sábado, 15 de agosto de 2009

Cinquenta Dias a Bordo de um Navio Negreiro.


UM LIVRINHO REALMENTE TERRÍVEL!

Não! Calma! Não vou falar de nenhum livro que anda aí anunciado pra virar best-seller, não! Eu, hein!? "Quem refresca bico de pato é lama" - já dizia minha Tia Sinhá. E "beira de penico não é cocada!", como repetia Vó Maria.

Quero falar de um livrinho de bolso, com apenas 121 páginas, definido como "terrível" no prefácio do mestre Alberto Costa e Silva, historiador que aprendeu, in loco, a amar a África, seus filhos, netos e bisnetos, mesmo os "misturados".

O livro chama-se "Cinqüenta dias a bordo de um navio negreiro", foi escrito pelo reverendo inglês Pascoe Greenfell Hill, narra acontecimentos passados a bordo de um navio negreiro capturado quando vinha de Moçambique para o Brasil, em 1842, já depois de proibido o tráfico atlântico.

Nele, a gente lê coisas assim:

"A tempestade aproximou-se, e eu e outros que estavam deitados no tombadilho recebemos o aviso através de pesadas gotas de chuva. A isso se seguiu uma cena de horror que é impossível descrever".

A cena descrita é a de cerca de 500 escravos se atropelando em busca de abrigo no exíguo porão do navio, o qual de tão quente emanava fumaça. Empurra daqui, pisa da li, o resultado foi esse:

"A previsão do espanhol sobre ontem à noite foi tristemente verificada hoje de manhã. Cinqüenta e quatro corpos esmagados e lacerados foram içados do tombadilho dos escravos trazidos para o passadiço e jogados ao mar."

Brabeza, esse tipo de cena se repete diversas vezes ao longo do livro. E o que é pior: vitimando dezenas de crianças e jovens mulheres indefesas.

Estamos lendo e ainda não chegamos ao fim do livrinho. Mas podemos garantir que é uma das coisas mais brabas que já lemos até hoje. Brabas como as que, por razões semelhantes (cobiça, busca de lucros fáceis, desumanidade, arrogância, complexo de superioridade etc.) ainda se repetem por aí, vez por outra, neste país grande, que não é de bolso, nem é de papel. Mas que é racista - é sim -, não temos a mínima dúvida!


*Cinqüenta dias a bordo de um navio negreiro' traz o relato do reverendo Pascoe Granfell Hill (1804-1882), que, em meados do século XIX, acompanhou a Marinha britânica na captura de um navio que transportava escravos negros para o Brasil. A liberdade, no entanto, só viria depois de uma outra longa jornada, na qual os africanos continuariam vivendo em condições precárias e de semi-servidão; na viagem que Hill descreve neste seu diário, entre Quelimane e Cidade do Cabo, 163 das 444 pessoas - das quais 213 eram crianças - que se encontravam nos porões. Em uma passagem particularmente forte, Hill descreve a imagem da manhã seguinte a uma tempestade em alto mar, na qual quatrocentos negros, teoricamente livres, foram obrigados a ocupar um porão de 70 m²...

Título: Cinquenta dias a bordo de um navio negreiro
Título Original:
Subtítulo:
Autor: Pascoe Grenfell Hill
Tradução:
Editora: Jose Olympio
Assunto: Relatos De Viagens E Aventura
ISBN: 850300884X
Idioma: Português
Tipo de Capa: BROCHURA
Edição: 1
Número de Páginas: 124
Valor: R$: 19.90

Texto extraído do Blog Meu Lote do companheiro e professor Nei Lopes.
Pesquisa de mercado e adaptação: L'Omi.

Alexandre L'Omi L'Odò.
Lendo...

Candomblé de SP é tombado como Patrimônio Imaterial do Estado.

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Republico aqui a matéria postada em 21 de Julho de 2009, no site Meu Lote, do grande companheiro Nei Lopes, que trata da sanção da lei estadual que tombou o Candomblé do estado de São Paulo como patrimônio imaterial do Estado, ação protagonizada pelo Deputado estadual
Gilberto Palmares, que foi sancionada por Luiz Fernando Pezão, Governador em exercício.
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CANDOMBLÉS EM FESTA!
PALMARES PROPÕE E PEZÃO SANCIONA LEI DE TOMBAMENTO

A denominação “candomblé” é o termo genérico com que, no Brasil, a partir da Bahia e desde o início do século 19, se designa o culto aos orixás jeje-nagôs (iorubanos e daomeanos, oriundos da região corresponde ao sudoeste da Nigéria e sudeste do Benin) bem como algumas formas dele derivadas, manifestas em diversas “nações”. Por extensão, o nome designa também a celebração, a festa dessa tradição; e a comunidade onde se realizam essas festas. Ex: “Hoje tem ‘candomblé’ no Candomblé de F.”

A modalidade original do candomblé consiste em um sistema religioso autônomo e específico que ganhou forma e se desenvolveu no Brasil, a partir da Bahia, com base em diversas tradições religiosas de origem africana, notadamente da região do Golfo da Guiné. Já os candomblés bantos, de rito “congo” ou “angola” e como tal referidos (“o congo”; “o angola”), são modalidades de culto nos quais prevalece a utilização de linguagem crioulizada originária respectivamente do quicongo e do quimbundo, línguas do grupo banto, faladas no Congo e em Angola. Estruturalmente, os símbolos e práticas desses candomblés pouco diferem daqueles usados nos candomblés de matriz nagô ou iorubana; e, recentemente, alguns estudos vêm desvendando aproximações suas com o universo dos antigos terreiros jejes. Entretanto, as similaridades desses candomblés com outras expressões da religiosidade banta, no Brasil e nas Américas, apenas são perceptíveis, pelo menos aparentemente, no âmbito da linguagem.

Outras modalidades de culto, como o batuque gaúcho, o xangô pernambucano, a mina maranhense, a umbanda etc., são caudatárias da matriz jeje-nagô, porém muitas vezes entrecruzada, essa matriz, com substratos bantos. Nesse particular, veja-se que a própria denominação “candomblé” (da mesma extração de "candombe") parece ter como étimo o termo multilingüístico banto kiandombe ou ndombe, significando “negro”.

Vejamos agora que o protótipo da espécie de comunidade religiosa hoje conhecida como “candomblé” foi o chamado “Candomblé da Barroquinha”, casa de culto implantada em Salvador, Bahia, no bairro central que lhe empresta o nome, por volta de 1789. Antepassado do atual Ilê Axé Iyá Nassô Oká, conhecido como “Casa Branca do Engenho Velho da Federação” ou simplesmente “Casa Branca”, esse terreiro foi fundado no momento histórico em que se verificavam os primeiros ataques daomeanos ao Reino de Queto (Ketu) – quando foram feitos cerca de 2000 cativos – e com o desembarque maciço na Bahia dos primeiros escravos dessa região.

Segundo a tradição oral, antes de seu efetivo estabelecimento, os futuros fundadores tinham-se aproximado dos cultos mantidos por africanos de nação Grunce ou Grunci, no bairro da Boa Viagem, na localidade de Dendezeiros, atual Vila Militar. Suas origens físicas remontam a uma casa, na Ladeira do Berquó ou na Rua da Lama, ambas hoje denominadas “Visconde de Itaparica”, erguida em terreno arrendado a um casal de proprietários brancos filiado à Confraria de Nossa Senhora da Piedade da Igreja da Barroquinha, fundada por crioulos e africanos da Costa da Mina em 1764.

Em seu magnífico trabalho sobre as origens do terreiro, o historiador baiano Renato da Silveira (O candomblé da Barroquinha: processo de constituição do primeiro terreiro baiano de queto. Salvador, Edições Maianga, 2006) conclui, com relativa certeza o seguinte: que, por volta de 1789 membros da família Arô, da linhagem real de Queto, e aliados, instituíram, nas cercanias da Igreja da Barroquinha, um culto doméstico a Odé Oni Popô (uma das manifestações de Oxossi) e, logo depois, também a Airá Intilê (um avatar de Xangô). Firmou-se, então, um acordo político ou aliança, que fez surgir o modelo de candomblé até hoje vigente, o qual, em vez de ser local de culto a uma só divindade, como o “calundu” colonial, concentra vários cultos a divindades de procedências diversas. Entretanto, por volta de 1807, após o arrendamento de um terreno situado atrás da igrejinha, por divergência de idéias, esse grupo transferiu-se para a localidade suburbana de Matatu de Brotas, onde, além dos orixás já cultuados, assentou também os fundamentos de Oxumarê, permanecendo os fiéis da Barroquinha devotados, ao que parece, principalmente ao culto de Airá Intilê. O terreiro suburbano deu origem ao conhecido Candomblé do Alaqueto e o do centro, à atual Casa Branca, mais tarde transferida para a localidade do Engenho Velho.

Vejamos finalmente que, desde pelo menos a década de 1870, por diversas razões históricas, o intercâmbio entre as comunidades negras na Bahia e no Rio de Janeiro foi intenso, dele nascendo, quase ao mesmo tempo, algumas importantes casas de culto em Salvador e na “Pequena África” carioca (eixo Praça Onze-Praça Mauá atuais), como foi o caso do venerando Ilê Axé Opô Afonjá e de outros axés históricos, como o de João Alabá.

Diante de toda essa monumental história, nada mais gratificante, então, que ler nos jornais cariocas deste fim de semana, que a lei de tombamento da religião do candomblé como patrimônio imaterial do Estado, proposta por nosso deputado e amigo Gilberto Palmares acaba de ser sancionada por Luiz Fernando Pezão, governador em exercício. E isto, no momento em que, por baixo do imenso caldeirão onde borbulha o mungunzá (denguê, pro povo nagô), vem crescendo uma revolução silenciosa, comandada por Ifá, o orixá do saber e da inteligência, retornado ao Brasil em 1991, depois de um longo exílio.

Mas isso é uma outra história.


*Fonte: blog meu Lote (www.neilopes.blogger.com.br).
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sentindo-me insitado à contribuir no campo da legitimação oficial das tradições que vivencio e pratico (Jurema Sagrada e Xangô) em meu Estado, àpartir da leitura desta notícia brilhante, que iluminou mais ainda meu pensamento, proponho a Pernambuco e a seus movimentos religiosos, instigar a realização do mesmo ato protagonizado pelo Deputado estadual Gilberto Palmares em sua assembléia, aqui. Vamos Tornar a Jurema Sagrada patrimônio de Pernambuco, assim como nossa Nação Nagô pernambucana/recifense.

*{Observação sobre o texto: Todo discurso sobre o retorno do ifá em 1991, sitado por Nei, casou-me desconforto. Sabendo que Ifá sempre teve seu lugar extremamente preservado dentro do Culto Nagô pernambucano, como poderia orunmilá ter saído do Brasil assim tão ilogicamente? Ifá está em Pernambuco, podem vir ver!}*.

Alexandre L'Omi L'odò
Quilombo cultural Malunguinho
174 Anos Resitindo!
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 28 de julho de 2009

Peixinhos, um Rio Por Onde Navegam um Povo e Suas Histórias.

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Dia 30 de Julho de 2oo9, é dia de comemoração no bairro de Peixinhos, comunidade efervescente na cultura musical, tradicional, literária e artística brasileira.

Com o lançamento do livro "Peixinhos, um Rio Por Onde Navegam um Povo e Suas Histórias, da escritora e Mestra Griô (Kimbanda de Malunguinho), do Quilombo Cultural Malunguinho, a forte militante social, responsável por diversos avanços nas discussões, na participação da mulher nos movimentos sociais e grande preservadora "guardiã" das tradições culturais do bairro, a Dona Zuleide, ou Zuleide de Paula, trás mais um grande presente para seu bairro, a edição revisada e ampliada de seu livro.

A obra que tem como principal objetivo registrar e preservar a história do bairro de Peixinhos, contando histórias de seus moradores, grupos, ações, brincadeiras e tradições, contos e estóreas, além de sua evolução político-social, a escritora, não se encabula em afirmar ser "imprescindível um trabalho destes" pois ela mesma sempre se preocupou com a memória da comunidade.

Peixinhos se prepara para mais uma vez para comemorar junto a Dona Zuleide de Paula mais esta grande vitória de uma legendária guerreira de nossa comunidade.

Salve a consciência desta mulher. É pelas mãos dela que nossa história não se apagará jamais.
luta, grande Malunga!

Serviço:
O evento acontecerá na Refinaria Multicultural Nascedouro de Peixinhos
Horário: à partir das 18h e 30min.
Entrada Grátis.

Programação Cultural:

Maracatu grupo Fragmentos - Percussão e Dança
Orquestra da Polícia Militar de Pernambuco
Laisa(Neta de Zuleide)
Edinaldo
Mutreteiros
Banda Rumbanda
Banda Capim Santo

Alexandre L'Omi L'Odò

Orgulhoso de ver em vida uma ação destas!

Parabens Dona Zuleide, obrigado por mais este presente.

alexandrelomilodo@gmail.com

Foto: Alexandre L'Omi L'Odò.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Oficina Percutindo Imagens de Alexandre L'Omi L'Odò, traz a Peixinhos diálogo inédito entre música e fotografia.

Oficina Percutindo Imagens

Uma vivência percussiva com a criatividade dinâmica musical de Peixinhos

Criação de Trilhas Sonoras para Exposições


A Oficina de Percussão, Percutindo Imagens, do Iyawò Professor Alexandre L'Omi L'Odò, que se realizará de 27 de Julho a 07 de Agosto no CTCD- Centro Tecnológico da Cultura Digital, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e meio Ambiente (SECTMA) do Governo do Estado de Pernambuco, trará a comunidade de Peixinhos a oportunidade da troca de saberes dinâmica entre músicos de diversos estilos e instrumentos.

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Percutindo Imagens!

Isso mesmo!

Esta é a proposta do Percusionista Alexandre L'Omi L'Odò para promover um diálogo e interação da comunidade de Peixinhos com a linda exposição Três Vezes Cuba, do Fotógrafo e Artista Plástico Félix Farfan, que aportou de 13 de Julho a 07 de Agosto de 2009 no CTCD, "a torre de Peixinhos".


Em pleno século XXI nos deparamos com o avanço constante da tecnologia e dos novos rumos da indústria fonográfica e musical no mundo. Estes avanços nos levam a entender a necessidade de nos prepararmos para os novos mercados da indústria cultural e desenvolvermos novas técnicas na construção da música, que nos tempos atuais tem outro entendimento e finalidade na perspectiva do mercado que se atualiza e digitaliza-se a cada momento.

Focando no mercado dos trilhas sonoras, pensando já no desenvolvimento do cinema brasileiro e na acessível indústria do audiovisual nacional, a oficina “Percutindo Imagens, uma vivência percussiva com a criatividade dinâmica musical de Peixinhos - Criação de Trilhas Sonoras para Exposições, levará para 15 alunas e alunos no período de 27 de julho a 07 de Agosto no CTCD- Centro Tecnológico da Cultura Digital de Peixinhos a oportunidade da troca dinâmica de saberes e musicalidades com os participantes, que contarão com uma estrutura adequada de instrumentos variados e de material teórico pertinente e focado no tema.


A oficina terá como resultado uma apresentação do trilha sonora criado para a Exposição do fotografo Félix Farfan, que trouce de Cuba imagens que revelam um cotidiano rico de detalhes e amores pelos antigos carros ainda preservados com profundo amor pelos cubanos, em sua exposição fotográfica.

Será um momento rico de construção coletiva musical a partir das fotografias e impressões que serão sentidas pelos alunos nesta experiência inédita no imaginário musical de Peixinhos.


Na ocasião do início da oficina, também será o momento da inalguração simbólica do estúdio do CTCD, pois será oficialmente a primeira atividade musical realizada no espaço que aguarda a chegada dos equipamentos tecnológicos para dar início a cursos e gravações profissionais no local.

Inscrições:
CTCD - 81. 3183-5533 | 3183-5534 | 3183-5534
ctcd@sectma.pe.gov.br
alexandrelomilodo@gmail.com

Mestre Galo Preto dia 20/07/09 no Festival de Inverno de Garanhuns

Foto: Mateus Sá/PE
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Na edição do 19° Festival de Inverno de Garanhuns, o palco da Cultura Popular vai tremer com a apresentação arrojada do Mestre Galo Preto, que trará em seu repertório cocos e canções de sua ancestralidade familiar, formas de canto pouco conhecidas pelos Coquistas atuais.

Na apresentação, o Mestre vai cantar para a diversidade sexual e contra violência e as DST's AIDS, mostrando sua relação com a defesa dos direitos humanos e com a consciência de fazer das culturas tradicionais de seu domínio, um meio de passar mensagens ao público.

Contando com músicos já reconhecidos da cena pernambucana como Guga Santos, Alexandre L'Omi L'Odò, Andreza Karla, Moema Macêdo e Jaene Jay, mostrará sua face de diversidade e melodia com sabedoria fazendo uma festa com seus amigos e mestres que estarão na programação do dia 20/07/2009.

O show começará as 14h. Horário bastante inconveniente, mas o público fã do trabalho do Mestre Galo Preto já confirmou presença nesta apresentação que tem cara de reencontro, já que no mesmo dia estarão dividindo o palco o Mestre Zé de Teté, amigo antigo do Mestre Galo, Mazurca de Agrestina e o mestre Zé Galdino. Promete, o Mestre, fazer um grande show, feliz de estar tocando em sua antiga cidade.

Serviço
Show: Mestre Galo Preto
Onde? Festival de Inverno de Garanhuns, Palco das Culturas Populares
Quanto? Grátis
Horário:14h.

Segue programação completa do Palco das Culturas Populares:
PALCO DE CULTURA POPULAR A partir das 11h

18/07 - Sábado
O Bonde Bloco Carnavalesco Lírico
Gonzaga de Garanhuns
Zabé da Loca e Banda
Belo Xis
Cila do Coco

19/07 - Domingo
Grupo Folclórico Bacamarteiro Mandacaru
Pastoril Jesus Menino
Mestre Zé de Bibi
Gigantes do Frevo
Paulo Isidoro

20/07 – Segunda-feira
Mazuca de Agrestina

Coco de Roda Zé de Teté
Zé Galdino

Mestre Galo Preto
(www.myspace.com/mestregalopreto)

21/07 – Terça-feira
Reisado da Boa Vista
Grupo Percussivo Força dos Quilombos
Afoxé Alafin Oyó
Bombaguá

22/07 – Quarta-feira
Aurinha do Coco
Mazurca Pé Quente
Toque Leoa
Carlinhos Monteverde

23/07 – Quinta-feira
Reisado do Alto do Moura
Coco do Mestre Juarez
Banda Pífano Folclore Verde Castainho
Maracambuco

24/07 – Sexta-feira
Unicordel
Reisado João Tibúrcio
Banda de Pífano Família Félix
Wellington do Pandeiro
Banda Filarmônica Assum Preto

25/07 - Sábado
Banda Musical Curica
Pastoril do Velho Xaveco
Samba de Coco Raízes de Arcoverde
Sambadeiras
Boi da Macuca

Alexandre L'Omi L'Odò
Produção Mestre Galo Preto

55 81 8887-1496

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mestre Galo Preto eleito Artista do Mês de Maio/09 do Observa e Toca Malakokk (PE)

Foto: Laila Santana
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No mês de Maio do projeto Observa e Toca Malakoff, o Mestre Galo Preto e Banda (O Tronco da Jurema) foi selecionado para compor a concorrida programação do evento que está se tornando um marco importantíssimo nas discussões e desenvolvimento do mercado musical pernambucano.


No dia 23/05/2009, foi a vez do Mestre, que dividiu o palco com os Angolanos Filipe Mukenga e Vadú e a banda Ska Maria Pastora, compondo uma tarde e inicio de noite muito diversificada nos estilos e ritmos musicais. O evento foi muito legal, atraiu muita gente e contou com a presença dos alunos do curso de Produção Fonográfica da AESO Barros Melo, que foram conferir e pesquisar aspectos técnicos do evento junto ao professor Adriano Araújo, da cadeira de Produção Fonográfica e a professora Débora Nascimento da cadeira de Indústria Fonográfica.


As discussões e troca de saberes ficaram por conta da palestra sobre o tema: O Papel do Músico Hoje, palestra realizada pelo Músico e “autoprodutor” Silvério Pessoa e o músico e “autoprodutor” Jacques Waller, mediada por Evandro. Poucas pessoas se pronunciaram sobre o tema, ficando a fala do público dominada pelo Sacerdote, Músico e Produtor Alexandre L'Omi L'Odò, que colocou na discussão as dificuldades que tem em relação a produção do Mestre Galo Preto e as interferências negativas externas no processo de avanço no trabalho, que conta com assédios de pessoas que iludem o Mestre e atrapalham a produção. L'Omi, colocou ainda "que acha correto o artista ser dono de sua carreira e que hoje este é o caminho dos mais desenvolvidos dentro da perspectiva de luta por sua carreira", ainda colocou que “a cultura tradicional, chamada de “popular”, tem mercado no exterior, e é por este meio que quer dirigir sua produção”.


Como comum a todo mês do Projeto Observa e Toca Malakoff, é realizada uma avaliação e julgamento dos eventos e artistas que tocaram e discutiram durante o mês, sendo sempre eleito um artista ou grupo como o "Melhor do Mês", ou o "Artista do Mês". Em maio, mês que teve no palco os artistas Santana (PE), a Banda Volver (PE), Geraldo Maia (PE), Felipe Mukenga e Vadú (Angola) e o Grupo Monodecks (PE), foi eleito o Mestre Galo Preto, com seu coco rimado e de repente, e o Jazz da banda O Tronco da Jurema o Artista do Mês.


Como prêmio, o Mestre ganha uma edição especial no Programa Sopa de Auditório, que será realizado no dia 14 de Junho de 2009, no horário das 17h, sendo visto por todo Brasil através da TV Brasil e em Pernambuco no canal aberto pela TV Universitária, canal 14.

Feliz pelo reconhecimento e pela visibilidade conquistada, o Mestre Galo Preto (www.myspace.com/mestregalopreto), promete fazer uma grande participação no Programa que é apresentado pelo essencial Roger de Renor.


Alexandre L'Omi L'Odò.

Produção do Mestre Galo Preto.

Contatos: alexandrelomilodo@gmail.com

www.myspace.com/mestregalopreto

55 81 8887-1496

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Naná Vasconcelos desabafa sobre a política cultural de PERNAMBUCO.

Foto: Alexandre L'Omi L'Odò.


“Ninguém aqui sabe o que eu faço”

"... o que acontece aqui é que o nosso secretário de Cultura não tem educação, e o de Educação não tem cultura." Naná Vasconcelos
"... ninguém quer realmente tirar crianças da rua." Naná Vasconcelos

“Ninguém aqui sabe o que eu faço”

Por: Marcella Sampaio

Ele não foi o homenageado oficial do Carnaval Multicultural do Recife, mas sem sombras de dúvida é um dos nomes mais exponenciais do período momesco da capital pernambucana. Há oito anos no comando da abertura da folia recifense, Naná Vasconcelos foi um dos artistas mais reverenciados durante o desfile das agremiações. No Galo da Madrugada, pôde-se ver claramente a importância que o percussionista tem para a cultura local. Presente no evento apenas para brincar, surpreendeu-se ao ser reverenciado por todos os artistas que passaram em frente ao camarote em que estava.

Apesar das homenagens espontâneas, o músico, eleito por sete vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana Down Beat, lamenta só ser lembrado pelos conterrâneos apenas durante o carnaval. Sem mágoas, Naná não vê o caso como discriminação, apenas como um problema cultural que acomete todos os músicos do Estado.

Com senso crítico apurado, o percussionista conta que além de participar da abertura do carnaval a única coisa que faz aqui é se esconder. Ele não é o único e enumera diversos artistas como Lenine, Alceu Valença, Mestre Ambrósio, Nação Zumbi, Cordel do Fogo Encantado que sem ter opção e espaço, deixaram a terra natal para ir morar em outros lugares. “Pernambuco não sabe vender os seus valores. Falta uma visão de mercado para a cultura local, pois a maior parte do que acontece na música brasileira vem daqui, mas os artistas têm que ir morar no Sul para sobreviver. Na Bahia os artistas fazem sucesso em outro canto, mas moram lá. Não temos oportunidade aqui e se ficarmos, morreremos de fome. O ex-governador Antônio Carlos Magalhães costumava dizer nas rádios, ‘você está na Bahia, você tem que tocar música baiana’. Aqui não toca música dos pernambucanos.”

Naná credita a situação aos responsáveis pela coordenação cultural. A solução seria aprender a vender o produto e por em prática uma visão que valorize as tradições locais, mas também tenha cuidado para não descaracterizar os costumes.

O fato é tão lamentável para o percussionista que chega até prejudicar a qualidade do carnaval multicutural, que tem condições de ter um esquema de som mais adequado. “Hoje o carnaval é prejudicado porque a tecnologia é pobre. Eu faço a abertura há oito anos e nunca foi feito um DVD decente para propagar essa multiculturalidade que tanto se fala. Isso acontece porque tem um lado coronel aqui que não nos deixa crescer. Sinto falta de uma visão de mercado que dê condições tecnológicas para as pessoas escutarem bem toda essa miscigenação cultural.”

A situação ficou ainda pior este ano devido à chuva. Apenas na abertura três geradores foram queimados, deixando o palco escuro. Mesmo com os incidentes o percussionista e os 600 batuqueiros deram continuidade ao show. O esforço não foi nem sequer lembrado pelo secretário de Cultura do Recife, Renato L, e causou revolta ao músico. “Ele não teve a sensibilidade de dizer que a coisa ultra-humana fomos nós que ficamos debaixo da chuva para não deixar a abertura desmoronar.”

Mas a situação ainda não está perdida e Naná acredita que para a valorização acontecer é preciso encontrar um jovem que renove o departamento de cultura e turismo, pois em Pernambuco há coisas que são únicas. E quando o assunto é o Estado o músico logo compara as tradições locais às da Bahia e do Rio de Janeiro, os quais não conseguem diversificar.

A Bahia é conhecida apenas pelos trios e para participar é necessário ter abadá. No Rio de Janeiro só há as escolas de samba. O diferencial é que lá eles contam com uma tecnologia de ponta graças aos patrocínios que o percussionista tanto cobra. “Somos multiculturais, fazemos um carnaval espetacular, mas nas revistas nacionais só aparecem os eventos do Rio de Janeiro e da Bahia. Eu acho que o que acontece aqui é que o nosso secretário de Cultura não tem educação, e o de Educação não tem cultura.”

Em uma situação favorável, o músico diz que pode criticar e falar a realidade da cultura no Estado porque não depende do mercado local, já que tem uma carreira de sucesso lá fora. E ainda acrescenta que não adianta nem tentar espaço em Pernambuco porque se for fazer show aqui em um teatro ninguém vai porque o povo está acostumado a vê-lo tocar de graça para multidões. Além do mais ninguém conhece o seu trabalho. “Eu sou um personagem, ninguém aqui nunca ouviu o que realmente faço. Nunca tive a oportunidade de tocar aqui, a primeira vez que me deram foi no Virtuosi, mas nem pude mostrar tudo porque o projeto foi cortado. As pessoas só sabem quem eu sou pelo maracatu, não fazem idéia que eu tenho trabalho solo. Eu posso mostrar a minha arte em São Paulo em outros cantos do mundo, mas não aqui.”

INOVAR É PRECISO
Irreverente, o músico, que sofreu influência da música erudita de Heitor Villa-Lobos e do roqueiro Jimi Hendrix, defende que para um artista se destacar no contexto atual é preciso ter diferencial. A receita para o sucesso é a mistura do eletrônico com o cultural, os dois juntos dão uma coisa original, verde e amarela, como ele mesmo consagra.

Quando o assunto é o cenário brasileiro, o percussionista é enfático ao dizer que tudo é muito parecido. “Temos artistas de qualidade, que sempre tiveram, mas não têm nada de novo. Parece axé que você não consegue saber quem é quem. Todo mundo tem uma voz muito parecida, Ana Carolina parece com a voz de Cássia Eller. Fica tudo muito igual, vira uma moda, um modismo que tem o mesmo tipo de arranjo. Para um novo artista aparecer ele tem que ter uma coisa original, se não fica um lugar comum.”

Desse bolo, Naná destaca alguns que ainda conseguem se diferenciar do todo, entre eles estão Ivete Sangalo, Milton Nascimento, Vitor Araújo, Siba e Dj Dolores. Internacionalmente, ele lembra do nome de Amy Winehouse. “Ela tem uma coisa original, que não é tão tecnológica e parece antiga.”

EXTERIOR AINDA CONTINUA NA PAUTA

Apesar de nunca ter pensando em ir morar no exterior, Naná Vasconcelos conta que as coisas foram acontecendo ocasionalmente. Programado para ir participar do festival Brasil tocando Rio, na capital fluminense, o artista acabou desembarcando na sua carreira pelo mundo afora. Lá conheceu Milton Nascimento e logo depois foi na companhia dele à Argentina. De lá seguiu para Nova Iorque e depois para Paris. Nos últimos dois destinos deparou-se com o sucesso ao descobrir que tinha um algo diferente do que os americanos e europeus estavam acostumados a ouvir.

Apesar de ter passado mais de 10 anos morando no exterior, o percussionista explica que nunca perdeu a identidade e por isso se tornou famoso lá fora. A carreira até hoje é reconhecida e é a fonte que lhe dá frutos. Todo período de primavera/verão, Naná retorna à Europa para realizar uma série de concertos nos festivais.

O músico voltou a estabelecer relações mais próximas com o cenário musical brasileiro a partir da direção artística do festival Panorama Percussivo Mundial (Percpan) em Salvador. “Quando estive no Brasil para dirigir esse evento tomei um susto e vi muita criança na rua. Isso me fez querer fazer alguma coisa. Criei o projeto ABC das Artes e o ABC Musical, mas o primeiro durou um pouco mais de dois anos em Olinda e o outro de vez em quando eu retomo, quando o governo dá oportunidade. Mas, no geral os projetos não deram certo porque ninguém quer realmente tirar crianças da rua. Você vai à Brasília todo mundo aplaude, mas como não tem retorno imediato ninguém quer patrocinar.”

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Muitos criticaram, outros apoiaram as colocações do Mestre Naná Vasconcelos. Eu prefiro dizer que antiguidade as vezes é posto e que concordo com meu Mestre, que sabe o que fala e entende muito bem e com experiência as deficiências de nossa indústria cultural pernambucana, isso é, se existe alguma indústria cultural por aqui!

Alexandre L'Omi L'Odò.

Percussionista - Produtor Fonográfico e Cultural

Sacerdote Iyawò.



sábado, 4 de abril de 2009

Malunguinho no Cine PE 2009

O documentário, Malunguinho, O Rei da Jurema O Guerreiro do Catucá será exibido no Cine PE 2009 e está concorrendo ao prêmio de melhor documentário da mostra este ano.
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Sendo o Cine PE o maior evento de Cinema do Estado de Pernambuco, onde diversos vídeos, documentários, longas e curtas metragens do Brasil e do mundo são exibidos, o documentário dos jornalistas João Batista Jr., Diogo Mendes e Luíz Otávio, Malunguinho, O Rei da Jurema O Guerreiro do Catucá, após ter concorrido com diversos curtas na pré-eliminatória, venceu a fase, será exibido e está concorrendo ao prêmio de melhor documentário na mostra.

O vídeo, que foi fruto da conclusão do curso de jornalismo (TCC) dos Diretores João Batista, Diogo Mendes e Luíz Otáviodo naUniversidade Católica de Peranmbuco (UNICAP) 2008, recebeu nota máxima da banca examinadora, que fizeram comentários de grande vailia sobre o filme e reafirmaram a importancia de tal documentário na contribuição da afirmação do papel do negro em Pernambuco no século XIX, além da importância histórica do tema, já que poucas pessoas conhecem Malunguinho como personagem forte da contrução da personalidade e forma de vida socio-político-cultural do Estado.

O documentário mostra a relação do Malunguinho Histórico, e o embate afirmativo do povo da Jurema Sagrada de Pernambuco na preservação da memória deste grande líder quilombola no imaginário da Jurema do Nordeste, deisificando-o e fazendo dele o Malunguinho Divino, o Rei da Jurema, título este pertencente unicamente a ele, pois é o único a se apresentar espiritualmente em três formas: Mestre, Caboclo e Exú dentro do culto. A relação fortimente indígena da divindade remonta claro a vivência cotidiana dos negros do Quilombo do Catucá com os índios dos entornos da localidade que se iniciava as margens do Rio Beberibe entre Recife e Olinda (próximo ao Nascedouro de Peixinhos) e se estendia até a Cidade de Goiana na Zona da Mata Norte pernambucana.

Em 18' minutos o publico poderá presenciar a mais requintada qualidade jornalística e cinematográfica já feita nos vídeos pernambucanos, contando com falas de muita importância e depoimentos de de professores como o Marcus Carvalho PHD em História e um dos primeiros a escrever sobre os Malungos do Recife em seu antológico e importantíssimo livro Liberdade - Rotinas e Rupturas do Recife 1822 a 1850, também a fala do Mestrendo em Ciências da Religião, o Historiador e agitador cultural Jõao Monteiro que tratará em sua dissertação o tema Malunguinho e sua deisificação. Babalorixás e Iyalorixás, Mestre e Mestras Juremeiras também tiveram suas falas garantidas no documentário, sacerdotes como Sandro de Jucá, Mãe Lúcia de Oyá deram um toque muito especial ao tema religiosidade, tema transversal e crucial do documentário.

O trilha sonora foi feito e produzido pelo Sacerdotando (Juremeiro e Iyawò), Percussionista, Produtor Fonográfico e Pesquisador Alexandre L'Omi L'Odò, que realizou grandes temas de percussão para compor o clima ideal para o vídeo. Participações como a do professor Sandro Guimarães de Sales (com seu violão de ouro) e do Mestre Galo Preto, além do Coral da Jurema Sagrada de Malunguinho, organizado pelo produtor do trilha, dão sem dúvidas uma cara de novidade e dinamismo à película. Diz o produtor do trilha que "lançaremos depois de terminar a produção o CD com o trilha completo, que está lindo, em especial porque registramos cantigas ainda não conhecidas e muito antigas de Malunguinho na Jurema".

Contando com o apoio integral, e até mesmo o "dedo no bolo" do Quilombo Cultural Malunguinho, a parceria na construção da obra foi super relevante, sabendo que os pesquisadores do Quilombo são os melhores especialistas no momento sobre Malunguinho, tanto histórico quanto Divino, pois todos da entidade são iniciados nos cultos afro indígenas e vivenciadores da construção da memória do líder Quilombola Malunguinho em PE. "O vídeo tem um perfil pedagógico, podendo se enquadrar perfeitamente ao uso da Lei 11.465/2008, e da lei estadual 13.298/2007 a lei da Semana da Vivência e da Prática da Cultura Afro Pernambucana, a lei de Malunguinho aprovada com total iniciativa na assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco pelo Dep. Isaltino Nascimento e o Quilombo Cultural Malunguinho, com apoio de diversos movimentos culturais e sociais, e não poderemos perder esta oportunidade de passar ele nas escolas", diz Alexandre L'Omi L'Odò.

Contudo, a exibição do vídeo espera poder levar muitos Juremeiros, Povo de Terreiro, historiadores e pesquisadores além de público em geral para lotar no dia 26 de Abril no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, localizado na Rua Henrique Dias 609 - Derby - Recife, todo povo para juntos eleger o vídeo como o melhor da Mostra de Cinema de Pernambuco 2009.



Serviço:
Documentário: Malunguinho, O Rei da Jurema O Guerreiro do Catucá / 2008.
Evento: Cine PE - Mostra de Cinema de Pernambuco 2009.
Local: Cinema da Fundação - Rua Henrique Dias 609 - Derby - Recife - PE
Horário: 19h.
Quanto pago? : Gratis.
Contatos: (81) 9265-9223/ 8887-1496


Esperamos todo@s lá!!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Cartilha Diversidade Religiosa e Direitos Humanos, Quilombo Cultural Malunguinho por uma política de Combate a Intolerância.

A CEPIR- Comitê Estadual para Promoção da Igualdade Racial- PE e o CRER- Centro de Referência e Enfrentamento ao Racismo Casas da Cidadania Olinda Carmo, em ação conjunta com nove entidades dos movimentos negros e resistência de Pernambuco, onde o Quilombo Cultural Malunguinho fez-se presente na construção e discussão do documento, lança em Olinda hoje no dia 20/03/2009 a cartilha Diversidade Religiosa e Direitos Humanos.
A cartilha traz a Declaração sobre Eliminação de todas as Formas de Intolerância e Discriminação com base em Religião ou Crença, proclamada pela resolução 36/55 da Assembléia Geral de 25 de Novembro de 1981.
Tendo como um dos importantes princípios do Quilombo Cultural Malunguinho a luta pelos direitos iguais e principalmente a luta por maior entendimento histórico e religioso das religiões de matrizes africanas, a entidade divulga aqui o resultado deste processo.
Democratizando pela internet o conteúdo muito útil para a luta contra a intolerância religiosa, esperamos que seja de bom proveito o texto oficial que segue.
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Segue texto parcial oficial:
DIVERSIDADE RELIGIOSA E DIREITOS HUMANOS

Numa perspectiva Transversal, Democrática e Regionalizada e à luz do Programa Pacto Pela Vida, Da Declaração Universal sobre Intolerância Religiosa e Discriminação Correlata e demais documentos legais, entendemos que esse material- Diversidade religiosa e Direitos Humanos, possa servir como um “Atagbá”: que passe de mãos em mãos e que possa servir como um dos vários instrumentos do governo do Estado de Pernambuco, através das decisões colegiadas e democráticas com todos e todas os que assinam este Livreto; para a construção coletiva do fortalecimento das políticas de igualdade étnico-racial, numa perspectiva de enfrentamento às discriminações religiosas, sobretudo do Povo do Santo de Pernambuco - Religiões de Matrizes Africanas e Afro brasileiras.

Nesse sentido, entendemos que este Livreto é mais uma contribuição do CEPIR-Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Étnico-Racial, que congrega sete Secretarias de Estado - Juventude e Emprego, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, Articulação Social, Educação, Saúde, 'Secretaria de Desenvolvimento Social, Secretaria Chefe da Assessoria Especial do Governador-CEPIR e FUNDARPE.

Esse material traz algumas orientações e definições de várias religiões no mundo, para a convivência pacífica e fraterna com os "diferentes-iguais", no sentido de construirmos a PAZ, como tem orientado a Secretaria Especial de Direitos Humanos, do governo Federal, que fundamenta este Livreto.

Que possamos, embasados por estas orientações religiosas, contribuir para que nos tornemos verdadeiros e verdeiras cidadãos (ãs).

Boa sorte,
CEPIR.
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DECLARAÇÃO SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE, INTOLERÂNCIA E DISCRIMINAÇÃO COM BASE EM RELIGIÃO OU CRENÇA.

Proclamado pelo Resolução 36/55 do Assembléia Geral de 25 de novembro de 1981

A ASSEMBLÉIA GERAL,

Considerando que um dos princípios básicos da Carta das Nações Unidas é o da dignidade e igualdade inerentes a todos os seres humanos e que todos os Estados Membros se comprometeram. juntamente com a Organização. a tomar ações conjuntas e separadas de cooperação, no sentido de promover e estimular o respeito e o cumprimento universal aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, idioma ou religião.

Considerando que a Declaração Universal dos Direitos Humanos e os Convênios Internacionais sobre Direitos Humanos proclamam os princípios da não discriminação e da igualdade perante a lei, bem como o direito à liberdade de pensamento. Consciência, religião e crença.

Considerando que o desrespeito e a violação dos direitos humanos e das liberdades fundamentais e particularmente do direito à liberdade de pensamento, consciência, religião ou de qualquer crença provocaram, direta ou indiretamente, guerras e grandes sofrimentos à humanidade, especialmente onde servem como meios de interferência estrangeira nos assuntos internos de outros Estados e conduzem ao fomento do ódio entre povos e nações.

Considerando que a religião ou crença para qualquer pessoa que as professam, é um dos elementos fundamentais da sua conceituação de vida e que a liberdade de religião ou crença deve ser plenamente respeitada e garantida.

Considerando ser essencial promover o entendimento, a tolerância e o respeito em questões relacionadas à liberdade de religião e crença, e a fim de assegurar que é inadmissível o uso da religião ou crença para fins inconsistentes com a Carta das Nações Unidas, outros instrumentos relevantes das Nações Unidas e as finalidades e princípios da presente Declaração.

Convencida de que a liberdade de religião e crença deve também contribuir para a consecução das metas de paz mundial. Justiça social, amizade entre os povos e eliminação de Ideologias ou práticas de colonialismo e discriminação racial.

Observando com satisfação a adoção de diversas convenções para a eliminação das múltiplas formas de discriminação, bem como a entrada em vigor de algumas delas sob amparo das Nações Unidas e de suas agências especializadas.

Preocupada com manifestações de intolerância e com a existência de discriminação por questões de religião ou crença ainda em evidência em algumas regiões do mundo.

Resolve adotar todas as medidas necessárias para uma rápida eliminação de tais intolerâncias, em todas as suas formas e manifestações, para evitar e combater a discriminação com base em religião ou crença,

Proclama a presente Declaração sobre a Eliminação de Todas as Formas de Intolerância e Discriminação com base em Religião ou Crença.
ARTIGO I

I . Todos terão direito a liberdade de pensamento, consciência e religião. Tal direito inclui a liberdade de ter uma religião ou crença qualquer à sua escolha, e a liberdade, individual ou em comunhão com outros e em público ou privado, de manifestar sua religião ou crença em louvor, observância, prática e ensino.

2. Ninguém será sujeito a coerção que possa cercear a liberdade de ter uma religião ou crença de sua própria escolha.

3. A liberdade de manifestar sua religião ou crença somente poderá estar suujeita às limitações previstas em lei e necessárias para resguardar a segurança pública, a ordem, a saúde ou a moral, ou ainda os direitos e liberdades fundamentais de terceiros.

ARTIGO 2

I . Ninguém será sujeito a discriminação de qualquer Estado, instituição, grupo de pessoas ou indivíduo com base em Religião ou outra crença.

2. Para as finalidades da presente Declaração, a expressão "intolerância e discriminação com base em religião ou crença" significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência fundada em religião ou crença, cuja finalidade ou efeito seja a nulidade ou cerceamento do reconhecimento, gozo ou exercício de direitos humanos e liberdades fundamentais em bases igualitárias.

ARTIGO 3

A discriminação entre seres humanos fundada em religião ou crença constitui afronta à dignidade humana e negação dos princípios da Carta das Nações Unidas, devendo ser condenada como violação dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, conforme proclamado na Declaração Universal dos Direitos Humanos e enunciado detalhadamente nos Convênios Intencionais sobre Direitos Humanos, e como entrave às relações amistosas e pacíficas entre as nações.

ARTIGO 4

I . Todos os Estados devem tomar medidas efetivas para evitar e eliminar a discriminação baseada em religião ou crença, no reconhecimento, exercício e gozo dos diretos humanos e liberdades fundamentais em todas as áreas da vida civil, econômica, política. Social e cultural.

2. Todos os Estados devem empenhar esforços no sentido de aprovar ou rescindir legislação, quando necessário, a fim de proibir tal discriminação, assim como tomar medidas apropriadas para combater a Intolerância com base em religião ou outra crença.

ARTIGO 5

I . Os pais ou, conforme o caso, os tutores legais de uma criança têm o direito de organizar a vida em família de acordo com a sua religião ou crença e tendo em mente a educação moral na qual acreditam que a criança deva ser criada.

2. Toda criança gozará do direito de acesso à educação em matéria de religião ou crença de acordo com o desejo de seus pais ou, conforme o caso, de seus tutores legais e não será obrigada a receber ensinamentos sobre religião ou crença contra o desejo de seus pais ou tutores legais, tendo como princípio norteador os Interesses da criança.

3. A criança será protegida de toda forma de discriminação fundada em religião ou crença. Deverá ser criada com o espírito de entendimento, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universal, respeito à liberdade de religião ou crença de terceiros e com plena consciência de que suas energias e talentos devem ser dedicados em prol de seus semelhantes

4. No caso de uma criança que não esteja sob os cuidados de seus pais ou tutores legais, devem ser levados em consideração seus desejos expressos ou qualquer outra evidência de seus desejos em matéria de religião ou crença, sendo o princípio norteador os melhores Interesses da criança.

5. As práticas de religião ou crença na qual uma criança é criada não podem ser prejudiciais à sua saúde física ou mental ou ao seu desenvolvimento pleno, de acordo com o Artigo I, parágrafo 3, da presente Declaração.

ARTIGO 6

De acordo com o Artigo I da presente Declaração, e Sujeito às disposições do Artigo I, parágrafo 3, o direito à liberdade de pensamento, consciência, religião ou crença deve incluir, inter alia, as liberdades de:

(a) Louvar ou congregar para fins relacionados à religião ou crença, bem como estabelecer e manter locais para essas finalidades;
(b) Estabelecer e manter instituições beneficentes ou humanitárias apropriadas; (c) Confeccionar, adquirir e utilizar de forma adequada os artigos e materiais necessários aos ritos ou costumes de uma religião ou crença:
(d) Redigir, publicar e disseminar materiais relativos a essas áreas;
(e) Ensinar a religião ou crença em locais apropriados para esta finalidade;
(1) Solicitar e receber contribuições voluntárias, tanto financeiras quanto de outra natureza, de indivíduos e instituições;
(g) Capacitar, nomear, eleger ou designar por sucessão líderes apropriados previstos pelas exigências e normas de qualquer religião ou crença;
(h) Observar os dias de descanso e celebrar os feriados e cerimônias de acordo com os preceitos de sua a religião ou crença;
(i) Estabelecer e manter comunicações com indivíduos e comunidades em matéria de religião e crença nos níveis nacional e internacional.

ARTIGO 7

Os direitos e liberdades enunciados na presente Declaração devem ser homologados em legislação nacional de forma que, na prática, todos possam ter acesso aos mesmos,

ARTIGO 8

Nada na presente Declaração deve ser interpretado como cerceamento ou derrogação de qualquer direito definido na Declaração Universal dos Direitos Humanos e nos Convênios Internacionais sobre Direitos Humanos.

Alexandre L'Omi L'Odò / Quilombo Cultural Malunguinho

quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com

Em breve posto o resto dos textos...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Terreiro do Gantois é vítima de fraude na Internet.

Terreiro do Gantois é vítima de fraude na internet.
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Um dos terreiros mais famosos e influentes da Bahia, o terreiro do Gantois, sofre calúnias graves em um site da internet que cobra 350 reais por consulta e 200 reais para que o consulente apenas fale com um dos filhos da casa.
Realmente isso é um crime contra a tradição de matriz africana e contra um segmento muito forte no Brasil todo, sabendo que uma das Iyalorixás mais famosas e importantes na história do país, a Mãe Menininha do Gantois, tem sua memória e tradição ética-cultural violada por criminosos intolerantes, racistas.
Este é um crime que não pode ficar impune, pois é revoltante tal acontecido!

Segue matéria do Jornal a tarde sobre o fato:
A Tarde
EDIÇÃO DO DIA 17.03.2009
Salvador - Página 7

Site falso cobra R$ 350 por consulta
CLEIDIANA RAMOS cramos@grupoatarde.com.br (jornalista).

O terreiro Gantois, como é mais conhecido o Ilê Iyá Omi Axé Iyà Massé, é vítima de uma fraude online. Algumas pessoas estão recebendo, via e-mail, um link que dá acesso ao site descrito como da casa que é uma das mais tradicionais da Bahia e foi comandada até 1986 pela célebre ialorixá mãe Menininha. “O que fizeram é uma mistura de crueldade e irresponsabilidade”, diz, indignada, mãe Carmen Oliveira, a atual ialorixá do Gantois e filha biológica de mãeMenininha.
A preocupação da comunidade do terreiro é que, na seção do site fraudulento, intitulada Reserva & Pagamentos, são prometidas consultas com mãe Carmen e filhos da casa. Para este fim, o usuário deve preencher um cadastro com seu nome completo, data de nascimento, e-mail, telefone, dentre outras informações.
A partir de então, é gerado um boleto bancário. São cobrados R$ 350 para um pretenso encontro com mãe Carmen e R$ 200 se for com um filho do terreiro. “Vamos tomar providências legais, pois isto é um acinte à dignidade não só da nossa casa, mas de toda uma tradição religiosa” , afirma o jurista e vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Britto, que ocupa posto de babá egbé no Gantois, um importante cargo litúrgico.

Zeno Millet, filho de mãe Cleusa Millet, a outra filha biológica de mãe Menininha, que a sucedeu no trono do Gantois até 1998, quando morreu, recebeu o e-mail com o link. “Fiquei chocado, pois, embora às vezes apareçam pessoas alegando parentesco conosco ou dizendo ser do terreiro sem que pertençam a ele, uma coisa dessa gravidade nunca tinha acontecido”, completa.
FAMOSOS –Há também no site a seção “Clientes célebres”, com fotos de Caetano Veloso, Maria Bethânia e Daniela Mercury, dentre outros famosos. Na página de apresentação, há um vídeo retirado do Youtube com Bethânia, Caetano e dona Canô cantando a música Oração a Mãe Menininha, de Dorival Caymmi, apresentada como “oração oficial do Gantois” e um texto atribuído a mãe Carmen. Um dos indícios que fazem suspeitar da fraude à primeira vista é a grafia do nome do terreiro no endereço. Ele foi escrito como “Gantuá”. A reportagem apurou que o domínio em que foi registrado o site é estrangeiro. Além disso, a reportagem telefonou para o número indicado no site, mas a linha deu sinal de ocupada repetidas vezes. A reportagem seguiu então os passos para a reserva de consulta.
O boleto bancário chegou a ser gerado, mas os dados da conta, que está registrada como Gantois, não foram reconhecidos pelo banco indicado. Mas há também indicações para que as pessoas paguem em uma casa lotérica – o que, mesmo que não remeta o valor para uma conta real, pode trazer sérios transtornos à imagem do Gantois.

Mesmo que se trate apenas de uma brincadeira de mau gosto, não livra o responsável de implicações legais, segundo o advogado Rodrigo Morais, especialista em direito autoral. Segundo ele, vários crimes já estão configurados na criação do site: violação do direito autoral e de imagem – não só do Gantois, como também dos artistas citados – e desrespeito religioso. “Vale ressaltar que a instituição Gantois, representada por uma sociedade civil, tem direito à honra, um princípio que é estendido às pessoas jurídicas. Além do processo criminal, cabe um processo por danos morais, e uma autoria deste tipo não é difícil de ser rastreada. Há vários instrumentos para isso”, completou.

Mãe Carmem, atual sacerdotisa do terreiro do Gantois, filha consanguínea de Mãe Menininha do Gantois.

Alexandre L'Omi L'Odò (alexandrelomilodo@gmail.com).

Indignado!!!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Os Orixás Pedem Passagem no Mundo Fonográfico!

Os Orixás Pedem Passagem no Mundo Fonográfico!
Um registro fidedigno de uma tradição bicentenária.


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Os Ilús (Iyàn, Melè e Melè Nkó), Agbè, Gàn, Palmas e Vozes, chamam as divindades africanas pra brincar na terra com seus adoradores e filhos a pelo menos 10.000 anos...

Alujá, Bata, Ego, Ebotá, Ijexá, Nagô, Jeje, Barra Vento, Sete Pancadas... Ritmos nossos que soam do Sítio de Tia Inês Ifatinuké... (a fundadora desta tradição em Pernambuco).

Com o título Sítio de Pai Adão, ritmos africanos no Xangô do Recife, o fonograma gravado em Janeiro de 2005- Recife, durante o projeto Turista Aprendiz, do grupo A Barca Maracá Estúdio, traz aos ouvidos do mundo uma produção fonográfica inovadora e arrojada de uma tradição até então não registrada em fonograma através da produção musical de Renata Amaral.

Tudo começou assim: Uma festa de Orixá, em uma tarde no terreiro mais tradicional de Pernambuco. Ali se encontravam grandes personalidades religiosas da tradição Nagô Egbá, ou Obá Omi, a tradição de Pai Adão, um antigo sacerdote que imprimiu sua dignidade e força espiritual no imaginário da tradição afro descendente do Brasil durante sua gestão religiosa na casa de Iyemanjá Ogunté, na Estrada Velha de Água Fria.

A proposta era captar a sonoridade e os cânticos sagrados deste povo. Cânticos estes que trazem em si um patrimônio vivo e dinâmico, uma musicalidade verdadeiramente afro ameríndia, coisa bem brasileira, música sacra de valor estético relevante. Através da coordenação dos engenheiros de gravação Ernani Napolitano e André Magalhães, a equipe de técnica levou os melhores equipamentos de captação de áudio para uma gravação em loco desta manifestação que só poderia ser registrada assim, pois "o Xangô não se leva pra estúdio", segundo os antigos sacerdotes.

O resultado desta mistura técnica de qualidade atenciosa e do real axé (força) da musicalidade dos orixás, gerou um surpreendente e esperançoso CD, que traz inéditos cânticos secretos, até então jamais ouvidos.

Cânticos para Ossain, para Orunmilá, para todos os Orixás, enchem nossos ouvidos de dúvida e interesse, de alegria e ritmo forte, cadente e vibrante.
Trazendo também a participação da última filha viva do babalorixá Pai Adão, a Tia Mãezinha, filha de Xangô, uma das iniciadas mais antigas vivas do Estado, nos revela aspectos particulares da relação de gosto por cânticos de seu pai, que logo na segunda faixa do CD, canta uma das toadas mais importantes cantada por ele, em sua época.

O que mais chama a atenção no fonograma é a qualidade da gravação, a captação, que, profissionalmente e cuidadosamente teve um requinte e refinação extremamente profissional, sendo este em minha opinião o melhor registro de música de terreiro já realizado no Brasil. Jamais se ouviu sons tão bem definidos e afinados de instrumentos como neste álbum, pois o cuidado na microfonagem e na edição destes sons, definem toda obra como um espetáculo de sons que nos levam a transcendência e principalmente ao saborear de uma verdadeira orquestra afro-brasileira, percutida pelas mão dos Ogans (sacerdotes tocadores).

O Cd tem todo um visual adequado e bem elaborado por seus artistas gráficos, o André Hosoi e Fabiana Queirolo, que no conteúdo agregaram o texto bem abalizado do atual Babalorixá do Sítio, o senhor Manoel Nascimento Costa, o Manoel Papai, Ogunté Farã, que traz dados históricos e informações essenciais sobre o contexto que se refere o disco. Todos os cânticos são na língua Yorùbá, e sendo assim, a tradução também feita pelo Sr. Manoel Papai nos leva a um conhecimento aprofundado desta tradição que muito o Brasil deve reparação e reconhecimento, sendo o próprio CD um material também didático e desmistificador.

Realmente vale a pena escutar este belo fonograma, pois se não há mercado no Brasil que o consuma, com certeza os melhores ouvidos, atenciosos a novidades musicais mundiais vão consumi-lo como um disco que é indispensável a qualquer acervo de qualidade.

*Tia Mãezinha (Iyá Midè) e Mãe Janda (Oxum Bakundè).

Xoxo obé xoxo obé - *Nosso pedido será atendido
Odara coma eyó - Legbará limpe o caminho
Xoxo obé odara koma seke - Exú não age ás pressas
Odara baba ebó - Ele toma todo tempo que precisa.

* (Toada para Exú. **Não é uma tradução literal)


Ficha Técnica:
Fonograma: Sítio de Pai Adão, Ritmos Africanos no Xangô do Recife
Direção geral: Manoel Costa Papai
Direção/Produção Musical: Renata Amaral
Direção Técnica: André Magalhães
Captação e Administração: Amélia Cunha
Produção Executiva: Patrícia Ferraz
Gravações Adicionais: Estúdio Fábrica, por Marcílio Moura e André Magalhães/ Recife, julho de 2005.
Mixado e Masterizado no Estúdio Zabumba, SP, por André Magalhães. Patrocínios: Governo do Estado de Pernambuco-Secretaria de Cultura/Fundarpe - Funcultura- Pernambuco.

*Alexandre Alberto Santos de Oliveira (*L'Omi L'Odò)

(alexandrelomilodo@gmail.com)
Aluno 1º período de Produção Fonográfica- AESO Barros Melo
Manhã.
Trabalho da cadeira de Indústria Fonográfica. Profª.: Débora Nascimento

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!