segunda-feira, 18 de abril de 2016

Ao povo de terreiro. Sem medo de ser feliz!

Alexandre L'Omi L'Odò - Foto de Marina Mahmood.

Ao povo de terreiro. Sem medo de ser feliz!

“Cego é quem não enxerga pelo uma cerca de vara. Não há quem cuspa pra cima que não lhe caia na cara”. Recado do caboclo Arranca-Toco.

Este recado do grande Caboclo nos ajuda a refletir sobre o papel político que nós, povo de terreiro, temos que assumir. Não estamos conseguindo enxergar por uma cerca de vara... Não estamos vendo o risco que corremos e não estamos nos organizando suficientemente para combater o avanço conservador que nos ameaça a todas e todos. Se não acordarmos agora, vamos sofrer as conseqüências de nossa omissão política.

Nossos ancestrais já derramaram sangue por nós. Não vamos permitir que nosso sangue seja derramado também por nossa falta de consciência de coletividade. Se não olhamos para o futuro, vamos amargar com certeza a dor do arrependimento!

Nos mais de 400 deputados federais que votaram contra e a favor do golpe, nenhum falou em nosso povo de terreiro. NENHUM! Ficou claro que nós estamos completamente desamparados, pois não temos sequer uma representação para garantir uma fala que nos represente, defenda e nos valorize perante tantos evangélicos que querem nos, converter e exterminar, ou pelas leis, ou pela força. Reitero que concebo conversão religiosa aos moldes deles como extermínio cosmológico e etnico.

O povo de terreiro não tem a quem recorrer. Temos aliados sim! Poucos demais... Respeitamos eles e elas, também valorizamos suas lutas a nosso favor. Mas não temos nossa representação legítima que garanta de fato e de direito nossas pautas. Não estamos nas câmaras de vereadores (com raras exceções), nem nas câmaras estaduais e muito menos nas câmaras federais... Nosso povo não tem representatividade política nenhuma! Estamos nas mãos dos que querem julgar por nós, a nossa vida e destino. Estamos nas mãos de vereadores e deputados que na sua maioria são evangélicos. Estamos em risco eminente, e temos que acender a luz vermelha de alerta agora.

Há anos assistimos abertamente aos crimes de intolerância religiosa. Não citarei muitos, mas um dos mais emblemáticos foi o caso de Mãe Gilda de Ogun, que faleceu devido a agravamentos de sua saúde após um infarto ao ver a Igreja Universal estampar sua foto em um de seus jornais vinculando a imagem desta respeitada iyalorixá de Salvador ao charlatanismo e a coisas do “mal”. Sua morte motivou a criação do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Também, recentemente em Brasília a imagem de Oxalá foi queimada cruelmente por intolerantes. Vimos tudo isso na internet... Poderia escrever um livro, só relatando os casos de intolerância que eu mesmo ajudei a encaminhar ao DISK 100 etc. Vivemos um tempo sombrio... Um tempo de guerra religiosa...

Isso tudo é permitido estar acontecendo, único e exclusivamente, por não termos representação política. Ninguém legisla por nós. Os grupos representados nos espaços políticos defendem apenas seus interesses e pronto. O papel democrático de um político é defender o povo, mas infelizmente isso não ocorre. A realidade é dura e muito frustrante. Poucos são exceção neste caso, e estes poucos fazem a diferença, mas ainda são poucos...

Infelizmente o povo de terreiro ainda trabalha contra si próprio politicamente. Vejo terreiros, sacerdotes e sacerdotisas se aliarem a pessoas “amigas”, vendendo seus votos por bodes ou cabras, confeitos para o Cosme Damião ou por tijolos etc.... Vejo ainda supostas lideranças fazendo o jogo do Estado de olhos azuis, que não criou a secretaria de PIR e não contribui com nada em nossa luta por direitos... Não pensam no futuro e muito menos no coletivo. Olham apenas para seus umbigos e ali ficam fechados nas quatro paredes de seus terreiros, que quando sofrem violência, intolerância ou qualquer outro problema procuram os pequenos coletivos que estão tentando se organizar para ajudar a estes e estas que não param pra pensar e contribuir na sua própria causa. Alguns ainda criticam quem tenta lutar, falando que não alcançamos êxito na causa... Mas compreendo que isso é fruto da vulnerabilidade que nosso povo tem. Ao meu ver, sofremos de um complexo de inferioridade muito profundo, fruto do racismo e da intolerância que convivemos cotidianamente. Ser de terreiro em nosso país não é fácil, contudo demonstramos a cada dia capacidade de reversão, mesmo de forma lenta e até invisível aos olhos da sociedade... Mas estamos avançando.

Temos que pensar no nosso futuro! Afinal, não pensar pra frente é suicídio à passos lentos... Um contra gotas que em algum momento vai encher a taça e transbordar para todos os lados. A taça do racismo e da intolerância religiosa transborda todos os dias... E rogo à nossas divindades e entidades de matriz africana e indígena que não transborde de vez. Mas isso só não acontecerá se agirmos logo e com força!

Temos que ficar atentos! Não podemos repetir mais o discurso de que fomos separados desde África e por isso hoje somos desunidos.Este discurso não pode servir como álibi para nossa incapacidade de comprometimento. Não podemos mais nos vitimizar. Os fatos históricos servem sim para nos orientar e nos ajudar a refletir. Mas este tipo de argumento não deve servir para nos amortizar e nos posicionar de forma covarde perante os fatos.

Temos que nos UNIR! Mesmo se não gostarmos de “A” ou “B”, temos que entender que nossa discussão não deve ser pessoal, ou a de simpatia por “A” ou “B”. Nossa causa deve ser coletiva pelo bem comum de todas e todos. Estamos em um barco só – Jurema Sagrada, candomblés, umbanda, batuque, tambor de mina, jarê, terecô, pajelança do Amazonas, kimbanda, nagô, culto Egungún, rezadeiras e benzedeiras etc. Somos um povo só, o Povo de Terreiro, independente de nossas práticas particulares e nações. Ainda temos a cultura popular, filha dos terreiros, nossos brinquedos e manifestações do sagrado na rua.

O que assistimos na votação do golpe (no último domingo 17/04/2016) foi um festival de discursos evangélicos pautados na falsa moral, na hipocrisia mais fétida e no mal perverso do julgamento de que temos que engolir a lógica de mundo deles, como se o Brasil fosse um país evangélico e que temos que seguir as regras religiosas deles. Ficou claro o teocentrismo cristão em grande parte das falas. Isso nos assusta. Sabemos que estes posicionamentos atingem diretamente a todos nós. Falam em família por que acreditam que famílias homoafetivas LGBT não mereçam respeito e não devam existir. Falam em nome do Deus deles por que nos julgam como diabos e que só eles são os certos. Temos que ter medo disso, mas também enfrentar... Estas falas beiram a possibilidade de uma ditadura cristã evangélica (dos diversos segmentos) por meio de leis que nos impedirão até de existir, tendo em vista que a lógica cristã é: “quem não é de Deus, é do Diabo”, e este diabo (chamado também de inimigo) deve ser perseguido, convertido ou exterminado.

Temos que acordar URGENTE!

Será que o Povo de terreiro acredita mesmo que não temos votos para eleger pessoas de nosso segmento? Somos um povo grande, com muita gente. Temos votos pra eleger quem quisermos. Temos que mostrar isso nas eleições em outubro deste ano.

Não acredito e nem referendo bancada religiosa. Jamais gostaria de ver uma bancada de povo de terreiro. Apoiar essa idéia é ser contra a democracia e sobre tudo apoiar a lógica deles, que não nos representa. Contudo temos que entender que precisamos de representação. Sem ela, não conseguiremos fazer nada. Não devemos ficar apenas no discurso, que na maioria das vezes se tornam mortos desde a raiz por não haver luta pela concretização dos nossos ideais. Palavras jogadas ao vento não levam a nada...

A democracia foi estuprada, torturada e rompida ontem no Congresso Nacional. Isso não esqueceremos. Em nome do Deus cristão mais um grande crime contra o país foi efetivado. Um pastor evangélico da Assembléia de Deus, Eduardo Cunha, um dos maiores bandidos do Brasil presidiu um golpe apoiado por significativa parcela da população (branca e de classes elevadas, ou alienados mesmo). Golpe este contra uma mulher honesta e digna. Sem nenhum crime cometido. Isso não irá ficar assim! Somos o povo das favelas, dos alagados, dos bairros pobres, somos o povo de terreiro que temos força para barrar este mal que assola nossas vidas.

Nós "cuspimos pra cima" quando não nos unimos. Então... Cuidado pra não cair em nossa cara!

Que não nos falte o entendimento. Que não nos falte a coragem de concretizar nossos verdadeiros sonhos e ideais! Devemos lutar por nossa comunidade tradicional, somos um Povo e merecemos respeito!

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho! Herói que esta junto conosco nessa luta por liberdade! Meu cachimbo sempre estará a disposição na luta por causas legítimas do povo.

SE LIBERTA POVO DE TERREIRO!

VAMOS ELEGER UM! VÁRIOS! VAMOS ELEGER NOSSO POVO!

Alexandre L’Omi L’Odò
Juremeiro e Aborìsà
Quilombo Cultural Malunguinho

segunda-feira, 11 de abril de 2016

A Presidenta Dilma Rousseff recebe o Juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò no Palácio do Planalto

Alexandre L'Omi L'Odò sendo recebido pela Presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto. Foto de Roberto Stuckert Filho.

A Presidenta Dilma Rousseff recebe o Juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò no Palácio do Planalto

A data de primeiro de Abril de 2016 foi um dia que guardarei no meu coração para sempre... Estou muito feliz e de alma lavada. Fiz o que deveria ter feito e cumpri o recado de meu Mestre Malunguinho. 

Após breve conversa com nossa Presidenta Dilma Rousseff, cujo temas abordados foram o apoio a ela neste momento difícil do país e sobre a importância da Jurema Sagrada no Nordeste do Brasil, ela com muita simpatia quis tirar uma foto comigo. Pegou no cachimbo da Jurema e ainda aceitou uma "limpeza" firmada de cachimbo nela. O maracá mestre soou dentro do Palácio do Planalto e o Reis Malunguinho foi louvado dentro daquele espaço tão difícil de se estar. A Jurema triunfou e o recado foi de paz e proteção para ela e o Brasil.

Agradeço a força da ciência mestra por me levar longe na fumaça. Eu tenho fé e amor pela Jurema. Lutarei como nossos ancestrais por melhor condição pra todos nós. Não devemos esquecer nunca que eles morreram lutando contra a Casa Grande. O meu lado é do lado dos irmãos de luta pela democracia! 

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho! 

#NAOVAITERGOLPE! 
#VAITERDEMOCRACIA! 
#AJUREMAREINA! 
#MALUNGUINHOÉMEUGUIA!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

A Jurema Sagrada é a continuidade da luta de nossos ancestrais!

Povo nas ruas. Na luta por direitos. Foto da Internet.

A Jurema Sagrada é a continuidade da luta de nossos ancestrais!

Zumbi dos Palmares foi assassinado pela força Branca imperialista da Casa Grande que sempre esteve no poder (século XVII). 

Malunguinho (ou os malunguinhos) foi assassinado pela força Branca imperialista da Casa Grande que sempre esteve no poder (Século XIX). 

Juremeiros e juremeiros, indígenas e negros e negras foram assassinados pela força Branca imperialista da Casa Grande que sempre esteve no poder. Ainda há morte... Ainda há holocausto... 

Minha religião é violentada cotidianamente pelo imaginário e a força Branca imperialista da Casa Grande que sempre esteve no poder... 

Você acha mesmo que eu não saberia qual meu lugar nesta luta? 

Minha religião é resistência e respeito aos que morreram por nós. Cultuamos guerreiros. Guerreiros que lutaram e morreram por liberdade. Nossa fé é a fé forjada na luta por sobrevivência e resiliência contra a força branca imperialista da Casa Grande que sempre esteve no poder. 

Sou da Jurema Sagrada. Sou do Culto Jeje Nagô. Sou de Peixinhos, sou da Cultura Popular! 

Sei qual é meu lado. Sei a quem devo defender. Sei o que fazer. Não me engano e não esqueço!  VAMOS À LUTA!

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho, meu guerreiro negro índio que não me deixa cair perante o mal da dominação das consciencias! 

Salve a fumaça e salve nosso povo de verdade. Ser de terreiro é ter consciência negra e indígena. É ter consciência histórica! 

"Bota estrepe no caminho pro inimigo não passar"! 

#NAOVAITERGOLPE! 
#VAITERLUTA! 
#QUEMÉDETERREIRONAOAPOIAGOLPE! 
#AMODEMOCRACIA! 
#SOUDAJUREMA! 
#SEIQUALLADODALUTADEVOESTAR!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
Mestrando em Ciências da Religião 
alexandrelomilodo@gmail.com 

sábado, 2 de abril de 2016

Encontro de Alexandre L'Omi L'Odò com o Deputado Federal Jean Wylys

Alexandre LOmi L'Odò e Jean Wylys na Câmara Federal em Brasília. 

Encontro de Alexandre L'Omi L'Odò com Jean Wylys

De volta à Olinda/Peixinhos, trago comigo boas memórias da luta verdadeira de irmãos de fé e jornada. 

Parabéns Deputado Federal Jean Wylys por nossa guerra a favor dos direitos LGBTs e dos direitos humanos. Firmes na luta contra o golpe e a favor da democracia.

Você é de Oxum e eu também. Por isso nos demos tão bem. Tutu Niké! Ore iyéyiyé oooooooooo! 

#NAOVAITERGOLPE! 
#VAITERLGBT! 
#VAITERAMOR! 
#VAITERLUTA! 
#VIVAADEMOCRACIANOBRASIL!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 31 de março de 2016

Alexandre L'Omi L'Odò defende a democracia no Ato das Religiões do Brasil a favor do respeito e contra o golpe em Brasília



Alexandre L'Omi L'Odò defende a democracia no Ato das Religiões do Brasil a favor do respeito e contra o golpe em Brasília

Defendendo a democracia e o respeito a diversidade religiosa no Ato "Religiosas e Religiosos em Defesa da Democracia". 

A Jurema Sagrada se fez representada com minha fala entre as diversas religiões presentes. Foi muito forte este ato que contou de fato e de direito com a participação da diversidade religiosa existente no Brasil. De evangélicos à ateus, todos Unidos por um único objetivo: defender o nosso direito coletivo de respeito ao voto e a democracia. Todos em uma única voz gritamos juntos que NÃO VAI TER GOLPE! Isso dentro da Câmara dos Deputados Federais onde Cunha é o presidente...  Foi muito bonito e simbólico essa demonstração de União entre os povos. 

Estou muito emocionado em ter tido esta oportunidade única de participar em um momento crítico como estamos vivendo no Brasil de uma luta tão grandiosa como esta. A JUREMA MERECE RESPEITO, O povo brasileiro merece respeito e A DEMOCRACIA MERECE RESPEITO! 

Parabéns a Pastora Anglicana Romi Márcia Bencke por ter organizado este ato tão representativo. Nossa União romperá toda a maldade espiritual e política que estamos atravessando! 

Sobô Nirê Mafá! Obrigado Reis Malunguinho por ter me oportunizando estar aqui! Kolofé minha mãe Oxum, a senhora manda em Tudo!

Vamos à Luta, hoje 31/03/2016 Vai entrar na história do nosso país! 

#NAOVAITERGOLPE! #FORAGOLPISTAS! 

COMPARTILHEM.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 30 de março de 2016

A Jurema está firmada em Brasília!

Alexandre L'Omi L'Odò - Foto de Brenda Alcântara.

A Jurema está firmada em Brasília!

Bom Dia Brasil! A Jurema está firmada! 

Lutando por direitos iguais e por respeito para nossas religiões de terreiro. Essa caminhada vem de longe... Co tudo nos mantemos firmes e fortes no combate ao racismo e a intolerância religiosa. 

Junto com diversas lideranças religiosas, povo cigano, indígenas e movimentos sociais, estamos aqui em Brasília para garantir nossos direitos e avaliar a política pública de promoção de igualdade racial. Foram 13 anos de lutas e conquistas. Também houveram dificuldades... estamos aqui para tentar fazer melhor. 

Sabemos que não vai haver golpe. Mas se houver... acabou a política para nosso povo. Eles querem dar o golpe em nós, povo negro pobre que votamos honestamente para eleger Dilma. Também estamos na luta contra este absurdo histórico aqui. Sobô Nirê Mafá! Sigamos em frente. 

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

Não vai ter golpe! Fé na Democracia!


Alexandre L'Omi L'Odò na luta contra o golpe e a favor da democracia!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

domingo, 27 de março de 2016

Alexandre L'Omi L'Odò fala para mais de 100 mil pessoas em ato pela democracia em Recife



Alexandre L'Omi L'Odò fala para mais de 100 mil pessoas em ato pela democracia em Recife

Nunca falei para um público de mais de 100 mil pessoas anteriormente. Mas desafiei meus medos e falei defendendo a participação do povo de terreiro na luta contra o Golpe. 

Nossa participação tem que ser efetiva e visível. Somos muitos e devemos nos posicionar a favor da democracia. Há mais de 500 anos lutamos por direitos iguais e por justiça. Nunca desistimos e somos a prova viva que deu certo nossa resistência. Não seria agora que nos acovardaríamos e apoiaríamos as elites que sempre nos subjugaram. 

Abaixo ao Golpe! SIM à democracia. Sou da jurema, do candomblé, da umbanda! Sou do povo de terreiro e não baixo a cabeça! 

Obrigado Oxum e Malunguinho pela força nessa luta. Não desistiremos. 

NÃO VAI TER GOLPE!!! 

Obrigado Demir da Favela por ter feito este registro em seu celular. Axé.

Alexandre L'Omi L'Odò 
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

Alexandre L'Omi L'Odò fala para mais de 100 mil pessoas defendendo a democracia e a participação do povo de terreiro contra o golpe



Alexandre L'Omi L'Odò fala para mais de 100 mil pessoas defendendo a democracia e a participação do povo de terreiro contra o golpe

Vídeo gravado e editado pelo irmão de luta Adriano Lima da Gambiarra Imagens no dia 18 de Março de 2016,no ato de Pernambuco Contra o Golpe contra Dilma e a democracia. 

Nunca falei para um público de mais de 100 mil pessoas anteriormente. Mas desafie meus medos e falei defendendo a participação do povo de terreiro na luta contra o Golpe. 

Nossa participação tem que ser efetiva e visível. Somos muitos e devemos nos posicionar a favor da democracia. Há mais de 500 anos lutamos por direitos iguais e por justiça. Nunca desistimos e somos a prova viva que deu certo nossa resistência. Não seria agora que nos acovardaríamos e apoiariamos as elites que sempre nos subjulgaram. 

Abaixo ao Golpe! SIM à democracia. Sou da jurema, do candomble, da umbanda! Spu do povo de terreiro e nao baixo a cabeça! 

Obrigado Oxum e Malunguinho pela força nessa luta. Não desistiremos. 

NÃO VAI TER GOLPE!!! 

Alexandre L'Omi L'Odò 
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 26 de março de 2016

Tecendo Histórias - Alexandre L'Omi L'Odò - Jurema Sagrada e História



Tecendo Histórias - Alexandre L'Omi L'Odò
Jurema Sagrada e História

"O sacerdote Alexandre L'Omi L'Odò fala sobre a história da Jurema Sagrada, religião de matriz indígena e africana do Nordeste do Brasileiro".

Este curto registro de 7 minutos contendo uma fala minha sobre aspectos históricos da religião Jurema Sagrada, revela mínimos conteúdos que precisariam de muito mais tempo para que eu pudesse abarcar seus conteúdos mais profundos. Não era objetivo deste trabalho ter falas maiores, mas sim registrar o pensamento "geral" contemporâneo da religião.

Outros vídeos serão produzidos com outras falas minhas pela Ocarete TV - Povos e Comunidades Tradicionais (visitem o canal do youtube da instituição: https://www.youtube.com/channel/UCqdtq0OtpRklnwhB87UHRZg). Esta instituição, produz diversas atividades, onde uma delas é realizar audiovisuais contendo conteúdos raros de povos e comunidades tradicionais pelo Brasil. Um trabalho louvável e necessário.

Parabenizo e peço obrigado ao irmão de caminhada Henry A. Y. N. por ter feito este belo registro audiovisual aqui no Nascedouro de Peixinhos, locação que sugeri e foi aceita com muita alegria. Nosso encontro foi muito produtivo. Espero que possamos trocar mais saberes juntos. Fiquei feliz ao ouvir na trilha sonora o coco "Mas é com o coco que ela vai parar", gravado há um bom tempo atrás por mim no CD Coquistas de Olinda Contra a Violência. Vocês pesquisou minha trajetória e foi buscar lá no passado um dos poucos registros meus cantando. Axé.

Tenho que pedir obrigado a amiga de luta Mell Borba por ter feito esta articulação entre nós. Você foi um elo importante para que este material nascesse. Estamos sempre juntos na luta. Salve parceira!!

Que a Jurema Sagrada ganhe a cada dia mais espaço no meio público para que todo racismo e preconceito existente contra esta religião seja eliminado através de informações de qualidade que contribuam para o sentimento de respeito dos religiosos de dentro e de fora de nossa tradição.

A JUREMA MERECE RESPEITO!

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho!
Adupé.

COMPARTILHEM.
Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
Mestrando em Ciências da Religião 
alexandrelomilodo@gmail.com 

Jan Vansina e os estudos sobre a tradição oral

Jan Vansina. Foto: Internet.

Jan Vansina e os estudos sobre a tradição oral

Decidi fazer esta postagem para contribuir nos estudos sobre tradição oral e história oral. Ao perceber a escassez de referências bibliográficas sobre este importante tema ligado as culturas africanas e indígenas, pesquisei Jan Vansina e percebi sua importância para nossa compreensão sobre o tema. 

Quase ninguém o cita em obras no Brasil. Não sei por quê... Contudo, pude ler um de seus clássicos textos "A tradição oral e sua metodologia" encontrado no primeiro tomo da coleção História Geral da África, cujo referência bibliográfica é:

VANSINA, J. A tradição oral e sua metodologia. In KI-ZERBO, J (org). História Geral da África: Metodologia e pré-história da África. Tomo I, São Paulo, UNESCO, 1982.

Uma grande obra. Confirmei sua decisiva contribuição sistematizada nos estudos da tradição oral e história oral. O texto é muito complexo e de grande conteúdo, sendo inclusive necessário (no meu caso) reler algumas vezes e voltar algumas páginas para compreender a profundidade do que ele produziu academicamente. Indico para todos e todas que desejam estudar a história da África e dos afro descendentes, além claro para quem estuda os indígenas. 

Bibliografia traduzida do inglês:

Vansina foi classificado primeiramente como um medievalista e etnógrafo, mas tornou-se conhecido como um dos estudiosos africanistas mais proeminentes. Em seu trabalho, ele enfoca a história das sociedades africanas antes do contato europeu, e é amplamente considerada como a principal autoridade sobre a história dos povos da África Central. Ele publicou amplamente sobre o assunto, incluindo um texto de referência sobre a história oral e interpretação factual. 

Sobre Vansina, o historiador David Praia escreve: "Em 1985, Jan Vansina Tradição Oral como História forneceu um quadro teórico em todo o mundo na tradição oral que rendeu quase todos os seus predecessores obsoletos.".

Um de seus mais importantes livros.

Vansina obteve seu doutorado em história pela Universidade Católica de Leuven em 1957. Ele é professor emérito da Universidade de Wisconsin-Madison e vive em Madison, Wisconsin.

Vansina foi amplamente referendado após dar assistência à Alex Haley (o autor em1976 do Novas Raízes: A Saga de uma família americana) onde ele decifrou várias palavras africanas que tinham sido proferidas a partir de ancestrais de Haley, determinando que eles eram de origem mandinga...

(Tradução livre minha).


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
Mestrando em Ciências da Religião 
alexandrelomilodo@gmail.com 

quinta-feira, 24 de março de 2016

GT Racismo da PM e Alexandre L'Omi L'Odò junto à sua comunidade distribuindo cestas de alimentos.

Comunidade recebendo as cestas de alimentos.

GT Racismo da PM e Alexandre L'Omi L'Odò junto à sua comunidade distribuindo cestas de alimentos

Nesta última quarta, foi um dia muito lindo com a visita da Capitã Lúcia Salgueiro​ e sua equipe do GT Racismo da PMPE junto a Diretoria de Articulação Social e Direitos Humanos da PM na sede do Balé Afro Raízes​. Realizamos um ato de congregação com a comunidade de Peixinhos e a doação de alguns alimentos para os moradores. O dia foi de muito axé e trocas positivas de energia. Vamos fortalecer este trabalho da PM junto com nosso bairro. Se faz necessário! 

Parabéns ao GT Racismo da PM. Vocês são essenciais no processo de reversão histórica das mazelas de nossa sociedade. Firmes na luta!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

terça-feira, 22 de março de 2016

Quilombolas de Pernambuco na luta pela democracia e contra o Golpe

Luiz Carlos líder do quilombo de Castainho em Garanhuns e Alexandre L'Omi L'Odò coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho. Foto: Acervo pessoal.

Quilombolas na luta pela democracia e contra o Golpe

No último dia 21 de março de 2016 foi lançado em Pernambuco o Plano Estadual Quilombola. O plano prevê avanços de políticas públicas para estas comuinidades tradicionais de todo Estado.Entra as políticas estão as construções de casas populares e também de cisternas para melhoria de vida dos quilombos do Sertão.

Poderíamos fazer muitas críticas ao plano que conta com restrita verba para executar estas políticas. Já sabemos que esta ação não terá o êxito desejado, contudo não desistiremos de lutar.

No lançamento, o líder quilombola Luiz Carlos do quilombo de Castainho protestou contra o golpe à democracia dado pelas direitas brancas do país. Foi um momento de grande levante dentro do auditório Tabocas no Centro de Convenções em Olinda.

Os Quilombolas estão na luta contra o poder do capital e do neoliberalismo. Eu como membro do Quilombo Cultural Malunguinho não poderia jamais deixar de me unir à esta caminhada e compartilhar com meus irmãos da luta que é nossa.

Sobô Nirê Mafá! Sabemos o lado que devemos estar! Vamos dizer não ao golpe!!!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomildoo@gmail.com 

sexta-feira, 18 de março de 2016

Conversa de Negro com Alexandre L'Omi L'Odò em Vitória de Santo Antão/PE


Conversa de Negro com Alexandre L'Omi L'Odò em Vitória de Santo Antão/PE

No último dia 18/03 fui à Vitória de Santo Antão, no interior de Pernambuco para dar uma palestra sobre a trajetória do QCM - Quilombo Cultural Malunguinho e o Combate à Intolerância Religiosa a partir da figura histórica e divina de Malunguinho. Foi uma noite Maravilhosa, de muita troca de saberes e com participantes muito ativos que se fizeram presentes, indagando sobre diversas questões ligadas ao racismo e à intolerância.

Parabenizo ao GEOP - Grupo de Estudos Outras Pedagogias por estarem realizando uma luta tão bonita no combate ao racismo e no fortalecimento da história negra e indígena em vossa cidade. Isso é mais do que necessário no interior do nosso Estado.

Alexandre L'Omi L'Odò palestrando para o público presente. Foto de Vanessa Farias.

Obrigado pela paciência de me esperar acabar o ato contra o golpe naquela noite. Vocês com muita dignidade foram até o fim comigo, mesmo prejudicando o evento de vocês... afinal, nos atrasamos muito. Voltarei para compensar as horas perdidas.

Sobô Nirê Mafá! Que Reis Malunguinho faça crescer esta bela luta.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Segunda de terror no Carnaval 2016 do Recife Antigo

Palco do Marco Zero 2016. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Segunda de terror no Carnaval 2016 do Recife Antigo

Saldo de uma noite de segunda feira no Carnaval do Recife 2016 (desculpem a linguagem aqui empregada, mas foi pertinente):

Foi uma Merda! Adianto logo para não tomar muito o tempo de vocês com o relato que vou fazer abaixo. 

Saio eu de minha humilde casinha em Peixinhos, rumo ao Recife Antigo para ver os shows de Nação Zumbi, O Rappa e Jota Quest... E quem disse que eu consegui?! 󾌽

Parecia que o mundo estava se acabando em toda parte. Menos no Recife Antigo... sendo esta a única rota de todos os refugiados do planeta. Nunca vi na minha vida tanta gente socada no mesmo espaço como vi nesta segunda feira. Gente, foi um absurdo. Não havia logística que desse conta do quantitativo de pessoas que foram pro Marco Zero. Há inúmeros anos brinco carnaval no Recife e nunca vi isso. Foi foda! 

Não se conseguia nem chegar perto do Marco Zero. Das ruas mesmo se voltava... nem perto do péssimo telão de led dava pra ficar na rua Marquês de Olinda... um tumulto sem fim... 

A coisa estava tão séria que até as galeras de menores infratores não estavam conseguindo dar conta de promover seus saques e arrastões... Não tinha como. Muita confusão e empurra-empurra... Mas nada de arrastão. Não tinha nem pra  onde fugir hahahahhaha

Observando esta situação da besta fubana, me dirigi ao Rec Beat. Lá estava mais tranquilo... vi shows ótimos, sobre tudo de um senegalês que arrasou na noite. Foi o melhor show em minha avaliação. Me esqueci o nome dele, alguma coisa Koyatê... Eu acho. 

Mas... de repente o povo sem ter pra onde ir, começaram a migrar para o Rec Beat... Daí decidi fugir e vir embora pra casa... Afinal, pensei como tanta gente iria voltar. E antes que eu assistisse e fosse incluído na catástrofe da volta para casa, piquei a mula. 

Me perdi da namorada, perdi um paquera, desencontrei dos amigos... Foi um horror. 

Lá me vou andando sacrificadamente até o 13 de Maio (longe pra caralho do Marco Zero) para tentar pegar um busão mais vazio... isso eram 00:30... quando o tal busão chegou, ja eram uma e meia.. 

O tal do amaldiçoado do Águas Compridas Bacurau já veio cheio e ao abrir a porta na parada quase explodiu de gente. Me enfiei logo no meio deste pandemônio. Afinal, de táxi não rola vir pra casa do Centro... Os nojentos dos taxistas tem racismo e preconceito com minha comunidade e não me deixam nunca em casa. Daí pra evitar problema e preservar a minha mao de dsr murro na cara de gente, prefiro enfrentar a caceta do Bacurau... 

o curto trajeto até o Cais de Santa Rita demorou mais de uma hora para chegar. Coisa que em no máximo 5 minutos se faz a partir do ponto que subi no ônibus... Um caos total. A passarela dos desfiles dos blocos, maracatus, escolas de samba etc... na Av. Nossa Senhora do Carmo, estava impedindo o fluxo do trânsito de andar. Inclusive colocando muita gente em perigo... Senhoras de idade e crianças que ali estavam se vestindo após os desfiles (a Prefeitura do Recife não cria vergonha na cara mesmo. Já falei sobre este racismo institucional contra a cultura popular em textos anteriores...). O Cais de Santa Rita estava parecendo uma cena do filme "Os Mortos-Vivos"... uma multidão selvagem solta ao relento e sem ônibus. Pessoas quebrando os coletivos para entrar... todas e todos querendo se salvar daquela situação bestial. Daí, em meio a este quiproquó, estavam policiais violentos batendo em todo mundo... Inclusive em inocentes... tudo isso sem nenhum pudor. Ao vivo e a cores na frente de todo mundo... ficamos passados com as cenas gratuitas de violência. Murros, tapas na cara, cacetetadas em tudo que era canto etc. Foi uma degustação do imaginário do inferno cristão, com a versão policiais bestas-feras,  Estas longas horas dentro do Cais... 

Neste processo todo.... levaram-se mais de três horas para eu conseguir chegar em casa após ter pego o ônibus. 

Isso faz sentido? Minha casa fica a vinte minutos do Centro... Teve gente até passando mal é caindo pelas tabelas... 

Para completar, o motorista estava com ódio de estar trabalhando em pleno carnaval, decidiu queimar inúmeras paradas. Isso gerou uma gritaria triste dentro do ônibus... E ainda o amortecedor traseiro quebrou devido a super lotação. E sem nenhum pudor, ele empurrou o pé e meteu em tudo que era buraco. Fazendo o povo de saco de cocô transportado pelo coletor de lixo. 

Nunca havia passado por isso em um carnaval. Perdi a noite toda, não vi os shows que queria. Perdi a namorada no meio do inferno... deixei de pegar gente... Me perdi de todo mundo e cheguei em casa agora, arretado com essa putaria! 

Ainda bem que comigo nem com os meus não houve nada de ruim. Apenas as desgastantes esperas e situações de horror. Afinal quem anda comigo, tem um manto de folhas de jurema para proteger de tudo. Mas...

Erraram em ter colocado 3 grandes bandas de peso e aceitação popular gratuitamente em um palco só. O povo sem ter coisa boa pra ver nos bairros, desceram todos pro Centro. Daí fudeu! 

Raciocinem Prefeitura do Recife. Este foi um erro grave. Se eu tivesse pensado um pouquinho mais, teria ficado em casa mesmo e visto esta catombe pela televisão, bebendo minha Coca-Cola e comendo meus salgadinhos nos braços de quem me ama... 

Pra finalizar, ainda vi um "maracatu" com quase 80 pessoas, de evangélicos. Véi, essa foi demais. Mas falarei isso em outra postagem. 

Quando lá em cima falei que foi uma Merda esta noite de segunda feira de Carnaval, eu errei. Simplesmente foi um carái de asa da gota serena bubônica dos infernos de Judas! Tô arretado! Queria ter visto O Rappa, mesmo que Falcão não valha nada... Rsrsrsrsrsrs

Alexandre L'Omi L'Odò L'Odò
Historiador e Mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Afoxé Omo Nilê Ogunjá – Um exemplo Afrocentrado no Carnaval do Recife

 Afoxé Omo Nilê Ogunjá. Eu no cantinho acompanhando essa linda luta! Foto: Acervo do grupo.

Afoxé Omo Nilê Ogunjá – Um exemplo Afrocentrado no Carnaval do Recife

Ontem, dia 03 de fevereiro de 2016, presenciei uma das atitudes mais interessantes na perspectiva do posicionamento da cultura popular na luta contra a falta de respeito para com as tradições de matrizes africanas e indígenas no Carnaval de Pernambuco.

O Afoxé Omo Nilê Ogunjá tomou uma atitude afirmativa muito importante: Realizou seu cortejo de forma independente abrindo seu carnaval apenas construindo parcerias e apoios. Levou seu grito de luta de forma exemplar. Saiu grande, bonito, vigoroso e empoderado, vale ressaltar.

Em minha avaliação, vejo nesta posição política do grupo, uma esperança no caminho de re-organizar o conceito de liberdade da cultura popular em nosso Estado. Se o Afoxé conseguiu sair tão forte sem apoio da prefeitura do Recife e do Governo do Estado, isso é sinônimo de que a comunidade pode se organizar com qualidade e força para colocar nas ruas seus ideais e sua identidade ancestral.

Contudo, isso não é tudo! Ainda o Omo Nilê, abrilhantou o Carnaval do Recife dando à Cidade a oportunidade de ver algo muito bonito sem pagar nada! Isso mesmo, sem pagar nada (a gestão da cidade do Recife não pagou nada por isso)! A cultura popular traz quantias enormes de dinheiro, que somam bilhões para o Estado em turismo etc. E o Omo Nilê fez os turistas que se encontravam na Praça do Arsenal e em todo percurso até a Rua da Moeda no Recife Antigo vibrarem com a força negra do Ibura (comunidade periférica do Recife).

A coragem do grupo me encantou. Me deixou encorajado e fortalecido. A força de Ogun que emanou dessa luta fez brilhar minhas idéias e me empreteceu mais ainda. Fortaleceu mais ainda meu entendimento sobre a afrocentricidade!¨

Afoxé Omo Nilê Ogunjá na avenida. Foto: Acervo do grupo. 

Sou crente na força da cultura popular e no imensurável poder dos povos e comunidades tradicionais. Contudo, creio ser urgente nós todos ACORDARMOS e tomarmos atitudes como esta de forma coletiva! Não devemos nos submeter ao Estado sem que este nos respeite como devido. Somos ainda tratados como negros e indígenas sem valor e quase sem alma – relembrando o conceito de homem e mulher negra e indígena nos tempos da escravidão-. A estrutura racista do Carnaval do Recife é só um pequeno exemplo do que aqui também esta sendo discutido (ler texto de anos anteriores sobre este tema em meu blog www.alexandrelomilodo.blogspot.com).

Ogunjá AFROCENTRADO! Isso mesmo, a força de um Orixá levando todo um grupo de negros e negras e afro descendentes à consciência, ao seu papel e função social. Temos que tomar nosso lugar neste processo! Sermos negros e negras e entendermos qual nossa função no mundo capitalista e ocidental: temos que ser AFROCENTRADOS!

Com estas breves palavras parabenizo o Afoxé Omo Nilê Ogunjá pelo belo exemplo para os demais afoxés e grupos de cultura popular! Vamos somar nesta proposta e vamos crescer esta energia!

Parabenizo ainda pela importante homenagem ao nosso grande Tata Raminho de Oxóssi, que ao completar 80 anos de idade em janeiro de 2016, teve uma justa homenagem por toda sua contribuição na história do povo de terreiro do Brasil. Bariká oooooo!

 Família negra de afirmação e força!O Afoxé Omo Nilê Ogunjá é afirmação! Foto: Acervo do grupo.

Ògún yé! Ogum é vida!

Alexandre L’Omi L’Odò
Historiador e Mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho

 alexandrelomilodo@gmail.com 

Fala ao Povo de Terreiro na Noite para os Tambores Silenciosos de Olinda 2016



Fala ao Povo de Terreiro na Noite para os Tambores Silenciosos de Olinda 2016

Fala de empoderamento dos povos e comunidades tradicionais de terreiro de Olinda na Noite Para Os Tambores Silenciosos da cidade. 

Foi um orgulho enorme falar para o grande público de axé presente neste evento lindo. Me senti abençoado pela força das Kalungas e pela força dos Orixás de cada Maracatu. Obrigado pelo respeito à minha pessoa e confiança na minha fala que segundo seus organizadores era uma "fala de qualidade para o povo de terreiro". 

Parabéns à Igreja do Rosário dos Homens Pretos de Olinda. Instituição que no passado ajudou muito nossos ancestrais a se organizar. Temos que reconhecer este fato histórico! 

Que Olinda acerte seu caminho político! 

VAMOS FAZER UM! 

QUEM É DE TERREIRO VOTA EM QUEM É DE TERREIRO!!! 

Obrigado Tiago Nago. 

Vídeo de Noshua Amoras. 
Obrigado Alfredobello Kaiowá Djtudo pela edição.

Alexandre L'Omi L'Odò
Historiador e Mestrando em Ciências das Religiões
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Amor ao nosso Mestre Maior - Pai Paulo Braz Ifátòógún

Parte das pessoas presentes no aniversário de 75 anos de Pai Paulo Braz Ifátòógún. Foto: Acervo do terreiro.

Amor ao nosso Mestre Maior - Pai Paulo Braz Ifátòógún

A família Iyemojá Ògúnté em comemoração aos 75 anos de vida do nosso Alapini Pai Paulo Braz Ifátòógún.

A festa foi linda, cheia de axé e com pessoas de diversos lugares. A casa parece que tem uma força de convergência espiritual muito forte... Juntando tantos intelectuais, religiosos, artistas e pessoas de bom coração, todos convivendo em harmonia e contribuindo em atividades revolucionárias em diversos âmbitos. Isso nos alegra bastante!!!

A força de Iyemojá, nossa mãe suprema, se fez presente nas invocações feitas por Pai Paulo Braz no memento de seu parabéns. Ele nunca deixa barato quando se trata em cantar e rezar para as divindades africanas. Cantou tão forte em louvor à Iyemojá que emocionou a todos e todas presentes, nos abençoando mais uma vez com a grandiosidade de seu espírito de fé e amor.

Nossa família agradece sua existência e roga à Olorun que sua presença entre nós se mantenha por muitos e muitos anos ainda. Precisamos aprender com o senhor!! Seu saber é oceânico!

Alexandre L'Omi L'Odò
Filho Deste Grande Mestre Nagô!
alexandrelomilodo@gmail.com  

Comemoração dos 75 anos de vida do nosso Alapini Pai Paulo Braz Ifátòógún

Pai Paulo Braz Ifátòógún. Foto de Alcione Ferreira.

Comemoração dos 75 anos de vida do nosso Alapini Pai Paulo Braz Ifátòógún

Hoje, nós, membros do Ilé Iyemojá Ògúnté, comemoramos o aniversário de 75 anos do nosso patriarca, do nosso Alapini, do nosso Babá Ifamuydè, o nosso pai Paulo Braz​ Ifátòógún. 

Ele é minha inspiração de vida. Uma meta a ser alcançada dentro da religião de matriz africana e indígena. Um sacerdote como nunca vi e senti...  Sou um buscador e andarilho da fé... já fui em muitos lugares no mundo... mas nunca encontrei alguém com uma alma tão pura para o culto aos Orixas, e uma sabedoria tão grandiosa. 

Para mim é um orgulho ter sua mão sob minha cabeça, integrando-me à sua família ancestral. Este foi um dos maiores presentes que Oxum me deu nesta vida. O senhor é a concretização do que é ser AFROCENTRADO. É a soma das filosofias sankofa e ubunto. És a África verdadeira no Brasil. 

Que babá Olorun lhe dê muitos mais anos de vida. Precisamos aprender mais e mais com o senhor. És um tesouro de valor inestimável em todos os sentidos. Principalmente no sentido do coração... e do amor à ancestralidade negra! Axé e kolofé meu pai. Te amo. 

Alexandre L'Omi L'Odò
Filho deste grande Meste Nagô!
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!