quinta-feira, 31 de março de 2016

Alexandre L'Omi L'Odò defende a democracia no Ato das Religiões do Brasil a favor do respeito e contra o golpe em Brasília



Alexandre L'Omi L'Odò defende a democracia no Ato das Religiões do Brasil a favor do respeito e contra o golpe em Brasília

Defendendo a democracia e o respeito a diversidade religiosa no Ato "Religiosas e Religiosos em Defesa da Democracia". 

A Jurema Sagrada se fez representada com minha fala entre as diversas religiões presentes. Foi muito forte este ato que contou de fato e de direito com a participação da diversidade religiosa existente no Brasil. De evangélicos à ateus, todos Unidos por um único objetivo: defender o nosso direito coletivo de respeito ao voto e a democracia. Todos em uma única voz gritamos juntos que NÃO VAI TER GOLPE! Isso dentro da Câmara dos Deputados Federais onde Cunha é o presidente...  Foi muito bonito e simbólico essa demonstração de União entre os povos. 

Estou muito emocionado em ter tido esta oportunidade única de participar em um momento crítico como estamos vivendo no Brasil de uma luta tão grandiosa como esta. A JUREMA MERECE RESPEITO, O povo brasileiro merece respeito e A DEMOCRACIA MERECE RESPEITO! 

Parabéns a Pastora Anglicana Romi Márcia Bencke por ter organizado este ato tão representativo. Nossa União romperá toda a maldade espiritual e política que estamos atravessando! 

Sobô Nirê Mafá! Obrigado Reis Malunguinho por ter me oportunizando estar aqui! Kolofé minha mãe Oxum, a senhora manda em Tudo!

Vamos à Luta, hoje 31/03/2016 Vai entrar na história do nosso país! 

#NAOVAITERGOLPE! #FORAGOLPISTAS! 

COMPARTILHEM.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 30 de março de 2016

A Jurema está firmada em Brasília!

Alexandre L'Omi L'Odò - Foto de Brenda Alcântara.

A Jurema está firmada em Brasília!

Bom Dia Brasil! A Jurema está firmada! 

Lutando por direitos iguais e por respeito para nossas religiões de terreiro. Essa caminhada vem de longe... Co tudo nos mantemos firmes e fortes no combate ao racismo e a intolerância religiosa. 

Junto com diversas lideranças religiosas, povo cigano, indígenas e movimentos sociais, estamos aqui em Brasília para garantir nossos direitos e avaliar a política pública de promoção de igualdade racial. Foram 13 anos de lutas e conquistas. Também houveram dificuldades... estamos aqui para tentar fazer melhor. 

Sabemos que não vai haver golpe. Mas se houver... acabou a política para nosso povo. Eles querem dar o golpe em nós, povo negro pobre que votamos honestamente para eleger Dilma. Também estamos na luta contra este absurdo histórico aqui. Sobô Nirê Mafá! Sigamos em frente. 

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

Não vai ter golpe! Fé na Democracia!


Alexandre L'Omi L'Odò na luta contra o golpe e a favor da democracia!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

domingo, 27 de março de 2016

Alexandre L'Omi L'Odò fala para mais de 100 mil pessoas em ato pela democracia em Recife



Alexandre L'Omi L'Odò fala para mais de 100 mil pessoas em ato pela democracia em Recife

Nunca falei para um público de mais de 100 mil pessoas anteriormente. Mas desafiei meus medos e falei defendendo a participação do povo de terreiro na luta contra o Golpe. 

Nossa participação tem que ser efetiva e visível. Somos muitos e devemos nos posicionar a favor da democracia. Há mais de 500 anos lutamos por direitos iguais e por justiça. Nunca desistimos e somos a prova viva que deu certo nossa resistência. Não seria agora que nos acovardaríamos e apoiaríamos as elites que sempre nos subjugaram. 

Abaixo ao Golpe! SIM à democracia. Sou da jurema, do candomblé, da umbanda! Sou do povo de terreiro e não baixo a cabeça! 

Obrigado Oxum e Malunguinho pela força nessa luta. Não desistiremos. 

NÃO VAI TER GOLPE!!! 

Obrigado Demir da Favela por ter feito este registro em seu celular. Axé.

Alexandre L'Omi L'Odò 
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

Alexandre L'Omi L'Odò fala para mais de 100 mil pessoas defendendo a democracia e a participação do povo de terreiro contra o golpe



Alexandre L'Omi L'Odò fala para mais de 100 mil pessoas defendendo a democracia e a participação do povo de terreiro contra o golpe

Vídeo gravado e editado pelo irmão de luta Adriano Lima da Gambiarra Imagens no dia 18 de Março de 2016,no ato de Pernambuco Contra o Golpe contra Dilma e a democracia. 

Nunca falei para um público de mais de 100 mil pessoas anteriormente. Mas desafie meus medos e falei defendendo a participação do povo de terreiro na luta contra o Golpe. 

Nossa participação tem que ser efetiva e visível. Somos muitos e devemos nos posicionar a favor da democracia. Há mais de 500 anos lutamos por direitos iguais e por justiça. Nunca desistimos e somos a prova viva que deu certo nossa resistência. Não seria agora que nos acovardaríamos e apoiariamos as elites que sempre nos subjulgaram. 

Abaixo ao Golpe! SIM à democracia. Sou da jurema, do candomble, da umbanda! Spu do povo de terreiro e nao baixo a cabeça! 

Obrigado Oxum e Malunguinho pela força nessa luta. Não desistiremos. 

NÃO VAI TER GOLPE!!! 

Alexandre L'Omi L'Odò 
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 26 de março de 2016

Tecendo Histórias - Alexandre L'Omi L'Odò - Jurema Sagrada e História



Tecendo Histórias - Alexandre L'Omi L'Odò
Jurema Sagrada e História

"O sacerdote Alexandre L'Omi L'Odò fala sobre a história da Jurema Sagrada, religião de matriz indígena e africana do Nordeste do Brasileiro".

Este curto registro de 7 minutos contendo uma fala minha sobre aspectos históricos da religião Jurema Sagrada, revela mínimos conteúdos que precisariam de muito mais tempo para que eu pudesse abarcar seus conteúdos mais profundos. Não era objetivo deste trabalho ter falas maiores, mas sim registrar o pensamento "geral" contemporâneo da religião.

Outros vídeos serão produzidos com outras falas minhas pela Ocarete TV - Povos e Comunidades Tradicionais (visitem o canal do youtube da instituição: https://www.youtube.com/channel/UCqdtq0OtpRklnwhB87UHRZg). Esta instituição, produz diversas atividades, onde uma delas é realizar audiovisuais contendo conteúdos raros de povos e comunidades tradicionais pelo Brasil. Um trabalho louvável e necessário.

Parabenizo e peço obrigado ao irmão de caminhada Henry A. Y. N. por ter feito este belo registro audiovisual aqui no Nascedouro de Peixinhos, locação que sugeri e foi aceita com muita alegria. Nosso encontro foi muito produtivo. Espero que possamos trocar mais saberes juntos. Fiquei feliz ao ouvir na trilha sonora o coco "Mas é com o coco que ela vai parar", gravado há um bom tempo atrás por mim no CD Coquistas de Olinda Contra a Violência. Vocês pesquisou minha trajetória e foi buscar lá no passado um dos poucos registros meus cantando. Axé.

Tenho que pedir obrigado a amiga de luta Mell Borba por ter feito esta articulação entre nós. Você foi um elo importante para que este material nascesse. Estamos sempre juntos na luta. Salve parceira!!

Que a Jurema Sagrada ganhe a cada dia mais espaço no meio público para que todo racismo e preconceito existente contra esta religião seja eliminado através de informações de qualidade que contribuam para o sentimento de respeito dos religiosos de dentro e de fora de nossa tradição.

A JUREMA MERECE RESPEITO!

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho!
Adupé.

COMPARTILHEM.
Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
Mestrando em Ciências da Religião 
alexandrelomilodo@gmail.com 

Jan Vansina e os estudos sobre a tradição oral

Jan Vansina. Foto: Internet.

Jan Vansina e os estudos sobre a tradição oral

Decidi fazer esta postagem para contribuir nos estudos sobre tradição oral e história oral. Ao perceber a escassez de referências bibliográficas sobre este importante tema ligado as culturas africanas e indígenas, pesquisei Jan Vansina e percebi sua importância para nossa compreensão sobre o tema. 

Quase ninguém o cita em obras no Brasil. Não sei por quê... Contudo, pude ler um de seus clássicos textos "A tradição oral e sua metodologia" encontrado no primeiro tomo da coleção História Geral da África, cujo referência bibliográfica é:

VANSINA, J. A tradição oral e sua metodologia. In KI-ZERBO, J (org). História Geral da África: Metodologia e pré-história da África. Tomo I, São Paulo, UNESCO, 1982.

Uma grande obra. Confirmei sua decisiva contribuição sistematizada nos estudos da tradição oral e história oral. O texto é muito complexo e de grande conteúdo, sendo inclusive necessário (no meu caso) reler algumas vezes e voltar algumas páginas para compreender a profundidade do que ele produziu academicamente. Indico para todos e todas que desejam estudar a história da África e dos afro descendentes, além claro para quem estuda os indígenas. 

Bibliografia traduzida do inglês:

Vansina foi classificado primeiramente como um medievalista e etnógrafo, mas tornou-se conhecido como um dos estudiosos africanistas mais proeminentes. Em seu trabalho, ele enfoca a história das sociedades africanas antes do contato europeu, e é amplamente considerada como a principal autoridade sobre a história dos povos da África Central. Ele publicou amplamente sobre o assunto, incluindo um texto de referência sobre a história oral e interpretação factual. 

Sobre Vansina, o historiador David Praia escreve: "Em 1985, Jan Vansina Tradição Oral como História forneceu um quadro teórico em todo o mundo na tradição oral que rendeu quase todos os seus predecessores obsoletos.".

Um de seus mais importantes livros.

Vansina obteve seu doutorado em história pela Universidade Católica de Leuven em 1957. Ele é professor emérito da Universidade de Wisconsin-Madison e vive em Madison, Wisconsin.

Vansina foi amplamente referendado após dar assistência à Alex Haley (o autor em1976 do Novas Raízes: A Saga de uma família americana) onde ele decifrou várias palavras africanas que tinham sido proferidas a partir de ancestrais de Haley, determinando que eles eram de origem mandinga...

(Tradução livre minha).


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
Mestrando em Ciências da Religião 
alexandrelomilodo@gmail.com 

quinta-feira, 24 de março de 2016

GT Racismo da PM e Alexandre L'Omi L'Odò junto à sua comunidade distribuindo cestas de alimentos.

Comunidade recebendo as cestas de alimentos.

GT Racismo da PM e Alexandre L'Omi L'Odò junto à sua comunidade distribuindo cestas de alimentos

Nesta última quarta, foi um dia muito lindo com a visita da Capitã Lúcia Salgueiro​ e sua equipe do GT Racismo da PMPE junto a Diretoria de Articulação Social e Direitos Humanos da PM na sede do Balé Afro Raízes​. Realizamos um ato de congregação com a comunidade de Peixinhos e a doação de alguns alimentos para os moradores. O dia foi de muito axé e trocas positivas de energia. Vamos fortalecer este trabalho da PM junto com nosso bairro. Se faz necessário! 

Parabéns ao GT Racismo da PM. Vocês são essenciais no processo de reversão histórica das mazelas de nossa sociedade. Firmes na luta!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

terça-feira, 22 de março de 2016

Quilombolas de Pernambuco na luta pela democracia e contra o Golpe

Luiz Carlos líder do quilombo de Castainho em Garanhuns e Alexandre L'Omi L'Odò coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho. Foto: Acervo pessoal.

Quilombolas na luta pela democracia e contra o Golpe

No último dia 21 de março de 2016 foi lançado em Pernambuco o Plano Estadual Quilombola. O plano prevê avanços de políticas públicas para estas comuinidades tradicionais de todo Estado.Entra as políticas estão as construções de casas populares e também de cisternas para melhoria de vida dos quilombos do Sertão.

Poderíamos fazer muitas críticas ao plano que conta com restrita verba para executar estas políticas. Já sabemos que esta ação não terá o êxito desejado, contudo não desistiremos de lutar.

No lançamento, o líder quilombola Luiz Carlos do quilombo de Castainho protestou contra o golpe à democracia dado pelas direitas brancas do país. Foi um momento de grande levante dentro do auditório Tabocas no Centro de Convenções em Olinda.

Os Quilombolas estão na luta contra o poder do capital e do neoliberalismo. Eu como membro do Quilombo Cultural Malunguinho não poderia jamais deixar de me unir à esta caminhada e compartilhar com meus irmãos da luta que é nossa.

Sobô Nirê Mafá! Sabemos o lado que devemos estar! Vamos dizer não ao golpe!!!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomildoo@gmail.com 

sexta-feira, 18 de março de 2016

Conversa de Negro com Alexandre L'Omi L'Odò em Vitória de Santo Antão/PE


Conversa de Negro com Alexandre L'Omi L'Odò em Vitória de Santo Antão/PE

No último dia 18/03 fui à Vitória de Santo Antão, no interior de Pernambuco para dar uma palestra sobre a trajetória do QCM - Quilombo Cultural Malunguinho e o Combate à Intolerância Religiosa a partir da figura histórica e divina de Malunguinho. Foi uma noite Maravilhosa, de muita troca de saberes e com participantes muito ativos que se fizeram presentes, indagando sobre diversas questões ligadas ao racismo e à intolerância.

Parabenizo ao GEOP - Grupo de Estudos Outras Pedagogias por estarem realizando uma luta tão bonita no combate ao racismo e no fortalecimento da história negra e indígena em vossa cidade. Isso é mais do que necessário no interior do nosso Estado.

Alexandre L'Omi L'Odò palestrando para o público presente. Foto de Vanessa Farias.

Obrigado pela paciência de me esperar acabar o ato contra o golpe naquela noite. Vocês com muita dignidade foram até o fim comigo, mesmo prejudicando o evento de vocês... afinal, nos atrasamos muito. Voltarei para compensar as horas perdidas.

Sobô Nirê Mafá! Que Reis Malunguinho faça crescer esta bela luta.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Segunda de terror no Carnaval 2016 do Recife Antigo

Palco do Marco Zero 2016. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Segunda de terror no Carnaval 2016 do Recife Antigo

Saldo de uma noite de segunda feira no Carnaval do Recife 2016 (desculpem a linguagem aqui empregada, mas foi pertinente):

Foi uma Merda! Adianto logo para não tomar muito o tempo de vocês com o relato que vou fazer abaixo. 

Saio eu de minha humilde casinha em Peixinhos, rumo ao Recife Antigo para ver os shows de Nação Zumbi, O Rappa e Jota Quest... E quem disse que eu consegui?! 󾌽

Parecia que o mundo estava se acabando em toda parte. Menos no Recife Antigo... sendo esta a única rota de todos os refugiados do planeta. Nunca vi na minha vida tanta gente socada no mesmo espaço como vi nesta segunda feira. Gente, foi um absurdo. Não havia logística que desse conta do quantitativo de pessoas que foram pro Marco Zero. Há inúmeros anos brinco carnaval no Recife e nunca vi isso. Foi foda! 

Não se conseguia nem chegar perto do Marco Zero. Das ruas mesmo se voltava... nem perto do péssimo telão de led dava pra ficar na rua Marquês de Olinda... um tumulto sem fim... 

A coisa estava tão séria que até as galeras de menores infratores não estavam conseguindo dar conta de promover seus saques e arrastões... Não tinha como. Muita confusão e empurra-empurra... Mas nada de arrastão. Não tinha nem pra  onde fugir hahahahhaha

Observando esta situação da besta fubana, me dirigi ao Rec Beat. Lá estava mais tranquilo... vi shows ótimos, sobre tudo de um senegalês que arrasou na noite. Foi o melhor show em minha avaliação. Me esqueci o nome dele, alguma coisa Koyatê... Eu acho. 

Mas... de repente o povo sem ter pra onde ir, começaram a migrar para o Rec Beat... Daí decidi fugir e vir embora pra casa... Afinal, pensei como tanta gente iria voltar. E antes que eu assistisse e fosse incluído na catástrofe da volta para casa, piquei a mula. 

Me perdi da namorada, perdi um paquera, desencontrei dos amigos... Foi um horror. 

Lá me vou andando sacrificadamente até o 13 de Maio (longe pra caralho do Marco Zero) para tentar pegar um busão mais vazio... isso eram 00:30... quando o tal busão chegou, ja eram uma e meia.. 

O tal do amaldiçoado do Águas Compridas Bacurau já veio cheio e ao abrir a porta na parada quase explodiu de gente. Me enfiei logo no meio deste pandemônio. Afinal, de táxi não rola vir pra casa do Centro... Os nojentos dos taxistas tem racismo e preconceito com minha comunidade e não me deixam nunca em casa. Daí pra evitar problema e preservar a minha mao de dsr murro na cara de gente, prefiro enfrentar a caceta do Bacurau... 

o curto trajeto até o Cais de Santa Rita demorou mais de uma hora para chegar. Coisa que em no máximo 5 minutos se faz a partir do ponto que subi no ônibus... Um caos total. A passarela dos desfiles dos blocos, maracatus, escolas de samba etc... na Av. Nossa Senhora do Carmo, estava impedindo o fluxo do trânsito de andar. Inclusive colocando muita gente em perigo... Senhoras de idade e crianças que ali estavam se vestindo após os desfiles (a Prefeitura do Recife não cria vergonha na cara mesmo. Já falei sobre este racismo institucional contra a cultura popular em textos anteriores...). O Cais de Santa Rita estava parecendo uma cena do filme "Os Mortos-Vivos"... uma multidão selvagem solta ao relento e sem ônibus. Pessoas quebrando os coletivos para entrar... todas e todos querendo se salvar daquela situação bestial. Daí, em meio a este quiproquó, estavam policiais violentos batendo em todo mundo... Inclusive em inocentes... tudo isso sem nenhum pudor. Ao vivo e a cores na frente de todo mundo... ficamos passados com as cenas gratuitas de violência. Murros, tapas na cara, cacetetadas em tudo que era canto etc. Foi uma degustação do imaginário do inferno cristão, com a versão policiais bestas-feras,  Estas longas horas dentro do Cais... 

Neste processo todo.... levaram-se mais de três horas para eu conseguir chegar em casa após ter pego o ônibus. 

Isso faz sentido? Minha casa fica a vinte minutos do Centro... Teve gente até passando mal é caindo pelas tabelas... 

Para completar, o motorista estava com ódio de estar trabalhando em pleno carnaval, decidiu queimar inúmeras paradas. Isso gerou uma gritaria triste dentro do ônibus... E ainda o amortecedor traseiro quebrou devido a super lotação. E sem nenhum pudor, ele empurrou o pé e meteu em tudo que era buraco. Fazendo o povo de saco de cocô transportado pelo coletor de lixo. 

Nunca havia passado por isso em um carnaval. Perdi a noite toda, não vi os shows que queria. Perdi a namorada no meio do inferno... deixei de pegar gente... Me perdi de todo mundo e cheguei em casa agora, arretado com essa putaria! 

Ainda bem que comigo nem com os meus não houve nada de ruim. Apenas as desgastantes esperas e situações de horror. Afinal quem anda comigo, tem um manto de folhas de jurema para proteger de tudo. Mas...

Erraram em ter colocado 3 grandes bandas de peso e aceitação popular gratuitamente em um palco só. O povo sem ter coisa boa pra ver nos bairros, desceram todos pro Centro. Daí fudeu! 

Raciocinem Prefeitura do Recife. Este foi um erro grave. Se eu tivesse pensado um pouquinho mais, teria ficado em casa mesmo e visto esta catombe pela televisão, bebendo minha Coca-Cola e comendo meus salgadinhos nos braços de quem me ama... 

Pra finalizar, ainda vi um "maracatu" com quase 80 pessoas, de evangélicos. Véi, essa foi demais. Mas falarei isso em outra postagem. 

Quando lá em cima falei que foi uma Merda esta noite de segunda feira de Carnaval, eu errei. Simplesmente foi um carái de asa da gota serena bubônica dos infernos de Judas! Tô arretado! Queria ter visto O Rappa, mesmo que Falcão não valha nada... Rsrsrsrsrsrs

Alexandre L'Omi L'Odò L'Odò
Historiador e Mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Afoxé Omo Nilê Ogunjá – Um exemplo Afrocentrado no Carnaval do Recife

 Afoxé Omo Nilê Ogunjá. Eu no cantinho acompanhando essa linda luta! Foto: Acervo do grupo.

Afoxé Omo Nilê Ogunjá – Um exemplo Afrocentrado no Carnaval do Recife

Ontem, dia 03 de fevereiro de 2016, presenciei uma das atitudes mais interessantes na perspectiva do posicionamento da cultura popular na luta contra a falta de respeito para com as tradições de matrizes africanas e indígenas no Carnaval de Pernambuco.

O Afoxé Omo Nilê Ogunjá tomou uma atitude afirmativa muito importante: Realizou seu cortejo de forma independente abrindo seu carnaval apenas construindo parcerias e apoios. Levou seu grito de luta de forma exemplar. Saiu grande, bonito, vigoroso e empoderado, vale ressaltar.

Em minha avaliação, vejo nesta posição política do grupo, uma esperança no caminho de re-organizar o conceito de liberdade da cultura popular em nosso Estado. Se o Afoxé conseguiu sair tão forte sem apoio da prefeitura do Recife e do Governo do Estado, isso é sinônimo de que a comunidade pode se organizar com qualidade e força para colocar nas ruas seus ideais e sua identidade ancestral.

Contudo, isso não é tudo! Ainda o Omo Nilê, abrilhantou o Carnaval do Recife dando à Cidade a oportunidade de ver algo muito bonito sem pagar nada! Isso mesmo, sem pagar nada (a gestão da cidade do Recife não pagou nada por isso)! A cultura popular traz quantias enormes de dinheiro, que somam bilhões para o Estado em turismo etc. E o Omo Nilê fez os turistas que se encontravam na Praça do Arsenal e em todo percurso até a Rua da Moeda no Recife Antigo vibrarem com a força negra do Ibura (comunidade periférica do Recife).

A coragem do grupo me encantou. Me deixou encorajado e fortalecido. A força de Ogun que emanou dessa luta fez brilhar minhas idéias e me empreteceu mais ainda. Fortaleceu mais ainda meu entendimento sobre a afrocentricidade!¨

Afoxé Omo Nilê Ogunjá na avenida. Foto: Acervo do grupo. 

Sou crente na força da cultura popular e no imensurável poder dos povos e comunidades tradicionais. Contudo, creio ser urgente nós todos ACORDARMOS e tomarmos atitudes como esta de forma coletiva! Não devemos nos submeter ao Estado sem que este nos respeite como devido. Somos ainda tratados como negros e indígenas sem valor e quase sem alma – relembrando o conceito de homem e mulher negra e indígena nos tempos da escravidão-. A estrutura racista do Carnaval do Recife é só um pequeno exemplo do que aqui também esta sendo discutido (ler texto de anos anteriores sobre este tema em meu blog www.alexandrelomilodo.blogspot.com).

Ogunjá AFROCENTRADO! Isso mesmo, a força de um Orixá levando todo um grupo de negros e negras e afro descendentes à consciência, ao seu papel e função social. Temos que tomar nosso lugar neste processo! Sermos negros e negras e entendermos qual nossa função no mundo capitalista e ocidental: temos que ser AFROCENTRADOS!

Com estas breves palavras parabenizo o Afoxé Omo Nilê Ogunjá pelo belo exemplo para os demais afoxés e grupos de cultura popular! Vamos somar nesta proposta e vamos crescer esta energia!

Parabenizo ainda pela importante homenagem ao nosso grande Tata Raminho de Oxóssi, que ao completar 80 anos de idade em janeiro de 2016, teve uma justa homenagem por toda sua contribuição na história do povo de terreiro do Brasil. Bariká oooooo!

 Família negra de afirmação e força!O Afoxé Omo Nilê Ogunjá é afirmação! Foto: Acervo do grupo.

Ògún yé! Ogum é vida!

Alexandre L’Omi L’Odò
Historiador e Mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho

 alexandrelomilodo@gmail.com 

Fala ao Povo de Terreiro na Noite para os Tambores Silenciosos de Olinda 2016



Fala ao Povo de Terreiro na Noite para os Tambores Silenciosos de Olinda 2016

Fala de empoderamento dos povos e comunidades tradicionais de terreiro de Olinda na Noite Para Os Tambores Silenciosos da cidade. 

Foi um orgulho enorme falar para o grande público de axé presente neste evento lindo. Me senti abençoado pela força das Kalungas e pela força dos Orixás de cada Maracatu. Obrigado pelo respeito à minha pessoa e confiança na minha fala que segundo seus organizadores era uma "fala de qualidade para o povo de terreiro". 

Parabéns à Igreja do Rosário dos Homens Pretos de Olinda. Instituição que no passado ajudou muito nossos ancestrais a se organizar. Temos que reconhecer este fato histórico! 

Que Olinda acerte seu caminho político! 

VAMOS FAZER UM! 

QUEM É DE TERREIRO VOTA EM QUEM É DE TERREIRO!!! 

Obrigado Tiago Nago. 

Vídeo de Noshua Amoras. 
Obrigado Alfredobello Kaiowá Djtudo pela edição.

Alexandre L'Omi L'Odò
Historiador e Mestrando em Ciências das Religiões
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Amor ao nosso Mestre Maior - Pai Paulo Braz Ifátòógún

Parte das pessoas presentes no aniversário de 75 anos de Pai Paulo Braz Ifátòógún. Foto: Acervo do terreiro.

Amor ao nosso Mestre Maior - Pai Paulo Braz Ifátòógún

A família Iyemojá Ògúnté em comemoração aos 75 anos de vida do nosso Alapini Pai Paulo Braz Ifátòógún.

A festa foi linda, cheia de axé e com pessoas de diversos lugares. A casa parece que tem uma força de convergência espiritual muito forte... Juntando tantos intelectuais, religiosos, artistas e pessoas de bom coração, todos convivendo em harmonia e contribuindo em atividades revolucionárias em diversos âmbitos. Isso nos alegra bastante!!!

A força de Iyemojá, nossa mãe suprema, se fez presente nas invocações feitas por Pai Paulo Braz no memento de seu parabéns. Ele nunca deixa barato quando se trata em cantar e rezar para as divindades africanas. Cantou tão forte em louvor à Iyemojá que emocionou a todos e todas presentes, nos abençoando mais uma vez com a grandiosidade de seu espírito de fé e amor.

Nossa família agradece sua existência e roga à Olorun que sua presença entre nós se mantenha por muitos e muitos anos ainda. Precisamos aprender com o senhor!! Seu saber é oceânico!

Alexandre L'Omi L'Odò
Filho Deste Grande Mestre Nagô!
alexandrelomilodo@gmail.com  

Comemoração dos 75 anos de vida do nosso Alapini Pai Paulo Braz Ifátòógún

Pai Paulo Braz Ifátòógún. Foto de Alcione Ferreira.

Comemoração dos 75 anos de vida do nosso Alapini Pai Paulo Braz Ifátòógún

Hoje, nós, membros do Ilé Iyemojá Ògúnté, comemoramos o aniversário de 75 anos do nosso patriarca, do nosso Alapini, do nosso Babá Ifamuydè, o nosso pai Paulo Braz​ Ifátòógún. 

Ele é minha inspiração de vida. Uma meta a ser alcançada dentro da religião de matriz africana e indígena. Um sacerdote como nunca vi e senti...  Sou um buscador e andarilho da fé... já fui em muitos lugares no mundo... mas nunca encontrei alguém com uma alma tão pura para o culto aos Orixas, e uma sabedoria tão grandiosa. 

Para mim é um orgulho ter sua mão sob minha cabeça, integrando-me à sua família ancestral. Este foi um dos maiores presentes que Oxum me deu nesta vida. O senhor é a concretização do que é ser AFROCENTRADO. É a soma das filosofias sankofa e ubunto. És a África verdadeira no Brasil. 

Que babá Olorun lhe dê muitos mais anos de vida. Precisamos aprender mais e mais com o senhor. És um tesouro de valor inestimável em todos os sentidos. Principalmente no sentido do coração... e do amor à ancestralidade negra! Axé e kolofé meu pai. Te amo. 

Alexandre L'Omi L'Odò
Filho deste grande Meste Nagô!
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

III Encontro de Juremeiros e Juremeiras em Alhandra


III Encontro de Juremeiros e Juremeiras em Alhandra

Dia 06 de Março de 2016 às 09h
No Clube Gilberto Valério, Alhandra/PB

O terceiro encontro de juremeiros e juremeiras em Alhandra tem como objetivo, levar religiosos de diversos lugares para celebrar a ciência mestra, trocar saberes e semear a união entre os terreiros em um dos lugares mais importantes da história da Jurema Sagrada: Alhandra/PB. Também, objetivamos abrir o calendário anual das atividades do Povo da Jurema no Brasil, fortalecer nossa Rede Nacional do Povo da Jurema e discutir coletivamente o papel político do povo de terreiro que precisará se posicionar fortemente nas eleições 2016 em todo nosso país.

Dando continuidade aos encontros realizados em 2008 (primeiro encontro de juremeiros e juremeiras realizado ainda nas terras do Sítio do Acaes) e o segundo realizado em 2015, continuamos unindo o povo da Jurema na missão da preservação de nossas tradições religiosas e culturais, além de manter acesa a luta pela preservação do Sítio do Acaes que foi destruído em 2008. Temos uma missão moral de cobrar do Estado ações de reconstrução e preservação da Casa de Maria do Acaes e outros patrimônios materiais e imateriais da Jurema.

Nosso Encontro, favorece a articulação e o respeito à diversidade religiosa interna de nossa religião, propiciando o encontro de povos e comunidades tradicionais de terreiro do Nordeste que nunca antes haviam se conhecido. Cada um com seus ritmos específicos, toadas particulares, formas de ser próprias trocando saberes sem preconceitos. Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Ceará... Estados fortes do culto da Jurema unidos por que A JUREMA MERECE RESPEITO!

Temos um foco forte em 2016: Somos um povo pungente e uniremos forças para eleger nossos representantes políticos. Esta é uma necessidade coletiva nossa. QUEM É DE TERREIRO, VOTA EM QUEM É DE TERREIRO!

Salve a Jurema Sagrada!

Informações Gerais

Saída dos ônibus
06h
Em frente ao Memorial Zumbi dos Palmares, no Pátio do Carmo, centro do Recife.

Valor da passagem: R$: 45

Para comprar os bilhetes:
Ligue para: 81 99901-3736 (TIM/Zap) – Falar com a Secretária Bethânia.

Programação:

09h - Chegaremos em Alhandra e realizaremos uma grande gira de culto à Jurema Sagrada, abrindo o evento – Podem levar ilús, maracás e irem vestidos com roupas tradicionais.

10h – Gira de Diálogos – A Jurema Sagrada, patrimônio e a luta contra a Intolerância Religiosa (momento da diversidade religiosa com representantes de diversas religiões).

10h40min – Debate.

11h Gira de Diálogos – A posição política e religiosa do Povo da Jurema nas Eleições 2016.

11h45min – Debate.

12h30min - Almoço – Faremos uma parada no Restaurante Teto Verde em Alhandra. Valor da comida: entorno de R$: 13.  Self Service. Cada pessoa paga o seu.

14h e 30min - Após o almoço, visita à casa da Mestra Jardecilha para celebração de Jurema e troca de saberes debaixo dos Sagrados pés de Jurema.

17h – Retorno das Caravanas - Parada na Igrejinha do Acaes e no Memorial Zezinho do Acaes

Realização: Quilombo Cultural Malunguinho (idealização e coordenação geral), Rede Nacional do Povo da Jurema e Casa da Mestra Jardecilha.

Parcerias e Apoios: Prefeitura de Alhandra, Casa das Matas do Reis Malunguinho, Terreiro de Jurema do Mestre Benedito Fumaça – Pai Freitas/RN, Tenda de Umbanda Pai Francisco – Pai Messias/PE, Templo Afro Brasileiro José de Aruanda – Pai Vamberto/PB, Templo de Jurema Zé Rosas/PB, Casa de Caridade de Candomblé Ilê Axé Dará Xangô Oyá – Pai Alex de Arapiraca/AL, Terreiro de Jurema do Mestre Zé Vieira – Juremeiro Arthur/PE, Associação Espírita dos Juremeiros de Alhandra/PB.

Capa para facebook. Coloque em sua página e nos ajude a divulgar o evento.

Alexandre L’Omi L’Odò
Coordenador Geral
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

"MALUNGUINHA DA SORTE" e as contradições juremológicas

 Imagem em gesso da suposta "Malunguinha da Sorte", registrada no Mercado de São José dia 21 de Janeiro de 2016 por Alexandre L'Omi L'Odò.

"MALUNGUINHA DA SORTE"
e as contradições juremológicas

Por mais que eu compreenda que a nossa tradição religiosa seja aberta a novos acolhimentos juremológicos e afrológicos, não consegui absorver ainda a ideia de haver uma representação de gesso, do gênero feminino, de Malunguinho. Esta estatueta esta sendo chamada pelos vendedores do Mercado de São José de "Malunguinha da Sorte".

Ao fazer compras no Mercado de São José, no dia 21 de Janeiro de 2016... Deparei-me com esta imagem que vos apresento na fotografia acima. Fiquei abismado de ver a mesma estátua que representa o Malunguinho trunqueiro/Exú, com brincos, um suposto batom dourado e um laço muito estranho vermelho na cabeça... Fui tomado por um sentimento confuso de surpresa e grande rejeição... 

Nunca pensei que o imaginário popular pudesse ser capaz de criar algo assim. Afinal, sabemos que a tradição oral preserva os fatos históricos por milênios através dos cânticos, danças, provérbios, comidas, liturgias, contos, mitos, etc. Sendo assim, podemos constatar claramente a confiável metodologia de preservação da história dos indígenas e dos africanos observando o que se conhece hoje na Jurema Sagrada, no tocante ao culto à Malunguinho, que na primeira metade do século XIX foi (ou foram) líder do quilombo mais forte depois do de Palmares na história do Brasil - o quilombo do Catucá -. A história oficial não preservou a memória de Malunguinho, mas os terreiros de jurema preservaram de forma muito forte. Hoje, a Jurema em Pernambuco tem em Malunguinho uma de suas maiores divindades. Ele ocupa o cargo de Reis da Jurema, o Reis das Matas, que se "manifesta nos terreiros nas quatro linhas: Caboclo, Trunqueiro/Exú, Mestre e Reis. Esta preservação da memória de Malunguinho, é um indício muito forte de que o povo da jurema sabe o que faz e valoriza seus heróis. No caso de Malunguinho, ele foi deificado, recebendo devoção do povo da Jurema cotidianamente decorrente a sua importante contribuição na luta por liberdade de seu povo (o negro e indígena).

Isto posto, já nos ajuda a desconfiar de que a invenção atual de uma suposta "Malunguina da Sorte", seja um equívoco profundo. Afinal, não se manteve até então na tradição oral nenhuma menção à uma "Malunguinha" na história do Catucá ou em qualquer outro lugar. Como não se canta e não se mantém culto à "Malunguinha" na jurema, ela não existiu... Mas este argumento pode ser insuficiente, embora para mim bem convincente. 

Este texto não é um discurso machista! Aqui não quero negar a existência de mulheres importantes dentro da luta no quilombo do Catucá. Pelo contrário, a própria documentação histórica revela alguns nomes que tiveram importante relevância na luta por liberdade dos quilombolas de Malunguinho. Elas eram: Joana, Luzia, Maria, Antonia e Genoveva, guerreiras que batalharam junto nesta luta por liberdade e reforma agrária.Sem mulheres jamais haveria um quilombo forte. Elas foram base essencial para o longo tempo de lutas bem sucedidas do Catucá. Contudo, elas jamais forma chamadas de "Malunguinhas" ou algo similar.

Me desafiei a pensar mais para não resumir este fato da "Malunguinha" a uma crítica leviana para a sua desconstrução. Em minha análise imediata compreendi que esta imagem representava uma distorção completa da história de Malunguinho: ou por parte dos vendedores que estão unicamente interessados em vender. Ou por parte dos artesãos que fazem as imagens... Ou ainda por parte de algum sacerdote ou sacerdotisa que tenham inventado esta personagem...

Procurei também averiguar as variações linguísticas gramaticais do kibundo (língua bantu falada ainda hoje em Angola). No kimbundo não há flexão para a palavra malungo (que significa amigo de bordo, parceiro de luta, amigo, companheiro etc.). Não há um feminino de malungo nos dicionários desta língua que consultei. A palavra malungo deu origem ao título dado aos líderes do Catucá: Malunguinho. O título Malunguinho não é nome próprio, é bom lembrar. E a palavra malunga tem diversos significados, como demonstro agora:

1 - Segundo a Wiki Pedia, malunga é um instrumento parecido com um berimbau: https://pt.wikipedia.org/wiki/Malunga

2 - Segundo o dicionário Informal da internet, malunga significa pessoa que nasceu no mesmo dia, que tem a mesma idadehttp://www.dicionarioinformal.com.br/malunga/  

3 - Segundo a Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana de Nei Lopes, Malunga é uma espécie de dobradiça de porta...

Contudo, na língua portuguesa do Brasil é possível transformar Malunguinho (palavra híbrida formada no nosso país) em Malunguinha. As flexões de nomes do masculino para o feminino são correntes nas normas de nossa língua coloquial e culta. O "inho" e "inha", no sentido de diminuitivo carinhoso ou pejorativo são comuns, daí falar "malunguinha" é possível sim, pelo menos em termos linguísticos.

Afinal, na história dos líderes do Catucá jamais houve uma MALUNGUINHA citada nos documentos históricos pesquisados pelo PhD em História Marcus Carvalho, que fez uma enorme pesquisa que foi sua tese. Em seu livro, "Liberdade, rotinas e rupturas do Escravismo do Recife - 1822-1850" não existe menção alguma a qualquer líder feminina do Catucá com o nome de "Malunguinha", muito menos menção à uma "MALUNGUINHA da Sorte". Vale ressaltar.   

Ainda me foi informado pelos vendedores do Mercado que esta imagem é vendida no catálogo oficial das Imagens Bahia, coisa que me deixou mais preocupado ainda... Fui a busca de mais informações e achei as seguintes referências no site oficial da empresa:

1 - Lá tem à venda uma imagem chamada de Pretinha da Sortehttp://imagensbahia.com.br/?s=pretinha+da+sorte  Que é um "erê" cujo nome é Pita, e história não remete em nada ao quilombo do Catucá;

2 - Lá também tem à venda a imagem do Pretinho da Sortehttp://imagensbahia.com.br/?s=pretinho+da+sorte  Que é um "erê" chamado Miguel, cujo história não tem nada a ver com Malunguinho;

3 - Não existe em seu catálogo nenhum tipo de imagem de MALUNGUINHO: http://imagensbahia.com.br/?s=malunguinho 

4 - Também não existe nenhuma imagem chamada de "Malunguinha da Sorte": http://imagensbahia.com.br/?s=malunguinha 

5 - Ainda achei uma imagem muito interessante de uma Calunguinha a Cavalo, que é a mesma imagem do "Erê" Pretinho da Sorte em outra posição em cima de um cavalo: http://imagensbahia.com.br/?post_type=produtos&p=1824 mas esta não tem anda a ver com esta discussão... Apenas achei interessante por ser o mesmo pretinho representado de forma diferente.

Imagens da Pretinha da Sorte e do Pretinho da Sorte juntos. Segundo informações de alguns amigos de SP estas imagens são compradas para dar sorte nos terreiros de umbanda. Foto: acervo pessoal.

Ainda vale apena fazer uma comparação entre a imagem do Pretinho da Sorte com a imagem conhecida de Malunguinho Trunqueiro/Exú em Pernambuco... O Pretinho da Sorte embora seja totalmente pretinho e sentado na mesma posição do Malunguinho, ele tem um boné azul na cabeça, está olhando para frente e tem uma base quadrada que o sustenta. No caso da Imagem de Malunguinho, não há boné, ele está olhando sempre para o lado e não há base de sustentação, como podemos ver nas imagens abaixo:

Imagem de Malunguinho Trunqueiro/Exú na Jurema Sagrada de Pernambuco. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

 Malunguinho Trunqueiro/Exú. Foto retirada do blog do Juremeiro Fábio de Cabedelo.

Ainda é um mistério o por quê de Malunguinho, um herói do povo negro e indígena, ser representado na Jurema como uma criança. Talvez isso seja o reflexo do próprio diminuitivo de seu nome, dando a entender que ele é pequeno... Existem outras representações dele como caboclo, mestre e Reis, mas não vem o caso apresentá-las aqui agora.

As representação imagética mais forte dele é a do Trunqueiro/Exú. Na jurema pernambucana vê-se em praticamente todas as mesas de jurema ou nos quartos dos tunqueiros, Ele sempre colocado em posição privilegiada. Seu culto é essencial, não se faz nada na Jurema sem antes ofertar cânticos e oferendas à ele. Seu culto tem similaridades grandes com o culto da divindade Exú do candomblé. Quase as mesmas funções míticas... Mas há diferenças que os separam completamente.

Após esta breve reflexão e pesquisa sobre o fato da "Malunguinha", concluo (desconfio) que os próprios vendedores do Mercado de São José introduziram este equívoco sem entenderem que há uma diferença cosmológica entre os erês Pretinhos da Sorte e o nosso Malunguinho. os Pretinhos da Sorte nunca foram cultuados na Jurema. Não se vê esta devoção nos terreiros daqui. Também, já que não há imagens catalogadas com o nome de Malunguinho no site das Imagens Bahia, sendo este o maior portal de vendas de imagens do Brasil, podemos entender que na umbanda não há culto à Malunguinho, e que os vendedores ou os artesãos daqui (PE) criaram a "Malunguinha" apenas para vender deliberadamente sem nenhuma responsabilidade com o contexto e percurso histórico de cada imagem. Simplesmente disseminaram no Mercado e os juremeiros cujo o conhecimento ainda é escasso sobre a história de sua religião, compram inocentemente acreditando que possa haver uma "Malunguinha" e que ela possa trazer sorte... Com os fatos apresentados neste texto, não é difícil perceber que há sim contradições juremológicas profundas. E exatamente por isso não podemos permitir que este culto se mantenha, afinal a existência da "Malunguinha" é uma afronta a toda tradição da jurema e a história do Catucá.

Se fossemos seguir a lógica que os mestres e mestras sempre terão um correspondente oposto ao seu gênero, vamos ter o feminino de Zé Pilintra - A Josefa Pilintra, ou Zefa Pilintra. Vamos ter o feminino do mestre Tertuliano, conhecido como Terto - A Tertuliana, ou Terta... Teremos o masculino da mestra Paulina - O Mestre Paulino... E assim sucessivamente. Não há lógica nisso... Aviso logo, para que não haja confusão na leitura deste texto. Devemos refletir muito sobre este tipo de problema que a cada dia aumenta em nosso meio...

Sabemos também que Malunguinho não é cultuado na Umbanda. Esta divindade pertence ao cosmo da Jurema e não há registros de seu culto em nenhum terreiro fora do Nordeste. Hoje, após o trabalho de divulgação da jurema sagrada e do Reis Malunguinho através da instituição Quilombo Cultural Malunguinho, já recebemos notícias de que alguns médiuns na umbanda já estão "recebendo" Malunguinho... Mas este é outro assunto...  

Bom... Creio que este encontro com a "MALUNGUINHA da Sorte" possa nos dar panos pras mangas para refletir e discutir sobre como nosso povo da Jurema vem recriando sua prática religiosa e mitológica. 

Sobô Nirê Mafá! Me ajude PAI Malunguinho a não ser preconceituoso com coisas que desafiam meu senso juremológico ortodoxo! 

Vou ali fumar um cachimbo de angico para tentar pensar mais... Sobô Nirê Mafá!

Alexandre L'Omi L'Odò
Historiador e Mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!