quinta-feira, 26 de abril de 2012

As Cotas Raciais nas Universidades foram aprovadas! Sobô Nirê!!!!

Imagem do momento do julgamento das Cotas no STF.

As Cotas Raciais nas Universidades foram aprovada! 
Sobô Nirê!!!!

Estou hoje em Brasília a cumprir uma agenda do Quilombo Cultural Malunguinho. Ontem 25/04/2012 pela manhã o céu da cidade bradou fortemente a voz de Xangô (os trovões). Ao acordar orei pedindo ao Orixá do fogo que fizesse justiça e nos desse a vitória no STF. Assim o foi... Estou aqui na 406 Norte a escrever estas linhas apenas para dizer que estou muito feliz e realizado com a aprovação das Cotas Raciais para Negros e Índios nas Universidades do Brasil.

Agradesço a Juerma Sagrada e a minha mãe Oxum a oportunidade de poder estar nesta terra junto ao professor José Jorge de Carvalho, um dos importantes militantes neste processo histórico de transformação dos paradigmas da sociedade brasileira, discutindo e comemorando esta vitória.

Salve Xangô. Salve a fumaça. Salve todos e todas. Salve os ancestrais. Salve os negros e índios que lutaram para que nesta data o Brasil desse um grande passo para a reparação etnico-racial tão esperada.

Sobô Nirê Malunguinho. Mais uma vitória para nosso povo.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 24 de abril de 2012

Inauguração da Sede do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa (INCTI)


Inauguração da Sede do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa (INCTI)

O Instituto de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa (INCTI), realizará a inauguração da sua Sede Nacional no dia 25 de abril 2012 às 18h30 na Universidade de Brasília, Campus Universitário Darcy Ribeiro, ICC Sul Subsolo, Sala BSS 135/138. Nesse mesmo dia, o Instituto realizará também o I Encontro Nacional de sua rede de pesquisadores, evento que se encerrará no dia 26/04.

A inauguração contará com a participação da Rede plena do INCTI: pesquisadores, coordenadores dos Núcleos regionais, professores, parceiros dos movimentos sociais, lideranças indígenas e quilombolas, estudantes negros e indígena.

A cerimônia de inauguração incluirá uma celebração espiritual a cargo do juremeiro e líder religioso Alexandre L'Omi L'Odò do Quilombo Cultural Malunuginho/PE e da Pajé do Xingú/AM Mapulo Kamayurá, mestres e mestras dos saberes tradicionais com quem o Instituto dialoga desde a sua criação, e uma celebração gastronômica, com vários sabores do Cerrado preparados pela mestra quilombola Lucely Pio. 

Maiores informações em:

Serviço:

Inauguração no dia: 25 de abril 2012 às 18h30 na Universidade de Brasília, Campus Universitário Darcy Ribeiro, ICC Sul Subsolo, Sala BSS 135/138.



José Jorge de Carvalho
Coordenador Geral do Instituto de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa.


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Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Inauguração da Sede Nacional do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa – INCTI - 25 de abril 2012

 

Inauguração da Sede Nacional do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa – INCTI
                       
O Instituto de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa (INCTI), realizará a inauguração da sua Sede Nacional no dia 25 de abril  2012 às 18h30 na Universidade de Brasília, Campus Universitário Darcy Ribeiro, ICC Sul Subsolo, Sala BSS 135/138. Nesse mesmo dia, o Instituto realizará também o I Encontro Nacional de sua rede de pesquisadores, evento que se encerrará no dia 26/04.

O INCT de Inclusão, instalado na Universidade de Brasília desde 2009, forma parte do conjunto de 122 INCTs, todos eles grupos de pesquisa de projeção nacional e internacional que se dedicam a temas considerados estratégicos para a nação.

O INCTI tem como um de seus objetivos principais consolidar um Banco de Dados, o mais completo possível, acerca de todas as políticas de ações afirmativas que estão sendo implementadas atualmente nas Instituições públicas de Ensino Superior no Brasil. Esse Banco de Dados é alimentado por um observatório dos processos de inclusão em andamento, através dos editais, resoluções de conselhos, portarias, termos de adesão, entre outros.

A Sede do Instituto a ser inaugurada no dia 25 de abril próximo na UnB já conta com instalações amplas e equipadas, incluindo auditório e salas de pesquisa, além de uma biblioteca especializada em ações afirmativas, inclusão e interculturalidade, uma hemeroteca, clippings de jornais e um conjuntos de gravações em áudio e em vídeo de centenas de debates sobre as cotas realizados ao logo de mais de uma década em inúmeras universidades brasileiras e de vários países da América do Sul. Esse conjunto articulado de fontes de pesquisa já constitui, provavelmente, o acervo mais importante existente no país sobre a memória do processo de luta pelas ações afirmativas para negros e indígenas nas universidades brasileiras.

Um dos produtos mais importantes que o INCTI já consolidou com base no seu Banco de Dados é o Mapa das Ações Afirmativas, de grandes proporções, que localiza todos os campi das 125 Instituições Públicas de Ensino Superior que já aderiram às ações afirmativas e sintetiza com precisão a imensa variedade de modelos por elas implementados.

O INCTI opera, em todas as suas ações, na perspectiva de uma dupla inclusão: inclusão dos negros e indígenas em todo o espectro da hierarquia acadêmica (graduação, pós-graduação, docência e carreira de pesquisa); e inclusão dos mestres e mestras dos saberes tradicionais (negros, indígenas, e demais povos e comunidades tradicionais) como docentes e pesquisadores das nossas instituições públicas de ensino e pesquisa através do projeto Encontro de Saberes.

A consolidação do INCT de Inclusão na mais alta esfera da pesquisa científica brasileira é resultado de um grande movimento intelectual e político, multiétnico e multirracial, que articulou acadêmicos, intelectuais, movimentos sociais, organizações indígenas, quilombolas, redes religiosas de matriz africana, associações culturais, artísticas e de ofícios, órgãos públicos, entidades privadas e sociedade em geral, todos articulados na luta pela inclusão étnica, racial e social no ensino superior e na pesquisa.

A inauguração contará com a participação da Rede plena do INCTI: pesquisadores, coordenadores dos Núcleos regionais, professores, parceiros dos movimentos sociais, lideranças indígenas e quilombolas, estudantes negros e indígena.

A cerimônia de inauguração incluirá uma celebração espiritual a cargo do juremeiro e líder religioso Alexandre L'Omi L'Odò do Quilombo Cultural Malunuginho/PE e da Pajé do Xingú/AM Mapulo Kamayurá,  mestres e mestras dos saberes tradicionais com quem o Instituto dialoga desde a sua criação, e uma celebração gastronômica, com vários sabores do Cerrado preparados pela mestra quilombola Lucely Pio. 

Maiores informações em:

Curtam a página do Encontro de Saberes no facebook:

 José Jorge de Carvalho 
Coordenador Geral do Instituto de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa.

 
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Convido amigos e amigas para participar deste momento fundamental para o avanço das políticas afirmativas e de reparação no Brasil.

ALexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Procissão de São Jorge/Ògún - 44 anos de tradição no Recife

São Jorge, arte de 1378 do Livro de Horas. Primeira imagem registrada em livro.

Procissão de São Jorge/Ògún – 44 anos de tradição e resistência em Recife.

No dia 23 de abril de 2011, fui pela primeira vez à Procissão de São Jorge (Ògún), do terreiro de Umbanda, Jurema e Nagô Pai Francisco, do afamado e sério Pai Messias de Ògún, o conhecido Pai Messias da Rua das Moças do bairro do Arruda, no Recife, um sacerdote dos mais dignos e cheios de força que já conheci.

Pai Mecias de Ògún (Pai Mecias da Rua das Moças). Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Após ter me integrado a consciência que este ato de fé me trousse, pude refletir sobre a importância real de fortalecermos as nossas grandes e tradicionais manifestações religiosas. Ao invés de recriarmos atividades que em nada tem haver com o espírito da tradição pernambucana de terreiro, devemos contribuir para a salva-guarda e permanência desta tradição que é mais velha que centenas de terreiros de Recife e Olinda, e que tem muito mais idade que muita gente iniciada no candomblé ou Jurema em Pernambuco. 

Andor, momentos antes de sair às ruas, dentro do terreiro.

Sua procissão é uma verdadeira demonstração de força de agregação. Centenas de pessoas, entre povo de terreiro e católicos, não religiosos etc. compunham a grande caminhada. Com andor muito bem decorado com flores naturais, banda de música (metais, caixa e bombo), cavalaria, ala de “baianas” (todas filhas do terreiro), ala das bandeiras que simbolizavam cada uma um Orixá específico, faixas com frases de reflexão, show pirotécnico e muita concentração na fé, deram o tom  da tradicional procissão que seguiu seu percurso levando o cântico católico:

“São Jorge é Santo, protetor meu,
Ele é quem nos livra dos inimigos meus
Seu capacete, em sua cabeça vive
Ele é guerreiro, rei dos invisíveis”.

Ao ouvido de todos que das casas e fachadas saiam para reverenciar o “santo” e ver esta manifestação original que a cada ano leva mais gente às ruas. 

Banda de música, com metais e percussão.

 
Ala das Baianas. Todas filhas do Terreiro.

Bandeira de São Jorge a frente da procissão.

O que pude verificar foi que esta procissão é um ponto forte nos eventos de agregação das religiões, onde o povo de terreiro independentemente de nação se encontram pra celebrar juntos, à Ògún e a São Jorge. O longo percurso que rodeia quase todo bairro do Arruda e Água Fria, se fez imperceptível, pois a boa vibração das pessoas que com suas demonstrações de fé cantavam e louvavam, não permitiram que caísse o entusiasmo que marcou todo o percurso.

Protagonizando o entoar dos cânticos, estava lá o Pai Messias. Com sua presença forte de corpo e espírito, dirigia tudo com determinação e voz altiva. Muito respeitado por toda comunidade, ele com tranqüilidade deslumbrava nas ruas sua fé, com a certeza de que a comuna jamais cometeria ou permitiria qualquer manifestação de intolerância religiosa a ele, à procissão e a todas e todos que dela participavam. Esta certeza que percebi me fez refletir o quanto é importante a relação do terreiro com seu entorno, pois a Tenda de Umbanda Pai Francisco, é um referencial altamente positivo em todo bairro e cidade. Tendo em vista a prática financiada pelas igrejas neopetencostais de proporcionar o embate contra as religiões de terreiro, esta desrespeitosa e não religiosa forma de discutir alteridade foi completamente neutralizada há olhos nus pela força sagrada do Mestre Mané da Pinga (dirigente absoluto da Jurema de seu terreiro) e do próprio Ògún, Orixá de cabeça de Pai Messias, padroeiro da festa que como sempre deram proteção e tranqüilidade absoluta a todo evento.

À volta ao terreiro do andor e da procissão foi muito bonita e emocionante, o auge de toda liturgia. Com um longo show pirotécnico, que deu ao céu o tom verde e vermelho do Orixá (na nação nagô de Pernambuco), todas e todos os presentes celebraram o fim da procissão, que com palmas receberam de volta ao terreiro a imagem do “santo”.  O que mais me marcou foi a belíssima afirmação pública de que Ògún é São Jorge! Isso se fez possível através da gira de umbanda feita em plena rua em frente ao terreiro para finalizar a procissão. Ilús (instrumentos litúrgicos do terreiro), gan e agbê deram o ritmo perfeito ao som do samba de angola e do ritmo congo às toadas para Ògún na umbanda:

Ògún não devia beber,
Ògún não devia fumar,
Na fumaça ele é seu Ventania,
E na cerveja é espuma do mar”...

“Ògún, vencedor de demandas,
Ele vem de Aruanda,
Pra saudar filhos de Umbanda,
Ògún, Ògún Yara, (2X),
Salve os campos de batalha,
Salve a Sereia do Mar,
Ògún, Ògún Yara,
Ògún, Ògún Mejê”...

Com muita animação e cenas interessantes como a de um militar vestido com a farda do exército brasileiro tocando o ilú e baianas dançando as coreografias de Ògún, tudo se finalizou com uma oração tradicional da Jurema de seu terreiro.

Militar fardado tocando Ilú.

Momento da oração tradicional da Tenda de Umbanda Pai Francisco.

Lanches foram distribuídos a todos os presentes, vinho tinto, cachorro quente, arroz com galinha de molho e refrigerantes. Ainda teve a apresentação do Maracatu Nação Cambinda Estrela, do bairro de Chão de Estrelas, que fez a festa ao som das alfaias, caixas e taróis, gonguês e mineiros, regidos pelo mestre Ivaldo Marciano, que em seu discurso disse que todos os anos o Maracatu iria fazer parte da procissão, levando os tambores para saudar Ògún e São Jorge.

Pai Messias com seu carisma e sua espiritualidade leva a frente uma tradição que na fala dele deixa claro: “Só quando eu for para o Orun (mundo espiritual dos yorùbá, céu), deixarei de fazer. Mesmo assim meus filhos com minha ausência darão continuidade a tudo que iniciei nessa vida”.

Mojubá babá mi! Que me ensina e me dá coragem para prosseguir como filho de Osún e Ògún. Kimbanda dos bons!!


Ògún e São Jorge, firmes e fortes no cotidiano popular do Brasil

A popularidade deste Santo/Orixá, a cada dia cresce em nosso meio. Vejo todos os dias pelo menos umas dez pessoas no mínimo com colares que ostentam medalhões com a figura de São Jorge. Todos expostos. Há quase que uma moda atualmente em Recife, onde as lojas de “jóias” expõem em suas vitrines estes medalhões de todos os tamanhos e espessuras, de diversos materiais como o aço escovado, inox, latão, prata, ouro etc. de fato o Santo/Orixá está em alta. Mas observando um pouco mais profundamente, podemos ver que o símbolo da proteção particular é que está sendo o ponto principal desta disseminação da imagem do Santo “guerreiro e protetor”, já que estamos a cada dia que se passa inseridos numa sociedade violenta em todos os níveis, incitando a carência de elementos de proteção para o corpo e espírito. Ainda percebo a questão da afirmação da masculinidade que o símbolo de São Jorge traz aos homens. Este, exposto nos peitorais dos pagodeiros em geral, serve ao que parece, para proferir sensualidade, masculinidade e fé em um santo guerreiro e protetor. Sendo também símbolo de estética mesmo, já que tanto a imagem em camisas e em bonés são visualmente bonitas e representativas de uma ética e moral cristã (aceita pela sociedade) dando respaldo ao usuário de forma simbólica. 

 Ògún. Bela pintura em tela fotografada da parede interna do Terreiro dos Palmares, templo Jeje do sacerdote Pai Srael de Avereketi. Palmares/PE. 2009.

Em Recife, a única Igreja Católica que faz uma celebração a São Jorge é a Igreja do Santíssimo Sacramento, do bairro de Santo Antonio, no centro da capital, onde no dia 23 de abril, às 08h da manhã, celebra este santo, com a presença quase que absoluta de iniciados e iniciadas nos cultos afro indígenas. “É uma missa cheia de axé e do povo do axé e da Jurema”, como relata o historiador João Monteiro, em conversa sobre o tema.

A professora e escritora Georgina Silva dos Santos, autora da tese Ofício e sangue – o papel da irmandade de São Jorge nas culturas de ofício da Lisboa moderna, em 2002, pela Universidade de São Paulo, afirma que “São Jorge nunca foi banido do rol dos santos católicos. Ao contrário, a história de sua devoção é marcada por um incessante esforço eclesiástico para reconhecer-lhe a santidade”. (SANTOS, 2002). Portanto, a lenda de que São Jorge não é santo da Igreja católica, não é verdade. Essa crença no “Santo Guerreiro” é uma herança legítima dos portugueses no Brasil. Honrado com uma igreja em Lisboa, por Afonso Henriques, primeiro monarca português, São Jorge recebeu como herança o cavalo de seu sucessor, Sancho I, e passou a ser evocado como grito de guerra por Afonso IV. Devoção pessoal desses reis da dinastia de Borgonha (século XII ao século XIV). Este Santo foi tido como intercessor celeste na batalha que opôs Portugal e Castela, pela disputa da Coroa lusitana. Dando vitória a estes reis e derrotando “o drago castelhano” o santo foi instituído como padroeiro do reino e defensor de suas terras e gentes, ganhou notoriedade e deu ao paço régio o nome de santo – o famoso Castelo de São Jorge de Lisboa. Estes atos de D. João I inauguraram uma devoção dinástica. O santo ganhou mais ainda força com tudo isso, se estabelecendo como símbolo de compromisso da fé católica. São Jorge, com a expansão portuguesa em novas terras, inclusive no Novo Mundo e África, entrou em contato com novos territórios, levado pelos viajantes e navegadores, fiéis ao santo. O infante d. Henrique atribuiu a uma das ilhas dos Açores o nome do mártir. Já D. João II, ao construir uma fortaleza na Costa da Guiné, deu o nome de São Jorge da Mina, local de grande movimentação no período do trafico negreiro para as Américas (século XVII ao XIX). 

D. Afonso Henriques. Primeiro monarca português a honrar São Jorge com uma igreja em Lisboa.

A tradição das procissões de fato foi a responsável pela popularização de São Jorge. A introdução do santo na procissão do Corpo de Deus, ainda em 1387, manifestação católica realizada em todo o Portugal, procissão em honra à Eucaristia, era a festa mais importante da Igreja neste período histórico,  colocando centenas de devotos nas ruas, conseqüentemente ando visibilidade popular ao “guerreiro”, que muito rapidamente constituiu crença entorno de seus milagres nas causas relativas a lutas e proteção. Nessa procissão, a imagem de São Jorge era escoltada pelos artesões que trabalhavam com ferro e fogo. Era um evento bastante interessante, com danças de trabalhadoras das hortas e pomares que abriam a procissão ao som das gaitas e das flautas. Por determinação municipal, as vias eram cobertas por flores e ervas aromáticas, as pessoas colocavam nas fachadas de suas residências veludos e damascos... Na procissão, vários santos vinham acarreados. Cada um representando uma categoria de trabalhadores. Por fim, vinha o bispo ostentando o Santíssimo, ladeado pelo rei e pelos oficiais palacianos. São Jorge, atravessou o atlântico junto com a festa que o popularizou entre os portugueses... Esta procissão dividia opiniões entre cronistas e escritores da época. Uns elogiavam e diziam que esta manifestação era um bom exemplo de união do profano com o religioso, outros diziam que era ridícula. Várias foram as manifestações no Brasil que trataram o “santo guerreiro” com especial atenção, sendo até criadas novas modalidades de procissão para ele, diferenciando com o passar dos tempos com a tradicional modalidade da procissão do Santíssimo. Georgina, ainda nos informa:

“Mas, se São Jorge supria a demanda dos reis e dos exércitos, ajudando-lhes a forjar uma estampa de glórias e conquistas, no meio do povo logo se tornou advogado de causas cotidianas, com a ajuda dos orixás. Como enfrentara, num passado longínquo, desafios semelhantes aos de Prometeu, Perseu e São Marcelo, São Jorge também assumiria os de Ogum e os de Oxossi nos cultos afro-brasileiros”. (SANTOS, 2002). 

Imagem única de São Jorge com vestes romanas.

“São Jorge é Ògún”! Essa afirmação é freqüente dentro dos templos de umbanda e candomblé em toda parte do país. Um exemplo bastante interessante é a pintura da parede do salão de festas da Tenda de Umbanda Pai Francisco, o terreiro de Pai Messias. Lá na parede tem um São Jorge desenhado, que para todos os filhos e filhas, e também para o sacerdote, “é Ògún que está ali, não o santo católico”. Georgina também afirma que:

“O processo cultural de identificação, associação e inversão que caracterizam o sincretismo religioso entre São Jorge e os orixás da guerra e da caça construiu-se sobre o caráter múltiplo das divindades africanas e as variantes hagiográficas de São Jorge, um santo de “canonização literária””. (SANTOS, 2002).

Em Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro, São Jorge foi sincretisado com Ògún, na Bahia com Santo Antônio. Os cultos de matrizes africanas e indígenas, reprimidos e perseguidos pela Igreja e a polícia, encontraram no sincretismo religioso entre os santos católicos e os Orixás uma inteligente e criativa solução para a sobrevivência de suas divindades e religião. D. Obá II d’África, ex-combatente da guerra do Paraguai, negro freqüentador da Quinta da Boa Vista, era um desses que se dizia católico, mas não via e nem se comportava como se uma religião fosse desligada da outra, mostrando que o sincretismo de fato imbricou-se profundamente na forma de fé dos brasileiros, em especial dos negros e negras, que são herdeiros da tradição desse sincretismo na maioria absoluta. Hoje, o sincretismo não é mais tão forte e preciso. Mas, mesmo assim, São Jorge se coloca entre um dos santos católicos de maior e mais profunda relação com religiosa com o Orixá yorùbá Ògún. D. Obá II, ainda costumava afirmar publicamente que: “no Brasil, São Jorge é Ogum!”.

No Rio de Janeiro, desde 2001, o dia 23 de abril é feriado municipal. Nem mesmo a reformulação do calendário litúrgico, promovida pela Igreja católica sob a regência do papa Paulo VI em 1969, modificou a reputação e a força de São Jorge entre os brasileiros. Presente no imaginário popular, o Santo encontrou advogados devotos e poetas que fizeram e fazem de seu nome, honra e história assunto e arte cotidiana. Mário Quintana, poeta e escritor perguntava-se: “que culpa tem ele de ser tão belo e ecumênico?”.

Dedico este artigo à Pai Messias da Rua das Moças, um sacerdote que me fez entender que a fé é algo primordial para sermos integrantes plenos das religiões de matrizes africanas e indígenas. Ele é Ògún/São Jorge também, por sua luta em manter viva uma tradição tão popular no Recife. 

Pai Mecias em meio a multidão da procissão de Ògún. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

No dia 23 de Abril de 2012, a Procissão completará 44 anos de história. Mais um momento a ser celebrado e revitalizado por, e em todos nós.

Mojubá aganganran ní mòun (meus respeitos e me curvo ao veloz enviado do céu) - Ògún yé (Ogum é vida)! Sarava Ogum de Umbanda!

Salve a fumaça!

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Referências

SANTOS, Georgina Silva dos. Ofício e sangue: a Irmandade de São Jorge e a Inquisição na Lisboa moderna. Lisboa: Colibri; Portimão: Instituto de Cultura Ibero-Atlântica, 2005.

Fontes

SANTOS, Georgina Silva dos. Venerado guerreiro. Revista Nossa História, Ano 1 / n° 7, maio de 2004. Páginas: 14 a 20. Biblioteca Nacional. 2004.

Entrevista com Pai Messias, Eriméia de Paulina e João Monteiro.

*Todas as fotografias aqui postadas da Procissão de São Jorge são de autoria Alexandre L'Omi L'Odò em 23 de Abril de 2011.


Alexandre L’Omi L’Odò
Iyawò de Oxum e Juremeiro.

domingo, 15 de abril de 2012

Mestre Galo Preto e Dona Selma do Coco homenageados no Carnaval 2012 de Pernambuco

 Mestre Galo Preto e Dona Selma do Coco recebendo os certificados da homenagem no carnaval 2012 de PE. Foto: Arquivo da FUNDARPE.

Mestre Galo Preto e Dona Selma do Coco homenageados no Carnaval 2012 de Pernambuco

No Carnaval 2012, a FUNDARPE decidiu inovar criando um Encontro de Cocos no município de Olinda. Neste 1° Encontro, foram homenageados os dois Patrimônios Vivos de Pernambuco, dois únicos atualemnte neste posto de reconhecimento a representarem o coco estadualmente. O Mestre Galo Preto (www.myspace.com/mestregalopreto) e a Dona Selma do Coco, receberam certificados e homenagem pública em dois palcos criados exclusivamente para o evento, um no Largo do Guadalupe, em frente a Igreja do Guadalupe e outro na Praça do Amaro Branco. Outros artistas do coco cantaram para festejar este momento. Ferrugem, Aurinha do Coco, Coco de Umbigada, Mestre Pombo Roxo, Zeca do Rolete entre outros músicos tocaram nos palcos para reverenciar estes dois grandes idosos.

Dona Selma do Coco cantando sua prosa no palco do Guadalupe. Mestre Galo Preto ao fundo. Foto: Arquivo da FUNDARPE.

O evento, por ter ocorrido pela primeira vez no Carnaval do Estado, teve baixa estrutura que dificultou a apresentação dos artistas e dos homenageados. Acredito que também a histórica falta de atenção e respeito com a cultura popular em Pernambuco tenha sido mais um agravante nessa falta de estrutura geral na realização do evento.

Contudo, acredito ainda que este processo há de melhorar para garantir uma estrutura decente de cachê e de palco para que estes mestres e mestras da cultura brasileira possam na altura avançada de suas idades verem seus belos trabalhos tendo a visibilidade que merece e é devida.

Galo e Selma cantando juntos no palco do Amaro Branco. Foto: Acervo da FUNDARPE.

Mestres recebendo homenagens. Foto: Acervo da FUNDARPE.

O texto dos certificados discorriam assim:

"O Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura presta homenagem ao Mestre Galo Preto e a Dona Selma do Coco, Patrimônios Vivos de Pernambuco, durante o Encotnro de Cocos do Carnaval de Pernambuco 2012. Por sua relevante contribuição para o fortalecimento da cultura popular".

Ainda credito fé na inversão deste quadro cruel de desqualificação com a cultura do coco. Creio que devemos continuar discutindo e cobrando do Estado este respeito que é direito nosso! Vi o empenho dos funcionários e funcionárias da FUNDARPE em querer dar o melhor aos mestres, mas ficou difícil com tamanha falta de condições dos palcos e da logistica de produção.

Ao Mestre Galo Preto e a Dona Selma do Coco, devo meu respeito e consideração, e dou meus parabéns pois são grandiosas jóias raras de uma cultura que está sumindo e se descaracterizando a cada dia neste Pernambuco Multicultural...

Mestre Pombo Roxo (no canto a direita) cantando para celebrar o Encontro de Cocos. Foto: Acervo da FUNDARPE.

 Dona Selma do Coco. Foto: Acervo da FUNDARPE.

 Salve a fumaça!


Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Salve o Mestre Malunguinho, "que a Jurema manda"!



Salve o Mestre Malunguinho, "que a Jurema manda"!

Estatueta representativa na Jurema do Malunuginho Caboclo. VI Kipupa. Foto de Joannah Mendonça.

Existe uma toada na Jurema que versa assim: “Malunguinho tá de ronda / Quem mandou foi o Jucá / Malunguinho tá de ronda / Que a Jurema Manda / Ô que a Jurema manda”...

Portanto, sabemos que ele, como uma das divindades centrais desta religiosidade do nordeste do Brasil tem forte fluxo na Cidade do Jucá, um dos sete Reinos encantados espirituais da Jurema. Na verdade Malunguinho está na porta central, como àquele que permite a entrada e também pode não permitir a passagem para dentro das Cidades, ou para dentro dos Reinos da Jurema Sagrada. Também pode não permitir a saída de lá...

Esta característica e prática ritual dessa divindade negro indígena é muito forte na Jurema cultuada principalmente na Mata Norte pernambucana, onde o Malunguinho, personagem histórico que atuou como liderança quilombola do Catucá na primeira metade do século XIX no Estado teve grande atividade e reconhecimento. Suas práticas como homem guerreiro, protetor, guardião das matas, chefe da mata, Rei Nagô, Rei das matas, organizador de seu povo, militante aguerrido das causas dos desprovidos de proteção e também como homem violento e implacável, se recriaram dentro da prática da Jurema, que é uma religião de matrizes indígenas que tem como principal característica teológica a xenofilia e a transcendência do estado mental através da ingestão do ajucá ou vinho da Jurema, bebida que pode proporcionar um estado de transcendência da mente e da espiritualidade humana.

Malunguinho tem forte representação nas nossas terras. Ele é muito mais que uma divindade da Jurema, vai bem além, adentrando também a prática do culto aos Orixás, como por exemplo, a prática de Xangô, o Rei Nagô...

Falar de Malunguinho é bem mais que citar bibliografias, que mesmo estas sendo importantes, sem dúvida, não podem dimensionar o que esta divindade representa para seu povo ainda. Falar dele é falar da experiência e memória oral de centenas de terreiros de todo Nordeste que dedicam culto a este forte protetor espiritual que mantém ao longo de todos estes anos, mais de 176 (18 de setembro de 1835 - data provável da morte do último Líder Malunguinho, o João Batista), sua marca na vida de milhares de homens e mulheres que tem fé nos milagres, na fumaça e gira deste Mestre, Caboclo e Trunqueiro/Exú.

Poderemos aqui, neste pequeno artigo, explorar um pouco da cor, dos cheiros, da alma deste guerreiro protetor dos malungos e “malunga(s)” (como se auto afirmou na assinatura de oferecimento de seu livro para mim, a professora Yeda Pessoa de Castro) que tem história na religiosidade da Jurema... Seus rituais e forma de culto são complexos e serão revelados em futuras publicações nossas... Mas vamos falar de alguns aspectos já citados apontados agora:
Primeiro podemos chamar a atenção para o sentimento que Malunguinho causa em seus discípulos. Mãe Terezinha Bulhões, juremeira das mais antigas vivas ainda hoje em Pernambuco, e, discípula do Mestre Malunguinho, concedeu em entrevista este relato: “Estar ao lado dele, é ter a certeza da proteção e da boa energia que vibra de sua presença (...). Antes de ter ele em minha vida, morria de medo de entrar em uma mata, para mim era horrível só pensar em ir a uma. Depois que ele se revelou e me guiou na Jurema, perdi todo medo de lá. Pois sei que nada poderá me acontecer, já que ele é o Reis das Matas. Ele é o dono de lá (...), ele é meu pai”.

Malunguinho é verdadeiramente amigo dos juremeiros e juremeiras, assim como já avisa seu nome – Malungo, que é uma palavra da língua Kimbundo de Angola, na África e, significa amigo, companheiro, parceiro de bordo e de lutas... Mesmo sendo também considerado uma divindade arisca e de difícil contato, sua função demanda muita cautela e atenção, por isso talvez seja um pouco bravo... Pois ele tem que manter a moral nos portais das cidades da Jurema Sagrada, ele é responsável pelo equilíbrio do fluxo espiritual entre discípulos e o mundo sagrado... Mas ele é amigo leal, como relatam todos os seus discípulos e cultuadores. O juremeiro e babalorixá Zeca de Odé, que tem terreiro no bairro de Peixinhos – Olinda/PE, diz: “Na minha casa ninguém recebe ele, mas esse Preto nos dá muita força em tudo aqui. Malunguinho sempre está presente e quebrando todas as demandas dos nossos inimigos, eu confio a ele nossa proteção na gira da Jurema”, revela.

Sua saudação é "Sobô Nirê, Reis Malunguinho". E a palavra Reis é escrita assim mesmo, no plural, pois ele não é só apenas um Rei, mas sim vários, representados em uma única divindade polissêmica e multi-funcional. Uma questão importe é podermos perceber que sua saudação é uma forma de resgate da memória linguística negra africana no Brasil, pois é aclamado em uma mistura de língua fon com yorùbá.

“Toda casa de Jurema deve manter culto à Malunguinho”. Mesmo não havendo discípulo que o receba, seus cânticos e rituais devem ser realizados, pois ele é fundamental na liturgia interna desta prática, é um elemento básico para o funcionamento dos rituais.

Suas cores são o verde, o vermelho e o preto, ou ainda o preto e branco, ou o vermelho e preto. Suas guias, indumentárias que adornam os pescoços dos juremeiros sempre vão ter as sementes de ave-maria unidas a estas cores, simbolizando-o e o sinalizando. As cores, vermelho e preto, acreditamos que remonta as cores do Orixá Exú no culto dos yorùbá. Malunguinho também é sincretizado com esta divindade africana por ter funções muito parecidas em suas liturgias e práticas.

Um de seus símbolos mais usados e importantes é a estrela de sete pontas que simboliza o domínio sobre as sete Cidades da Jurema (este símbolo também é usado por juremeiros e juremeiras de ciência no culto, é um símbolo de força). Também a preaca (arco-e-flexa) e o bodoque compõem seus símbolos. Chapéu de palha destorcido ou virado ao contrário, chibata, facão, dentes de animais e couros de cobra são também utilizados. Existem outros símbolos, como o chapéu de couro de vaqueiro ou cangaceiro, o rebengue, espécie de chicote usado pra tanger boi no Sertão e, até mesmo espingardas podem ser encontradas em seus assentamentos sagrados.

O cheiro que emana da prática religiosa de Malunguinho é de fumo de rolo e de cachaça ou cana de cabeça. Muito fumo e fumaça... “Ele gosta da fumaça pesada”. Fumo preto, daqueles que ao fumar causam até torpor, são apreciados. Vinho e Jurema são ingeridos em grandes quantidades nos momentos de incorporação... O cheiro e o sabor do dendê estão em todos os momentos em suas obrigações. Muito dendê, pimenta, frutas tropicais, em especial a macaíba, sementes, raízes e folhas. “Ele gosta de comer bem. Muito bode, galos e pintos pretos e vermelhos, os pedrezes também entram... tudo recheado de farinha de mandioca e pimenta com dendê”, explica o pai Zeca de Odé.

As velas pretas, vermelhas, verdes e brancas são acesas para o firmamento de seus votos de fé. São os “pontos firmados”, em sua linha de catimbó.

Podemos avaliar de forma muito preliminar que o culto à Malunguinho se organizou de forma bem estruturada na cosmovisão da Jurema. A ele tudo é tal qual podemos observar como são para os Orixás, por exemplo. Sua prática vai bem mais além, mas não é nosso objetivo aqui destrinchar todos seus rituais e oferendas, rituais e cerimônias secretas. “Malunguinho é dono de muitos segredos na Jurema”, afirma mãe Terezinha Bulhões.

Hoje, após mais de 9 anos do trabalho do Quilombo Cultural Malunguinho na internet e em diversos espaços de discussão e de luta por direitos, Malunguinho vem sendo reconhecido como herói pernambucano, tendo até uma Lei Estadual proposta por este grupo em 2007, a Lei da Semana da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana, a Lei Malunguinho de número 13.298/07. Com tudo isso, aos poucos o Rei das Matas vai retomando seu lugar no meio do povo brasileiro, como é merecido, já que ele é a representação legítima do herói negro e indígena que o povo elegeu como divindade de sua religião, como Rei da Jurema e seu herói por derradeiro.

Após conhecer uma pequena partícula do que é esta divindade, ou divindades da Jurema, podemos agora mergulhar um pouco em seus sabores e cores através também do ritmo que o acompanhou durante toda esta leitura.

O coco, ritmo nordestino de grande variedade de estilos em diversas regiões brasileiras vem com muito catimbó e ciência na musicalidade do Grupo Bojo da Macaíba. A ciência de fé deste grupo fica evidente ao percebermos as rimas ricas de significados e mensagens subliminares que quase são recados de mestres e caboclos da Jurema Sagrada. O coco “Malunguinho” foi composto por Nino Souza, o cantor e compositor da banda para homenagear esta importante divindade da Jurema que é patrona do grupo, e, também fortalecer a luta pelo reconhecimento da história deste líder quilombola. Saboreie esta linda homenagem deste grupo de jovens juremeiros e juremeiras que nos dão o prazer de curtir uma música autenticamente da terra, sem faltar nada para nos reconhecermos.

Sobô Nirê Reis Malunguinho! Que a luta pelo resgate da história e memória dos nossos antepassados nos promova mais cidadania, "que a Jurema manda"!

Visitem a banda em:  

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Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Oficina de Leitura de Contos Africanos na Biblioteca do MP - Matéria do Jornal do GT Racismo N°. 22 do MPPE.

Digitalização da matéria do Jornal do GT Racismo do MPPE N°. 22 - Jan/ Fev/ Mar 2012.

Oficina de Leitura de Contos Africanos na Biblioteca do MP

Quinze crianças, filhos e filhas de membros e servidores do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) tiveram a oportunidade de se integrarem com o universo e cultura africanos. Uma oficina de leitura de histórias africanas para crianças, promovida pelo GT Racismo, foi realizada na Biblioteca do MPPE, chamada de “Momento Griot”, o encontro foi idealizado como parte das comemorações ao Mês da Consciência Negra.

De iniciativa da promotora de Justiça, Irene Cardoso, a oficina reuniu cinco contadores de histórias, vindo de diversas esferas: a professora Tereza Cornélio; as servidoras da Biblioteca Pública do Estado Djaneide Gomes e Luzinete Santos; o jornalista Gustavo Bezerra e o sacerdote do candomblé Alexandre L’Omi L’Odò.

Nas histórias apresentadas, contos africanos lidam de forma lúdica com temas como racismo, mitologia africana, religiosidade, diáspora, personalidades negras na história e quilombos, possibilitando a reflexão sobre a igualdade racial.

A professora Tereza Cornélio, apresentou “O Murucututu”, que trata de uma menina muito esperta que conhece uma ave chamada de Murucututu e aborda temas como medo e honestidade. As bibliotecárias Djaneide Gomes e Luzinete Santos explanaram os contos “Menina Bonita do Laço de Fita” que aborda a questão racial e “Jabulani”, que trata da gratidão, respectivamente. O jornalista Gustavo Bezerra falou a “Como o Sol e a Lua Foram Morar no Céu”.

Como sacerdote do Candomblé, Alexandre L’Omi L’Odò explica que, tradicionalmente, os valores e a história do povo Iorubá são passados através da tradição oral. Ele falou sobre a briga entre Oxalá e Oduduá, que são divindades responsáveis pela criação da Terra e da vida, e brigavam pelo controle da Terra. “Acho muito importante essa iniciativa, esse tipo de trabalho e o interesse em passar para as crianças esses valores, afastando-se um pouco dos ocidentais e abordando a questão dos nossos ancestrais”, disse.

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Publico aqui, texto integral da matéria do Jornal Trimestral - GT Racismo do MPPE N°. 22 - Jan/ Fev/ Mar 2012. Na matéria, tive oportunidade de dar uma pequena contribuição sobre a cultura do Candomblé e do imaginário africano que foi publicada no texto. A tradição oral ainda é uma ciência pouco estudada e que está em amplo crescimento. Com o conto que levei às crianças tive a oportunidade de confrontá-las com questões importantes como o respeito aos mais velhos, respeito à natureza, respeito a vida e direito a paz. Além claro de enfocar as questões do racismo. Fico muito grato a Irene Cardoso que teve esta consistente idéia que veio a contribuir e ampliar positivamente no trabalho crescente do GT Racismo do MPPE. Para mais informações visitem a página do Ministério Público: www.mp.pe.gov.br

Salve a fumaça e a memória dos nossos ancestrais!!!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

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Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!