segunda-feira, 11 de junho de 2018

Acorda Povo de Olinda traz alegria ao sítio histórico da cidade


Acorda Povo de Olinda traz alegria ao sítio histórico da cidade

A Casa das Matas do Reis Malunguinho, tem a honra de receber pela primeira vez, o centenário Acorda Povo preservado com muito zelo pela Mestra Ana Lucia do Coco.

No dia 23 de Junho (sábado), às 23h (horário de chegada), o cortejo que sairá do Palácio de Iemanjá no Alto da Sé, descerá as ladeiras históricas de Olinda, carregando o andor e a bandeira de São João, entoando seus lindos cânticos ancestrais de louvor à São João é Xangô.

Todas e todos podem participar e estão convidadxs. Ao final da procissão, haverá muito Coco com mestres e mestras. Vem sambar o Coco com a gente!!! Vais ser de axé!!
Se você não conhece o que é a tradição do Acorda Povo, visite os links abaixo para ler e ver vídeos dessa cultura em extinção em Pernambuco.

1 - http://alexandrelomilodo.blogspot.com/…/acorda-povo-uma-tra…

2 - http://alexandrelomilodo.blogspot.com/…/acorada-povo-de-mae…

Consideramos uma missão da qual jamais abriremos mão, a preservação e continuidade de nossas tradições de fé deixadas pelos nossos antepassados negros e indígenas!

SERVIÇO:

Saída - dia 23 de Junho às 22h do Palácio de Iemanjá (Alto da Sé/Olinda) e cortejo s egue pelas ladeiras do Sítio Histórico.
Chegada - 23h na Casa das Matas do Reis Malunguinho (Rua de São João 340, Guadalupe, Largo do Amparo).

23h30min - Coco de toda tradicional com mestres e mestras locais

Das 20 às 23h forró pé de Serra em frente à Casa das Matas.
Contatos: 81 995257119 - Alexandre L'Omi L'Odò.

COMPARTILHEM!!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Comunicado aos meus amigos e amigas de luta

Alexandre L'Omi L'Odò, pré candidato à Deputado Estadual em Pernambuco. Foto: Acervo.

Comunicado aos meus amigos e amigas de luta

Por este, venho informar publicamente, minha saída do PT – Partidos dos Trabalhadores, para ingressar no PCdoB – Partido Comunista do Brasil, para dar continuidade à nossa missão de construir candidaturas fortes e comprometidas verdadeiramente com as bases dos Povos e Comunidades Tradicionais, da Cultura Popular, das Comunidades e da/na luta pelo extermínio do racismo, em especial o racismo religioso, o genocídio da população negra e indígena, e, todas as formas de intolerância e preconceitos.

Continuo o mesmo, com as mesmas idéias e objetivos, estando apenas mais amadurecido e fortalecido após o processo eleitoral de 2016, que me foi generosamente favorável na minha formação político-partidária. Minha candidatura à Vereador da Cidade de Olinda, me encheu de saberes e alegrias, mesmo não tendo sido concretizada em reta final.

Saio extremamente agradecido ao PT, partido que tenho grande amor e respeito. Agradeço especialmente à Donana Cavalcanti, mulher guerreira e destemida que me filiou e me abriu esta estrada, sendo em diversos momentos, referência de luta, desde dentro do Bairro de Peixinhos, local onde nasci e me criei, junto com seus filhos, brincando dentro de sua casa, e compartilhando da vida e da luta, desde muito jovem.

Estou indo em busca de ampliar nossos projetos de poder, nossas lutas comunitárias e nossos sonhos. Temos que elegermo-nos! Não é mais aceitável ficarmos sem representação na esfera política. Os povos e comunidades tradicionais, necessitam ter seus representantes eleitos democraticamente pelo voto direto, para que assim, possamos ampliar nossos direitos e abrir caminho para que haja uma mudança de paradigma político ideológico em nosso país, que está com profundas chagas desde antes do Golpe contra a democracia.

Não adiaremos mais o inevitável. Baseados nas tradições afro-indígenas, vamos construir uma proposta coletiva de mandato, que contemple e respeite toda a sociedade, e que possa nos viabilizar uma política ubunto, sankofa, que respeite o meio ambiente, que contribua na luta pelo direitos das mulheres, que lute e fortaleça o combate à LGBTIfobia, que una e fortaleça os terreiros de todas as nações afro indígenas, que construa possibilidades para viabilizar as políticas de Promoção de Igualdade Racial, que respeite e valorize todas as manifestações da cultura popular, e que mergulhe nas bases comunitárias, locais fundamentais para construirmos novos rumos para o país.

Não tenho medo de sonhar, muito menos de acreditar que é possível ser candidato e me eleger. Nós temos fé e amor pelo que acreditamos, e por este motivo, vamos até o fim na luta pelos nossos direitos!

Sigo com total veemência na luta contra o Golpe, a favor da democracia e por #LulaLivre, na força da fumaça santa e sagrada de nossos ancestrais, contribuindo para uma frente ampla de esquerda, que possa nos viabilizar a vitória contra o retrocesso proposto pela extrema direita golpista deste país!

Vamos juntos e juntas conquistar nossos espaços! Não podemos adiar mais o que nos foi dado como missão pelos nossos grandes guerreiros ancestrais, que são nossos heróis, como Malunguinho, Zumbi, Dandara, Pai Paulo Braz Ifátòògùn, Badia, Mãe Biu, Pai Adão, Mestre Afonso, e tantos outros e outras, que deixaram um legado de luta para ser honrado por nós. Sigamos de mãos dadas com fé e alegria!

Em breve, comunicarei ato de lançamento da pré campanha à Deputado Estadual. Conto com a ajuda e participação de todas e todos nesse processo de construção de novos rumos para nosso povo.

#AlexandreLomi2018 !
#QuemédeTerreiroVotaemquemédeTerreiro!
#PovodeTerreiroPolíticaénossolugar!

Alexandre L’Omi L’Odò
Pré candidato à Deputado Estadual
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 9 de abril de 2018

IV Conferência Estadual de Cultura de Pernambuco diz coletivamente Fora Michele Collins!



IV Conferência Estadual de Cultura de Pernambuco diz coletivamente Fora Michele Collins!

Na IV Conferência Estadual de Cultura de Pernambuco, foi aprovada uma moção de repúdio pedindo o afastamento da Vereadora do Recife Michelle Collins da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores, e repudiando-a pelos seus atos de racismo e intolerância religiosa cometidos contra os povos e comunidades tradicionais de terreiro.

Foi um momento de grande vibração contra essa "missionária evangélica", que promoveu um crime difuso vilipendiando profundamente o Povo de Terreiro, atacando de forma violenta um de nossos maiores símbolos religiosos, que é o Orixá Iyemojá.

A moção foi apresentada pelo Quilombo Cultural Malunguinho e o militante negro-indígena Tiago Nagô, assinada e aprovada pela plenária final da Conferência.

Lideranças culturais e intelectuais de todo o Estado estão revoltados com esse cruel fato protagonizado por essa vereadora, que usa de seu cargo público para promover a desconstrução da luta pelos direitos humanos. O racismo precisa ser exterminado do mundo, e principalmente da política. 

#ForaMicheleCollins!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 28 de março de 2018

A IV CONEPIR-PE - Conferência de Promoção de Igualdade Racial de Pernambuco e a revelação do Racismo institucional do Estado

Delegadas e delegados eleitos da IV Conepir-PE. Foto: Acervo de Alexandre L'Omi L'Odò.

A IV CONEPIR-PE - Conferência de Promoção de Igualdade Racial de Pernambuco e a revelação do Racismo institucional do Estado

Infelizmente tenho que escrever esse texto. Gostaria de ter apenas o que comemorar em relação à discussão de Promoção de Igualdade Racial em Pernambuco, mas, não tenho como omitir minha crítica neste momento, que precisamos refletir e nos fortalecer cada vez mais, para combater o racismo e a intolerância.

Este não será um textão... Mas nele, constará algumas visões minhas, sobre a Conferência e a despriorização da pauta racial do Governo do Estado. Quero que fique enegrecido, que esse texto é uma crítica ao Estado e ao seu racismo institucional, não às pessoas que realizaram a conferência, pois compreendo, que mesmo com todas as dificuldades, esses funcionários, tiveram muito boa vontade e lutaram para fazer o melhor, mesmo não conseguindo.

No último dia 27 de Março, uma quarta-feira, de 2018, fui como delegado eleito ao Centro de Formação e Lazer do SINDSPREV, que embora seja um local muito adequado para atividades como uma conferência, localiza-se em uma área de acesso difícil, devido sua distancia. Este fato do acesso ruim, já pode ser aqui, um dos primeiros elementos para desenvolvermos uma discussão sobre como dificultar a chegada dos povos tradicionais e dos movimentos ao local, tendo em vista, que não foram disponibilizados transportes para (por exemplo), pegar pessoas no Centro do Recife, levar ao local do evento, e depois levar de volta ao Centro... como forma de facilitar o acesso. Todas as pessoas que foram, gastaram de seu próprio bolso o recurso para pagar o taxi, uber, ou até mesmo ônibus. A questão do acesso, aos delegados e delegadas, é o mínimo que se deve orçar, quando se trata de uma conferência estadual.

Sabemos que uma conferência, é uma instância da democracia, para a sociedade civil e o governo, debaterem e pautarem questões prioritárias para o desenvolvimento do tema central dos debates. “Conferência, é para conferirmos”, e ampliarmos os avanços das políticas públicas. Um documento geral de uma conferência, tem a função de servir como norteador central para a efetivação de políticas públicas, portanto, sendo assim, não valorizar e garantir o debate coletivo em uma instância dessas, é matar na raiz seu objetivo geral e central. Assim, o Estado, matou na raiz o sentido da Conferência, pois, ela foi realizada em apenas um dia.

Um dia! Um dia não dá pra nada! A dinâmica do encontro foi muito ruim e prejudicou profundamente o desenvolvimento dos debates. Muitos e muitas, falaram por uma boca só: “o que estamos fazendo aqui, senão sendo-nos feitos de palhaços?!”. Essa foi a impressão geral... O que estávamos fazendo ali? Essa foi a face mais racista da Conferência de Promoção de Igualdade Racial do Estado de Pernambuco. A não priorização dos debates, como se não tivessem importância nenhuma, ou como se nós, delegados e delegadas não tivéssemos massa crítica para entender tudo o que estava acontecendo ali, foi a questão mais evidente para criticarmos e nos rebelarmos contra esse processo que, a meu ver, não nos deu condições de considerarmos representativo ou digno de respeito, afinal, nós que fomos desrespeitados.

Uma conferência, que tinha mais de 4 eixos temáticos para serem debatidos separadamente, propostas para serem aprovadas e ampliadas, selecionadas e criticadas... Debates complexos coletivos a serem feitos, além de no final haver a plenária geral para todas e todos aprovarem as propostas de cada eixo temático... Além da eleição dos delegados e delegadas para a Conferência Nacional... Isso tudo, foi impossível ser feito em um único dia. Aliás, foi feito! Feito da pior forma possível, sem nenhuma sensibilização, sem nenhuma respeito às discussões e as pessoas. Foi feito na tora...

Humanamente é impossível! Além dos debates, tiveram mesas de abertura, falas longas... Leitura e aprovação do regimento da conferência e ainda ao final leitura das moções... Muita coisa! Muita coisa jogada de qualquer forma, para ser feita em apenas um único dia... Isso é racismo institucional – O estado de Pernambuco não respeita a discussão racial de forma nenhuma. Nem conseguem fingir direito... Pelo menos fazendo uma coisa com mais respeito... Fizeram e jogaram em nossa cara seu racismo em forma de ausência de recurso e atenção.

Nas circunstâncias apresentadas acima, seria muito melhor não termos feito conferência. Conferência é uma coisa séria e importante, e não um lixo, do qual fomos todos jogados dentro para sermos passados por um rolo compressor que tem como objetivo principal, calar o debate racial em Pernambuco! Compactuar e calar perante a este absurdo, seria ser covarde com nossos ancestrais, pois eles, jamais permitiriam que tudo isso acontecesse, sem haver reação imediata contra os herdeiros da Casa Grande.

Fiquei até o final para ver tudo... Saí de lá mais de oito horas da noite, cansado e pessimista. Meus amigos e amigas de movimento, também expressaram o mesmo sentimento. Infelizmente tivemos que estar ali até o final para vermos com nossos próprios olhos, o quanto o Estado foi racista! Essa conferência, jamais poderá constar no currículo do governador em sua campanha eleitoral, pois sabemos que ela foi feita nas coxas, exatamente para servir como elemento para que esse governo que apoiou o Golpe, diga que apóia a discussão racial! Temos que dizer coletivamente que É MENTIRA! QUE O GOVERNO DE PERNAMBUCO É RACISTA E NÃO NOS REPRESENTA!

Não saí delegado e nem concorri a vaga. Compactuo com o pensamento de meus irmãos e irmãs de Salvador, que não realizaram conferencia por terem a posição política de não dialogar a nível federal com o governo golpista. GOLPE É GOLPE! E estamos em um Estado de exceção. Nunca devemos perder a consciência disso.

Poderia ainda falar que o almoço foi insuficiente, que não teve jantar, que houve erro na condução da conferência etc. Mas não escreverei mais, acredito que não há muito o que falar, após constatar, que a discussão, que é o essencial de uma conferência, foi vilipendiada, prejudicada e tornada inviável, como forma de nos impedir de progredir.

Lamento. Estou triste. Rogo que possamos nos fortalecer mais para não aceitarmos mais esse destrato com nossas pautas políticas. Não podemos brigar entre nós. Não podemos fazer o jogo dos senhores e senhoras da Casa Grande. Temos que eleger nossos próprios representantes para que essa discussão seja feita desde dentro do Estado, com pessoas (não qualquer pessoa) nossas, que possam nos representar e nos fortalecer na luta contra o racismo institucional.

Alexandre L’Omi L’Odò
Delegado na Conferência Estadual – IV CONEPIR-PE
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomiloso@gmail.com

sábado, 3 de março de 2018

Povo de Terreiro de Pernambuco diz Fora Michele Collins no MPPE

Várias instituições foram no último dia 02/03 protestar contra os crimes de racsimo e intolerância religiosa cometidos por Michele Collins, em frente ao MPPE. Foto: Acervo Casa das Matas do Reis Malunguinho.

Povo de Terreiro de Pernambuco diz Fora Michele Collins no MPPE

Quero aqui deixar claro para o Povo de Terreiro de Pernambuco, que o histórico protesto ocorrido ontem, em Frente ao Ministério Público do Estado, para defender a honra de nossas divindades, e em prol da luta contra o racismo e intolerância religiosa, gritando abertamente #ForaMicheleCollins, foi organizado pelas seguintes instituições:

1 - Rede das Mulheres de Terreiro de Pernambuco;

2 - Ilé Àse Orisanla Talabi;

3 - Quilombo Cultural Malunguinho;

4 - Articulação das Advogadas Negras e de Terreiro de Pernambuco;

5 - Terreiro Xambá;

6 – Tenda de Umbanda Caboclo Flecheiro;

7 - E, pessoas e outros terreiros como Tiago Nago, Professora Denise Botelho, Professora Ceiça Axé, etc.

Assim sendo, continuaremos com esta luta contra todo e qualquer tipo de absurdo que ocorra contra o Povo de Terreiro. CHEGA de passividade e pactos com o Governo e com o racismo. Nosso Povo precisa avançar e não ficar preso à inexistentes representações. Nosso grito de luta não ser a calado pelos capitães do mato que rastejam perante o Estado! Somos livres e autônomos, ninguém poderá NOS CONTROLAR, como ficamos sabendo ontem... Quando nos foi relatado que pessoas de Terreiro, por interesses espúrios, não queriam que este ato acontecesse.

Vamos em Frente com a força de Iemanjá, todos os orixás, de Malunguinho e a Jurema Sagrada, e, da Umbanda.

Queremos sim a condenação por crime de racismo, da vereadora Michele Collins. Ela cometeu um ato imperdoável. Que fique claro, que se houver alguns dos nossos que querem calar perante a este absurdo, COMO VIMOS ONTEM... A AUSÊNCIA DE DETERMINADAS PESSOAS QUE SE DIZEM LUTAR PELO POVO DE TERREIRO, PROVA QUE NÃO HÁ DE FATO RESPEITO À LUTA, MAS SIM PACTO COM OS RACISTAS!

Sigamos em Frente na luta por nosso coletivo. Só na hora da guerra, é que sabemos quem é quem!

#ForaMicheleCollins!!!!

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 2 de março de 2018

Depoimento no MPPE da vereadora Michele Collins, foi marcado por protestos do Povo de Terreiro de Pernambuco

Povo de Terreiro unido contra o racismo em frente ao Ministério Público de Pernambuco. O grito coletivo foi contra a vereadora racista do Recife, Michele Collins. Foto: Acervo Casa das Matas do Reis Malunguinho.

Depoimento no MPPE da vereadora Michele Collins, foi marcado por protestos do Povo de Terreiro de Pernambuco

O Povo de Terreiro de Pernambuco, no último dia 02/03, mostrou de fato como se faz movimento social. Protestamos pacificamente contra o racismo e a intolerância religiosa em frente ao MPPE - Ministério Público de Pernambuco, dizendo coletivamente #ForaMicheleCollins.

No dia de seu depoimento ao Ministério Público, para esclarecer sobre os crimes de racismo, incitação ao ódio e intolerância religiosa, que cometeu contra o Povo de Terreiro, a vereadora foi recebida com um organizado protesto dos terreiros. Ela se acovardou e não passou entre os grupos que reivindicavam respeito à Iemanjá. Contudo, os sacerdotes e sacerdotisas presentes firmaram o ponto e gritaram Fora Racista Collins!

O grupo de quatro advogadas negras, articuladas pelo nosso movimento em prol do povo de terreiro, deram um show de organização e nos representaram com forte veemência, na oitiva da vereadora. Houveram alguns entraves, como o temporário bloqueio da entrada de nossas advogadas na hora do depoimento de Michele, contudo, ao final, nossas representantes foram recebidas pelo promotor Westei Conde, para um diálogo sobre direitos humanos e a luta contra o racismo.

O processo segue, tendo como próximo passo, a oitiva dos terreiros pelo Ministério Público, no dia 22 de Março, às 10h.

Estamos orgulhosos do dia de hoje. Queremos deixar escurecido que queremos justiça e iremos até o fim nessa luta coletiva!

O POVO DE TERREIRO NÃO QUER SER REPRESENTADO POR QUEM NÃO NOS REPRESENTA. QUE ESTE RECADO FIQUE BEM DADO AOS CAPITÃES DO MATO! Pernambuco, hoje vive um difícil momento para o Povo de Terreiro. Para além dos permanentes crimes de racismo e intolerância que sofremos, ainda temos que lidar com o oportunismo de pessoas de dentro de nossas tradições que assumem cargos políticos e querem manipular os terreiros em favor do Estado. Mas a máscara já caiu há muito tempo!

COMPARTILHEM Boa notícia de nosso povo de terreiro!

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 1 de março de 2018

Fora Michele Collins! Alexandre L'Omi L'Odò faz apelo público em defesa do Povo de Terreiro



Fora Michele Collins! Alexandre L'Omi L'Odò faz apelo público em defesa do Povo de Terreiro

#ForaMicheleCollins!

Vídeo denúncia e de apelo à justiça para que sejam cumpridas as leis contra o racismo e a intolerância religiosa.

Nós, Povo de Terreiro, fomos profundamente violentados pela vereadora do Recife, Michele Collins, que em um ato coletivo de racismo, realizou um ato, dia 3 de fevereiro, na beira mar, para "quebrar a maldição de Iemanjá sobre a Terra". Este crime, ficou explícito e público a partir de uma publicação em seu facebook, onde orgulhosamente ela para mostrar sua maligna ousadia, perante os adeptos da fé intolerante, violenta e desrespeitosa, escreveu e publicou uma fotografia deste ato.

Nós, do Quilombo Cultural Malunguinho, hermanados com todos os movimentos de luta do Povo de Terreiro e dos direitos humanos, dizemos publicamente #ForacheleCollins

Esse crime não pode ficar impune! Queremos a criminalização pela lei destes atos de racismo, intolerância religiosa e incitação ao ódio e à xenofobia.
Não queremos as desculpas dela! Ela retirou a postagem do ar e em matérias de jornal falou que escreveu de forma equivocada... MENTIRA! Sabemos que todos os dias dentro das quatro paredes das "igrejas evangélicas", é ensinado o ódio e a intolerância religiosa. O desrespeito ao próximo... Isso tudo a partir de interpretações equivocadas do livro sagrado dos cristãos - a bíblia.

Rogo à Iyemojá, à Oxalá e à Xangô, que a justiça seja feita. Um crime público e de tão grande repercussão não pode passar impune de forma alguma! Se a Justiça permitir a impunidade, estará nos condenando à todas e todos, que fomos vítimas, e abrindo o precedente para conflitos religiosos onde a violência será protagonista.

Ajudem a COMPARTILHAR esse apelo!

Axé! Agô Kolofé!

Vídeo produzido pela Aláfia Filmes - Instituição de luta pelos povos tradicionais.

Alexandre L'Omi L'Odò
Coordenador Geral do Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Nota de Falecimento - Adeus à Mestre Sapo

Mestre Sapo. Foto: Divulgação.

NOTA DE FALECIMENTO 
Adeus à Mestre Sapo

Hoje, os berimbaus do mundo silenciaram... Mestre Sapo partiu para o mundo dos encantos.
Sapo, foi um dos mais proeminentes mestres de capoeira angola das últimas décadas. Era muito respeitado e conhecido em todo planeta. Homem negro de muita visão, construiu o Memorial de Capoeira Angola Mãe, que tinha como símbolo a zebra, único equino a não ser domesticado em todo planeta pelo homem. 

Este símbolo forte de resistência e desobediência, descrevia perfeitamente toda trajetória deste Mestre, que respeitosamente, criou um grande espaço de formação em Olinda, dando oportunidade à todas e todos de aprender a capoeira angola gratuitamente e democraticamente. O espaço é lindo. Um museu que conta sua história e a da capoeira. É sempre emocionante entrar neste templo sagrado, criado com esforço de uma vida inteira dedicada integralmente à esta arte.

Hoje, visitei seu velório. Acabei de chegar de lá. Vi que não haviam elementos cristãos... Achei fantástico! Seu ataúde foi colocado no centro de seu local de aula, onde toda vida ensinou, tocou, jogou, brilhou e transcendeu na capoeira. Uma estrela vermelha decorava o altar dos antigos mestres... Isso me fez pensar muito sobre o por que àquele símbolo da luta do povo pobre e dos trabalhadores, que militam na esquerda no país, estaria alí... Contudo, não descobri. Mas... Perante uma trajetória brilhante de superação como a dele, não me deixa muitas dúvidas... ele também era uma estrela vermelha, que iluminou a vida de milhares de pessoas.


Obrigado Mestre Sapo. Sua missão foi cumprida de forma linda. Viraste um encantado da capoeira. Já eras em vida essa energia divina. Agora, vivendo no mundo da verdade, vai poder rogar por nós à Pai Tupã, Mãe Tamain, Olorun, Zambi, e todos os espíritos de guerra e de luz.

Que a Jurema lhe abençoe na nova jornada. Que Malunguinho, líder guerreiro e herói, segure em sua mão, e o encaminhe para o quilombo de nossos ancestrais ilustres no mundo espiritual.

Axé! Trunfa Riá! 

Voe leve na fumaça! 

O Quilombo Cultural Malunguinho e a Casa das Matas do Reis Malunguinho se condoem com essa perda irreparável para a cultura do mundo. Olinda, é apenas um detalhe... 

PS: Essa foto é muito antiga do Mestre Sapo, não tive acesso à uma mais recente

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

#FumaçadasCríticas n° 3 - Nunca culpe a espiritualidade pelos seus erros

Alexandre L'Omi L'Odò - Juremeiro, historiador e cientista das Religiões. Foto de Lucas Chagas.

#FumaçadasCríticas n° 3 - Nunca culpe a espiritualidade pelos seus erros

Nunca culpe a espiritualidade pelos seus erros. Os mestres, mestras, caboclos e cabocla, trunqueiros e reis, são entidades que gostam da limpeza da alma e não apoiam a mentira. As vezes, pensa-se que é possível não ser visto pelos olhos destes encantos de luz... Contudo, eles sabem de tudo. Eles olham nossa vida para nos fazer acertar. Podemos até passar momentos de aperto, mas com certeza vem tanto ensinamento em tudo, que ao passar das lutas, ficamos felizes com o que acumulamos como saber. 


A Jurema não é uma religião para todos ou todas. Mas ela está aberta para todas e todos... Nela, podemos encontrar o mais belo bailar das flores, e o mais agudo dos espinhos venenosos. A Jurema é a natureza por completo. Portanto, saibam, "a Jurema abala, e seus discípulos não tombam"... Se você tombar no chão, com certeza não era bom discípulo, ou talvez nem discípulo fosse. 😉



Na Jurema temos dois deveres básicos: 

1 - ter palavra e fé;
2 - respeitar a Jurema e seus padrinhos.

Com isso, seus caminhos se abrem e a fumaça das gaitas mestras rodam o mundo e trazem os bons recados.

#SaberesMestres <----- nbsp="" span="">👀

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho, o senhor é mourão que não bambeia! Bonitos são os saberes deixados pela sua fumaça santa. 

Trunfa Riá!

Foto de Lucas Chagas.



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

#FumaçadasCríticas n° 2 - Refletindo um pouco da subalternidade do Povo de Terreiro em Pernambuco

Alexandre L'Omi L'Odò - Juremeiro, historiador e mestre em Ciências da Religião. Foto de Lucas Chagas.

#FumaçadasCríticas n° 2 - Refletindo um pouco da subalternidade do Povo de Terreiro em Pernambuco

Há dias em que paro para refletir sobre as possibilidades de avanço do Povo de Terreiro em Pernambuco... Como sou historiador de formação, faço uma análise dos últimos 16 anos de políticas públicas de PIR - Promoção da igualdade Racial em nosso Estado... Deparo-me com a mais completa falácia pública institucional.


Pena nosso povo permite-se ser massa de manobra. Pena a mentalidade colonizada ser tão forte entre nós, ainda. Pena, eu ser o chato, por apontar algo tão óbvio, que afeta a vida de todos e todas nós.

Quando em 1835, o último Malunguinho foi cruelmente assassinado pelo Estado, ele morreu lutando pela mesma liberdade e direitos iguais que queremos hoje. Sua luta, permanece sendo a nossa. Então, seremos sim, a continuidade do Catucá na política e no debate público em prol dos povos e comunidades tradicionais.


Foto de Lucas Chagas.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Juremologia para todas e todos - disponibilizada para baixar a dissertação de mestrado do juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò

Alexandre L'Omi L'Odò demonstra o documento de aprovação no mestrado em ciências da religião na UNICAP, após sua defesa pública da dissertação Juremologia: uma busca etnográfica para sistematização de princípios da cosmovisão da Jurema Sagrada. Foto de Joannah Flor.


Juremologia para todas e todos
Disponibilizada para baixar a dissertação de mestrado do juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò

Disponibilizo com muito amor e afeto o texto final e definitivo de minha dissertação de mestrado para todas e todos. Se interessados ou interessadas, é só baixar o arquivo em PDF no link, ao final deste texto.

Como conclusão derradeira, fechando meu ciclo de mestre na academia, no curso de Ciências da Religião da UNICAP, entrego à sociedade, o texto que me custou alguns anos de luta e muita dedicação para ser finalizado (ou quase finalizado, já que uma pesquisa deste vulto não se termina). Essa é uma prestação de contas, onde, por ter sido bolsista da CAPES (no governo de Dilma - PT), pude estudar e transcender meu universo de “menino da favela”, e virar intelectual nos termos da norma oficial da academia. Para mim já não é mais suficiente apenas ser um intelectual orgânico, como define Gramsci, em seus históricos escritos. Quero ser um catimbozeiro doutor, e assim continuarei essa luta até ser doutor de fato e de direito, pois se tem alguém que pode falar por nós, esse alguém somos nós, e não abro mão de conquistar esse direito com total dignidade e luta!

Ser intelectual e juremeiro é uma novidade em nossa sociedade. Mesmo com mais de 5017 anos de colonização, fui o primeiro juremeiro a defender um estudo na academia, que em 4 capítulos, sistematizou tudo de relevante que foi escrito e estudado sobre a Jurema, em um recorte histórico de 277 anos (1741 a 2017). Para além da profundidade historiográfica do texto, temos uma etnografia densa (GEERTZ), que trouxe a fala qualificada de diversos juremeiros e juremeiras de renome em Recife e Região Metropolitana, revelando para o mundo letrado uma cosmovisão ampla do que seria essa religião para as pessoas que a vivenciam, defendem e praticam com veemente fé e resistência.

Longe de ser uma cartinha de quase 300 páginas, de não academicidade, ou de movimento social (risco eminente que não me atingiu), meu texto foi elogiado pela banca examinadora com excelência, e pude com orgulho, responder com suficiência todas as argüições feitas no momento da qualificação e da defesa pública. Portanto, após tantas etapas complicadas e complexas, hoje posso me dizer satisfeito com o que escrevi, mesmo sabendo que poderia escrever mais... Aliás, continuo escrevendo mais, e lançarei em breve dois livros, que são resultado desta pesquisa.

Ter lançado o inédito termo JUREMOLOGIA no campo da pesquisa acadêmica, foi outra ousadia intelectual minha. Fundamentar este neologismo, e, defendê-lo, também me custou muito exercício de pesquisa e escrita. Contudo, aí está, firme e forte, pronto para ser usado por quem desejar. Também, devem questioná-lo, afinal, no campo acadêmico, tudo pode ser ampliado ou questionado, coisas que me dão muito entusiasmo e prazer, pois sou sim um homem que gosta de lutar a partir do campo intelectual (também). Usem, ampliem a pesquisa, adentrem este universo, pois, tudo que fiz, foi no intuito de contribuir para que mais e mais pessoas de terreiro possam acreditar que é possível sim, se formar e ocupar esse lugar privilegiado, que pertence à apenas 5% da população brasileira.

Essa dissertação, nasceu de meu sonho de mudar meu próprio mundo. O mundo da exclusão e da não sapiência daquilo que eu praticava. Da mesma forma que estudei autonomamente a língua yorùbá, e hoje dou aulas e traduzo toadas, me dediquei aos estudos da Jurema para compreendê-la mais e poder contribuir em seu avanço na sociedade como religião, sempre em uma perspectiva decolonial. Esses meus estudos tem mais de 15 anos, onde durante este tempo, pude colecionar textos e documentos importantes que me viabilizaram dar concretude a esta pesquisa.

Ser um sacerdote e intelectual é possível sim. Uma coisa não modifica a outra, e juntas, se fortalecem. Sou amante da tradição e profundo defensor da oralidade. Porém, sem ocuparmos a política e os espaços da intelectualidade, não estaremos fazendo grande coisa para o avanço de nosso povo. Temos que acordar o quanto antes! Ocidentalizar-se para desocidentalizar, é uma perspectiva de luta epistemologicamente pensada por mim e por tantos outros e outras para nos libertar das algemas do assombroso passado da escravidão e do holocausto indígena e suas heranças racistas. A Jurema que acredito, é a Jurema que quer se libertar das amarras do colonizador branco e cristão. Mesmo respeitando as tradições e tendo afeto por elas, como cientista e como sacerdote, me proponho, a estar na linha de frente da batalha, para podermos dar largos passos na conquista dos espaços desta sociedade, que também são nossos.

Não adianta apenas usar as redes sociais para promover informação sobre a Jurema, que é essencialmente uma religião de tradição oral. Temos que fazer coisas efetivas e amplas. É possível sim, firmar realizações efetivas como este texto/pesquisa e unir as ações virtuais (imateriais) com as ações práticas e concretas em outros campos. Este pode ser um caminho fértil para nos ajudar a avançar mais e mais, com força e inteireza.  Assim, poderemos olhar para trás e nos orgulharmos de tudo que nos dedicamos, pois palavras voam no ar, o que se registra, nem o vento branco do colonizador leva (parafraseando Mãe Stella de Oxóssi, uma das entrevistadas na dissertação).

Bom, espero que quem ler, possa me devolver uma crítica, uma fala, um comentário, uma ou várias discordâncias, etc. Preciso dialogar mais e mais com meus irmãos e irmãs por que essa pesquisa continua e se amplia...

Chega mais e COMPARTILHA, para que mais pessoas possam ter acesso. Muita gente me solicitou, agora ta aí, prontinha e toda disponível para ser degustada. J

Agradeço a todas e todos que me ajudaram a vencer cada etapa desta luta. Não foi fácil, mas ao final, o gosto e o empoderamento, da realização e da vitória, pagaram tudo.

A benção aos meus mentores: Reis Malunguinho, Major do Dia, Sr. Manso, Mestra Paulina, Caboclo Arranca Toco, Zé Pilintra, etc. Vocês são minha família indissolúvel. A benção Dona Leide de Sibamba, minha madrinha de Jurema. Adupé Oxum, iyá mi! Adupé Bàbá mi Ifátòògùn Paulo Braz Felipe da Costa, meu santo babalorixá e obrigado à minha digníssima iyalorixá Mãe Lu Omitogun, rainha oceânica de minha vida na religião nagô/jeje.

Tenho muito a quem agradecer, e com certeza nas páginas da dissertação estão os nomes de todas e todos que de um forma ou de outra contribuíram para que este texto existisse, disponível e livre para quem desejar se aprofundar na ciência mestra da jurema e sua história. “Tudo isso, é apenas uma gota no oceano”!

Sobô Nirê Mafá!
Trunfa Riá!
Saramunanga Cipopá!
A Jurema Merece Respeito!

Esta dissertação foi feita para “desfazer as coisas dos brancos” (Davi Kopenawa)!

Baixe a dissertação de mestrado Juremologia: uma busca etnográfica para sistematização de princípios da cosmovisão da Jurema Sagrada, no link abaixo:


Alexandre L’Omi L’Odò
Juremeiro, Historiador e Cientista das Religiões
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 13 de janeiro de 2018

Casa das Matas do Reis Malunguinho foi fundada em Olinda

Sacerdote juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò, regendo a primeira gira em seu terreiro. Foto de Joanah Flor.

Casa das Matas do Reis Malunguinho foi fundada em Olinda

Enfim, fundamos nosso Terreiro de Jurema!

Enfim, a Casa das Matas do Reis Malunguinho foi aberta ao público. Este terreiro já existia em sua essência e força há muitos anos... Em minha casa em Peixinhos, onde já atendia muita gente com a ciência mestra da Jurema e com as cartas ciganas que “trabalho” desde os meus 7 anos de idade.

No último dia 06 de Janeiro de 2018, que no calendário cristão é dia de Reis, ou dia dos Três Reis Magos – Belchior, Baltasar e Gaspar, o nosso terreiro, celebrou o dia da abertura religiosa do calendário anula do Povo da Jurema e a fundação da Casa em novo endereço. Distante de realizar qualquer culto aos Reis Magos, a casa celebrou o Reis Malunguinho, divindade que é responsável pela chave que abre e fecha os portões sagrados das cidades da Jurema e que também defende todas as porteiras dos terreiros que praticam essa religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil. Também, essa divindade, foi em vida, ou foram em vida (já que existiram vários os Malunguinhos), um (uns) herói negro/indígena na luta pela liberdade do povo negro no Quilombo do Catucá, na primeira metade do Século XIX.

Esse Preto, espírito de luz, forte e protetor, teve em sua homenagem, uma linda celebração que contou com participação de meus afilhados e afilhadas, amigos, parentes, artistas da cultura negra etc. que foram em nossa casa para vivenciar este momento único na minha história sacerdotal e na luta pelo fortalecimento de nossa religião.

Estou muito grato pela glória de fundar uma casa (seu último endereço ainda será na Mata Sagrada do Catucá, em Abreu e Lima [no futuro]), no Sítio Histórico de Olinda. Agora somos três templos de culto à ancestralidade negra e indígena no espaço das elites de Pernambuco. O histórico terreiro Palácio de Iemanjá, a tradicional e resiliente Casa do Caboclo Jupirací de Dona Maria José na Rua da Palha, e agora a Casa das Matas do Reis Malunguinho, formam um conjunto representativo da fé de nosso povo dentro do círculo patrimonial de Olinda. Este detalhe é importante!

Agradeço a todos e todas, meus afilhados e afilhadas, que com profunda dedicação e amor, fé e cumplicidade, me ajudaram a dar conta de tantos afazeres para preparar a simples festa que demos ao público.

Cada momento das obrigações, da entrega das oferendas, da feitura das comidas, da preparação da decoração da casa, da luta para servir da melhor forma os convidados e convidadas, etc. tudo foi de muita luz, paz, equilíbrio e alegria. Esse é o objetivo de nosso terreiro, acolher, dar paz e trazer boas energias a partir da fumaça sagrada das entidades e divindades, para confortar quem precisar e quem nos procurar.

Tenho que fazer aqui um agradecimento especial ao próprio Reis Malunguinho, patrono da casa, que com muita atenção, tem nos aberto os caminhos e nos trazido todos os recados positivos que precisamos e merecemos. Esse velho, que por horas é grosso, exigente, temperamental, é de um amor imenso pela missão que ele mantém na Terra, a da libertação de seu povo...

Eu, como discípulo da Jurema, um jovem juremeiro (mas dedicado e perseverante), entreguei há muitos anos minha vida a espiritualidade negra e indígena. Manterei-me atento a força branca do Racismo. Eles não passarão! Nossa casa é uma casa para se empretecer e se indigenecer. Um local para cura, para a busca do equilíbrio espiritual, para a preservação das tradições, para a troca de saberes, cursos, maracatu, coco, forró, bacamarte, para receber pessoas de todo país que queriam pesquisar e conversar, e, para a busca de boas energias que nos ajudem a enraizarmo-nos em nossa ancestralidade.

A Casa está aberta. Venham me visitar. Consultas também podem ser feitas... Chega junto. A casa é nossa!

Em breve divulgaremos nosso calendário anual de reuniões e de festas. Aguardem. Também, divulgaremos o calendário dos cursos de língua, história e cultura yorùbá e kimbundo, aluas de percussão, aulas de juremologia e de orientação de pesquisas no campo afro indígena. Ainda, convidamos todas e todos para participar dos ensaios do Maracatu Nação do Reis Malunguinho, que após o carnaval irá iniciar seus ensaios.

Sobô Nirê Mafá!
Trunfa Riá!
Saramunanga Cipopá!
A Jurema Merece Respeito!

Casa das Matas do Reis Malunguinho
Endereço: Rua São João, n° 340. Largo do Amparo. Sítio Histórico de Olinda – PE. | Fone: 81 99525-7119 | 81 98887-1496

Foto de Joanah Flor (como não poderia ser diferente).
Mais imagens na próxima postagem com todas as fotos de Joanah e Céu Mendonça.

Alexandre L’Omi L’Odò
Sacerdote Juremeiro da Casa das Matas do Reis Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Vídeos Negros nossos!!

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Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!