quinta-feira, 1 de setembro de 2022
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sexta-feira, 8 de julho de 2022
Termo Jurema ganha verbete na Enciclopédia de Antropologia da USP
Termo Jurema ganha verbete na Enciclopédia de Antropologia da USP
O verbete é um gênero textual que se encontra comumente em dicionários, glossários e enciclopédias. Sempre escrito de forma técnica, formal e impessoal, oferecendo o maior número possível de significados e interpretações de uma palavra e exemplifica seu uso em diversos contextos, situações. Sempre é uma nota, ou comentário que foi registrado, apontado por algum pesquisador ou pesquisadora com fins de trazer à luz do mundo letrado o significado aprofundado do que se apresenta.
Assim nasce o verbete “Jurema” da Enciclopédia de Antropologia da USP, trazendo um texto mais acadêmico e qualificado, pretendendo fazer uma revisão dessa palavra que existe em nossas terras antes da chegada dos colonizadores com seus padres jesuítas cronistas e “antropólogos”.
Fui citado nesse verbete como um dos historiadores contemporâneos a ressignificar o termo a partir das Ciências da Religião, com a contribuição de minha dissertação de mestrado intitulada Juremologia – uma busca etnográfica para sistematização de princípios cosmológicos da Jurema Sagrada. Estando ao lado de Vandezande, de Câmara Cascudo entre outros, sinto-me realizado com o resultado de meus esforços como cientista e sacerdote juremeiro e do candomblé. Já está no ar, através do link que coloca abaixo para visitação:
http://ea.fflch.usp.br/conceito/jurema
Abaixo coloco o verbete completo para conferência e estudo. Aproveitem, compartilhem. Foi feito com muito esmero e preocupação científica por Marcus Vinícius Barreto, doutor em antropologia pela USP e pesquisador competente.
CONCEITO
Jurema
O termo Jurema aparece em obras de Ciências Sociais e Humanas para designar determinadas espécies vegetais do gênero Acácia, a exemplo da Mimosa tenuiflora. Indica também a bebida psicoativa feita a partir dos componentes desse mesmo vegetal, utilizada em rituais de comunidades indígenas e naqueles que integram uma parte das religiões de matriz africana; nomeia, ainda, os próprios rituais cujos participantes ingerem a bebida. No que concerne à cosmovisão da Jurema, uma plêiade de símbolos está presente nos rituais que apresentam modos bastante variados de composição. Em linhas gerais, a bebida, a fumaça expelida dos cachimbos, o maracá e os cânticos são elementos comuns a quase todas as cerimônias realizadas, seja nas comunidades indígenas seja naquelas que constituem as religiões de matriz africana. Entre os indígenas, os ritos permitem que xamãs estabeleçam comunicações com o mundo dos Encantados. Já no universo afro – mais recorrente em centros urbanos – , o cerimonial possui algumas semelhanças com as chamadas “giras de Umbanda” e as divindades que caracterizam o métier juremeiro são os mestres e as mestras. Outra particularidade desse cosmos são os ritos iniciáticos por meio dos quais os praticantes tem acesso às “cidades” da Jurema onde, conforme os relatos nativos, o iniciado constrói sua relação com uma divindade, adquirindo os conhecimentos adequados para realizar trabalhos de cura e prevenir-se de infortúnios.
Embora existam diferentes pontos de vista acerca das religiões juremeiras, em quase todas as pesquisas sobre o tema, os estudiosos concordam que a Jurema abrange um universo mítico-ritual de origem indígena, frequentemente presenciado na região Nordeste do Brasil desde o período colonial. Na década de 1930, surgem os primeiros escritos sobre o uso ritualístico da Jurema. Mário de Andrade (1893-1945) e os técnicos da Missão de Pesquisas Folclóricas, dedicada a inventariar manifestações culturais brasileiras, catalogam músicas que são gravadas, transcritas e comentadas pelo escritor modernista, por exemplo em Música de feitiçaria no Brasil, conferência de 1933. Por meio de uma análise melódica das cantigas do “catimbó” – nome utilizado na época para denominar o uso da jurema em rituais realizados nas cidades de Natal e Recife – , o pesquisador chama a atenção para a função hipnótica da musicalidade e destaca a presença de alguns símbolos em cerimônias como “os mestres” e a “árvore da jurema”. Nesse mesmo período, o médico e folclorista Gonçalves Fernandes (1909-1986) utiliza as noções de “mistura religiosa” e “sincretismo” em suas obras, Xangôs do nordeste: investigações sobre os cultos negro-fetichistas do Recife, 1937 e O folclore mágico do nordeste, 1938, para falar sobre a prática do catimbó no contexto recifense, estabelecendo contraposições entre os ritos catimbozeiros e o universo do Xangô que, assim como o candomblé, seria o culto fidedigno a uma origem africana na visão de certos intelectuais. Em 1945, em Imagens do nordeste místico em branco e preto, o sociólogo francês Roger Bastide (1898-1974) descreve um ritual de catimbó, ratificando a origem indígena da Jurema e estabelecendo oposições entre essa prática e o candomblé da Bahia. Na sequência, Câmara Cascudo (1898-1986), ao tornar públicos alguns de seus escritos sobre folclore, como Meleagro (1978) e o Dicionário do folclore brasileiro (1969), faz coro às ideias de Mário de Andrade propondo uma antologia das manifestações culturais brasileiras e difundindo um tema que ocupou lugar de destaque no pensamento social e nas Ciências Sociais brasileiras: o mito das três raças. Nesse sentido, vê o catimbó como resultado de confluências entre a bruxaria ibérica, a farmacopeia indígena da Jurema e a musicalidade rítmica das macumbas bantu.
Até
os anos 1990, os pesquisadores pouco se debruçam sobre as religiões juremeiras.
Na primeira metade do século XX, alguns autores definem a Jurema em termos de
“magia”, “feitiçaria” e “baixo espiritismo” e as análises, de maneira geral,
resumem-se a breves descrições dos rituais. Algumas exceções merecem destaque,
lembremos, entre outros, o trabalho de René Vandezande (1930-2017), que
investiga o uso da Jurema em terreiros de Umbanda da Paraíba e, que, em Catimbó:
pesquisa exploratória sobre uma forma nordestina de religião mediúnica (1975),
descreve relatos que remontam à trajetória da família Acaes, de Alhandra,
salientando o modo como esses atores construíram uma tradição, até hoje
reverenciada na região Nordeste, em torno do uso da Jurema. Nos anos 2000,
surgem novas pesquisas sobre o tema; algumas colocam em relevo o horizonte
histórico, caso de Guilherme Medeiros que, em O uso ritual da Jurema
entre os indígenas do Brasil colonial e as dinâmicas das fronteiras territoriais
do nordeste no século XVIII (2006), analisa documentos coloniais,
afirmando ser possível aventar o uso da Jurema a partir do XVIII. Outras
pesquisas – como Toré e jurema: emblemas indígenas no nordeste do
Brasil (2008), de Rodrigo de Azeredo Grünewald acerca do uso da Jurema
pelos índios Atikum – voltam-se para as identidades étnicas construídas pelos
grupos indígenas do Nordeste que, almejando reivindicar o reconhecimento da
autoctonia perante o Estado brasileiro e conquistar direitos, lançam mão da Jurema
como símbolo de seu status de “povos tradicionais”.
Dos
anos 2010 em diante, a literatura acadêmica sobre o uso da Jurema se amplia,
dando lugar a construções narrativas inéditas. Em 2017, o juremeiro e fundador
do Quilombo Cultural Malunguinho em Pernambuco, Alexandre L’Omi
L’Odò defende a dissertação de mestrado Juremologia: uma busca
etnográfica para sistematização de princípios da cosmovisão da jurema sagrada,
por meio da qual constrói um relato sobre a tradição da Jurema do ponto de
vista de seus praticantes, conferindo visibilidade à figura de Malunguinho, que
é tanto o nome do líder do Quilombo do Catucá – construído e destruído na
primeira metade do século XIX – quanto o de uma divindade do panteão das
religiões juremeiras.
Como
citar este verbete:
BARRETO, Marcus Vinícius. 2019. "Jurema". In: Enciclopédia
de Antropologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, Departamento de
Antropologia. Disponível em: <http://ea.fflch.usp.br/conceito/jurema>
ISSN: 2676-038X (online)
Referências
ANDRADE, Mário de, Música de feitiçaria no Brasil (1933), Belo Horizonte, Itatiaia, 1983.
BASTIDE, Roger, Imagens do nordeste místico em branco e preto, Rio de Janeiro, O Cruzeiro, 1945.
BRANDÃO, Maria do Carmo & RIOS, Luís Felipe, “O Catimbó-jurema do Recife” In: Reginaldo Prandi (org.), Encantaria brasileira: o livros dos mestres, caboclos e encantados, Rio de Janeiro, Pallas Editora, 2004.
CASCUDO, Luís da Câmara, Meleagro: pesquisa do catimbó e notas da magia branca no Brasil, Rio de Janeiro, Agir, 1978.
CASCUDO, Luís da Câmara, Dicionário do folclore brasileiro, Rio de Janeiro, Edições de Ouro, 1969.
FERNANDES,
Gonçalves, Xangôs do nordeste: investigações sobre os cultos
negro-fetichistas do Recife, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1937
FERNANDES, Gonçalves, O folclore mágico do Nordeste, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1938.
GRÜNEWALD, Rodrigo de Azeredo, “Toré e jurema: emblemas indígenas no nordeste do Brasil”, Cien. Cult., São Paulo, 2008.
GOULART, S. L., O uso ritual das plantas de poder, Campinas, Mercado das Letras, 2005.
GRÜNEWALD, Rodrigo de Azeredo, “Nas trilhas da jurema”, Religião e Sociedade 38 (1), 2018, p. 110-135.
L'ODÒ, Alexandre L'omi, Juremologia: uma busca etnográfica para sistematização de princípios da cosmovisão da Jurema Sagrada, Dissertação de mestrado, Recife, Universidade Católica de Pernambuco, 2017.
MEDEIROS, Guilherme, “O uso ritual da Jurema entre os indígenas do Brasil colonial e as dinâmicas das fronteiras territoriais do nordeste no século XVIII”, Congresso Internacional Las sociedades fronterizas del Mediterráneo al Atlántico (ss. XVI-XVIII), Madrid, 2006.
MOTA, Clarice Novaes da, "Jurema e identidade: um ensaio sobre a diáspora de uma planta" In: LABATE, Beatriz C. & GOULART, S. L, O uso ritual das plantas de poder, Campinas, Mercado das Letras, 2005.
NASCIMENTO, Marco Tromboni de S., O tronco da Jurema: ritual e etnicidade entre os povos indígenas do nordeste - o caso Kiriri, Dissertação de Mestrado, Salvador, Universidade Federal da Bahia, 1994.
PIRES, Pedro Stoeckli, "V Kipupa Malunguinho da Jurema Sagrada", cadernos de campo, São Paulo, n. 21, 2012, p. 1-360.
Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com
sexta-feira, 3 de junho de 2022
A chama sagrada da fogueira dos Senhores Mestres do Acais
Membros da Casa das Matas do Reis Malunguinho celebrando o primeiro reacender da fogueira do São João do Acais. 16 de junho de 2019. Foto de Henrique Genecy.
A chama sagrada da fogueira dos Senhores Mestres do Acais
Em 2019 recebemos um forte chamado espiritual vindo do Acais. Eu e minha família de ciência e axé, alguns de meus filhos e filhas, decidimos fazer uma humilde celebração ao São João do Acais, do qual estava há mais de 61 anos apagada sua fogueira e rituais espirituais pós morte do grande mantenedor da Festa dos Senhores Mestres, o Sr. Flósculo Guimarães, falecido em janeiro de 1959.
Desde 2007, eu e membros do Quilombo Cultural Malunguinho visitamos e realizamos atividades de reconhecimento, fortalecimento e salvaguarda do Acais e sua memória. A partir destas ações, foi conferido ao local maior visibilidade, demarcando o território como local de preservação da memória juremeira, indígena e africana, consequentemente, isso deu visibilidade aos demais terreiros de Alhandra, naturalmente. Colocamos no mapa dos povos tradicionais esse local histórico, que antes de nossas ações, não era lembrado absolutamente por quase ninguém. Inúmeras foram as ações, em especial a de 2008, o Primeiro Encontro de Juremeiros em Alhandra (ver o registro em audiovisual: https://www.youtube.com/watch?v=lbu3zH5DfBs&t=165s), protagonizado por nós e a Associação Yorubana do saudoso professor Eduardo Fonseca Júnior, onde pudemos inaugurar a restauração patrocinada financeiramente por nós, da Capela do Mestre Zezinho do Acais, que recebeu uma placa especial demarcando o ato, posteriormente depredada e retirada do local intencionalmente.
Placa inaugurada na ocasião do primeiro Encontro de Juremeiros em Alhandra, realizado pelo QCM - Quilombo Cultural Malunguinho e Sociedade Yorubana do RJ. Sempre na luta pelo reconhecimento da História do Povo da Jurema. 2008. Foto de Mariana Lima.
No intento de reacender a fogueira dedicada à São João, levamos madeiras, comidas juninas, bebidas, Jurema, o fole consagrado de Diviol Lira, zabumba e triângulo para celebrarmos os antigos tempos que não vivemos. Os antigos tempos das grandes festas do Acais, onde Dona Maria, grande nome da história do catimbó, junto com seu filho Flósculo celebravam com toda comunidade local a chegada dos mestres e mestras das Cidades da Jurema para juntos batizarem pessoas, celebrarem casamentos e realizar a maior festa anual dedicada aos espíritos daquele Estado Mestre de Jurema – o São João.
Túmulo do Mestre Flósculo Guimarães. Foto de Henrique Genecy. 2019.
A Igrejinha, é um templo dedicado especialmente à São João, foi construída com muito zelo por Flósculo, que administrava toda terra de sua mãe. Fundada em 1932, foi pouco vivenciada por Maria do Acais, que faleceu em 1937. Contudo, durante longos anos, seu filho levou à frente o festejo. É muito intrigante hoje em dia não haver quase nenhum culto à Flósculo, tendo sido ele a figura de maior importância do local depois de sua mãe. Essa lacuna carece de maiores debruçamentos sobre a figura desta grande personagem da história do povo da Jurema.
Por trás da igrejinha, está o túmulo do mestre, feito em concreto, no formato de um grande tronco de Jurema, sobrevivendo ali ao tempo, demarcando a memória desse que foi sem dúvidas um dos maiores preservadores das terras, da agricultura e da ciência daquele local. Em procissão até as escadarias, seguimos iluminados pelos candeeiros, já que no local não há energia. Em um dia de chuvas assustadoras em Pernambuco e Paraíba, não perdemos a fé e fomos com amor ao sagrado inaugurar o que é para nós, a tradição dos senhores mestres de nossa Casa, uma tradição recém parida, mas cumprida com rigor há 4 anos (2019-2022). Ali entoamos cânticos sagrados da Jurema, pedimos muita licença à todos encantados do local e aos donos da terra, os índios Arataguy, e tocamos, entregamos algumas oferendas, firmamos velas e nos abrimos para ouvir os bons recados vindos dos ventos espirituais. Tivemos muitas surpresas dos encantos, lindos recados de confirmação surgiram e a presença espiritual de inúmeras entidades foram sentidas na pele. “A Jurema fala, os saberes falam”, e assim foi... Falou e nos encantou com as descobertas que fizemos.
Soltando fogos em celebração aos Senhores Mestres do Acais. Foto de Henrique Genecy. 2019.
Decidi postar parte dos lindos registros feitos pelo fotógrafo Henrique Genecy, deste momento que ficou eternizado nas nossas almas. Aqui, segue um pouco deste ato religioso tão especial e histórico para nós. Temos muito o que agradecer ao Reis Malunguinho, que nos guia e nos fortalece à cada dia no caminho da luz, no caminho do amor e da fraternidade. Agradecemos também ao Mestre Flósculo Guimarães que é um exemplo à ser seguido e à sua mãe, Dona Maria do Acais, nome maior na constelação daquele lugar sagrado.
A fogueira do Acais foi re-acesa. A chama aquece o “coração daqueles que estão ali”. Essa foi nossa missão cumprida. Continuamos firmados. Salve os Senhores Mestres e Senhoras Mestras. O fogo que queima, ilumina o Estado maior.
Que nunca deixemos se apagar a verdadeira memória da Jurema.
Para ler mais sobre O reacender da fogueira
do São João do Acais, leia artigo publicado por mim na edição especial da
Revista Senso, nº 11, onde fui curador geral: https://revistasenso.com.br/jurema/mestre-flosculo-guimaraes-e-o-reacender-da-chama-sagrada-sao-joao-acais/
Seguem as fotos desse momento histórico:
Início da procissão em direção ao Acais. Foto de Henrique Genecy. 2019.
Caminhando em direção à Igrejinha do Acais. Foto de Henrique Genecy. 2019.
A chegada na frente da Igrejinha do Acais foi uma grande emoção. Repleta de energias e presenças espirituais. Fotos de Henrique Genecy. 2019.
Rumo ao túmulo do Mestre Flósculo Guimarães. Fotos de Henrique Genecy. 2019.
Chegada e realização de orações ao redor do túmulo do Mestre. Tudo iluminado penas por candeeiros. Fotos de Henque Genecy. 2019.
Entregando a coroa de flores feita especialmente para homenagear Flósculo. Foto de Henque Genecy. 2019.
Momento de ofertar as oferendas levadas. Comungando com o sagrado. Fotos de Henrique Genecy. 2019.
Reencontros. Fotos de Henrique Genecy. 2019.
Hora do forró com Diviol Lira e seu fole consagrado. Animando a noite dos Senhores Mestres, como era feto antigamente. Com música e muita comida junina. Fotos de Henrique Genecy. 2019.
Compartilhando o alimento sagrado dos Senhores Mestres. Foto de Henrique Genecy. 2019.
Família da Casa das Matas do Reis Malunguinho. Fotos de Henrique Genecy. 2019.
Antes da saída, um registro coletivo de alguns participantes deste momento religioso. Em destaque a coroa de flores encomendada por Diviol Lira, Cida e família para dedicarmos com amor e carinho ao Mestre Flósculo Guimarães, agradecendo tudo que ele fez pela Jurema. Só gratidão e muita fé. Fotos de Henrique Genecy. 2019. Casa das Matas do Reis Malunguinho.
Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo
Cultural Malunguinho
Casa
das Matas do Reis Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com
Quilombo Cultural Malunguinho

Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!