sábado, 30 de julho de 2016

Convite para lançamento de Pré Candidatura à Vereador de Olinda de Alexandre L'Omi L'Odò


Convite para lançamento de Pré Candidatura à Vereador de Olinda de Alexandre L'Omi L'Odò

Convido todas e todos os irmãos e irmãs de luta e trajetória de construção de políticas públicas anti racistas e para povos e comunidades tradicionais para participarem da convenção do PT apoiando Tereza Leitão como futura Prefeita da Cidade de Olinda  e o lançamento de minha pré candidatura oficial à vereador de nossa cidade.

O povo de terreiro pode ir além. Votar consciente é fundamental para sairmos do nosso estágio de ostracismo da política. Temos que eleger um representante que tenha plena condição de fazer uma gestão competente e representativa de fato para nosso povo.

Axé e aguardo com carinho todos amigos e amigas que há anos vem construindo junto comigo e eu junto com vocês um mundo melhor para todas e todos.

Local: Clube Atlântico de Olinda - Carmo

Data: 31 de Julho de 2016

Horário: 09h

Critério: Leve sua consciência crítica política para somar conosco!

Alexandre L'Omi L'Odò
Pré Candidato à Vereador de Olinda
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Cavando espaço político

Alexandre L'Omi L'Odò. Foto de Brenda Alcântara.

Cavando espaço político

Religiões afro-descendentes querem representantes dos terreiros nas casas legislativas para combater intolerância religiosa

Tércio Amaral
Tercioamaral.pe@dabr.com.br

Matéria do Diario de Pernambuco, de 14/02/2016 (Domingo), Caderno Política, página b5. Matéria de página inteira.

O ambiente abandonado, repleto de verde em suas ruínas, agrada aos Orixás, que recebem do cachimbo as primeiras fumaças de uma conversa no fim de tarde. O encontro marcado no Nascedouro de Peixinhos, antigo matadouro do bairro periférico de Olinda, tem um motivo: o terreiro é um lugar sagrado e muitas vezes não compatível com determinadas atividades, como entrevistas.

O sacerdote e juremeiro Alexandre L’Omi L’Odò tem pressa. Quer fazer justiça a uma ausência que vem desde os tempos do Brasil Colônia (1500-1808): a participação de pessoas ligadas a cultos afro-brasileiros na política. A decisão do juremeiro, que será candidato a vereador em Olinda pelo PHS, junta-se a de tantos outros no estado do mesmo segmento. Essas candidaturas começam a ganhar espaço como contraponto à bancada evangélica que cresce a cada eleição nas casas legislativas pelo país e à intolerância religiosa.

Digitalização de Matéria. Diário de Pernambuco, 14/02/2016. Caderno Política, p. b1. Chamada.

Vaidoso, Alexandre não revela a idade, mas quando o assunto é política, o discurso é bem afinado. Nascido na própria localidade de Peixinhos, tem formação em história e faz mestrado em ciências da religião na Unicap (Universidade Católica de Pernambuco). Uma de suas propostas é defender questões que já estão na Constituição Federal de 1988, ou seja, em vigor, mas não em prática.

 Digitalização de matéria. Diario de Pernambuco. 14/02/2016. Caderno Política. P. b5.

“Caso seja vereador de Olinda, vou propor a retirada do crucifixo do plenário da Câmara (Municipal) e a retirada de quadros de pseudo-heróis que atentaram contra o povo negro”, diz, ao se referir ao quadro de Bernardo Vieira de Melo, conhecido como carrasco de Zumbi dos Palmares. O dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro em homenagem ao quilombola, morto nessa data em 1695.

“Não vou pregar a intolerância, mas defender uma educação plural, sem o ponto de vista tradicional do cristão branco conservador. Pretendo dar protagonismo aos negros na nossa história e fomentar esse debate da pluralidade”, argumentou.

Assim como Alexandre, Edson Axé, 48 anos, é candomblecista e será candidato a vereador, mas no município de Recife.Seu partido é o PT. “Independentemente de qualquer eleição, nós já fazemos palestras em bairros e RPAs da capital, além de faculdades. A grande questão é o racismo, pois tanto o Candomblé quanto a Umbanda são religiões de raízes negras”, argumenta Edson Axé, que é estudante de direito e formado em gestão de pessoas.

Já o artista popular de Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, Serginho da Burra, que também será candidato pelo PT no município, adota o discurso de “contra-corrente”. Serginho, que é historiador, diz que muitos dos ataques sofridos em terreiros recentemente em são provenientes de grupos evangélicos neopentecostais.

“Esse grupo se organiza na política e quer que as pessoas sigam a doutrina deles. Está na hora de nosso povo se politizar. Quem sabe no futuro teremos um partido prórpio?”, planeja o pré-candidato a vereador em Goiana.

Pesquisador defende pluralidade

O pesquisador da Universidade de Pernambuco (UPE), Erisvelton Sávio de Melo, que concluiu o doutorado em antropologia no ano passado sobre ciganos, na UFPE, defende a pluralidade entre os representantes da política. Na sua avaliação, as candidaturas de segmentos religiosos marginalizados nestas eleições contribui para resgatar uma dívida histórica de grupos discriminados.

“O fato de haver representantes políticos desses segmentos religiosos pode ser visto como algo muito positivo, tendo em vista a diversidade das pessoas que compõe as identidades brasileiras. Identidades essas que parecem estar sendo homogeneizadas no quisito religioso sobre a égide cristã”, desse Erisvelton. No Recife, por exemplo, em um mapeamento realizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social, foram identificados 1,261 terreiros em 2010. Nenhum deles está articulado politicamente, com representantes eleitos, diferentemente das igrejas evangélicas.

A questão da pluralidade, reitera o pesquisador, vem sendo levantada pela “onda conservadora” protagonizada pela bancada evangélica no Congresso Nacional, com pautas como a “cura gay”. “É essencial para barrar essa onda capciosa de transformar assuntos de debates gerais que contemplem todos os eleitores/cidadãos, em vez de transformar o debate nem regime teocrático cristão, de ‘os salvos versus os condenados’”.

+SAIBA MAIS
+ O baixo índice de representatividade dos que se declaram pertencentes aos cultos afro-brasileiros na política ocorre por preconceitos criados historicamente no país desde os tempos da colonização portuguesa.

+ No senso comum, esses cultos são associados ao mal, à bruxaria, e o fato de ter entre praticantes grupos sociais (negros e índios) que foram escravizados e que se encontram em situação econômica inferior agrava a aceitação.

+ Umbanda é uma religião eminentemente brasileira, com doutrina própria. Não é a única, pois existem outras, como o Vale do Amanhecer, Santo Daime e Igreja Universal do Reino de Deus.

+ A Umbanda foi criada em 15 de novembro de 1908, na então capital do Brasil Rio de Janeiro, por Zélio de Moraes, que chegou a ser eleito vereador de São Gonçalo, em 1924, mas que abandonou a política em 1929.

+ A Umbanda, nos anos 1930, se consolida como parte da “identidade brasileira”, construída na Era Vargas, com os prenúncios da democracia racial, defendida nacionalmente pelo sociólogo pernambucano Gilberto Freyre.

+ Os Orixás na Umbanda passam por um processo de “embranquecimento”. É nesse momento que surgem representações de Yemanjás brancas e o sincretismo com santos da Igreja Católica, também brancos, como Jesus na figura de Oxalá.

+ Já no Candomblé é, desde sua formação, de povos afrobrasileiros (negros), e por isso é mais excluída. É fruto de uma junção de práticas religiosas de várias nações africanas, como Jeje, Angola, Banto, Nagô, Ketu.

+ Entre as diferenças entre Umbanda e Candomblé está o fato de no Candomblé ser permitido a sacralização de animais por meio de sacrifícios, a definição mais clara de hierarquia e o vestuário branco.

+ Outra Religião negra pouco conhecida no Brasil é o Islamismo, trazido por escravos negros durante a Colônia (1500-1808) e o Império (1822-1889). Escravos letrados liam os textos originais em árabe e alguns contribuíram com a Revolta dos Malês (1835), em Salvador.

+ Nos anos de 1930, no Estado Novo, houve uma perseguição sistemática às religiões afro indígenas brasileiras. Templos foram invadidos e seus praticantes presos e torturados. Objetos sagrados foram levados e transformados em peças de museu.

Fonte: prof. Dr. Erisvelton Sávio S. de Melo (NEPE-PPGA e LACC – UPE).

Alexandre L’Omi L’Odò
Historiador e Mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 23 de julho de 2016

1° Plenária Povo de Terreiro e Politicas Públicas


1° Plenária Povo de Terreiro e Políticas Públicas

05 de Agosto de 2016 – Olinda/PE

A 1° Plenária Povo de Terreiro e Políticas Públicas, nasce da perspectiva de abrir uma discussão ampla e coletiva que possa beneficiar a sociedade como um todo. Pretendemos refletir sobre a participação das lideranças do Povo de Terreiro na disputa política e na construção de políticas públicas desenvolvidas a partir da luta dos movimentos de nosso Povo, dos movimentos negros e sociais.

Esta também será uma inédita possibilidade de debatermos abertamente com os pré candidatos do Povo de Terreiro de diversos municípios de Pernambuco sobre representação e planejamento estratégico coletivo para nosso segmento nas futuras campanhas. Vamos também avaliar as políticas públicas de promoção de igualdade racial, de cultura, educação etc. das gestões atuais dos municípios.

Vamos nos fortalecer. Nosso Povo precisa se unir em uma só corrente e dar a resposta nas urnas contra o racismo, a intolerância religiosa e todas as outras formas de opressão social.

#QuemédeTerreiroVotaemquemédeTerreiro!
#VamosFortalecerNossoPovo!

INFORMAçÕES:

Data: 05 de Agosto de 2016 (Sexta Feira)

Local: CTCD – Nascedouro de Peixinhos – Olinda/PE

Vagas: 100

Será dado Certificado

Mandar no E-mail – Nome Completo, RG, Nome do Terreiro ou Instituição, e-mail e telefone.

Dúvidas ligar: 81 999013736 / 995257119 – Secretária Betânia


PROGRAMAÇÃO

14h - Palestra: Povo de Terreiro e Políticas Públicas

Conferencista: Dra. Vera Baroni - Advogada e militante histórica da luta do povo negro e de terreiro - Rede de Mulheres de Terreiro e Uiala Mukaji.

Debatedores:

Alexandre Dias – Professor Pedagogo e Diretor do Afro Educação – São Lourenço da Mata/PE
Alexandre L’Omi L’Odò – Historiador e mestrando em Ciências da Religião e coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho – Olinda/PE

14:45h – Debate

15:30h - Mesa Redonda: Povo de Terreiro e Eleições 2016 – Construção de um entendimento político coletivo para o bem comum

Coordenação de Mesa: Professor Omo Xangô João Monteiro – Historiador e Coordenador do Àbámodá.

Palestrantes:

Pai Israel de Averekete – Pré Candidato (Município de Palmares/PE)
Juremeiro Alexandre L’Omi L’Odò – Pré Candidato (Olinda/PE)
Pai Véu de Paudalho – Pré Candidato (Paudalho/PE)
Ogan Edson Axé – Pré Candidato (Recife/PE)
Serginho da Burra - Pré Candidato (Goiana/PE)

16:30h - Debate

17h - Lançamento da campanha: “Quem é de Terreiro Vota em quem é de Terreiro”!

Ritual de encerramento.

Alexandre L’Omi L’Odò
Coordenação
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Coco do "Primeiramente Fora Temer"!



Coco do "Primeiramente Fora Temer"!

Compus este coco quando saí de minha casa em Peixinhos para o Terreiro Xambá, no dia 29 de Junho (dia de São Pedro) para cantar como faço sempre no Coco de Mãe Biu.

A letra ainda não está acabada. Sou coquista e não cantador de coco, por isso faço improviso. Em breve escreverei uma letra mais ampla para dar força à este coco de gancho que nasceu de minha vontade de protestar contra o golpista Temer e toda sua corja de ratos sujos de direita em um dos mais expressivos eventos da cultura popular de Pernambuco. Não poderia começar a cantar para tanta gente linda sem Primeiramente dizer #ForaTemer!

Refrão:

"Oh bate palma no salão pra esse coco minha gente
Primeiramente Fora Temer!"


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

sábado, 16 de julho de 2016

Alexandre L'Omi L'Odò apresenta artigo científico sobre o Parque 13 de Maio no ANPUH-PE

 Alexandre L'Omi L'Odò na ANPUH PE 2016. Foto de Chiquinho de Assis.

Alexandre L'Omi L'Odò apresenta artigo científico sobre o Parque 13 de Maio na ANPUH-PE

O dia 15 de Julho de 2016 foi muito produtivo no Simpósio Temático de Ensino de História, Patrimônio e Memoria no XI Encontro Estadual da ANPUH - Associação Nacional de História na UFRPE. 

L'Omi, apresentou um artigo intitulado "13 de Maio não é dia de negro" - um olhar sobre o parque 13 de Maio do Recife. O artigo abrange a história do parque e propõe uma reflexão do por quê neste espaço da cidade não existe nenhuma menção à cultura, história e luta do povo negro "libertado" na data que dá nome ao parque.

 Alexandre L'Omi L'Odò na ANPUH PE 2016. Foto de Chiquinho de Assis.

 Alexandre L'Omi L'Odò na ANPUH PE 2016. Foto de Chiquinho de Assis.

A discussão foi muito rica e a tarde teve um alto nível de troca de saberes no campo da história. 

Firmes na luta no: Se ocidentalizando para se desocidentalizar!  Firmes na pisada!

O artigo será publicado nos anais do evento em breve via internet. O link será disponibilizado neste blog.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 9 de julho de 2016

Repercussão na mídia do caso de intolerância religiosa sofrida pelo juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò

Alexandre L'Omi L'Odò em entrevista no programa Balanço Geral na TV Club Pernambuco no dia 20 de Junho de 2016.

Repercussão na mídia do Caso de intolerância religiosa sofrida pelo juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò

A repercussão do caso de intolerância religiosa sofrida pelo sacerdote juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò ocupou as redes sociais com o vídeo/registro do caso e relato escrito que "viralizou" no facebook. Ocupou ainda as páginas dos três jornais de Pernambuco e a mídia televisiva através do programa de alta audiência Balanço Geral da TV Club PE. O sacerdote ainda denunciou o caso ao Ministério Público do Estado - MPPE e aguarda respostas oficiais da instituição. 

Matéria impressa do Jornal Folha de Pernambuco. Ver texto no link abaixo.

Foi de grande importância toda esta movimentação que fez ferver as páginas dos jornais na internet com uma enorme diversidade de comentários a favor da luta contra a intolerância religiosa e contra o racismo. A repercussão do caso contribuiu para a reflexão da população como um todo, já que infelizmente todos os dias vê-se esta prática proselitista e proibida dos "evangélicos" nos ônibus, metrôs e dentro das estações e terminais integrados. Muitas também foram as mensagens de apoio dos evangélicos que são contra estas práticas racistas e intolerantes. Este foi outro ganho fundamental na luta pelos direitos humanos, afinal, com a exposição de apoio ao caso, fica mais claro que não são todas as denominações evangélicas que pregam e ensinam a intolerância e a arrogância cristã. O sacerdote também no seu dia a dia vem recebendo nas ruas grande apoio da população que é contra estes absurdos da nossa sociedade.

Seguem abaixo os links das três matérias que abordaram o tema tanto na internet como nos jornais impressos:




Também teve importante repercussão a reportagem do Programa Balanço Geral com Hugo Esteves que foi ao ar no dia 20 de Junho de 2016. Com grande audiência, a matéria cumpriu um excelente papel educativo contra estes crimes de racismo e intolerância religiosa cometidos cotidianamente dentro dos transportes públicos. O apresentador foi muito competente em ter tratado o delicado tema com respeito, focando na perspectiva de despertar na população o entendimento de que ações como as cometidas por "evangélicos" nos ônibus e metrôs não podem se repetir para que seja respeitada a liberdade de crença de todas e todos. Estamos solicitando as imagens ao programa para posteriormente publicar na internet com o objetivo de dar maior visibilidade ao caso e também contribuir para a educação dos membros de nossa sociedade.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Discriminação dentro de ônibus desperta debate sobre intolerância religiosa

Alexandre L'Omi L'Odò denunciou o caso de intolerância religiosa ao MPPE. Foto de Rafael Martins.

Discriminação dentro de ônibus desperta debate sobre Intolerância religiosa


Sacerdote da Jurema foi execrado por evangélicos e denunciou o caso ao Ministério Público

Matéria de Adaíra Sene
Diario de Pernambuco, 17 de Junho de 2016.

Ele é amaldiçoado, macumbeiro, catimbozeiro, dessas religiões, víbora do inferno, illuminati do satanás. Não faltaram termos pejorativos para um grupo de evangélicos queimar Alexandre L'Omi L'Odò, sacerdote da jurema, na inquisição da pós-modernidade. E nos novos tempos, o julgamento vem em cliques. As imagens das ofensas caíram nas redes sociais e causaram inquietação. Se nos séculos passados as chamas ardiam sob alegação de combate à heresia, no último dia 09, as palavras incendiaram com o intuito único de exterminar o diferente. Em um país miscigenado, foi no terminal de ônibus de Xambá - assim denominado em respeito à Nação Xambá ainda viva em Olinda - que um seguidor da religião de matriz africana e indígena se viu coagido por suas crenças. A intolerância vivida por Alexandre - produtor cultural, fundador do Quilombola Cultural Malunguinho e estudante de mestrado em Ciências da Religião - agora é investigada pelo Ministério Público de Pernambuco.

"A maioria do nosso povo abaixa a cabeça e guarda para si quando nos agridem. Eles usam adjetivos para desqualificar nossa tradição, sacerdócio e nossos símbolos religiosos. Eu não saí de casa para brigar com ninguém, mas reagi. Tive que enfrentar isso como os velhos guerreiros malunguinhos enfrentavam", desabafou. 

No dia 09, por volta das 20h, ele entrou num ônibus que fazia a linha TI Xambá/Encruzilhada, no Terminal de Xambá, acompanhado do afilhado de jurema Henrique Falcão. Os dois seguiam para a casa de axé Ilé Iyemojá Ògúnté, em Água Fria. Mas, segundo o juremeiro, ao entrar no ônibus, um vendedor de açaí começou uma pregação e instigou os evangélicos que estavam no coletivo contra ele. Teria dito, inclusive, que sabia da existência de um grande terreiro de "macumba" por trás da estação, o Terreiro Xambá, comandado por "um negão pai de chiqueiro", citando o babalorixá Ivo de Xambá.  

"Ele falou do meu povo e de um sacerdote. Fui diretamente atingido e reagi. Ainda me chamou para brigar dizendo que o demônio não conseguiria atingir um filho de Deus. Sou pacifista, mas não abaixo minha cabeça. Rebati com argumentos convincentes sobre o desrespeito dele até mesmo aos princípios da religião que segue, que diz que não devemos julgar. Algumas pessoas concordaram, mas outras se manifestaram até com o Espírito Santo contra mim", detalhou. A confusão foi tamanha que até mesmo o vigilante do Terminal Integrado foi até o ônibus. "Seguranças e fiscais da estação mandaram que nos retirássemos. Óbvio que também os rebati dizendo que paguei a passagem e que eu era a pessoa que estava sendo violentada". Segundo Alexandre, a discussão só terminou quando ele chegou ao seu destino.

Indignado, o juremeiro publicou um vídeo que fez das ofensas no Facebook no último 12. A postagem alcançou grande repercussão e - até a noite desta sexta-feira - tinha mais de 500 compartilhamentos. Alexandre L'Omi L'Odò, então, levou a denúncia para o Ministério Público. O caso foi registrado nessa quinta-feira. O MPPE, por meio da Promotoria de Justiça de Transporte, colheu o depoimento dele e vai instaurar um procedimento investigativo. No prazo de 30 dias, o caso será analisado para que sejam tomadas as medidas cabíveis. O promotor de Justiça Humberto Graça foi designado para a ocorrência.
A equipe de reportagem entrou em contato com o Grande Recife Consórcio de Transportes para questionar a conduta do fiscal e o comércio irregular e pregação dentro do coletivo. Segundo o Grande Recife, quem interveio foi um vigilante patrimonial. Através da assessoria de imprensa, o funcionário afirmou que entrou no ônibus tentando apaziguar a discussão, mas que em momento algum pediu para que eles se retirassem. Doutrinações e vendas são proibidas dentro de ônibus e, segundo o Consórcio, cabe aos motoristas solicitarem que as pessoas parem ou se retirem. Quando são flagradas pelos fiscais, as empresas são autuadas. Não foi o que aconteceu no último dia 09.
Regulamentação do Grande Recife
De acordo com o anexo 15 do Regulamento do Sistema de Transporte Público de Passageiros da Região Metropolitana do Recife (STPP/RMR), não é permitida a atividade de vendedores ambulantes dentro dos veículos, assim como é proibido qualquer usuário de falar em voz alta (seja para vender, anunciar, pedir, pregar religiões, etc) de modo que perturbe o sossego dos demais usuários.

CASO REACENDE DEBATE QUE ANDA À ESPREITA NA SOCIEDADE: A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA


Preconceito religioso foi tema de especial do Diario: Povos de Santos. http://diariode.pe/f0uc. Foto: Victor Germano

Para o psiquiatra Carl Jung, o papel dos símbolos religiosos é dar significação à vida do homem. A partir dessa consciência de fé, florescem as mais diversas crenças enraizadas por influências do meio e da colonização pela qual ele se formou. De acordo com a doutora em teologia especialista em políticas públicas e direitos humanos e uma das fundadoras do Comitê Nacional de Diversidade Religiosa, Marga Janete Ströher, no Brasil, a intolerância religiosa sempre existiu.

"Nossa colonização já veio acoplada a um projeto político e religioso. Há 516 anos, os índios não tiveram sua religiosidade reconhecida. Os povos ciganos já vieram expulsos da Europa. Os africanos foram escravizados. Lidamos com isso como convivemos com uma suposta democracia racial. Você só ouve falar quando chega a níveis extremos, com incêndios criminosos em terreiros e assassinatos".

A intolerância no país tem aumentado?
Eu trabalhei por quatro anos acompanhando de perto as denúncias do Disque 100, o Disque Direitos Humanos. Posso dizer que tem aumentado de forma sistemática e cada vez mais agressiva. O fascismo que cresce dentro do nível político e econômico também se transporta para o nível das relações e se prolonga pelo país inteiro. Para termos uma ideia, desde quando começamos a divulgar o Disque 100, de 2012 até 2013, houve um aumento de 600% no número de denúncias. 

Quem são as principais vítimas da intolerância religiosa?
A gente sabe que em primeiro lugar estão as pessoas de matrizes africanas, indígenas ou afro-indígenas. Mas também existem os muçulmanos que são diretamente vinculados ao terrorismo porque as pessoas não têm discernimento sobre o que é religião e o que é posição política radical. E ainda temos ateus e agnósticos nos país, cerca de 8%, que sofrem porque são julgados como sem caráter por não acreditar em Deus. 

Quem são os principais agressores?
É complicado você dizer isso, mas, de acordo com as denúncias, por via de regra são seguidores de religiões fundamentalistas, cristãos evangélicos. É importante deixar claro que não é apenas uma intolerância religiosa. Ela é um componente muito forte de racismo atrelado à violência. Não estamos mais apenas no nível do desrespeito. Chegamos ao ponto crítico de assassinatos. 

Onde as agressões mais acontecem?
Por incrível que pareça, muitos casos acontecem com crianças ainda nas escolas. Muitas são discriminadas e ofendidas verbalmente por estarem com vestimentas ou guias, por exemplo, que fazem parte dos rituais das tradições. Mas acontece em todos os lugares. Nas ruas, em supermercados. Os terreiros mesmo, considerado lugares sagrados, têm sido apedrejados e destruídos pelo país inteiro.

Essa violência motivou a criação do Comitê Nacional?
A motivação maior da criação do Comitê de respeito à diversidade religiosa veio a partir das denúncias que a gente recebia através do Disque Direitos Humanos. Mas, além disso, também recebíamos muitas informações nas visitas que fazíamos pelo país e decidimos criar algo para concentrar ações e reverter essa história.

Qual a missão do comitê?
O comitê é paritário e funciona em parceria do Governo Federal com a sociedade civil. Ele serve para ampliar o debate e fomentar a implantação de políticas públicas para atender essa demanda crescente. Ele tem essa função importante de trabalhar metodologias de conscientização.

Como as pessoas podem denunciar?
Se você se sentiu desrespeitado devido às crenças que segue, procure a delegacia mais próxima, registre a ocorrência. Vá ao Ministério Público, denuncie. Por todo o país existem órgãos de assistência e acolhimento para vítimas desse tipo de violência.

"É preciso problematizar a questão. Não é a primeira vez que isso acontece. E isso é fruto de um proselitismo religioso. O número de evangélicos vem crescendo e eles são doutrinados a pensar que apenas a religião deles é a correta. Muitas igrejas estão bombardeando ideologias racistas e preconceituosas sob uma perspectiva teológica que o Deus deles é melhor que o dos outros e formam pessoas preparadas para agredir nosso povo pelas ruas. É preciso uma intervenção enérgica de conscientização para que crimes de intolerância parem de acontecer. Sei que é uma ferida aberta e foi preciso que eu colocasse o dedo para ampliar o debate. Mas nossos terreiros estão sendo incendiados, os filhos de santo têm apanhado nas ruas. Se esse pensamento fascista se expandir, daqui a pouco vamos derramar sangue por religião", ponderou o juremeiro Alexandre L'Omi L'Odò.

Central de Atendimento Disque 100
Ligação gratuita 24 horas: 100


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

MPPE apura caso de Intolerância Religiosa

Alexandre L'Omi L'Odò mostrando a denúncia feita ao MPPE. Foto de Bruno Campos.

MPPE apura caso de Intolerância Religiosa

Matéria de Priscila Costa.
Folha de Pernambuco, 17 de Junho de 2016.

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) abrirá investigação para apurar práticas de intolerância religiosa ocorridas no Terminal Integrado Xambá, em Olinda, Grande Recife. O órgão tem até 30 dias para concluir o caso. A denúncia foi oferecida na última quinta-feira (16) pela vítima, Alexandre L’Omi L’Odò, seguidor da Jurema Sagrada, uma religião de matriz indígena e africana. A queixa foi acatada pelo MP por estimular o preconceito o que, aos olhos do ministério, é crime. Quem está à frente do caso é o Promotor de Transporte da Capital, Humberto Graça.
Matéria impressa da Folha de Pernambuco de 17 de Junho de 2016, Caderno Cotidiano, Página 2.

Alexandre L’Omi L’Odò contou que os atos de intolerância começaram após o ambulante, que é evangélico, ver o colar da vítima.  Ele carrega o Signo Salomão que, na Jurema Sagrada, representa a estrela de Malunguinho. “Foi aí que comecei a ouvir ironias. Não me calei, claro. Daí, ouvi de tudo, desde que era filho do satanás, seguidor das trevas”. Ele contou que o ápice da confusão veio quando o homem insultou o Pai Ivo de Xambá e criticou os adeptos da religião.

“Pelo pouco que vi, já constatei irregularidades que vão além da intolerância religiosa. E como ele fez, de forma preconceituosa, pode ir também à esfera criminal”, adiantou o promotor Graça. O caso ocorreu no último dia 9, mas a denúncia foi oferecida na última quinta.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Intolerância Religiosa de evangélicos contra juremeiro dentro do Terminal Integrado de Ônibus Xambá


Intolerância Religiosa de evangélicos contra juremeiro dentro do Terminal Integrado de Ônibus Xambá

Esta postagem que fiz no facebook no dia 12 de junho de 2016 ganhou enorme repercussão nacional. Viralizando na internet, este registro que fiz da intolerância e racismo religioso que sofri, deve servir para a reflexão do quão grave é a situação que o povo de terreiro cotidianamente vive nos transportes públicos (ônibus e metrôs). Vamos combater e educar. Assim contribuímos contra algo tão absurdo. Sigamos na luta pelo extermínio do racismo e dessa doentia intolerância religiosa praticada por parte dos "evangélicos". Denunciei no Ministério Público de Pernambuco - MPPE e aguardo resposta da promotoria de transporte desta instituição.

Segue relato:
No dia 11 de junho de 2016, por volta das 20h, eu e meu afilhado de Jurema Henrique Falcão estávamos dentro da Estação Xambá (TI) para pegar o ônibus TI Xambá Encruzilhada, pois íamos visitar a nossa casa de axé o Ilé Iyemojá Ògúnté, que fica em Água Fria/Recife. 

Ao entrarmos no ônibus, um vendedor ambulante iniciou um discurso aparentemente extrovertido para vender açaí... Contudo, ele, o tempo inteiro ficou reafirmando ser pertencente a Igreja Assembléia de Deus (pelo que entendi). Após identificar que eu era um "macumbeiro", começou a fazer o tétrico discurso evangélico de baixa estirpe se direcionando à mim. Falando com arrogância que conhecia a verdade e havia encontrado a luz, pois havia desistido de ser um "umbandista" e que conhecia tudo "dessas religiões", tentando provar isso, afirmou que sabia que tinha "um grande terreiro de Macumba" por detrás daquela estação de ônibus (o Terreiro Xambá) comandado por "um negão pai de chiqueiro" se referia obviamente ao querido e importante babalorixá Ivo de Xambá. 

Quando ouvi tamanho absurdo racista e intolerante me rebelei imediatamente falando: pai de chiqueiro nada, ele é um babalorixá, um sacerdote de respeito! Respeite a religião dos outros, por que eu sou um juremeiro, catimbozeiro, macumbeiro e candomblecista com muito orgulho e exijo respeito comigo e com minha religião (em voz estridente). 

Continuei: você é um ignorante racista e que desrespeita até os princípios de sua religião que diz que não deves julgar, portanto estais em pecado e vai pro inferno devido a sua falta de respeito para com os seus "irmãos"! E que devido a esta sua atitude ignorante e racista você se demonstra uma pessoa sem condições de refletir sobre absolutamente nada, e que este é o reflexo da má educação pública que embranquece as mentes e torna as pessoas vulneráveis a ideologias criminosas que não se justificam como esta sua (...). 

Ele rebateu: "a verdade dói" e ironicamente ele pediu desculpas e continuou a reafirmar este pensamento, ignorando o que eu falei, abriu assuntos paralelos com "evangélicos" presentes no ônibus que obviamente o apoiaram e iniciaram gritos contra a minha fé "pregações de salvação"... 

Rebati: afirmei que existem mais de dez mil religiões no mundo e questionei o por que só as dos evangélicos seria a certa, a única verdade ou que seria a religião que salvaria... E falei que este pensamento é falta de senso crítico que isso tem ligação direta com a situação política do país hoje, com Temer na presidência da República liderando um golpe antidemocrático sem precedente. 

Daí, uma "evangelica" indignada falou que a crise econômica do país não a afetava por ela "ser de Jesus". Sugeri um breve reflexão e disse, a crise não lhe pega e você andando de TI Xambá, o que a deixou raivosa. 

A esta altura do campeonato, os passageiros já estavam estressados com a briga de discursos em voz extremamente alta que estava acontecendo, e o ônibus não saiu do lugar até vir seguranças e fiscais da estação para mandar que nos retirássemos do ônibus. Óbvio que também os rebati dizendo que paguei a passagem e que eu ali era a pessoa que estava sendo violentada. Logo eles perceberam a situação e não insistiram, liberando a saída do ônibus para seu roteiro. 

Imaginei que as coisas iriam se acalmar, porém outras mulheres "evangélicas" não só levantaram a voz de forma arrogante, como também levantaram de seus lugares e direcionando a palavra a mim afirmaram que: "a salvação era única, e que eu e meu afilhado iríamos "queimar no fogo". A partir disso, uma série de xingamentos vieram a tona por parte deles contra mim como: "víbora do inferno, iluminatti do satanás, espírito sem luz, amaldiçoados" dentre outros, como se pode perceber neste vídeo que não representa nem 10% de toda essa odisseia repugnante do racismo e da intolerância religiosa. 

Não satisfeito, o vendedor me desafiou a entrar em conflito físico com ele. Afirmando que não seria possível tocá-lo por ele ser "filho de Jesus". Ficou exaltadíssimo querendo briga e eu falei que não era necessário aquilo, por que eu discuto argumentos e não precisaria de atos rudes para a resolução de meus problemas. Ele se manteve provocando até a hora de sua descida.

A viagem só teve paz praticamente quando desci. Onde fui surpreendido por uma evangélica que em um momento de lucidez veio até mim falar que o vendedor estava realmente errado e que não se pode julgar nem desrespeitar a religião dos outros. Os demais passageiros que não eram evangélicos ficaram todos do meu lado, concordando e expressando com falas, gritos, e olhares de apoio a situação que eu estava passando. 

Por ironia do destino, quando voltamos para casa, pegamos o mesmo ônibus (TI Xambá - Encruzilhada), e a primeira coisa que ouvi ao subir no veículo foi "vai fazer show novamente?", daí percebi que havia pego o mesmo transporte com o mesmo motorista e a mesma cobradora... Daí respondi com segurança: Se eu me sentir ofendido novamente irei sim! 

O que passei ontem, serve para refletirmos que devemos reagir contra a opressão dos racistas e intolerantes religiosos sempre. Nós não podemos nos calar perante os opressores, nosso silêncio e omissão não condiz com nosso histórico de resistência, e também esta mesma omissão outorga aos opressores o pensamento de que eles podem fazer o que quiserem contra nós sem que reajamos. 

#NãoaoRacismo! 
#NaoaIntoleranciaReligiosa! 
#Nãoaodiscursodeódionotransportepúblico!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho

alexandrelomilodo@gmail.com

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