quarta-feira, 29 de agosto de 2012

VII Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá. 7 Anos Unindo o Povo da Jurema!


VII Kipupa Malunguinho
Coco na Mata do Catucá
7 Anos Unindo o Povo da Jurema!

Chegamos ao nosso sétimo ano de integração dos juremeiros e juremeiras de todo o Brasil nas matas sagradas de Malunguinho. Este ciclo para nós da Jurema é de muita importância e simbolismo religioso. Sete anos de trabalhos significa um fechamento de um primeiro ciclo de força na fumaça e ciência de nosso guerreiro quilombola Malunguinho. É um ciclo de grande comemoração e que devemos nos orgulhar em poder vivenciar este momento com fé e entrega. Nós que fazemos o Quilombo Cultural Malunguinho, queremos que esta energia de cura, de paz, de afeto, de união, de consciência política, de alegria e de crescimento invada a vida de todas e todos que vinherem somar e participar deste grande encontro que a cada ano só faz crescer e se multiplicar graças à força de nossa Jurema Sagrada e de nossa luta coletiva. Vamos celebrar, a festa será digna desta data. São sete anos Unindo o Povo da Jurema!!

Quem ainda não sabe o que significa Kipupa e sua história, visite este link e tire toda as dúvidas com o texto que preparei especialmente para isso: "O Que Significa o Kipupa Malunguinho?"

Sobô Nirê!

Roteiro e Programação: 

Artistas e Mestras, Mestres convidados: Mestre Galo Preto, Zé de Teté, Grupo Bojo da Macaíba, Grupo Pandeiro do Mestre, Maracatu Rosa Vermelha, Maracatu Obá Onilu, dentre outros artistas do coco pernambucano.

7h. Saídas dos ônibus (Memorial Zumbí- Carmo Recife) e dos terreiros e municípios de Paulista, São Lourenço da Mata, Recife, Goiana etc;

8h. Encontro na Prefeitura de Abreu e Lima dos ônibus e pessoas;

9h. Chegada na mata (local do evento);

9h. e 20min. Abertura Solene com diálogo e palestra sobre Malunguinho (normas do evento);

10h. Entrega do "Prêmio Mourão que no Bambeia" aos homenageados: 

In memorian:
Mãe Marlene de Oxum Ajangurá
Mestra Jardecilha
Pai Brivaldo Alambaê
João Romão

Vivos:
Mãe Terezinha Bulhões
Dona Dora
Mãe Graça de Xangô 

11h. Entrada na mata com rituais de Jurema;

11h. e 30min. Ritual para Malunguinho com Juremeiros e Juremeiras e povo de terreiro (gira, cânticos, louvações e oferendas);

12h. e 20min. Coco na Mata com os mestres e mestras do coco e da Jurema;

18h. Fechamento e retorno do comboio de Malunguinho. 

Como se inscrever?

Local: Loja de Eliane no Mercado de São José
Valor: 10$ (Dez Reais)
Pessoas de outros Estados: Mandar dados (Nome, Instituição e Contato) para: annepenaforte@yahoo.com.br (Produção)

Local do Evento: Matas do Engenho Pitanga II, Área Rural de Abreu e Lima (Catucá).
Saída as 7h da manhã no Memorial Zumbí dos Palmares. Carmo Recife e dos terreiros e localidades de toda cidade.

Contatos e informações:

Anne Cleide - 81. 8473-1828 (Produção)
Alexandre L’Omi L’Odò - 81 8887-1496  (Coordenação)
João Monteiro- 81 9428-4898 (Coordenação)

Vejam um pouco do Kipupa do ano passado:



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Reabertura do Palácio de Iemanjá (Casa de Pai Edu) - Noite Negra do Exús


Reabertura do Palácio de Iemanjá
Noite Negra do Exús

UM RECOMEÇO

Muitos boatos

Muitas especulações
muitas histórias
e estórias...
Muitos amigos
Muito interessados
Muitos momentos
E MUITAS PERGUNTAS
muito axé e
muita mas muita fibra... 
 
Obrigada à Iemanjá, obrigada à Zé... Tudo o que tenho hoje é ao que devo para que vim nessa caminhada que descobri...  
 
Obrigada à Oyá (Yá mi) que junto à Oxum me dão força e sabedoria com pouca idade mas cabeça e tranquilidade nos piores momentos e nas alegrias... 
 
Peso é carregar uma responsabilidade que não vem com a idade e sim com PERSONALIDADE E AXÉ.  
 
Desculpem mas não posso deixar de escrever estas palavras:  
 
Após um período de pausa tenho a felicidade de informar e convidar a todos (que pensavam que iríamos virar museu) e a todos os amigos que nos ajudaram e acreditaram em nós, quem não acreditava e passou a acreditar, quem acreditou na casa Palácio de Iemanjá... Anunciamos um recomeço; como as ondas do mar que a cada dia se renovam, renovamos nossas forças e esperança por amor ao Orixá e à Jurema. Isso mesmo... amor, é o que nossa religião precisa e todos nós precisamos; mas quem sou eu para estar dizendo isso? Alguém que sabe e ainda tem muito pra saber o que é realmente O AMOR AO ORIXÁ, e o que significa a fumaça...
 
O que significa a história de uma casa que está completando 60 anos, uma casa que sofreu perseguição de uma instituição que era para protegê-la. E que hoje está sendo reconhecida ''OFICIALMENTE'' pelo Estado. Uma casa que sofre especulações, uma casa alvo muitas vezes de piada após um momento difícil... mas não nos abatemos... Porque confiamos na nossa fé. Em memória ao meu pai Eduim Barbosa da Silva, filho de Yemonja Sessu; tenho a honra de junto com a família de santo do Palácio de Iemanjá anunciar a reabertura da casa.
 
Sabemos o que vivemos ontem, mas viveremos o amanhã com mais força e axé...  
 
Mas antes de mais nada, uma casa de Candomblé e Jurema... DE RESPEITO
A casa de Iemanjá e de Zé Pelitra!!!
 
Iremos cantar e dançar para Exu, o começo de tudo...Porque sem Exu não se faz nada!
Axé.
 
Serviço:
 
Reabertura do Palácio de Iemanjá
Festa - A Noite Negra dos Exús
Data - 24 de Agosto de 2012
Horário - A partir das 19h 
Local - Alto da Sé em Olinda/PE
Contatos: 81. 8871-0057 / 3429-1064

_________________________________
A cima, publico texto integral de Juliana Barbosa da Silva (Juliana Bison), filha de Pai Edu. Ela, é uma das herdeiras da história deste magnífico babalorixá da nossa tradição. 

Mais de um ano se passou após a transcendência espiritual deste baluarte negro. Hoje ele compõe o panteão dos Esá (Babá Egun) da tradição nagô pernambucana. Toda comunidade de terreiro vibra com esta reabertura que nos garante a continuidade de seu legado. A Casa, hoje passa por um processo de inventariação (INRC) pelo IPHAN, para ser reconhecida como patrimônio histórico material e imaterial, devido a sua grande importância nacionalmente. Isso tudo é motivo de orgulho para o povo de terreiro. Devemos ir, vibrar, cantar, danças, comer, discutir e doar axé e ciência da Jurema para que mais força se concentre em torno deste patrimônio de todos nós.

Valeu pai Edu!!!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Seminário O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco acontece dia 21 de Agosto no Palácio de Iemanjá em Olinda



Seminário O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco

A partir de uma convocação do Quilombo Cultural Malunguinho, foi criada a Comissão de Acompanhamento Contra a Intolerância Religiosa de Pernambuco, composta por diversas instituições e terreiros comprometidos com a garantia da cidadania plena das comunidades tradicionais das religiões de matrizes africanas e indígenas.

Com o pensamento de combater, discutir e propor soluções contra a intolerância religiosa, o racismo aos terreiros e às tradições negras e indígenas, é que esta Comissão articulou e realizará o seminário “O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco”, no intuito de promover um debate amplo com diversas lideranças e instituições sobre estes temas urgentes de nosso cotidiano.

Nos últimos meses as religiões de terreiro em Pernambuco têm sofrido profundas agressões à sua moral coletiva, ao seu patrimônio material e imaterial e a sua dignidade e liberdade de culto. Perante estes fatos registrados amplamente pela mídia sensacionalista, temos o triste dado de que 7 (sete) terreiros de Jurema e Umbanda foram saqueados e destruídos no município do Brejo da Madre de Deus por vândalos movidos pelo ódio religioso estimulado e manipulado contra nossa religião. Todo este fato consolidou-se devido à associação absurda feita pela mídia pernambucana ao assassinato cruel do menino Flanio, de nove anos de idade, com supostos rituais de “magia negra” ou de terreiro realizados por supostos “pais de santo”.

Perante esta grave problemática o povo de Terreiro de Pernambuco não poderia calar e se omitir. Portanto, este, se reunirá dia 21 de agosto de 2012, no Palácio de Iemanjá (Casa de Pai Edu) no Alto da Sé em Olinda/PE, das 14 às 20h para promover este debate junto às diversas representações nacionais do povo de terreiro, entidades de direitos humanos federais e instituições representativas da luta contra o racismo e intolerância religiosa.

Serão problematizados principalmente os temas relativos à mídia e sua contribuição ao racismo e intolerância religiosa. O ódio religioso e o racismo, e, como o Povo de Terreiro pode combater estas questões.

Realizar este seminário no Palácio de Iemanjá (Casa de Pai Edu) é uma forma de reconhecer o indelével e imenso trabalho que este histórico babalorixá e juremeiro realizou para todo povo de terreiro do Brasil. Em sua homenagem estão dedicadas todas nossas discussões e lutas.

Contamos com sua valiosa participação. Todas e todos são muito bem vindos neste processo de afirmação e luta pelo direito à liberdade de culto e crença dos povos tradicionais de terreiro do Brasil.

Não podemos voltar à Idade Média com este caça as bruxas do século XXI no Brasil!

Sobô Nirê Malunguinho!
Salve a fumaça da Jurema!
Axé!
Nguzo!
Vodou!
Saravá!

Programação (pode haver alterações):

Seminário: Povo de Terreiro Contra a Intolerância Religiosa
Dia 21 de Agosto de 2012 das 14 às 21h.
Local: Palácio de Iemanjá – Alto da Sé, Olinda/PE.

Horário: 14 às 21h 

Cerimonial: Mãe Nete e Jamesson Reis

14h Abertura – Saudação Ritual (Paulo Brás, Sandro de Jucá)
Coordenação da Mesa: Carlos Salles;

14h10 – As Bases da intolerância, para entender o processo! Com Alexandre L’Omi  L’Odò – Juremeiro e Omo Òsún, graduando em História pela UNICAP, membro da coordenação do Quilombo Cultural Malunguinho.
14h20 – As Recentes agressões as Religiões de Matriz Africana e indígena em Pernambuco com o Babalorixá Érico Lustosa, Omo Ogum, Filosofo, Professor de Ética do Direito, mestrando em Ciências das Religiões – UNICAP;

14h30 – A Intolerância pelo Brasil, casos de intolerância a nível Nacional, com o Babalorixá Alexandre de Oxalá Coordenador da Rede Afrobrasileira Sociocultural (http://redeafrobrasileira.com.br/);

15h40 – Debates para tirar duvidas

16h15- Intervalo para lanche regional

16h30 – O Papel do Estado no enfrentamento à intolerância Religiosa. Coordenação da Mesa: Leandro Tavares de Xangô (QCM). Vídeo Conferência com a Sra. Marga Janete Ströher, Assessora da Política de Diversidade Religiosa da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos Presidência da República e Prof. Dr. Carlos André Cavalcanti, Departamento de Ciências das religiões da UFPB e Membro da Comissão de Combate da Intolerância Religiosa da presidência da República.

16h45 - O Papel do Povo de Terreiro no enfrentamento a Intolerância Religiosa (vídeo conferência via RS) com Professor Jayro de Jesus Omo Oguiã, Teólogo da tradição de Matrizes Africans e Indígenas, coordenador da ATRAI e membro da Comissão de enfrentamento a Intolerância da presidência da Republica e os sacerdotes e lideranças políticas do povo de terreiro do Batuque do RS Baba Dyba e Egbon Esu Olumide.

17h00 – Debates para tirar duvida

!7h30 - Imprensa pernambucana, novas perspectivas de enfrentamento a intolerância (“A mídia tem que ter cuidado no que diz”!). Coordenação da Mesa: Mary Anne (CEDEESPE). Ivan Mauricio Jornalista e editores dos Jornais (Ivanildo Sampaio do JC, Henrique Barbosa Editor Geral da Folha de Pernambuco e ou editor do Diário). (Falta confirmar)

18h00 – Debate para tirar duvidas
18h30 – Considerações finais
18h45 – Ceia de confraternização com a Cheff Iyabassé Dona Carmem Virginia

19h15 – Apresentação cultural do Afoxé Omo Nilé Ogunjá
20h00 - Roda de coco de Jurema com o Grupo Bojo da Macaíba
21h00 - Encerramento


Informações: 81. 8887-1496 / 9428-4898
alexandrelomilodo@gmail.com


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Bariká fun mi o! Oito anos de Oxum - O Rio nunca seca!

Alexandre L'Omi L'Odò batendo pateó para Oxum (2005). "Assim que começa, respeito à sua essência". Foto de Aluísio Moreira.

Bariká fun mi o! Oito anos de Oxum
O Rio nunca seca!

Todo dia 26 de julho bato meu pateó ("paô" - palmas) e bato minha cabeça para meu Orixá, Oxum, a dona do meu caminho de Odú para celebrar meu aniversário de iniciação no Orixá. São oito anos de iniciado hoje, dia muito importante para mim... Dia de reencontrar-me e de refletir sobre o que nestes anos todos tenho contribuído para o avanço de minha religião e de minha vida pessoal. Sou Iyawò e juremeiro, tenho nestas duas religiões (Culto Nagô/Jeje e Jurema Sagrada) minha vida livre e aberta para o auto-conhecimento e o fortalecimento de minha própria natureza. Me sinto muito feliz em poder comemorar tal data com saúde, com prosperidade e proteção espiritual.

O ano de 2012 me trouxe grandes mudanças. Mudanças imprescindíveis no caminho sacerdotal. Mudanças que Oxum e Malunguinho me deram como grande presente para eu poder aprender muito mais sobre minha religião e meu caminhar. Me preparo para ser um babalorixá, e para isso precisava aprender mais do Nagô e da Jurema Sagrada com pessoas velhas e de grande saber como Pai Paulo Ifátòógún e Mãe Lu Omitòógún, mestre e mestra do nagô pernambucano e, Mãe Terezinha Bulhões e Dona Dora, mestras na Jurema Sagrada que tanto preso. Estes zeladores hoje guardam pelo meu Orixá e pela minha Jurema com muito amor, fé, força e respeito. Isso também me deixa muito mais feliz, pois sei que estou nas mãos de pessoas históricas e éticas teologicamente.

Comemoro esta data agradecendo os 18 anos que fui integrante do Ilé Oyá T'Ogún, casa de Mãe Lúcia de Oyá, mulher negra, forte e competente que me iniciou com muito carinho e afeto no Orixá. Felizmente ou infelizmente nosso caminho se separou definitivamente, mas ainda resguardo respeito por ela e por nossa história juntos. Ela sabe o quanto contribuí para seu caminho também...

A foto acima (do parceiro Aluísio Moreira), representa muito para mim. Ela significa o respeito aos mais velhos e mais velhas, aos ancestrais e divindades africanas e indígenas, a mim e ao universo. Quando batemos cabeça ou "paô", ou pedimos a benção para um Orixá, sacerdote e ou sacerdotisa estamos reverenciando não apenas a eles, mas a nós mesmos e a nossa tradição que merece se manter viva em seus conceitos e princípios fundamentais. Bater cabeça é entrar em contato com a terra, com aquilo que nos sustenta toda vida e que nos mantém vivos eternamente, pois sempre voltamos de alguma forma à vida por causa da terra... Vivemos um ciclo contínuo de voltas...

Mais uma vez Bariká fun mi o!!!!
(Parabéns para mim)
Adupé Osún.


Alexandre L'Omi L'Odò
Iyawò e Juremeiro
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 22 de julho de 2012

Povo de terreiro de Pernambuco protesta na mídia contra as acusações de prática de sacrifícios humanos

 
 Quilombo Cultural Malunguinho e Ilé Iyemojá Ògúnté reunidos para discutir acusações contra povo de terreiro no programa de Cardinot. Na foto: Sandro de Jucá, Mãe Lu Omitòógún, Alexandre L'Omi L'Odò e Bárbara Costa. Foto: Captura de Tela.

Povo de terreiro de Pernambuco protesta na mídia contra as acusações de prática de sacrifícios humanos

O Quilombo Cultural Malunguinho convocou o programa de Cardinot da TV Clube/Record (programa exibido em 16/07/2012) para prestar esclarecimento público e realizar defesa contra as acusações da mídia e da polícia referentes ao cruel sacrifício humano do menino Flânio de 9 anos do Brejo da Madre de Deus praticados supostamente por "pais e mães de santo". Gravamos o programa no Ilé Iyemojá Ògúnté, casa de tradição nagô dos netos biológicos de Pai Adão, em Água Fria/PE. Nós do QCM agimos imediatamente ao vermos neste programa a imagem das religiões de matrizes africanas e indígenas vilipendiadas vastamente pelas falas discriminatórias e infundadas dos atores do caso e dos apresentadores deste e também de outros programas sensacionalistas de algumas emissoras. O caso se tornou muito mais polêmico com o quebra de 7 terreiros e um templo do Vale do Amanhecer realizado por mais de 3 mil vândalos do local do crime. 

Alexandre L'Omi L'Odò fala sobre o termo "pai e mãe de santo" e diz que no candomblé nem na jurema se pratica sacrifícios humanos. Foto: Captura de tela.

A população, influenciada pela mídia e pelo racismo histórico brasileiro, se rebelou de forma criminosa expulsando os sacerdotes e sacerdotisas da Jurema e do culto aos Orixás da cidade violentamente. Este fato envergonhou e escandalizou a todos nós membros de terreiros de todo Brasil. A gravação deste programa, foi apenas uma tentativa de amortizar os efeitos absurdos provocados na mentalidade dos homens e mulheres do interior do Estado de Pernambuco, e também da Capital. Tendo a maior audiência de seu horário, e assistido pelas classes menos privilegiadas da pirâmide social, utilizamos o espaço para tentar contribuir com informação de qualidade para que as pessoas entendessem o que acontecia... Sabemos que este não é o melhor dos caminhos a tomar, mas também foi um caminho válido e de amplo alcance para as pessoas que precisavam escutar algo à contribuir em seu entendimento individual sobre as religiões de matrizes africanas e indígenas, consequentemente na quebra de preconceitos. Entendemos que este e outros programas podem ser sim, instrumentos de informação ao povo, mesmo que seus editores manipulem da forma que desejam as informações e nossas falas de acordo com seus interesses.  Demos uma entrevista de quase uma hora, com falas importantes e de acordo com o consenso nacional do povo de terreiro, infelizmente no programa só nos deram poucos segundos... Mas foi válido e importante sem dúvidas.

Sacerdotiza Mãe Lu Omitòógún defendendo a religião de matrizes africanas. Foto: Captura de tela.

Juremeiro Sandro de Jucá fala da importância da criança para o candomblé e para a Jurema. Foto: Captura de tela.

Com tanta violência e ódio retro-alimentado por estes programas, por membros de outras religiões que satanizam nossas práticas teológicas e, da despreparada polícia, tivemos que reafirmar em nossas falas que não praticamos sacrifícios humanos e que não somos adeptos de "rituais macabros nem de magia negra". A repercussão das falas foi completamente positiva, muita gente entrou em contato para elogiar, agradecer e pegar mais informações sobre os fatos. 

Estudante Bábara Costa faz explanação sobre o que é a religião de matrizes africanas e indígenas. Foto: Captura de tela.

Infelizmente não consegui os códigos (embed) para postar os vídeos diretamente aqui no blog, mas os links estão em ordem para podermos ver como se deram as falas e a forma que o programa dirigiu o contexto de nossas reinvindicações coletivas. O link que mostra diretamente nossas falas é este: (http://www.cardinot.com.br/parte-4-o-caso-do-menino-de-9-anos-assassinado-em-brejo-da-madre-de-deus/), os demais links tratam da questão como um todo. É importante ver todos eles para podermos ter melhor conhecimento sobre todo fato e também observarmos a forma como nossa religião foi tratada pela mídia irrresponsável de Pernambuco que sequer questionou se os criminosos cruéis haveriam de ser de fato sacerdotes ou sacerdotisas de nossa religião afro indígena.

Assista ao programa:






Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Integrantes do Candomblé discutem recentes atos de vandalismo contra terreiros

Vandalismo contra terreiros assusta integrantes do Candomblé. Povo de terreiro reunido no Palácio de Iemanjá (Casa de Pai Edu). Na foto: Juliana Bison, Eduardo Santana, Prof. Carlos Tomaz e Prof. Alexandre Dias. Foto de Laila Santana - Folha de Pernambuco.

CRENÇA 
Integrantes do Candomblé discutem recentes atos de vandalismo contra terreiros

Evangélicos fizeram manifestação em frente centro religioso na última segunda 

 18/07/2012 08:56 - THOMAZ VIEIRA, da Folha de Pernambuco

Integrantes do Candomblé se reuniram, nesta terça-feira (17), para discutir os recentes atos de vandalismo praticados contra os terreiros religiosos, decorrentes da morte de um menino em um ritual macabro no Brejo da Madre de Deus, Agreste do Estado. Segundo eles, na noite da última segunda-feira, um grupo de evangélicos realizou uma manifestação em frente a um terreiro no Varadouro, Olinda. Por volta das 19h, policiais chegaram ao terreiro de Pai Jairo com a denúncia anônima de que havia “um menino coberto de sangue” na casa, porém, nada encontraram. Pouco depois, segundo relatos, mais de 200 pessoas se juntaram em frente do local, gritando frases como “Sai, satanás!”.

Os membros do Candomblé demonstraram insatisfação com o ocorrido. O filósofo e babalorixá Érico Lustosa, que comanda um terreiro ao lado do de Pai Jairo, clamou mais ação do Estado. “Eu não quero incitar a violência de jeito nenhum, mas passivos nós não somos. A Justiça tem que mediar os direitos e deveres de cada um”, afirmou, durante o encontro. Ele acha que a Prefeitura de Olinda e o Governo do Estado deveriam se posicionar sobre a situação. Foi Érico que filmou o ato dos evangélicos e tentou conversar, sem sucesso.

O historiador João Monteiro acha que o caso do Varadouro “é consequência da ausência do Estado”. Ele afirma que o preconceito contra o Candomblé é um processo que vem sendo construído há muitos anos por outras religiões. Moradores do local disseram que Pai Jairo nunca teve problemas com a comunidade. “Ele é um homem bom, ajuda muito a todos”, disse a vizinha e membro do terreiro, Maria Paiva da Silva.



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Culrural Malunuginho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 21 de julho de 2012

Terreiros pedem apoio ao Estado - Registro das intolerâncias religiosas sofridas pelo Povo de Terreiro

Digitalização de matéria do Diário de Pernambuco de 18 de julho de 2012 - ÚLTIMAS. na foto, da esquerda para a direita está: Nino do Bojo da Macaíba, Juremeiro Sandro de Jucá, sacerdote João Monteiro e o babalorixá Érico Lustosa.

Terreiros pedem apoio ao Estado
Onda de ataques aos centros afro começou após assassinato de criança no Agreste

A destruição e tentativa de invasão em centros de culto afro-brasileiro no Agreste do estado e na Região Metropolitana do Recife articulou o movimento negro em defesa das religiões de matrizes africanas e indígenas. Na tarde de ontem, cerca de 20 representantes de diversos terreiros do Grande Recife se reuniram para ajustar um pedido de apoio do estado no enfrentamento à intolerância religiosa.

A onda de ataques aos centros afro começou após a prisão de três homens - que afirmavam ser pais de santo - suspeitos de participação no assassinato de Flânio da Silva Macedo, 9 anos, em um ritual de magia negra no município de Brejo da Madre de Deus. Vários centros de culto afro -brasileiro foram destruídos no Agreste após a divulgação do caso. "O homicídio nada tem a ver com as religiões africanas e indígenas. O crime foi praticado por pessoas que no têm ligação com essas manifestações. Não há sacrifícios humanos nem satanás é reconhecido ou cultuado como uma entidade nessas expressões", esclareceu o pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão (INCTI) da Universidade de Brasília, Alexandre L'Omi L'Odò.

Durante a reunião de ontem, os representantes dos centros propuseram oficializar um documento para pedir a ajuda do estado no esclarecimento das características da religião. "Vamos contatar o governo estadual para pedir um posicionamento em relação à intolerância religiosa", disse o filósofo e babalorixá Érico Lustosa.

Os religiosos ainda pensam em formalizar uma queixa na polícia Civil. "Estamos nos sentindo pressionados. O preconceito está presente nos metrôs, nas ruas, nas faixas com mensagens negativas expostas em frente aos terreiros. O estado precisa tomar uma posição mais contundente em relação ao caso", afirmou o coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho, João Monteiro.

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Esta reunião realizada no Palácio de Iemanjá, casa de Pai Edu no Alto da Sé em Olinda, convocada pelo Quilombo Cultural Malunguinho, foi o início de uma grande articulação do povo de terreiro de Pernambuco contra a intolerância religiosa sofrida. 7 templos de nossa religião foram destruídos e nossa crença foi manchada e conspurcada como assassina e praticante de cultos macabros. Nosso povo sofreu danos morais coletivos irreversíveis... Templos foram ao chão, queimados e saqueados, babalorixás e iyalorixás, juremeiros e juremeiras foram expulsos, sob risco de morte de seus templos... Uma verdadeira caça as bruxas da Idade Média, um terror só visto na época da ditadura e da repressão aos terreiros da primeira metade do século passado. Isso é inadmissível, calarmos seria ser coniventes com nossa destruição completa, com nossa morte.

Estamos na luta para que a mídia e o estado se posicionem e possam nos ajudar a vencer este equivoco monstruoso causado pela pura e mais pura ignorância de conhecimento e racismo. Este caso não deixa de ser culpa do Estado que não implementou as leis 10.639/03 e 11.649/07 nas escolas, para educar desde já os futuros cidadãos e cidadães na cultura africana, afro descendente e indígena. Estes crimes também são fruto da influência massificada de algumas igrejas evangélicas que alimentam o racismo e o ódio aos seus diferentes a apartir de sua teologia da prosperidade e do racismo. também se deve estes cruéis fatos ao povo que não busca ser melhor...

Quem pagará pelos terreiros destruídos, quem pagará por nossa imagem vilipendiada e conspurcada? Quem?


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

A intolerância religiosa que gera revolta - Registro das intolerâncias religiosas sofridas pelo Povo de Terreiro

 Babalorixá e Juremeiro Érico Lustosa. JC CIDADES. 18 de julho de 2012. Foto de Marcos Pastich.

Digitalizações da matéria completa do JC capa do caderno CIDADES. 18 de julho de 2012.

Evangélicos tentam invadir terreiro em Olinda

Vídeo que mostra grupo evangélico tentando invadir terreiro em Olinda, domingo, foi repudiado por internautas


A intolerância religiosa que gera revolta

 

 

Centenas de evangélicos com faixas e gritando palavras de ordem realizam protesto em frente a um terreiro de matriz africana e afro-brasileira – candomblé, umbanda e jurema. As imagens poderiam ser de um filme sobre a Idade Média. No entanto, foram registradas no domingo, no Varadouro, em Olinda, Grande Recife. As cenas de intolerância religiosa circularam ontem nas redes sociais e provocaram a revolta de milhares de internautas.

As imagens foram captadas pelo filósofo e babalorixá Érico Lustosa, vizinho do terreiro alvo dos ataques. Segundo ele, por pouco os evangélicos não invadiram o espaço. “Eles gritavam ‘Sai daí, satanás’ e forçaram o portão. Foi aí que me coloquei em frente ao portão e meu filho começou a gravar. Um deles gritou para a gente tomar cuidado, que ele era evangélico mas era também um ex-matador”, relembrou.

O fato ocorreu uma semana depois que pessoas invadiram terreiros em Brejo da Madre de Deus, no Agreste, após o assassinato de uma criança, segundo a polícia, a mando de um pai de santo. Pesquisadores dizem que essas religiões não realizam sacrifício de humanos.

Com a repercussão nas redes sociais – o vídeo teve mais de 1,5 mil compartilhamentos no Facebook e cerca de 400 visualizações no YouTube em menos de 12 horas – representantes de dezenas de terreiros se reuniram, ontem à tarde, no Palácio de Iemanjá, no Alto da Sé, em Olinda.
No encontro foram discutidas propostas para coibir a intolerância religiosa. Entre elas a de ser registrado um boletim de ocorrência coletivo para denunciar o fato ocorrido no Varadouro.

O terreiro alvo dos ataques é o de Pai Jairo de Iemanjá Sabá, na Rua Manuel Souza Lopes. Vizinhos repudiaram o protesto. “Moro aqui desde criança e o pessoal do terreiro nunca trouxe problema. Sou católica, mas respeito as outras religiões. O que fizeram foi um absurdo. Por pouco não invadiram o espaço”, disse a dona de casa Cintia Gomes, 25 anos.

O secretário-executivo de Promoção da Igualdade Étnico-Racial do Estado, Jorge Arruda, lamentou o fato em Olinda e afirmou que os ataques têm relação com o caso de Brejo da Madre de Deus. A igreja responsável pelo protesto não foi identificada.

Hoje haverá reunião entre representantes do Ministério Público, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos e de terreiros. Também será lançada a cartilha Diversidade Religiosa e Direitos Humanos e debatida a intolerância contra as religiões de matriz africana e afro-brasileira em Pernambuco.

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Publico aqui texto completo e digitalizações da matéria sobre o caso de intolerância religiosa ocorrido contra um terreiro em Olinda. O caso está tão sério que mesmo com o acontecido, o sacerdote da casa se nega a prestar queixa com medo de represália por parte dos evangélicos... Espero que o povo de terreiro se una mais para combater este e todos os outros casos que estão acontecendo em Pernambuco e em todo Brasil!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Nota, RITUAL - Registros da intolerância religiosa sofrida pelo Povo de Terreiro

Digitalização de nota do Jornal Folha de Pernambuco de 18 de julho de 2012, caderno Grande Recife.

Nota - RITUAL

Esta nota, quase imperceptível no jornal Folha de Pernambuco avisou sobre uma pauta/ação do CEPIR que não tinha de fato haver com a questão das intolerâncias vivenciadas pelo Povo de Terreiro. Neste momento o "secretário" da instituição fez até lançamento de cartilha de combate ao racismo ambiental, tema pouco relevante ao ser comparado com o grande massacre que o Povo de Terreiro de Pernambuco está vivendo. Ele junto com a coordenadora religiosa da Caminhada dos Terreiros de Pernambuco utilizaram-se do espaço para se promover e promover o Estado omisso pernambucano. Este governo que nos últimos anos só fez jogar para debaixo do tapete as discussões sérias sobre racismo e intolerância religiosa. Um governo sem compromisso com com o combate ao racismo, pois sequer criou a secretaria de combate ao racismo, ou de "igualdade racial".

Algumas representações do Povo de Terreiro se fizeram presentes e contestaram o ato e se disseram não representados pelos convocadores da ação. O Babalorixá e Juremeiro Érico Lustosa, foi o primeiro a se colocar afirmando não ser "este um ato comprometido com nosso verdadeiro problema".

A "carta de repúdio" de texto não divulgado, passou desapercebida sem efeitos edificantes para contribuir com a diminuição da violência simbólica e física que os terreiros do Agreste e da Capital estão sofrendo. Portanto, ainda estamos em um estágio muito delicado onde os sacerdotes e sacerdotisas ainda se vendem ao Estado comprometendo a luta e a causa de nosso pertencimento.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomildoo@gmail.com

Terreiros foram invadidos - Registros da intolerância religiosa contra o Povo de Terreiro

 
Digitalização da matéria do Diário de Pernambuco de 13-07-2012, Caderno Vida Urbana

Terreiros foram invadidos

Os principais alvos da revolta da população do Brejo da Madre de Deus foram os terreiros de culto afro-brasileiros e até um centro doutrinário espiritualista cristã do Agreste. A delegacia do município só registrou um caso de depredação, mas a reportagem da TV Clube/Record flagrou pelo menos quatro ocorrências. Populares afirmaram que sete terreiros de umbanda foram invadidos e saqueados em São Domingos e em Santa Cruz do Capibaribe. 

O Vale do Amanhecer, centro de doutrina espiritualista cristã, também foi alvo da ira da população. Um funcionário do templo, Emanuel Jonas da Silva, chegou a ser agredido pelos populares e prestou depoimento à polícia. O centro só no foi incendiado porque policiais militares conseguiram que os manifestantes atearem fogo. O grupo ainda conseguiu saquear o centro e destruir objetos do local. "As pessoas estão invadindo os espaços aleatoriamente. Muitos não conhecem a história das religiões e estão cometendo injustiças". Apontou o delegado Antônio Dultra. 

Para o coordenador nacional de formação da Rede Afro LGBT Carlos Thomás, a revolta da população do Brejo da Madre de Deus está atingindo e difamando as outras religiões. "Estão destruindo todos os terreiros do Agreste. Vão matar nosso povo por falta de conhecimento. Essas pessoas que mataram a criança nada têm a ver com a religião africana. É preciso diferenciar para que injustiças não sejam cometidas", ressaltou. "As religiões de matrizes africanas e indígenas não têm rituais que evolva sacrifício humano. O preconceito em relação a essas crenças ainda é muito grande", completou.
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A fala do professor Carlos Tomaz que também é membro do Quilombo Cultural Malunguinho reverberou bastante e foi positiva para contribuir na quebra dos preconceitos de grande parte da população não só do agreste pernambucano como de todo Brasil. A partir desta matéria podemos perceber a mídia se preocupando em consultar pessoas sérias de nossa religião para dar melhores consultorias sobre o tema. Se isso tivesse sido feito antes poderia ter evitado a revolta da população leiga que saberia distinguir religião de matrizes africanas e indígenas de magia negra ou culto macabro com sacrifícios humanos.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!