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sábado, 19 de novembro de 2011

Fanáticos religiosos perturbam passageiros no metrô - seria o Espírito Santo?



Fanáticos religiosos perturbam passageiros no metrô - seria isso o Espírito Santo?

Ao assistir o vídeo acima, qualquer pessoa que não esteja envolvida no mundo neopentecostal contemporâneo irá achar um absurdo a atitude desses ditos "evangélicos" que ao estarem em profunda relação com suas convicções religiosas, promovem a mais descarada falta de respeito aos outros - outros esses, de diversas outras religiões que merecem respeito, especialmente no espaço público democrático.

Achar que a divindade suprema cristã Deus se manifestaria dessa forma em pessoas em metrôs, em surtos psicóticos de alto grau não caberia a compreensão bíblica. portanto: seia isso o Espírito Santo? 

Observo esse fenômeno como o desespero das pessoas com seus universos individuais, onde eles e elas ao se sentirem vazios interiormente, buscam justificativa nessas formas de expugnar suas energias, opressões sociais, frustrações e egos. Essa é forma perfeita encontrada por eles para dizer que estão em relação com o sagrado supremo, chegando mesmo a serem utilizados por este (em loco e em corpo), para promover atos de desrespeito aos homens e mulheres. Portanto, assim legitimam-se em suas comunidades religiosas, em que esses atos são contados posteriormente em "testemunhos" na Igreja como algo de virtude na lida da expansão do pensamento evangélico.

E mais, o racismo histórico ainda se revela na fala de um dos "evangélicos" que diz: "Deus gosta de negão, aprendi que Deus gosta é de negão"... Com isso fica claro que o indivíduo que é negro, ao se sentir aceito socialmente pela comunidade de sua Igreja, começa achar que Deus gosta de negros, revelando assim sua visão interna de que Deus é branco e que os brancos são mais aceitos... Esse é um tópico a ser muito aprofundado, pelo grau de importância do tema levantado (racismo religioso).

Acho que nós ainda não sabemos lidar com esses atos como deveríamos... Observa-se no vídeo que até os guardas do metrô, ficam perplexos perante a ação dessas pessoas. Não sabendo como agir. Pois não se sabe se isso é crime à ordem ou o que seria...

Acho que esse vídeo nos proporciona uma boa possibilidade de enxergar uma realidade a cada dia mais presente em nossas vidas. Essas práticas violentas contra outras formas de pensamento (como demonstra o vídeo na cena onde a mulher vai até dois jovens e ameaça-os com o "poder de Deus", por eles não estarem apoiando a atitude deles). Temos mesmo que discutir, pois isso, a psiquiatria diz ser surto coletivo... Etc.

Ontem, no V Colóquio de História da UNICAP, apresentei dois artigos com os títulos: Teologia da Jurema - Existe Alguma? e o Exú, Espírito Santo e Intolerância Religiosa... Este segundo trata de um caso semelhante a este citado, ocorrido dentro de um ônibus em minha ida à universidade. Depois disponibilizarei o texto integral aqui no blog.

Bom, vai aí a possibilidade de refletirmos e discutirmos sobre essa questão tão envolvente e indignante.

Afirmo aqui que minha proposta é de refletirmos sobre intolerância religiosa. Concebo que para essas pessoas no vídeo, o que ocorreu dentro do metrô foi algo sagrado, uma experiência religiosa. portanto, respeito na medida do possível isso, mas digo: "o direito do outro acaba quando começa o meu"...!

Salve a fumaça!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 4 de março de 2009

Os Orixás Pedem Passagem no Mundo Fonográfico!

Os Orixás Pedem Passagem no Mundo Fonográfico!
Um registro fidedigno de uma tradição bicentenária.


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Os Ilús (Iyàn, Melè e Melè Nkó), Agbè, Gàn, Palmas e Vozes, chamam as divindades africanas pra brincar na terra com seus adoradores e filhos a pelo menos 10.000 anos...

Alujá, Bata, Ego, Ebotá, Ijexá, Nagô, Jeje, Barra Vento, Sete Pancadas... Ritmos nossos que soam do Sítio de Tia Inês Ifatinuké... (a fundadora desta tradição em Pernambuco).

Com o título Sítio de Pai Adão, ritmos africanos no Xangô do Recife, o fonograma gravado em Janeiro de 2005- Recife, durante o projeto Turista Aprendiz, do grupo A Barca Maracá Estúdio, traz aos ouvidos do mundo uma produção fonográfica inovadora e arrojada de uma tradição até então não registrada em fonograma através da produção musical de Renata Amaral.

Tudo começou assim: Uma festa de Orixá, em uma tarde no terreiro mais tradicional de Pernambuco. Ali se encontravam grandes personalidades religiosas da tradição Nagô Egbá, ou Obá Omi, a tradição de Pai Adão, um antigo sacerdote que imprimiu sua dignidade e força espiritual no imaginário da tradição afro descendente do Brasil durante sua gestão religiosa na casa de Iyemanjá Ogunté, na Estrada Velha de Água Fria.

A proposta era captar a sonoridade e os cânticos sagrados deste povo. Cânticos estes que trazem em si um patrimônio vivo e dinâmico, uma musicalidade verdadeiramente afro ameríndia, coisa bem brasileira, música sacra de valor estético relevante. Através da coordenação dos engenheiros de gravação Ernani Napolitano e André Magalhães, a equipe de técnica levou os melhores equipamentos de captação de áudio para uma gravação em loco desta manifestação que só poderia ser registrada assim, pois "o Xangô não se leva pra estúdio", segundo os antigos sacerdotes.

O resultado desta mistura técnica de qualidade atenciosa e do real axé (força) da musicalidade dos orixás, gerou um surpreendente e esperançoso CD, que traz inéditos cânticos secretos, até então jamais ouvidos.

Cânticos para Ossain, para Orunmilá, para todos os Orixás, enchem nossos ouvidos de dúvida e interesse, de alegria e ritmo forte, cadente e vibrante.
Trazendo também a participação da última filha viva do babalorixá Pai Adão, a Tia Mãezinha, filha de Xangô, uma das iniciadas mais antigas vivas do Estado, nos revela aspectos particulares da relação de gosto por cânticos de seu pai, que logo na segunda faixa do CD, canta uma das toadas mais importantes cantada por ele, em sua época.

O que mais chama a atenção no fonograma é a qualidade da gravação, a captação, que, profissionalmente e cuidadosamente teve um requinte e refinação extremamente profissional, sendo este em minha opinião o melhor registro de música de terreiro já realizado no Brasil. Jamais se ouviu sons tão bem definidos e afinados de instrumentos como neste álbum, pois o cuidado na microfonagem e na edição destes sons, definem toda obra como um espetáculo de sons que nos levam a transcendência e principalmente ao saborear de uma verdadeira orquestra afro-brasileira, percutida pelas mão dos Ogans (sacerdotes tocadores).

O Cd tem todo um visual adequado e bem elaborado por seus artistas gráficos, o André Hosoi e Fabiana Queirolo, que no conteúdo agregaram o texto bem abalizado do atual Babalorixá do Sítio, o senhor Manoel Nascimento Costa, o Manoel Papai, Ogunté Farã, que traz dados históricos e informações essenciais sobre o contexto que se refere o disco. Todos os cânticos são na língua Yorùbá, e sendo assim, a tradução também feita pelo Sr. Manoel Papai nos leva a um conhecimento aprofundado desta tradição que muito o Brasil deve reparação e reconhecimento, sendo o próprio CD um material também didático e desmistificador.

Realmente vale a pena escutar este belo fonograma, pois se não há mercado no Brasil que o consuma, com certeza os melhores ouvidos, atenciosos a novidades musicais mundiais vão consumi-lo como um disco que é indispensável a qualquer acervo de qualidade.

*Tia Mãezinha (Iyá Midè) e Mãe Janda (Oxum Bakundè).

Xoxo obé xoxo obé - *Nosso pedido será atendido
Odara coma eyó - Legbará limpe o caminho
Xoxo obé odara koma seke - Exú não age ás pressas
Odara baba ebó - Ele toma todo tempo que precisa.

* (Toada para Exú. **Não é uma tradução literal)


Ficha Técnica:
Fonograma: Sítio de Pai Adão, Ritmos Africanos no Xangô do Recife
Direção geral: Manoel Costa Papai
Direção/Produção Musical: Renata Amaral
Direção Técnica: André Magalhães
Captação e Administração: Amélia Cunha
Produção Executiva: Patrícia Ferraz
Gravações Adicionais: Estúdio Fábrica, por Marcílio Moura e André Magalhães/ Recife, julho de 2005.
Mixado e Masterizado no Estúdio Zabumba, SP, por André Magalhães. Patrocínios: Governo do Estado de Pernambuco-Secretaria de Cultura/Fundarpe - Funcultura- Pernambuco.

*Alexandre Alberto Santos de Oliveira (*L'Omi L'Odò)

(alexandrelomilodo@gmail.com)
Aluno 1º período de Produção Fonográfica- AESO Barros Melo
Manhã.
Trabalho da cadeira de Indústria Fonográfica. Profª.: Débora Nascimento

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!