sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Chico Science - 15 Anos Depois - Documentário genial



Chico Science - 15 Anos Depois  

Após 15 anos sem o querido Chico Science, a MTV fez um documentário muito legal que merece ser visto por todos os fãns e não fãns de Chico. Pela primeira vez vi uma montagem tão bem pesqusiada dos vídeos e falas da carreira deste grande gênio da música mundial dos anos 1990. Saudades muitas, por isso posto aqui este trabalho brilhante. Salve a fumaça!

Visite o vídeo no site da MTV: 


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Programação Mestre Galo Preto - Carnaval 2012.

Mestre Galo Preto no REC BEAT 2010. Foto de Maíra Gamarra. 

Programação Mestre Galo Preto - Carnaval 2012.

17/02 – Sexta -Homenagem ao Mestre Galo Preto e Dona Selma do Coco. Local: Pólo do Guadalupe/Olinda e Pólo do Amaro Branco/Olinda – 21h e 22h.

18/02 – Sábado – Show no Alto José do Pinho – 20h.

19/02 – Domingo –Gravação de programa para a TV Brasil – Paço Alfândega – 21h.

20/02 – Segunda – Show  no Pólo do Guadalupe -22h e 30min.

Vamos sambar coco no Carnaval!


Curta a página do Mestre Galo Preto no facebook:


Alexandre L'Omi L'Odò
Produção
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Algumas palavras dos índios - urgente



Este vídeo dói em minha alma. Espero que ele ajude a tocar também a sua. temos que pensar mais nos povos indígenas. O discurso de reparação deve ser para as maiorias excluídas (negros e índios). Vamos propagar mais informações sobre as diversas formas de crime que o Estado Brasileiro comete contra estes povos.

Peço ajuda para os que por aqui passarem para divulgar este vídeo em seus espaços na internet.

Peço a benção a minha ancestralidade indígena e deixo aqui minha indignação plena.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Tio Paulo Braz - Ifátòógún - Um sacerdote indescritível

 
Babalorixá e Alapini Paulo Braz - Ifátòógún. Foto de Marcelo Curia - RS.

Tio Paulo Braz - Ifátòógún - Um sacerdote indescritível

*Alexandre L'Omi L'Odò 
O amor é algo ainda indescritível, com poucas palavras não podemos o definir e, nem com muitas também não conseguimos satisfatoriamente descrevê-lo sobre tudo pelo seu profundo contexto particular e individual. Ele não é igual para todos. É assim que posso definir o senhor Paulo Braz Felipe da Costa, o Tio Paulo, ou Seu Paulo, babalorixá, alapini e grande preservador e dinamizador da tradição nagô pernambucana. Um homem feito de amor, amor aos Irunmolé, amor aos Eguns, amor a memória de seus ancestrais familiares e, amor a todos e todas que o cercam e aprendem com este generoso, profundo e sábio professor, discipulado de seu pai carnal.

Nascido em 03 de fevereiro de 1941, teve sua volta para a terra prevista pela Jurema Sagrada, através do Mestre Zé Deitado, que anunciou hora e dia de seu nascimento e ainda profetizou que aquele menino especial “trabalharia até com os astros”. Nascido no dia de São Braz recebeu o sobrenome do Santo católico, que é invocado para curar engasgamentos e problemas na garganta. O menino Paulo, também “chorou na barriga da mãe”, sinal de grande mediunidade e poderes divinatórios, segundo conta a tradição nordestina. E assim, nasceu “já preparado” o recém parido sacerdote, filho carnal do memorável babalorixá Malaquias Felipe da Costa – Ojé Bií (nascido para ser Ojé) com a mestra juremeira Dona Leônidas Josefa da Costa (Omisèún), que era também filha de Oxum Ijemú.

Bisneto do Alapiní de Oyó Obá – Lagos/Nigéria Adifábolá, que ao ser escravizado no Brasil recebeu o nome de Sabino Felipe da Costa e, neto biológico do famoso babalorixá Pai Adão – Felipe Sabino da Costa (Opeatoná) - Pai Adão recebeu o nome de seu pai ao contrário -, Pai Paulo tem no sangue a força da realeza africana, conseqüentemente o axé yorùbá fidedigno das terras nigerianas.

E, é evidente isso para quem o conhece. Ao olhá-lo pela primeira vez, percebe-se essa força negra, esse axé que emana da forma simples de se comunicar e de interagir conosco. Só o seu olhar expressa essa força... E muito mais. Até dá pra dizer que ele é a teologia afro! Completamente.

Ele é um homem de corpo livre. Dança e canta como ninguém... Pula, brinca, fala yorùbá com compreensão total e se diverte com o axé, se diverte ao invocar as divindades e espíritos, expressa toda sua alegria em viver com seus gestos. Digo que ele curte mesmo cultuar... Tem uma energia feminina brilhante que se mostra em sua generosa ação de acolher os que o procuram. Participar de qualquer ritual com ele é dar-se o direito de mergulhar profundamente em uma memória tão bem preservada ancestral que nos emociona e nos questiona sobre o que é de fato o saber... No caso dele, o saber é igual a ser, igual a estar, igual a viver o odú de seu caminho de forma pragmaticamente indivisível da vida externa ao espaço sagrado do terreiro. Ele é um exemplo real do iwá pélé (“caminho do equilíbrio, da honra e da dignidade”).

Sempre relembra emocionado: “tudo quem me ensinou foi meu pai”! Pai este que hoje é um Egun de muita importância para todos os terreiros em Pernambuco. Cultuado de forma vibrante no Ilé Ibó Akú (Balé) em sua casa, o Ilé Iyemojá Ògúnté, casa de tradição nagô também dirigida pela sacerdotisa Maria Lucia Felipe da Costa, Mãe Lu, ou Tia Lu – Iyemojá Omitòógún (àquela que cura com as águas, ou que as águas são remédio e tem poderes mágicos), sua irmã, herdeira da mesma Iyemojá de seu pai, “que ainda vem à terra”... E que o ajuda a manter este axé vivo com seus outros irmãos, o Pai Cicinho de Xangô (Obárindè) e a Mãe Zite de Oxum Ipondá.

Em novembro de 2009, foi comemorado os 100 anos de Ojé Bií, com uma festa em sua homenagem no terreiro. Foi um momento mágico, de re-alimentação de história e memória entre a família. Todas e todos passaram um dia inteiro a cantar, lembrar fatos, contar histórias e dar oferendas ao Seu Malaquias, que foi um dos mais energéticos sacerdotes pernambucanos, grande aprendiz de seu pai Adão e fiel seguidor de seus ensinamentos e práticas, sobre tudo na língua yorùbá, tão bem preservada e falada entre este clã familiar.

O Seu Paulo teve uma vida bastante heterodoxa profissionalmente. Pernambucano, não poderia fugir as suas origens, portanto, o carnaval invadiu sua vida, levado pelas mãos de seu próprio pai. Foi presidente do Bloco Carnavalesco Madeira do Rosarinho entre 1967 a 1975, “em um império” de muito sucesso. Seu pai, também foi presidente deste mesmo bloco em 1944. Em 1974, foi tesoureiro da agremiação. Gafieira e carnaval embalaram sua juventude recifense. Ainda foi secretário do 13 Atlético Clube e fundou a escola de samba A Charanga que posteriormente transformou-se em Escola de Samba Couro de Bode, que ainda hoje está em atividade na Cidade de Camaragibe/PE.

Formado em contabilidade comercial e taquígrafo profissional, trabalhou no Banco Irmãos Guimarães. Iniciou servindo cafezinho, mas logo, ao perceberem sua inteligência e capacidade profissional o promoveram para escriturário. Foi em 03 de fevereiro de 1965, dia de seu aniversário que se empregou oficialmente pela primeira vez. Sempre relembra: “Meu avô Adão e meu pai queriam muito que todos os seus filhos tivessem anel no dedo, mas infelizmente as condições da família não davam na época”. Portanto, a maioria aprendeu um ofício, como carpinteiro, costureira, serralheiro etc. relata.

Após provar sua capacidade como escriturário, foi mais uma vê promovido à contador do Banco, e isso “sem anel no dedo”, fala rindo, ao lembrar das dificuldades e racismos sofridos por ele neste período. Fala que era difícil um negro chegar ao alto escalão de um banco, lugar aonde ele chegou, e que isso provocou a ira de muitos ditos brancos na época, sobre tudo porque ele ainda avançou mais e foi gerente de expediente e depois gerente administrativo da empresa.
Acabou tendo que se mudar para morar em João Pessoa na Paraíba por causa do trabalho. O Banco exigiu... Até hoje ainda mora lá, no bairro do Beça, com esposa e filhos.

Aposentado, hoje vive entre Recife e João Pessoa, mas nunca abandonou o terreiro. Às vezes deixava de ir trabalhar para cumprir seus compromissos com os Orixás e Ancestrais.

Filho de Omolú com Oyá traz em si mesmo os símbolos destas fortes divindades. Mesmo se intitulando filho de Iyemojá Ògúnté, já que esta tradição é familiar, todas e todos são filhos do Orixá patrono da família, mesmo cada um tendo suas individualidades de odú.

Carrega os orikí – Omobabálaiyé (filho do senhor das terras) e Ifátóògún (Ifá foi seu remédio, ou o curou). Este último, só recebeu após ter sofrido problemas sérios de saúde após uma trombose. “Fui curado por Ifá” revela. Já que após ter adquirido seqüelas físicas, foi indicado pelo médico à ler bastante em voz alta, para exercitar os movimentos e coordenação da fala e fortalecer a memória. Assim o fez... Portanto, foi presenteado pelo seu amigo nigeriano yorùbá e filho de santo, com um livro sobre o Ifá... Leu, leu e leu... E aprendeu tudo do livro... Assim obteve sua saúde e movimentos corporais e memória de volta.

Depois, se iniciou no Ifá com Ajibolá e adentrou muito mais nos saberes do oráculo dos Orixás. Hoje, o próprio Ajibolá atesta: “Pai Paulo me passou no Ifá”, em gesto humilde.

Por ele ser contador de profissão e ter trabalhado a vida toda com números, o Ifá não foi nada difícil para aprender. Rápido se acostumou com o sistema do Opon Ifá e do Opelé e até hoje joga como ninguém. Um jogo com ele é inesquecível, além de ser uma aula competente sobre cultura e tradição nagô. Também joga os búzios, dentro da tradição de odú nagô pernambucana.

Criativo e dinâmico tem dado contribuições indeléveis à tradição de culto aos Orixás. Suas últimas investidas têm sido na tradução de toadas cantadas no nagô tradicional e também acrescentando alguns cânticos esquecidos pelo povo de terreiro por causa do problemático e cruel processo da “diáspora”.

Ele também é um pesquisador... E bom pesquisador! Tem em seu acervo de livros e raridades antigas, algumas ainda do tempo de seu pai e, adora buscar nas literaturas nigerianas elementos para incluir de forma pertinente ao seu culto.

Sempre diz: “O King (um de seus referenciais de pesquisa) é muito desentoado”, e por isso ele recriou e deu novas melodias, “baseadas na entonação de seu pai” às toadas registradas por Sikiru Sàlámi – o King, em seus livros e tese.
Um bom exemplo está registrado no CD do Maracatu Raízes de Pai Adão, intitulado de Cânticos Yorùbá, onde o Seu Paulo dá um show de língua, ritmo, afinação e entonação cantando as toadas pesquisadas e trabalhadas por ele em ritmo de maracatu.

Ele sempre diz: “As toadas estouraram nos terreiros por ai”... Em tom de felicidade, por ter podido contribuir de forma concreta com sua tradição. Muita gente canta, e as toadas até parecem que foram cantadas toda vida nos terreiros por aqui. É bonito de ver e ouvi-lo cantar para Oduduwá em uníssono com seu terreiro lotado:

“Ire l’ówó ori mi o.
Íre lówó ìrún-malè o.
Àsè lówó Odùdúwà.
Mo mu olà.
Mo mu ire bo wa o o e e.
Orí mi ma, ba mi se o o e e”.

“A sorte está com meu orí.
A sorte está nas mãos do Ìrúnmálè.
O axé está nas mãos de Oduduwá.
Eu trouxe prosperidade.
Eu trouxe sorte comigo.
Meu Orí me ajudou”.

(Cântico extraído do livro de Sikiru Sàlámi, 1993 - pag. 53-54)

Com sua generosidade, faz questão que todas e todos aprendam a cantar e a entender, pois ele afirma que tudo isso “é um resgate daquilo que morreu com àqueles e àquelas que partiram para o Orún para nos manter vivos hoje, e que nos sustentam”. Com orgulho canta e traduz tudo... Mostra “a sabedoria de seu pai”.

Por isso digo, descrever o Seu Paulo é difícil como falar do amor. Falar dele também dá em poesia e também em consciência negra. Enfim, é indescritível este sacerdote histórico e fundamental na manutenção do nagô no Brasil, ele e sua família são representantes reais do iwá pélé, os portadores do axé!

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* Texto comemorativo de aniversário. Parabéns pelos seus 71 anos nos dando alegria a todos - Babá Paulo Braz.

*Este pequeno artigo foi construído a partir de entrevista concedida a mim por Seu Paulo em março de 2011. Também, este texto é parte da pesquisa histórica que está em andamento no Ilé Iyemojá Ògúnté para construção de seu inventário, sob a responsabilidade do Quilombo Cultural Malunguinho.

Visitem seu site: 

 

Olinda/Peixinhos - 03/02/2012.



Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Calendários de bolso Malunguinho, já a disposição ao público

 
Imagem do Calendário de bolso Malunguinho 2012. Foto de Thiago Bianchetti

Calendários de bolso Malunguinho, já a disposição ao público

Já está a disposição de todas e todos o calendário de bolso oficial do Quilombo Cultural Malunguinho 2012. Esta iniciativa marca o início das comemorações do VII Kipupa Malunguinho, que acontecerá dia 23 de setembro do corrente ano. 

Para o calendário, foi escolhida em grupo a fotografia do amigo Thiago Bianchetti, que no dia 1° de maio de 2011, registrou o assentamento de Malunguinho na Cada da Lavadeira, na ocasião da Festa da Lavadeira. O local é um terreiro Ketu, dirigido pelo ogan Eduardo Melo, realizador da grande festa para Iyemojá. No templo, ainda não existia culto à Jurema Sagrada. Portanto, nós do Quilombo Cultural Malunguinho, decidimos por conta própria levar o Rei da Jurema para morar dentro do espaço sagrado do terreiro, embaixo de um frondoso cajueiro, em seu quintal. portanto, ali se firmou pelas minhas mãos, a de João Monteiro e a de Sandro de Jucá, o culto à Jurema e à Malunguinho. Vale ressaltar que este ato de amor, foi movido pela intenção de fortalecer mais ainda o irmão Eduardo Melo, que nos últimos anos vem sofrendo represálias sérias por conta da Festa que realiza a 24 anos. Os ricos e milionários moradores da região, não querem a cultura popular, muito menos coisas de terreiro em área nobre da Reserva do Paiva/PE. Mas a resistência do povo tem se mostrado forte presente!

Neste contexto, o irmão Bianchetti, eternizou um momento muito especial e cheio de significado para todos nós. E, esta bela fotografia, claro, tinha que ser utilizada em nossos materiais como símbolo de resistência da memória da Jurema e sua expansão.

Este material já está a disposição em nossas mãos. Portanto, os interessados se comuniquem para solicitar os seus. nossa intenção é tentar distribuir para o máximo de pessoas possíveis.

Entrem em contato em:

alexandrelomilodo@gmail.com / dundunmonteiro@yahoo.com.br 
ou pelos telefones: 81. 8887-1496 e 9428-4898
Poderemos enviar pelos correios também.

Salve a fumaça!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Oferendas sem agredir a natureza - Matéria do Jornal Diário de Pernambuco de 05 de Fevereiro de 2012 . VIDA URBANA

Alexandre L'Omi L'Odò demonstra como fazer oferendas sem poluir ou colocar em risco o meio ambiente: ao invés de deixar o vasilhame, a aguardente é posta em uma quenga de coco. Espaço aberto no mato evita que a vela caia e cause incêndio durante a cerimônia. Imagem: DP - Bernardo  Dantas.

Oferendas sem agredir a natureza


Anamaria Nascimento
anamarianascimento.pe@dabr.com.br

A palavra de ordem do século 21, sustentabilidade, foi colocada como prioridade no rol de preocupações das religiões de matrizes africana e indígena do estado. Conhecidas por serem manifestações que cultuam elementos da natureza e pela estreita relação com o meio ambiente, elas encabeçam um movimento pela preservação dos recursos naturais pernambucanos. A preocupação surgiu também na agenda pública. A falta de informação de alguns membros das religiões afrobrasileiras acendeu uma luz vermelha para as autoridades. Isso porque ainda existe o costume de se jogar recipientes de vidro ou plástico no mar como oferenda ou de descartar resíduos em matas após os trabalhos, por exemplo.

Um guia de orientação aos religiosos quanto à necessidade de olhar para o meio ambiente com maior cuidado, lançado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, aponta para as posturas que devem ser adotadas pelos dirigentes e membros dos cultos.

A cartilha

Segundo o secretário executivo de promoção da igualdade racial do estado, Jorge Arruda, a cartilha Orientações para as práticas religiosas é uma forma de mostrar a preocupação das religiões e do estado com a preservação ambiental. “No material, que está sendo distribuído em todas as escolas públicas estaduais e nos terreiros da Região Metropolitana do Recife, indicamos que os objetos plásticos sejam trocados por materiais biodegradáveis, por exemplo. Outra dica é que as velas de parafina sejam substituídas pelas de cera de abelha.” 


O professor e integrante do Movimento Negro Unificado de Pernambuco (MNU-PE) Carlos Tomaz frisou que a preocupação é pertinente, mas que o preconceito contra as manifestações negras ainda são muito fortes. “É comum ouvir pessoas falando que nós poluímos as águas, as matas. Algumas pessoas ligadas às religiões de matriz africana, mas que não têm consciência crítica, infelizmente, acabam sujando nossa imagem. Porém, por cultuarmos os elementos da natureza, prezamos o cuidado do meio ambiente.”

Saiba Mais

Espaço sagrado

Alexandre L’Omi L’Odò, juremeiro e coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho, destacou que a mata é um espaço sagrado e, por isso, deve ser cuidada. “Indicamos os produtos biodegradáveis, ou seja, que a própria natureza vai regenerar, para a realização dos trabalhos. Vai fazer uma oferenda pra Iemanjá? Jogue apenas o líquido do perfume no mar e não o vidro. Se for deixar cana no mato, coloque em uma quenga de coco e não em garrafas”, aconselhou. “O povo de terreiro tem mudado em relação ao meio ambiente. A sustentabilidade é uma preocupação atual do mundo, então, temos que nos atualizar também”, completou.

O que diz a cartilha?

Uso de materiais

Os dirigentes e simpatizantes das religiões de matrizes africanas devem seguir as leis civis e naturais, primando pelas práticas adequadas na confecção de oferendas e despachos Deve ser feita uma limpeza no local do trabalho para que não se crie um depósito de lixo. É preciso substituir os materiais sintéticos por orgânicos, de rápida decomposição e absorção pela natureza

Uso de líquidos

Não se deve deixar vidros ou plásticos nos locais de oferenda. Basta despejar as bebidas no solo para a liberação dos fluidos 


Uso de materiais sólidos orgânicos

Não se deve usar materiais plásticos para a oferenda de doces, animais, frutas e flores. Esse tipo de material demora para se decompor. O correto é utilizar materiais de fácil decomposição, como folhas de bananeiras.

Quanto aos locais para oferendas


Prefira locais afastados, com pouca movimentação, onde as entregas possam ocorrer de maneira harmônica e sem perturbações. Deve-se evitar largar as oferendas em vias públicas, parques ou praças.

Uso de velas, cigarros e charutos

É importante estar atento ao local onde esses materiais são colocados
O uso desses materiais pode provocar acidentes, principalmente, em áreas de vegetação. A utilização de velas, cigarros e charutos perto de raízes de árvores, folhas e materiais inflamáveis pode causar incêndio com danos irreversíveis ao meio ambiente.

Descarte de resíduos
Os dirigentes dos templos são responsáveis pelo recolhimento e destino dos materiais usados nas oferendas.

Lei do silêncio

Os terreiros que usam atabaques devem respeitar os horários e as potências dos caixas de som. É preciso respeitar os vizinhos, cumprindo os horários permitidos por lei.

Fonte: Cartilha Orientações para as práticas religiosas de matriz africana e afrobrasileira em Pernambuco

 

Veja a matéria no site do jornal:  

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A pedido da minha queridíssima Laila Santana, publico aqui matéria do Jornal Diário de Pernambuco do dia 05 de fevereiro de 2012 (Domingo) - Caderno VIDA URBANA. A reportagem foi escrita com muito carinho por Anamaria Nascimento (anamarianascimento.pe@dabr.com.br) e todas as fotos que ilustraram o texto são do Bernardo Dantas, que com paciência me aturou dentro da mata fazendo catimbó para os Caboclos... Rsrs. Foi de muita satisfação minha poder contribuir com algo tão importante para nosso ecosistema e consciência do povo. Salve a fumaça e vamos em frente ajudando às religiões de terreiro a sairem da obscuridade social que as colocaram. Axé. 

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

GALO PRETO_ ONDE OS MESTRES AINDA CANTAM - MATÉRIA PARA A REVISTA FF>> MAG!

Imagem digitalizada da página 71 da revista ffw>> mag! n° 29, Jan. de 2012. Foto: Renata Mein.

GALO PRETO_ ONDE OS MESTRES AINDA CANTAM

Por Zeca Gutierres

 Um galo preto, que ficou sem cantar durante décadas, decidiu levantar a crista no alto de seus 76 anos e volta a ciscar no terreiro da música popular pernambucana. Tomaz Aquino Leão, o Mestre Galo Preto, ficou conhecido nos anos de 1970 – freqüentou os programas de Chacrinha e de Flávio Cavalcanti e fez parceria com um monte de gente famosa, até com Dercy Gonçalves. Sumiu por décadas até voltar ao batente com o retorno do coco-de-roda na cultura do Estado em que nasceu. “O Jackson do Pandeiro já cantava o coco, assim como Luiz Gonzaga. Mas agora o gênero voltou a se tornar popular e aproveito esta boa fase para mostrar minha arte”, diz o senhor muito bem-vestido, na estica, simpático e cheio de memórias para contar. 

Mas como o povo do Sudeste reconhece o tal coco? “Para começo de conversa, o coquista não é um homem culto. Ele aprende a cantar em rodas espalhadas pelo interior do Estado e trabalha em cima da improvisação. E o coco, propriamente dito, é uma dança, uma das tantas brincadeiras do nordestino, como a ciranda, o maracatu e o caboclinho”, ensina.

Galo Preto, que não gosta do título de “mestre” (“prefiro ser aluno, porque estou sempre aprendendo”), vem de uma família de repentistas e recebeu o apelido do irmão mais velho, quando tinha 6 anos. “Eu quis brigar com ele, que retrucou: “Este galo preto tá bravo demais...’.” Começou a inventar música aos 12 anos, já com o batismo consumado, e hoje, aos 76 anos, o coquista e embolador tem shows programados no Brasil e no exterior.

Um de seus últimos trabalhos foi uma letra para uma campanha do governo do Estado contra a AIDS. “Explicaram para mim como se pega, combate-se e também a maneira de não contrair a doença, e criei uma música para a campanha, que virou um documentário, que diz: ‘procure se proteger / Quem usa o preservativo não pega o HIV / A AIDS não pega no beijo, nem no aperto de mão / Não pega no assento do banheiro, nem no da condução...’ ”, canta o bamba.

Natural de Bom Conselho, usa um pandeiro com um galo preto desenhado. “Quando voltei a trabalhar, nestes últimos anos, foram fazer uma pesquisa e descobriram por fotos muito antigas que o meu pandeiro tinha um galo preto desenhado”, conta o coquista, que não perdeu tempo em apresentar o filho, Telmo Anum, como sucessor de seus versos, mas com um estilo, digamos assim, mais universal.
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Texto em Inglês:

GALO PRETO: WHERE MASTER STILL CROW_
A black rooster, silent for decades, hás decided to Begin crowing again. From the height of his 76-years of age, Mestre Galo Preto (roughly translated, Master Black Rooster) has returned to perch over the popular music scene in Pernambuco. Born Tomaz Aquilo Leão, He earned fame in the four corners of Brazil during the 1970 – He was on television shows like Chacrinha and Flávio Cavalcanti, and collaborated with loads of famous people, even with Dercy Gonçalves.

Then he disappeared for decades before returning to the scene, involved in the coco-de-roda culture of his home state. “Jackson do Pandeiro, Who is from my generation, already sang the coco, as did Luiz Gonzaga. Right now the genre has seen a comeback and I’m using the opportunity to show people my talent in singing and playing. In truth, I sing everything, coco, ciranda, forró..” explains the well-dressed, friendly man with a thousand stories to tell.

But how can people from other parts of Brazil recognize this ‘coco’? “In the first place, the coco Singer is not generally a well-educated man. He learns to sing in the music circles of the heartlands, and works with improvisation. The coco is in fact a dance, a playful game played by northeasterners, like the ciranda, maracatu and caboclinho”, He clarifies.

Galo Preto, Who doesn’t much like the title ‘master’ (I prefer to be called a student, because I AM constantly learning), hails from a family of repentistas, or rhyming poets.his older brother gave him the nickname when He was 6 years old. “I wanted to fight him, and He teased me, saying ‘The black rooster is angry, is He?” He began writing his own songs when He was twelve years old and today, at 76, this embolador has live shows scheduled all over Brazil and abroad. One of his latest taks was writing the words to a government anti-AIDS campaing. “They explained to me how its transmitted, how its fought and how to prevent it, and I made up a song about it, which has become a documentary. The words go: ‘Procure se proteger / Quem usa o preservativo não pega o HIV / A AIDS não pega no beijo, nem no aperto de mão / Não pega no assento do banheiro nem no da condução...’”, (Protect yourself / wear a condom and you won’t get HIV / You don’t catch AIDS from kissing or shaking hands / Not from a toilet seat or on the bus...”) Galo Preto switches his pandeiro from hand to hand effortlessly, mid flow, and is moved by the confidence and skill present in his verses. 

He was Born in the Pernambuco city of Bom Conselho, and his pandeiro has a drawing of a black rooster. “When I came back to work, these past few years, people were researching and discovered old photographs from my childhood where I had a black rooster drawn on my pandeiro. So I adopted the symbol once again,” says this charmer. He introduced us to his son, Telmo Anum, as the seccessor of his work, albeit it with a more modern catch that befits the new generation of musicians from Pernambuco.

Link para o site da Revista ffw>> mag!:  

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Publico aqui matéria da revista internacional ffw>> mag! n° 29 de janeiro de 2012. Com o tema "Pernambuco - Beleza em Estado Bruto. A revista trouce diversas matérias e fotografias de artistas da terra, entre eles o estimado Mestre Galo Preto, onde na página 71, mostra um pouco de sua história e sabedoria. Com fotos de Renata Main e reportagem de Zeca Gutierres, as matérias com os artistas pernambucanos nos envolvem completamente. Entre eles o Siba Veloso, o Naná Vasconcelos e a maravilhosa Selma do Coco. Boa leitura. Visite: www.myspace.com/mestregalopreto

 
Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

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Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!