sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A Cultura Popular de Pernambuco no limbo do respeito e do reconhecimento - Revolta com a morte do mestre Zé Neguinho do Coco

Zé Neguinho do Coco. Foto de Josuel Santana.

A Cultura Popular de Pernambuco no limbo do respeito e do reconhecimento
Revolta com a morte do mestre Zé Neguinho do Coco

Revolta é meu nome desde ontem quando recebi uma ligação em meu celular do companheiro Zé Brown informando de forma triste o falecimento e enterro já consumado do grande e histórico cantador Zé Neguinho do Coco. Até quando vamos calar perante o racismo, omissão, desumanidade do Estado que finge fazer políticas culturais para cultura popular? Até quando?

Observo que a fatalidade ocorrida com Zé Ne
guinho, vai acontecer ainda com muitos grandes mestres e mestras pernambucanos que se encontram hoje desprezados completamente no limbo dos editais de shows e dos cachês subalternizadores... A forma como se procedeu o fato do mestre Zé, aponta claramente para onde está nosso problema: A ausência concreta de políticas públicas específicas de valorização da cultura popular e seus mestres e mestras...

Cadê a materialização do acúmulo de duas conferências nacionais de cultura? Cadê as ações efetivas fomentadas pelas discussões de artistas e produtores como eu que ao longo destes anos todos vem contribuindo de forma direta com a luta por respeito na cultura?

Estou muito triste com tudo isso. Não ter podido ir ao enterro de Zé Neguinho, de ter podido olhar para ele uma última vez me magoou profundamente. Estou revoltado com toda razão!

Não permitirei que isso aconteça um dia com o Mestre Galo Preto e tantos outros e outras que tenho relação direta. Pelo menos um enterro entre os amigos de luta e de vida é merecido, é digno...

Espero ver alguma atitude do Estado como um todo para concertar erros irreparáveis como este. Ele merecia maior dignidade e apoio da terra que sempre encantou com sua voz linda e melodia hipnotisadora.

Adeus Zé Neguinho, que seu espírito se junte aos guerreiros da Jurema para combater a política do embranquecimento de nossas tradição que só nos levam à doença e ao fim sem dignidade.

Vejam mais informações sobre a morte de Zé Neguinho do Coco:

Axexê Mojubá. Salve a fumaça!! 
Alexandre L'Omi L'Odò
Produtor e músico
alexandrelomilodo@gmail.com

Filme "Malunguinho" estréia no Cinema São Luiz (Recife) e na TVU com exibição especial na televisão pernambucana no Dia da Consciência Negra


Filme "Malunguinho" 
estréia no Cinema São Luiz (Recife) e na TVU com exibição especial na televisão pernambucana no Dia da Consciência Negra 

Divindade, guerreiro, negro/índio e ícone da resistência quilombola no Recife. Por mais de 177 anos Malunguinho vem sendo cultuado nos terreiros de Jurema Sagrada do Nordeste, mas ainda é desconhecido do povo e ignorado pela branca historiografia oficial do Brasil. No Dia da Consciência Negra, nesta terça-feira (20), ele ganha um filme homônimo que estréia no Cinema São Luiz, às 19h. 

Lado a lado, o documentário reproduz o que seria a rotina dos quilombolas do século 19 na Mata Norte pernambucana, ao mesmo tempo em que apresenta o culto da Jurema numa observação respeitosa e sensorial a três terreiros da região metropolitana do Recife. Imagens que são entrecortadas pelas entrevistas de João Monteiro, Alexandre L'Omi L'Odò e Sandro de Jucá, estudiosos e praticantes da Jurema (religião de matriz indígena com influência africana) sobre o papel marginal dado aos quilombos nos documentos e livros de história. 

Malunguinho liderou o quilombo do Catucá, nos arredores de Recife, no início do século XIX. O enfrentamento de tropas e os diversos saques e sublevações promovidos pelo seu grupo ficaram registrados na correspondência entre as autoridades da época, em documentos históricos guardados no Arquivo Público do Estado Pernambuco e ainda não totalmente revelados. Após seu assassinato em setembro de 1835, o líder quilombola passou em definitivo a ser cultuado pelos praticantes da Jurema Sagrada, segundo os historiadores do projeto, que defendem a sua inclusão no panteão dos heróis da pátria, ao lado de Zumbi dos Palmares. 

“Malunguinho” é uma produção do Coletivo Asterisco idealizada pelo grupo do Quilombo Cultural Malunguinho e digirida por Felipe Peres Calheiros" (Até Onde a Vista Alcança, 2007, e Acercadacana, 2010), diretor cuja filmografia tem estreitado relação com a militância em prol dos direitos humanos. “As feridas da escravidão e da violência branca ainda não estancaram em nosso país. Basta observar o mundo e analisar os indicadores sociais para noticiar a permanência da exclusão dos negros e índios”.


Selecionado como produto para televisão em edital do Funcultura de 2010, o média de 48 minutos também será exibido, na terça (20), na TV Universitária, às 21h, e passa no mesmo dia no Cinema da Fundação, às 9h, para alunos da rede pública. Em 2013, um curta-metragem (com proposta mais autoral e novas imagens) de “Malunguinho” deve circular nos festivais de cinema.

Serviço:
Filme "Malunguinho" 47'min.
Lançamento no Cinema São Luiz - Rua da Aurora, Centro do Recife
Gratis
Haverá debate com integrantes do projeto "Tem Preto na Tela"
Contatos: 81. 8887-1496 / 9428-4898 


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomildo@gmail.com

Filme "Malunguinho" na Chamada da Programação Especial do Dia da Consciência Negra da TVU Recife



Filme "Malunguinho" 
na Chamada da Programação Especial do Dia da Consciência Negra da TVU Recife

19h - Programa Opinião Pernambuco, tema - "Capoeira"
21h - Documentário "Malunguinho" de Felipe Peres Calheiros
21h50 - Documentário "Solano Trindade, 100 anos", de Alessandro Guedes e Helder Vieira

Produção e edição da chamada: Gustavo A. Almeida e Sofia Egito.

TVU - CANAL 11

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Malunguinho invadindo as televisões de todo Estado pernambucano. É o Povo da Jurema se organizando e levando à frente seus ideais contra toda forma de racismo e preconceito. Isso tudo é uma grane contribuição do Quilombo Cultural Malunguinho ao resgate da memória ancestral e histórica de personagens de nossa tradição religiosa. Estar na televisão com um documentário de alto nível de produção e conteúdo, especialmente no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, é contribuir de muitas formas para a compreensão entorno das religiões de terreiro pela sociedade. Esperamos que todos assistam, divulguem, curtam e reflitam sobre a importância das histórias dos negros e índios que foram manipuladamente ceifadas de nossa educação formal como estratégia para nos anular e dominar. Estamos em outros tempos, em tempos de mudança, em tempos de retomar o que nos foi roubado, o direito a informação sobre nós mesmos! Sobô Nirê Malunguinho. Salve a fumaça!!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

Filme "Malunguinho" será exibido às 21h no Dia da Consciência Negra na TVU Recife



Filme "Malunguinho" será exibido às 21h no Dia da Consciência Negra na TVU Recife

21h no canal 11 - TVU Recife, será exibido o média metragem "Malunguinho", 47'min, de Felipe Peres Calheiros. O dia da Consciência Negra de Pernambuco está cheio de novidades e conteúdos importantes na mídia. Será importante assistir com toda família este significante filme que traz a história ainda não contada dos negros e índios guerreiros pernambucanos. Vamos celebrar a Consciência Negra, dia que também celebramos Zumbi dos Palmares com muita fumaça de nossa Jurema, saudando também Malunguinho, nosso herói/divindade.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

I Seminário da Religião Sul de Tradição de Matriz Africana e Saúde


I Seminário da Religião Sul de Tradição de Matriz Africana e Saúde

A Rede Nacional de Religião Afro Brasileira e Saude - Nucleo RS abre inscrição para o I SEMINARIO DA REGIÃO SUL DE TRADIÇÃO DE MATRIZ AFRICANA E SAUDE - A Produção de Saúde e o Combate ao HIV/AIDS, Tuberculose e Hepatites Virais pelos Terreiros. Esta ação esta sendo planejada fazem exatamente dois anos, quando sofreu uma sabotagem através de interceptação de e-mail e adulteração criminosa do mesmo por uma certa liderança inescrupulosa, que fez com que o Seminário fosse cancelado criando contrangimento para a RENAFRO-SAUDE-RS. A Renafro-Saude-RS mantendo seu propósito de levar conhecimento, capacitação e prevenção para Lideranças de Terreiros (Pais e Mães de Santo, Ogãs, Ekedis, Omorisas), servidores e gestores de Saúde proporcionando integração Terreiros - SUS , Saberes populares através das praticas terapeutica produzidas pelos terreiros e saber tradicional, dá a volta por cima e realiza esta importante ação com Financiamento do Ministério da Saúde - departamento de DST-AIDS, Tuberculose e Hepatites Virais, Secretaria da Saude do estado do Rio Grande do Sul - DAS (Departamento Estadual de DST-AIDS, Tuberculose e Hepatites Virais e apoio da Secretaria Municipal de Saude - (DST-AIDS Municipal e Saude da População Negra). Lideranças de terreiros de todo o Brasil, intelectuais, pesquisadores em Saúde estarão neste evento discutindo propostas de prevenção e cuidados com viveciadores desta tradição nos dias 08,09 e 10 de novembro no Ritter Hotel conforme flayer anexo. Faça sua inscrição e venha fazer uma imersão a Africa nestes tres Dias.

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Eu e Mãe Lu Omitòógún, minha iyalorixá do Ilé Iyemojá Ògúnté, estaremos participando a convite, deste interessante evento no Rio Grande do Sul. Será uma honra poder reencontrar o querido professor Jayro Pereira de Jesus e gente do axé e da fumaça de todo Brasil. Podermos trocar saberes e discutir temas de importância serão as atividades mais entusiasmente. Levaremos na bagagem, a história e a tradição nagô de Pernambuco, contida na oralidade e saber acadêmico de Mãe Lu, e, lançaremos o filme Malunguinho no evento. Será muito rico poder discutir Jurema Sagrada com irmãos do Batuque. Axé e salve a fumaça!!!
Odò Miò!
Sobô Nirê!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 3 de novembro de 2012

"A JUREMA MERECE RESPEITO" - Uma campanha pelo direito ao respeito religioso


"A JUREMA MERECE RESPEITO"
Uma campanha pelo direito ao respeito religioso 

No intuito de contribuir com a extinção do racismo e da intolerância religiosa, sobre tudo com a Jurema Sagrada, nós que integramos o Quilombo Cultural Malunguinho lançamos a campanha: "A JUREMA MERECE RESPEITO", dando início a um processo de luta pelo direito ao respeito religioso à Jurema Sagrada, religião que historicamente foi marcada por perseguições cruéis e tentativas contínuas de extinção. Hoje, ainda sofre retaliações e tentativas de subalternização por parte até mesmo de outras manifestações religiosas de terreiro, pasmem.

 "A JUREMA MERECE RESPEITO" significa um grito de liberdade, um clamor pelo respeito à alteridade religiosa, um pedido de amor, um oferecer de oportunidade de diálogo amigo e equânime para com o próximo. É neste espírito que queremos encaminhar o olhar e pensar do preconceituoso intolerante para que nas ruas, na sociedade em geral, possamos provocar o pensar e visibilizar onde está este acúmulo de equívocos na formação do povo brasileiro que não conhece suas raízes e histórias orais e oficiais. A religião Jurema Sagrada é parte fundamental da memória da fé nordestina, e precisa ser considerada (pela sociedade) como uma religião partícipe de todo processo de construção do país e seu povo. Das tradições indígenas que veio esta cosmovisão religiosa de mundo, portanto, devemos olhar para a história de nossos ancestrais com atenção e, sobre tudo, respeito.

O professor Carlos Tomaz, da Rede Nacional Afro LGBT e membro do Quilombo Cultural Malunguinho pousando como modelo para expor a camisa da campanha.


Lançaremos publicamente esta campanha na VI Caminhada do Povo de Terreiro de Pernambuco, que acontecerá no dia 5 de novembro de 2012, com concentração marcada às 15h na Praça do Marco Zero, no Bairro do Recife (Recife Antigo).

A concentração do Povo da Jurema, acontecerá na Rua da Guia, às 14h, com gira de Jurema e celebração à ancestralidade indígena e negra na encruzilhada principal desta rua história para o culto das mestras do juremá. 

As camisas serão vendidas por 5 reias apenas, para darmos acesso a todas e todos que desejarem comprar. Este valor é promocional unicamente para o dia da Caminhada. Após o dia 5 de novembro, custará 20 reais.

Quem desejar comprar e for de outros estados e países, poderemos negociar envio pelos correios etc. É nossa intenção levar ao Povo da Jurema este símbolo nosso, de luta por direitos equânimes.

Salve a fumaça e vamos divulgar e ajudar a fortalecer a nossa Jurema Sagrada!!

VAMOS GRITAR TODOS E TODAS JUNTOS:
"A JUREMA MERECE RESPEITO"!!!!!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Herdeiros do candomblé

Crianças do Terreiro Xambá. Foto de AnnaClarisse Almeida.

Herdeiros do candomblé
Crianças têm a missão de levar adiante a religião dos ancestrais em uma sociedade intolerante  

Marcionila Teixiera
marcionilateixeira.pe@dabr.com.br

As longas saias das crianças rodopiam no salão. São rosas, azuis, amarelas. Ao fundo, um som ritmado de meninos e meninas ao ngoma, um tipo de tambor, orienta a dança e o canto entoado aos orixás da casa. Em um terreiro cujas paredes são tomadas por quadros de santos católicos e imagens de candomblé, eles celebram a religião que abraçaram para as próprias vidas. Têm entre cinco e 14 anos, mas parecem conhecer a fundo a fé que herdaram dos ancestrais africanos. Sentem orgulho do que são, pois assumiram desde cedo responsabilidades dentro de seus terreiros. As crianças do candomblé e da jurema são o retrato de uma resistência praticamente invisível. Muitas vezes mantida sob segredo dos ouvidos menos tolerantes a religiões que não às suas.

“É a criança que herdará nossa beleza”, diz um velho provérbio em yorubá que originalmente é escrito “Omo ni yíò jogún ewa lódò wa”. A mensagem, no entanto, atravessou os anos incompreendida. Entre os anos 1920 e 1970, por exemplo, as crianças eram proibidas de entrar nos terreiros. “Cresci me escondendo embaixo da cama quando a polícia chegava no terreiro da minha mãe, onde eu morava. Se pegassem a gente, tinha multa e ela podia até perder a nossa guarda”, conta Adeíldo Paraíso, o pai Ivo de Oxum, que foi iniciado na religião aos 10 anos, no terreiro de Xambá, em São Benedito, Olinda, onde está até hoje.

Os resquícios daquela época ainda insistem em permear a vida dos que habitam os terreiros. Um tempo em que seus seguidores eram submetidos a exames de sanidade mental e tinham que apresentar atestados de antecedentes criminais para manter os salões e seus toques. “Até hoje, muitos dos seguidores da própria religião não querem iniciar seus filhos ainda crianças por preconceito. Eles acham que é cedo para envolver os filhos em algo tão sério. O problema é que isso não condiz com a religião. Tirando a criança, tiramos a raiz do terreiro”, raciocina Alexandre L’Omi L’Odò, do Centro Cultural Malunguinho.

Intolerância
Uma pesquisa de estudantes de psicologia da Fafire chamada A preparação e iniciação de crianças na comunidade Xambá, em Olinda revela que as crianças de terreiro são vítimas de intolerância religiosa na comunidade e na escola. “Elas demonstram maturidade para reagir às agressões e costumam não revidar com violência”, explica o estudante Ismael Holanda. Segundo ele, outra observação que chama a atenção é que em Pernambuco a iniciação acontece muito tarde, quando comparado com outros estados, como a Bahia, onde bebês passam pelo ritual.

Na opinião da professora Stela Caputo, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), muitos pais não querem iniciar os filhos cedo porque a religião exige muitas responsabilidades. “As tarefas são cotidianas”, explica a professora, que acompanhou por 20 anos o crescimento e os depoimentos de meninos e meninas de terreiro.

Confira a reportagem completa na edição do Diario de Pernambuco desta quarta-feira.
 

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Publico aqui matéria muito interessante da jornalista Marcionila Teixiera do Diário de Pernambuco. Texto jornalístico publicado no Diário de Pernambuco, caderno Vida Urbana C3 em 31 de outubro de 2012.
 
São textos como este que nos remetem a refletir sobre o papel da mídia no avanço e contribuição para a desconstrução das mentalidades dos racistas e intolerantes religiosos. O candomblé, assim como a Jurema Sagrada e demais denominações das religiões de matrizes africanas e indígenas sofrem historicamente da mídia impressa um racismo e preconceito que se pode estudar em centenas de matérias do passado dos muitos jornais pernambucanos. Hoje podemos ler algo esclarecedor, rico em detalhes e com teor laico. Este texto, que é bem mais amplo na matéria impressa que foi página inteira, com fotos lindas e chamada na primeira página do jornal dão ao leitor a oportunidade de conhecer um universo que até então se tem profundo desconhecimento. "São as crianças as herdeiras de nossa beleza", e isso tem que ser divulgado e colocado à disposição dos que se interessam em informação. É informando que o racismo vai se acabando na nossa história. Vamos escrever mais, mostrar mais, perder a vergonha de dar o direito à informação a todas e todos nesta nossa sociedade judaico-cristã.
 
Publicarei a matéria na íntegra impressa. Digitalizarei em postagem posterior.

 
Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 20 de outubro de 2012

"Aruvalhado" - Mestre Galo Preto aprovado no edital do FUNCULTURA 2011/2012!!

 
Mestre Galo Preto. Foto: Divulgação - Toda Música.

 "Aruvalhado"
Mestre Galo Preto aprovado no edital do FUNCULTURA 2011/2012!! 

Depois de mais 2 anos tentando aprovação para o projeto de gravação do 1° CD do Mestre Galo Preto, consegui no edital 2011/2012 do FUNCULTURA a esperada aprovação. Foi uma felicidade imensa para mim enquanto produtor poder dar acesso através de meu trabalho a um bem público, como é este fundo, ao Mestre. Comemoro com muita alegria mesmo. Pois sei que com este primeiro registro fonográfico poderemos juntos deixar um legado histórico do trabalho deste mestre que tem mais de 65 anos de trajetória na cultura popular do Brasil.

Quando contei a notícia ao Mestre, ele se emocionou e falou: "quem luta chega"... Achei bastante sincera sua colocação, pois na altura de seus 78 anos de idade, ainda acredita poder dar contribuições de alto nível à música pernambucana. Sua luta pelo coco é histórica. Ele que com seu talento nato de improvisar e embolar, percorreu todo país entre as décadas de 1970 e 1980 divulgando a música de sua terra, merecia por demais este reconhecimento e valorização do Estado. Em 2011, ele foi aprovado como Patrimônio Vivo de Pernambuco, sendo este uma das suas mais recentes e importantes conquistas.

O Mestre Galo Preto pretende gravar um CD com toda a diversidade e versatilidade de sua música. Coco, forró, embolada, aboio, samba, chula, entre outras criações autorais comporão este trabalho que intitulamos de "Aruvalhado", sinônimo nordestino, nos interiores do Agreste, de algo que está fresco ao amanhecer, que está todo molhadinho com o orvalho que desperta a cada manhã nas caatingas...

Novo, novinho e zerado!! O Mestre Galo Preto fará nascer em 2013 um belo trabalho fonográfico original da cultura popular e tradicional de PE para nos orgulhar.

peço obrigado à existência, à Jurema Sagrada e aos Orixás por terem me dado uma oportunidade tão ímpar em poder ajudar e trabalhar com um dos artistas que mais admiro e acredito no potencial. Galo Preto é o meu mestre de vida e de coco... E de Jurema também... rsrsrs. Salve a fumaça!!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 7 de outubro de 2012

Novo nome em oferenda a Oxum - Matéria do jornal Aqui PE

 
 Digitalização da Matéria do Jornal Aqui PE de sábado e domingo, 06 e 07 de outubro de 2012. Cidades 5.

Novo nome em oferenda a Oxum
Estudante conseguiu na justiça o direito de acrescentar L'Omi L'Odò à identidade que recebeu ao nascer


Marcionila Teixeira
marcionilateixeira.pe@dabr.com.br

Ele nasceu Alexandre Alberto Santos de Oliveira, mas agora, aos 32 anos, comemora o que considera um renascimento. Em uma decisão inédita na justiça, passou a se chamar oficialmente Alexandre L’Omi L’Odò Alberto Santos de Oliveira. O L’Omi L’Odò é uma homenagem a Oxum, Orixá do candomblé, e significa, em língua yorùbá, das águas do rio. Desde criança, Alexandre se identifica com a Jurema, religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil, que se relaciona com o Candomblé e a Umbanda nos espaços de terreiro. Para ele, acrescentar o nome é o maior ebó, ou seja, oferenda, que já fez a Oxum, de quem se considera filho na religião afro.

A decisão é do juiz Cláudio Cavalcanti, da 1° Vara da Família e Registro Civil de Olinda. O magistrado considerou que o pedido se justifica porque a Lei dos Registros Públicos permite que a pessoa pode somar ao pré nome o apelido ao qual tenha atrelada a sua imagem pública, como é o caso de Luiz Inácio Lula da Silva e Xuxa. “No entanto, fiz uma resalva. No pedido ele queria retirar o sobre nome Oliveira que é do pai, pois alegou que já tinha Alberto, também da família paterna. Mas entendo que os sobrenomes da família devem ser preservados, pois Alberto é prenome”. Explicou o juiz.

Essa seria a primeira vez que uma decisão judicial muda um nome a partir de uma justificativa religiosa do solicitante. O magistrado, no entanto, disse que a religião não pesou tanto em sua sentença e sim o que diz a lei. “Ele conseguiu provar na justiça que é conhecido publicamente assim a mais de dez anos quando foi batizado no candomblé. Também apresentou inúmeras notícias com seu nome e trouxe testemunhas comprovando o fato. O próprio direito abre exceção ao princípio da imutabilidade do nome”, explicou o juiz.

Entre outras condições para ter o nome alterado na justiça, a pessoa precisa provar que é exposta ao ridículo. Uma outra situação que prevê mudança é o casamento e a adoção. Alexandre, que € estudante de história da Universidade Católica de Pernambuco e coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho, disse que toda comunidade tradicional de terreiro está comemorando a decisão. “Trata-se de uma vitória de todo povo de terreiro, que agora um precedente na justiça”, afirmou.

Para a professora do departamento de história da UNICAP Zuleica Dantas, com pós-doutorado em ciências da religião, a mudança soa positiva para a religião. “O nome é identidade, reúne a construção da pessoa enquanto identidade e como representante de um determinado lugar. No caso de Alexandre, tem uma perspectiva mítica, ligada à ancestralidade dele”, analisou a professora. Como cultuador da Jurema, Alexandre é chamado de juremeiro, e, dentro do culto, é considerado egbomi, ou seja, um irmão mais velho.

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Publico aqui texto integral da matéria de jornal digitalizada do Aqui PE de sábado e domingo, 06 e 07 de outubro de 2012. Cidades 5. Este jornal custa 0,25 centavos e é o mais popular e que tem maior consumo entre as maiorias pobres de Pernambuco. Geralmente este "jornal" publica matérias sensacionalistas e de muito mal gosto. Recentemente no caso do menino Flânio de 09 anos do Brejo da Madre De Deus, ao qual foi degolado em suposto ritual macabro, este mesmo jornal vinculou o nome das religiões de matrizes africanas e indígenas de forma completamente racista e preconceituosa. Felizmente a Comissão de Acompanhamento Contra Intolerância Religiosa de Pernambuco interviu de forma concreta contra estes atos absurdos que só estimularam a população à violência que levou a destruição de 7 terreiros de Jurema e Candomblé no distrito de São Domingos no Brejo da Madre de Deus... Hoje ver eles publicando uma matéria como esta nos dias que mais se vende o jornal em todas as localidades é um sinal positivo que nossos trabalhos tem dado frutos. Toda população da periferia de Peixinhos, onde moro, viu e leu a matéria. Isso foi importante, tendo em vista que uma informação deste porte dificilamente chegaria ao conhecimento das populações menos favorecidas ao acesso à mídia e meios de comunicação. Peço obrigado à jornalista Marcionila Teixiera pelo belo trabalho de acompanhamento de todo este processo meu na justiça e pela coragem em permitir que seu texto entrasse nesta edição do Aqui PE. Axé e salve a fumaça!!

Sobô nirê!


Alexandre L'Omi L'Odò
Juremeiro e Egbomi
alexandrelomilodo@gmail.com   

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Frases da Semana - Diário de Pernambuco. Alexandre L'Omi L'Odò fala sobre vitória histórica de sua alteração de nome na justiça

 
Diário de Pernambuco - EDITORIAL, Frases da Semana. 03 de outubro de 2012. Alexandre L'Omi L'Odò em foco.

  "É uma homenagem aos ancestrais. é uma vitória do povo de terreiro, agora temos precedente na Justiça."


Alexandre L'Omi L'Odò, antes chamado de Alexandre Alberto, muou o nome em homenagem ao orixá Oxum. É o primeiro caso judicial de mudança de nome por justificativa religiosa. 

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Posto aqui texto integral do Diário de Pernambuco - EDITORIAL, Frases da Semana. 03 de outubro de 2012, para disponibilizar informação.


Alexandre L'Omi L'Odò
Juremeiro e Egbomi
alexandrelomilodo@gmail.com  

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Novo nome em oferenda a Oxum - Estudante conseguiu na justiça o direito de acrescentar L’Omi L’Odò à identidade que recebeu ao nascer

Matéria do Jornal Diário de Pernambuco, caderno Vida Urbana C4. Recife, 02 de outubro de 2012.

 Novo nome em oferenda a Oxum 
Estudante conseguiu na justiça o direito de acrescentar L’Omi L’Odò à identidade que recebeu ao nascer

 Marcionila Teixeira
marcionilateixeira.pe@dabr.com.br

Ele nasceu Alexandre Alberto Santos de Oliveira, mas agora, aos 32 anos, comemora o que considera um renascimento. Em uma decisão inédita na justiça, passou a se chamar oficialmente Alexandre L’Omi L’Odò Alberto Santos de Oliveira. O L’Omi L’Odò é uma homenagem a Oxum, Orixá do candomblé, e significa, em língua yorùbá, das águas do rio. Desde criança, Alexandre se identifica com a Jurema, religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil, que se relaciona com o Candomblé e a Umbanda nos espaços de terreiro. Para ele, acrescentar o nome é o maior ebó, ou seja, oferenda, que já fez a Oxum, de quem se considera filho na religião.

A decisão é do juiz Cláudio Cavalcanti, da 1° Vara da Família e Registro Civil de Olinda. O magistrado considerou que o pedido se justifica porque a Lei dos Registros Públicos permite que a pessoa pode somar ao pré nome o apelido ao qual tenha atrelada a sua imagem pública, como é o caso de Luiz Inácio Lula da Silva e Xuxa. “No entanto, fiz uma resalva. No pedido ele queria retirar o sobre nome Oliveira que é do pai, pois alegou que já tinha Alberto, também da família paterna. Mas entendo que os sobrenomes da família devem ser preservados, pois Alberto é prenome”. Explicou o juiz.

Essa seria a primeira vez que uma decisão judicial muda um nome a partir de uma justificativa religiosa do solicitante. O magistrado, no entanto, disse que a religião não pesou tanto em sua sentença e sim o que diz a lei. “Ele conseguiu provar na justiça que é conhecido publicamente assim a mais de dez anos quando foi batizado no candomblé. Também apresentou inúmeras notícias com seu nome e trouxe testemunhas comprovando o fato. O próprio direito abre exceção ao princípio da imutabilidade do nome”, explicou o juiz.

Entre outras condições para ter o nome alterado na justiça, a pessoa precisa provar que é exposta ao ridículo. Uma outra situação que prevê mudança é o casamento e a adoção. Alexandre, que € estudante de história da Universidade Católica de Pernambuco e coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho, disse que toda comunidade tradicional de terreiro está comemorando a decisão. “Trata-se de uma vitória de todo povo de terreiro, que agora um precedente na justiça”, afirmou.

Para a professora do departamento de história da UNICAP Zuleica Dantas, com pós-doutorado em ciências da religião, a mudança soa positiva para a religião. “O nome é identidade, reúne a construção da pessoa enquanto identidade e como representante de um determinado lugar. No caso de Alexandre, tem uma perspectiva mítica, ligada à ancestralidade dele”, analisou a professora. Como cultuador da Jurema, Alexandre é chamado de juremeiro, e, dentro do culto, é considerado egbomi, ou seja, um irmão mais velho.

Chamada de matéria na contra capa do Diário de Pernambuco de 02 de outubro de 2012.

Entrevista >> Alexandre L’Omi L’Odò

“É uma homenagem aos meus ancestrais”.

O que muda daqui para frente com a alteração de seu nome?

Agora estou mais satisfeito com minha existência, pois meu nome passou a estar vinculado às minhas origens ancestrais. Tenho oficialmente um nome yorùbá, que é da cultura africana. É uma homenagem aos meus ancestrais negros, que morreram escravizados para hoje eu estar aqui. É o maior ebó, que significa sacrifício, oferenda ao Orixá, que já ofereci a Oxum, agora ela está integrada ao meu nome.

Você já se prejudicou alguma vez por não ter o nome L’Omi L’Odò oficialmente?

Sim. No começo do ano aconteceu uma oficina de povos de terreiro, no Maranhão, e como eles exigiram o meu nome oficial, não me reconheceram pelos documentos e eu terminei ficando de fora.

O juiz resolveu não tirar o sobrenome do seu pai, como você queria. Por que queria tirar o Oliveira?

Meu nome agora está gigante, além disso, Alberto, que quis manter, é o nome do meu tataravô, bisavô, avô, pai e do meu. Portanto, acho que ele representa também a família paterna.

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Publico aqui texto na íntegra da matéria do jornal Diário de Pernambuco, caderno Vida Urbana C4, de - Recife, 02 de outubro de 2012. Com total alegria agradeço a Marcionila Teixiera pela bela matéria e a todas e todos que acompanharam este meu processo judicial me dando apoio e suporte nas horas que precisei. Axé e salve a fumaça!

Adupé Oxum!

Alexandre L'Omi L'Odò
Juremeiro e Egbomi
alexandrelomilodo@gmail.com

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