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quinta-feira, 10 de outubro de 2024

CD Sobô Nirê - meu labor da mata será lançado dia 16/10 em todas plataformas digitais

Capa do CD Sobô Nirê - meu labor da mata. Arte de Wellington Tatoo.

CD Sobô Nirê – meu labor da mata

O CD Sobô Nirê - meu labor da mata é um documento fonográfico criado para propiciar um diálogo da tradição dos cânticos sagrados de Malunguinho com a contemporaneidade e as artes de forma livre, criativa e fundamentada numa pesquisa séria. As toadas do Reis Malunguinho, divindade do panteão da Jurema Sagrada, atravessaram séculos, sendo cantadas cotidianamente nos terreiros através das entidades incorporadas e dos juremeiros e juremeiras. Sucessos tradicionais mais que centenários repetidos de forma ritual em quase todo Nordeste. Sim, toadas são sucessos musicais que atravessam gerações sem precisar da indústria fonográfica, e que podem transcender os espaços sagrados dos terreiros para invadir as plataformas digitais de música sendo reinterpretadas através de artistas ligados ou não à Jurema. Afinal, assim como a fumaça, a arte é livre.

As toadas cantadas na umbanda, candomblé e Jurema, povoam o imaginário da música popular brasileira desde a década de 1940, não sendo qualquer novidade as interpretações livremente artísticas, incluindo efeitos digitais, guitarras, e demais instrumentos, respeitando a liberdade poética de cada artista. Baden Power, Vinicios de Moraes, Clara Nunes, entre outros e outras artistas e sacerdotes, como Pai Edu do Alto da Sé de Olinda, Joãozinho da Gomea, gravaram discos, cd’s, fitas k7, etc, preservando a memória desses cânticos que embalam nossas vidas inteiras, seja dentro dos terreiros ou fora deles.

Há 10 nos guardado na gaveta (2014-2024), esperando ser aprovado em editais públicos de fomento à cultura (pleiteamos mais de cinco vezes, sem sermos aprovados), decidimos encerrar as expectativas com apoios dos governos e vimos à público divulgar este trabalho feito com tanto amor e fé, com tanta dedicação dos artistas envolvidos, que merece ser ouvido deliberadamente e ecoar por todos os meios possíveis, levando a mensagem da Jurema do Reis Malunguinho pro mundo.

O CD Sobô Nirê- Meu labor da mata contém 13 faixas com um mix entre toadas tradicionais e músicas inéditas com criações e arranjos que trazem a identidade sonora de cada artista pernambucano integrante do projeto.  O processo de captação, pós-produção e finalização foi realizado no Estúdio Peixe Sonoro (CTCD Nascedouro de Peixinhos/ITEP), a pesquisa histórica e a articulação cultural artística ficaram a cargo do Pesquisador historiador, mestre em ciências da religião e juremeiro Alexandre L’Omi L’Odò, Quilombo Cultural Malunguinho, que concebeu o projeto e participou em todas suas instâncias de realização, sendo o produtor fonográfico da obra. A produção musical esteve a cargo do músico percussionista Rinaldo Aquino, Ogan e L’Omi. A produção geral ficou a cargo do jornalista e juremeiro Ricardo Nunes, que com maestria dedicou todo seu suor para a realização deste projeto. A pesquisa foi extraída do livro ainda no prelo, “Malunguinho e seus cânticos sagrados na Jurema”, que contém mais de cem toadas registradas nos mais de 20 anos de pesquisa realizada por L’Omi.  

A proposta inicial era realizar um CD com toadas de Malunguinho, reunindo grande parte de seu arsenal musical na Jurema. Quando o projeto chegou nas mãos de Selma Leite (CTCD Nascedouro de Peixinhos) para gravação Estúdio Peixe Sonoro. Aprovado pelo seu mérito histórico e cultural de preservação de nossas raízes, ela sugeriu a ampliação e o convidasse de outros artistas para criar um universo maior que valorizasse ainda mais o trabalho. Assim foi feito e aceito. Projeto aprovado em um dos editais do Estúdio Peixe Sonoro, conseguiu realizar uma integração valiosa de artista que dedicaram sua criatividade e talento para dar vida a algo inédito e o resultado ficou admirável. Todos os músicos, grupos e pessoas partícipes deste trabalho cederam seus direitos autorais de imagem e som para o projeto.

Este projeto foi assinado como produção do Selo Fonográfico Peixe Sonoro, contando com uma produção colaborativa entre o CTCD Nascedouro de Peixinhos e os artistas convidados: Karynna Spinelli, Bojo da Macaíba, Coco dos Pretos, Bongar, Lucas dos Prazeres e Chinelo de Iaiá, e juremeiros e juremeiras convidados para gravar as faixas com toadas. Pai Vado de Pau Ferro, Pai Marivaldo Cabuêta, Cristina do Arraiá, Mãe Rosa do Palácio de Yemanjá, Thúlio do Bongar, entre outras pessoas contribuíram contando em faixas diversas, umas que estão no CD e outras que no futuro virão à público.  

A capa

Desenhada e pintada a punho pelo artista plástico, tatuador e ogan Wellington Nascimento da Silva, o renomado Wellington Tatoo (@manguedemim), a capa traz elementos que retratam o imaginário do Reis Malunguinho na Jurema Sagrada. Utilizando-se de suas cores rituais, verde, vermelho e preto, para dar o tom correto ao trabalho, traduzindo sua cromociência, os desenhos imprimem seus símbolos mais fortes, a estrela de sete pontas, ou estrela de Malunguinho que é destaque principal da arte. Adornada por sete chaves que representam as chaves que abrem ou fecham os portões sagrados das sete principais Cidades da Jurema, aludem ao poder espiritual que essa divindade tem no contexto juremológico da religião, dono das chaves mestras dos encantos. Ao centro, tem sua imagem em destaque, a mesma que podemos ver nos terreiros, quando é cultuado como Exu/trunqueiro (o garotinho preto sentado à espreita, observando quem vem e quem vai). Essa imagem, é a mesma desenhada por Flávio Felipe de Carvalho Filho em 2016, para compor as ilustrações da dissertação de mestrado Juremologia (L’Odò, p. 272, 2017). A pintura que faz a moldura dessa capa, traz elementos tribais africanos e quatro flechas, que cercam, dão forma e sentido semiótico ao que quer falar a arte: Malunguinho é negríndio.

A saudação “Sobô Nirê”, enigmática afirmação secreta e única na tradição da Jurema para uma divindade, afinal não há outra entidade ou divindade que tenha uma saudação só sua como Malunguinho, traz sua mais importante reverência, ainda pesquisada e não traduzida publicamente. O sub título “Meu Labor da Mata”, é um trecho de sua toada: “Malunguinho é meu labor, meu labor da mata... Oh meu labor da mata”, cantada por vezes pelos mais velhos como “oh meu amor da mata”, sendo uma das toadas de melodia e ritmo mais interessantes desta divindade, e também que afirma sua importância na mata sagrada, onde ele é o labor, a força, o ser pujante, a máquina que faz moer toda Ciência dentro dos segredos mestres.

Ficha técnica

Produção fonográfica: Alexandre L’Omi L’Odò.

Selo e estúdio: Peixe Sonoro.

Produção executiva: Selma Leite.

Produção geral: Ricardo Nunes

Técnicos de som: Peixe Sonoro

Produção musical: Rinaldo de Aquino, Alexandre L’Omi L’Odò e Pedro Santos

Produção Artística, pesquisa, articulação, direção artísitica: Alexandre L’Omi L’Odò.

Pós-produção, mixagem e masterização final: Alexandre L’Omi L’Odò, Marinho, Léo D.

Artistas: Grupo Bongar, Lucas dos Prazeres, Chinelo de Iaiá, Bojo da Macaíba, Coco dos Pretos e Karynna Spineli.

Juremeiros e juremeiras envolvidos: Cristina do Arraiá, Pai Marivaldo Cabuêta, Mãe Rosa do Palácio de Yemanjá, Juliana Barbosa, Ogan Rinaldo Aquino, Ogan Thúlio da Xambá.

Capa: Wellington Nascimento da Silva.

Serviço:

O CD Sobô Nirê - meu labor da mata, estará acessível gratuitamente em todas as plataformas digitais em 16 de outubro de 2024. Após o lançamento, também disponibiliraremos no YouTube.

Alexandre L'Omi L'Odò

Quilombo Cultural Malunuguinho 

alexandrelomilodo@gmail.com 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Artistas: acessem os recursos financeiros da Lei Aldir Blanc em Olinda – Alexandre L’Omi dá o passo a passo

Artistas: acessem os recursos financeiros da Lei Aldir Blanc em Olinda – Alexandre L’Omi dá o passo a passo

A Lei Aldir Blanc é uma vitória histórica para toda cadeia produtiva da cultura no Brasil. Aprovada em 29 de junho de 2020 com o número 14.017, foi criada com o intuito de promover ações para garantir uma renda emergencial para trabalhadores da Cultura e manutenção dos espaços culturais brasileiros durante o período de pandemia do Covid19.

Para receber os recursos, observe esse conjunto de orientações que o pré-candidato à vereador em Olinda Alexandre L’Omi (@alexandrelomilodo) traz pra lhe ajudar a entender os passos de como conseguir acesso ao seu benefício. Todos artistas, trabalhadores da cultura como roadies, iluminadores, técnicos de som, terreiros de candomblé, de Jurema Sagrada e demais povos tradicionais tem direito e devem seguir os passos determinados por cada Estado e município para adquirir os valores determinados para cada caso.

Em Pernambuco, você deve fazer sua página no site: http://www.mapacultural.pe.gov.br/ - é bem simples, igual fazer uma página no Facebook.

No município de Olinda, nossa Cidade que precisa avançar e ter melhores vereadores(as), o link é esse: https://www.olinda.pe.gov.br/olinda-abre-cadastro-para-mapeamento-artistico-cultural/ - Corra lá e preencha tudo direitinho para garantir teu direito.

Que passe logo essa pandemia para que com a devida segurança possamos voltar a fazer cultura com qualidade e amor como sempre fizemos. Todos os artistas e terreiros merecem ser ressarcidos de suas perdas financeiras. Esse recurso e apenas uma ajuda mínima, mas que pode nos dar bastante força na necessidade do hoje. Voa lá nos links!!

#AlexandreLOmi2020 #AlexandreLOmiLOdò #LeiAldirBlanc #Olinda #PovodeTerreiroNaPolítica #NossalutaéPelaIgualdade #QuemédeTerreiroVotaemquemédeTerreiro #CulturaPopular #PovosTradicionais #DireitodosArtistas #OlindaPrecisaMudar #JoãoPaulo #axe #axé #Candomblé #JuremaSagrada #Catimbó #fé #TerreirosdeOlinda #Peixinhos #Pernambuco


Alexandre L'Omi - Pré candidato à vereador em Olinda 2020

domingo, 24 de dezembro de 2017

"Faltou para muita gente". Texto de reflexão sobre seu lugar de fala em relação aos temas afro indígenas

Alexandre L'Omi L'Odò fumando um cachimbo na Jurema, no X Kipupa Malunguinho. Foto de Carol Melo. Edição de L'Omi.

“Faltou para muita gente”. Texto de reflexão sobre seu lugar de fala em relação aos temas afro indígenas


Para compreender o que é liberdade negro indígena, faltou para muita gente, muita coisa. Portanto, decidi escrever este breve texto que aponta um pouco do que faltou para muita gente que quer assumir uma discussão e um lugar que não é seu, no campo da luta negra e indígena e do Povo de Terreiro.

Vejo pessoas apoiando o sincretismo religioso como um fato imutável. Vejo pessoas assumindo falas que jamais poderiam ter sido suas. Acompanho desenvolvimentos de teorias próprias e vazias que contribuem para o fortalecimento do racismo. Temos que conseguir debater melhor esses temas. Temos que nos posicionar e conversar sobre. Calar é o pior caminho. Na luta pelo Povo da Jurema, aprendi muito a ouvir e vivenciar a profundidade dos significados. Por isso, falo abaixo do que faltou para muita gente, na hora de uma fala sobre temas que envolvem nossas lutas, cultura, religiões e povos.

Faltou para muita gente:

Faltou para muita gente acordar ao som de tiros.

Faltou para muita gente ver o sol nascer em uma favela.

Faltou para muita gente ter lutado em Peixinhos.

Faltou para muita gente a possibilidade de ter trabalhado do GCASC – Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças.

Faltou para muita gente ter capinado e limpado o Nascedouro de Peixinhos.

Faltou para muita gente ter ouvido Rivaldo Pessoa falar sobre cultura negra.

Faltou para muita gente ter vivenciado os dias áureos do Alafin Oyó.

Faltou para muita gente ter ido à Colônia Z4 dançar o afoxé.

Faltou para muita gente debater com brancos e ser subestimado, mesmo estando certo, só por que você é pobre e de terreiro.

Faltou para muita gente ter ido ver o Maracatu Leão Coroado ensaiar em Águas Compridas.

Faltou para muita gente ter conhecido Dona Zuleide de Paula e ter conversado horas com ela sobre luta comunitária e história de base.

Faltou para muita gente ter vivenciado as atividades da Biblioteca Multicultural do Nascedouro de Peixinhos.

Faltou para muita gente ter podido ser do Boca do Lixo.

Faltou para muita gente ter ouvido o Ataque Suicida no palco.

Faltou para muita gente ter tido aulas de percussão com o genial mestre Toca Ogan.

Faltou para muita gente ter conhecido Sr. Matias, e seus filhos Marcos Matias e André Malê, mestres extraordinários.

Faltou para muita gente ter tocado no Bloco Mulambo.

Faltou para muita gente ter visitado terreiros paupérrimos nos morros e becos do Recife e Região Metropolitana.

Faltou para muita gente ter dado Cosme Damião e feito quebras panelas nas ruas dos bairros.

Faltou para muita gente ter passado um mês de quarto em recolhimento religioso para o Orixá.

Faltou para muita gente ter lutado pelas cotas raciais nas universidades.

Faltou para muita gente ter conversado com Massapê e visto suas músicas e poesias.

Faltou para muita gente ter saído de Peixinhos andando até Vila Popular para visitar o terreiro de Pai Raminho de Oxóssi.

Faltou para muita gente ter tocado ou dançado do Afoxé Ará Odé.

Faltou para muita gente ter ido às ruas lutar pela democracia.

Faltou para muita gente ter podido ouvir com atenção o Bloco Afro Lamento Negro.

Faltou para muita gente ter tocado ou dançado no Magê Molê.

Faltou para muita gente ter podido protestar contra o genocídio da juventude de Peixinhos em décadas passadas.

Faltou para muita gente ter ouvido Olodum com atenção.

Faltou para muita gente ter visto o Timbalada e sentido sua mensagem negra com profundidade.

Faltou para muita gente ter dançado dentro do Ilê Iyê e ter ouvido seus antigos LP's.

Faltou para muita gente ter podido participar de uma aula com Lepê Corrêa e ouvido seus ensinamentos.

Faltou para muita gente ter podido conhecer Sr. Luiz de França.

Faltou para muita gente ter conhecido o Mestre Dió (Deodato), gigantesco juremeiro.

Faltou para muita gente ter comido pirão de café, por falta de feijão.

Faltou para muita gente ter contribuído nos trabalhos em prol aos meninos e meninas de rua no Recife, a partir do CPP.

Faltou pra muita gente ter conhecido Demétrius e seus sonhos e coragem de transformar a realidade dos desvalidos.

Faltou para muita gente ter ouvido Chico Science com maior sensibilidade.

Faltou para muita gente ter conhecido o Sr. Amaro Fala Fina.

Faltou para muita gente ter conhecido João Meira de Peixinhos.

Faltou para muita gente ter visto o Balé Afro Akindelê e o Expressão Afro Brasil, ambos comunitários e feito por pessoas muito pobres.

Faltou para muita gente ter visto o Omo Lasó Àiyé nos palcos.

Faltou para muita gente ter visto Dito de Oxossi falando sobre povo negro.

Faltou para muita gente ter ouvido Cacique Chicão.

Faltou para muita gente ter lido os livros de Fanon e de Abdias Nascimento.

Faltou para muita gente ter conhecido a obra de Mestre Didi e ter-lhe pedido a benção.

Faltou para muita gente ter olhado com mais respeito para Carlinhos Brown.

Faltou para muita gente ter rasgado a bíblia de dentro de si.

Faltou para muita gente ter conhecido o insubstituível mestre negro Babá Paulo Braz Ifátòògùn.

Faltou para muita gente ter rezado com Mãe Lu Omitòògùn o mês mariano.

Faltou para muita gente ter visto o Mestre Sibamba incorporado na matéria da grande juremeira Dona Leide.

Faltou para muita gente ter conhecido Rolando Toro.

Faltou para muita gente ter lido os discursos de Osho.

Faltou para muita gente ter conhecido a Banda Etnia.

Faltou para muita gente ter gargalhado ao som de Dona Selma do Coco.

Faltou para muita gente ter sambado junto à Mestre Salustiano e visto suas aulas de Rabeca.
Faltou para muita gente ter estudado a língua Yorùbá.

Faltou para muita gente ter conhecido Oxum.

Faltou para muita gente o conhecimento sobre a luta de Malunguinho e do Quilombo do Catucá.

Faltou para muita gente ter acreditado que seria possível estudar e romper o status da pobreza a partir dos estudos.

Faltou para muita gente ter votado em Lula.

Faltou para muita gente ter lutado de fato contra o Golpe.

Faltou para muita gente ter ouvido e lido Lecí Brandão e Mertinho da Vila.

Faltou para muita gente ter lido umas poesias de Solano Trindade.

Faltou para muita gente ter vivenciado um verdadeiro Movimento Negro.

Faltou para muita gente ter fumado um cachimbo com os parentes indígenas.

Faltou para muita gente ter conhecido as poesias de Oriosvaldo de Almeida.

Faltou para muita gente parar para refletir sobre o sincretismo.

Faltou para muita gente ter tido coragem de romper com as correntes que nos escravizam no capitalismo.

Faltou para muita gente coragem de superar.

Faltou para muita gente sensibilidade.

Faltou para muita gente ter conhecido Mãe Ivanize de Xangô.

Faltou para muita gente ter parado para ouvir os saberes negros do Mestre Afonso do Maracatu.

Faltou para muita gente ter presenciado a incansável fé de Gilson Gomes na dança negra.
Faltou para muita gente vivenciar a mata sagrada de Malunguinho.

Faltou para muita descalçar os pés no Kipupa e receber a fumaça divina da Jurema.

Faltou para muita gente conhecer Paulo Queiroz e sua superação social através da dança.

Faltou para muita gente ter ouvido Chico Buarque de Holanda e refletir a partir de suas críticas musicais.

Faltou para muita gente ter participado das atividades do Axé Opô Afonjá, nos bons tempos.

Faltou para muita gente ter vivenciado as edições de ouro do Alaiandê Xirê.

Faltou para muita gente o convívio negro com Rita Honotório.

Faltou para muita gente ter conhecido a teologia da libertação.

Faltou para muita gente ter sentado aos pés do Iroko do Sítio de Pai Adão.

Faltou para muita gente ter ouvido Dona Mãezinha falando e cantando.

Faltou para muita gente ter visto Paulo Braz Ifátòògún dançando... Esse sim era inesquecível.

Faltou para muita gente ter prestado atenção no pensamento de Davi Kopenawa.

Faltou para muita gente ouvir os velhos incansavelmente.

Faltou para muita gente ter participado das edições do Congresso Nacional do Desfazendo Gênero.

Faltou para muita gente ter passado horas e horas limpando penas de galinha de uma cerimônia para os Orixás.

Faltou para muita gente ter visto o milagre de Ògúnté Mi, que materializou um peixe-boi no mar, em decorrência a entrega da Panela de Iyemojá.

Faltou para muita gente ver Ògúnté em terra dançando... Isso é Deus/Deusa puro.

Faltou para muita gente ter ouvido José Jorge de Carvalho e suas geniais lucubrações.

Faltou para muita gente ter amado pessoas loucas.

Faltou para muita gente ter se entregado à tudo que pode nos edificar em prol da luta contra o racismo.

Faltou para muita gente muita coisa negra e indígena.

Faltou para muita gente reconhecer que é branco ou branca e que seu lugar de poder é um desafeto para o povo que luta.

Faltou para mim tanta coisa, ainda assim...

Portanto, antes de falar, ou contestar o debate decolonial, antes de querer construir um discurso conformista sobre o sincretismo e a relação do cristianismo com o povo de terreiro, veja de onde, e em que condições você está falando. Mesmo sendo democrático o direito de opinar sobre qualquer coisa, creio ser necessário uma reflexo sobre seu lugar de fala. Calar por vezes é necessário. Abra-se para a desconstrução. Tem muita gente sábia que há anos luta para tentar realizar um processo de libertação ideológica ampla para o povo negro e indígena. Se junte a nós, venha caminhar conosco, venha ser parte de um mundo do bem viver e da harmonia social. Venha carregar um bombo nas costas e tocar um maracatu sem reclamar que está doendo os calos causados pelas baquetas na mão.

Salve a fumaça e que não falte para ninguém o direito da luta anti racismo.

Sobô Nirê Mafá!!
“Malunguinho no mundo, é meu braço direito”.

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultual Malunguinho

alexandrelomilodo@gmail.com 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Aniversário de 30 anos de Alexandre L'Omi L'Odò


Aniversário de 30 anos de Alexandre L'Omi L'Odò

É com muita honra que cheguei até aqui. 30 anos de estrada. 30 anos de lutas bem sucedidas e outras nem tanto... Contudo sou feliz na adversidade! Como herdeiro da senzala, nunca me neguei a lutar par reverter esse  meu/nosso forçado lugar de subalternidade, mas a luta continua, e não sou de desistir fácil de nada, sou resiliente por que aprendi a ser assim com meus mais velhos na Jurema e no Axé!

Sou leonino, filho de Oxum... Imagina o estrago rsrsrsrs. Sou da Jurema, filho de Malunguinho, lutador e sonhador. Sou leão do Norte, não nasci pra temer, até por que temer não faz meu gênero, eu grito logo #ForaTemer!

Convido meus amigos e amigas para celebrar a vida comigo. Entendo que essa existência na terra passa muito rápido. Sendo assim, qualquer motivo que tivermos para nos alegrarmos junto com os amigos e migas se faz necessário e pauta primeira na ordem dos dias. 

Venham vibrar comigo na pisada do coco. O coco é minha alma! Nasci coquista, assim como nasci juremeiro. Como meu pai Paulo Braz Ifátòògùn dizia "quem é bom j´nasce feito, e quem quer fazer não pode"! Entendo o que ele me dizia... Ele nos dizia na verdade, pois Pai Paulo falava pro universo... 

A sambadinha do véio será às 19h aqui em minha humilde casa. Venham e vamos cantar e tocar para esquentar a alma e aconchegar nossos caminhos de vida juntos. Quero ampliar no dia de hoje o nosso amor coletivo, quero mesmo é cair nos braços da felicidade. Vem comigo, aproveita essa promoção!

Alexandre L'Omi L'Odò
Aniversariante do 08/08
30 anos no leite!
Axé e salve a fumaça!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Acorda Povo de Peixinhos 2016 celebra 30 anos de resistência na fé em Xangô e São João


Acorda Povo de Peixinhos 2016
Celebra 30 anos de resistência na fé em Xangô e São João


Demorei 28 anos esperando receber esta bandeira, e por esta tradição farei o melhor! Vamos celebrar os 30 anos do Acorda Povo de Peixinhos!

A Casa das Matas do Reis Malunguinho, meu terreiro de Jurema (em seu endereço provisório) tem o prazer de convidar todas e todos para a levada da Bandeira de São João por mim recebida ano passado pelo GCASC - Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças - detentor desta tradição. 

Dia 22 de Junho de 2016, o Bairro de Peixinhos mais uma vez vivenciará e celebrará esta linda celebração que é levada com muita garra e seriedade há 30 anos (comemorados em 2016) pelo GCASC. Sabemos que esta tradição tem mais de 50 anos no bairro, e que há 29 anos o Grupo se responsabilizou em manter vivo este patrimônio imaterial, afinal, se percebia na época (há 30 anos) que esta procissão junina estava se extinguindo. Este ato, nos garantiu hoje vermos viva uma das mais lindas procissões sincréticas e híbridas do Brasil.

Nos últimos anos vimos na madrugada do dia 22 para o dia 23/06 uma multidão de aproximadamente mil pessoas acompanhando esta Bandeira. Isso é muito forte e demonstra o quanto as pessoas envolvidas se dedicam para agregar o máximo possível de membros da comunidade para manter viva nossa cultura. Isso me emociona muito.

Dia 22 de junho, às 00h a Bandeira de São João com toda sua orquestra de tambores tocando coco, sairá pelas ruas do bairro a partir da Rua da Harmonia, n°27 (nosso terreiro/casa), para ser entregue na Rua do Cajueiro. Faremos uma celebração à Xangô antes da meia noite com os ilús sagrados da tradição nagô, tocando e invocando o Orixá do fogo e da justiça.

A partir das 18h, teremos shows de coco e forró pé de serra animando a comunidade antes da grande procissão. Cheguem cedo, vamos aproveitar a festa. Contaremos com os coquistas do bairro que cantarão fazendo a tradicional roda de coco de Peixinhos.

Teremos fogueira, comidas típicas e muita alegria para amanhecer o dia com toda fé no nosso senhor Xangô, Malunguinho e São João Batista.

Estão todas e todos convidados. Venham celebrar comigo este momento histórico na minha vida. Axé e salve a fumaça!

Estou muito agradecido pelo reconhecimento da comunidade. Isso nos fortalece!

Quem quiser saber o que é o Acorda Povo através de dados históricos, visite: 


Serviço:

Acorda Povo de Peixinhos 2016
Saída da Bandeira - 22 de Junho às 00h
Shows e roda de coco à partir das 18h
Local: Casa das Matas do Reis Malunguinho - Rua da Harmonia, n°27
Grátis e na rua, é um evento da comunidade!


Alexandre L'Omi L'Odò
Casa das Matas do Reis Malunguinho 
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

POVO DE TERREIRO, É POSSÍVEL ELEGER UM?

Alexandre L'Omi L'Odò em palestra no Sítio de Pai Adão. Alaiandê Xirê. Não lembro data. Autor desconhecido. 

POVO DE TERREIRO, É POSSÍVEL ELEGER UM? 

Há anos o povo de terreiro de todo Brasil reflete sobre seus quadros políticos... É hora de construirmos uma candidatura centrada no coletivo e que venha para fortalecer nosso povo. 

Não podemos ser a carne mais barata do mercado. O Povo de Olinda tem que eleger vereadores que possam contribuir no avanço das políticas públicas na cidade. 

Terreiros de Olinda, é hora de mostrar sua força. Quem é de terreiro vota em quem é de terreiro! Não podemos fugir ao nosso compromisso nas urnas em 2016. 

PRECISAMOS FAZER UM! 

JUNTOS PODEMOS! 

Vamos construir juntos essa Vitória!!

Essa foto é Antiga... Foi tirada no Sítio de Pai Adão em uma palestra no Alaiandê Xirê.  Não lembro quem foi o autor ou autora e a data.

Alexandre L'Omi L'Odò
Historiador e Mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

sábado, 13 de junho de 2015

Acorda Povo de Peixinhos 2015


Acorda Povo de Peixinhos 2015
Celbrando Xangô e São João

A Casa das Matas do Reis Malunguinho, meu terreiro de Jurema (em seu endereço provisório) tem o prazer de receber a tradicional Bandeira de São do Acorda Povo do GCASC - Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças. 

Dia 22 de Junho de 2015, o Bairro de Peixinhos mais uma vez vivenciará e celebrará esta linda tradição que é levada com muita garra há 29 anos pelo GCASC. Sabemos que esta tradição tem mais de 50 anos no bairro, e que há 29 anos o Grupo se responsabilizou em manter vivo este patrimônio imaterial de nossa comunidade, afinal, se percebia na época que esta procissão junina estava se extinguindo. Este ato, nos garantiu hoje vermos viva uma das mais lindas procissões sincréticas e híbridas do Brasil.

Nos últimos anos vimos na madrugada do dia 23 uma multidão de aproximadamente mil pessoas acompanhando esta procissão. Isso é muito forte e demonstra o quanto as pessoas envolvidas se dedicam para agregar o máximo possível de membros da comunidade para manter viva nossa cultura. Isso me emociona muito.

Dia 22 de junho, às 00h a Bandeira de São João com toda sua orquestra de tambores tocando coco, sairá pelas ruas do bairro a partir da Rua da Caixa D'água, da casa de Laércio - Mercadinho Santo Antônio, rumo à Rua da Harmonia, n°27 (nosso terreiro/casa) para aqui entregarem a Bandeira e fazermos os rituais pertinentes desta tradição, celebrando Xangô e São João com muito coco.

Vamos ter o show do Grupo Raízes, que vem do Terreiro de Dona Marinalva em Sapucaia/Olinda, com o ritmo do Xambá para animar a festa. Também teremos os coquistas do bairro que cantarão fazendo a tradicional roda de coco de Peixinhos.

Teremos fogueira, comidas típicas e muita alegria para amanhecer o dia com toda fé no nosso senhor Xangô, Malunguinho e São João Batista.

Faremos uma homenagem ao importante artista plástico "Michael Jackson" (como era conhecido), por ele ter participado ativamente de anos anteriores da realização do Acorda Povo, sobre tudo pintando à mão as Bandeiras que ainda hoje são usadas. Ele faleceu ano passado deixando uma lacuna muito grande no Bairro. Ele merece nossas homenagens e orações.

Estão todas e todos convidados. Venham celebrar comigo este momento histórico na minha vida. Axé e salve a fumaça!

Estou muito agradecido por reconhecimento da comunidade. Isso nos fortalece!

Quem quiser saber o que é o Acorda Povo através de dados históricos, visite: 


Serviço:

Acorda Povo de Peixinhos 2015
22 de Junho às 00h
Local: Casa das Matas do Reis Malunguinho - Rua da Harmonia, n°27
Show do Grupo Raízes (coco do Xambá)
Grátis e na rua


Alexandre L'Omi L'Odò
Casa das Matas do Reis Malunguinho 
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Mestre Galo Preto no Toda Música - Na TVU-Recife, canal 11, domingo (24/06) às 20h30

Mestre Galo Preto no Toda Musica. Foto: Divulgação.

 Mestre Galo Preto no Toda Música - Na TVU-Recife, canal 11, domingo (24/06) às 20h30

Sabe o que Mestre Galo Preto, Racionais, Zé Brown e Maggo Mc têm em comum? A rima! Do rap ao repente, do coco à embolada, o Toda Música vai fazer uma viagem sonora ao mundo do ritmo e da poesia.

Os Racionais MC’s estiveram no Recife e fizeram um show que transformou o teatro da UFPE numa verdadeira “pista”. No Mundo Música tem um passeio no centro do Recife. Tila conversa com Mcs e emboladores pra descobrir quais são os pontos em comum entre a embolada nordestina e a batida urbana do Hip Hop. Quem guia ela é Zé Brown e Maggo Mc.

Mestre Galo Preto, parceiro de Jackson do Pandeiro, Arlindo dos Oito Baixos, Luiz Gonzaga e Jacinto Silva, dá uma palhinha em casa.
Assista na TVPE, sábado (23/06) às 19h e na TVU-Recife, canal 11, domingo (24/06) às 20h30


Acesse o site do Toda Música: http://todamusica.tv

Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomildoo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!