sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Viva ao Patrimônio Vivo do Mestre Galo Preto

Mestre Galo Preto e Alexandre L'Omi L'Odò. Foto de João Rogério Filho.

Viva ao Patrimônio Vivo do Mestre Galo Preto

Por Alexandre L’Omi L’Odò. 30 de dezembro de 2011.

Hoje foi um dia muito feliz para mim, enquanto produtor e amigo do querido Mestre Galo Preto e sobre tudo muito mais especial ainda para o próprio mestre que foi reconhecido oficialmente pelo Estado de Pernambuco como um Patrimônio Vivo da cultura.

Isso tem uma relevância muito grande para a história das culturas populares no Brasil, já que pouco se escreveu sobre a memória destes e destas que sempre foram os pilares mestres na construção da identidade nacional. Sobretudo, ainda podemos destacar que a cultura popular com seus protagonistas, idosos ou não, dão o tom totalmente particular a este país que ainda se utiliza de forma não equânime da imagem colorida e única da diversidade desses brinquedos populares e brincantes para fortalecer o seu turismo cultural que na absoluta maioria dos casos desqualificam estes marcos turísticos com pagamentos de cachês desrespeitosos ou simplesmente dão o esquecimento total a todos e todas.

Contudo, Pernambuco é um dos poucos estados da federação brasileira que tem uma política de reconhecimento oficial nos termos do patrimônio imaterial para seu povo. Isso é um avanço para um Estado que por natureza tem uma diversidade esplendida em manifestações culturais de diversas matrizes – indígenas, africanas e portuguesas. 

O Concurso do Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco – RPV, instituído pela Lei 12.503, de 27 de dezembro de 2004, vem desde 2005, reconhecendo e valorizando, através da concessão do título de “Patrimônio Vivo de Pernambuco”, mestres e mestras, manifestações da cultura popular e tradicional representativas da cultura pernambucana e, também concede bolsas vitalícias de apoio financeiro aos premiados. Os artistas e grupos também ganham a possibilidade mais amplamente de expandir seus trabalhos, tendo melhor acesso aos editais (privilégio por ser Patrimônio) e também devem repassar seus conhecimentos aos mais novos, visando à perpetuação e sustentabilidade da cultura e memória pernambucana. Só quem tem mais de 20 anos de trabalhos comprovados em documentações dentro da cultura e tradição de Pernambuco e que sejam residentes no Estado pelo menos a vinte anos que podem concorrer ao Prêmio. Além do mais, os premiados sempre são pessoas de grande relevância e contribuição para a cultura do povo. De fato Mestres e mestras e grupos que tem em sua trajetória uma forte ligação com a imaterialidade do imaginário pernambucano.

Já há três anos venho colocando o Mestre Galo Preto para concorrer a este sonhado prêmio. Durante mais de 4 anos, venho realizando pesquisa e inventariando a memória do Mestre e seus documentos comprobatórios. Este trabalho rendeu um catálogo histórico, com grande parte de sua cronologia documental e memória oral, que retratam o perfil genial e fortemente universal do Sr. Tomaz Aquino Leão, o guerreiro de 76 anos - o Galo Preto.

Este trabalho foi fundamental para convencer o Conselho Estadual de Cultura da importância histórica para a cultura popular deste coquista e embolador. Também, com a produção em audiovisual do seu filme “Galo Preto, o Menestrel do Coco”, 46’min. de Wilson Freire e produção minha, que pudemos fazer relembrar e refrescar a memória dos veteranos mestres e estudiosos artistas do Conselho Estadual de Cultura. Além disso, também fiz uma coleção de pequenos shows em DVD e de algumas participações em CDs e Documentários onde o Mestre aparece.

Tudo isso junto, com meus esforços em estar sempre lembrando nos sites e nos meios de comunicação como jornais etc. da importância de Galo Preto, que rendeu este merecido e tardio reconhecimento.

Minha colaboração neste processo foi profundamente motivada pelo imenso afeto que tenho ao Mestre e pelo respeito à ancestralidade negra e indígena dos meus ancestrais e dos ancestrais de Galo. Também, fui motivado pela perspectiva de contribuir de forma ativa e visível para uma história menos positivista de Pernambuco, já que também sou graduando em História pela UNICAP. Acredito que com a premiação e reconhecimento do Mestre tive meus objetivos neste processo alcançados de forma vitoriosa. 

Alexandre L'Omi L'Odò e Mestre Galo Preto no dia do anúncio do prêmio. Seguram nas mãos a matéria de jornal do Diário de Pernambuco que trazia as boas novas.
 
O Mestre Galo Preto construiu em mim uma nova possibilidade de enxergar a vida. Ele me deu o direito de ajudá-lo e o direito de ser ajudado por ele, já que ele é meu mestre em cultura e ética. Prezo demais a amizade dele e o respeito que ele teve por mim em acreditar que eu, um “menino” de Peixinhos, pobre, sem escritório, sem carro, sem formação acadêmica concluída e, desprovido de conhecimentos maiores de mercado cultural pudesse ser seu produtor executivo, cultural, artístico e em alguns momentos até empresário... (Rsrs).

Enxergo que nossa caminhada a partir de agora será mais forte e ampla. Conseguimos juntos a realização concreta de um grande objetivo: Colocar o Estado de Pernambuco para reconhecer de forma pública e oficial a contribuição importante do trabalho e talento do Mestre Galo. E como afirmou ao Jornal Diário de Pernambuco de 28 de dezembro de 2011 o presidente do Conselho Estadual de Cultura Marcus Accioly: “temos o Galo Preto, que é um cantador que possui uma história com a qual Pernambuco possui grande débito”, posso afirmar que este débito começou a ser pago de forma ainda tímida com esta premiação..., mas mesmo assim, deixando o Galo muito feliz e realizado.

Toda esta situação também foi possível com o apoio de meus amigos João Monteiro e demais do Quilombo Cultural Malunguinho, que ao longo destes anos de trabalho vem contribuindo de forma direta e indireta na construção desta história. Também agradeço à importante contribuição da OTM - Organização Trajetória Mundial, na pessoa de Ademir de Brito, seu presidente, por ter disponibilizado seu CNPJ para que eu pudesse propor através de sua empresa o nome do Mestre Galo Preto ao VII edital do Concurso de Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco. Finalmente conseguimos! Obrigado ainda por nos dar suporte jurídico para nossos negócios, projetos e shows.

À toda comunidade do coco nordestino também devoto minhas considerações. Estamos em rede! O povo do coco, ou os coquistas são uma rede de memória oral independente, viva e dinâmica. São a cultura viva e o patrimônio vivo dessa tradição diversa e rica em dança, poesia, ritmo e melodia. Este reconhecimento do Mestre também se estende para todos estes e estas que conhecemos e ainda vamos conhecer... Agora temos mais um representante oficializado em termo estadual desta nossa cultua.

Mesmo com uma oposição fraca ao nosso trabalho, vencemos (calro!). A força do amor e da honestidade, do trabalho sério e da competência venceram os inimigos do Mestre. Tem pessoas que não contribuem e ainda influenciam de forma negativa no trabalho. Já houve casos de pessoas até me chamarem de ladrão e que eu estaria usando o Galo para crescer... Querendo fazer a cabeça do Mestre contra mim etc. Ainda quiseram convencer o mestre Galo em acreditar que a relação dele com a Jurema e o movimento negro seriam nocivos ao seu trabalho, demonstrando assim uma racista contribuição à mentalidade do Mestre, que idoso poderia se influenciar por isso. Mas ele é sábio e não ouviu estes absurdos... Estes invejosos do crescimento do trabalho do velho não se deram conta que tudo que foi realizado até hoje foi com muita seriedade e isso se refletiu nesta premiação. Portanto, me sinto melhor qualificado em meu trabalho enquanto produtor com tudo isso.

Galo Preto é um homem sábio. Ele me ensinou uma coisa muito boa: “vamos caminhar juntos para sermos mais fortes. Com honestidade e cumplicidade”... Assim é!

Parabéns também aos outros dois vencedores do prêmio: A ceramista Maria Amélia da Silva, de Tracunhaém e o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança. Grandes representantes de nossas tradições.

Este final de ano foi cheio de emoções. Agradeço à todos os amigos e amigas que de alguma forma ajudaram nosso trabalho, agradeço ao axé dos ancestrais e sobre tudo à fumaça sagrada da Jurema e à Malunguinho, por ter nos guiado todo esse tempo com força e proteção. Salve a ciência! Adupé Oxum, minha mãe soberana. Dona do brilho de minha caminhada!

Me sinto feliz por ser um catimbozeiro produtor estudante de história!

O Galo Preto – Patrimônio Vivíssimo de Pernambuco!

   OLHA O IDOSO CANTANDO by Alexandre L'Omi L'Odò

Com o pandeiro na mão, ele traz todos os ouvidos e olhares para si. Com forte memória e particular forma de improvisar e criar poesias na hora, o Mestre Galo Preto correu o mundo com sua originalidade natural e genialidade. Recentemente foi eleito pela Revista Aurora “o homem mais elegante do mundo”, por sua grande elegância, sendo comparado até como irmão gêmeo, em postura, da eleita a mais elegante do país, a empresária italiana Costanza Pascolato.

Com carisma, sorriso largo, ritmo forte e grande potencial criativo, o Mestre Galo Preto vem conquistando muitos públicos diferentes por onde passa. Traz em si a força e a presença da ancestralidade negra, evidente em sua música e trabalho. 

2012 será um ano muito importante em sua carreira retomada há quatro anos. Na altura dos seus 76 anos de idade, o Mestre acabou de ser selecionado no edital Conexão VIVO 2012, que irá levá-lo para shows em diversas partes do país. Aprovado como Patrimônio Vivo de Pernambuco nos últimos dias de 2011, terá a possibilidade concreta de gravar seu primeiro CD solo nos mais de 66 anos de carreira.

Felicidade é o nome de Galo Preto estes dias... Tendo visto o anúncio de sua nomeação como Patrimônio Vivo no Jornal da Globo as 7h da manhã do dia 28 de dezembro de 2011, acordou para a possibilidade de ter sua história reconhecida definitivamente. Ele tá que é sorriso só... Feliz e cheio de energia, já planeja uma festança de aniversário no dia 12 de março para comemorar este prêmio.

Com uma trajetória iluminada, Galo Preto dá a possibilidade ao Brasil de conhecer um pouco mais do coco, pois ele é didaticamente preocupado com o repasse de seus conhecimentos de mestre. Todo show dele é uma aula de cultura profunda. Seu repertório é sempre inédito! Tudo novo em cada show. Shows de repente... Só o refrão é o mesmo, às vezes, quando ele não inventa de pegar toda banda desprevenida com novas melodias e refrões improvisados na hora. É pura diversão ver um show de Galo... Perceber sua criatividade e velocidade em dar soluções de rima para as músicas é fantástico. 

Renovado com mais essa vitória em sua vida, o Mestre pretende fazer de 2012 um ano inesquecível em sua carreira. Quer gravar CD, viajar, compor, fazer parcerias e brincar ensinando muito em todo lugar que passar.
Antes de ser nomeado Patrimônio Vivo, ele já era Mestre Griô pelo Ministério da Cultura, projeto aprovado em 2010. Visitou muitas escolas públicas onde foi homenageado com trabalhos de crianças e adolescentes. Sempre levando sua alma moderna e inovadora para o contato com os meninos e meninas curiosos por estarem ali conhecendo um grande mestre da cultura pernambucana.

Seu trabalho não pára. O mestre está vivíssimo e cheio de força para contribuir mais ainda com a memória e a cultura pernambucana, conseqüentemente brasileira. Sua força tá na rima, no pandeiro, na pisada forte de sua sambada. Galo Preto sempre foi Patrimônio! Este prêmio não o legitima como mestre que ele sempre foi, mas o dá a possibilidade de ter reconhecido de forma ampla e com uma ajuda financeira merecida a sua trajetória difícil e bonita de vida.

Espero que essa nossa caminhada ainda dure mais uns 76 anos... Temos que desfrutar do verdadeiro sabor do coco nordestino ao som do Mestre Galo Preto, um artista único no que faz e da forma que faz... Uma pérola rara, um diamante da música nacional.


Alexandre L'Omi L'Odò
Produtor e sacerdote
alexandrelomilodo@gmail.com

Eles são a cultura viva

 
Mestre Galo Preto dedicou 65 anos ao coco. Foto de Helder Tavares.

Eles são a cultura viva

Maria Amélia da Silva, mestre Galo Preto e Maracatu Estrela de Ouro, de Aliança, são novos Patrimônios Vivos de Pernambuco

Diário de Pernambuco
Recife, quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Maria Amélia da Silva, 88 anos, ceramista de Tracunhaém; Tomás Aquino Leão, o mestre Galo Preto, 76 anos, 65 deles dedicado ao coco; Maracatu Estrela de Ouro, do sítio Chã de Cambará, de Aliança, em atividade desde 1882. Eis os três nomes escolhidos na manhã de ontem pelo Conselho Estadual de Cultura para o grupo de Patrimônios Vivos de Pernambuco. O anúncio foi realizado na sede do Conselho, por Severino Pessoa, presidente da Fundarpe, e Marcus Accioly, presidente da casa. Os novos patrimônios foram eleitos, por unanimidade, em reunião realizada no auditório Renato Carneiro Campos. Os conselheiros partiram de uma lista de inscrições que somava 130 processos de candidatos habilitados.

“É um trabalho feito em parceria com a Fundarpe, que faz as inscrições, realiza uma pontuação que leva em consideração a idade, a competência, a capacidade de ensino, a competência e a tradição desses nomes. A dificuldade é muito grande e dessa vez o Conselho conseguiu escolher uma ceramista que começou a trabalhar com sua arte aos oito anos. Maria Amélia simboliza hoje aquela cidade que tem a maior tradição na cerâmica no estado. Depois dela, temos o Galo Preto, que é um cantador que possui uma história com a qual Pernambuco possui grande débito. Galo Preto cantava na Praça do Diario, e assisto isso desde que me entendo por gente. Finalmente temos o Maracatu Estrela de Ouro que remonta às raízes do Mestre Salustiano e é comandado por Zé Lourenço, José Lourenço da Silva (conhecido também como Zé Batista)”, apresentou Marcus Accioly.

 Também segundo Accioly a lei que define as regras de escolha dos Patrimônios Vivos deve ser alterada. “O Conselho tem se articulado e devemos passar da escolha de três para dez ou mais patrimônios”, afirmou o poeta. De acordo com a Lei do Patrimônio Vivo (nº 12.192, de 2 de maio de 2002), os candidatos devem ser brasileiros, residentes em Pernambuco há mais de 20 anos, comprovar a participação em atividades culturais há mais de 20 anos e estar capacitados para transmitir seus conhecimentos ou técnicas a aprendizes.

Estrela de Ouro é comandado por mestre Zé Lourenço. Foto de Helder Tavares.

Ainda segundo a lei, a cada ano a lista de patrimônios vivos deve nomear três novos nomes, que receberão, quando pessoas físicas, bolsas vitalícias de R$ 856,47 e R$ 1.712 mensais, quando se tratarem de grupos e associações. Até agora o Conselho Estadul de Cultura já nomeou 30 nomes e deve atingir o número de 60 representantes em até o ano de 2021.

Matéria do Jornal Diário de Pernambuco de 28 de dezembro de 2011. Caderno VIVER E6.

Link para a matéria: 

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Publico aqui texto integral da matéria de jornal que anunciou os mais novos patrimônios vivos de Pernambuco. O Mestre Galo Preto está muito feliz com essa vitória histórica em sua carreira. Este é um reconhecimento que ha muito tempo ele aguardava. Boa leitura.


Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto.
alexandrelomilodo@gmail.com

Anunciação oficial dos três novos Patrimônios Vivos de Pernambuco - Bom dia Pernambuco de 28 de Dezembro de 2011



Anunciação oficial dos três novos Patrimônios Vivos de Pernambuco

Vídeo da anunciação dos três novos patrimônios vivos de Pernambuco. O Conselho Estadual de Cultura fez este anúncio as 7h da manhã do dia 28 de dezembro de 2011 na cede do Conselho para o Jornal Bom dia Pernambuco da Rede Globo Nordeste. Esta premiação deixou o Estado pernambucano mais forte e vibrante com a presença fortemente indispensável dos três premiados. Foi mais que merecido e tardio o reconhecimento. O Mestre Galo Preto está que é alegria só, já que ele com mais de 65 anos de carreira nunca tinha tido um reconhecimento tão amplo de seu trabalho e história. Esta vitória se deve a mais de três anos de pesquisa e luta por legitimação oficial coordenada por seu produtor Alexandre L'Omi L'Odò e claro, por causa de seu mérito autêntico e evidente.

Link para o vídeo no site do G1: 


Alexandre L'Omi L'Odò
Produtor do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Pernambuco tem três novos Patrimônios Vivos da Cultura Popular

 
Coquista Mestre Galo Preto. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Pernambuco tem três novos Patrimônios Vivos da Cultura Popular

Os mais novos contemplados foram anunciados nessa terça-feira pelo Conselho Estadual de Cultura e a Fundarpe

28.12.2011 - 15h12

A ceramista de Tracunhaém, Maria Amélia, o coquista Mestre Galo Preto, de Olinda, e o Maracatu Estrela de Ouro, de Aliança, são os mais novos componentes do seleto grupo de pessoas ou instituições de destaque na cultura popular, a ostentar o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco. A escolha se deu após a leitura e avaliação de ampla documentação dos mais de 59 processos de candidatos habilitados a participar da edição 2011 do concurso público, da capital e do interior. Todos eles foram indicados por entidades culturais, prefeituras e secretarias municipais de cultura, depois de comprovados pelo menos 20 anos de atuação no fomento à cultura popular e tradicional.

A Lei 12.196, de 02 de maio de 2002, que instituiu o Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco, tem como objetivo reconhecer, em vida, o trabalho dos mestres e grupos culturais da terra, na construção de um patrimônio cultural. Ela permite também a preservação e valorização das manifestações populares e tradicionais, garantindo as condições para que sejam repassadas às novas gerações de aprendizes. Para isso, o Governo do Estado paga uma bolsa vitalícia no valor mensal de R$ 907,77 (pessoa física) e R$ 1.815,53 (grupos culturais) como forma de incentivo à realização e perpetuação de suas atividades.

 Matéria no site da FUNDARPE - www.fundarpe.pe.gov.br

Com os 3  eleitos de 2011 para receber o título, sobe para 27 o número de Patrimônios Vivos de Pernambuco em atuação no Estado. Conheça os novos membros:

MARIA AMÉLIA DA SILVA – Ceramista de Tracunhaém

Com 88 anos de idade, MARIA AMÉLIA DA SILVA é pioneira na arte ceramista do município pernambucano de Tracunhaém e detém, de maneira sólida, conhecimentos e técnicas necessárias para a produção e preservação de aspectos da cultura tradicional do barro, no referido município.

Sob a influência de seu pai (João Bezerra da Silva, conhecido popularmente como Mestre Dunde), Maria Amélia começou a transformar barro em bichos e bonecos com oito anos de idade.  Mestre Dunde era louçeiro e produzia panelas, jarros, bacias, etc. para vender nas feiras livres da Zona da Mata Norte de Pernambuco. Foi no ambiente das feiras que Maria Amélia buscou inspiração para o que veio a ser a sua marca enquanto artesã. Através de quadros de santos espalhados nas feiras, Maria Amélia escolheu dedicar-se à construção de imagens de santos católicos, destacando-se as imagens de São João do Carneirinho, Nossa Senhora do Rosário, Rainha do Céu, São Francisco, Santa Luzia, São José e São Pedro. Suas obras medem de 50 a 70 cm e possuem uma expressão facial simples, mas comovedora. Os mantos são pregueados e largos, uma marca registrada sua que empresta certa imponência à imagem, facilmente identificada, diferenciada e primitiva do surgimento do artesanato em barro na cidade de Tracunhaém.

Sua história de vida no seio de sua comunidade e sua contribuição sócio-cultural para a cidade de Tracunhaém é refletida em várias exposições em cidades brasileiras como Brasília e Rio de Janeiro e em países como Inglaterra e França. Somados a isso, inúmeros livros, matérias de jornais e revistas como: livro O Reinado da Lua – esculturas populares do Nordeste (1980); o livro Artesão Brasileiro – folk art of Northeastem Brazil (1995); Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro Sec.XX (1976); livro Mestres que se renovam: a cerâmica popular de Tracunhaém (2010); livro Em nome do Autor – artistas artesãos do Brasil; livro O Povo do Barro, de Rildo Moura (2011). Destacamos, ainda, sua participações e homenagens:

- Homenageada na Festa dos Artesãos de Tracunhaém (1993) – Realizada pela Prefeitura Municipal de Tracunhaém e Secretaria de Turismo e Artesanato;
- Participação no Salão dos Mestres na FENNEART (2000 a 2009) – Centro de Convenções em Olinda-PE;

- Título de Cidadã Benemérita de Tracunhaém (2002) – Câmara Municipal de Tracunhaém;
- Participação na Exposição “100 anos do Brasil” (2003) – França;
- Homenageada “Artesã mais antiga” na Festa dos Artesãos em Tracunhaém (2005) – Prefeitura Municipal de Tracunhaém;
- Homenageada no I encontro Nacional de Artesãos (2006) – Prêmio Memória do Artesanato Pernambucano.

Por fim, compreendemos que a arte de Maria Amélia resulta de saberes acumulados por gerações de artesãos, exigindo domínio dos saberes e técnicas, bem como um apurado sentido estético e perícia manual. Sem dúvida, a artesã, referência para uma centena de pessoas, representa a continuidade de uma herança, cara à cultura pernambucana, de técnicas e conhecimentos dos recursos naturais existentes em sua região. Seus conhecimentos, transformado em objetos, criam e reinventam uma das formas mais singulares de representação de nossa identidade cultural. Portanto reconhecê-la significa, também, valorizar os produtos artesanais de referência cultural que reportam aos seus territórios, a um conjunto de elementos simbólicos e aos seus antepassados, traduzidos por costumes, ritos, mitos e cores.

TOMAZ AQUINO LEÃO (GALO PRETO) - Coquista

Tomaz Aquino Leão, conhecido artisticamente como Mestre Galo Preto, tem 76 anos de idade e mais de 65 anos de luta pelo coco e pela cultura pernambucana. Com larga atividade no meio cultural como coquista, cantador, embolador, compositor e percussionista, Mestre Galo é oriundo de Bom Conselho de Papa Caças, hoje reconhecido quilombo de Rainha Izabel, no agreste meridional, e, considerado o último remanescente da tradição do coco (dança, ritmo e cânticos) nessa região. Foi parceiro de nomes expressivos da música popular brasileira como, Jackson do Pandeiro, Cauby Peixoto, Arlindo dos Oito Baixos, Luiz Gonzaga, Jacinto Silva, entre outras personalidades musicais de sua época. Além de CDs gravados, sua vida e trajetória já foi objeto de dois DVDs, além de livro de fotografias e participação em vários DVDs e documentários sobre coco.

MARACATU ESTRELA DE OURO- Baque Solto - Aliança

O Maracatu Estrela de Ouro, numa herança de família passando por gerações e nomeações diferentes, desde 1882, tem sua constituição em 1966, no Sítio Chã de Camará, município de Aliança, e se torna a partir daí um ícone entre a manifestação popular do Maracatu de Baque Solto ou Rural. Mestre Batista, seu fundador, levou sua tradição e a faz difundir-se por todos os lados do canavial da Zona da Mata Norte de Pernambuco. A idéia era acrescentá-lo às brincadeiras do Cavalo Marinho, rodas de ciranda e forró de rabeca já praticadas no local. 

Durante anos, o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança saiu apenas para visitar os povoados das cidades vizinhas. Mas o grupo foi crescendo e ganhando popularidade  até figurar entre maiores maracatus do Estado de  Pernambuco. Por diversas vezes foi  campeão nos Concursos de Agremiações Carnavalescas  promovidos pela Prefeitura do Recife durante o carnaval. 

O Maracatu Estrela de Ouro foi, desde o início, um verdadeiro ponto de encontro de todas as culturas da região e de onde saíram vários mestres. Com a morte de Mestre Batista, em 1991, o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança passou a ser presidido por seu  filho, o mestre José Lourenço. Na nova fase, iniciada em 1992, o Estrela de Ouro foi reconhecido pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura, um local de preservação, recriação e transferência cultural do povo brasileiro.  Atualmente conta com uma biblioteca reconhecida como Ponto de Leitura e um estúdio de gravação.

Atualmente o Maracatu Estrela de Ouro tem mais de quarenta Caboclos de Lança, chefiados pelo Mestre Luiz; uma orquestra dirigida pelo Mestre Zé Duda e já ganhou o mundo sendo o único maracatu rural a chegar à Europa. Recentemente toda historia do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança foi lançada em livro pelo Historiador Severino Vicente.  Em 2009 o Maracatu Estrela de Ouro recebeu a comenda mais importante da cultura brasileira. A Ordem do Mérito Cultural.

Chamada no site da FUNDARPE.



Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Juremofobia em Pernambuco “Orixá não caminha junto com fumaça”!


 
Cachimbo e Maracá. Na foto Mãe Graça de Xangô no VI Kipupa Malunguinho. Foto de Laila Santana.

Juremofobia em Pernambuco
“Orixá não caminha junto com fumaça”!

Hoje, 27 de outubro de 2011 recebi informações da última reunião da V Caminhada dos Terreiros de Pernambuco, ocorrida no Núcleo da Cultura Afro Brasileira da Prefeitura do Recife, localizado no Pátio de São Pedro.  Informações essas que me deixaram muito preocupado com a mentalidade que ainda está pairando nas cabeças dos babalorixás e iyalorixás que constituem esse movimento do povo de terreiro, que virou entidade jurídica (Associação Caminhada dos Terreiros de Pernambuco).

Através do coordenador religioso do QCM - Quilombo Cultural Malunguinho, Sandro de Jucá, tivemos notícias sobre a sanção da Caminhada em cecear a manifestação do povo da Jurema no percurso. Isso não é novidade! A mais de 3 anos nós do QCM lutamos contra essa Juremofobia, cachimbofobia, ou ainda fumaçofobia do povo de terreiro.

Veja esse vídeo gravado em um dos seminários de preparação da caminhada em 2009, eu defendendo a participação da Jurema: 


É óbvio que para uma religião se manifestar publicamente, ela tem que levar seus símbolos e elementos particulares para poder ser identificada. No caso da Jurema Sagrada, o que a identifica além das roupas coloridas, chapéu de palha e lenço vermelho no pescoço é o cachimbo, elemento essencial do culto, instrumento que integra o juremeiro e juremeira, pois é liturgicamente o símbolo mais forte, junto, claro, com sua fumaça sagrada.

Essa posição soa ridícula. Como é que uma caminhada política do povo de terreiro, e sabendo-se que a prática da Jurema é de terreiro e que todos os participantes dessa Caminhada cultuam Jurema, pode ser ceceada, impedia e inibida? Isso seria de fato juremofobia? Ou auto-rejeição religiosa?

Sabe-se que a prática da Jurema e os juremeiros, incluindo-se os índios e pajés vêm sendo perseguidos historicamente desde o século XVI, primeiro pelos jesuítas, depois pelo governo e polícia e hoje pelo próprio povo de terreiro? Não é possível que os catimbozeiros e catimbozeiras, hoje estejam submetidos ao nagocentrismo tão popular no Brasil todo. É possível? É sim! É só ver que a fumaça dos cachimbos não podem se misturar em um ato público e político na rua em uma caminhada com os santíssimos orixás... Já que a justificativa para tal proibição é que no percurso da caminhada se cantará só, e repito, só para os Orixás... Ficando a Jurema e a Umbanda para o final da Caminhada, como vem sendo esses 5 anos...
Pode-se ainda ver uma imagem discreta de cachimbo no cartaz da caminhada. Pra isso entrar ali foram necessário anos de discussões. Isso faz rir também. Como os sacerdotes e sacerdotisas não entendem o valor e a importância da Jurema para todos os terreiro?

Para nós, fim de caminhada é dispersão, momento de todos irem embora, descansar do longo caminho percorrido, não momento de “privilegiar” a Jurema! Todos cansados do percurso terão mais uma vez que assistir a um show de Jurema, em um palco “especial” montado no Largo do Carmo, ou no memorial Zumbi dos Palmares (o “Playnobil” de Abelardo da Hora, o Zumbi menos negro e representativo da história das artes plásticas no mundo) como preferirem chamar o local no centro do Recife.

Claro que essa discussão que proponho aqui não tira o valor e representatividade que essa e outras caminhadas do povo de terreiro têm politicamente para nossa religião. Mas, tenho que alertar que xenofobia de dentro pra dentro da caminhada é uma situação crítica do povo de terreiro de Pernambuco.

Não dá nem mais pra discutir nas reuniões. Escutam-se pelos bastidores até que vão tomar os cachimbos dos juremeiros e quebrar... Isso é um absurdo completo. Dá até nojo e vergonha como alguém que é de terreiro pode agir e pensar dessa forma. Isso demonstra que muitos ainda não estão preparados para serem supostas lideranças dessa caminhada.

Há rumores ainda de punição aos que não obedecerem aos “critérios construídos durante todo o ano, nas reuniões da Caminhada”. Alguém pode conceber isso? É sério? Nossa, estamos mesmo em uma ditadura do povo do nagô? Ou serão problemas pessoais entre esses dirigentes e a organização do povo da Jurema?

Colocam a justificativa da teologia de que a Jurema não se mistura com o Orixá, e “isso pode causar problemas, pois essas linhas não devem se cruzar”... Até entendo essa regra para dentro do local sagrado dos terreiros, não para a rua, em um momento “coletivo” de luta por direitos coletivos. Não cabe essa explicação juremofóbica e altamente esvaziada teologicamente.

E mais, subestimam ainda a fumaça... Colocam-nos como tabagistas fumantes... Sequer respeitam a dimensão sagrada dos juremeiros em fumar seu cachimbo sacralizado. Querem nos colocar como desordeiros e como àqueles que querem dividir a Caminhada... Nada disso! Queremos somar! Mas não admitiremos essa juremofobia, essa xenofobia descabida conosco!

A JUREMA MERECE RESPEITO! 
E nos respeitem!

Nós, Povo da Jurema não abaixaremos a cabeça! Faremos nossa concentração na Rua da Guia, local simbólico para nosso culto, e levaremos sim os cachimbos, os maracás, as nossas roupas e símbolos para integrar o evento. Pois chega de repressão. Já basta o racismo histórico brasileiro, a intolerância religiosa nacional, a discriminação e a xenofobia dos “outros”. Vamos lutar por nosso espaço de direito e queremos ver quem vai ser contra nós. Pois conosco seguem Malunguinho e uma velha guarda de mulheres e homens que sabem e entendem o valor de ser juremeiro e juremeira. Não são pessoas colocadas na situação de massa de manobra nem de “idiotização”. São pessoas que entenderam através dos mais de 8 anos das discussões propostas pelo QCM – Quilombo Cultural Malunguinho em ter auto-estima e estudar a jurema que se apresentarão como tais nas ruas do Recife, para mostrar a cara que a Jurema tem! 

 Povo da Jurema em consentração separada na V Caminhada dos Terreiros de Pernambuco em 2011. Foto de Michelle Rodrigues.

Sobô Nirê Malunguinho!
Salve a Jurema Sagrada!

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Decidi publicar este texto só agora por motivos interpessoais entre o Quilombo Cultural Malunguinho e a coordenação da Caminhada dos Terreiros de Pernambuco. A foto que tem os juremeiros e juremeiras na Rua da Guia, em consentração separada, registra o momento de nosso protesto contra esse absurdo teológico e político. Esperamos que em 2012, esta situação se resolva e que a Jurema possa ter seu espaço como todas outras religiões de terreiro no percurso de toda caminhada. Estamos na luta e de olhos abertos para enxergar os processos de exclusão que a Jurema vem sofrendo historicamente. Lembro ainda que em postagens anteriores neste blog, publiquei a matéria de jornal que registrou nosso protesto e o divulgou no dia seguinte da caminhada. Neste mesmo dia (04/11/2011), fundamos a Rede Nacional do Povo da Jurema. Instância que em breve publicaremos mais informações e participantes. 


Alexandre L’Omi L’Odò
Coordenação QCM
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"Brasil pandeiro" - Uma experiência interessante de música inter-regional


4 Cantos "Brasil Pandeiro" from Zapipele Filmes on Vimeo.


"Brasil pandeiro" - Uma experiência interessante de música inter-regional

Esse vídeo da Quatro Cantos - "Brasil pandeiro" é muito interessante. Super bem efito e cheio de brilho. Com artistas de diversas vertentes da música brasileira, inclusive elementos das culturas populares. Com esse trabalho audiovisual podemos ver o quanto é possível trazer para perto da mídia essas pessoas e suas tradições. O resultado é de muita qualidade e, envolvente demais. Adorei. Parabéns à Zapipele Filmes e Quatro Cantos Produções.

Ficha técnica

Direção: Betão Aguiar
Produção Musical: Betão Aguiar e Chico Salem
Direção de Fotografia e Câmera: Arthur Roessle e Carina Zaratin
Direção de Produção: Mara Zeyn
Roteiro e Montagem: Haná Vaisman
Assistente de Montagem: Cristian Bueno
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Masterizado por: Carlinhos Freitas no Classic Master / SP
Gravado por: Felipe Magalhães e Chico Salem - Unidade Móvel Nagoma
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Alexandre L'Omi L'Odò
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

"O pau comeu no terreiro de macumba" - Matéria do Jornal Aqui PE sobre caso Mãe Silvanize


 
Manchete da capa do jornal Aqui PE de 09 de dezembro de 2011.
 
O pau comeu no terreiro de Macumba

Silvanize de Oliveira, dona de um centro de umbanda, na Estância, acusa evangélicos pentecostais do bairro de agredi-la. A dona de casa contou ainda que ameaçaram tocar fogo no local com ela dentro. Porém, os vizinhos dizem que é tudo invenção da cabeça dela (texto da capa do Jornal Aqui PE).

 
Matéria do Jornal Aqui PE de 09 de dezembro de 2011. Página 3.

Barraco em terreiro de candomblé

Jornal Aqui PE. Recife, sexta-feira, 09 de dezembro de 2011. Polícia – Página 3.

Dona de casa que mantém local de culto à Oxum, na Estância, se diz ameaçada por evangélicos

Um suposto caso de intolerância religiosa pode ser a causa das agressões físicas e verbais que a dona de casa Silvanize de Oliveira, de 53 anos, vem sofrendo por mais de uma década.

Os suspeitos seriam integrantes da comunidade evangélica pentecostal do bairro da Estância, na Zona Oeste do Recife, insatisfeitos com os rituais realizados no terreiro de matriz africana mantido pela mulher. Os agressores, inclusive, já teriam ameaçado atear fogo no centro de umbanda e jurema, com a seguidora dentro dele.

Hoje, o Quilombo Cultural Malunguinho acionará oficialmente o Ministério Público de Pernambuco para denunciar as agressões e os possíveis episódios relatados.

O Terreiro de Oxum seria o centro das divergências entre os grupos religiosos. Pelo relato da vítima, a primeira agressão aconteceu em 1999. Na época, Silvanize teria tido a blusa rasgada e sofrido agressões no rosto. A sessão de espancamento em frente ao centro teria durado meia hora. O episódio foi denunciado à Delegacia de Afogados.

Em 2000, teria ocorrido novo caso de violência, seguido por outro semelhante em 2001. “Tenho como provar tudo que estou dizendo. A insatisfação é por causa do terreiro; choque de religião” garantiu a dona de casa. As últimas agressões teriam acontecido no último domingo e na terça. Os visinhos atiraram pedra contra o teto da casa dela. O impacto danificou as telhas de amianto da residência, onde, num cômodo, está instalado o terreiro. “os moradores tentaram entrar para destruir tudo. Recebi ameaças de que quando estivesse dormindo, eles tocariam fogo no terreiro” explicou Silvanize de Oliveira.

Mãe Silvanize segurando a imagem de Malunguinho, seu protetor nesse caso. Últimas agressões a Silvanize teriam acontecido no domingo e na terça-feira. Foto de Glynner Brandão/DP/D.A Press.

Os rituais no terreiro Oxun ficaram paralisados entre 12 de agosto de 2009 e 4 de maio de 2011. Neste período, a Justiça investigou supostas irregularidades contra a Lei de Crimes Ambientais. Um documento expedido pelo 3° Juizado Especial de Crimes da Capital indica o arquivamento do processo. À época, a vitima chegou a ser ouvida na Delegacia de Infrações Penais de Menor Potencial Ofensivo, que funcionava no Fórum Tomaz de Aquino, e liberada depois de prestar depoimento.

Na manhã de ontem, com medo de represálias da vizinhança, a celebração à Yemanjá foi cancelada. “Aqui há intolerância. Os vizinhos chegam a chamar a polícia. O que eu quero é garantir o livre exercício da minha religiosidade. Afinal tenho direito”, comentou.

Vizinha do terreiro e evangélica, a dona de casa Edriane Maria dos Santos, 37 anos, disse que as reclamações contra o local não estão ligadas à questão religiosa. “Por mim, ela pode continuar matando os animais aí dentro. Ninguém nunca tentou invadir a casa dela. O problema é o barulho. A minha sobrinha e o meu neto não dormiram na segunda-feira por causa da zuada das atividades do terreiro”, disse Edriane. Segundo ela, Silvanize de Oliveira chegou chamar três pessoas para agredi-la na terça-feira. “Prestei queixa na polícia contra ela”, adiantou.

Visitem o site do Jornal e façam críticas: www.aquipe.com.br
 Ou escrevam para eles: aquipe@aquipe.com.br
  
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Publico aqui texto integral da matéria do Jornal Aqui PE de 09 de dezembro de 2011. Página 3, Policial. Esta matéria, embora tenha tido a infeliz manchete sensacionalista, tem um texto interessante que revela parte do caso Mãe Silvanize, que a mais de dois anos é acompanhado pelo Quilombo Cultural Malunguinho, entidade que lhe trouxe ao conhecimento de todas e todos, denunciando publicamente estes crimes de racismo, intolerância religiosa e falta de humanidade.

Contudo, cabe-nos uma crítica sensata: será que o povo de terreiro tem sido parceiro para ajudar as pessoas em fatos como esses? Será que os movimentos do povo de terreiro tem se envolvido com maior profundidade nesses casos? Bom, o MPPE – Ministério Público de Pernambuco já tem conhecimento desse caso a mais de dois anos também, e nada até o momento foi feito. Esse caso tem diversas complicações... A começar pela iyalorixá, vítima das agressões. Ela é uma pessoa que tem concepções teológicas de nossa religião muito equivocadas, que contribuem para um desequilíbrio para com a comunidade do entorno. Isso é um agravante, mas mesmo assim, devemos dar as mãos a ela. Pois se evangélicos a agridem e fica tudo por isso mesmo, ou até ela chegar a morrer por causa dessas brigas (pois ameaças já foram feitas), é toda comunidade nacional dos terreiros que perderá e irá se expor com essas possíveis situações que nos coloca a todos e todas na mesma vala dos que sofrem calados e não se organizam para dar jeito em situações críticas como essa.

João Monteiro, integrante da coordenação do Quilombo Cultural Malunguinho, esteve na casa de Mãe Silvanize levando o repórter lá. Ele, com muita inteligência e competência, conseguiu propor à comunidade que estava presente no momento da entrevista que nós todos pudéssemos ter uma conversa coletiva para tentar ajustar esta situação. Estamos nos organizando para tal ato, que poderá resultar ou não em um bom encaminhamento para ambas as partes.

Ainda nervosa e histérica com os ocorridos no momento das agressões, Mãe Silvanize me ligou pedindo socorro. Disse que “só Malunguinho para me ajudar nessa guerra”. E de fato, é a Jurema Sagrada que irá dar o caminho para a boa resolução (com paz) desse drástico caso.

Por favor, divulguem, discutam, critiquem. Vamos retro-alimentar nossas conversas com inteligência e afirmação.

Ajudem Silvanize de Oxum. Ajudem nosso povo a sair da marginalidade.

Salve a fumaça!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

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