domingo, 17 de fevereiro de 2013

Racismo institucional na polícia de Pernambuco - A outra face do Carnaval

Matéria digitalizada do jornal Diario de Pernambuco de 10 de fevereiro de 2013.


Racismo institucional na polícia de Pernambuco - A outra face do Carnaval 

Mais um carnaval no Estado de Pernambuco. Carnaval maravilhoso, "o melhor do mundo" segundo alguns. Eu particularmente acho também... Porém, existem muitos assuntos que todos nós devemos tratar em relação ao Carnaval pernambucano... Assuntos transversais e completamente necessários. Um destes assuntos é sobre o caso da agressão brutal, denunciada na internet pela jornalista Ivana Moura, proferida pela Polícia, contra o músico e maracatuzeiro Ítalo, integrante do Maracatu Raízes de Pai Adão, instituição pertencente a tradição e terreiro mais antigo dos cultos de matrizes africanas do Estado, o Ilé Iyemojá Ògúnté. 

Todo o caso que teve repercussão fortíssima na internet, pois só na minha página de facebook foram mais de 650 compartilhamentos da digitalização desta mesma matéria que publico aqui, nos leva a pensar o quanto  tem gente querendo combater este tipo de absurdo e também, ainda, avaliarmos o quanto vivemos em um mundo racista que oprime sobre tudo o povo pobre e de religião e tradição de matriz africana e indígena. O batuqueiro Ítalo sofreu o peso da mão do Estado de olhos azuis. Sofreu o peso de ser negro e ter opção por fazer cultura popular. Cultura popular esta que abrilhanta o Carnaval do Estado e traz bilhões para esta terra que sequer distribui essa renda com equanimidade entre aqueles que dão a cara e a alma para fazer esta grande festa. É indignante ver as imagens do vídeo abaixo sem sofrer junto com ele as dores dos mal tratos físicos e simbólicos que ele sofreu. Foi humilhado após tocar na abertura oficial do Carnaval do Recife, em pleno Marco Zero, na frente de todos e todas... Isso é de nos comover. Como a polícia faz isso? Fácil de responder, a polícia é uma instituição criada especialmente para reprimir os que de alguma forma querem alterar o sistema de dominação preponderante e absolutista, que em nada muda em relação ao povo negro e aos povos indígenas ao passar dos séculos. Todo este fato foi racismo institucional dos mais graves. A polícia fez isso. A polícia xingou o menino artista vestido com roupas de maracatu, de "macumbeiro safado", cometendo ainda a intolerância religiosa contra as religiões de terreiro, ainda como se não bastasse disseram que o garoto não tinha advogado, pressupondo que além de negro, pobre, maracatuzeiro, "macumbeiro", ele era um sem ninguém, um daqueles que a polícia pega todos os dias e acusam inescrupulosamente e levam para os presídios sem a menor condição de defesa, mesmo sendo estes inocentes... Foi mais que grave isso e o Estado tem que se posicionar.

Quem utiliza o facebook pode ver toda cena da agressão neste link: https://www.facebook.com/photo.php?v=347562185358221 

Esta matéria que disponibilizo aqui não saiu em toda publicação do Diario deste dia. Recebi a ligação do professor Carlos Tomaz me informando pela manhã cedo sobre ela. Fui ao aeroporto comprar, não tinha nada no jornal, dai comprei outro na comunidade de Peixinhos e também não tinha nada publicado, creio que esta informação só circulou para os assinantes, tendo em vista que com a grande presença dos turistas na cidade, colocar uma matéria deste porte poderia causar medo e afastar os que de fora vieram curtir o carnaval. Achei isso péssimo, pois não haveria como todos não saberem, é uma obrigação da m'idia informar sobre coisas importantes, porém neste caso, foi preferido omitir por interesse do Estado  em esconder os dados da violência no Carnaval. Indico para os que por aqui passarem que cliquem em cima imagem acima para ampliá-la e facilitar a leitura da mesma para que o texto integral seja entendido e consumido de fato. 

Por favor compartilhem esta postagem. Precisamos trazer mais massa crítica para esta discussão toda. A polícia precisa ser formada, educada, regida pela lógica da ética, não ser largada nas ruas para cometer atrocidades que vemos todos os dias.

Salve a fumaça!
Sobô Nirê Malunguinho!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

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