quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Mestra Têca de Oyá, um patrimônio do povo de terreiro de Pernambuco

 

Mestra Têca cantando para a Jurema Sagrada na Casa das Matas do Reis Malunguinho (2021). Foto de Monique Silva.

Mestra Têca de Oyá, um patrimônio do povo de terreiro de Pernambuco

Mestra Têca de Oyá (Terezinha José dos Santos) é um dos mais valiosos patrimônios dos povos tradicionais de terreiro em Recife e Região Metropolitana. Com contribuição histórica, entregou sua vida às giras, cantando, dançando e dando grandes ensinamentos negríndios para os signatários das tradições da Jurema e do candomblé. São 61 anos dedicados à manutenção e preservação de cânticos sagrados de grande valor religioso.

Têca, resguarda em si todas as transformações que o povo de terreiro sofreu nas últimas décadas, sendo ela, uma valiosa biblioteca/patrimônio vivo. Sua especialidade é cantar. Abrir e fechar giras, invocar o sagrado, dar força ao axé dos terreiros, ser a voz dos encantados. Foi homenageada em 2018 como Mourão que não Bambeia no XVIII Kipupa Malunguinho – Coco na Mata do Catucá, sendo reconhecida publicamente pela primeira vez nessa ocasião. 

Mestra Têca recebendo o Prêmio Mourão que não Bambeia em 2018 no Kipupa Malunguinho. Reconhecimento merecido. Homenagem entregue por Pai Messias de Ogun e Mané da Pinga. Foto de Adriana Preta.


Hoje, com grande desejo de perpetuar seus saberes, dedica-se à registrar os cânticos antigos e sagrados de sua Jurema, onde salvaguardam muitos segredos, fundamentos e história. Sem importantes registros imagéticos, de audiovisual etc., afinal sempre esteve a margem da história pública, tem na oralidade, em sua tradição oral seu maior documento histórico.

Atualmente, Mestra Têca está sendo protagonista da gravação de seu próprio filme, cujo nome não revelamos ainda. Esse trabalho é a continuidade do projeto Mourão que não Bambeia, que tem como objetivo principal registrar a história, memória, e a fala dos mestres e mestras dos terreiros de Pernambuco, em especial os que já foram homenageados no Kipupa. Desde o início do Prêmio Mourão (2012), já foram reconhecidos e reconhecidas mais de 53 juremeiros e juremeiras e pessoas do candomblé além de pessoas importantes para o fortalecimento das nossas tradições negríndias. O primeiro filme lançado foi o "Mãe Terezinha Bulhões - um mar de amor no coração do Recife", publicado recentemente em decorrência de seu falecimento aos 91 anos. 

  A obra dirigida por Alexandre L'Omi L'Odò, tem previsão de lançamento no final de 2022 e está a todo vapor em seu processo de construção. Têca, como gosta de ser chamada, está muito feliz com todo esse movimento. Ela relata que "nunca fui reconhecida. Já ajudei tanta gente nos seus terreiros e as pessoas só me usavam. Estou feliz em poder mostrar um pouquinho do que sei e do que me foi permitido aprender nessa religião que é minha vida". 

Há um documento vivo que temos que salvar do apagamento. Ele está na tradição oral. Na memória dos mestres e mestras de terreiro. Além disso o processo de apagamento da existência de pessoas importantes das casas de axé e Jurema é muito agressivo. Poucos são os que têm um registro minimamente organizado para que sua história e contribuição seja conhecida pelas gerações futuras. Esse é um problema grave do povo de terreiro, e esse projeto tem o desejo de contribuir para que seja a cada dia menos possível a continuidade desse apagamento racista dos nomes e feitos de nossos sacerdotes e sacerdotisas de terreiro.

Abaixo, disponibilizo alguns registros fotográficos da Mestra Têca, para que possamos ver em imagem o quanto ela é expressiva e linda com sua energia única. Têca é vento, é furacão, é o canto e a dança dos terreiros. Devemos valorizar!

Mestra Têca cantando para o grande público do Kipupa Malunguinho (2018). Foto de Adriana Preta.

Recebendo homenagem surpresa na Casa das Matas do Reis Malunguinho (agosto de 2021). A foto do quadro e essa são de Monique Silva.

Cantando pra Malunguinho na Casa das Matas do Reis Malunguinho (agosto de 2021). Foto de Monique Silva.

Com seus 75 anos de idade tem vitalidade que menino novo não tem. Foto de Monique Silva.

A tradição em pessoa. Foto de Monique Silva.

Sabe cantar muito pra Jurema. Tem axé e traz os espíritos à terra! Foto de Monique Silva.

Têca no XVI Kipupa Malunguinho (2020). Foto de Monique Silva.

Teca cantando para Exu/trunqueiros na Jurema. Foto de Monique Silva.

Na frente dos ilús ela dá seu show de axé. Foto de Monique Silva.

Com Alexandre L'Omi L'Odò, diretor de seu filme (2019). Foto de Monique Silva.

Dando seu recado na pisada mestra. Foto de Monique Silva.

É Mourão que não Bambeia - Mestra Têca de Oyá. Foto de Monique Silva.

Triunfando na Jurema. Casa das Matas do Reis Malunguinho. Foto de Monique Silva. 

Nas giras da Casa das Matas do Reis Malunguinho, sempre ajudando nos trabalhos. Foto de Monique Silva.

Para maior conhecimento do projeto Mourão que não Bambeia, veja o filme de Mãe Terezinha Bulhões no link: https://www.youtube.com/watch?v=jpOQRg1r54s&t=802s


Alexandre L'Omi L'Odò

Quilombo Cultural Malunguinho

alexandrelomilodo@gmail.com 

domingo, 14 de novembro de 2021

Filme Mãe Terezinha Bulhões – um mar de amor no coração do Recife (43’41)


Filme Mãe Terezinha Bulhões – um mar de amor no coração do Recife (43’41)


Existiu um mar de amor, caridade, verdade e fé no coração do Recife pulsando há 91 anos. Espalhando acolhimento e muito axé, Mãe Terezinha Bulhões, foi uma das juremeiras e iyalorixás mais antigas de Pernambuco vivas e ativas em seus trabalhos espirituais e sociais. Com incontáveis filhos e filhas na religião, tendo prestado assistência há toda sua comunidade em sua trajetória, ela é uma referência importante da religião de matriz africana e indígena no Brasil, herdeira e continuadora das insígnias sagradas do candomblé e da Jurema Sagrada, um verdadeiro patrimônio vivo dos povos tradicionais de terreiro.

Infelizmente se encantou no dia 13 de novembro de 2021, deixando uma lacuna profunda na tradição de mátria africana e indígena no Brasil. Mais uma biblioteca viva se foi deixando grandes saberes da vida para quem vivenciou toda sua bondade e axé.

Como homenagem à sua trajetória e fundamental contribuição à nossa religião, Alexandre L’Omi L’Odò assumiu o papel de diretor e roteirista de um filme (média metragem) que registra a memória e história dessa grande liderança religiosa de nosso tempo, cujo nenhum registro oficial e documental sistematizado consta de sua existência, até então. Com produção audiovisual do Angola Filmes e realização do Quilombo Cultural Malunguinho e a Casa das Matas do Reis Malunguinho, o projeto Mourão que não Bambeia, que tem como objetivo registrar e salvaguardar a memória, história oral e tradicional do povo de terreiro de nosso Estado através de pesquisa e registro documental e audiovisual, faz nascer seu primeiro trabalho de preservação de memória oral dos grandes sacerdotes e sacerdotisas da religião de terreiro em Pernambuco.

A missão desse filme é eternizar a memória de Mãe Terezinha Bulhões, trazendo-a como protagonista de sua própria história, mostrando à toda sociedade que ela existiu e que merece respeito histórico. Esse projeto é anti apagamento da memória ancestral, afinal sabemos que existe uma lacuna imensa a ser preenchida sobre a história de nossa religião. Quase não há registros qualificados dos mais velhos dos terreiros e quando esses e essas morrem, toda sua trajetória se apaga no mar do esquecimento do racismo estrutural que nos assola socialmente. Temos que barrar esse processo e dar voz e vez à pessoas como Mãe Terezinha e tantas outras que merecem ser reconhecidas ainda em vida pela sua importante contribuição na história e desenvolvimento da sociedade como um todo.

Atenciosa, carinhosa e muito acessível, mesmo na altura dos seus 91 anos, dava atenção e ouvia cada filho e filha. Realiza anualmente todos os ciclos festivos da religião e adora dançar um coco. Essa é a filha dileta de Iyemojá Sessú, uma mulher guerreira que distribuiu muito amor com todes, mesmo tendo sofrido tanto em sua infância.

No coração do Recife existiu um mar, um oceano de amor sim, lá na Vila das Lavadeiras (Rua Palmares, nº 56, Areias) morou a felicidade e a resistência negro-indígena dos povos tradicionais de terreiro e toda sua história que forma a identidade deste país que precisa se encontrar consigo próprio para se reconhecer. 

O filme foi lançado no dia de seu aniversário, 07 de outubro de 2020, data de seu aniversário de 90 anos, com apresentações de maracatu e coco, exibição do filme para toda comunidade e celebração coletiva de seu aniversário. Foi um momento ímpar registrado na alma de todos nós.

Com autorização da família, publico seu filme, sua memória, sua fala, e sua luta. Esse trabalho foi feito com muito amor e respeito. Mãe Terezinha sempre foi muito admirada por mim e por todos. Sinto-me honrado de ter sido escolhido pela espiritualidade para fazer e concluir esse trabalho único. Obrigado Iyemojá Sessú e Reis Malunguinho.

Ela com certeza toda Jurema a recebeu com alegria e luz. Com tanta humanidade e amor, ela hoje descansa leve com todo seu dever ancestral cumprido na terra. Bença mãe Terezinha, até breve. Obrigado por tudo que sua existência me ensinou.

Ficha Técnica

Concepção, Roteiro, Pesquisa e Direção: Alexandre L’Omi L’Odò

Produção Audiovisual: Angola Filmes

Produção Executiva: Alexandre L’Omi L’Odò

Fotografia, Montagem e Finalização: Adriano Lima

Assistentes de Edição: Pollyanne Carlos e Zé Gabriel

Assistentes de Produção: Diviol Lira e Welica Terezinha e Daniel Menezes

Assistente de Gravação: Diviol Lira

Projeto Gráfico/Cartaz: Adriano Lima

Articulação e Produção: Nadja de Oyá, Vado de Pau Ferro e Carolina Bulhões

Trilha Sonora Original: Alexandre L’Omi L’Odò e Obé Iná

Direção de Arte, figurino e dançarina (Iyemojá): Obé Iná

Realização Geral: Quilombo Cultural Malunguinho e Casa das Matas do Reis Malunguinho


Participações/depoimentos:

Pai Vado de Pau Ferro (juremeiro e babalorixá)

Pai Paulinho da Luz (babalorixá e juremeiro)

Hilton Bulhões (filho carnal)


ATENÇÃO: Está proibido o download desse filme, completo ou suas partes, para publicação em páginas de instagran, facebook e youtube de terceiros sem autorização do diretor.

Link do filme: https://www.youtube.com/watch?v=jpOQRg1r54s&t=767s 


Alexandre L'Omi L'Odò

Quilombo Cultural Malunguinho

alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 13 de novembro de 2021

Um adeus à Mãe Terezinha Bulhões - nota de falecimento

 

Mãe Terezinha Bulões - um mar de amor no coração do Recife. Foto: Acervo Casa das Matas do Reis Malunguinho


Um adeus à Mãe Terezinha Bulhões

 

Comunicamos o falecimento de uma das mais antigas juremeiras e iyalorixás de Pernambuco, Mãe Terezinha de Iyemojá Sesú.

Com 91 anos de idade e mais de 70 dedicados à religião, faleceu hoje, 13 de novembro pela manhã.

Ela, sem dúvidas é um dos mais importantes patrimônios do povo de terrieiro, tendo dado importante contribuição durante todo seu sacerdócio na preservação dos saberes e costumes das tradições de matriz afro indígena. Ajudou com seu acolhimento inúmeras pessoas e alimentou outras incontáveis. Conhecida pela sua bondade e sabedoria, Mãe Terezinha deixa uma lacuna enorme entre nós, pois estão a cada dia mais raras pessoas de coração puro e bondoso como o dela em sua natureza plena.

Teve sua vida e trajetória registrada no filme intitulado "Mãe Terezinha Bulhões - um mar de amor no coração do Recife", concebido e dirigido por Alexandre L'Omi L'Odò, lançado em 2020, no dia 07 de outubro, em celebração aos seus 90 anos de idade e luta. Na película, ela conta sua história e nos encanta com tamanha beleza de seus saberes.

A saudade será eterna. Obrigado por ter existido. Olorun e todos Orixás e a Jurema Sagrada hoje perderam uma importante representação. Contudo sua missão foi totalmente cumprida perante a ancestralidade.

Nossos pêsames à família carnal, aos filhos e filhas de axé e Jurema, amigues e toda comunidade da Vila das Lavadeiras em Areias/Recife.

O Quilombo Cultural Malunguinho agradece os inúmeros anos de parceria e luta pela valorização pública da Jurema. Serás eterna Mourão que não Bambeia do Kipupa.

--> Velório às 17h (hoje), no terreiro na Praça da Vila das Lavadeiras/Areias, sepultamento amanhã 14/11 no Cemitério do Barro com continuação do velório às 11h.

Seguem algumas fotos do lançamento de seu filme. Acervo da Casa das Matas do Reis Malunguinho:


Mãe Terezinha Bulhões. Foto acervo Casa das Matas do Reis Malunguinho.

 

Mãe Terezinha e eu após as filmagens de seu filme. Foto do Acervo da Casa das Matas do Reis Malunguinho.

Em seu aniversário, ela celebrou louvando Iyemojá Sessú antes do lançamento do filme.  Foto do Acervo da Casa das Matas do Reis Malunguinho.


Entrevistando a Iyalorixá.  Foto do Acervo da Casa das Matas do Reis Malunguinho.


Bolo de 90 anos. Dia especial em 2020.  Foto do Acervo da Casa das Matas do Reis Malunguinho.


Filhos e filhas da Casa das Matas do Reis Malunguinho comemorando os 90 anos de Mãe Terezinha. Todos participaram da produção desse lançamento. Foi lindo.  Foto do Acervo da Casa das Matas do Reis Malunguinho.


Àsèsè mojubá!

"Caiu uma folha na Jurema"

 

Alexandre L’Omi L’Odò

Quilombo Cultural Malunguinho

alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Malunguinho, Catucá e Abreu e Lima - histórias de luta


Malunguinho, Catucá e Abreu e Lima – histórias de luta 

Malunguinho fora o título dado aos líderes do Quilombo do Catucá, pessoas de grande transcendência e força que lideraram a segunda maior frente de luta por liberdade negra no Brasil. 115 anos aproximadamente separam Palmares do Catucá (1695 – 1810), e Pernambuco fora na primeira metade do século XIX o mais amplo e articulado campo para o desenvolvimento desse clã negro de luta, que segundo Pereira da Costa agia de forma a remontar as práticas africanas bantas e também exerciam uma forma de convívio comunista, tendo como participes indígenas, alguns brancos e mulheres que exerceram importante papel na consolidação e resistência do quilombo.

O Catucá iniciava-se nas abundantes matas e mangues nas margens do Rio Beberibe entre Recife e Olinda (onde hoje é Peixinhos e demais bairros), ampliando-se e dominando importante parte da Mata Norte, seguindo por Paulista, Abreu e Lima (antiga Maricota), Igarassu, Paudalho, Timbaúba, entre outros municípios até Goiana (onde existe um povoado quilombola recém reconhecido chamado de Catucá) até Alhandra na Paraíba.

Na história do país, não existiu negro a ter a cabeça colocada a prêmio por valor mais alto. Malunguinho (o primeiro cujo nome não foi revelado), devido a sua importante liderança e poder, aterrorizou a Coroa portuguesa que anunciou o valor de 100 mil réis para quem o entregassem morto. Com as elites fragilizadas pelas fraturas internas e revoluções, que fragilizaram seus aparatos repressivos devido as lutas armadas entre 1817 e 1824, o Catucá se fortaleceu, muitos negros e negras fugiram para as matas e conseguiram assim se unir ao ponto de colocar em risco a estabilidade da coroa e a segurança de toda população branca. Realizando inúmeros saques de alimentos e ocupações de mais e mais territórios, onde construíram casas, mocambos e plantações, os malungos como também eram chamados, instituíram-se como força bélica de grande porte, atormentando o sono dos colonizadores. Assim sendo, foi criada a “partida exterminadora do Chefe Malunguinho”, que após inúmeras investidas, conseguiu detê-lo e exterminá-lo em 1829.

O Catucá não se calou e sua luta por liberdade continuou com outros diversos líderes “Malunguinhos”, entre eles, o João Batista, último líder do quilombo, dominando importante quartel general chamado Cova da Onça e fazendo frente de guerra nas matas da antiga Maricota, hoje Abreu e Lima. Afamado pela sua coragem, João Batista foi amplamente perseguido, tendo sido assassinado de forma covarde em emboscada cruel em setembro de 1837, como informou documento expedido no dia 18 do mesmo mês.

A longa história do Catucá e dos Malunguinhos é grande e importante para o país. Continuando viva até os dias de hoje.

Malunguinho foi deificado e transformou-se numa das mais importantes divindades da Jurema Sagrada, coisa inédita a acontecer com outras lideranças negras no paísl. Ele virou um espírito de grande poder nessa religião do nosso Nordeste. Malunguinho é caboclo (índio), mestre, trunqueior/exu e Reis, titularidades religiosas dentro destra tradição forte e em pleno funcionamento em todo Pernambuco. Ele é o primeiro a ser cultuado, a receber oferendas e continuando sua missão como defensor do povo negríndio e pobre, é dada a ela a missão de defender a casa de todos os males, protegendo o portão do terreiro e as Cidades encantadas da Jurema. Seu papel continua sendo essencial para todas e todos que nele tem fé. Realizador de grandes milagres, é muito querido pelos juremeiros e juremeiras.

É em Abreu e Lima que acontece o maior encontro do povo de terreiro do Estado, o Kipupa Malunguinho – Coco na Mata do Catucá (@kipupamalunguinho), evento realizado pela instituição Quilombo Cultural Malunguinho (@qcmalunguinho) que há 15 anos faz esse grande e importante evento que atrai pessoas de todo país para conhecer as matas de Pitanga II, onde outrora Malunguinho e seus bandos dominaram e fizeram a mais importante revolução negra que a história conheceu depois de Palmares.

O Estado de Pernambuco aprovou a Lei Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana, a Lei Malunguinho nº 13.298/07, revogada e relocada na lei 16.241/17), que instituiu no calendário anual uma semana para debater a importância de Malunguinho para nossa identidade. Outras leis com o mesmo propósito foram aprovadas em São Lourenço da Mata (2.285/09), Olinda (5591/17) e Recife (18.562/19), faltando a Cidade de Abreu e Lima se pronunciar e aprovar uma lei ampla no município que valorize sua história a partir de Malunguinho e toda luta negríndia que envolve essa temática.

Malunguinho vive! O Catucá vive! Sobô Nirê Mafá!


Texto: Alexandre L’Omi L’Odò – juremeiro, historiador e mestre em ciências das religiões – SIGA: @alexandrelomilodo

Alexandre L'Omi L'Odò

Quilombo Cultural Malunguinho

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segunda-feira, 28 de junho de 2021

Juninho do Coco é a continuidade da tradição do coco do Quilombo Urbano do Amaro Branco (live)

 

Juninho do Coco lança seu primeiro CD, "Meu Axé". Foto de Monique Silva.

Juninho do Coco é a continuidade da tradição do coco do quilombo urbano do Amaro Branco (live)

Ele nasceu com o trovão no coração. Bate o bombo e faz a festa acontecer.

Juninho do Coco (@juninhodococo) lança seu primeiro CD trazendo seu amor ao coco praieiro para o público. Sempre tocou para inúmeros mestres e mestras como a Mestra Ana Lúcia do Coco, @aurinhadococooficial, @mestregalo, Selma do Coco, @donaglorinhadococooficial, @zecadorolete, entre tantos outros artistas da cena da cultura popular.

Agora chegou a hora de ocupar o microfone principal e mostrar todo seu talento de compositor, percussionista e cantor. Ele sempre protagonizou sua história, e com a força da Jurema vem mostrar toda herança familiar do coco que tem.

Juninho é a continuidade do coco do Quilombo urbano do Amaro Branco. Traz a cultura negríndia no sangue e sabe mostrar seu valor. O baque é forte e a pisada é profunda. Com ele o patrimônio cultural de seus ancestrais está salvaguardado.

Live de lançamento 29 de junho

20h

Canal de YouTube de: @alexandrelomilodo

Fotos de @monie.ft @moniquedzsilva


Fotos de divulgação do lançamento do CD "Meu Axé":

Todas fotografias de Monique Silva.

#JuninhodoCoco #Cocodearoda #AmaroBranco #CulturaPopular #axé #MeuAxé #Olinda #Pernambuco #Brasil #CasaDasMatasDoReisMalunguinho #QuilomboCulturalMalunguinho #QuilombodoCatucá #Malunguinho #ReisMalunguinho #JuremaSagrada #Catimbó #Candomblé #umbanda #Tradição #amor #união #MúsicaPernambucana #pernambucoemfoco

Alexandre L’Omi L’Odò

Produção fonográfica e direção artística

alexandrelomilodo@gmail.com

Juninho do Coco lança CD "Meu axé", em Olinda

Lançamento do CD Meu Axé de Juninho do Coco

 

Com realização da Casa das Matas do Reis Malunguinho e Quilombo Cultural Malunguinho, com incentivo da LABPE – Lei Aldir Blanc de Pernambuco, FUNDARPE, Governo do Estado e direção musical e fonográfica de Alexandre L’Omi L’Odò, nasce o primeiro CD do jovem artista da cultura popular, Juninho do Coco, uma das raízes mais fortes do Amaro Branco em Olinda.

Juninho, 23, dá luz à um antigo sonho seu, gravar em fonograma algumas músicas autorais suas e outras de sua avó Dona Vitória Ferreira, entre outros mestres. Com o título Meu Axé, que é uma de suas músicas composta há mais de seis anos, o CD nasce com a força de sua Jurema, raiz de Malunguinho, seu caboclo guia e a sabedoria do coco praieiro de sua família.

Neto de Dona Vitória (coquista), sobrinho de Mestre Dédo do Coco (um dos maiores coquistas do Amaro Branco), sobrinho de Zezé de Guarapirá (coquista), filho de Lu Guarú (coquista e percussionista) e criado pela Mestra Ana Lucia do Coco, patrimônio vivo de Pernambuco, ele, detém em si história, tradição e muita capacidade artística devido a sua formação e vivência de base. Herdeiro de toda essa bagagem, nasceu com o talento nato de tocar e cantar, de compor e criar tudo que for possível dentro de seu universo.

 Cartaz para divulgação nos stories do instagram e facebook.

Juninho é a nova geração do coco no Estado e dá luz à esse CD com muitas novidades, arranjos lindos e uma “pegada” única, totalmente sua, de seu talento e imaginário. Além de cantar, ele tocou quase todos os instrumentos na gravação, deixando a obra com sua identidade integral. Segundo o artista, esse lançamento “ficará marcado em minha vida, pois sempre toquei para muitas pessoas e agora chegou minha vez de ver materializado meu próprio trabalho, meu suor, minha poesia, meu coco”. Com faixas inéditas, o fonograma causará emoção em quem ouvir e trará alegria para quem quiser dançar um bom coco.

Faixas como “Papagaio Louro”, do cancioneiro sagrado da Jurema, arranjada em cordas pelo grande músico Rubens França, dá um tom amplo ao CD, que tem músicas como “Lá no meu terreiro” que traz a força da Jurema, com muita mazurca, e outras como “A barra da lua cresce” do Mestre Ferrugem, que o ensinou pessoalmente esses versos de improviso nunca cantados antes pelos coquistas.

Todo material será disponibilizado nas plataformas digitais de música e no YouTube. O lançamento está previsto para o dia 29 de junho (dia de São Pedro), às 16h, com uma live onde o artista conversará com seu público e tocará alguns de seus cocos.

Contato: 81 99525-7117

alexandrelomilodo@gmail.com

Instagram: @juninhodococo

domingo, 4 de outubro de 2020

Lançamento do filme: Mãe Terezinha Bulhões - um mar de amor no coração do Recife

Mãe Terezinha Bulhões – um mar de amor no coração do Recife

Lançamento do documentário em homenagem a Mãe Terezinha Bulhões, promovido pelo Quilombo Cultural Malunguinho em parceria com a Angola Filmes, inaugura o projeto Mourão que não bambeia de registro e preservação da memória e patrimônio cultural do povo de terreiro em Pernambuco.

Existe um mar de amor, caridade, verdade e fé no coração do Recife pulsando há 90 anos. Espalhando acolhimento e muito axé, Mãe Terezinha Bulhões é uma das juremeiras e iyalorixás mais antigas do Estado. Viva e ativa em seus trabalhos espirituais e sociais, com incontáveis filhos e filhas na religião, ela é uma referência importante da tradição de matriz africana e indígena no Brasil. Herdeira e continuadora das insígnias sagradas do candomblé e da Jurema Sagrada, Terezinha é um verdadeiro patrimônio vivo dos povos tradicionais de terreiro, tendo prestado assistência a toda sua comunidade ao longo de sua trajetória.

Como homenagem à sua caminhada e fundamental contribuição à nossa religião, Alexandre L’Omi L’Odò assume o papel de diretor e roteirista de um filme (média metragem) que registra a memória e história dessa grande liderança religiosa de nosso tempo, que não havia recebido nenhum registro oficial e documental sistematizado de sua existência, até então. Com produção audiovisual da Angola Filmes e realização do Quilombo Cultural Malunguinho e a Casa das Matas do Reis Malunguinho, o projeto Mourão que não bambeia tem como objetivo registrar e salvaguardar a memória, história oral e tradicional do povo de terreiro de PE, através de pesquisa, registro documental e audiovisual. A iniciativa faz nascer seu primeiro trabalho de memória oral dos grandes sacerdotes e sacerdotisas da religião de terreiro em Pernambuco.

A missão desse filme é eternizar a memória de Mãe Terezinha Bulhões, trazendo a iyalorixá como protagonista de sua própria história, mostrando à toda sociedade que ela existe e merece respeito. O projeto desfaz o apagamento da memória ancestral, afinal sabemos que existe uma lacuna imensa a ser preenchida sobre a história de nossa religião. Quase não há registros qualificados dos mais velhos dos terreiros e quando esses e essas morrem, toda sua trajetória se apaga no mar do esquecimento do racismo estrutural que nos assola socialmente.

Assim, o objetivo do projeto é barrar esse processo, abrindo espaço e escutando a voz de pessoas como Mãe Terezinha e tantas outras que merecem ser reconhecidas ainda em vida pela sua importante contribuição na história e desenvolvimento da sociedade como um todo.

Atenciosa, carinhosa e muito acessível, mesmo na altura dos seus 89 anos, ela dá atenção e ouve cada filho e filha. Realiza anualmente todos os ciclos festivos da religião e adora dançar um coco. Essa é a filha dileta de Iyemojá Sessú, uma mulher guerreira que tem muito amor para dar, mesmo tendo sofrido tanto em sua infância.

No coração do Recife tem um mar, um oceano de amor sim. Lá na Vila das Lavadeiras (Rua Palmares, nº 56, Areias) mora a felicidade e a resistência negro-indígena dos povos tradicionais de terreiro e toda sua história que forma a identidade deste país que precisa se encontrar consigo próprio para se reconhecer e prosperar. 

O filme será lançado no dia de seu aniversário, 07 de outubro de 2020, com apresentação de maracatu e coco, exibição do filme para toda comunidade e celebração coletiva com parabéns. Será um momento ímpar que devemos vivenciar.

Serviço

Lançamento do documentário e aniversário de 90 anos de Mãe Terezinha Bulhões

Data: 07 de Outubro de 2020

Horário: 19h

Local: Praça da Vila das Lavadeiras, Areias/Recife

Evento gratuito e aberto

Tomar todos os cuidados sanitários de saúde

Só poderão estar no lançamento quem estiver usando máscaras, álcool em gel e cuidando do distanciamento social.

É indicado a participação de 100 pessoas como orienta os órgãos superiores. Haverá contagem.

Contato:

81 99525-7119

www.qcmalunguinho.blogspot.com 


Alexandre L'Omi L'Odò

Quilombo Cultural Malunguinho 

alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!