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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

VIII Kipupa Malunguinho - Triunfando na Jurema! Agradecimentos

VIII Kipupa Malunguinho (altar) - Foto de Juliana Düb.

VIII Kipupa Malunguinho
Triunfando na Jurema!

Agradecimentos

Mais um ano realizamos o Kipupa Malunguinho, Coco na mata do Catucá com êxito e alegria. Já na VIII edição, continuamos com nossa missão de fortalecer o Povo da Jurema em sua completude, tanto teológica quanto de representação política na sociedade, contribuindo para o levante da auto-estima destes, para que possam se afirmar como juremeiros e juremeiras, colocando a Jurema em um lugar mais decente perante sua história e contribuição para as demais religiões que posteriormente chegaram ao Brasil.

O Kipupa, mais uma vez reafirmo, não é uma “festa nas matas”, ou um “piquenique de Jurema”, ou até mesmo uma “caminhada de Malunguinho”. O Kipupa é o maior encontro de troca de saberes entre juremeiros e juremeiras que existe até hoje no país, evento que traz pessoas de toda parte do Brasil para conhecer um espaço histórico na luta do Povo negro e indígena de Pernambuco, também, para conhecer a história de Malunguinho e vivenciar uma experiência profunda com a ciência da Jurema Sagrada e com os saberes da cultura popular e tradicional em matas sagradas e consagradas à seu Reis e demais entidades e divindades. Também, é um grande ato de fé coletivo consciente, não devemos esquecer... Este momento também faz parte de um calendário já tradicional para nosso Povo, pois setembro já é o mês de Malunguinho para muitos terreiros que entenderam o papel de reconhecer nossas divindades com a dignidade que elas merecem nos rituais internos e na vida cotidiana, afinal, Malunguinho também é um herói de nosso povo, e assim devemos celebrá-lo.

Realizar um evento deste porte não é fácil... Muito trabalho, muita luta, meses de idas e vindas em secretarias, salas, conversando com pessoas, pedindo ajuda, realizando reuniões, correndo e correndo para garantir o melhor em estrutura e condições pra nosso povo se sentir a vontade pra poder juntos expressar o que de melhor temos em nós: nossa ciência.

Assim é o Kipupa Malunguinho, evento que cresceu junto com a consciência do povo da Jurema para construir novos rumos para nossa religião, tendo como referência o herói Malunguinho, guerreiro do Catucá que até hoje nos protege e orienta, cumprindo seu papel histórico e divino.

Temos que agradecer muito a todas e todos que ajudaram o evento a acontecer, pois sem estes não poderíamos ter o realizado, claro (rsrsrs). O evento ainda não tem a estrutura que merece, nem o reconhecimento por parte do poder público local e estadual que almejamos, mas estamos na luta, às vezes até nos humilhando por apoio... Esta fase um dia há de passar, pois creio que as entidades não estão cegas e insensíveis a toda essa luta que travamos pelo nosso povo e por eles também, a final, entendemos tudo isso como uma missão, uma missão cara, difícil, pesada, nada confortável, mas válida e necessária para podermos inverter nosso lugar de exclusão que ainda vivemos. Portanto, lutar foi nossa escolha. Não queremos ficar dentro de nossas casas apenas soltando fumaça pra ajudar “freguês” ou filhos, queremos soltar nossa fumaça pra mudar um paradigma social histórico de exclusão e racismo a que todos nós estamos submetidos indesejadamente, e por isso damos nossa cara à tapa.

Gira com o povo da Jurema no VIII Kipupa Malunguinho. Foto de Rennan Peixe.

Obrigado a Malunguinho por mais um ano de vitórias e agregação de pessoas em prol dessa luta. Obrigado a ciência mestra da Jurema Sagrada que nos permite realizar este evento. Obrigado a Tupã pela nossa existência e força vital. Obrigado a toda equipe do Quilombo Cultural Malunguinho, e a todas e todos que ajudaram mesmo sem pertencer ao QCM oficialmente; Obrigado aos apoios de: Mãe Graça de Xangô pela ajuda imprescindível na vendagem das camisas “A JUREMA MERECE RESPEITO”; obrigado a Pai Messias por ter organizado seu terreiro para contribuir com o evento; Obrigado a Pai Tonho de cajueiro Seco por mais um ano estar conosco; Obrigado a Vado Juremeiro por ter se disponibilizado a organizar o ônibus da Vila das Lavadeiras; Obrigado a Ana de Oyá por ter ajudado a vender uma parte das camisas; Obrigado a todas e todos que compraram as camisas (esta grana ajudou demais ao evento se realizar). Obrigado ao secretário de Estado Oscar Paes Barreto, a Isaltino Nascimento, ao vereador do Recife Vicente André Gomes, ao vereador do Recife Raul Julgmann; obrigado a Prefeitura de Abreu e Lima na pessoa de Wellington Tiago – secretário de Turismo e Cultura do município; obrigado a Amauri Cunha coordenador do Núcleo Afro da Prefeitura do Recife; Obrigado a prefeitura do Recife pelas águas enviadas; obrigado a prefeitura de Olinda através da secretaria executiva da Mulher comandada por Donana Cavalcanti; obrigado à Rita Honotório e sua irmã Juliene pelos fogos doados; obrigado a Juliana Bison por ter se disponibilizado a organizar o ônibus de Peixinhos; Obrigado a Anne Cleide por ter se disponibilizado a ajudar nos ônibus do centro do Recife; obrigado a Graça Bastos; obrigado a Eric Assumpção pela ajuda decisiva para a realização do evento em loco; obrigado a Vivi e a Wilson Maraca pela ajuda imprescindível em toda estrutura do evento um dia antes e no dia, inclusive no esvaziamento dos buracos de lama a balde; Obrigado a Jorginho meu filho que com sua luz me ajudou a suplantar as dificuldades; obrigado a Arthur Lima pela decoração e ajuda em geral que deu; obrigado à Kamilla da Costa pela contribuição efetiva ao evento e na ajuda que deu durante o dia do mesmo; Obrigado como sempre à Juarez e a Nani que sempre nos ajudam muito neste processo; Obrigado a Eliane do Mercado de São José, da Casa Abre Gira por nos ajudar a vender os bilhetes dos ônibus; Obrigado ao SAMU pela cobertura com uma ambulância no local; obrigado à Polícia Militar de Pernambuco nas pessoas da capitã Lucia Helena do GT Racismo da Polícia e do Capitão André Luan; Obrigado ao terreiro Mensageiros da Fé, casa que sustenta os fundamentos de Malunguinho através de Sandro de Jucá e Dona Dora (meus padrinhos); obrigado ao Ministério da Saúde por ter enviado o professor Jayro Pereira de Jesus, e obrigado ao professor por ter vindo do RS dar o curso de Afrobioética na Semana da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana e por ter participado do Kipupa com uma fala importante; Obrigado à professora Célia Cabral e a Escola Estadual Mariano Teixeira por terem realizado mais um ano a Semana de Malunguinho (Lei estadual 13.298/07); Obrigado à Alexandre Miranda pelo apoio dado; Obrigado à deputada estadual Tereza Leitão e seu assessor Félix Aureliano pelo apoio dado; Obrigado ao CEPIR e ao Governo do Estado pelo fundamental apoio dado; obrigado a Diego, motorista que me conduziu cruzando toda cidade entre dos dias 18 a 22 de setembro de 2013 – sua sensibilidade e harmonia ajudou muito a tudo dar certo; Obrigado à Nino do Bojo da Macaíba pela confecção de todas as artes usadas no evento; E um obrigado muito especial aos grupos culturais que fizeram a festa vibrar com seus cocos – Coco de Roda Bojo da Macaíba, Coco dos Pretos, Grupo Bongar, Mestre Zé Negão e ao pessoal da LAIA e ao mestre Zeca do Rolete. Ainda, agradeço a todas e todos que esqueci de colocar aqui (reinvidiquem se necessário que coloco – rsrs).

Mesmo tendo levado uns NÃO’S de instituições nacionais de Brasília que deveriam nos ajudar, o evento aconteceu, isso se deve a muita luta.

No meio de todo este processo, ainda pudemos fortalecer mais ainda a Rede Nacional do Povo da Jurema através da grande adesão por parte dos juremeiros e juremeiras e outros presentes que assinaram a ficha de adesão oficial da Rede. Em breve vem novidade por ai do nosso Povo, aguardem...

O IX Kipupa vem ai... Vamos preparar os cachimbos que a pisada vai ser forte! Simbora Povo da Jurema, buscar nosso lugar! Salve a fumaça!!!

Sobô Nirê Reis Malunguinho!
Salve a Jurema Sagrada!

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
Rede Nacional do Povo da Jurema

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Terreiros pedem fim do preconceito

 
Imagem da matéria de jornal do Diário de Pernambuco de 5 de novembro de 2011. Caderno Vida Urbana*. 

Caminhada

Terreiros pedem fim do preconceito

Kléber Nunes

O som dos tambores e o colorido dos Orixás tomou as ruas do Centro do Recife para pedir o fim do preconceito contra as religiões de matrizes africanas e indígenas. Ontem, milhares de pessoas participaram da 5° Caminhada dos Terreiros de Pernambuco. O evento abriu as comemorações do mês da Consciência Negra e marcou o lançamento da Rede Nacional da Jurema, que neste ano não participou da concentração. Os juremeiros foram proibidos pela coordenação do evento de fumarem seus cachimbos durante a caminhada. Eles se reuniram na Rua da Guia, e só depois se integraram ao grupo.

O juremeiro Alexandre Alberto Santos de Oliveira, mais conhecido como Alexandre L’Omi L’Odò, criticou o que ele chama de “nagocentrismo”. “Uma caminhada que deveria ser democrática se tornou só do candomblé”, denunciou. “Não queremos nos excluir. Queremos agregar, mas para isso é preciso que a coordenação reveja o evento no seu caráter político”, completou.

Os participantes da caminhada saíram da Praça do Marco Zero, no Bairro do Recife, em direção ao Pátio do Carmo, em Santo Antônio. Durante o percurso, foram executadas músicas em louvor às entidades sagradas da umbanda, do candomblé e da jurema.

De acordo com o coordenador do evento, Marcos Pereira, a manifestação “é uma prova da resistência a séculos de marginalização”.

A cabeleireira Otacília Leão, 55, esqueceu um pouco o luto pela morte do neto. “Acabei de vir do cemitério. Não podia deixar de participar. Se queremos mudar essa situação de exclusão que vivemos, temos que lutar”, disse.

Visite a matéria no site: www.diariodepernambuco.com.br

Fonte: Diario de Pernambuco – Recife, sábado, 5 de novembro de 2011. Caderno Vida Urbana A2 e A3.


 Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com
_______________________
Compartilho aqui texto original da matéria acima citada. Como a matéria trata, o Povo da Jurema se reuniu na Rua da Guia e nesse mesmo dia fundou com a participação de mais de 50 pessoas a Rede Nacional do povo da Jurema, que trarei maiores informações em futuras postagens.

*Desculpem a digitalização tão borrada, mas não foi culpa minha, no sábado, dia que saiu a matéria, o jornal entrou em greve e quebrou uma das máquinas de impressão, daí saiu essa porcaria ai. Mas foi geral, pois nenhuma das cópias que comprei estava diferente dessa. Cliquem na imagem para vê-la em formato grande.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

V Caminhada dos Terreiros de Pernambuco - Concentração do Povo da Jurema

Digitalização da fotografia da matéria do Jornal folha de Pernambuco de 2009. Primeiro registro da ação dos juremeiros na Caminhada dos Terreiros de Pernambuco. Na foto: Alexandre L'Omi L'Odò e Edson Torres.

V Caminhada dos Terreiros de Pernambuco - Concentração do Povo da Jurema

O Quilombo Cultural Malunguinho convida todo Povo da Jurema para participar da concentração, organização e ritual de Jurema na Rua da Guia as 14h do dia 04/11 para a V Caminhada dos Terreiros de Pernambuco. 

Juremeiros e juremeiras levar cahimbos, maracás e muitas pétalas de rosas de diversas cores. ir com roupa tradicional de Jurema.

Nessa ocasião, estaremos lançando a Rede Nacional do Povo da Jurema, que será uma articulação em prol do fortaleciemnto da Jurema nacionalmente.

Vamos agregar, juntarmos nessa corrente para fortalecer todo povo de Terreiro de Pernambuco. 

Agradecemos sua aprticipação e contamos com todos os irmãos e irmães de fé. Salve nossa ciência da Jurema.

Serviço

Concentração do Povo da Jurema para a Caminhada
Rua da Guia - Recife Antigo/PE
Hora: 14h 
Contatos: 81. 8887-1496 / 9428-4898


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 7 de agosto de 2011

Re-consagração de Malunguinho - Uma transmissão familiar de ancestralidade e ciência na Jurema

 Malunguinho. Festa da Lavadeira 2011.  Foto de Thiago Angelin Bianchetti.
  Re-consagração de Malunguinho 
Uma transmissão familiar de ancestralidade e ciência na Jurema

*Alexandre L’Omi L’Odò

Cheguei à minha casa pensando em registrar em texto a vivência que tive com a Jurema. Vi coisas bonitas e senti coisas importantes... Este é um texto de registro histórico.

Hoje, dia 06 de agosto de 2011, foi a data da re-consagração de Malunguinho, um fato histórico de sucessão hierárquica na Jurema. Todo acontecido religioso foi possível por causa do juremeiro João Folha, já renascido para a espiritualidade. Um dos mais tradicionais e antigos juremeiros da região do Jordão Baixo no Recife/PE, falecido no dia 15 de maio 2011 de complicações cardíacas, deixando o terreiro “Mensageiros da Fé”, casa regida pela cabocla Iracema, com mais de 43 anos de funcionamento, sendo o mais antigo terreiro de Jurema e culto nagô deste bairro. O terreiro também é regido pela divindade Malunguinho, que tem um espaço especial no terreno, sendo o único que “mora só”, com culto próprio e específico. Malunguinho foi o regente de Seu João Folha, que era filho de Xangô com Oxum, mas tinha no culto da Jurema sua maior sustentação e fé.

O templo se estabeleceu na localidade que há 70 anos era conhecida como Sítio das Cacimbas e, depois se tornou popular com o nome de “Bica de Seu João Folha”, terras da família de Dona Dora, que há quatro gerações se mantém residindo.  

Dona Dora. Mestra Juremeira e Iyalorixá. Foto Diego Nigro.

O terreiro foi fundado por Dona Dora, “filha de santo” do falecido Genival Francisco de Araújo, da Rua Orubatanga, no Córrego da Gameleira/Recife, e depois de Seu Luiz da Guia (Luiz José de Santana), que hoje se encontra com 98 anos de idade. E Seu João Folha, em 17 de abril de 1968 no mesmo local onde hoje está estabelecido. Mas, Dona Dora já tinha culto pelo menos há cinco anos antes em um local no mesmo Sítio de sua família, próximo a atual localidade.

Os motivos da abertura da casa foram os problemas de saúde que abateram a sacerdotisa, a pressionando a fundar o local onde suas divindades e entidades iriam ter morada definitiva. Oyá Egunitá, seu “Orixá de cabeça”, o Mestre Zé Malandro, Galo Preto, Mestra Georgina, Seu Tranca Rua das Almas entre outras e outros, fizeram da Rua Fernandes Belo, n° 611, o caminho para ajudar os necessitados, trazendo a cura e a iniciação, dando caminho e orientação, ajudando a preservar a memória dos índios e negros que deixaram essa missão para ela e tantos outros.

Foram 55 anos de casados. Tiveram 9 filhos, mais de 16 netos e 7 bisnetos. Dentre estes e estas está Rosemary de Fátima, conhecida como Mary, filha de Oxum e herdeira do axé de Malunguinho. Casada com filhos, ela foi a escolhida pela Jurema para perpetuar a ciência de seu pai, que tinha em Malunguinho uma fé incondicional, mesmo não o recebendo em seu corpo com manifestações espirituais, ele cultuava Malunguinho com tanto afinco e adoração que as pessoas até o questionavam brincando: “o senhor fala mais em Malunguinho que em Deus”... Dona Dora ainda diz: “o Deus dele era Malunguinho, pois ele tinha tanto amor por ele que tenho certeza que ele está feliz com sua filha o ter herdado, inclusive manifestando-se, trazendo sua ciência para todos verem”.   

O fato da transmissão familiar da ciência é uma circunstância não muito comum dentro dos terreiros de Jurema. O que assistimos frequentemente é quando um juremeiro ou juremeira antigo ou antiga morre, seus objetos rituais e sua história são jogados fora pelos seus filhos e netos e sacerdotes responsáveis. Os motivos desta atrocidade cultural são os mais diversos como a responsabilidade em ficar cultuando algo que não é seu, não ter ninguém da família pertencente a religião, até mesmo o desrespeito completo com a ancestralidade e a falta de conhecimento sobre os procedimentos corretos dos rituais. Isso vem fazendo grande parte da história da Jurema se apagar e cair no completo ostracismo. Mas com o caso de Seu João Folha foi diferente, sua história se manteve viva na família com toda legitimidade e consciência. 

Mary. Filha carnal de Dona Dora e herdeira da ciência de Seu João Folha. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

Desde pequena Mary vinha se “manifestando” com Malunguinho, e Dona Dora já pressentia que este iria ficar na casa, para segurar o axé do terreiro, através de sua filha que iria ficar responsável pelos assentamentos de seu pai. Fato este que, todos os filhos e filhas e freqüentadores do terreiro celebraram com muita alegria, pois Malunguinho se confirmou e pronunciou publicamente dirigindo-se ao sacerdote Sandro de Jucá, responsável pelas suas cerimônias e culto e a Dona Dora, estar “muito satisfeito com as oferendas ofertadas a ele”. Ele dançou, brincou, celebrou, cantou, comeu, bebeu e fumou, saudou seus protegidos e agradeceu. E de fato, a força de Malunguinho se fez presente no barracão. Todos sentiram a forte energia que emanou de dentro da casa onde ele mora. Frutas, bebidas, fumos, velas e animais compuseram suas oferendas. Assim se fez parte da re-consagração de Malunguinho, que agora passa a ser zelado por Mary. As armas e símbolos da divindade (preaca, estrela de seis pontas, volta de ave-maria, cipó de japecanga, cachimbo e sementes) foram repassadas pela antiga Juremeira Dona Rita de Malunguinho, que tem 74 anos de iniciada no culto à Jurema e 89 anos de idade. Ela, que é irmã de Jurema e de axé de Sandro de Jucá, também de Seu João Folha, sendo eles iniciados pelo falecido Grivaldo de Xangô, conhecido como Pai Brivaldo de Xangô, discípulo do Mestre Zé da Pinga, formalizaram um ato familiar do mesmo axé e ciência, firmando laços de consideração religiosa pelos irmãos mais velhos que tem o direito de repassar objetos sagrados aos mais novos.   

Malunguinho "manifestado" em Mary. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

 
Mary, recebendo as armas de Malunguinho pela juremeira Dona Rita de Malunuginho. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

 
Confraternização. Mary e Dona Rita de Malunguinho. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò. 

 
Mary firmando na Cidade de Malunguinho. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

Como é de tradição das casas mais antigas de Jurema e Candomblé (Xangô) de Pernambuco cultuar Exú no mês de agosto, a Casa de Dona Dora não poderia deixar de realizar os rituais e liturgias de sempre, pois mesmo a Casa estando de luto pelo falecimento de Seu João, Malunguinho solicitou suas “abrigações” e permitiu que os rituais dos Trunqueiros/Exús fossem todos realizados, mesmo que sob a regra do silêncio dos Ilús (instrumentos sagrados de percussão), sendo permitido apenas o uso das macas e palmas de mão para dar o ritmo aos cânticos rituais.

Todo ritual foi regido pelo juremeiro e babalorixá Sandro de Jucá e pela iyalorixá e Mestra juremeira Dona Dora, que como sempre, deram o tom adequado aos ritos, trazendo informações/elucidações e boa energia. Foi feita a limpeza de agosto tradicional com as aves e velas e todos cantaram toadas de limpeza:

“É na Jurema, é na Jurema, to me limpando é na Jurema”...

Os cachimbos acesos, fumaçando os desejos, levando à Jurema os pensamentos, estiveram presentes todo o tempo nos rituais, com a variação do uso do fumo preto e do fumo mais suave. 

Juremeiro Sandro de Jucá, abrindo os cânticos no quarto de Malunguinho. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

A fala de Sandro sobre a família de Dona Dora e as responsabilidades no terreiro com a continuidade das práticas após o falecimento de seu fundador, reuniu antes de iniciar as imolações todos dentro do salão da Jurema. A fala foi de fundamental importância para informar aos presentes e aos filhos Ricardo Gonçalves e Luiz Gonçalves e ao neto Luiz Carlos Jr. Que com a “ausência” de Seu João, as práticas tradicionais da casa não mudariam em nada. Todas as normas estruturadas por Seu João durante sua gestão no terreiro se manterão completamente, sendo sempre relembradas por Sandro e Dona Dora. Agora Seu João é um Esá (ancestral ilustre) no Balé - Ilé Ibó Akú (casa de adoração aos mortos) do terreiro, e de lá vigiará as atividades dentro da casa. Sandro ainda colocou que “a casa não é dele”, e que ele está ali apenas para dirigir os rituais e organizar as funções referentes a um babalorixá e juremeiro. Sandro, pediu para que os filhos carnais de Dora estivessem sempre presentes na casa para observar de perto o que acontecia e que eles dêem força a sua mãe, pois ela está sofrendo opressão de uma de suas filhas que é evangélica neopentecostal, que está tentando convertê-la para que ela feche o terreiro e venda o terreno para dividir o dinheiro entre os herdeiros. As investidas dessa filha têm perturbado Dona Dora demais. E isso compromete as praticas dela, pois dentro de sua própria casa ela esta sofrendo a intolerância religiosa e o preconceito. Os filhos se comprometeram em ajudar e concordaram com a conversa toda. Depois dessa reunião, os trabalhos começaram com muita animação, invocando os Trunqueiros, como Seu Tranca Rua, que foi o primeiro a receber as homenagens em seu mês.

Sandro de Jucá (ao centro de vermelho) discursando ao terreiro. Sentada Dona Dora, em pé seus dois filhos. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

 
Neto Luiz Carlos Jr e filhos Ricardo Gonçalves e Luiz Gonçalves. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

Os rituais seguiram tranquilamente, com muita participação dos presentes. Depois dos Trunqueiros, os rituais foram dedicados à Malunguinho, com a re-consagração de Mary e depois veio a vez das pombojiras, que animaram o salão com suas características sedutoras e dinâmicas. Contudo, a festa foi bonita de observar, mas faltava um dos responsáveis - o Seu Vira Mundo, também conhecido como Bate Porteira. Ele “desceu” em Sandro de Jucá próximo a meia noite e ai a festa foi completa... O coco tomou conta do salão, puxado pelo Seu Vira. Eu cantei, Seu Vira cantou, depois chegou o Seu Zé Malandro, Mestre da sacerdotisa, que também entoou cocos conhecidos.  Seu Vira Mundo entoou um coco característico da espiritualidade de um trunqueiro de Jurema e deixou o salão a prestar atenção:

“Na minha Cidade existe três reinados encantados, um é feio, outro é bonito e o outro é mal-assombrado”...

Pai Lula de Ogodô, babalorixá responsável pelo axexê de seu João Folha também cantou e relembrou os antigos cocos cantados por seu pai carnal, nos tempos que o levava para “os cocos” de Recife adentro... O terreiro todo celebrou a vida junto aos mestres e pombojiras que estavam presentes no salão. A cena em si foi muito bonita, pois nela tinha uma harmonia e uma consciência muito clara de que o povo de terreiro encara a vida assim como encara a morte, e esta visão filosófica se traduziu com a pisada forte do coco, ritmo, cântico e dança do nordeste brasileiro e as palmas de mão com as respostas. Uma banda musical de maracás, abês, e um balde se fez no momento e pessoas que em sua vida cotidiana, como médicos, professores entre outros, não se relacionam com a liberação do corpo e da alegria interna de existir, se revelaram tocadores e dançarinos alegres, soltos e vibrando na energia da Jurema. Entidades e pessoas vivas, celebrando juntos à vida, em uma demonstração perfeita, contida de toda teoria antropológica da observação, fenomenologia, semiótica etc... Traduzida em uma frase: “A Jurema abala, e seus discípulos não tombam”.

Acordei no terreiro. Dormi no salão dos Orixás, local separado do salão da Jurema. Dona Dora não me deixou ir embora às 1h30min da manhã, forrando pra mim um colchão no chão com o Alá de Oyá, pano que cobre o Orixá em suas saídas de quarto no culto nagô em PE. Foi uma enorme satisfação, poder contar com o respeito, cuidado e confiança de uma sacerdotisa tão antiga como ela. Acordei às 7h, ao som de uma chata música evangélica, que saia do celular de Beto de Iyemojá, que só dorme escutando este tipo de música, pois diz que lhe dá sono e relaxa. Pode isso? Rsrs.

Tomei um cafezinho esperto feito no fogão à lenha com um pãozinho e queijo preparados pelas iyabás da casa e logo fui embora, pensando em escrever este texto, para registrar minha alegria em poder viver junto a pessoas tão especiais e religiosas como as que pude estar. Este foi o melhor presente antecipado de aniversário que pude me dar.

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*Alexandre L’Omi L’Odò - Graduando em História pela UNICAP, Egbomi de Oxun, Juremeiro e coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho.

Este texto foi construído com entrevistas consedidas por Dona Dora e Sandro de Jucá.

Dedico este texto à Seu João Folha e a Malunguinho, pelo axé que me banharam.


Alexandre L'Omi L'Odò
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 11 de junho de 2011

Kipupa Malunguinho em Exposição na Universidade de Brasília - UNB


Kipupa Malunguinho em Exposição na Universidade de Brasília - UNB

Lançamento do ciclo de projeções de documentários e de mostras fotográficas do Iris - Laboratório de Imagem e Registro de Interações Sociais (DAN/UnB).

Com as fotografias feitas no período de sua pesquisa acadêmica em Pernambuco, o mestre em antropologia pela UNB, Pedro Stoekcli Pires, mostra o V Kipupa Malunguinho e parte de sua história nesta exposição. O público terá a oportunidade de conhecer um dos movimentos mais importantes de resistência do povo da Jurema do Brasil, que acontece sempre todos os anos em setembro (mês de Malunguinho) no Catucá, matas do Engenho Utinga, Pitanga II, Abreu e Lima - Pernambuco. A fumaça está bem repersentada com as fotos de Pedro, de fato ele resistrou a face mais profunda de nossa tradição e religiosidade.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho.
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Gira de Jurema Pública, Fechando o Ano de 2010 na Práia do Pina.

Gira de Jurema no V Kipupa Malunguinho. Foto de Laila Santana.

Gira de Jurema Pública, Fechando o Ano de 2010 na Práia do Pina.
Derrubando conceitos e preconceitos!

Os Juremeiros e Juremeiras despertos pelo grito de Malunguinho, vão realizar neste dia 30 de dezembro de 2010, a primeira gira pública de Jurema Sagrada na práia do Pina.

O GRAC- Grupo de Ativação Cultural, dirigido pelo histórico militante Marcos Pereira e o Quilombo Cultural Malunguinho, se uniram para colocar pra fora a beleza da Jurema em ato público fechando o ano de 2010 com muita fumaça!


Convidamos todas e todos para participar deste momento de união e confraternização entre os sacerdotes e sacerdotisas, iniciados ou não, para fazermos reluzir o cachimbo e a fumaça.


Serviço:
Gira de Jurema Pública, Fechando o Ano de 2010 na Práia do Pina.
Onde: Primeiro Jardim de Boa Viagem, no Rodão.
Quando: 30 de Dezembro de 2010
Horário: 18h
Gratis
Contatos: 81. 8645-4019 (Marcos Pereira) / 8887-1496 (L'Omi)
Levar seu cachimbo e sua maraca!!


Alexandre L'Omi L'Odò
alexandrelomilodo@gmail.com

81. 8887-1496

terça-feira, 2 de novembro de 2010

4° Caminhada dos Terreiros de Matriz Africana e Afro Brasileira de PE

Dia 4 de Novembro, com saída às 15h do Marco Zero, a Caminahda do Povo de Terreiro de Pernambuco promete levar às ruas do Recife o axé, a fumaça da Jurema, a alegria de um povo que expressará com cânticos sagrados e toques da cultura negra dos terreiros toda sua luta e tradição. A cada ano, mais pessoas participam desta caminhada. Diversas religiões marcam presença e contribuem para o avanço das discussões sobre intolerância religiosa (respeito religioso, ao meu ver), racismo e discriminação.

Serviço

4° Caminhada dos Terreiros de Matriz Africana e Afro Brasileira de PE
Data: 04 de novembro de 2010
Horário: 15h
Saída do Marco Zero
Ponto de chegada: Memorial Zumbí dos Palmares - Pátio do Carmo do Recife

Todas e todos lá levando seus elementos simbólicos de axé, vamos mostrar nossa identidade com orgulho e consciência!

Alexandre L'Omi L'Odò
Iyawò L'Osún

Ilé Oyá T'Ogún

alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Consciência Negra: Votem em mim!!!

Últimos dias para votar no site www.consciencianegra.com.br

Temos até o dia 30 de setembro pra votar gente, estou muito bem votado, mas preciso de meus amigos pra vencer esta empeleitada com meus 3 cartazes que estão concorrendo.

Para votar é fácil, você entra no site www.consciencianegra.com.br, clica em "Cartazes" e acha lá entre os muitos que tem, os meus 3. É muito fácil, e dou uma dica: Para poder votar mais, abra mais de uma janela com servidores diferentes como o "Internet Explore", o "Mozilla" e o "Google Chrome", daí você poderá votar três vezes a cada ciclo de 15 minutos, pois só se vota assim, devagarinho...

Bom, conto com vocês nessa guerra pela Consciência Negra, para trazer para Pernambuco, este troféu!

Vejam meus três cartazes:



Votem:
www.consciencianegra.com.br

Alexandre L'Omi L'Odò.

Consciente de minha negritude pernambucana indígena!

alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Encontro de Saberes, Cultura popular e indígena nas salas de aula da UNB

Saberes Tradicionais
Cultura popular e indígena nas salas de aula

Américo Córdula, Secretário da Identidade e Diversidade Cultural e Prof. José Jorge de Carvalho, Coordenador do Projeto Encontro de Saberes

A partir do segundo semestre de 2010, os alunos de todos os cursos da Universidade de Brasília (UnB) poderão cursar, na grade regular de graduação, a disciplina Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais. A matéria será ministrada por cinco mestres de artes e ofícios populares e indígenas e por professores da UnB, por meio de uma parceria entre o Ministério da Cultura e a universidade.

Com o objetivo promover o diálogo entre os saberes acadêmicos e os tradicionais, além do reconhecimento de mestres dos saberes indígenas, afro-brasileiros e tradicionais como docentes do ensino superior, o Projeto Encontro de Saberes foi lançado ontem, 13 de julho, às 19h, no auditório Dois Candangos, da Universidade de Brasília, com a abertura do Seminário Internacional A inclusão das Artes e dos Saberes Indígenas, Afro-Americanos e Tradicionais na Universidade.

Alexandre L'Omi L'Odò, Juremeiro, pesquisador, sacerdote e coordenador geral do Quilombo Cultural Malunguinho/PE, abrindo o evento.

O Seminário foi aberto com a apresentação cultural de Alexandre L'Omi L'Odò, Mestre da Jurema do Recife, percussionista e coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho. O número musical teve uma retórica espiritual, quando o Mestre, também sacerdote, defumou e benzeu o ambiente, para abrir os caminhos do evento, que irá durar três dias.

Hoje, das 9h às 20h, o Seminário apresentará as iniciativas já realizadas no Brasil e na América Latina de inclusão de protagonistas de conhecimentos tradicionais no ensino superior por meio de cursos, disciplinas ou programas de extensão. Ao todo, serão apresentadas quatro experiências internacionais, desenvolvidas no Equador, Paraguai e na Argentina e Colômbia, e mais cinco projetos que estão sendo aplicados no Brasil. Sete mestres dos saberes tradicionais também apresentarão os trabalhos desenvolvidos por eles junto às suas comunidades.

Aula Magna: a importância do ofício do pajé indígena

Mapulu Kawayurá, pajé do Alto Xingu, filha do Mestre Takumã - Kamayurá

A conferência de abertura do Seminário Internacional A inclusão das Artes e dos Saberes Indígenas, Afro-Americanos e Tradicionais na Universidade foi feita por Mapulu Kawayurá, pajé do Alto Xingu, e também filha do Mestre Takumã - Kamayurá, decano dos Xamãs da região, que, aos 80 anos, e com um problema grave de saúde, não pôde comparecer.

A Mestre Mapulu palestrou aos alunos da UnB e convidados presentes sobre a sua experiência e a de seu pai com a utilização desse ofício.

“O papel do pajé na nossa comunidade é visto com muito respeito. O ofício de pajé nos foi dado pelo criador e pelo sol, que é também nosso Deus”, afirmou a Mestra, que se tornou pajé aos 15 anos.

A conferencista, que tem oito alunos em sua comunidade, defendeu que os pajés são tão mestres quanto aqueles que ensinam sob o foco da ciência, com a diferença de que os mestres de ofícios não possuem diploma. E reivindicou: “Queremos apenas que nosso trabalho seja reconhecido aqui fora”.

Mapulu disse que levará ao pai a experiência do Projeto Encontro de Saberes para discutir com ele e com a comunidade a melhor forma de contribuir para o processo de aprendizado dos alunos da Universidade de Brasília. “Queremos construir com vocês esse aprendizado”, afirmou.

O coordenador do Projeto Encontro de Saberes (e professor do Departamento de Antropologia da UnB), José Jorge de Carvalho, que representou o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior, disse que a parceria do projeto é rica e que os mestres sempre demonstraram o desejo de levar seus conhecimentos à universidade.

O secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Américo Córdula, representou o ministro da Cultura, Juca Ferreira, que estará presente no dia 15, às 19 h, numa cerimônia institucional que será realizada no auditório da reitoria, dentro da programação das oficinas dos mestres, e contará com a presença do reitor da UnB.

Encontro de Saberes é realizado em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa, órgão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que também apóia o projeto.

Encontro de Saberes foi realizado no auditório Dois Candangos, da Universidade de Brasília.

Oficinas

Dias 15 e 16 de julho, na UnB, o projeto Encontro de Saberes entrará em sua segunda etapa, realizando oficinas de trabalho que contarão com a participação dos mestres, de docentes da universidade e de especialistas convidados.

A terceira e última etapa do projeto será a realização de uma Residência, com a participação dos mestres de artes e ofícios populares e indígenas e dos professores da UnB, para preparação da metodologia e dos recursos didáticos necessários à oferta da disciplina Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais.

Clique aqui para conferir a programação do Encontro de Saberes.

(Heli Espíndola, Comunicação Social/MinC)
(Fotos: Pedro França/MinC)

Informações: encontrodesaberes2010@gmail.comEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. – Tel: (61) 3307.3006 – ramal 210

www.encontrodesaberes.com.br

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Republico aqui matéria do dia 14 de julho de 2010, do site do MINC, post original: http://www.cultura.gov.br/site/2010/07/14/saberes-tradicionais/

*Participar deste evento a convite oficial do Professor José Jorge de Carvalho, inclusive abrindo todo seminário com a fumaça da Jurema foi uma honra que devo a Malunguinho e aos meus mestres e mestras, caboclos e caboclas, trunqueiros e trunqueiras da Jurema Sagrada, das sete cidades, do tronco do meu Juremá.

Alexandre L'Omi L'Odò

alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Encontro de Saberes na UNB. Estarei lá!


O Encontro de Saberes é um projeto que tem como proposta
promover o diálogo entre os saberes acadêmicos e os saberes
indígenas, afro-brasileiros e tradicionais em geral para o processo de
reconhecimento de mestres dessas tradições, como docentes no
ensino superior, aliando esses dois universos por meio da realização
de cursos regulares nas universidades e de outras ações interculturais.

O Seminário Internacional é a primeira etapa do projeto e tem como

objetivo apresentar iniciativas já realizadas no Brasil e no exterior, de
inclusão de protagonistas de conhecimentos tradicionais no ensino
superior, além de realizar oficinas de trabalho, envolvendo os mestres
docentes, professores da universidade e especialistas convidados.

A etapa seguinte do projeto será a Residência, com a participação de

cinco mestres de artes e ofícios populares e indígenas e de
professores da UnB parceiros do projeto, com o objetivo de preparar
a metodologia e os recursos didáticos necessários para a oferta de
uma disciplina, etapa final do projeto.

A disciplina “Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais”, será

ministrada pelos mestres tradicionais populares e indígenas, junto
com os professores parceiros e será ofertada na grade regular de
graduação do segundo semestre de 2010 da UnB, acessível a
estudantes de todos os cursos.




Programação Do seminário
13 de julho (terça-feira) - Auditório Dois Candangos

18h30 Apresentação Cultural

Alexandre L'Omi L'Odò – Mestre da Jurema do Recife, percussionista e coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho, acompanhado de Biu Alexandre, Mestre do Cavalo Marinho Estrela de Ouro de Condado (PE).

19h Mesa de Abertura

Américo Córdula – Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural - SID/MinC
José Geraldo de Sousa Junior – Reitor da Universidade de Brasília
André Lazaro – Secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade
- SECAD/MEC

José Jorge de Carvalho – Professor do Departamento de Antropologia da
Universidade de Brasília - DAN/UnB

19h30

Aula Magna – Mestre Takumã – Kamayurá. Decano dos xamãs da região do
Alto Xingu.

21h Degustação de Caldos

14 de julho (quarta-feira) - Auditório Dois Candangos

Manhã

José Jorge de Carvalho – Apresentação do Projeto Encontro de Saberes 9 às 9h20

Experiências Internacionais 9h20 às 11h25

Coordenador: José Jorge de Carvalho (UnB)
Luis Fernando Sarango (Equador) – Reitor da Universidade Amawtay Wasi -
Projeto da universidade intercultural bilíngüe das comunidades e povos
indígenas equatorianos.

Maria Mercedes Díaz (Argentina) – Professora de História e ex-Coordenadora
de Extensão da Universidade de Catamarca. Organizadora dos Seminários “Povos
e Cidades do Interior” que incluem a presença de mestres tradicionais
catamarquenhos.

Jaime Arocha (Colômbia) – Professor de Antropologia da Universidade
Nacional da Colômbia, Bogotá. Projetos de inclusão dos saberes afrocolombianos
nas universidades colombianas.

Carlos Callisaya (Bolívia) – Sociólogo. Coordenador Nacional, no Ministério da
Educação, das Universidades Indígenas da Bolívia.

Maria Luísa Duarte Medina (Paraguai) – Líder guarani, atua na Secretaria de
Assuntos Indígenas do Estado Paraguaio e em projetos de inclusão dos saberes
indígenas nas instituições paraguaias de ensino.

Debate 11h25 às 12h
Intervalo para almoço 12 às 13h30


Experiências Nacionais

Tarde

13h30 às 15h10

Coordenadores: Ricardo Lima (SID) e Rita de Cássia Castro (UnB)
Rosemberg Cariry – Cineasta e poeta cearense, idealizador das Escolas de
Saberes Tradicionais e Contemporâneos.

Rosângela Tugny – Professora da Escola de Música da Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG). Projeto de inclusão dos indígenas Maxacalis como artistas
residentes na UFMG.

Marcos Ayala – Professor de Sociologia da Cultura da Universidade Federal da
Paraíba. Projeto Ação Griô: Mestres de Tradição Oral em Escolas e Bairros de
João Pessoa e na Universidade Federal da Paraíba.

Fábio Munhoz – Pesquisador do Centro Atopos da Escola de Comunicações e
Artes da USP. Projeto de Extensão “Laje Acadêmica”, de conexões entre
conhecimentos acadêmicos e saberes locais tradicionais.

Luiz Phelipe Andrés – Engenheiro e diretor do Centro Vocacional Tecnológico
Estaleiro Escola do Maranhão. Projeto para o resgate de técnicas de produção de
embarcações tradicionais maranhenses.

15h10 às 15h50 Debate

16h às 18h55


Experiências dos Saberes Tradicionais

Coordenador: Américo Córdula (SID)

Benki Ashaninka – Presidente do Centro Saberes da Floresta (Yorenka
Ãtame), do Povo Ashaninka (AC). Desenvolve um trabalho de conhecimento
da floresta comprometido com a proteção ambiental e o reflorestamento.
Maniwa Kamayurá – Arquiteto tradicional e Pajé. Representante dos povos
indígenas do Alto Xingu, especialista em construção da residência tradicional
kamayurá.

Lucely Pio – Mestra raizeira da Comunidade Quilombola do Cedro (GO),
integrante da Articulação Pacari de Plantas Medicinais do Cerrado e autora
da Farmacopéia do Cerrado.

Alexandre L'Omi L'Odò – Mestre da Jurema do Recife, percussionista,
coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho. (PE).

Biu Alexandre – Mestre do Cavalo Marinho Estrela de Ouro de Condado
(PE).

Zé Jerome – Mestre de Congado e Folia de Reis do Vale do Paraíba, Marechal
de Cunha (SP).

Otávionilson Nogueira dos Santos – Mestre fabricante de embarcações
tradicionais maranhenses. Professor do Estaleiro Escola do Maranhão.

18h55 às 19h40 Debate

19h40 às 20h

Apresentação Cultural

Badia Medeiros - Mestre da viola, Formosa (GO). Com grupo de dança de
Catira, Lundu e Curraleira.

20h
Degustação de Caldos

15 de julho (quinta-feira) - Auditório da Reitoria

19h
Mesa Institucional com a presença do Ministro da Cultura Juca Ferreira e
convidados.

15 e 16 de julho - Oficinas com os Mestres
Oficinas de trabalho restritas aos Mestres e aos Especialistas convidados

Informações: encontrodesaberes2010@gmail.com - Tel: (61) 3307.3006 - ramal 210

Convido todas e todos à vivenciar este evento maravilhoso na UNB. O porfessor José Jorge de Carvalho foi genial ao ter pensado este projeto transformador que dará muito pano pra manga entre o povo que quer trocar saberes. Vamos trocar saberes da Jurema? Venham!

Alexandre L'Omi L'Odò.
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com
81. 8887-1496

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!