terça-feira, 2 de outubro de 2012

Novo nome em oferenda a Oxum - Estudante conseguiu na justiça o direito de acrescentar L’Omi L’Odò à identidade que recebeu ao nascer

Matéria do Jornal Diário de Pernambuco, caderno Vida Urbana C4. Recife, 02 de outubro de 2012.

 Novo nome em oferenda a Oxum 
Estudante conseguiu na justiça o direito de acrescentar L’Omi L’Odò à identidade que recebeu ao nascer

 Marcionila Teixeira
marcionilateixeira.pe@dabr.com.br

Ele nasceu Alexandre Alberto Santos de Oliveira, mas agora, aos 32 anos, comemora o que considera um renascimento. Em uma decisão inédita na justiça, passou a se chamar oficialmente Alexandre L’Omi L’Odò Alberto Santos de Oliveira. O L’Omi L’Odò é uma homenagem a Oxum, Orixá do candomblé, e significa, em língua yorùbá, das águas do rio. Desde criança, Alexandre se identifica com a Jurema, religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil, que se relaciona com o Candomblé e a Umbanda nos espaços de terreiro. Para ele, acrescentar o nome é o maior ebó, ou seja, oferenda, que já fez a Oxum, de quem se considera filho na religião.

A decisão é do juiz Cláudio Cavalcanti, da 1° Vara da Família e Registro Civil de Olinda. O magistrado considerou que o pedido se justifica porque a Lei dos Registros Públicos permite que a pessoa pode somar ao pré nome o apelido ao qual tenha atrelada a sua imagem pública, como é o caso de Luiz Inácio Lula da Silva e Xuxa. “No entanto, fiz uma resalva. No pedido ele queria retirar o sobre nome Oliveira que é do pai, pois alegou que já tinha Alberto, também da família paterna. Mas entendo que os sobrenomes da família devem ser preservados, pois Alberto é prenome”. Explicou o juiz.

Essa seria a primeira vez que uma decisão judicial muda um nome a partir de uma justificativa religiosa do solicitante. O magistrado, no entanto, disse que a religião não pesou tanto em sua sentença e sim o que diz a lei. “Ele conseguiu provar na justiça que é conhecido publicamente assim a mais de dez anos quando foi batizado no candomblé. Também apresentou inúmeras notícias com seu nome e trouxe testemunhas comprovando o fato. O próprio direito abre exceção ao princípio da imutabilidade do nome”, explicou o juiz.

Entre outras condições para ter o nome alterado na justiça, a pessoa precisa provar que é exposta ao ridículo. Uma outra situação que prevê mudança é o casamento e a adoção. Alexandre, que € estudante de história da Universidade Católica de Pernambuco e coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho, disse que toda comunidade tradicional de terreiro está comemorando a decisão. “Trata-se de uma vitória de todo povo de terreiro, que agora um precedente na justiça”, afirmou.

Para a professora do departamento de história da UNICAP Zuleica Dantas, com pós-doutorado em ciências da religião, a mudança soa positiva para a religião. “O nome é identidade, reúne a construção da pessoa enquanto identidade e como representante de um determinado lugar. No caso de Alexandre, tem uma perspectiva mítica, ligada à ancestralidade dele”, analisou a professora. Como cultuador da Jurema, Alexandre é chamado de juremeiro, e, dentro do culto, é considerado egbomi, ou seja, um irmão mais velho.

Chamada de matéria na contra capa do Diário de Pernambuco de 02 de outubro de 2012.

Entrevista >> Alexandre L’Omi L’Odò

“É uma homenagem aos meus ancestrais”.

O que muda daqui para frente com a alteração de seu nome?

Agora estou mais satisfeito com minha existência, pois meu nome passou a estar vinculado às minhas origens ancestrais. Tenho oficialmente um nome yorùbá, que é da cultura africana. É uma homenagem aos meus ancestrais negros, que morreram escravizados para hoje eu estar aqui. É o maior ebó, que significa sacrifício, oferenda ao Orixá, que já ofereci a Oxum, agora ela está integrada ao meu nome.

Você já se prejudicou alguma vez por não ter o nome L’Omi L’Odò oficialmente?

Sim. No começo do ano aconteceu uma oficina de povos de terreiro, no Maranhão, e como eles exigiram o meu nome oficial, não me reconheceram pelos documentos e eu terminei ficando de fora.

O juiz resolveu não tirar o sobrenome do seu pai, como você queria. Por que queria tirar o Oliveira?

Meu nome agora está gigante, além disso, Alberto, que quis manter, é o nome do meu tataravô, bisavô, avô, pai e do meu. Portanto, acho que ele representa também a família paterna.

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Publico aqui texto na íntegra da matéria do jornal Diário de Pernambuco, caderno Vida Urbana C4, de - Recife, 02 de outubro de 2012. Com total alegria agradeço a Marcionila Teixiera pela bela matéria e a todas e todos que acompanharam este meu processo judicial me dando apoio e suporte nas horas que precisei. Axé e salve a fumaça!

Adupé Oxum!

Alexandre L'Omi L'Odò
Juremeiro e Egbomi
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Vitória histórica das “águas do rio”! L’Omi L’Odò, um nome para renascer...

 
Alexandre L'Omi L'Odò em sua iniciação, 2004. Foto de Aluísio Moreira.

Vitória histórica das “águas do rio”!
L’Omi L’Odò, um nome para renascer

Agora escrevo para celebrar! Decidi enfrentar esta “guerra” judicial para me afirmar e poder contribuir de forma concreta com a história do Povo das Comunidades Tradicionais de Terreiro do Brasil. Nestes mais de 1 ano e 4 meses (tempo que durou o processo na justiça) de andadas, solicitações de documentos que nem sabia que existiam, deslocamentos gigantescos para ir em cartórios e em fóruns de mais de 4 municípios e, muita paciência com a lentidão surreal da justiça brasileira, consegui ter meu processo julgado favorável pelo Sr. Dr. Juiz Cláudio da Cunha Cavalcanti, Juiz de Direito da Primeira Vara de Família e Registro Civil da Comarca de Olinda, no dia 27 de setembro de 2012 .  Isso me deixa amplamente contente e realizado, sabendo que de alguma maneira pude hermanar de forma coletiva meu sentimento aberto de respeito pelos nossos ancestrais negros e indígenas que morreram no passado (e ainda morrem...) de forma cruel, condenados pelo escravismo e pelo Estado que nos deve muito ainda até hoje. Agradeço por tudo a estes e estas, inclusive por eu estar aqui escrevendo estas palavras com liberdade, hoje.

Tudo começou na minha adolescência... Quando tinha 13 anos... Época de muitas transformações dentro de mim e em minha vida. Foi neste tempo que entrei em contato com a religião da Jurema Sagrada e dos Orixás e, com a música afro e todo universo da cultura popular de Pernambuco, além do Manguebeat. Levado de forma natural para o terreiro de Jurema de Dona Leide de Cibamba (Mestre Brasiliano), no Amaro Branco, em Olinda, de onde se vê o Farol, tive a revelação de que eu seria filho da “mulher do ouro”, e que eu seria “das águas do rio”. Foram estas as palavras do meu querido mestre Cibamba... Para mim, não foi o Ifá que revelou qual era o meu Orixá, e sim a Jurema. A partir deste dia, mudei meus hábitos, adotei o amarelo como minha cor favorita e pesquisei muito sobre estas religiões, lendo livros etc. Com o tempo, fui estudando a língua yorùbá, até me especializar autonomamente e dar aulas sobre o tema em diversos lugares, inclusive em terreiros. A palavra do Mestre Cibamba havia ficado cravada na minha mente: “você é das águas do rio”... Isso repercutiu tanto em mim que fui fazer uma tradução do português para o yorùbá da frase, que a partir de então seria meu nome para tudo. O tempo passou e fui me envolvendo mais e mais com a religião, até ser iniciado para Oxum em julho de 2004 no Ilé Oyá T’Ògún, onde este meu nome foi confirmado pelos odú do próprio Orixá. Fui pertencente a esta casa por 18 anos, hoje, fui integrado ao axé do Ilé Iyemojá Ògúnté, casa de tradição nagô, dissidência do Sítio de Pai Adão. Contudo, este meu nome se consolidou em minha vida concretamente. Eu não era mais o Alexandre Alberto, era Alexandre L’Omi L’Odò, ou simplesmente L’Omi, como a maioria das pessoas me chamam... Daí pensei: Por que não mudar meu nome na justiça? Seria ótimo para mim, tendo em vista que meu amor pelo Orixá já era imenso e minha vontade de integrar o nome da divindade em minha vida social já era certo. Até uma empresa com o nome L’Omi L’Odò abri oficialmente... Isso tudo também me levou a reivindicar meu direito líquido de cidadão em mudar meu nome, integrando a mim o axé que me foi dado nesta vida, desde nascença.  

Diário de Pernambuco - EDITORIAL, Frases da Semana. 03 de outubro de 2012. Alexandre L'Omi L'Odò em foco.
Esta minha atitude também foi uma forma de combater o racismo, a xenofobia, preconceito e intolerância religiosa através da afirmação do meu nome yorùbá em meus documentos. Agora o país tem um precedente legítimo e válido judicialmente para contribuir no processo de quebra de valores eurocêntricos - “embranquecidos” e judaico-cristãos. Na lista de chamada da universidade, em assinaturas de artigos, no RG e CPF, em suma, no meu registro de nascimento constará esta fundamental parte de mim, as águas do rio, elemento sagrado de minha mais particular e intrínseca identidade. Todo este meu esforço foi um protesto, reivindicando o direito ao nome ancestral, negado pela cruel prática vigente ainda hoje de destruição de culturas e cosmovisões, protagonizada no ocidente especialmente pelos cristãos.

Mesmo tendo uma forte militância política e religiosa em defesa da Jurema Sagrada, meu foco sempre foi contribuir para o avanço nas diversas áreas das religiões tradicionais de terreiro como um todo. Vivo uma realidade de dupla pertença religiosa. Sou da Jurema e do Orixá... Em Pernambuco, especialmente em Recife e sua Região Metropolitana o formato nas mais de 1261 comunidades tradicionais de terreiro mapeadas pelo MDS em 2010 é esta. Na verdade mais de 70% destes terreiros praticam a dupla pertença religiosa, com forte prática da Jurema no seu cotidiano. Este indicativo justificaria de forma preliminar o porquê de o Mestre Cibamba ter se antecipado ao Ifá em me avisar sobre qual seria meu Orixá... Isso em nossa cultura não é um absurdo teológico e sim uma prática comum de imbricamento cosmo teológico e cultural afro indígena. Aviso isso para poder desde já contribuir para a avaliação sempre endurecida e antiquada dos “nagocentristas”.  

Gosto de lutar. Este é um dos caminhos do meu odú, acredito que motivado pela nossa evidente necessidade de suplantar as dificuldades sociais, chagas históricas dos candomblecistas, juremeiros e umbandistas. Sempre falei: O caminho dos iniciados é o caminho da consciência! Entendo que nós não podemos ter uma vivência meramente passiva dentro de nossa religião. Quando nos iniciamos, herdamos e resgatamos simbolicamente e teologicamente a história e tradição dos nossos ancestrais, por isso, temos que perceber onde estamos e o que fazer para a partir de então para se relacionar de forma mais propositiva com a sociedade em geral. Vencer o contexto ocidental cristão do nome (identidade individual) é uma questão necessária para que criemos massa crítica entorno do tema... 

A questão do batismo cristão e anulação da identidade, memória e tradição africana e indígena foram entre os séculos XV e XX formas de anular a memória oral contida nestes nomes míticos de batismo nas culturas não ocidentais. Esta “técnica” de ceifar a memória, fez com que de fato, os negros e negras, índios e índias passassem a assumir nomes cristãos, se acostumando culturalmente através dos séculos com este tipo de identificação. Hoje, e nos últimos mais de 30 anos, o Movimento Negro tem contribuído de forma muito forte no resgate destes nomes. Muitos militantes e não militantes colocaram nomes africanos em seus filhos e filhas. Conheço algumas pessoas com nomes africanos e indígenas também, e isso é belo de ver, pois é uma forma de combater o processo de eugenia dos nomes não cristãos. O diferencial do meu caso, é que eu tinha um nome ocidental e quis mudar oficialmente para um nome não ocidental, integrando a minha documentação uma frase (orikí) yorùbá, sobre tudo e principalmente, tendo como referência da petição uma justificativa totalmente afro indígena religiosa/teológica. Isso tornou o caso inédito, pois ninguém no Brasil até então havia pedido mudança de nome por motivos religiosos à justiça. Ainda, neste mesma petição, justifiquei que este nome (L’Omi L’Odò) foi meu nome de “batismo” no culto aos Orixás e que fazia parte de minha mais profunda identidade.  

 Matéria Diário de Pernambuco de 02 de Outubro de 2012. Vida Urbana C4. Novo nome em oferenda a Oxum. Alexandre L'Omi L'Odò.

Isso tudo me levou à transcendência de minha realidade, traduzindo meu universo íntimo através do meu nome mítico teológico e identitário que é um orikí à Oxum. Caso que me emociona profundamente. Isso tudo foi como dar um ebó (oferenda, sacrifício, homenagem ritual) para Oxum, também para além de muitas coisas, agradá-la... Minha alegria em presentear Oxum com este feito é a maior de todas. Este talvez tenha sido o maior ebó que já ofereci a minha mãe ancestral... Oxum é uma rainha entronada em minha cabeça, e a ela, devo todo respeito e dedicação. Esta mudança de nome foi sim, e reafirmo, de minha parte, uma forma de agradar meu Orixá e meus ancestrais. Tenho certeza que eles receberam isso com todo carinho, pois até o Ifá “alafiou” (confirmou). Fico feliz também com a possibilidade de dar um nome aos meus futuros filhos e filhas, que carregarão consigo a marca de uma das lutas justas por direitos equânimes na sociedade brasileira. Tudo o que fiz foi por amor, amor ao que acredito.

Infelizmente, a comunidade do Povo de Terreiro não deu ainda atenção devida a este fato histórico que pode ajudar verdadeiramente a muitos e muitas que desejarem mudar de nome para integrar suas divindades ainda mais a si, numa perspectiva oficial e social. A Ausência de apoio e divulgação do povo de terreiro a este caso pode ter dois motivos – 1. Pouco acesso aos meios de comunicação, principalmente a internet; 2. Falta de entendimento da importância do caso para a coletividade da religião. Isso me preocupa. Pois, deveríamos nos unir para fortalecer ações como esta, que são sérias, concretas e que valorizam a nossa diversidade religiosa como um todo. Algumas pessoas podem até confundir isso tudo com vaidade ou arrogância, porém, o caso por mim protagonizado, abriu um precedente jurídico histórico, não só para o povo de terreiro, mas também para as outras religiões e até mesmo para os transexuais. Isso me orgulha sim, com todo direito.  

Escrevi estas linhas para celebrar a data de mais um renascimento em minha vida. Oore yèyé o! Axé e Salve a Fumaça!

Agradeço profundamente a Greyce Pires, minha primeira advogada, que com muito carinho iniciou e me ajudou neste processo. Obrigado a João Monteiro e Sandro de Jucá que foram minhas testemunhas oficiais no dia da audiência final e, um aconchegante carinho para a querida Marcionia Teixiera, jornalista das mais ágeis e inteligentes que conheci, por ter acompanhado todo o caso, dando boa visibilidade na mídia impressa e de internet. Devo um agradecimento mais que especial ao querido e grande advogado Adriano José, que com carinho e sabedoria, me defendeu na última audiência do caso com competência e grandiosidade, garantindo minha vitória. Odé lhe enviou, adupé!

 A Oxum canto para celebrar:

Orò mi máa - Minha obrigação habitual
Orò mi máa ‘yó - É feita com alegria
Orò mi máa ‘yó - Minha obrigação habitual
Àyaba ‘dò yeye o - Para a Rainha do rio”
(BENISTE, 2002, p.125).

Saúdo Oxum com meu mojubá - Oríkì

Ó l’é - Ela tem beleza
Oore yèyé o, gbà mi - Mãe bem feitora, proteja-me
A fidé ré omo - Aquela que enfeita os filhos com bronze
Òsun, òyéyéni mò - Que é cheia de compreensão”
(BENISTE, 2002, p.127)

“Quero saciar minha sede milhões de vezes, milhões de vezes”...

Alexandre L’Omi L’Odò
Filho de Oxum e Juremeiro
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Filme Galo Preto - O Menestrel do Coco no Curta às Seis no Santander | OUTUBRO.2012

 

Curta às Seis no Santander | OUTUBRO.2012 

Sessões às 18h e 19h - Sessão especial às 18h20
Todas as Segundas, quartas e sextas-feiras.
ENTRADA FRANCA. 
Aproveite o horário estressante do rush, das 18h no cento do Recife para assistir a uma proposta cinematográfica ibero-americana. O Curta às Seis oferece uma produção que normalmente não encontra espaço nas salas de exibições comerciais, reunindo trabalhos clássicos e contemporâneos do cinema, como documentários, ficções e videoclipes em projeção digital.

 Mestre Galo Preto. Foto de Roberta Guimarães.


Galo Preto - O Menestrel do Coco

Sinopse: Mestre Galo Preto, que é o último representante vivo e ativo da tradição do coco do Quilombo de Rainha Isabel e da tradição de sua família. Com roteiro e pesquisa surpreendentes, cheio de surpresas e informações preciosas, que remontam à história do ritmo musical conhecido como coco e da música popular no país, trazendo à luz, personagens incríveis de seu convívio, este documento audiovisual torna-se uma peça indispensável para o avanço do reconhecimento dos grandes mestres negros e índios das culturas tradicionais. Além de ser um elemento que garante a preservação da memória deste singular artista que fez do coco e da embolada, enfim, da música, sua vida. Aos 75 anos de idade, o Mestre Galo Preto, continua ativo e criativo, dando à cultura que pertence, a perspectiva de continuidade e, é acima de tudo, um patrimônio de todos os brasileiros, merecendo este reconhecimento.
Direção: Wilson Freire
Produção: Alexandre L'Omi L'Odò
Duração: 46min
Ano: 2010 
// Sessões gratuitas no Santander Cultural.
Programação sujeita a alteração
40 lugares
Dolby-Digital / Ar-condicionado
Acesso para portadores de necessidades especiais.
Curta às Seis Santander | 2012
 
SANTANDER CULTURAL  RECIFE
Av. Rio Branco, 23 - Bairro do Recife
Recife - PE | Tel. 81 3224.1110
A programação geral do Santander Cultural acontece de terça a domingo das 13h às 20h. Cadastre-se enviando um e-mail para scultura@santander.com.br com o assunto CADASTRO RECIFE para receber nossa programação de artes visuais, cinema, música e reflexão do Santander Cultural Recife.
 


Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

II Seminário – “O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco” - 21 de setembro de 2012

 

II Seminário – “O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco” 

 Dando continuidade às ações contra a intolerância religiosa no Estado, observando a ausência de ações concretas contra os crimes ocorridos nos últimos meses, a Comissão Estadual de Acompanhamento Contra Intolerância Religiosa de Pernambuco realizará no próximo dia 21 de setembro no CTCD – Nascedouro de Peixinhos às 14h o 2° seminário “O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco”. Com a proposta de articular ações concretas contras os crimes de intolerância às comunidades tradicionais de terreiro. A Comissão traz oficialmente a Dra. Marga Janete Ströher, da Assessora da Política de Diversidade Religiosa Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos Secretaria de Direitos Humanos Presidência da República para discutir e elaborarmos um plano estratégico para o combate desta questão. Estarão presentes sacerdotes e sacerdotisas que sofreram as intolerâncias presencialmente e o Povo de Terreiro. Neste seminário também será apresentada a sistematização de todas as propostas do 1° seminário realizado no Palácio de Iemanjá no dia 21 de agosto de 2012.


Programação

Local: CTCD - Nascedouro de Peixinhos – Olinda/PE
21 de setembro de 2012
Contatos:

14h.  Abertura religiosa;

14h e 30min. Contextualização da Intolerância Religiosa em Pernambuco – Palestrante: Alexandre L’Omi L’Odò;

15h.  Relatos orais da intolerância religiosa: Babalorixá Vicente de Xangô;

15h. e 25min. Intolerância Religiosa no cotidiano - Professor Carlos André (Membro da Comissão Nacional de Combate a Intolerância Religiosa);

15h e 50min.  Intolerância Religiosa no Brasil - Professor Jayro Pereira de Jesus – Coordenador da Associação de Teólogos Afro Indígenas (em vídeo conferência do RS);

16h e 15min.  Relatos orais da intolerância religiosa: Babalorixá Ivon de Oyá;

16h e 35min. Terceiro momento: Fala do representante do Governo do Estado de Pernambuco;

16h e 50min. Relatos orais da intolerância religiosa: Babalorixá Érico Lustosa;

17h e 10min. Fala da Dra. Marga (Representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República);

18h. Fechamento.  

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 18 de setembro de 2012

VII KIPUPA MALUNGUINHO | COCO NA MATA DO CATUCÁ | 23/09/2012



VII KIPUPA MALUNGUINHO | COCO NA MATA DO CATUCÁ | 23/09/2012

 Vídeo de divulgaço do VII Kipupa Malunguinho

Obrigado ao Bojo da Macaíba e ao Danilo Moura que montou este belo vídeo. 

Sobô Nirê Malunguinho - Vamos todos para as matas sagradas. Vamos nos unir e celebrar. 

Mais informações em: 

http://www.alexandrelomilodo.blogspot.com.br/2012/08/vii-kipupa-malunguinho-coco-na-mata-do.html

 Alexandre L'Omi L'Odò 

Coordenação do Quilombo C. Malunguinho

alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

VII Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá. 7 Anos Unindo o Povo da Jurema!


VII Kipupa Malunguinho
Coco na Mata do Catucá
7 Anos Unindo o Povo da Jurema!

Chegamos ao nosso sétimo ano de integração dos juremeiros e juremeiras de todo o Brasil nas matas sagradas de Malunguinho. Este ciclo para nós da Jurema é de muita importância e simbolismo religioso. Sete anos de trabalhos significa um fechamento de um primeiro ciclo de força na fumaça e ciência de nosso guerreiro quilombola Malunguinho. É um ciclo de grande comemoração e que devemos nos orgulhar em poder vivenciar este momento com fé e entrega. Nós que fazemos o Quilombo Cultural Malunguinho, queremos que esta energia de cura, de paz, de afeto, de união, de consciência política, de alegria e de crescimento invada a vida de todas e todos que vinherem somar e participar deste grande encontro que a cada ano só faz crescer e se multiplicar graças à força de nossa Jurema Sagrada e de nossa luta coletiva. Vamos celebrar, a festa será digna desta data. São sete anos Unindo o Povo da Jurema!!

Quem ainda não sabe o que significa Kipupa e sua história, visite este link e tire toda as dúvidas com o texto que preparei especialmente para isso: "O Que Significa o Kipupa Malunguinho?"

Sobô Nirê!

Roteiro e Programação: 

Artistas e Mestras, Mestres convidados: Mestre Galo Preto, Zé de Teté, Grupo Bojo da Macaíba, Grupo Pandeiro do Mestre, Maracatu Rosa Vermelha, Maracatu Obá Onilu, dentre outros artistas do coco pernambucano.

7h. Saídas dos ônibus (Memorial Zumbí- Carmo Recife) e dos terreiros e municípios de Paulista, São Lourenço da Mata, Recife, Goiana etc;

8h. Encontro na Prefeitura de Abreu e Lima dos ônibus e pessoas;

9h. Chegada na mata (local do evento);

9h. e 20min. Abertura Solene com diálogo e palestra sobre Malunguinho (normas do evento);

10h. Entrega do "Prêmio Mourão que no Bambeia" aos homenageados: 

In memorian:
Mãe Marlene de Oxum Ajangurá
Mestra Jardecilha
Pai Brivaldo Alambaê
João Romão

Vivos:
Mãe Terezinha Bulhões
Dona Dora
Mãe Graça de Xangô 

11h. Entrada na mata com rituais de Jurema;

11h. e 30min. Ritual para Malunguinho com Juremeiros e Juremeiras e povo de terreiro (gira, cânticos, louvações e oferendas);

12h. e 20min. Coco na Mata com os mestres e mestras do coco e da Jurema;

18h. Fechamento e retorno do comboio de Malunguinho. 

Como se inscrever?

Local: Loja de Eliane no Mercado de São José
Valor: 10$ (Dez Reais)
Pessoas de outros Estados: Mandar dados (Nome, Instituição e Contato) para: annepenaforte@yahoo.com.br (Produção)

Local do Evento: Matas do Engenho Pitanga II, Área Rural de Abreu e Lima (Catucá).
Saída as 7h da manhã no Memorial Zumbí dos Palmares. Carmo Recife e dos terreiros e localidades de toda cidade.

Contatos e informações:

Anne Cleide - 81. 8473-1828 (Produção)
Alexandre L’Omi L’Odò - 81 8887-1496  (Coordenação)
João Monteiro- 81 9428-4898 (Coordenação)

Vejam um pouco do Kipupa do ano passado:



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Reabertura do Palácio de Iemanjá (Casa de Pai Edu) - Noite Negra do Exús


Reabertura do Palácio de Iemanjá
Noite Negra do Exús

UM RECOMEÇO

Muitos boatos

Muitas especulações
muitas histórias
e estórias...
Muitos amigos
Muito interessados
Muitos momentos
E MUITAS PERGUNTAS
muito axé e
muita mas muita fibra... 
 
Obrigada à Iemanjá, obrigada à Zé... Tudo o que tenho hoje é ao que devo para que vim nessa caminhada que descobri...  
 
Obrigada à Oyá (Yá mi) que junto à Oxum me dão força e sabedoria com pouca idade mas cabeça e tranquilidade nos piores momentos e nas alegrias... 
 
Peso é carregar uma responsabilidade que não vem com a idade e sim com PERSONALIDADE E AXÉ.  
 
Desculpem mas não posso deixar de escrever estas palavras:  
 
Após um período de pausa tenho a felicidade de informar e convidar a todos (que pensavam que iríamos virar museu) e a todos os amigos que nos ajudaram e acreditaram em nós, quem não acreditava e passou a acreditar, quem acreditou na casa Palácio de Iemanjá... Anunciamos um recomeço; como as ondas do mar que a cada dia se renovam, renovamos nossas forças e esperança por amor ao Orixá e à Jurema. Isso mesmo... amor, é o que nossa religião precisa e todos nós precisamos; mas quem sou eu para estar dizendo isso? Alguém que sabe e ainda tem muito pra saber o que é realmente O AMOR AO ORIXÁ, e o que significa a fumaça...
 
O que significa a história de uma casa que está completando 60 anos, uma casa que sofreu perseguição de uma instituição que era para protegê-la. E que hoje está sendo reconhecida ''OFICIALMENTE'' pelo Estado. Uma casa que sofre especulações, uma casa alvo muitas vezes de piada após um momento difícil... mas não nos abatemos... Porque confiamos na nossa fé. Em memória ao meu pai Eduim Barbosa da Silva, filho de Yemonja Sessu; tenho a honra de junto com a família de santo do Palácio de Iemanjá anunciar a reabertura da casa.
 
Sabemos o que vivemos ontem, mas viveremos o amanhã com mais força e axé...  
 
Mas antes de mais nada, uma casa de Candomblé e Jurema... DE RESPEITO
A casa de Iemanjá e de Zé Pelitra!!!
 
Iremos cantar e dançar para Exu, o começo de tudo...Porque sem Exu não se faz nada!
Axé.
 
Serviço:
 
Reabertura do Palácio de Iemanjá
Festa - A Noite Negra dos Exús
Data - 24 de Agosto de 2012
Horário - A partir das 19h 
Local - Alto da Sé em Olinda/PE
Contatos: 81. 8871-0057 / 3429-1064

_________________________________
A cima, publico texto integral de Juliana Barbosa da Silva (Juliana Bison), filha de Pai Edu. Ela, é uma das herdeiras da história deste magnífico babalorixá da nossa tradição. 

Mais de um ano se passou após a transcendência espiritual deste baluarte negro. Hoje ele compõe o panteão dos Esá (Babá Egun) da tradição nagô pernambucana. Toda comunidade de terreiro vibra com esta reabertura que nos garante a continuidade de seu legado. A Casa, hoje passa por um processo de inventariação (INRC) pelo IPHAN, para ser reconhecida como patrimônio histórico material e imaterial, devido a sua grande importância nacionalmente. Isso tudo é motivo de orgulho para o povo de terreiro. Devemos ir, vibrar, cantar, danças, comer, discutir e doar axé e ciência da Jurema para que mais força se concentre em torno deste patrimônio de todos nós.

Valeu pai Edu!!!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Seminário O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco acontece dia 21 de Agosto no Palácio de Iemanjá em Olinda



Seminário O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco

A partir de uma convocação do Quilombo Cultural Malunguinho, foi criada a Comissão de Acompanhamento Contra a Intolerância Religiosa de Pernambuco, composta por diversas instituições e terreiros comprometidos com a garantia da cidadania plena das comunidades tradicionais das religiões de matrizes africanas e indígenas.

Com o pensamento de combater, discutir e propor soluções contra a intolerância religiosa, o racismo aos terreiros e às tradições negras e indígenas, é que esta Comissão articulou e realizará o seminário “O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco”, no intuito de promover um debate amplo com diversas lideranças e instituições sobre estes temas urgentes de nosso cotidiano.

Nos últimos meses as religiões de terreiro em Pernambuco têm sofrido profundas agressões à sua moral coletiva, ao seu patrimônio material e imaterial e a sua dignidade e liberdade de culto. Perante estes fatos registrados amplamente pela mídia sensacionalista, temos o triste dado de que 7 (sete) terreiros de Jurema e Umbanda foram saqueados e destruídos no município do Brejo da Madre de Deus por vândalos movidos pelo ódio religioso estimulado e manipulado contra nossa religião. Todo este fato consolidou-se devido à associação absurda feita pela mídia pernambucana ao assassinato cruel do menino Flanio, de nove anos de idade, com supostos rituais de “magia negra” ou de terreiro realizados por supostos “pais de santo”.

Perante esta grave problemática o povo de Terreiro de Pernambuco não poderia calar e se omitir. Portanto, este, se reunirá dia 21 de agosto de 2012, no Palácio de Iemanjá (Casa de Pai Edu) no Alto da Sé em Olinda/PE, das 14 às 20h para promover este debate junto às diversas representações nacionais do povo de terreiro, entidades de direitos humanos federais e instituições representativas da luta contra o racismo e intolerância religiosa.

Serão problematizados principalmente os temas relativos à mídia e sua contribuição ao racismo e intolerância religiosa. O ódio religioso e o racismo, e, como o Povo de Terreiro pode combater estas questões.

Realizar este seminário no Palácio de Iemanjá (Casa de Pai Edu) é uma forma de reconhecer o indelével e imenso trabalho que este histórico babalorixá e juremeiro realizou para todo povo de terreiro do Brasil. Em sua homenagem estão dedicadas todas nossas discussões e lutas.

Contamos com sua valiosa participação. Todas e todos são muito bem vindos neste processo de afirmação e luta pelo direito à liberdade de culto e crença dos povos tradicionais de terreiro do Brasil.

Não podemos voltar à Idade Média com este caça as bruxas do século XXI no Brasil!

Sobô Nirê Malunguinho!
Salve a fumaça da Jurema!
Axé!
Nguzo!
Vodou!
Saravá!

Programação (pode haver alterações):

Seminário: Povo de Terreiro Contra a Intolerância Religiosa
Dia 21 de Agosto de 2012 das 14 às 21h.
Local: Palácio de Iemanjá – Alto da Sé, Olinda/PE.

Horário: 14 às 21h 

Cerimonial: Mãe Nete e Jamesson Reis

14h Abertura – Saudação Ritual (Paulo Brás, Sandro de Jucá)
Coordenação da Mesa: Carlos Salles;

14h10 – As Bases da intolerância, para entender o processo! Com Alexandre L’Omi  L’Odò – Juremeiro e Omo Òsún, graduando em História pela UNICAP, membro da coordenação do Quilombo Cultural Malunguinho.
14h20 – As Recentes agressões as Religiões de Matriz Africana e indígena em Pernambuco com o Babalorixá Érico Lustosa, Omo Ogum, Filosofo, Professor de Ética do Direito, mestrando em Ciências das Religiões – UNICAP;

14h30 – A Intolerância pelo Brasil, casos de intolerância a nível Nacional, com o Babalorixá Alexandre de Oxalá Coordenador da Rede Afrobrasileira Sociocultural (http://redeafrobrasileira.com.br/);

15h40 – Debates para tirar duvidas

16h15- Intervalo para lanche regional

16h30 – O Papel do Estado no enfrentamento à intolerância Religiosa. Coordenação da Mesa: Leandro Tavares de Xangô (QCM). Vídeo Conferência com a Sra. Marga Janete Ströher, Assessora da Política de Diversidade Religiosa da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos Presidência da República e Prof. Dr. Carlos André Cavalcanti, Departamento de Ciências das religiões da UFPB e Membro da Comissão de Combate da Intolerância Religiosa da presidência da República.

16h45 - O Papel do Povo de Terreiro no enfrentamento a Intolerância Religiosa (vídeo conferência via RS) com Professor Jayro de Jesus Omo Oguiã, Teólogo da tradição de Matrizes Africans e Indígenas, coordenador da ATRAI e membro da Comissão de enfrentamento a Intolerância da presidência da Republica e os sacerdotes e lideranças políticas do povo de terreiro do Batuque do RS Baba Dyba e Egbon Esu Olumide.

17h00 – Debates para tirar duvida

!7h30 - Imprensa pernambucana, novas perspectivas de enfrentamento a intolerância (“A mídia tem que ter cuidado no que diz”!). Coordenação da Mesa: Mary Anne (CEDEESPE). Ivan Mauricio Jornalista e editores dos Jornais (Ivanildo Sampaio do JC, Henrique Barbosa Editor Geral da Folha de Pernambuco e ou editor do Diário). (Falta confirmar)

18h00 – Debate para tirar duvidas
18h30 – Considerações finais
18h45 – Ceia de confraternização com a Cheff Iyabassé Dona Carmem Virginia

19h15 – Apresentação cultural do Afoxé Omo Nilé Ogunjá
20h00 - Roda de coco de Jurema com o Grupo Bojo da Macaíba
21h00 - Encerramento


Informações: 81. 8887-1496 / 9428-4898
alexandrelomilodo@gmail.com


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

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Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!