quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Decisão contra Igreja Universal é mantida no STJ.

Decisão contra Igreja Universal é mantida no STJ

Claudionor Júnior | Agência A Tarde
A ialorixá Jaciara Santos, filha de mãe Gildásia, mostra a felicidade estampada no rosto
A ialorixá Jaciara Santos, filha de mãe Gildásia, mostra a felicidade estampada no rosto.






A ialorixá Jaciara dos Santos teve um dia agitado, nesta quinta-feira, 20, por conta do preparo de oferendas para os orixás com o objetivo de agradecer e comemorar. O motivo da festa foi o fim de mais um round no processo que, em conjunto com os outros herdeiros de Gildásia dos Santos e Santos, sua mãe biológica e de quem é sucessora no terreiro Abassá de Ogum, move contra a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd).


Embora a 4ª Turma do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) tenha rejeitado o recurso dos advogados da família para aumentar o valor da indenização, a ialorixá e sua assessoria jurídica entendem que a festa tem de ser mantida, pois, ao julgar o recurso, a instituição ratificou sua decisão do ano passado, que condenou a igreja a pagar a indenização no valor de R$ 145,2 mil aos herdeiros, além de publicar no jornal Folha Universal o teor da sentença. O mérito da ação foi então mantido. A decisão saiu na última terça-feira.

O STJ julgou um embargo de declaração, recurso utilizado em situações que caracterizam omissões, obscuridades e lacunas em peças judiciais. O relator foi o desembargador Honilton de Mello. Os ministros do STJ decidiram não ser possível reformar a decisão anterior, ou seja, aumentar o valor da ação, por entenderem que a lei processual não permite este tipo de medida em embargos de declaração. A decisão permanece com o mesmo teor da que foi proferida em 16 de setembro do ano passado pelo tribunal.

Luta – Segundo a advogada Emília Gondim Teixeira, integrante da Associação de Advogados dos Trabalhadores Rurais do Estado da Bahia (AATR), entidade que assumiu a causa dos herdeiros de mãe Gilda, a comemoração é válida, pois, mesmo não tendo sido aumentado o valor, não cabe mais recurso da parte contrária. De acordo com Emília Gondim, ainda há um recurso a ser julgado, mas é o movido pelos advogados dos herdeiros, o que não deve postergar a execução da decisão do STJ.

A TARDE entrou em contato, por telefone, com a assessoria de comunicação da Iurd e enviou e-mail com o pedido de entrevista, como foi solicitado. Mas até o fechamento desta edição não houve resposta.

Povo-de-santo – Em 1999, a Folha Universal, jornal da Iurd, publicou uma matéria intitulada Macumbeiros charlatães lesam a vida e o bolso dos clientes, em que aparecia uma foto de mãe Gilda com uma venda nos olhos. A fotografia era de uma das mobilizações pelo impeachment de Fernando Collor ocorrida em Salvador e da qual mãe Gilda tinha participado.

Em 21 de janeiro de 2000, um dia após assinar a procuração para dar entrada no processo, mãe Gilda morreu por conta de um infarto. Sua filha biológica, Jaciara Santos, iniciou a luta por reparação, além de ter assumido o comando do terreiro. “Passei por dificuldades e muito sofrimento. Eu cheguei a perder o emprego de gerente de uma grande rede de supermercados aqui em Salvador, além de receber ameaças por telefone, mas não desisti”, conta Jaciara.

Em 2003, a ialorixá foi recebida em audiência pelo presidente Lula. “Essa vitória é de todo o povo-de-santo. A nossa luta mostrou que é possível ver a Justiça acontecer neste País, mesmo enfrentando um grupo tão poderoso”, afirmou a ialorixá. A vereadora Olívia Santana (PCdoB), autora do projeto de lei que criou, em Salvador, o Dia de Combate à Intolerância Religiosa, tendo mãe Gilda como símbolo, em 2004, também comemorou a decisão. “Agora muitos vão pensar duas vezes antes de adotar práticas de intolerância religiosa”, declarou.

O deputado federal Daniel Almeida, que, inspirado no projeto da sua colega de partido, conseguiu a aprovação do seu projeto de lei que criou o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, há dois anos, fez coro às comemorações pela decisão: “Acho que o STJ responde ao anseio da sociedade brasileira ao repudiar um ato de intolerância religiosa”.

Cláudia Barreto
Assessoria para Assuntos Internacionais
Universidade Federal da Bahia
Palácio da Reitoria - Rua Augusto Viana S/Nº
Salvador - Bahia - Brasil - Cep: 40110-060
Fone: ++ (55) (71) 3283 7030/ 7025 / 7068 / 7064
Fax: ++ (55) (71) 3283 7067
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Após mais uma vitória destas hoje vou aos pés de Ogún agradecer por mais um passo na luta pela reparação do povo de terreiro brasileiro. Parabéns Jacira, oxum há de trazer toda dignidade que este caso necessita pra você e seus familiares. Axé oo!! L'OMi.****


Alexandre L'Omi L'Odò.
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Todos os ritmos na Festa da Lavadeira

Foto: Mariana Lima/PE

Esta é mais uma publicação relativa ao registro das matérias de jornal que contemplam o Mestre Galo Preto e a história do coco. L'Omi.

Cabo de Santo Agostinho

Todos os ritmos na Festa da Lavadeira

Publicado em 01.05.2008, às 00h21

Do JC (Jornal do Comércio).

Frevo, samba-de-roda, tambor de crioula e coco são alguns dos ritmos presentes na 21ª edição da Festa da Lavadeira, que acontece nesta quinta-feira (1º) na Praia do Paiva, Litoral Sul do Estado. Quatorze municípios se reúnem durante o evento para mostrar no palco manifestações da cultura popular – um dos mais aguardados e curiosos, aliás, é o maracatu Nação Noronha, o único do arquipélago Fernando de Noronha.

O Palco da Mata recebe três grupos que representam ritmos tombados como patrimônios culturais no Brasil. O frevo está representado pelo Clube Carnavalesco Marim dos Caetés, que começa a tocar às 15h. Já o samba-de-roda, vindo da Bahia, terá vários mestres do gênero se apresentando a partir das 16h. O belo tambor de crioula, do Maranhão, vem logo a seguir. A noite será encerrada pelo Coco Raízes de Arcoverde, um dos mais antigos participantes do encontro anual.

Dois maracatus rurais debutam na festa conhecida pela quantidade de lama (a chuva é uma das presenças mais constantes da Festa da Lavadeira). O Maracatu Carneiro Manso e o Maracatu Rural Leão Africano vão apresentar primeiro a tradicional sambada e só depois a evolução dos caboclos de lança. Também estréiam no evento o Reisado de Boa Vista de Garanhuns, a Mazurca de Agrestina e o coco de Santa Luzia de Caetés, assim como Severino dos 8 Baixos, de Feira Nova, que faz dupla com o Mestre Arlindo dos Baixos. Outra dobradinha acontece com Ronaldo Aboiador e Aécio dos 8 Baixos, irmão de Arlindo.

Outros destaques: a imperdível voz de Galo Preto, representante do coco, com 65 anos dedicados ao ritmo, e o Reizado (sic) Imperial do Mestre Geraldo, que tem oitenta e três anos de idade. Outro veterano é Mestre Ferreira, que promete criar uma grande roda de ciranda com todos aqueles presentes na farra. Dois afoxés (o Omim Sabá e o Oyá Alaxé) realizam seu cortejo afro na festa, que começa às 10h da manhã e vai até o fim do dia.

*A foto não faz parte da matéria oficial, coloquei pra ilustra a bela participação do Mestre Galo Preto na Festa.

Alexandre L'Omi L'Odò.

Produção Mestre Galo Preto.

alexandrelomilodo@gmail.com

Peixinhos ganha edição especial do Quartas Literárias

Mais uma matéria com o Mestre Galo Preto. Quase a mesma do DP, mas com diferente texto.
Esta é uma postagem de conteúdo de registro, pois todas estas matérias escrevem o caminho do coco no Brasil. O Jornal do Comércio registra bem isso em seu conteúdo. L'Omi.

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Peixinhos ganha edição especial do Quartas Literárias

Publicado em 14.08.2007, às 12h15
Do JC OnLine

O Nascedouro de Peixinhos se transforma nesta quarta-feira (15) em palco de música, cinema e literatura. Todos podem conferir gratuitamente a partir das 19h a exibição dos premiados curtas-metragens Soneto do desmantelo blue e Clandestina felicidade. O evento conta ainda com a apresentação do poeta Oriosvaldo e show de coco de raiz e de mazurca com Mestre Galo Preto e o Tronco da Jurema.

O filme Clandestina felicidade (de Beto Normal e Marcelo Gomes) é uma ficção com fragmentos da infância da escritora Clarice Lispector, no Recife, em 1929. O curta mostra a paixão de Clarice pela leitura, seu olhar curioso e perplexo e a descoberta pessoal do mundo. Já Soneto do desmantelo blue (Cláudio Assis na direção) também é baseado na vida e obra de um poeta, o Pernambuco Carlos Pena Filho.

Quem apresenta o recital é um artista de Peixinhos, o Poeta Oriosvaldo de Almeida. Logo em seguida, a festa continua no ritmo do coco de raiz e de mazurca. Mestre Galo Preto, ou simplesmente Galo de Ouro como foi conhecido nas décadas de 50 e 60, é renomado repentista de coco, e já tocou ao lado de personalidades como Jackson do Pandeiro, Cauby Peixoto, Preto Limão, Arlindo dos Oito Baixos e Luiz Gonzaga.

PROJETO - A iniciativa é uma realização da Associação de Amigos do Nascedouro em parceria com o Centro de Cultura Luiz Freire. O projeto Quartas Literárias existe há 7 anos e atualmente tem apoio do Ministério da Cultura, através do programa Cultura Viva.

SERVIÇO:
Quartas Literárias no Nascedouro
Quarta (15), das 19h às 22h
Av. Jardim Brasília, s/n, Peixinhos, Olinda
Acesso gratuito
Informações: (81) 3244.3325

Alexandre L'Omi L'Odò.
Produção Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

Mestre Galo Preto nas Quartas Literárias 2007.

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Posto esta matéria do Diário de Pernambuco apenas a título de registro desta apresentação do Mestre Galo Preto no Nascedouro de Peixinhos no dia 15 de agosto de 2007. Este foi um evento realizado pela AAN- Associação Amigos do Nascedouro e o CCLF.


14/08/2007 | 17h06 | Olinda.
Quartas literárias tem cinema, poesia e música


Literatura, música e cinema nesta quarta-feira (15), no Nascedouro de Peixinhos, em Olinda. A programação é promovida pela Associação de Amigos do Nascedouro, em parceria com o Centro de Cultura Luiz Freire. O evento Quartas Literárias é realizado uma vez por semana, das 19h às 22h.

Nesta quarta, serão exibidos os premiados curtas-metragens Soneto do Desmantelo Blue” (Direção: Cláudio Assis) e Clandestina Felicidade (Direção: Beto Normal e Marcelo Gomes). Outras atrações são recital de poesias com apresentação do poeta Oriosvaldo e show de coco de raiz e de mazurca com Mestre Galo Preto e o Tronco da Jurema. O acesso é gratuito.

Serviço:
Quartas Literárias no Nascedouro
15 de agosto (quarta-feira), das 19h às 22h
Acesso gratuito
Nascedouro – Av. Jardim Brasília, s/n, Peixinhos, Olinda.
Informações: 3244-3325
Da Redação do PERNAMBUCO.COM

Foto: Alexandre L'Omi L'Odò.

Alexandre L'Omi L'Odò.
Produção Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

Balaio de todos os sons na 8ª feira da Música, com o Mestre Galo Preto.

Balaio de todos os sons na 8ª Feira da Música
20 Ago 2009 - 02h17min

Em sua oitava edição, a Feira da Música abre oficialmente sua programação de shows nesta quinta-feira (20), em três locais de Fortaleza: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Praça Verde e Espaço Rogaciano Leite Filho), Sesc-Senac Iracema e Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (CCBNB).

Cada palco sendo destinado a um estilo musical, na Praça Verde - Palco Brasil Independente - a maratona de apresentações traz logo mais, a partir das 19h30min, os sons de Sambahempclube (CE), Érika Machado (MG), Soatá (DF), Mestre Galo Preto (foto, PE) e Marku Ribas (MG).

Já no Palco Instrumental, situado no Espaço Rogaciano Leite Filho, fazem show a Orquestra Grupo Pão de Açúcar (CE), Alderley Rocha (CE), Projeto Peixes (CE) e Kaoll & Lanny Gordin (SP), com início às 19 horas. Cinco shows marcam a programação no Sesc-Senac Iracema (Palco Rock é Rock Mesmo), também no mesmo horário - The Drunks, Baby! (CE), Conjunto Roque Moreira (PI), Plástico Lunar (SE), Sweet Fanny Adams (PE) e Trilobit (PR) - enquanto no CCBNB-Fortaleza (Palco da Diversidade), já a partir do meio-dia, sobem ao palco as bandas Êita Piula (PI), Atomic Bomb Watcher (CE), Marcos Maia Trio (CE), Músicas Intermináveis Para Viagem (RS) e Gunjah Reggae Band (PB).

Para além dos shows, o evento ainda abre espaço para o Encontro Internacional da Música, que reúne oficinas, palestras, painéis, aulas-espetáculo, entre outras atividades, além da exposição da indústria de equipamentos, instrumentos e serviços, todos ocorrendo no Centro de Negócios do Sebrae-CE.

Dentre os painéis, destacam-se os temas Políticas Públicas para Música, com Thiago Cury (SP); Tecnologia e Indústrias Criativas, com representantes da Nokia Music Services, Terra Sonora e Imúsica.; e Gestão de Equipamentos Culturais.


SERVIÇO
Feira da Música 2009 - Ate sábado (22), no Centro de Negócios do Sebrae-Ce, Centro Dragão do Mar, Sesc-Senac Iracema, CCBNB-Fortaleza e Shopping Solidário Bom Mix. Grátis. Outras info.: (85) 3262 5011 / www.feiradamusica.com.br

Alexandre L'Omi L'Odò.
produção Mestre Galo Preto.
alexandrelomilodo@gmail.com

Mestre Galo Preto no Jornal O Povo do Ceará.

Música e independência

Com uma programação marcada por atrações de peso, a oitava edição da Feira da Música de Fortaleza se consolida como um dos eventos mais fortes da cena independente no Brasil

Luciano Almeida Filho
lucianoalmeida@opovo.com.br
19 Ago 2009 - 00h58min
Foto: DIVULGAÇÃO


Começa amanhã (20) a maratona de apresentações da oitava edição da Feira da Música, trazendo uma série de nomes absolutamente imperdíveis para quem é ligado em música brasileira de qualidade. A Feira sempre foi um evento surpreendente. Mesmo quando na lista das atrações, a maior parte dos nomes lhe parecessem absolutamente desconhecidos, quase sempre havia uma boa surpresa com ótimos shows, entre revelações e descobertas.

Desta vez a programação traz nomes fundamentais da música brasileira como o mineiro Marku Ribas e o paulistano Lanny Gordin, verdadeiros ícones cult. Sem falar em nomes que foram considerados revelações recentes em seus estados como a mineira Érika Machado, a paulistana Anelis Assumpção (filha de Itamar Assumpção), os pernambucanos da Academia da Berlinda, o trio paulistano Mamelo Sound System, entre outros. Isso sem falar na forte representação das tradições pernambucanas e maranhenses, com o centenário Maracatu Estrela Brilhante de Igarassú e o Mestre Galo Preto (PE), e o sensual Cacuriá de Dona Teté e Tambor de Crioula do Laborarte (MA).

Marku Ribas é daqueles artistas super reconhecidos no exterior e praticamente um nome no ostracismo para o grande público brasileiro. Lá fora seus antigos vinis são itens de colecionadores que pagam centenas de dólares por um exemplar raro. Com a edição do CD Zamba Ben (2007), a trajetória deste mineiro com mais de 40 anos de carreira nacional e internacional voltou a ser reconhecido por aqui com sua mistura única e original de samba-rock com balanços afro-caribenhos e fartas porções de improvisos do jazz.

O guitarrista paulistano Lanny Gordin é uma lenda viva do Tropicalismo. Suas gravações com Caetano Veloso, Gilberto Gil e, principalmente, Gal Costa e Jards Macalé são consideradas antológicas. O CD Lanny Duos (2007) trouxe o veterano fera da guitarra em duetos com antigos parceiros e novos discípulos. Para as apresentações na Feira, Gordin vem com a formação do Kaoll (projeto do guitarrista Bruno Moscatiello), que juntos já lançaram o CD Horizontes Ao Vivo.

Com músicas gravadas por intérpretes como Ney Matogrosso, Maria Rita e Zélia Duncan, o fluminense Fred Martins é uma atração da Feira já conhecida dos palcos cearenses. Chega a Fortaleza, depois de temporada na Europa, para mostrar composições de seu novíssimo CD Guanabara, além de seus êxitos anteriores. Outra conhecida é a banda pernambucana Academia da Berlinda, trazendo sua mistura de guitarradas paraenses, ritmos latinos e tangenciada no brega cheio de humor presente no ótimo CD de estreia homônimo.

Para quem se liga nas boas vozes femininas, a mineira Érika Machado e a paulistana Anelis Assumpção são duas grandes representantes da novíssima geração. Érika lançou em 2006 o CD No Cimento, com produção de John Ulhoa (Pato Fu) trazendo uma música pop inteligente e poética. Filha de Itamar Assumpção, Anelis reverencia a obra do pai mas também se revela como compositora e se prepara para lançar seu primeiro CD ainda este ano, com seu trabalho autoral.

Vale sempre a pena ficar até a última apresentação, porque o encerramento é sempre uma celebração comunitária ao ritmo dos tambores do maracatu pernambucano, bois e cacuriá vindos do Maranhão, onde todo mundo cai na dança.

Leia programação da Feira da Música 2009 no
www.opovo.com.br/conteudoextra

Matéria do Diário de Pernambuco de 25 de agosto de 2009, Galo Preto na Feira da Música, Fortaleza.

Matéria do Diário de Pernambuco de 25 de Agosto de 2009.
Mestre Galo Preto na Feira da Música, Fortaleza, marcou presença forte e foi homenageado por diversos artistas do Brasil todo nos palcos do evento.

A retomada da carreira do Mestre corre bem no cenário nacional, abrindo uma discussão forte no papel dos artistas tradicionais no mercado e indústria cultural e fonográfica brasileira. Sendo assim, Galo preto assume protagonismo no meio destas discussões que transcendem as barreiras nacionais.

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Fora do mercado do jabá.

CEARÁ // Feira da Música 2009, realizada em Fortaleza, abrigou rodas de negócios e show de atrações mais independentes

*André Dib
andre.dib@diariosassociados.com.br


Após cinco dias e dezenas de encontros e shows, a Feira da Música 2009 encerrou sua programação no último sábado, em Fortaleza.

Galo Preto, derradeiro detentor de um estilo surgido no Quilombo de Santa Isabel, em Bom Conselho, está em campanha para retomar a carreira. Foto: Laila Santana/Divulgação
Entre os vários cenários, o Sebrae foi a sede das discussões, seminários, rodadas de negócios e feira de produtos e serviços. Sessenta artistas de dezessete estados e da Argentina convergiram em cinco palcos na área central da cidade. Atrações que, por estarem fora da grande mídia, costumamos classificar como independentes, no sentido de não manter contrato com gravadoras, distribuidoras ou divulgadoras.

Por outro lado, durante o evento ficou claro que esse mercado "independente" só pode existir porque depende de organização articulada e cooperativa. E a Feira do Ceará representa mais um passo nesse sentido, pois serviu de abrigo para um fórum sobre a Rede Música Brasil, proposta de política pública para o setor musical elaborada pela Funarte/MinC a partir de discussões com o segmento.

De acordo com Ivan Ferraro, este foi o assunto mais falado não só nas reuniões, mas também nos corredores. "Não podemos perder a oportunidade de fazer um pacto com todos os atores, que antes trocavam farpas pelas costas, como por exemplo, a Associação Brasileira de Compositores e o movimento Música Para Baixar, a Associação Brasileira dos Produtores de Disco e o Circuito Fora do Eixo. Aqui a gente discute na frente um do outro. Apesar das dificuldades, esperamos maturidade para manter a posição firme de construir uma política para a música brasileira". Tudo indica que a Rede Música Brasil, que começou a engatinhar em junho (no último Porto Musical), seja oficialmente anunciada no fim do ano, durante a Feira Música Brasil, no Recife.

Integrante da Associação Brasileira de Festivais Independentes, outra função positiva da Feira da Música 2009 é a de apresentar novos talentos e dar espaço para artistas veteranos que ficam de fora do mercado movido a jabá. Foram cinco palcos em atividade quase simultânea, o que levou a reportagem ao difícil exercício da escolha.

Oveterano Marku Ribas, que já gravou com Mick Jagger e abriu para James Brown, apresentou na quinta um som presença, regado a samba, black music e outros grooves. Com ele estava Nenem, do Clube da Esquina, um dos maiores bateristas do Brasil. Também de Minas, marcaram presença Erika Machado, Black Sonora e Babilak Bah (um George Clinton tupiniquim).

Um dos momentos marcantes da noite de sexta foi o show de Anelis Assumpção. No Recife, ela esteve no Rec Beat 2007, com a banda Isca de Polícia. Agora investe em carreira solo. Provocou logo de início, com a percussão vocal do pai (Itamar Assumpção) sampleada. "Bem que meu pai avisou", canta a garota. A música se chama Mulher segundo meu pai, do próprio Itamar, de quem Anelis ainda cantou Negra melodia. Dos Beatles, ela fez boa versão para I want you (she's so heavy).

Um pouco antes, o grupo argentino Los Cocineros colocou muita gente para dançar com ritmos novos e antigos alegres e acelerados. No palco rock, a sergipana Plástico Lunar injetou adrenalina na veia roqueira dos anos 70. Banda-irmã da Mopho, de Alagoas, é difícil compreender porque nenhum produtor ainda não a trouxe para um show no Recife.

Os artistas de Pernambuco não fizeram feio. Todos foram bem recebidos pelo público. Academia da Berlinda (que encerrou o evento no sábado à noite), Sweet Fanny Adams, Saracotia e Mestre Galo Preto, de Olinda. Esbanjando simpatia, de roupas e chapéu branco, Galo Preto circulou em todos os dias da feira. Derradeiro detentor de um estilo surgido no Quilombo de Santa Isabel, em Bom Conselho, ele está em plena campanha para retomar a carreira, interrompida nos anos 90 após um incidente cujos detalhes serão revelados no documentário O menestrel do coco, de Wilson Freire.

Fora da programação oficial, A Banda de Joseph Tourton tocou na noite "pocket" promovida pelo Coquetel Molotov no Bar Órbita. Os DJs 440 e Incidental participaram de festas oficiais e encontro de DJs. Além disso, o apresentador Roger de Renor e os produtores Melina Hickson, Lú Araújo, Ana Garcia, Leo Antunese José Oliveira participaram de encontros e rodadas de negócios.

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Alexandre L'Omi L'Odò.
Produção Mestre Galo Preto.
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 16 de agosto de 2009

Mestre Galo Preto na Feira da Música 2009- Fortaleza, Ceará.

Foto: Mateus Sá/PE

O mais sofisticado coco brasileiro vai estar no palco principal da Feira da Música 2009. O show promete conquistar a crítica e a platéia com a genialidade e sagacidade dos 65 anos de coco do Mestre Galo Preto.

As culturas tradicionais estão no caminho certo. Agitar o mercado fonográfico e cultural brasileiro é uma perspectiva da produção do Mestre Galo Preto, que com visão e atitude trabalha para obter maior visibilidade na indústria musical nacional.

Cultura tradicional, popular, etnica ou mundial, tem valor estético e qualidade, tem cara, e forte condição de fundar seu próprio mercado no mundo, coisa que aos poucos vem sendo produzida em Pernambuco com seus Mestre e Mestras dos saberes fundadores da música local.

*Em agosto a Feira da Música chega à oitava edição

De 19 a 22 de agosto um dos principais eventos da música independente do país acontece em Fortaleza. Com o tema Música, Novas Tecnologias e Ambientes na Web, a Feira da Música chega à oitava edição consolidada, atraindo toda a cadeia produtiva da música, que encontra no evento uma importante ponte de acesso a novos mercados dentro e fora do país. A Feira da Música é uma realização da Associação dos Produtores de Discos do Ceará (PRODISC) em parceria com o Sebrae-Ce, numa promoção da Prefeitura de Fortaleza, patrocínio do Banco do Nordeste e BNDES, apoio cultural do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), e apoio institucional da Ministério da Cultura.

Com acesso gratuito em todas as atividades, a Feira da Música acontece no Centro de Negócios do Sebrae-Ce, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), SESC SENAC Iracema, Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) e Shopping Solidário Bom Mix. O Sebrae recebe a exposição da indústria de equipamentos, instrumentos e serviços. É lá também onde acontece o Encontro Internacional da Música, com oficinas, palestras, painéis, entre outras atividades.

Novidades nos espaços de shows

Nos espaços das apresentações artísticas, algumas novidades: Além do Palco Rogaciano Leite no espaço sob a passarela do CDMAC, que anualmente já abriga a programação Instrumental Nordeste, a Feira da Música leva para a Praça Verde do Dragão do Mar o palco Brasil Independente, com shows que vão do pop ao maracatu. Outra novidade é a programação no SESC SENAC Iracema, ao lado do CDMAC, para onde a Feira leva o palco Rock é Rock Mesmo.

Com exceção do Palco Mix Brasil, no Shopping Solidário Bom Mix, que terá programação somente na sexta e no sábado, 21 e 22, a partir das 19h30, nos outros espaços os shows acontecem de quinta a sábado, 20 a 22. No Palco da Diversidade, no CCBNB, a programação será do meio-dia às 19 horas. Terminando no BNB, começa o som nos outros palcos.

A Feira da Música é um grande espaço do mercado musical, com shows, rodada de negócios, oficinas, conferências, lançamentos, exposição da indústria de equipamentos, instrumentos e serviços, representando um importante pólo de discussão, divulgação e intercâmbio da produção musical, da indústria fonográfica e das mais diversas áreas que compõem a cadeia produtiva da música.

Encontro Internacional da Música

Um dos pontos altos da Feira, o Encontro Internacional da Música é espaço de discussão e formação nas mais diversas áreas com painéis, palestras, oficinas, aulas-espetáculos e workshops. Entre as atividades que vão marcar a programação do Encontro este ano, estão os painéis “Políticas Públicas para Música”, com Thiago Cury (SP); “Tecnologia e Indústrias Criativas”, com os representantes da Nokia Music Services, Adrian Harley e Cleiton Campos, do Terra Sonora – Portal Terra, Beni Goldenberg (SP), e da Imúsica – Idéias Net, Felippe Llerena (RJ); e “Gestão de Equipamentos Culturais”. Deste participam Pena Schmidt, do Auditório do Ibirapuera (SP), Maninha Morais, do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, e Henilton Menezes, do Centro Cultural Banco do Nordeste, ambos do Ceará.

Músicos que estarão nos palcos da Feira da Música também passam seus conhecimentos em aulas-espetáculos no Encontro. É o caso de Kaoll & Lanny Gordin (SP), do Octeto de Saxofones da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN) e de Fabrício Conde (MG), com aula-espetáculo de viola caipira.

Também no Encontro, oficinas que anualmente atraem grande público, como a de Musicografia Braille, ministrada por Nilton Cunha (PE) e novas oficinas, como a de Rádio Web Livre, com Tiago Oliveira (RS) e Teatro: um instrumento musical, com Tuka Villa Lobos (DF) e Gito Sales (MG).

Outra novidade na programação do Encontro é o grupo de trabalho de Assessoria de Gestão para Artistas e Grupos Musicais. Nele serão abordados temas como “Estruturação e Planejamento” (com Alessandra Leão e Jô Maria – PE), “Como se comportar no Mercado Fonográfico: dicas práticas de como produzir e divulgar seu trabalho” (com Rodrigo Lariú – RJ) e “Toque no Brasil – Capacitação articulação e realização de turnês” (com Sérgio Ugeda – RJ).

Os lançamentos também compõem a programação do Encontro, tendo como espaço o Café Musical, no Sebrae. Entre os que vão acontecer este ano, “Um inventário luminoso ou um alumiário inventado: uma trajetória humana de musical formação” (Elvis de Azevedo Matos), “Ah, se eu tivesse asas!” (Maria Izaíra Silvino Moraes) e “Pessoal do Ceará: Hábitos e Campo Musical na década de 1970” (Pedro Rogério), todos estes lançamento da Universidade Federal do Ceará (UFC), com uma apresentação resumida sobre a Memória da Música Cearense, por Pedro Rogério.

Nos palcos da Feira

A música independente do Nordeste, Norte, Centro Oeste, Sudeste e Sul do Brasil estará nos palcos da 8ª Feira da Música, que receberá também uma representante da Argentina. São cerca de 60 atrações, que mostram ao público os mais diversos sons, do regional ao jazz, passando pelo rock, MPB, experimental, pop eletrônico e tantos outros novos sons que marcam a música que se faz hoje Brasil e mundo a fora. Na programação, grupos do Ceará, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe e São Paulo. Da Argentina, participa Los Cocineros, que mistura o humor com o rock, pop, bolero, tango e cumbia.

As comunidades na Feira

A integração com as comunidades dos bairros vem sendo uma ação constante da Feira da Música. Com atividades na Praia de Iracema e no Bom Jardim, a Feira integra moradores com a realização de oficinas preparatórias. Algumas capacitam para a realização de atividades durante o evento, como bartender, customização e roadies. Para os jovens de 12 a 17 anos da comunidade do Poço da Draga, a Feira vai promover uma oficina de grafitagem, que será realizada durante dez dias, no período que antecede o evento. Desta oficina vão participar dez jovens selecionados pela associação dos moradores, a AMPODRA, proporcionando a estes adolescentes a oportunidade de se expressarem por meio dessa arte. Durante a feira, esses artistas vão “grafitar” o muro da rua Almirante Jaceguay, esquina com a avenida Monsenhor Tabosa, que é o muro da ladeira na descida para o Centro Dragão do Mar.

Por se tratar de um evento que atrai uma população numerosa para seus diversos espaços, a Feira da Música terá este ano uma ação mais efetiva na questão ambiental, por meio da coleta seletiva de resíduos orgânicos e inorgânicos. Treinamentos e oficinas de reciclagem serão realizados, prioritariamente, com moradores das comunidades da Praia de Iracema e do Bom Jardim que, durante a Feira, vão trabalhar nos setores como limpeza e lanchonetes. O lixo inorgânico será direcionado para a Associação de Catadores do Jangurussu (ASCAJAN). O orgânico será destinado ao NEPPSA, projeto de extensão da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Este é um projeto piloto desenvolvido na Feira da Música, em articulação com a SEMACE e o Grupo Especializado em Resíduos (GERE), e que poderá vir a ser implantado pelo Sebrae em outros eventos.

SERVIÇO

FEIRA DA MÚSICA 2009 – De 19 a 22 de agosto de 2009 em Fortaleza, Ceará. Informações: (85)3262.5011. www.feiramusica.com.br.

PROGRAMAÇÃO DE SHOWS

PRAÇA VERDE (CDMAC)

Palco Brasil Independente – A partir das 19h30

Dia 20

Encarne (CE)

Sambahempclube (CE)

Erika Machado (MG)

Soatá (DF)

Mestre Galo Preto (PE)****

Marku Ribas (MG)

Maracatu Estrela Brilhante de Igarassú (PE)

Dia 21

Ska Brothers (CE)

Anelis Assumpção (SP)

Los Cocineros (ARG)

A Roda (PE)

Sobrado 112 (RJ)

Chico Correa & Eletronic Band (PB)

Tambor de Crioula do Laborarte (MA)

Dia 22

Fulô da Aurora (CE)

Babilak Bah (MG)

Mamelo Sound System (SP)

Fê Paschoal (ES)

PALCO ROGACIANO LEITE (CDMAC)

Palco Instrumental Nordeste – A partir das 18h30

Dia 20

Orquestra Grupo Pão de Açúcar (CE)

Caninga Trio (RN)

Projeto Peixes (CE)

Kaoll e Lanny Gordin (SP)

Dia 21

Orquestra Cidade da Arte (CE)

Bas Cobis (SP)

Chega Chora (CE)

Fabrício Conde (MG)

Floresta Sonora (PA)

Dia 22

Alunos Oficinas de Braile

Cia Vidança (CE)

Saracotia (PE)

Arlequim Dourado (CE)

Octeto de Saxofones da EMUFRN (RN)

SESC SENAC IRACEMA

Palco Rock é Rock Mesmo – A partir das 19h

Dia 20

The Drunks Baby! (CE)

Conjunto Roque Moreira (PI)

Plástico Lunar (SE)

Sweet Fanny Adams (PE)

Trilobit (PR)

Dia 21

Porcas Borboletas (MG)

Neto Lobo e a Cacimba (BA)

Drive Sex (CE)

Os Poetas Elétricos (RN)

Roadsider (CE)

Malditas Ovelhas! (SP)

Dia 22

Volúpia (CE)

Nublado (PB)

Alegoria da Caverna (CE)

R.Sigma (RJ)

Dago Red (CE)

Gilbertos Come Bacon (DF)

CENTRO CULTURAL BNB

Palco da Diversidade – A partir das 12h

Dia 20

Êita Piula (PI)

Atomic Bomb Watcher (CE)

Marcos Maia Trio (CE)

Músicas Intermináveis para Viagem (RS)

Gunjah Reggae Band (PB)

Dia 21

Tutu com Ovo (ES)

Grupo de Flautas da UFC (CE)

Uro (CE)

Batuque Elétrico (PI)

Fred Martins (RJ)

Dia 22

Validuaté (PI)

Arsenal da Rima (CE)

Banda Tricor (RN)

Opanijé (BA)

SHOPPING SOLIDÁRIO BOM MIX

Palco Mix Brasil – A partir das 19h30min

Dia 21

Black Sonora (MG)

Fe Paschoal (ES)

Mamelo Sound System (SP)

Academia da Berlinda (PE)

Dia 22

Rosa Reis (MA)

Anelis Assumpção (SP)

Erika Machado (MG)

Soatá (DF)

31/07/2009

DÉGAGÉ

Assessoria de Imprensa

Jornalistas Responsáveis: Sônia Lage e Eugênia Nogueira

degage@degage.com.br / www.degage.com.br

(85)3252.5401 / 9989.5876 / 9989.3913

*Fonte: www.feiradamusica.com.br

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*A participação do Mestre Galo Preto na Feira da Música 2009 marca um novo momento em sua carreira, ele agora está voltando aos palcos do Brasil, levando o mais sofisticado Coco que temos na indústria fonográfica cultural mundial.

www.myspace.com/mestregalopreto

Visite: www.nacaocultural.pe.gov.br/mestregalopreto <--baixe nossas músicas aqui!.

Alexandre L'Omi L'Odò

alexandrelomilodo@gmail.com

Produção Mestre Galo Preto

sábado, 15 de agosto de 2009

Cinquenta Dias a Bordo de um Navio Negreiro.


UM LIVRINHO REALMENTE TERRÍVEL!

Não! Calma! Não vou falar de nenhum livro que anda aí anunciado pra virar best-seller, não! Eu, hein!? "Quem refresca bico de pato é lama" - já dizia minha Tia Sinhá. E "beira de penico não é cocada!", como repetia Vó Maria.

Quero falar de um livrinho de bolso, com apenas 121 páginas, definido como "terrível" no prefácio do mestre Alberto Costa e Silva, historiador que aprendeu, in loco, a amar a África, seus filhos, netos e bisnetos, mesmo os "misturados".

O livro chama-se "Cinqüenta dias a bordo de um navio negreiro", foi escrito pelo reverendo inglês Pascoe Greenfell Hill, narra acontecimentos passados a bordo de um navio negreiro capturado quando vinha de Moçambique para o Brasil, em 1842, já depois de proibido o tráfico atlântico.

Nele, a gente lê coisas assim:

"A tempestade aproximou-se, e eu e outros que estavam deitados no tombadilho recebemos o aviso através de pesadas gotas de chuva. A isso se seguiu uma cena de horror que é impossível descrever".

A cena descrita é a de cerca de 500 escravos se atropelando em busca de abrigo no exíguo porão do navio, o qual de tão quente emanava fumaça. Empurra daqui, pisa da li, o resultado foi esse:

"A previsão do espanhol sobre ontem à noite foi tristemente verificada hoje de manhã. Cinqüenta e quatro corpos esmagados e lacerados foram içados do tombadilho dos escravos trazidos para o passadiço e jogados ao mar."

Brabeza, esse tipo de cena se repete diversas vezes ao longo do livro. E o que é pior: vitimando dezenas de crianças e jovens mulheres indefesas.

Estamos lendo e ainda não chegamos ao fim do livrinho. Mas podemos garantir que é uma das coisas mais brabas que já lemos até hoje. Brabas como as que, por razões semelhantes (cobiça, busca de lucros fáceis, desumanidade, arrogância, complexo de superioridade etc.) ainda se repetem por aí, vez por outra, neste país grande, que não é de bolso, nem é de papel. Mas que é racista - é sim -, não temos a mínima dúvida!


*Cinqüenta dias a bordo de um navio negreiro' traz o relato do reverendo Pascoe Granfell Hill (1804-1882), que, em meados do século XIX, acompanhou a Marinha britânica na captura de um navio que transportava escravos negros para o Brasil. A liberdade, no entanto, só viria depois de uma outra longa jornada, na qual os africanos continuariam vivendo em condições precárias e de semi-servidão; na viagem que Hill descreve neste seu diário, entre Quelimane e Cidade do Cabo, 163 das 444 pessoas - das quais 213 eram crianças - que se encontravam nos porões. Em uma passagem particularmente forte, Hill descreve a imagem da manhã seguinte a uma tempestade em alto mar, na qual quatrocentos negros, teoricamente livres, foram obrigados a ocupar um porão de 70 m²...

Título: Cinquenta dias a bordo de um navio negreiro
Título Original:
Subtítulo:
Autor: Pascoe Grenfell Hill
Tradução:
Editora: Jose Olympio
Assunto: Relatos De Viagens E Aventura
ISBN: 850300884X
Idioma: Português
Tipo de Capa: BROCHURA
Edição: 1
Número de Páginas: 124
Valor: R$: 19.90

Texto extraído do Blog Meu Lote do companheiro e professor Nei Lopes.
Pesquisa de mercado e adaptação: L'Omi.

Alexandre L'Omi L'Odò.
Lendo...

Candomblé de SP é tombado como Patrimônio Imaterial do Estado.

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Republico aqui a matéria postada em 21 de Julho de 2009, no site Meu Lote, do grande companheiro Nei Lopes, que trata da sanção da lei estadual que tombou o Candomblé do estado de São Paulo como patrimônio imaterial do Estado, ação protagonizada pelo Deputado estadual
Gilberto Palmares, que foi sancionada por Luiz Fernando Pezão, Governador em exercício.
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CANDOMBLÉS EM FESTA!
PALMARES PROPÕE E PEZÃO SANCIONA LEI DE TOMBAMENTO

A denominação “candomblé” é o termo genérico com que, no Brasil, a partir da Bahia e desde o início do século 19, se designa o culto aos orixás jeje-nagôs (iorubanos e daomeanos, oriundos da região corresponde ao sudoeste da Nigéria e sudeste do Benin) bem como algumas formas dele derivadas, manifestas em diversas “nações”. Por extensão, o nome designa também a celebração, a festa dessa tradição; e a comunidade onde se realizam essas festas. Ex: “Hoje tem ‘candomblé’ no Candomblé de F.”

A modalidade original do candomblé consiste em um sistema religioso autônomo e específico que ganhou forma e se desenvolveu no Brasil, a partir da Bahia, com base em diversas tradições religiosas de origem africana, notadamente da região do Golfo da Guiné. Já os candomblés bantos, de rito “congo” ou “angola” e como tal referidos (“o congo”; “o angola”), são modalidades de culto nos quais prevalece a utilização de linguagem crioulizada originária respectivamente do quicongo e do quimbundo, línguas do grupo banto, faladas no Congo e em Angola. Estruturalmente, os símbolos e práticas desses candomblés pouco diferem daqueles usados nos candomblés de matriz nagô ou iorubana; e, recentemente, alguns estudos vêm desvendando aproximações suas com o universo dos antigos terreiros jejes. Entretanto, as similaridades desses candomblés com outras expressões da religiosidade banta, no Brasil e nas Américas, apenas são perceptíveis, pelo menos aparentemente, no âmbito da linguagem.

Outras modalidades de culto, como o batuque gaúcho, o xangô pernambucano, a mina maranhense, a umbanda etc., são caudatárias da matriz jeje-nagô, porém muitas vezes entrecruzada, essa matriz, com substratos bantos. Nesse particular, veja-se que a própria denominação “candomblé” (da mesma extração de "candombe") parece ter como étimo o termo multilingüístico banto kiandombe ou ndombe, significando “negro”.

Vejamos agora que o protótipo da espécie de comunidade religiosa hoje conhecida como “candomblé” foi o chamado “Candomblé da Barroquinha”, casa de culto implantada em Salvador, Bahia, no bairro central que lhe empresta o nome, por volta de 1789. Antepassado do atual Ilê Axé Iyá Nassô Oká, conhecido como “Casa Branca do Engenho Velho da Federação” ou simplesmente “Casa Branca”, esse terreiro foi fundado no momento histórico em que se verificavam os primeiros ataques daomeanos ao Reino de Queto (Ketu) – quando foram feitos cerca de 2000 cativos – e com o desembarque maciço na Bahia dos primeiros escravos dessa região.

Segundo a tradição oral, antes de seu efetivo estabelecimento, os futuros fundadores tinham-se aproximado dos cultos mantidos por africanos de nação Grunce ou Grunci, no bairro da Boa Viagem, na localidade de Dendezeiros, atual Vila Militar. Suas origens físicas remontam a uma casa, na Ladeira do Berquó ou na Rua da Lama, ambas hoje denominadas “Visconde de Itaparica”, erguida em terreno arrendado a um casal de proprietários brancos filiado à Confraria de Nossa Senhora da Piedade da Igreja da Barroquinha, fundada por crioulos e africanos da Costa da Mina em 1764.

Em seu magnífico trabalho sobre as origens do terreiro, o historiador baiano Renato da Silveira (O candomblé da Barroquinha: processo de constituição do primeiro terreiro baiano de queto. Salvador, Edições Maianga, 2006) conclui, com relativa certeza o seguinte: que, por volta de 1789 membros da família Arô, da linhagem real de Queto, e aliados, instituíram, nas cercanias da Igreja da Barroquinha, um culto doméstico a Odé Oni Popô (uma das manifestações de Oxossi) e, logo depois, também a Airá Intilê (um avatar de Xangô). Firmou-se, então, um acordo político ou aliança, que fez surgir o modelo de candomblé até hoje vigente, o qual, em vez de ser local de culto a uma só divindade, como o “calundu” colonial, concentra vários cultos a divindades de procedências diversas. Entretanto, por volta de 1807, após o arrendamento de um terreno situado atrás da igrejinha, por divergência de idéias, esse grupo transferiu-se para a localidade suburbana de Matatu de Brotas, onde, além dos orixás já cultuados, assentou também os fundamentos de Oxumarê, permanecendo os fiéis da Barroquinha devotados, ao que parece, principalmente ao culto de Airá Intilê. O terreiro suburbano deu origem ao conhecido Candomblé do Alaqueto e o do centro, à atual Casa Branca, mais tarde transferida para a localidade do Engenho Velho.

Vejamos finalmente que, desde pelo menos a década de 1870, por diversas razões históricas, o intercâmbio entre as comunidades negras na Bahia e no Rio de Janeiro foi intenso, dele nascendo, quase ao mesmo tempo, algumas importantes casas de culto em Salvador e na “Pequena África” carioca (eixo Praça Onze-Praça Mauá atuais), como foi o caso do venerando Ilê Axé Opô Afonjá e de outros axés históricos, como o de João Alabá.

Diante de toda essa monumental história, nada mais gratificante, então, que ler nos jornais cariocas deste fim de semana, que a lei de tombamento da religião do candomblé como patrimônio imaterial do Estado, proposta por nosso deputado e amigo Gilberto Palmares acaba de ser sancionada por Luiz Fernando Pezão, governador em exercício. E isto, no momento em que, por baixo do imenso caldeirão onde borbulha o mungunzá (denguê, pro povo nagô), vem crescendo uma revolução silenciosa, comandada por Ifá, o orixá do saber e da inteligência, retornado ao Brasil em 1991, depois de um longo exílio.

Mas isso é uma outra história.


*Fonte: blog meu Lote (www.neilopes.blogger.com.br).
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sentindo-me insitado à contribuir no campo da legitimação oficial das tradições que vivencio e pratico (Jurema Sagrada e Xangô) em meu Estado, àpartir da leitura desta notícia brilhante, que iluminou mais ainda meu pensamento, proponho a Pernambuco e a seus movimentos religiosos, instigar a realização do mesmo ato protagonizado pelo Deputado estadual Gilberto Palmares em sua assembléia, aqui. Vamos Tornar a Jurema Sagrada patrimônio de Pernambuco, assim como nossa Nação Nagô pernambucana/recifense.

*{Observação sobre o texto: Todo discurso sobre o retorno do ifá em 1991, sitado por Nei, casou-me desconforto. Sabendo que Ifá sempre teve seu lugar extremamente preservado dentro do Culto Nagô pernambucano, como poderia orunmilá ter saído do Brasil assim tão ilogicamente? Ifá está em Pernambuco, podem vir ver!}*.

Alexandre L'Omi L'odò
Quilombo cultural Malunguinho
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