboratório de meteorologia de Pernambuco (Lemepe), Francis Lacerda, atual responsável pelo segmento de mudanças climáticas do Instituto Agronômico do Estado (IPA), tema que será exposto por ela na quinta-feira (8). Um dia antes, o professor e doutorando em Educação Ambiental, debaterá sobre a perspectiva onde não separa o homem e a natureza para tratar das questões ambientais e sociais. Vários graduandos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) também debaterão com temas relacionados ao objetivo da Semana do Meio Ambiente da escola.   


#JuremanaEscola 

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!