terça-feira, 27 de outubro de 2009

Lei 10.639/07 comprometida em se desenvolver por causas de evangélicos preconceituosos.

A professora Maria Cristina mostra desenhos feitos por alunos após a leitura: mães evangélicas se rebelaram. Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia

Livro sobre Exu causa guerra santa em escola municipal. Professora umbandista diz que foi proibida de dar aulas em unidade de Macaé, dirigida por diretora evangélica

POR RICARDO ALBUQUERQUE, RIO DE JANEIRO

Rio - As aulas de Literatura Brasileira sobre o livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, se transformaram em batalha religiosa, travada dentro de uma escola pública. A professora Maria Cristina Marques, 48 anos, conta que foi proibida de dar aulas após usar a obra, recomendada pelo Ministério da Educação (MEC). Ela entrou com notícia-crime no Ministério Público, por se sentir vítima de intolerância religiosa. Maria é umbandista e a diretora da escola, evangélica.

A polêmica arde na Escola Municipal Pedro Adami, em Macaé, a 192 km do Rio, onde Maria Cristina dá aulas de Literatura Brasileira e Redação. A Secretaria de Educação de lá abriu sindicância e, como não houve acordo entre as partes, encaminhou o caso à Procuradoria- Geral de Macaé, que tem até sexta-feira para emitir parecer. Em nota, a secretaria informou que “a professora envolvida está em seu ambiente de trabalho, lecionando junto aos alunos de sua instituição”.

A professora confirmou ontem que voltou a lecionar. “Voltei, mas fui proibida até por mães de alunos, que são evangélicas, de dar aula sobre a África. Algumas disseram que estava usando a religião para fazer magia negra e comercializar os órgãos das crianças. Me acusaram de fazer apologia do diabo!”, contou Maria Cristina.

Sacerdotisa de Umbanda, a professora se disse vítima de perseguição: “Há sete anos trabalho na escola e nunca passei por tanta humilhação. Até um provérbio bíblico foi colocado na sala de professores, me acusando de mentirosa”.

Negro, pós-graduado em ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, o diretor-adjunto Sebastião Carlos Menezes aguardará a conclusão da procuradoria para opinar. “Só posso lhe adiantar que a verdade vai prevalecer”, comentou. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Sebastião contou que a diretora Mery Lice da Silva Oliveira é evangélica da Igreja Batista.


ATÉ CINCO ANOS DE PRISÃO


“Se houver preconceito de religião, acredito que deva ser aplicado todo o rigor da lei”, afirmou o coordenador de Direitos Humanos do Ministério Público (MP), Marcos Kac. O crime de intolerância religiosa prevê reclusão de até 5 anos. Em caso de injúria, a pena varia de 3 meses a 2 anos de prisão. O MP poderá entrar com ação pública penal se comprovar a intolerância religiosa. “Caso contrário envia à delegacia para inquérito”, explicou Kac.

Alunos do 7º ano leram a obra: referências ao folclore

Em 180 páginas, o livro ‘Lendas de Exu’, da Editora Pallas, traz informações sobre uma das principais divindades da cultura afro-brasileira. O autor da obra, Adilson Martins, remete ao folclórico Saci Pererê para explicar as traquinagens e armações de Exu.

Na introdução, Martins diz que ele é “um herói como tantos outros que você conhece”. Em Macaé, 35 alunos do 7º ano do Ensino Fundamental leram o livro.

Nas religiões afro-brasileiras, Exu é o mensageiro entre o céu e a terra, com liberdade para circular nas duas esferas. Por isso, algumas pessoas acabam o relacionando a Lúcifer.

O presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, garantiu que outros autores de livros, como Jorge Amado e Machado de Assis, sofrem discriminação nas escolas: “As ideias neopentecostais vêm crescendo muito, desrespeitando a lei”.

Ivanir explicou que o avanço da discriminação religiosa provocou o agendamento de um encontro, dia 12 de novembro, com a CNBB: “Objetivo é formar uma mesa histórica sobre os cultos afro e estabelecer uma agenda comum”.


VIVA VOZ

Até mães de alunos me proibiram de falar sobre a África

“Acusam-me de dar aula de religião. Não é verdade. No livro ‘Lendas de Exu’, de Adilson Martins, há histórias interessantes, são ótimas para trabalhar com os alunos. Li os contos, como se fosse uma contadora de histórias, dramatizando cada uma delas. Praticamos Gramática, e os alunos ilustraram as histórias de acordo com a imaginação deles. Não dá para entender por que fui tão humilhada. Até mães de alunos, evangélicas, me proibiram de falar sobre a África”.

MARIA CRISTINA MARQUES, professora, 48 anos

*Exú está de ronda... Ele quer organizar o que está fora do lugar. Fim ao racismo institucional, fim à intolerância religiosa na escola, fim aos evangélicos desprovidos de dicernimento e cultura. vamos inplementar a Lei 10.639/07 com virtude e perceverança!

Alexandre L'Omi L'Odò.
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Do Olho do Peixe

Do Olho do Peixe, Peixinhos mostrando ao mundo sua cara!

Grupo Fotográfico Do Olho do Peixe - Peixinhos – PE - BR


Foto: Suco


Apresentação

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O Grupo Fotográfico Do Olho do Peixe é formado por nove jovens de Peixinhos, em Olinda, e há dois anos vem desenvolvendo um trabalho de reflexão sobre o cotidiano do bairro por meio da interação entre a população local e a fotografia. O grupo tem sido responsável, nesse período, por uma renovação da memória visual da localidade, por meio do registro cotidiano das ações e modo de vida da comunidade, e pela elaboração de um novo olhar sobre o bairro que vem sendo tema de mostras e debates promovidos pelo grupo através de parcerias com fotógrafos e instituições.


Foto: Ana Paula


O foco na relação que cada um constrói com o espaço em que mora está entre as discussões propostas pelo Do Olho do Peixe. O grupo tem procurado dar visibilidade aos personagens e às atividades sociais e artísticas do bairro por meio de mostras realizadas nos principais pontos de circulação da comunidade, a exemplo do Centro Cultural Nascedouro de Peixinhos e do Mercado Público. É nesses locais, também, que os integrantes procuram despertar o interesse da população local para a fotografia enquanto ferramenta de expressão e canal de diálogo sobre a vivência no bairro.


Foto: Alexandre L'Omi L'Odò


Dessas trocas surgiu a necessidade de ampliar a iniciativa começada em 2007, quando o grupo foi formado em uma oficina ministrada por integrantes do grupo Um Outro Olhar, de Minas Gerais, e buscar novas formas de participação social. Assim, o Do Olho do Peixe buscou o apoio da fotógrafa Michelle Soares, que integrou o grupo Um Outro Olhar, e agora reside na Espanha, e da conversa surgiu o projeto Peixinhos / La Mina. O objetivo da atividade é criar um intercâmbio entre os jovens de Peixinhos e os jovens do bairro de La Mina, em Barcelona, em que eles conversem, por meio da fotografia, sobre suas respectivas formas de viver e se relacionar com a comunidade em que vivem.


Foto: Alexandre L'Omi L'Odò


A iniciativa gerou uma nova oficina de fotografia em cada localidade, agregando novos integrantes ao Do Olho do Peixe e iniciando a formação de um coletivo no bairro de La Mina, e o resultado dessa nova produção fotográfica vai proporcionar, nos próximos meses, uma troca de percepções sobre o cotidiano de cada bairro. O projeto prevê, ainda, a realização de exposições em Peixinhos e em La Mina com o resultado da conversa entre os jovens dos dois bairros e a visita de cada grupo ao país de origem do outro como fechamento do intercâmbio. A efetivação dessa última etapa está em negociação por meio de parcerias com instituições e com o Consulado Espanhol e de resultados de editais de incentivo realizados na Espanha.


Foto: Adeíldo Massapê


Histórico


O grupo Do Olho do Peixe surgiu em 2007 durante uma oficina de fotografia realizada no bairro de Peixinhos pelo grupo Um Outro Olhar, de Minas Gerais. O grupo mineiro foi convidado pelo coordenador da Semana de Fotografia do Recife, Mateus Sá, para ministrar a oficina depois de conhecer o projeto naquele ano no Encontro de Inclusão Visual do Foto Rio. A convergência desse projeto resultou em uma oficina que despertou em alguns dos jovens moradores o desejo de continuar o trabalho, que agora completa dois anos.


O Do Olho do Peixe é formado por Adeildo Massapê, Joyce Hakinahua, Leonardo Barbosa, Jéssica Ewelyn de Souza, Willington Gomes, Sérgio Lisian, Alexandre L’Omi L’Odò, Ana Paula Cruz e Ivan Oliveira Jr. O grupo conta, hoje, com o acompanhamento de Ana Lira, do Grupo Paspatu de Fotografia.


Foto: Guga

Contatos


Adeildo Massapê – (81) 8847-2344

Alexandre L’Omi L’Odò – (81) 8887-1496 | 3244-2336

Ana Lira – (81) 8633-6279

Email: doolhodopeixe@gmail.com



Este antigo cartaz confeccionado na tora por Alexandre L'Omi L'Odò e Sandro Santana, nem chegou à ser impresso, mas é memória nossa também. Coloco aqui apenas por registro, talqual assim a logomarca que está no topo desta matéria.

*O texto fundamental é de Ana Lira.
**Todas as fotografias foram tiradas com máquinas Plac-plac sem flach, com ISO 100 e no horário da tarde.


Alexandre L'Omi L'Odò
De Peixinhos para o mundo!
alexandrelomilodo@gmail.com

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Alexandre L'Omi L'Odò.
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Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!