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sábado, 21 de julho de 2012

Terreiros pedem apoio ao Estado - Registro das intolerâncias religiosas sofridas pelo Povo de Terreiro

Digitalização de matéria do Diário de Pernambuco de 18 de julho de 2012 - ÚLTIMAS. na foto, da esquerda para a direita está: Nino do Bojo da Macaíba, Juremeiro Sandro de Jucá, sacerdote João Monteiro e o babalorixá Érico Lustosa.

Terreiros pedem apoio ao Estado
Onda de ataques aos centros afro começou após assassinato de criança no Agreste

A destruição e tentativa de invasão em centros de culto afro-brasileiro no Agreste do estado e na Região Metropolitana do Recife articulou o movimento negro em defesa das religiões de matrizes africanas e indígenas. Na tarde de ontem, cerca de 20 representantes de diversos terreiros do Grande Recife se reuniram para ajustar um pedido de apoio do estado no enfrentamento à intolerância religiosa.

A onda de ataques aos centros afro começou após a prisão de três homens - que afirmavam ser pais de santo - suspeitos de participação no assassinato de Flânio da Silva Macedo, 9 anos, em um ritual de magia negra no município de Brejo da Madre de Deus. Vários centros de culto afro -brasileiro foram destruídos no Agreste após a divulgação do caso. "O homicídio nada tem a ver com as religiões africanas e indígenas. O crime foi praticado por pessoas que no têm ligação com essas manifestações. Não há sacrifícios humanos nem satanás é reconhecido ou cultuado como uma entidade nessas expressões", esclareceu o pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão (INCTI) da Universidade de Brasília, Alexandre L'Omi L'Odò.

Durante a reunião de ontem, os representantes dos centros propuseram oficializar um documento para pedir a ajuda do estado no esclarecimento das características da religião. "Vamos contatar o governo estadual para pedir um posicionamento em relação à intolerância religiosa", disse o filósofo e babalorixá Érico Lustosa.

Os religiosos ainda pensam em formalizar uma queixa na polícia Civil. "Estamos nos sentindo pressionados. O preconceito está presente nos metrôs, nas ruas, nas faixas com mensagens negativas expostas em frente aos terreiros. O estado precisa tomar uma posição mais contundente em relação ao caso", afirmou o coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho, João Monteiro.

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Esta reunião realizada no Palácio de Iemanjá, casa de Pai Edu no Alto da Sé em Olinda, convocada pelo Quilombo Cultural Malunguinho, foi o início de uma grande articulação do povo de terreiro de Pernambuco contra a intolerância religiosa sofrida. 7 templos de nossa religião foram destruídos e nossa crença foi manchada e conspurcada como assassina e praticante de cultos macabros. Nosso povo sofreu danos morais coletivos irreversíveis... Templos foram ao chão, queimados e saqueados, babalorixás e iyalorixás, juremeiros e juremeiras foram expulsos, sob risco de morte de seus templos... Uma verdadeira caça as bruxas da Idade Média, um terror só visto na época da ditadura e da repressão aos terreiros da primeira metade do século passado. Isso é inadmissível, calarmos seria ser coniventes com nossa destruição completa, com nossa morte.

Estamos na luta para que a mídia e o estado se posicionem e possam nos ajudar a vencer este equivoco monstruoso causado pela pura e mais pura ignorância de conhecimento e racismo. Este caso não deixa de ser culpa do Estado que não implementou as leis 10.639/03 e 11.649/07 nas escolas, para educar desde já os futuros cidadãos e cidadães na cultura africana, afro descendente e indígena. Estes crimes também são fruto da influência massificada de algumas igrejas evangélicas que alimentam o racismo e o ódio aos seus diferentes a apartir de sua teologia da prosperidade e do racismo. também se deve estes cruéis fatos ao povo que não busca ser melhor...

Quem pagará pelos terreiros destruídos, quem pagará por nossa imagem vilipendiada e conspurcada? Quem?


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

A intolerância religiosa que gera revolta - Registro das intolerâncias religiosas sofridas pelo Povo de Terreiro

 Babalorixá e Juremeiro Érico Lustosa. JC CIDADES. 18 de julho de 2012. Foto de Marcos Pastich.

Digitalizações da matéria completa do JC capa do caderno CIDADES. 18 de julho de 2012.

Evangélicos tentam invadir terreiro em Olinda

Vídeo que mostra grupo evangélico tentando invadir terreiro em Olinda, domingo, foi repudiado por internautas


A intolerância religiosa que gera revolta

 

 

Centenas de evangélicos com faixas e gritando palavras de ordem realizam protesto em frente a um terreiro de matriz africana e afro-brasileira – candomblé, umbanda e jurema. As imagens poderiam ser de um filme sobre a Idade Média. No entanto, foram registradas no domingo, no Varadouro, em Olinda, Grande Recife. As cenas de intolerância religiosa circularam ontem nas redes sociais e provocaram a revolta de milhares de internautas.

As imagens foram captadas pelo filósofo e babalorixá Érico Lustosa, vizinho do terreiro alvo dos ataques. Segundo ele, por pouco os evangélicos não invadiram o espaço. “Eles gritavam ‘Sai daí, satanás’ e forçaram o portão. Foi aí que me coloquei em frente ao portão e meu filho começou a gravar. Um deles gritou para a gente tomar cuidado, que ele era evangélico mas era também um ex-matador”, relembrou.

O fato ocorreu uma semana depois que pessoas invadiram terreiros em Brejo da Madre de Deus, no Agreste, após o assassinato de uma criança, segundo a polícia, a mando de um pai de santo. Pesquisadores dizem que essas religiões não realizam sacrifício de humanos.

Com a repercussão nas redes sociais – o vídeo teve mais de 1,5 mil compartilhamentos no Facebook e cerca de 400 visualizações no YouTube em menos de 12 horas – representantes de dezenas de terreiros se reuniram, ontem à tarde, no Palácio de Iemanjá, no Alto da Sé, em Olinda.
No encontro foram discutidas propostas para coibir a intolerância religiosa. Entre elas a de ser registrado um boletim de ocorrência coletivo para denunciar o fato ocorrido no Varadouro.

O terreiro alvo dos ataques é o de Pai Jairo de Iemanjá Sabá, na Rua Manuel Souza Lopes. Vizinhos repudiaram o protesto. “Moro aqui desde criança e o pessoal do terreiro nunca trouxe problema. Sou católica, mas respeito as outras religiões. O que fizeram foi um absurdo. Por pouco não invadiram o espaço”, disse a dona de casa Cintia Gomes, 25 anos.

O secretário-executivo de Promoção da Igualdade Étnico-Racial do Estado, Jorge Arruda, lamentou o fato em Olinda e afirmou que os ataques têm relação com o caso de Brejo da Madre de Deus. A igreja responsável pelo protesto não foi identificada.

Hoje haverá reunião entre representantes do Ministério Público, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos e de terreiros. Também será lançada a cartilha Diversidade Religiosa e Direitos Humanos e debatida a intolerância contra as religiões de matriz africana e afro-brasileira em Pernambuco.

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Publico aqui texto completo e digitalizações da matéria sobre o caso de intolerância religiosa ocorrido contra um terreiro em Olinda. O caso está tão sério que mesmo com o acontecido, o sacerdote da casa se nega a prestar queixa com medo de represália por parte dos evangélicos... Espero que o povo de terreiro se una mais para combater este e todos os outros casos que estão acontecendo em Pernambuco e em todo Brasil!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!