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domingo, 5 de abril de 2015

A Semana é Santa no terreiro - Matéria do Jornal do Commercio, 29 de Março de 2015

Foto da Matéria do Jornal do Commercio, 29 de Março de 2015, domingo. Caderno Especial JC Mais, páginas 6 e 7. 

A semana é santa no terreiro

RELIGIÃO

Fabiana Moraes

Durante a Quaresma, espaços de culto de matriz africana suspendem suas cerimônias, uma prática tanto absorvida quanto questionada por filhos de santo e seguidores.

As opiniões são divergentes: há quem diga que é imposição da Igreja Católica, há quem não veja base confiável para isso. Há quem tente manter a tradição, há quem não a leve como extremamente necessária justamente por entendê-la como fruto de imposição. Enquanto uns acreditam que é momento de guerra para os Orixás, outros apontam para o contrário: é hora de retiro e descanso de forças como Oxum, Ogum e Iemanjá. O ponto em comum que reúne tantas opiniões é uma prática pouco conhecida entre aqueles que não fazem parte das religiões afro-brasileiras: os terreiros de Candomblé, Umbanda e Jurema de todo o país suspendem durante sete, 15 ou mesmo 40 dias (tempo da Quaresma) suas cerimônias religiosas, toques de atabaques e oferendas que incluem sangue. Mais simbólico ainda: nestes dias, os deuses se despedem temporariamente de seus filhos e partem rumo a outro plano. Ausentam-se da terra.

Esse silenciamento das casas afro religiosas cai como uma luva no período de maior restrição próprio dos dias que antecedem o Domingo de Páscoa, e é justamente essa espécie de emparelhamento de práticas (inclusive a suspensão de carne vermelha na dieta) que leva a maioria dos adeptos das religiões de matriz afro a atendê-la como uma forma antiga de respeito, enquanto outros questionam a necessidade de sua permanência. “Uma religião impregnou a outra, nos aproximamos de muita coisa. Toda festa que fazemos deságua nisso, mesmo que tenhamos nos libertado há tanto tempo. Queiramos ou não, estamos muito inseridos”, diz Pai Ivo de Oxum, babalorixá do terreiro de Xambá, em Olinda. Também conhecido como Portão do Gelo (em referência ao antigo quilombo existente ali), o espaço é um dos poucos em Pernambuco, atualmente, a manter a cerimônia do Lorogun (ou encerramento, ou obrigação das bolsas), rito no qual os Orixás se despedem e partem em direção ao Orum, que equivaleria ao céu. Só voltam ao terreiro no Sábado de Aleluia, e é nesse entremeio que as obrigações da casa são todas suspensas. “Me perguntam porque admito todos os santos. Mas é respeito ao que as coisas são, à ancestralidade”, continua Ivo, que não enxerga a prática como imposição. No Xambá, o Lorogun é chamado de encerramento e acontece duas semanas antes da Páscoa. A cerimônia (ver arte) é fechada e só filhos da casa podem participar da despedida temporária dos Orixás.

Juremeiro e mestrando em Ciências da Religião pela Universidade Católica de Pernambuco, Alexandre L’Omi L’Odò (que prefere chamar culto de matriz africana a Candomblé, por entender este termo como algo pertinente aos terreiros baianos) concorda com Pai Ivo. Para ele, essa assimilação que faz que os terreiros emudeçam na Quaresma virou cultura, tradição. É, ainda, uma forma de resistência, mesmo provavelmente seguindo a cartilha da Igreja Católica. Ao mesmo tempo, ele percebe que a prática do Lorogun esta em declínio. “Existe um movimento de terreiros, nacional, para que se toque na Semana Santa. O povo de santo esta reagindo a esse processo de ficar preso no passado. É uma forma de afirmação: não temos mais que aceitar os dogmas católicos”, observa, lembrando que esse movimento antissincretismo foi deflagrado nos anos 80 por Mãe Stella de Oxóssi, do Ilê Axé Opô Afonjá, na Bahia.

O obrigatório cumprimento de longos períodos de silêncio e a própria cerimônia do Lorogun são, de fato, repensados pela ialorixá Mãe Valda, do Sango Ayra Ibonã (no Cabo). Ela não realiza a cerimônia de despedida dos Orixás e prefere dedicar energia, tempo e dinheiro para reverenciar Pretos Velhos que, segundo ela, representam os negros sacrificados naquele local, no qual existiu um quilombo. “No terreiro de Pirapama, o cangerê dos Pretos Velhos é um ritual ao qual sou proibida pelas entidades de deixar de fazer. Ele é a minha prioridade. Outro motivo para não fazer o Lorogun é que estou com a casa aberta há apenas seis anos e não tenho grande quantidade de filhos. Neste ritual são vários os Orixás presentes”, considera (são 14 deuses na cerimônia). Ela entende, porém, que o rito é antes de tudo um acordo com a Igreja Católica. “Então, no fundo, não seria desrespeito não realizar as práticas”.

Mãe Valda pontua, assim como outros autores que escreveram sobre a cerimônia, que o Lorogun veio com a necessidade de se cultuar os Orixás sem as pessoas perceberem. “Como o período da Quaresma corresponde a uma época de reclusão e reflexão dentro da Igreja Católica, muitos terreiros de Umbanda e Candomblé ficavam em uma posição delicada perto da comunidade católica e fechavam as portas para não ter problemas com as autoridades locais e com as pessoas em geral, quando poderiam ser acusados de desrespeitosos. Na Quaresma existe a crença de que Jesus deu seu sangue por nós. No terreiro, lidamos com o sangue e isso gera esta mentalidade, a de que não podemos curiar nenhuma animal nesta época”, conta ela, que fecha o terreiro desde o Carnaval até o Sábado de Aleluia (ou seja, cumpre toda Quaresma).

Chef do Restaurante Altar (Santo Amaro), Iabassê Carmem Virgínia é um exemplo da intensa mistura de práticas das duas religiões: na Semana Santa, prepara pratos conhecidos nas mesas cristãs, como quibebe e moqueca. Também reúne a família entorno da mesa e comunga. “Fui criada dentro do Candomblé por pessoas que aceitavam tranquilamente a Igreja Católica. Sei que existe hoje o Candomblé nato, com menos troca de Orixás por santos, mas faço questão de ressaltar que cresci dessa forma, com esse sincretismo. O povo de santo não toma isso como um problema”, comenta. Ela encerra os trabalhos somente na quarta-feira da Semana Santa (chamada de Quarta-Feira Maior ou Quarta-Feria de Ferro Velho, enquanto a quinta-feira é a Quinta das Trevas, outros nomes importados do catolicismo). “Nestes dias, podemos preparar apenas o amalá (quiabo e pirão de farinha), que é dedicado a Oxalá e não leva qualquer tipo de carne”. Carmem é integrante do terreiro Ilê Axé Ogbon Obá, em Água Fria. Lá, Pai Everaldo de Xangô faz uma pequena cerimônia e também encerra as atividades religiosas na quarta “por uma questão de respeito”. “É um momento de reflexão, de purificação, de voltar a si mesmo.” Faz jejum durante três dias, de quarta a sexta. “O tempo desse retiro dos Orixás é determinado pela casa. Cada babalorixá, cada ialorixá, determina como funciona a sua. Se pararmos muito tempo deixamos de cuidar de nossos filhos.”

SEM IMPOSIçÃO

José Amaro da Silva, professor aposentado (Departamento de Música) da Universidade Federal de Pernambuco e babalorixá do terreiro Obá Okosô, tem visão diferente daquela dos colegas de religião: Segundo ele, não há registro histórico que indique essa submissão do Candomblé ao catolicismo (em se tratando do Lorogun). “Essa cerimônia não tem nada a ver com a ressurreição de Cristo. A religião dos Orixás tem mais de 20 mil anos. Não há porque falar em imposição.” Lembra que, criança, a cerimônia do Lorogun era feita com toda pompa e circunstância no terreiro comandado por sua mãe. “A parada na atividade dos Orixás é uma oportunidade para que eles recebam energia e orientação das entidades superiores, como Olorun, para que tragam essa energia para seus filhos na terra. É também quando eles vão prestar conta aos deuses”, diz afastando-se assim da leitura de pesquisadores como Alexandre L’Omi L’Odò, para quem o Lorogun é um momento no qual os Orixás partem para uma guerra. “Essa cerimônia não ficou tão conhecida nos terreiros de Pernambuco. Esse costume foi trazido na virada do século 19 para o 20 por Fortunata Maria da Conceição, conhecida como a Baiana do Pina”, ensina. Professor do Departamento de Antropologia da UFPE, Bartolomeu Figueiroa concorda com José Amaro: A idéia de uma imposição não procede. Segundo ele, antes do Concílio Vaticano 2 (publicado em 1965), a Igreja Católica ignorava a existência das religiões afro-brasileiras. Por outro lado, estas sempre seguiram calendários litúrgicos da Igreja Católica. “Foi uma prática que nasceu da necessidade de o Candomblé ser uma espécie de ancora na cultura quase homogênea do catolicismo. Foi ainda uma maneira de atrair fiéis e não se separar da raiz católica da maioria dos pais e mães de santo. O catolicismo é mais velho na ordem mítica e simbólica. Na África por exemplo, não existe essa coisa (a suspensão das atividades dos terreiros na Semana Santa). O pessoal que vem de lá nessa época fica perdido aqui”, brinca.

A CERIMÔNIA

Passo a passo do rito secreto do Lorogun, quando orixás deixam os terreiros e só retornam no sábado de Aleluia

1-Ritual começa, como todo aquele realizado no Candomblé, com uma obrigação para Exú.
2- À noite, os filhos de santo enchem sacos de pipoca, identificados pelas cores adotadas por cada Orixá. No terreiro de Xambá, isso é feito seguindo a ordem dos 14 Orixás ali presentes, de Exú a Oxalá. No momento em que preenchem os sacos, os filhos de santo cantam para as entidades.
3- Orixás surgem para abençoar seus filhos. Vão saindo depois para o retiro.
4- As quartinhas com água são todas esvaziadas. Só voltam a ser enchidas no Sábado de Aleluia, significando renovação.
5- Os portadores do despacho saem e o restante esperam no terreiro.
6- Todas as luzes são apagadas e o peji é fechado. As imagens “no Xambá, de santos católicos” são cobertas com um pano branco.

*Matéria do Jornal do Commercio, 29 de Março de 2015, domingo. Caderno Especial JC Mais, páginas 6 e 7. 

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CRÍTICA AO CONTEÚDO DA MATÉRIA E AMPLIAçÃO DOS CONHECIMENTOS:

Transcrevo integralmente aqui a matéria acima. Como até o momento ainda não foi publicada no site do Jornal do Commercio, deixo aqui todo o texto para os que não tiveram acesso a este conteúdo. Muitas pessoas me solicitaram na internet, daí digitei. Obrigado Mari Vasconcelos por ter ditado toda matéria pra mim, ajudou totalmente.

Faço aqui algumas observações sobre o texto, que provocou alguns equívocos de entendimento ao público. Não entendam como resposta aos professores que discordaram de minas falas, apenas preciso contextualizar alguns pontos para ampliar e dar melhor caminho aos leitores no entendimento do tema abordado.

Começarei apresentando algumas informações que corrigem alguns erros no texto:

1 – Portão do Gelo não dava nome a um quilombo onde hoje é o terreiro Xambá. E sim, o terreiro hoje é um quilombo urbano. Anteriormente naquela localidade (assim como em toda mata norte) o quilombo se chamava Catucá, na primeira metade do século XIX. Portão do Gelo era (segundo relatos) o nome do portão de uma fábrica de gelo que no passado existia na atual rua da Casa no bairro de São Benedito em Olinda.

2 – Sobre indícios e registros da possível submissão dos cultos de matriz africana ao catolicismo (obviamente sem ser uma submissão oficializada pela Igreja) me parece evidente, devido ao contexto histórico de violência que envolve a história de resistência do povo de terreiro no Brasil. Se a Igreja detinha poderes políticos, inclusive de vida ou morte sobre os que não compactuavam de suas práticas religiosas (vide inquisição), organizadamente os “outros” criariam estratégias de sobrevivência para manter seus cultos preservados. Parece-me, assim como para diversos historiadores como Marcus Carvalho em seu livro Liberdade - Rotinas e Rupturas do Escravismo, Recife – 1822-1850, que os negros e mestiços desenvolveram diversas estratégias de adaptação para garantirem a sobrevivência e continuidade de sua práticas culturais e seus objetivos ligados a liberdade. Camuflar rituais africanos e indígenas os sincretizando com atividades do calendário católico não é nenhuma novidade. Algo muito óbvio. E isso considero submissão sim, um tipo de submissão ligada a sobrevivência. Se não se cantasse na cartilha da Igreja, com certeza as violências das mais complexas e terríveis possíveis chegariam aos toques/celebrações dos negros. Sobre documentos sobre isso, ver João José Reis em sua obra e tantos outros autores que trataram do tema escravidão no Brasil. Lembro que assim como o Lorogun, as demais práticas sofreram pressão para se adaptarem, mesmo supostamente o culto aos Orixás ter mais de 20 mil anos de existência. A imposição foi concreta e efetivada a base de armas de fogo e chibata.

3 – O termo “Lorogun” que em yorùbá se escreve Lórògun é um ritual que se realiza no primeiro domingo após o Carnaval nos candomblés Ketu da Bahia. O termo (que é uma elisão de uma frase em yorùbá) traduzido significa: Orò – ritual, somado a Ogun – guerra ou batalha, que na tradição baiana é uma representação da mitologia que revive a ida dos Orixás para a guerra com uma representação de batalha entre dois grupos que se enfrentam (...). Ver (BENISTE,  2002, p. 158-159).

Quando na entrevista falei que o termo significava ritual de guerra, ou que os Orixás partiam para uma guerra, falei baseado no conteúdo acima revelado. Contudo, compreendo inteiramente que em Pernambuco a prática é diferente da baiana, se distanciando inclusive do significado do termo yorùbá por completo...

4 – Discordo completamente das afirmações do professor Bartolomeu Figueiroa –

“Foi uma prática que nasceu da necessidade de o Candomblé ser uma espécie de ancora na cultura quase homogênea do catolicismo. Foi ainda uma maneira de atrair fiéis e não se separar da raiz católica da maioria dos pais e mães de santo. O catolicismo é mais velho na ordem mítica e simbólica. Na África por exemplo, não existe essa coisa (a suspensão das atividades dos terreiros na Semana Santa). O pessoal que vem de lá nessa época fica perdido aqui”, brinca. (...)

Já comentei sobre a questão da imposição... para mim não há dúvidas que houve imposição. Ainda não entendo o que o professor quis dizer com “o Candomblé ser uma espécie de ancora na cultura quase homogênea do catolicismo”, realmente fiquei em dúvida... Espero que um dia possamos conversar sobre. Também discordo da teoria de que o Candomblé se adaptou aos calendários cristãos para “atrair fiéis”, nem proselitistas as tradições de matriz africana e indígena são, portanto não há por que atrair fiéis. Ele ainda fala de uma suposta raiz católica dos pais e mães de santo... Acho que o termo raiz não se enquadra nesta situação, chega a ser forte demais. A raiz é africana, o catolicismo é a tradição da inculturação e imposição... Outro erro é afirmar que o catolicismo “é mais antigo na ordem mítica e simbólica”... Como, se a tradição africana antecede a própria existência de Cristo? (...) E para informar, não existe Candomblé na “África”. O que existe ainda são cultos às divindades ancestrais (Orixá, Vodun, Inkisse e Egun etc.), práticas diferentes das daqui em diversos pontos e convergentes em outros. Contudo, devemos observar que: A África não é um país... E sim um continente. Ao falarmos que alguém veio do continente africano devemos indicar qual país ele veio, se Nigéria, Togo, Benin, Gana, Marrocos, Egito, Congo, Angola etc.

Sei que em uma matéria de jornal não comporta tanta discussão... O espaço é pequeno e tem muitas limitações. Ainda há a possibilidade dos jornalistas se equivocarem nas transcrições das entrevistas... Portanto, tudo que escrevi aqui apenas vem a somar na discussão. Deixo a pauta aberta para contribuições e críticas, assim como as que estou fazendo livremente. O importante é trocarmos saberes e não termos medo de estar errados. Por isso digo: Não vamos fazer um Lorogun desnecessário com os pontos aqui levantados (haahhahahaahah).

Axé!
Sobô Nirê!

 Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Álbum resgata culto aos orixás

Música

Álbum resgata culto aos orixás

Publicado em 22.09.2009, às 21h07

Luís Fernando Moura Do Caderno C
José Amaro reuniu os músicos e promoveu a volta às bases negras de nossa formação sociocultural
Foto: Tiago Calazans/ JC Imagem

José Amaro reuniu os músicos e promoveu a volta às bases negras de nossa formação socioculturalAo passo em que a nossa cultura se transforma, a memória das raízes afro-brasileiras periga ficar à margem do que nos move, quase sempre pelos impulsos do que está em alta no mercado. Por meio de iniciativa do Serviço Social do Comércio (Sesc), o professor de música José Amaro Santos da Silva reuniu alguns músicos e promoveu uma volta às bases negras da nossa formação sociocultural. Quer incluir orixás no circuito. “Somente os judaico-cristãos não souberam assimilar essa maravilha cultural religiosa”, afirma na apresentação do primeiro disco do grupo Korin Orishá, que será lançado nesta quarta-feira (23), a partir das 20h, no Teatro Santa Isabel.

Batizada de Suíte afro-recifense, a obra busca resgatar manifestações afro-brasileiras que se desenvolveram em território pernambucano. O título de suíte indica a transposição dos cânticos em peças para um grupo de câmara tal qual é a formação do grupo. “Eu tinha a aspiração de ver a música do candomblé tocada por instrumentos clássicos, embora não seja a primeira vez que isso é feito. O maestro paraibano José Siqueira escreveu um oratório de candomblé com base em cânticos dos orixás pesquisados na Bahia. A nossa diferença é que fazemos com cânticos daqui, que são bastante diferentes”, diz José Amaro, regente do grupo, solista de canto e também diretor artístico do projeto.

OUÇA SUÍTE AFRO-RECIFENSE:
<<
Faixa 1 - Cânticos para Eshu
<< Faixa 2 - Cânticos para Ogum

O resultado é um diálogo entre instrumentos de corda (violino, viola e violoncelo) e de sopro (flauta, clarineta e fagote), típicos de uma formação clássica, com sabor afro-brasileiro: tanto a percussão, por meio de atabaques do candomblé, abê e gongê, quanto o canto, preservado na língua iorubá, remetem à experiência musical e religiosa africana.

“Nossa ideia é partir das melodias e estruturá-las em polifonias distribuindo numa harmonia entre todo o conjunto. Isso faz com que a música seja altamente valorizada”, acredita José Amaro. Ao lado dele, a solista de canto Anástica Rodrigues imprime timbre feminino aos cânticos.

A apresentação deve seguir a progressão musical do disco respeitando a formatação dos rituais. “Vamos fazer exatamente como se faz nos terreiros: seguindo a roda”, afirma o regente. A suíte tem início com os Cânticos para eshu, segue-se com os Cânticos de ogum até os Cânticos de orishalá, que encerram a jornada. No total, são dez faixas.

RESGATE - “Herdamos uma tradição cultural dos africanos trazidos para o Brasil na época da escravidão. Temos que nos impor a missão de restaurar, reviver ou, pelo menos, não deixar morrer essa cultura”, diz José Amaro.

Com o resgate em mente, o Kori Orishá rodou 16 Estados brasileiros com patrocínio do Sesc. Passou por Acre, Amazonas, Roraima e Tocantins. No Sul, atravessou Paraná e Rio Grande do Sul. Entre vários shows pelo Nordeste, o grupo viajou por vários municípios pernambucanos e terminou a turnê no Rio de Janeiro somando um total de 42 apresentações. O lançamento da suíte é resultado de projeto aprovado pelo Conselho Municipal de Política Cultural da Prefeitura do Recife.

Serviço

Lançamento do CD Suíte afro-recifense, do grupo de câmara Korin Orishá
Quarta (23), a partir das 20h
Teatro Santa Isabel - Praça da República, s/nº, Santo Antônio

Ingresso: R$ 3
Informações: (81) 3232.2939

Fonte: http://jc.uol.com.br/canal/lazer-e-turismo/noticia/2009/09/22/album-resgata-culto-aos-orixas-200401.php

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!