segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

RPV - Lei do Registro do Patrimônio Vivo 2008, infelizmente não foi desta vez para o grande Mestre Galo Preto.

Infelizmente não foi desta vez que o nosso grande Mestre Galo Preto, o rei do coco e da embolada, foi reconhecido pelo Estado de Pernambuco como patrimônio vivo.

Parabenizamos os Vencedores 2009, em especial a grandiosa Mestra e verdadeiro Patrimônio vivo, Dona Selma do Coco, por ter rompido as barreiras do racismo e da descriminação à cultura nordetina, levando e enaltecendo o coco Praieiro e de roda para todo o mundo.
Salve Dona Selma, já foi tarde este reconhecimento!

Comemorando seus 65 anos de coco e resistência cultural, o Mestre Galo Preto na altura dos seus 73 anos de idade (1935 - 2008), tendo uma singular história na formação do coco em Pernambuco, ainda está firme na luta pelo seu registro como patrimônio vivo. Em 2009 esperamos com muita esperança que o Conselho Estadual de Cultura do Estado, reconheça este valor negro de nossa tradição.

Vamos a Luta!!!
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Governo do Estado nomeia três novos Patrimônios Vivos de Pernambuco

O Caboclinho Sete Flexas, o Teatro Experimental de Arte de Caruaru e Dona Selma do Coco foram os contemplados na edição de 2008 do Registro de Patrimônio Vivo de Pernambuco

Joana Pires e Guilherme Gatis

O Conselho Estadual de Cultura divulgou, no último dia do ano, a lista com os mais novos Patrimônios Vivos de Pernambuco. O Caboclinho Sete Flexas de Água Fria, o Teatro Experimental de Arte de Caruaru (TEA) e Selma Ferreira da Silva, a Dona Selma do Coco, foram os nomes escolhidos na edição deste ano. Ao todo, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) recebeu 102 candidaturas de mestres e grupos populares. Apenas 10 não atingiram os critérios estabelecidos para concorrer às vagas garantidas pelo edital deste ano.
A Lei do Patrimônio Vivo de Pernambuco (nº 12.196/02) é uma iniciativa que busca valorizar e homenagear os principais ícones da cultura pernambucana que, durante décadas, se destacaram por um trabalho de relevância cultural. Editada em 2002 e regulamentada em 2004, pelo decreto nº 27.503, a lei estabelece uma remuneração mensal de R$ 750 para pessoas físicas e R$ 1,5 mil para grupos e tem como objetivo preservar a tradição popular através do intercâmbio de conhecimento entre as novas gerações. Os artistas que recebem as pensões têm como contrapartida o comprometimento de participar de atividades educativas para que seus conhecimentos sejam perpetuados. Com os três novos contemplados, Pernambuco possui agora 18 Patrimônios Vivos (confira a lista abaixo).


TEATRO EXPERIMENTAL DE ARTE (TEA) - Fundado em 1962, inicialmente como um grupo de estudo, o Teatro Experimental de Arte de Caruaru (TEA) já encenou mais de 50 espetácilos, como os clássicos Antógona, de Sófocles, a textos experimentais como Feira de Caruaru, que marcou a estréia do caruaruense Vital Santos como dramaturgo. Liderado por Argemiro Pascoal, que desde 1948 trabalha com teatro e é um dos expoentes das artes cênicas caruaruenses, com mais de 15 peças escritas, já passaram pelo TEA grandes nomes da dramaturgia pernambucana como Clênio Wanderley, Isaac e Estephania Gondim, Walter Estevão, Luiz Maurício Carvalheira, Romildo Moreira, Didha Pereira, José Manoel.

DONA SELMA DO COCO - Um dos expoentes do coco de roda, ritmo tipicamente pernambucano, Dona Selma começou descobriu seus dotes artísticos na Cidade Alta de Olinda, num tabuleiro de tapioca. A música foi, na época, uma forma de atrair a clientela e chamar a atenção dos turistas enquanto vendia comes e bebes na frente da sua casa. Em 1996 a rainha do Coco, como também é conhecida, foi uma das atrações do Abril Pro Rock, se destacando no palco festival em plena efervescência do Mangue Beat. Um ano depois sua canção "A Rolinha", presente no disco "Minha História", foi uma das músicas mais executadas durante o carnaval. Dona Selma já defendeu as cores pernambucanas em vários países da Europa e sua obra representa o Estado em diversas coletâneas internacionais.

CABOCLINHO SETE FLEXAS - Fundado em 1969 pelo mestre Zé Alfaiate e atualmente comandado por seu filho, Paulinho, o Caboclinho Sete Flexas, com sede no bairro de Água Fria, Subúrbio do Recife, incorpora as tradições dos caboclinhos mais antigos, sobretudo os fundamentos religiosos. O Sete Flexas se destaca pelo cuidado com a apresentação enquanto espetáculo propriamente dito, valorizando a dança, a musica e os aspectos visuais O grupo também é referência na comunidade de Água Fria pelas atividades sociais e o poder agregador que exerce nos mais jovens.

PATRIMÔNIOS VIVOS DE PERNAMBUCO
Camarão (sanfoneiro)
Clube de Alegorias e Crítica Homem da Meia Noite (clube carnavalesco)
Confraria do Rosário de Floresta do Navio (irmandade religiosa)
Dila (cordelista e xilógrafo)
Fernando Spencer (cineasta)
Índia Morena (artista circense)
J. Borges (cordelista e xilógrafo)
José Costa Leite (xilógrafo)
Lia de Itamaracá (cirandeira)
Manuel Eudócio (artesão)
Maracatu Carnavalesco Misto Leão Coroado (maracatu)
Nuca (artesão ceramista)
Sociedade Musical Curica (banda de música)
Zé do Carmo (artesão ceramista)
Zezinho de Tracunhaém (artesão)
*Foto do Mestre Galo Preto: Laila Santana.

Alexandre L'Omi L'Odò
Sacerdote -Músico -Educador-Produtor Cultural
Quilombo Cultural Malunguinho, por uma política de igualdade na diversidade etnico-racial.
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Tendo participado da organização e construção da carta de Pernambuco, que, apóia a aprovação do estatuto da Igualdade Racial com parceria de diversos movimentos negros, entidades sociais e culturais, povo de Terreiro e o poder legislativo do Estado (dep. Isaltino Nascimento), O QCM (Quilombo Cultural Malunguinho) trás a público o resultado das discussões e texto oficial que foi encaminhado oficialmente para a câmera federal.

Os negros, negras e anti-racistas deste Pernambuco libertário manifestam-se pró-aprovação, imediata, do PL 3.198/00 e o ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL no momento em que se debate, em termos nacionais e na Casa de Joaquim Nabuco (Assembléia Legislativa de Pernambuco) a partir da Audiência Publica com o Movimento Negro pernambucano, na Câmara Federal e com os movimentos sociais negros sobre o tema.

"O racismo é um fenômeno estrutural na sociedade brasileira e afeta as possibilidades de inclusão dos negros e negras na sociedade. Os movimentos negros conquistaram o reconhecimento publico de que o racismo está presente nas relações sociais e é um fator fundamental de desigualdade. O caminho do Brasil para a democracia e a cidadania demanda que o racismo e outras formas de iniqüidade social sejam abolidas no nosso cotidiano, por isto, posicionar-se e combater o racismo é compromisso inerente a uma proposta de governo popular, democrático e solidário".

Vimos já de algum tempo construindo propostas para todo o Brasil, tratando da dimensão racial nos seus mais diversos matizes. Através de intenso trabalho de pesquisa, debates, formação de grupos temáticos, plenárias, seminários regionais e grupos de estudos, realizado por cidadãs e cidadãos que acreditam na construção de um modelo quilombola de ser, no desejo e na esperança de construir um estado, um país e um mundo com justiça racial e social. Importante destacar que, desde 1967, o Brasil participa e é signatário dos Acordos, Tratados e Conferências Internacionais, contra o Racismo, as Discriminações Raciais, religiosas e Xenofobia.

Estamos em meio a um turbilhão de mudança sócio cultural e principalmente de visão de mundo, o acúmulo de conhecimento aliado aos avanços sociais não nos permite retroceder, conseguimos alterar a Lei Federal 9.394/1996 modificada pela Lei 10.639/03 e complementada pela Lei Federal 11.465/08 que inclui a obrigatoriedade na rede pública e privada do ensino da temática "História afro-brasileira e indígena".

O Estatuto da Igualdade Racial representa a partida legal da nossa reparação dos direitos negados às etnias que foram marginalizadas e excluídas de políticas públicas que favorecessem o exercício pleno da cidadania, esta conquista sempre foi causa de grandes lutas da história pernambucana através de ícones do porte de Zumbi dos Palmares, Dandara, Malunguinho líder quilombola, Lelia Gonzales, Florestan Fernandes, José Mariano, o poeta Solano Trindade e o Almirante Negro João Candido recentemente anistiado.

A criação da SEPPIR, a construção de vários outros estatutos, o desenvolvimento dos conselhos a partir do governo do presidente Luiz Inácio LULA da Silva nos diz, em muito, do acerto de lutarmos pela aprovação do nosso Estatuto ainda nesta gestão do governo LULA.

A idéia da Carta de Pernambuco é chamar a atenção para importância em aprovar o Estatuto da Igualdade Racial da forma que foi apresentada pelo Senador Paulo Pain. Sem os discursos que tentam macular o significado das cotas, sem os retrocessos impostos aos quilombolas e sem retirar o fundo nacional de promoção da igualdade racial.

Assim, conclamamos a todos e todas legisladores, vereadores (as), deputados (as) estaduais, federais e senadores (as), e demais membros do Poder Executivo, Presidente da República, governadores (as), prefeitos (as) e demais membros de outros poderes, sociedade civil organizada de todo o estado de Pernambuco, Norte e Nordeste do Brasil e demais regiões, comprometidos com a democracia, com um governo popular, democrático e solidário, que se aliem a esta luta para que a sociedade brasileira veja reparada a dívida imensa que temos com a população brasileira, negra e não negra.

Saudações Quilombolas.

Entidades que assinam este documento:
Brigada Zumbi dos Palmares ;

Casa de Passagem;

CEN;

Centro Espírita Yemanjá Itambé-PE;

CNTSS

Comissão de Mulheres da ALEPE;

Diretório Municipal do PT Recife;

Diretório Regional PT-PE;

Espaço Cultural Badia;

FEMECOAL Abreu e Lima;

FERU Olinda;

Fórum de Mulheres Mercosul;

Gabinete da Prefeita de Olinda;

Gabinete Dep. Estadual Isaltino Nascimento;

Gabinete Dep. Tereza Leitão;

Gabinete do Vereador Marcelo Santa Cruz;

Gabinete do Vice Prefeito de Olinda;

GRAC- Pina;

GT Raciall CEHAB;

Ilê Axé Obakossô Ogodê;

lIê Axé Ônin Sabá;

ILÊ AXÉ OXALUFÃ ;

lIê Ojú Obá;

Ilê Oyá T’Ogùn;

Instituto Jovem do Brasil;

Intecab/PE;

Maracatu Estrela Brilhante;

Maracatú Porto Rico;

Mestre Galo Preto;

MNU - Paulista;

MNU- Jaboatão dos Guararapes;

MNU-PE;

Movimento das Entidades de Águas Compridas e Adjacências;

Movimento Negro Socialista- PSB;

Movimento LGBTT-PE;

Movimento Quilombola;

Quilombo Cultural Malunguinho;

OTM- Organização Trajetória Mundial;

Ouvidoria da Mulher de Olinda;

Rede de Mulheres de Terreiros de Pernambuco;

SANEAR;

Secretaria Estadual de Combate ao Racismo do PT/PE;

Secretário Estadual das Cidades de Pernambuco e Membro da Executiva Nacional do PT;

Setorial da Igualdade Racial;

Setorial da Igualdade Racial;

SINDSPREVI CUT-PE;

SINDUR/PE

SNCR-PT/PE;

Terreiro Xambá;

Terreiro Iyemanjá Ogunté (terreiro de Mãe Lú);
Terreiro de Iyemanjá Sessú (terreiro de mãe Terezinha Bulhões);
Terreiro de Jurema Sagrada e Xangô Oyá Egunitá (terreiro de mãe Dora);

Entre outros(as).


Alexandre L'Omi L'Odò.

Quilombo Cultural Malunguinho

alexandrelomilodo@hotmail.com

qcmalunguinho.blogspot.com

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá 2008, unindo Nações!

III KIPUPA MALUNGUINHO, COCO NA MATA DO CATUCÁ 2008.
Unindo Nações!
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A tradição do Coco de Malunguinho, o Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá, na sua terceira edição, teve como principal novidade a participação de mais de 500 pessoas, entre sacerdotes e sacerdotisas da Jurema Sagrada e do Xangô pernambucano.
Entidades como MNU (Movimento Negro Unificado), Rede de Negras, Negros e Afro LGBTT - RNAF/GGP, CEPPIR/PE, Festa da Lavadeira, Ação Cultural, Rede Nacional de Matriz Africana dos Pontos de Cultura, INTECAB/PE, UFPE, UNICAP, Prefeituras de Abreu e Lima e Recife, além dos Mestres Griôs (os Kimbandas de Malunguinho) do Quilombo Cultural Malunguinho.

Reunindo um público diversificado, entre sacerdotes dos cultos afro, pesquisadores, artistas, produtores, estudantes e pessoas interessadas, o evento teve saída as 8h da manhã do Nascedouro de Peixinhos em Olinda, Pátio do Carmo no Recife (2 ônibus) e em Paulista. Seguindo o comboio de Malunguinho via as antigas Matas do Catucá, na mata norte do Estado.

Juntando também pessoas das comunidades e povoados adjacentes, com a intenção de provocar o raciocínio e o reconhecimento do espaço, para a partir da ação cultural ali desenvolvida, eles olharem o antigo Catucá como espaço de vida, história e força espiritual, contribuindo para o fortalecimento do movimento contra o desmatamento da localidade, que anda a paços largos. A comunidade ali existente começa a vislumbrar e discutir novos rumos e perspectivas, a partir da movimentação dos Juremeiros e Juremeiras que ali afirmaram com a religiosidade de matriz indígena, o valor e a importância de tal espaço. Jamais estas matas serão as mesmas para os que ali vivem e resistem como povoado que lutou pelas terras que hoje tem.
Iniciando as atividades do dia, como já é de tradição, iniciamos com as palestras e conversações sobre o contexto histórico e cultural do evento. O Professor e Historiador, mestrando em ciências da religião pela UNICAPE João Monteiro, iniciou falando sobre a resistência do Catucá e o Valor histórico de Malunguinho, pois o mesmo está realizando seu mestrado com o tema: Malunguinho, Inclusão Histórica e Divina. Palestrando também sobre a questão da importância da preservação da mata, o nosso anfitrião e morador da região Juarez, o nosso guia dentro da mata. Daí as discussões ficaram por conta do Babalorixá Gil Holder de Ogun e Mãe Lúcia. O evento foi Coordenado por Alexandre L’Omi L’Odò que fez a apresentação dos palestrantes e contribuiu com a discussão de forma intensa.

No evento também foi o momento da gravação do documentário sobre Malunguinho, Histórico e Divino, pelos alunos da UNICAP, que estão finalizando o curso de jornalismo com o tema, (revelando nossa história de PE), os alunos João Júnior e Luiz entre outros coordenaram as gravações e o registro audiovisual do Kipupa.

Esteve presente também o documentarista Felipe Perez Calheiros, que também fotografou e realizou registros do evento, que também tem como pretensão, no futuro realizar um filme com o tema Malunguinho.

Eduardo Melo (criador e produtor executivo da Festa da Lavadeira, Ação Cultural, o maior evento de cultura tradicional e popular do Brasil), impressionado com a força do evento, colocou-se disposto a somar conosco forças na luta pelo resgate de nossa história e auto-estima com a religião da Jurema e o imaginário que cerca os “brinquedos” do homem do nordeste e do povo de terreiro do Brasil.

A dita “Cultura Popular”, é uma expressão viva e dinâmica do imaginário do negro e índio no Brasil. É um desdobramento do conceito de vida destes povos. O coco, a Ciranda, os Maracatu, Afoxés, dentre dezenas de outros Brinquedos, denotam que estes elementos são princípios fundadores do que conhecemos hoje como cultura brasileira, musica brasileira e identidade brasileira no mais profundo sentido dos termos fundidor e fundador.

A cerimônia religiosa ficou na regência do Babalorixá e Mestre Juremeiro Sandro de Jucá e da Sacerdotisa Iyalorixá e Mestra Juremeira Mãe Lúcia de Oyá T’Ogùn, que dês da fundação da tradição do coco do Catucá, o I Kipupa Malunguinho em 2006 foram protagonistas deste ritual religioso à memória e espiritualidade dos Malunguinhos que alí estão nas matas e nas mesas de Jurema de todo Nordeste.
Com a grande participação de diversos sacerdotes e sacerdotisas da Jurema Sagrada, o ritual ficou muito rico em loas e toadas (segmentos) de Jurema, que os mais de 200 Juremeiros e Juremeiras cantaram para saudar a união e a força espiritual que ali se fazia presente.

Vários foram os Mestres Juremeiros que vieram participar da cerimônia, Malunguinho (de Alexandre L’Omi L’Odò e outros), Zé Pretinho (de Ana de Oyá), o Grande Mestre Seu Curisco (de Mãe Lúcia de Oyá T’Ogùn), Mané Quebra-Pedra (de Beth de Oxum), Mestre buique (de Alexandre de Iyemojá), Zé da Hora, Mestre Caçador (de Ary Bantu), Mestre Zé Gaguinho (de Mãe Graça de Xangô), Mestre Manoel Maior, Mestre Pilão Deitado, Mestre Carlos, dentre muitos outros que não recordo-me agora. Foi tudo muito forte, e tanto as pessoas quanto a espiritualidade da Jurema Sagrada tiveram uma brilhante participação e ação afirmativa dentro da mata. Com as oferendas de fruta silvestres e litorâneas à Malunguinho, os Caboclos também foram muito saudados, pois Malunguinho também é caboclo, como expressa esta linda toada:

“Na mata tem um Caboclo
Todo vestido de pena
Este Caboclo é Malunguinho
Ele é Rei lá da Jurema

Na mata tem um Caboclo
Com uma preaca na mão
Esse Caboclo é Malunguinho
Não mexa com ele não”.
(da tradição da Jurema Sagrada de Pernambuco)

Após as cerimônias de entrada e louvação, adentrarmos a mata mais de 30 minutos a pé, chegando à clareira Cova da Onça, onde acontece a brincadeira. Todo brinquedo ficou por conta do Grande Mestre Galo Preto, comemorando 65 anos de coco e tradição no Brasil. Ao som da Embolada e do coco de roda, o evento na mata finalizou-se com o a cerimônia da alimentação coletiva. Com o já tradicional angu no dendê e a galinha também na iguaria, finalizamos o evento no lindo entardecer do Catucá às 17h.

O evento já está virando um marco de resistência, reafirmação, preservação e renovação dinâmica da tradição da Jurema no Estado, pois por ter um perfil único e exótico, atrai a cada ano mais pessoas interessadas na vivência e prática de suas próprias tradições que até então se encontravam adormecidas e desconhecidas pela ausência de informação.

O Kipupa Malunguinho é o povo de Terreiro olhando para seu universo, é o povo de terreiro unindo-se para construir novos rumos para a preservação e entendimento do que conhecemos como dia-a-dia da história viva de nossos antepassados que tanto lutaram para permitir que estivéssemos aqui hoje contando esta história.

Pelo olhar apurado e profissional da fotógrafa pernambucana e olindense Laila Santana, filha dos olhos da Oxum, coloco o resultado aqui do lindo registro realizado por ela. (Todas as fotos nesta matéria são de Laila Santana).


Agradecimentos especiais

Ao Deputadpo Estadual Isaltino Nascimento (PT), pelo grande apoio e consiceração dispensadas.
A Jorge Arruda, Secretário executivo da CEPIR (Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Racial), E a todos os terreiros Participantes, em especial a casa de Mãe Tânia de Oxum pelo esforço desprendido.

Salve a Jurema Sagrada!
Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
173 Anos Resistindo!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá 2008


III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá.
Tradição, cultura, discussão e Religiosidade em matas fechadas!


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O Quilombo Cultural Malunguinho, convida para o III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá. Evento que leva para Matas fechadas do antigo Quilombo do Catucá (século XIX), o antigo Quilombo dos Malunguinhos, Palestras, Religiosidade da Jurema Sagrada e muito Coco de raiz, com os mestres e mestras de nossa cultura de tradição.

Informações gerais:

III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá.
Tradição, cultura, discussão e Religiosidade em matas fechadas!


Data: 26 de outubro de 2008
Local: Matas fechadas do Engenho Pitanga, Abreu e Lima – PE – Brasil
Horário: Saída as 7h da manhã.
Saída dos ônibus: Largo do Carmo, Avenida Dantas Barreto – Recife
Nascedouro de Peixinhos, AV. Brasília s/n, Peixinhos – Olinda
Contribuição: R$:10.00.

Programação: Palestra às 9h Tema: Acais, uma perspectiva de preservação da história da Jurema Sagrada do Brasil, a Jurema como Religião Primaz do Brasil.
Recital de Poesias Negras 10h45min.
Cerimônia religiosa (Gira de Jurema na mata, com sacerdotisas e sacerdotes, e índios ) 11h30min.
Descida de mata à dentro: Coco com os mestres e mestras: Mestre Galo Preto (www.myspace.com/mestregalopreto), Dona Elisa do Coco, Índios de Jatobá (Sertão de PE) e sacerdotes e sacerdotisas da Jurema Sagrada. 12h30min.
Volta do coco e alimentação (continuação do coco no sítio).
Retorno 17h.

Trajes: Mulheres: Saia Cumprida (colorida ou branca) e blusa a gosto (em cores claras ou colorida).
Homens: Calça cumprida e camisa (coloridas ou brancas), chapéu se possível.

*Na ocasião estaremos realizando a filmagem do documentário sobre Malunguinho, e algumas pessoas podem ser solicitadas a dar entrevista.

O traje na cor preta não será aceito.


Leve seu pandeiro e seu axé!
Juremeiros levar suas “Gaitas".
Tod@s podem Participar!

**Alimentação por conta do evento (comida típica da Jurema de Malunguinho).
*Leve sua água e seu lanche.

O *Kipupa Malunguinho, tradição criada em 2006 pelo Quilombo Cultural Malunguinho, com intenção de celebrar a memória do líder quilombola Malunguinho (em especial o João Batista, morto em 18 de setembro de 1835) em terras e matas de seu antigo quilombo O Catucá. Trazendo a representatividade das tradições culturais negras e indígenas brasileiras, o evento compõe uma experiência de troca de saberes e de contato com a sociedade e a religiosidade da Jurema Sagrada e o coco, com diversos artistas e mestres a realizarem o maior evento em matas fechadas do Brasil.

*(a palavra Kipupa, vem do tronco lingüístico do Kimbundo, uma das principais línguas faladas em Angola-África, e significa “agregação”, “união”, “coesão”, “encontro” de pessoas em prol de algum objetivo, que no nosso caso é a união e agregação de sacerdotes, artistas, acadêmicos, representantes políticos, estudantes e interessados para celebração e vivência, na memória, tradição e reflexão do papel do negro/índio na história e construção do país, reverenciando sempre a ancestralidade nossa).



Contatos e Produção: Alexandre L’Omi L’Odò e João Monteiro
Informações: + 55 81 8887.1496/ 9428.4898

Incrições: quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com
Blog: qcmalunguinho.blogspot.com

(enviar: nome completo, RG, entidade (terreiro) e contatos).
Vagas limitadas!

domingo, 31 de agosto de 2008

NOVA VIDA AO NOSSO MESTRE SAUSTIANO. AXÊXÊ DA CULTURA PERNAMBUCANA!


O RECOMEÇO É ALGO SURPREENDENTE. AGORA MEU MESTRE, E, MESTRE DE TANTOS TERÁ QUE APRENDER E ENSINAR NA NOVA VIDA, NO MUNDO DA VERDADE!

MESTRE SALUSTIANO É A ALMA DE UMA IDENTIDADE CULTURAL, INDISCUTIVELMENTE INSUBSTITUÍVEL E INDELÉVEL DA MEMÓRIA COLETIVA E DA VIVENCIA ARTÍSTICA CRIATIVA E DINÂMICA DO POVO PERNAMBUCANO.

POVO ESTE QUE DA MESMA FORMA QUANDO PENSA EM PERCUSSÃO VÊ NANÁ VASCONCELOS COMO ÚNICA IMAGEM ASSOCIADA, VERÃO PRA SEMPRE E DIRETAMENTE A IMAGEM DO GRANDE MESTRE SALUSTIANO QUANDO FALAREM, PENSAREM, SONHAREM E ATÉ INFLAMAREM OS PEITOS COM O PATRIOTISMO AO CITAREM A CULTURA BRASILEIRA COMO ESTIGMA SANGUÍNEO NOSSO.

NA FORMA VERDADEIRA DA CULTURA QUE O BRASIL TEM, NA VERDADEIRA FORMA DE ARTE, NA VERDADEIRA FORMA DE VIVER ARTE E TRANSPIRAR CULTURA NORDESTINA, SEMPRE SERÁ LEMBRADO MEU PROFESSOR DOS ANOS 98 E 99 NAS ESCOLAS DE PEIXINHOS, MEU BAIRRO, A ENSINAR VIDA E DIGNIDADE, RABECA E O QUE É VERDADEIRAMENTE NOSSO PATRIMÔNIO E CULTURA.

AGRADEÇO A ELE E A EXISTÊNCIA A POSSIBILIDADE DE SER CONTEMPORÂNEO DE UM TEMPO QUE NOSSO ESTADO SE VIU NO TOQUE MOURO, CATIMBOZEIRO E RURAL DE SUA RABECA ENCANTADA.!

E NA NOSSA RELIGIÃO NEGRA, NO MEU XANGÔ, NO JEJE PERNAMBUCANO SAUDAMOS ASSIM OS NOSSOS ANCESTRAIS ILUSTRES QUE RENASCEM PARA UMA NOVA VIDA:

ÌYÁ MI ÁSÈSÈ! (MINHA MÃE É MINHA ORIGEM!)

BABA MI, ASÈSÈ! (MEU PAI É MINHA ORIGEM!)

OLÓRUN UM MI ÁSÉSÈ O O! (OLORUN É MINHA ORIGEM!)

KI NTOO BÒ ÒRÌSÀ À È. (CONSEQÜENTEMENTE, ADORAREI MINHAS ORIGENS ANTES DE QUALQUER OUTRO ORIXÁ.)

GBOGBO ÁSÉSÈ TINU ARA. (TODOS ÁSÈSÈ NO INTERIOR DE NOSSO CORPO...)

IBÁ MOJUBÁ MESTRE SALUSTIANO, A ORIGEM DE UMA NOVA ERA PARA A CULTURA PERNAMBUCANA. SALVE A NOVA VIDA.

LEMBRO AINDA UMA ANTIGA COMPOSIÇÃO MUSICAL MINHA DO ANO DE 1993:
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NO TRONCO DO JUREMÁ
MESTRE SALÚ SE BAIXOU,
TOCANDO A SUA RABECA A TODOS ELE ENCANTOU
MARCANDO COM BRAÇO FORTE O SEU MARACATÚ,
ACORDOU POESIA
VIVA A MESTRE SALÚ! (...)
(EM RÍTMO DE BAQUE SOLTO...)
______________________
ALEXANDRE L'OMI L'ODò.
ETERNAS SAUDADES E REVERÊNCIAS...

ALEXANDRELOMILODO@HOTMAIL.COM

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O SILÊNCIO DOS MESTRES. Sobre a destruição de um patrimônio em Alhandra

A História

Até meados do século XVII, toda história da Paraíba ocorreu ao sul da sua zona litorânea. Essa é, sobretudo, a história dos índios que lá habitavam e do contato destes com os colonizadores. Alhandra, antiga aldeia Arataguy, esteve diretamente ligada a esta história, tendo se tornado, em 1758, a primeira vila da capitania. Ao norte do referido município, está localizada a propriedade do Acais. Trata-se de uma das duas propriedades que pertenceram a tradicional família do último regente indígena do litoral sul da Paraíba, Inácio Gonçalves de Barros, pai da prestigiosa mestra Maria do Acais, falecida em 1937.

Contudo, quase um século após ter sido elevada à categoria de vila, Alhandra se manteve como aldeia indígena, como mostram documentos e diversos relatos da época, a exemplo do registro feito por Henry Koster¹, que por lá passou na primeira metade do séc. XIX. Os aldeamentos na região foram considerados oficialmente extintos em 1862. Trinta anos depois, contrariando os dados oficiais que proclamavam o desaparecimento dos índios, Joffily², em 1892, registrou a predominância do que chamou de “typo indígena puro”, que na Paraíba só seria encontrado na Bahia da Traição e em Alhandra.

O passado indígena, ao longo da história, foi perdendo suas referências. Parte desta memória, no entanto, foi mantida através do culto da jurema, fenômeno religioso, cuja complexidade vem desafiando historiadores e antropólogos. Para a comunidade de juremeiros de Pernambuco e Paraíba, Alhandra tem sido considerada o berço desta tradição. A propriedade do Acais, onde viveram os mestres descendentes do último regente dos índios da região, é considerada o símbolo maior do culto. Lócus de importantes estudos sobre o tema, a fazenda e seus moradores foram descritos, direta ou indiretamente, por nomes como Gonçalves Fernandes³, Roger Bastide[4], Arthur Ramos (5), além de pesquisadores mais recentes, como Vandezande (6), na década 1970, e Salles (7) nos ultimos anos.

O Lugar

O Acais é visitado freqüentemente por pesquisadores e religiosos, vindos de diversas partes do Brasil e até de outros países. A fazenda está localizada ao oeste de Alhandra, as margens da antiga estrada João Pessoa/Recife. Possui uma casa grande, um coreto e, na parte mais alta da fazenda, a capela de São João Batista. Por trás da capela, encontra-se uma escultura de um tronco de jurema, feita em concreto, na década de 1950, sobre o túmulo do mestre Flósculo, filho de Maria do Acais. Por trás da casa grande, vê-se uma das “cidades” da jurema mais antigas (consiste em um ou mais pés de jurema, considerados moradias dos antigos mestres), com aproximadamente um século de existência. No local, encontram-se raízes de antigas juremas, que são mantidas junto aos novos arbustos.

O silêncio

Nos últimos anos, após ficar desabitado, o Acais necessitou de reformas urgentes, tendo o coreto e parte da casa grande em ruínas. Com o falecimento da última proprietária, Maria das Dores, neta de Maria do Acais, os problemas aumentaram. A situação mobilizou pesquisadores, moradores da região e diversas entidades religiosas de João Pessoa e Recife (inclusive um deputado do PT de Pernambuco, que esteve na área acompanhado de vários juremeiros) empenhados na reforma e manutenção da propriedade. Neste mês de agosto, quando se revelou o novo proprietário da fazenda, com exceção da capela e o túmulo do mestre Flósculo, que estão localizados no lado oposto do resto da fazenda, separados pela estrada, o que restou da propriedade foi destruído, juntamente com os pés de jurema (as “cidades”) que lá existiam. O cenário é de devastação e indignação.

Outras Palavras

É possível reerguer a casa e o coreto a partir dos alicerces e parte do piso que foram mantidos, até mesmo reutilizando parte do material retirado das suas próprias ruínas (vale salientar que este pouco que restou deve-se à intervenção de pessoas de João Pessoa e Recife, que para lá se deslocaram assim que foram informados da destruição). Os pés de jurema e as raízes seculares estão sob os escombros de outras plantas, inclusive uma enorme mangueira, ambas derrubadas na mesma ocasião. Normalmente, ao lado dos antigos pés de jurema que compõem as cidades, e que com o tempo morrem, novos são plantados, garantindo, deste modo, a continuidade destes santuários. É possível, portanto, reconstruir, com a ajuda dos mestres locais, o santuário que lá existia. Uma vez recuperada a fazenda, ela deve finalmente receber os cuidados próprios de um patrimônio: placas informativas, segurança, manutenção, enfim, ser inserida em um projeto e uma discussão ampla, que inclua diversos setores da comunidade local, seus legítimos representantes, e que contribua com a implementação de uma educação patrimonial na região. Mas temos que agir rápido. Caso contrário, o Acais terá o mesmo destino de outros lugares considerados sagrados para os juremeiros de Alhandra, que, sob a omissão do Estado, desapareceram para dar lugar ao plantio da cana e outras lavouras.

Referências Bibliográficas
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¹ KOSTER, Henry. Viagens ao Nordeste do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1942.
² JOFFILY, Irenêo. Notas sobre a Parahyba. Rio de Janeiro: Tipografia do Jornal do Comércio, 1892.
³ FERNANDES, A. Gonsalves. O Folclore Mágico do Nordeste. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1938.
4 BASTIDE, Roger. Imagens do Nordeste Místico em Branco e Preto. Rio de Janeiro: Edições O Cruzeiro, 1945.
5 RAMOS, Artur. o Negro Brasileiro. Recife: Editora Massangana, 1988.
6 VANDESANDE, René. Catimbó. Dissertação apresentada ao P.I.M.E.S. do I.F.C.H da Universidade Federal de Pernambuco. Recife, 1975.
7 SALLES, Sandro Guimarãe de. À Sombra da Jurema: a tradição dos mestres juremeiros na Umbanda de Alhandra. AntHropológicas. Vol. 15 (1), p. 99-121, Ed. da UFPE, 2004.

Sandro Guimarães de Salles PPGA/UFPE























engajados na resolução deste equivoco sinistro histórico, junte-se a esta luta, salve a Jurema e sua História.
Quilombo Cultural Malunguinho, 173 anos Resistindo!


alexandrelomilodo@hotmail.com

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Pastor que converteu criminoso é acusado de preconceito religioso contra o candomblé




Um pastor da Igreja Evangélica Assembléia de Deus Trabalhadores da Última Hora fez o que o governo, apesar de toda a carga de impostos que cobra, não faz: reabilitar um criminoso. O Pr. Isaías da Silva Andrade recebeu em sua igreja Rodrigo Carvalho Cruz, conhecido como "Tico", acusado como autor de roubo e a morte do turista italiano George Morassi, em novembro de 2007. Ali, Tico recebeu o Evangelho e aceitou Jesus.


Em seguida, o pastor aconselhou o criminoso arrependido a se entregar para a polícia. Lá chegando, porém, o próprio pastor caiu vítima de acusações criminais - por causa das tendências politicamente corretas. Ele foi denunciado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) por prática de preconceito religioso contra as entidades do candomblé.


A denúncia, encaminhada para o juiz Flávio Marcelo Fernandes, da 37ª Vara Criminal da Comarca da capital, é de autoria da promotora Márcia Teixeira Velasco.
Citando a reportagem "Ladrão se entrega com Bíblia na mão" do jornal 'Meia Hora' (edição de 27 de novembro de 2007), a denúncia do MP-RJ diz que o pastor Isaías da Silva Andrade "praticou, de forma livre e consciente, discriminação ou preconceito de religião". Ao fazer uma declaração sobre Tico, o pastor disse:
"Ele estava possuído por uma legião de demônios, como o Exu Caveira e o Zé Pilintra. Fizemos uma libertação nele e o convencemos a se entregar hoje".
O pastor disse isso nas dependências da DC-Polinter, onde acompanhava a apresentação de Tico à polícia.


Na opinião da promotora, o candomblé e seus praticantes "foram atingidos diretamente com a declaração racista e discriminatória, eis que o denunciado vilipendiou entidades espirituais da matriz africana, com a espúria finalidade de proteção de autor de nefasto crime".
O processo foi auxiliado por Leonardo Chaves, subprocurador Geral de Justiça de Direitos humanos.


O caso, que está sendo acompanhado pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, é o primeiro onde um pastor é denunciado criminalmente por discriminar religiões afro-brasileiras como o candomblé. Se condenado, o pastor pode pegar de dois a cinco anos de detenção.


Nós, povos das religiões de matrizes africanas e indígenas temos que estarmos muito vigilantes, pois a intolerância é nosso grande desafio a vencer.

Salve a Justiça de Malunguinho e de Xangô. Cadeia nos criminosos e em quem nos vilipendia por política de degeneração e dinheiro.

O que você acha do ocorrido?



quarta-feira, 30 de julho de 2008

Malunguinho, primeira Divindade Negra Espiritual a ter uma lei estadual!

Sabemos e é claro que Pernambuco em sua história, tem uma dívida gigantesca com todo povo negro e afro descendente, além dos indígenas que hoje ainda sofrem com as percas de suas terras.

Mas é bom saber, que um guerreiro do passado (especialmente do século XIX), vem tomando por lei os seus direitos de ter sua história reconhecida pelo mesmo Estado que o assassinou, e também uma reparação a todos de seu Quilombo, os Quilombolas de Malunguinho, os Quilombolas da nossa Mata Norte dos meados do XIX, século de revoluções e transformações nacionais.

Hoje onde eram terras de resistência, de lutas por liberdade e por terras, existe um longo e calamitoso caos social, e o rio que foi também morto por este processo de exclusão das classes que construíram este país também grita por salvação e direitos de viver (a este oxum já está providenciando a devida reparação).

E hoje já podemos visualizar um futuro mais digno para toda esta história que em outroras foi fonte de história e orgulho para todos nós hoje.

O trabalho do Quilombo Cultural Malunguinho, vem despertando e cobrando a atenção do estado de Pernambuco para esta reparação histórica e também a este resgate da dignidade destas terras e rio que se estendem das margens do Rio Beberibe entre Olinda e Recife e se estende até o município de Goiana, sendo 12 municípios atravessados nesta larga dominação dos Quilombos do Líder Malunguinho até o seu simbólico fim territorial.

Um das grandes vitórias já alcançadas pelo Quilombo Cultural Malunguinho e outros movimentos em especial os terreiros de Jurema e Xangô (candomblé) de Pernambuco, foi a aprovação pela Assembléia Legislativa do Estado da lei 13.298/07 a lei da Vivencia e da Prática da Cultura Afro Pernambucana, proposta por nós destes movimentos e apresentada pelo Dep. Estadual Isaltina Nascimento.

E só Malunguinho mesmo, em sua personalidade divina de Exú para fazer esta lei ser aprovada em uma assembléia que sabemos que tem um número altíssimo de evangélicos que a todos os dias discriminam e votam contra projetos que possam beneficiar o povo de Terreiro ou os povos étnicos e afro descendentes.

Foi Ele mesmo que o fez. A lei foi aprovada e apresento por intero, e é como um recado da nossa Jurema Sagrada, que em seu bojo quer dizer o seguinte: Acredite, pois mesmo com todos contra nós a força da espiritualidade que é nossa parceira concretiza os nossos sonhos se eles tiverem mérito!


LEI Nº 13.298, DE 21 DE SETEMBRO DE 2007.
Ementa:
Institui no calendário oficial do Estado de Pernambuco a Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro-Pernambucana.

O PRESIDENTE DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE PERNAMBUCO:
Faço saber que tendo em vista o disposto nos §§ 6º e 8º do artigo 23, da Constituição do Estado, o Poder Legislativo decreta e eu promulgo a seguinte Lei:
Art. 1º Fica instituída a semana do dia 18 de setembro como a Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro-Pernambucana, como reconhecimento do resgate histórico do líder quilombola Malunguinho, morto em combate em 18 de setembro de 1835.
Art. 2º As comemorações da Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro-Pernambucana, ocorrerão no período de 12 a 18 de setembro.
Art. 3º A Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro-Pernambucana poderá ser comemorada através da realização de atividades sobre a História da África e História Afro-Brasileira; Cultura de resistência do povo negro no Brasil; História das religiões de matriz africanas; História dos Quilombos no Brasil e em Pernambuco; Relações de Gênero e Transgêneros; discriminação e preconceito racial.
Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 5º Revogam-se as disposições em contrário.
Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco,
em 21 de setembro de 2007.
GUILHERME UCHÔA
Presidente
O PROJETO QUE ORIGINOU ESTA LEI É DE AUTORIA DO DEPUTADO ISALTINO NASCIMENTO COM O QUILOMBO CULTURAL MALUNGUINHO E OS MOVIMENTOS ARTICULADOS
REPUBLICADO

QUILOMBO CULTURALMALUNGUINHO HISTÓRICO E DIVINO, 173 ANOS RESISTINDO!QUILOMBO.CULTURAL.MALUNGUINHO@GMAIL.COM
A COMEMORAÇÃO DE TODO POVO DE TERREIRO E DAS CULTURAS TRADICIONAIS DE PERNAMBUCANO FOI COM A TRADICIONAL FUMAÇA SAGRADA DA JUREMA E MUITA MAZURCA PARA MALUNGUINHO!



SALVE MALUNGUINHO NA JUREMA E NA HISTÓRIA DE PERNAMBUCO!

Alexandre L'Omi L'Odò.

alexandrelomilodo@hotmail.com

domingo, 20 de julho de 2008

Malunguinho, Negro Guerreiro/Divino de Pernambuco

A liberdade e a terra eram o sonho dos Malunguinhos. No século XIX, parte das terras localizadas em Olinda eram improdutivas, fator que desencadeou a luta pelo desenvolvimento agrário. Unidos pelos mesmos ideais, grupos de resistência como os canoeiros que transportavam água limpa para o centro da província se uniram a negros, índios e inúmeros refugiados. O quilombo sempre foi um local de agregação e tolerância, recebendo pessoas das mais diversas crenças e etnias.

Pernambuco no século XIX viveu vários movimentos políticos. Da Revolução de Goiana, a Junta de Beberibe (1821), a Rebelião dos Romas (1829) e outros movimentos de libertação.
Um dos movimentos de maior representatividade foi o dos negros do Quilombo de Malunguinho, quilombo "urbano ou semi-urbano", localizado nas terras conhecidas atualmente, como Engenho Utinga no município de Abreu e Lima, liderava outros quilombos da Mata Norte, tornando-se o principal centro estratégico de resistência. Entre os anos de 1814 a 1837, implementaram varias ações contra o poder local constituído, naquele momento fragilizado pelos conflitos internos pelo poder e soberania.

Os Malunguinhos desenvolveram técnicas de guerrilha, conhecidas até hoje, como os estrepes, espécie de lança, feita em madeira bem afiada, que enterradas em buracos escondidos na mata, continham os invasores dos quilombos, desenvolviam e organizavam ações de colaboração mutua com outros quilombos.

Enfrentado inúmeras adversidades, superioridade bélica e política dos colonizadores e do poder local, que protagonizam sangrentas batalhas contra os refugiados, estes homens e mulheres lutaram com dignidade para desenvolver a vida social e econômica negra da época.

Malunguinho Histórico - Malunguinho é o título dado aos líderes quilombolas pernambucanos que no século XIX fizeram ferver a capital na luta por seus direitos. O último Malunguinho que se tem registro é o João Batista, um dos maiores lideres da historia do quilombo, assassinado em emboscada cruel na cidade de Igarassú, chamada ainda na época de Maricotinha, ficando sua morte como marco crucial para a destruição total do Catucá em 18 setembro 1835.

Os relatos da existência dos quilombos do Catucá estão ainda hoje no Arquivo público estadual de Pernambuco, em manuscritos, jornais da época, documentos de terras, mapas e relatórios da polícia provinciana documentos de todo o século XIX.
Malunguinho Divino - “Ele é preto, ele é bem pretinho, salve a coroa do Rei Malunguinho!”, esse cântico ainda soa nos terreiros de jurema nas localidades do Catucá. Vivo no imaginário religioso do nordeste, em especial no culto da Jurema Sagrada de Pernambuco, ele, ou eles, são conhecidos como Caboclo, Mestre e Exu.

O espaço do Catucá ainda é de Malunguinho, por existirem muitos cultos de Jurema nas localidades do quilombo, ele é conhecido até hoje como o Rei das Matas. É uma importante divindade neste culto, pois sua presença marca a abertura dos caminhos e a defesa da casa. Malunguinho ora estava em Olinda, ora era visto em Goiana, sendo estes aspectos difíceis de se entender, e justificados pela relação do Catucá com os segredos da fé negra e indígena. Assumindo o papel do mensageiro entre os mundos e o guardião, que continua até hoje na luta por liberdade, pois esta condição mesmo após morte é um eterno vir a ser, agregando novos Malungos para sua eterna guerra por direitos iguais para todos.

Alexandre L'Omi L'Odò
Salve Malunguinho
Bibliografia: Carvalho, Marcus J. M. de.
Liberdade: rotinas e rupturas do escravismo. Recife, 1822 - 1850
*Acista a este vídeo referente a Malunguinho:
João Monteiro e L'Omi L'Odò no Sopa Diário discutindo sobre o tema na tv.










Vídeos Negros nossos!!

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Quilombo Cultural Malunguinho

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Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!